EU ACHO …

2024 É LOGO ALI

Faltam quase mil dias para os próximos Jogos Paralímpicos, depois da edição histórica que se encerrou no domingo passado em Tóquio.

Se nos falta otimismo ao olhar para o cenário político de modo geral, basta nos oxigenarmos na lembrança da melhor campanha da História do Brasil em Paralimpíadas. Não podemos deixar a chama da esperança se apagar. E assim como os atletas que já estão se preparando para Paris 2024, nós também precisamos aprender a pensar a longo prazo e preparar o futuro desde agora.

Nossos atletas nos deixaram transbordando de orgulho, trazendo para casa 72 medalhas.

Nem preciso dizer que Carol Santiago foi um arraso até debaixo d’água. A nadadora conquistou cinco medalhas. Débora Menezes quebrou tudo no parataekwondo. Alex Pires fez história ganhando a medalha de prata na maratona. Além disso, Fernando Rufino se destacou na canoagem. Isso só para citar alguns nomes.

Nosso supernadador Daniel Dias, que anunciou sua aposentadoria após suas 27 medalhas, abre caminhos para tantas e tantos. Fora as reflexões sobre como podemos avançar na inclusão das pessoas com deficiência no nosso dia a dia. Esta é uma causa que deve ser de todas etodos nós. Levantar a pauta é também uma das grandes conquistas dos Jogos Paralímpicos, embora recebam uma cobertura de mídia muito menor que os Jogos Olímpicos.

Quando falamos da inclusão de pessoas com deficiência, lembro o quanto vibrei quando uma amiga minha comprou uma Barbie cadeirante e já estou aqui de olho no site para comprar a minha. Minha amiga Andrea Schwarz sempre fala sobre a necessidade de representatividade dentro e fora do mundo corporativo.

Eu nunca tinha visto uma boneca cadeirante antes. E tenho certeza de que ao ter uma boneca como essa, crianças e adultos podem cada vez mais treinar seus olhares para trazer visibilidade às deficiências (parece óbvio, mas muitos ignoram) e também lutar pelo direito na prática da acessibilidade para todas as pessoas.

Além de banirmos urgentemente de nosso vocabulário termos capacitistas, que promovem discriminação às pessoas com deficiência, como dizer que algo está capenga como sinônimo de ruim ou chamar alguém de débil mental como algo depreciativo.

Sabemos que a Barbie cadeirante que mencionei é só a representação de uma das deficiências que as pessoas podem ter. É por isso que além de terem suma importância, os Jogos Paralímpicos também são extremamente didáticos ao trazerem visibilidade para a diversidade de deficiências e classificarem-nas em diferentes categorias, agrupando atletas a partir de perfis funcionais semelhantes.

Apesar das boas-novas trazidas pelas Paralimpíadas, faltam aparatos básicos como rampas, sinalizações e informações que promovam mobilidade e acesso às oportunidades de educação, esportes e emprego. Já sabemos que o Brasil não é dos países que mais se destaca quando o assunto é acessibilidade.

E, neste caso, não precisamos ter apego a esse título. Tampouco deveríamos nos agarrar a histórias de superação como a de pessoas com deficiência que, com ou sem medalhas, tornam-se heroínas no dia a dia só por conseguirem driblar as mais diferentes barreiras que remetem a ações, para muitos de nós básicas, como sair de suas casas.

Que até 2024 possamos construir novas bases para permitir que novos atletas paralímpicos e olímpicos possam alçar voos ainda maiores. Se já tivemos um desempenho incrível com tantos obstáculos estruturais, imagine sem eles?

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaiguadaderacial.com.br.       

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.