OUTROS OLHARES

BEBIDA ALCOÓLICA PODE AFETAR SEU CORAÇÃO

Nos EUA, novo estudo concluiu que o álcool, mesmo em pequena quantidade, é capaz de aumentar o risco de desenvolver alterações na frequência cardíaca, problema que atinge cerca de 3 milhões de americanos

Um  novo estudo descobriu que o consumo de álcool, mesmo que uma lata de cerveja ou um copo de vinho, pode aumentar rapidamente o risco de um tipo comum de arritmia cardíaca conhecida como fibrilação atrial em pessoas que têm um histórico da doença.

Os médicos há muito suspeitam da ligação entre o álcool e a fibrilação atrial não, mas não tinham evidências definitivas de que o álcool pudesse causar arritmia. O novo estudo está entre os mais rigorosos até hoje: os pesquisadores recrutaram cem pessoas com histórico de fibrilação atrial e as acompanharam intensamente por quatro semanas, monitorando a ingestão de álcool e o ritmo cardíaco em tempo real.

Os cientistas descobriram que beber álcool aumentava as chances de uma pessoa ter um episódio de fibrilação atrial, ou de frequência cardíaca anormal, nas horas seguintes. E, quanto mais bebiam, maior a probabilidade de ter uma arritmia. O novo estudo foi publicado no Annals of Internal Medicine. Asconclusões, com dados de estudos anteriores, sugerem que pessoas com histórico de fibrilação atrial podem reduzir suas chances de desenvolver arritmias reduzindo o consumo de álcool ou evitando por completo bebidas alcoólicas.

Os autores especularam que as descobertas poderiam ter implicações mais amplas para adultos saudáveis também. Embora o consumo moderado de álcool seja amplamente considerado benéfico para a saúde do coração, a nova pesquisa sugere que, pelo menos em algumas pessoas pode potencialmente perturbar o funcionamento do órgão. “Isso demonstra que, sempre que consumirmos álcool, ele presumivelmente terá um efeito quase imediato no funcionamento elétrico de nossos corações”, disse Gregory Marcus, autor do estudo e professor de medicina na divisão de cardiologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

A fibrilação atrial, também conhecida como A-fib, é a disfunção na frequência cardíaca mais comum nos Estados Unidos, afetando cerca de três milhões de adultos. Ocorre quando as câmaras superiores do coração, os átrios, começam a bater irregularmente, o que pode interromper o fluxo sanguíneo para as câmaras inferiores do coração, os ventrículos. Com o tempo, pode levar a complicações, como insuficiência cardíaca e derrames.

A A-fib pode ser persistente ou pode ocorrer esporadicamente, com sintomas como palpitações, falta de ar e fadiga, que duram alguns minutos ou horas a cada episódio. Quando ocorrem ocasionalmente, a condição é conhecida como fibrilação atrial paroxística.

As pessoas têm maior chance de desenvolver fibrilação atrial à medida que envelhecem. Também é mais provável ocorrer em pessoas com fatores de risco, como hipertensão, doenças cardíacas, obesidade, ascendência europeia ou histórico familiar.

Cerca de quatro décadas atrás, os médicos começaram a documentar casos de pessoas com arritmias após crises de bebedeira nos fins de semana e feriados, um fenômeno que veio a ser conhecido como “síndrome do coração pós-feriado”. Desde então, uma série de estudos observacionais descobriram que pessoas que consomem álcool regularmente, mesmo que apenas uma bebida por dia, têmuma probabilidade maior de desenvolver fibrilação atrial em comparação com pessoas abstêmias.

Muitos desses estudos anteriores tinham deficiências importantes. Na maioria dos casos, eles confiaram que as pessoas teriam relatado com precisão e honestidade sua ingestão de álcool, o que nem sempre é confiável. Estudos descobriram, por exemplo, que as pessoas tendem a subestimar o quanto bebem. Outra limitação é que as pessoas que são solicitadas a relembrar um episódio de fibrilação atrial podem identificar erroneamente uma variedade de comportamentos como gatilhos.

O novo estudo, no entanto, foi projetado para contornar essas limitações. Marcus e seus colegas recrutaram cem pessoas com histórico de fibrilação atrial paroxística, a maioria delas homens, e os fizeram usar monitores de eletrocardiograma 24 horas por dia. Os dispositivos continham um botão que os participantes deveriam apertar sempre que ingerissem uma bebida alcoólica. Os pesquisadores também usaram outras medidas objetivas para monitorar a ingestão de álcool. Eles equiparam os participantes com monitores de tornozelo especiais que podiam detectar seus níveis de álcool no sangue. E fizeram exames de sangue de rotina para medir os níveis de fosfatidiletanol dos participantes, ou PEth, um biomarcador que dá alguma indicação do consumo recente de álcool por uma pessoa.

GATILHO PARA ARRITMIA

Em quatro semanas de rastreamento , os pesquisadores descobriram que ao menos 56 participantes haviam experimentado um episódio de fibrilação atrial. Os dados indicaram que o álcool costumava ser um gatilho para arritmias. Tomar um drinque dobrava as chances de uma pessoa ter um episódio de fibrilação atrial nas quatro horas seguintes, enquanto tomar duas ou mais doses triplicava as chances. Quanto mais alta a concentração de álcool no sangue de uma pessoa, maior a probabilidade de ter uma arritmia.

Marian R. Piano, pesquisadora que publicou muitos estudos sobre álcool e saúde cardiovascular, e que não estava envolvida com o novo estudo, disse que as descobertas representam um passo importante em nossa compreensão de como o álcool afeta o coração. Segundo ela, os profissionais de saúde devem conversar com seus pacientes, especialmente aqueles que têm fibrilação atrial, sobre a quantidade de álcool que consomem e se seria prudente reduzir ou evitar.

“A fibrilação atrial é uma arritmia que pode ter efeitos graves, como um derrame. Portanto, entender o que pode ser um gatilho relevante é crucial”, disse Piano, professora e reitora associada de pesquisa na Escola de Enfermagem da Vanderbilt University.

A especialista disse que gostaria de ver mais pesquisas sobre em um grupo mais diverso de pessoas. Os participantes desse novo estudo eram, em sua maioria, brancos e apenas 22 deles eram mulheres.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.