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PEQUENINO, MAS LUCRATIVO

As redes registram cada vez mais influenciadores mirins, que ganham fama e dinheiro com o estímulo dos pais. Os especialistas alertam para os perigos

Aos 3 anos, o menininho de bochechas fartas e sorriso fácil acomodado na cadeira infantil do carro ensaia um “eu te amo” em inglês para a mãe, que registra, eufórica, aqueles segundos. O vídeo, como quase tudo em que Noah Tavares estampa o rosto, viralizou entre o seu recém alcançado 1 milhão de seguidores no Instagram e os mais de 5milhões que acompanham suas variadas gracinhas no TikTok. Administrada pela mãe, a farmacêutica Frécia Tavares, 33 anos, a bio de Nonô, como ficou célebre, informa que ele é “uma pessoa pública”. E como. “Comecei a postar fotos dele quando era um bebezinho e me surpreendi com o sucesso”, conta Frécia, cuja determinação acabou transformando o filho em um pequeno ás da publicidade – chega a cobrar 4.000 reais por foto postada, divulgando marcas como Coca-Cola, Itaú e Rappi. “Temos uma rotina de gravação praticamente diária”, diz a farmacêutica, que largou o emprego para gerenciar a atribulada agenda. Em tempos pré-web, Nonô seria garoto-propaganda. Hoje é influenciador digital e encorpa a hashtag mini- influencer, já empregada 1 milhão de vezes, e subindo no Brasil.

A quem o aborda – e não é pouca gente – ele se apresenta: “Sou aquele menino famoso da internet”.

A indústria do entretenimento é uma usina de converter fofura e talento precoce em fama desde a mais tenra idade. Um mergulho mais fundo, porém, mostra que o caminho pode ser tortuoso para a criança, que perde contato com a espontaneidade da infância e passa a cumprir um roteiro traçado pelos pais. “Familiares às vezes agem de forma narcisista, expondo os filhos para aparecer através deles”, diz a psicóloga Ceres Araújo, fazendo um alerta para um efeito colateral nocivo: “O excesso de expectativa por parte dos adultos exerce sobre a criança uma pressão que tende a se traduzir em sofrimento”. Diversos nomes estelares penaram depois de estrearem jovens demais, entre eles Michael Jackson, que aos 6 anos cumpria uma maratona de shows e era alvo de castigos físicos do pai-empresário, e Macaulay Culkin, o astro de Esqueceram de Mim, que, revelado aos 4 anos, adentrou a maturidade sem saber lidar com a fama e abandonou as telas.

As redes sociais, sempre elas, deram novos contornos ao fenômeno, com seu potencial de fazer de uma peraltice um sucesso global, muitas vezes oco. E os pais se entusiasmam além da conta. A tentação de exibir todos os passos da prole ganhou até nome em inglês: sharenting, mescla de share (dividir) com parenting (paternidade.) Especialistas reconhecem a complexidade de estabelecer nesse movediço terreno a fronteira entre o razoável e o contraindicado – e o bom senso será sempre um balizador, lembram. Cientificamente, já está comprovado que uma rotina intensa demais no mundo paralelo da internet reduz vivências essenciais para o desenvolvimento. O risco é de a criança se deixar fisgar por imagens fáceis no lugar de afiar raciocínios complexos. “As redes atuam no sistema de recompensa do cérebro infantil como um estímulo positivo, mas não são nem de perto suficientes para enriquecer a linguagem e o pensamento”, afirma o neuropediatra Mauro Muszkat, da Unifesp. A médica Fernanda Kanner, 38 anos, viu a filha Nina, 14, disparar no TikTok, com 2 milhões de seguidores. Notando que o cotidiano virtual fugia do controle, a mãe tomou a dura decisão de encerrar a conta há um mês. “A pseudo fama a fez acreditar que a beleza era o que ela tinha de mais especial. Fiz isso para o seu bem”, justifica a médica. Quando o dinheiro entra na equação, a probabilidade de um desequilíbrio na rotina infantil se eleva. “Sempre houve crianças aparecendo em propagandas, mas, depois que as mídias tradicionais passaram a ser reguladas, as redes se tornaram uma opção mais interessante, já que ali as regras não estão plenamente definidas”, explica a antropóloga Solange Mezabarba. Desde 2014 uma norma do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente proíbe que a publicidade infantil seja dirigida diretamente aos pequenos, mas nem sempre é trivial discernir brincadeira de propaganda. A sutileza se revela, por exemplo, em situações como o unboxing, em que o mini- influenciador vai abrindo uma caixa e de lá retira “produtos-surpresa”, como roupas e brinquedos, tudo à venda. Na segunda-feira 23, nove empresas foram denunciadas ao Ministério Público da Bahia pelo Instituto Alana por prática de publicidade infantil irregular. “Acriança percebe o influenciador mirim como um amigo, não como um ator, e aí está o problema”, explica Isabella Henriques, diretora-executiva do Alana. No fim de 2020, a fabricante de brinquedos Mattel foi condenada a pagar 200.000 reais por danos morais coletivos, após o Tribunal de Justiça de São Paulo considerar que a empresa fez publicidade indireta ao contratar uma criança com canal no YouTube para divulgar uma marca de bonecas. A Mattel diz “garantir a ética, a qualidade e a verdade em sua comunicação”.

A lei brasileira determina que filhos não podem se tornar responsáveis pelos rendimentos da família, o que é frequente no universo dos influencers mirins. “O Estado e os pais também devem zelar pelo que é melhor para a criança”, frisa Glicia Salmeron, presidentedaCo1nissão dos Direitos da Criança da OAB. A especialista em turismo Patrícia Yamazaki, 43 anos, deixa a filha, Maria Eduarda, de 8, gravar anúncios (ela é embaixadora de grifes conhecidas de roupas e contabiliza 73.000 seguidores). Mas impõe horários, acreditando que assim a menina segue uma trilha saudável. “Só marco trabalhos aos sábados e domingos. Não quero que ela se deslumbre com o mundo digital e deixe de se empenhar nos estudos”, diz a mãe. Todo o cuidado é pouco nesse campo de tantos e variados estímulos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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