A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUASE PERFEITO

Pesquisadores desenvolvem braço biônico que restaura comportamentos naturais

Lá pelo ano de 3.5OO a. C., diz a lenda, a guerreira Vishpla, rainha da Índia, perdeu a perna numa batalha e recebeu uma prótese de ferro para poder retornar à luta. A história épica é a primeira menção de um dispositivo artificial capaz de substituir uma parte do corpo. Foram necessários milênios para se chegar a um dos aparelhos mais extraordinários já desenvolvidos. Nesta semana, os avanços atingiram novo patamar quando cientistas da Cleveland Clinic, nos EUA, anunciaram um braço com funções muito semelhantes às de um órgão natural, até mesmo as mais sofisticadas.

O “braço biônico” permite que as pessoas pensem, se comportem com ele como se não fossem amputadas. Os resultados foram publicados na Science Robotics. O grande avanço é combinar mecanismos importantes: controle motor intuitivo, cinestesia de toque e sensação intuitiva de abrir e fechar a mão.

“A técnica é o estado da arte sob o ponto de vista acadêmico e de desenvolvimento tecnológico. A tendência que existe hoje na área é fazer integração sensório-motora para controle de próteses. Vários experts têm advogado que é preciso integrar não só a parte motora, mas também a parte sensorial”, diz Leonardo Abdala Elias, fundador e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Neuro-engenharia e coordenador do Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp. – E eles conseguiram.

Como prova a lenda de Vishpla, a próteses existem há milênios, mas foi há cerca de 70 anos que voltaram a ser pesquisadas e começaram a se aprimorar. Há quatro décadas surgiram as bioelétricas, que têm um comando a partir de um motorzinho. Ou seja, o usuário consegue levar o ombro para trás, abrir a mão, trazer o ombro para frente, fechar a mão. Já a integração sensorial é uma busca bem recente, dos últimos cinco anos. Os avanços são fundamentais para conter o abandono das próteses que, segundo Elias, chega a 60% no caso dos que perderam membros superiores.

O grande problema é a carga cognitiva. Quando uma pessoa não amputada vai pegar um copo, ela olha uma vez para o objeto e o resto se desenvolve naturalmente: esticar o braço, abrir a mão e colocar a pressão necessária para movê-lo. Como as próteses acessíveis hoje não têm sensibilidade, a pessoa tem que olhar e racionalizar cada uma das etapas.

Os desafios são pouco óbvios para quem não sofre a ausência do membro. Se fechar os olhos, essa pessoa sabe a posição da sua mão ou braço. Ao pegar um objeto, identifica imediatamente a pressão que deve usar para movê-lo. Se encostar em algo quente, imediatamente seu cérebro será notificado e ela se afasta. Essas são algumas das capacidades que estão sendo buscadas em centros acadêmicos de países como Suécia, Reino Unido e, principalmente, Estados Unidos. No país, boa parte da verba vem de uma agência de pesquisa ligada à Defesa americana – preocupação derivada do grande número de soldados feridos em guerras.

Pesquisas também vêm sendo feitas no Brasil, onde, apenas em 2020, 68.962 pessoas tiveram membros amputados.

Segundo a professora de fisiatria da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho Diretor do IMREA (instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Cínicas de SP), Linamara Rizzo Battistella, as próteses bioelétricas usadas atualmente nos membros superiores oferecem muita dificuldade:

“Elas exigem atenção, coordenação e muito treinamento. São próteses sensíveis, e o acabamento não tem um senso estético, capaz de criar um conjunto mais harmônico.

Por outro lado, o braço biônico de Cleveland traduz outra lógica, que seria a capacidade de, com um impulso cerebral, movimentar o segmento.

“Não será para todos porque exige boa integridade dos nervos, treinamento e boa coordenação. Ainda não é automático. Mas será um dia. Por isso é importante olhar para estas pesquisas como um caminho e não um ponto de chegada. Mas é um bom começo. O fato de ter a função do tato, o sensor que te dá propriocepção, isso é muito refinado. A participação visual na prótese bioelétrica é muito grande, já na biônica é a percepção sensorial”, diz Battistella.

Quando esses braços biônicos vão chegar à população é difícil dizer porque vai além da ciência. Depende também da indústria de reabilitação, das agências reguladoras e muitos outros agentes.

OUTROS AVANÇOS

Em relação aos membros inferiores, as pesquisas mais importantes estão na biomecânica, na direção do controle da impedância, que é a rigidez na articulação para fazer movimentos mais harmônicos e suaves.

Há outras linhas de pesquisa. Em uma delas, como explica André Luiz Jardini Munhoz, pesquisador no Instituto Nacional de Biofabricação Biofabris/Unicamp, o coto da perna é escaneado, a imagem vai para o computador e é usada para montar um cartucho (dispositivo que integra a prótese ao membro) pela impressão 3D, oferecendo mais conforto para a pessoa amputada.

Outro projeto segue a linha internacional: em parceria com o Ministério Público do Trabalho, são desenvolvidos braços com sensores, capazes de emitir sinais do cérebro ao nervo e do nervo ao cérebro.

Paralelamente, na área de próteses, são estudados tecidos para simular a pele, biomateriais para implantes, ligas de titânio, polímeros associados, etc. Há também próteses virtuais, com olhos biônicos, e auditivas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.