POESIA CANTADA

BILHETE

IVAN LINS

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS.

Quebrei o teu prato
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala
Já fiz tua mala
Pus no corredor

Eu limpei minha vida
Te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou
Está morto

Jogue a cópia das chaves
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa volta
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus
Boa sorte, adeus

OUTROS OLHARES

EM UM ANO, #METOOBRASIL RECEBEU RELATOS DE 151 VÍTIMAS

Mais da metade só narrou o abuso sexual; 68 foram encaminhadas à Justiça

“Por que você não gritou? Não tentou bater nele? Essa é a primeira vez que vejo uma pessoa ser violentada e não lutar.”

As frases vêm do relato que Júlia (nome fictício) enviou à campanha #MeTooBrasil, narrando o abuso que sofreu aos 14 anos. No depoimento, relembra como o padrasto a assediou, como foi rejeitada pelo pai ao buscar ajuda e maltratada ao denunciar o caso para o delegado da sua cidade.

Lançado há um ano, o movimento #MeTooBrasil, que acolhe vítimas de violência sexual, se inspirou na campanha americana de mesmo nome que expôs abusos em Hollywood e que resultou, em março de 2020, na condenação do produtor Harvey Weinstein a 23 anos de prisão por agressão sexual e estupro.

Neste primeiro ano, a campanha brasileira recebeu 151 relatos relacionados à violência sexual. Desses, 77 usaram a plataforma como forma de relatar suas histórias, como Júlia; as outras 74 vítimas buscaram ajuda efetivamente – 68 desses atendimentos resultaram no encaminhamento para rede de proteção do Estado.

Para a advogada Marina Ganzarolli, idealizadora do projeto, frases como “em briga de marido e mulher não se mete acolher” não encontram mais uma aceitação tácita na sociedade. Campanhas nas redes sociais, contudo, como a que diz que “a culpa não é da vítima”, ainda se limitam a hashtags e o que elas pregam não foi ainda assimilado. A advogada admite que a campanha que concebeu, com um nome em inglês, esbarra em barreiras sociais, econômicas e até digitais. Mas,  diz, sua criação foi a forma que encontrou para romper bolhas. “Para a gente conseguir uma resposta eficaz contra a violência sexual no Brasil, precisamos falar com todo o mundo. Aprendi que seria interessante beber das influências das hashtags e das redes sociais e atingir movimentos hegemônicos para conversar fora desse círculo de garantia de direitos humanos.

Ao entrar em contato com a plataforma, a vítima recebe apoio e orientação do Projeto Justiceiras, que oferece amparo à mulheres vítimas de violência sexual. Depois disso, é dado o encaminhamento do caso no âmbito judicial.

De acordo com o levantamento realizado pela campanha, 54% das mulheres que buscaram pelo #MeToo Brasil são casos não urgentes, ou seja, que não aconteceram na hora e, por isso, não buscam ajuda imediata. A maioria dos relatos da campanha são pedidos de ajuda que partem de mulheres brancas (65%), da região Sudeste do país (53%) e tem entre 21 e 30 anos.

”A maioria nos procura para saber se ainda tem como denunciar as violências sofridas há mais de dez anos. Elas ainda estão revisitando traumas do passado e entendendo as possibilidades de reparação”, diz Ganzarolli. ”Nenhuma vítima consegue denunciar sozinha, não conseguem nem falar para pedir ajuda, quem dirá brigar com um Saul Klein ou um Roger Abdelmassih.

Ela lembra que é comum que vítimas de crimes sexuais demorem anos para buscar ajuda e aponta que um dos maiores problemas da violência sexual no Brasil é a subnotificação do casos.

De acordo com o mais recente anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2010, houve uma queda de 14% no registro de estupros e estupros de vulneráveis. Mas  a leitura não é  necessariamente otimista, diz a advogada.

“As condições em que esses crimes acontecem são dentro do convívio familiar e aumentaram com o isolamento social. Por isso, com certeza, a violência sexual aumentou, o que caiu foram os registros”. São vários os fatores que contribuem para a subnotificação, mas um deles é a incompreensão de como funciona a violência sexual, normalmente perpetrada por pessoas do ciclo afetivo da vítima.

“Não é uma pessoa que ela odeia, que ela quer ver presa, que ela quer destruir, normalmente é o pai, irmão, padrasto, tio, chefe, um colega. É um processo difícil porque a vítima tem uma série de afetos com aquela pessoa para fora da situação de trauma”.

De acordo com os dados das mulheres que recorreram ao #MeTooBrasil, 55% das denúncias são de violências que aconteceram dentro de casa, 54% afirmaram que era a primeira vez que buscavam ajuda, 21% relataram que o agressor possui posse ou acesso a armas de fogo e 14,7% vivem com seus agressores. Os dados seriam divulgados nesta terça (31), em um Webinar.

Ganzarolli afirma que, apesar de a grande maioria das vítimas dos casos de violência sexual ser de mulheres, meninos também são vítimas de violência sexual, tanto na infância quanto na adolescência.

“Não são nem 5% dos casos, mas eles são ainda mais invisibilizados, por sofrerem com a chave da homofobia. Por isso não falam nunca sobre as violências sofridas”.

Como Márcio (nome também fictício), que teve sua história contada à campanha pela avó. O garoto contou que o pai havia introduzido o dedo em seu ânus. A família, então, levou o menino, cuja idade não foi indicada no relato, para fazer exame de corpo de delito. Porém as investigações nada constataram. Agora a avó teme que a guarda da criança vá para o pai.

Medos como o da avó de Márcio são constantes entre as vítimas que sofrem abusos, diz Ganzarolli, que estima que o Brasil 30 anos atrasado na compreensão da violência sexual, se comparado aos EUA e países da Europa.

“Lá fora, se o funcionário de uma empresa é acusado de abusar de alguém, a lógica é afastá-lo ou demiti-lo. Aqui pensam “e se eu punir o cara e não for verdade? Eu vou ser condenado pelo agressor por ter difamado e acabado com a vida dele?” É sempre pela perspectiva do agressor”.

Na visão da advogada, a atual legislação contra crimes sexuais no Brasil é boa e resguarda bem as vítimas. O gargalo estaria na aplicação das leis. “Quantos equipamentos de saúde pública no Brasil estão preparados para aplicar a Lei do Minuto Seguinte (que prevê que hospitais ofereçam às vítimas de violência sexual atendimento emergencial e multidisciplinar)? Estaria exagerando se eu dissesse 40.”

Ela identifica como um avanço recente na área o surgimento da Ouvidoria das Mulheres, em maio de 2020. O canal, criado pelo conselho do Ministério Público a fim de receber denúncias, foi também uma forma de agilizar o encaminhamento dentro da instituição e promover o apoio multidisciplinar às vítimas – em um ano, mais de 870 já procuraram ajuda do órgão.

“Quando falamos de violência doméstica, discute-se um bem protegido, que é a entidade familiar; já quando falamos de violência sexual, é sobre um crime que aborda a sexualidade doentia de homens. Mas as pessoas acham que estamos falando sobre sexo”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 18 DE SETEMBRO

A DECISÃO SÁBIA VEM DE DEUS

Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos, e se decide a causa entre os poderosos (Provérbios 18.18).

Nos tribunais há muitas batalhas jurídicas em andamento entre os poderosos. Os pleitos são defendidos com vigor e fortes arrazoados. Advogados ilustres, com argumentos arrasadores, defendem o pleito de seus clientes com eloquência irreparável. Esses pleitos, porém, se arrastam por longos anos, em virtude da complexidade da causa e da burocracia da justiça. A queda de braço entre os poderosos parece não ter fim. A pugna parece interminável. Os pleitos não chegam a um fim desejável. Sempre que uma sentença é dada, recorre-se a um tribunal imediatamente superior e, assim, a pendenga jurídica cruza anos e anos sem um veredito final. Nos tempos antigos, especialmente no povo de Deus, essas questões eram resolvidas pelo lançar da sorte. O Deus que sonda os corações era consultado quando uma decisão difícil precisava ser tomada. Então, Deus respondia e trazia uma solução clara, justa, que cessava os pleitos. Quando Judas Iscariotes, traindo o seu Senhor, enforcou-se, era necessário um substituto para ocupar o seu lugar. A igreja reunida no cenáculo, em Jerusalém, buscou a Deus em oração, e por meio do lançamento de sortes Matias foi escolhido para ocupar o seu lugar. Hoje, não usamos mais esse expediente, porém o princípio de buscar a Deus e agir segundo a sua vontade ainda deve reger nossas decisões.

GESTÃO E CARREIRA

RECUSA DE VACINA ACENDE DEBATE CORPORATIVO

Segundo especialistas, proteção do coletivo se impõe à do indivíduo e normas das empresas são asseguradas por lei

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 no País, muitas empresas que mantiveram o time em home office até agora estão voltando a operar no presencial. Apesar de a imunização ser comprovadamente a forma mais eficaz de se proteger do vírus, o fato de algumas pessoas recusarem a vacina tem obrigado o mundo corporativo a se posicionar para garantir um ambiente coletivo seguro.

Com a previsão de reabrir seus escritórios em outubro, a Microsoft dos Estados Unidos já anunciou que vai exigir o comprovante de vacinação de todos os funcionários e visitantes para que possam entrar nos prédios da companhia a partir de setembro. Facebook e Google também informaram, no início do mês, que os colaboradores que retomarem ao presencial deverão estar vacinados.

No Brasil, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) manteve recentemente a justa causa aplicada à demissão da funcionária de um hospital que não quis se vacinar. A justificativa foi que, apesar de a vacinação não ser compulsória, a imunização em massa é a única maneira de frear a pandemia. Nesse caso, para proteger a saúde do coletivo, as empresas têm o direito de restringir a frequência ou o exercício de atividades de quem não aceitar entrar na dança – e até de demitir por justa causa, dependendo do motivo da recusa.

“A empresa não pode forçar o empregado a se vacinar, mas, se ele não o fizer, poderá sofrer consequências trabalhistas”, afirma Rodrigo Takano, sócio do departamento trabalhista do Machado Meyer Advogados. “Caso a empresa estabeleça a vacinação como uma condição para a proteção da saúde e segurança dos seus empregados no ambiente do escritório e o empregado se recuse a se vacinar, ele estará violando uma norma interna e inviabilizando o seu trabalho no ambiente coletivo. Nesse contexto, o empregador tem legitimidade para dispensar o empregado por justa causa”, ele esclarece.

Sob a ótica do trabalhador, o especialista ressalta que ele não poderá ser punido por não se imunizar se houver prescrição médica com contraindicação, mas o acesso presencial à empresa pode ser limitado. “Em comparação com outros programas nacionais de vacinação, como o da H1N1 (Influenza), a obrigatoriedade de vacinação é a mesma, porém, no contexto de pandemia e calamidade pública, há um rigor maior de toda a sociedade no que concerne a exigir e fiscalizar a vacinação individual em razão da tutela da coletividade”, reitera.

PROTEÇÃO DIRETA E INDIRETA

Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações e médica do corpo clínico da Cedipi, a pediatra Silvia Bardella Marano explica que, apesar de nenhuma das atuais vacinas contra a covid-19 eliminar o estado de portador do vírus, a pessoa que se imuniza não adoece com a mesma frequência que a que está desprotegida – e, se contrair o vírus, as chances de transmissão são inferiores. “Além dos anticorpos, quem se vacina desenvolve vários graus de resposta contra aquele agente e as chances de o vírus se multiplicar são muito menores”, afirma.

A médica sublinha a importância da questão traçando um paralelo com outros vírus conhecidos. “Urna pessoa com sarampo contamina 18 pessoas, uma com varicela transmite a doença para quase 100 % dos contatos não imunes e uma pessoa com Covid-19 contamina de 3 a 6 pessoas, dependendo da cepa. Então, ela representa um risco para a população, especialmente para quem não está vacinado por limitações da idade, gestação ou imunossupressão.”

De acordo com Silvia, quem ainda não pode tomar a vacina por algum motivo acaba indiretamente protegido pela imunidade de rebanho.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em Goiânia, a Consciente Construtora promoveu campanhas de conscientização sobre a importância da imunização para seus colaboradores. Como resultado, a grande maioria dos funcionários já recebeu a primeira dose e deve estar completamente imunizada até setembro. Dos 190 operários, apenas 4 optaram por não tomar a vacina.

A empresa afirma que orienta, incentiva e procura sempre conscientizar os colaboradores sobre a importância da vacina, inclusive facilitando para que os profissionais possam sair durante o expediente de trabalho para se vacinar. Apesar da campanha permanente, no entanto, eles entendem se tratar de um ato voluntário. Não há nenhum tipo de descontinuidade de contrato ou penalidade com aqueles que, por questões pessoais, decidam não se vacinar.

No caso da healthtech Dandelin, como a equipe é jovem, por enquanto somente os dois sócios-fundadores já estão 100% imunizados e voltaram a frequentar o escritório em formato híbrido. “Com o avanço da vacinação, optamos por deixar opcional o retorno ao escritório, mas somente para aqueles que tiverem tomado as duas doses da vacina e aguardado os 14 dias para que a imunização esteja completa”, explica o CEO Felipe Burattini.

Ele fala que nenhum dos colaboradores tem um posicionamento negacionista quanto à necessidade da vacinação, tanto para a prevenção pessoal quanto coletiva, mas que a empresa é rigorosa com a questão. “Caso algum colaborador se recusasse a ser vacinado, teríamos a certeza de que os valores dele não estariam em conformidade com os da Dandelin”, complementa Mára Rêdiggollo, COO da empresa.

A foodtech Pratí, que até hoje manteve na fábrica somente os profissionais que exercem atividades que não podem ser realizadas a distância, também optou por uma volta gradativa para o escritório daqueles que tenham tomado as duas doses da vacina ou a dose única, no caso da Janssen. Se houver recusa, porém, a empresa vai dialogar. “Os colaboradores que estão em home office e não quiserem se vacinar, manteremos no formato remoto até se vacinarem”, afirma o CEO Fabio Canina. “Para os que atuam de forma presencial, buscaremos entender o motivo da recusa e continuaremos reforçando a importância da imunização, pensando sempre no bem-estar de todos”, ele pondera.

EU ACHO …

A XEPA DO INSTAGRAM

De batom a biscoito, a publicidade na internet virou uma praga

Eu concordo com a publicidade. Base da nossa sociedade de consumo. Digo isso para não ficar semelhante a um esquerdista dos velhos tempos para quem anunciar já era, em si, um pecado. Hoje vivemos sob a era dos influencers. E me pergunto: não há responsabilidade sobre o que eles dizem? Abro meu celular, passo por uma figura pública comendo biscoitos, dizendo que são deliciosos. É uma ação paga, claro. Mas ela comeu os biscoitos, ou só está dizendo pela graninha? Na publicidade tradicional, há um projeto que envolve inúmeras pessoas, e se exige responsabilidade. Quando alguém fura, há inclusive processos. Toda a estrutura pressiona para proteger o consumidor. Mas e os influencers?

Dizem o que querem. Não digo que sejam coisas ruins. A maioria fala de biscoitos, cosméticos, dá a dica de comidinhas… A minha pergunta é: a influencer usou aquele produto? Desfrutou a comidinha? Eu tenho um contato relativo com o mundo de influencers. Sei que ganham por ações pagas, e muitos faturam alto. Cada batom apresentado, cada unha pintada. Mas eles usam os produtos? Experimentam pelo menos? Ou só na hora de gravar?

Quando eu era pequeno, aprendi que devo ter responsabilidade sobre o que falo. Na publicidade tradicional também já vimos gente que “não bebe” fazendo propaganda de cerveja – inclusive a Sandy. Não colou. Mas no dia a dia da internet está desenfreado. Às vezes – acho pior – disfarçado. A personalidade faz uma foto descontraída e lá no canto tem o produto. Como que por acaso. Eu mesmo, confesso, já fiz post com chocolates. Sinto a consciência em paz porque sou guloso e adorava a marca. Mas exagerei dando mordidas de hipopótamo em um ovo de Páscoa. Eu comeria aquele chocolate de novo? Todos os anos. Comeria outro? Daquele jeito? Exagerei. Ou seja, a palavra tem valor. Só que esse valor passou a ser medido em preços. As pessoas ficam ricas ou pelo menos vivem bem falando de coisas que não experimentam, não conhecem. E se um produto fizer mal?

O contato dos influencers com o produto é rápido, só na hora da gravação, na maior parte das vezes. Não têm a menor ideia do que estão dizendo. Criam um mundo falso, de um cotidiano recheado de produtos que não conhecem. As pessoas que os seguem pagam a conta.

Eu não sei dizer. Mas a gente não deveria pensar em cobrar responsabilidade social dos influencers? Tipo: que no mínimo conhecessem o produto que alardeiam? Não digo que se tenha de usar o produto todo dia, mas, antes de falar bem, não teriam de conviver com ele?

São questões novas que estão surgindo com a força do Instagram. Eu me lembro que, no passado, tudo que um jovem ator queria fazer era uma peça de teatro. Muitos não pensam mais nisso. Querem bons posts bem pagos, e com isso viver. São objetivos de vida, não tenho nada a dizer. Mas essa nova publicidade motiva um estilo de vida, de consumo rápido e crenças em testemunhos positivos.

Testemunhos nos quais as pessoas nem sabem do que estão falando.

*** WALCYR CARRASCO

EU ACHO …

AGIR É VITAL

Eventos on-line facilitam a vida. Perde-se o contato presencial, mas ganha-se em tempo. Num mesmo final de tarde, sem levantar do sofá, assisti a uma palestra do biólogo americano Jared Diamond promovida pelo Fronteiras do Pensamento, e em seguida uma live com a gerontologista Candice Pomi, no Instagram da jornalista Patrícia Parenza. Falaram sobre dois assuntos que convergiram: o fim. Jared, sob o aspecto universal; Candice, pessoal.

Candice abordou a troca de papéis (filhos cuidando dos pais idosos) e a importância de nos prepararmos (cedo) para nosso próprio envelhecimento, não com o intuito de viver mais, mas de viver melhor, com autonomia. Nossa população tem hoje mais adultos acima dos 60 anos do que crianças de O a 5. No entanto, a quantidade de pediatra continua bem maior do que a de geriatras. Costumamos deixar para pensar na velhice só quando ela se aproxima, o que é, no mínimo, um desperdício. Entre os 60 e os 100 anos, há oportunidades magnífica de vida, mas antes temos que perder o medo de conversar sobre declínios, adaptações, finitude.

Aos 84 anos, o biólogo Jared Diamond mantém a mente ativa e os olhos no futuro. Ele lembra que doenças emergentes sempre existiram, mas hoje elas circulam a jato pelos cinco continentes, caso da Covid. O único proveito dessa pandemia é reconhecer que, pela primeira vez, o mundo precisa de uma solução global – nenhum país vencerá o vírus sozinho. E temos um desafio ainda maior: nosso senso de coletividade precisa ser direcionado para três dramas planetários que matam mais que a Covid. São eles: as mudança climáticas, o esgotamento dos recursos naturais e a desigualdade social.

A Covid assusta porque mata rapidamente e de forma direta, mas ela não extinguirá o planeta. Já as outras três catástrofes, sim, serão fatais se não houver uma mobilização integrada. Alterações do clima provocam tsunamis, incêndios, estiagem, elevação do níveldo mar e destruição de recifes. A exploração indiscriminada da natureza elimina florestas, acaba com os solos, provoca escassez de energia. E a desigualdade social gera fome, disseminação de doenças, violência. Mas continuamos preocupados apenas com o amanhã imediato, e não com o fim do planeta que se desenha para depois de amanhã.

Tanto no cotidiano privado como no exercício da cidadania, o recado está dado: planeje-se, em vezde entregar-se aos humores do destino. Se parece paranoia, paciência, é uma paranoia útil. Que façamos bom uso do relativo controle que ainda temos sobre o período que iremos viver. Frase de Jared Diamond: ”Negar uma crise é o caminho mais curto para o desastre”. Seja uma crise existencial, política, sanitária, ambiental, não importa: uma vezinformados, é preciso, agora, levantar do sofá.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÂMERA LIGADA, A CULPADA PELO CANSAÇO NAS WEB CHAMADAS

Pesquisa mostra que lidar com a própria imagem em reuniões on-line pode causar pressão excessiva sobre funcionários

Aquele cansaço típico relatado por muitas pessoas após uma reunião virtual, realizada em frente a uma tela de computador ou celular, pode ter um responsável: a webcam aberta. Isso é o que afirma estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que analisou o impacto de uma câmera ligada na fadiga dos usuários.

O estudo, publicado no Journal of Applied Psychology, analisou 103 participantes em 1.400 instantes de suas chamadas e concluiu que o ato de deixar o dispositivo ligado pode estar diretamente relacionado com a sensação de cansaço após o encontro virtual. Isso porque as pessoas tendem a se sentir mais pressionadas com a exposição e com a necessidade de parecerem profissionais engajados diante de uma câmera.

“Há muita tensão em relação à autoimagem associada às câmeras. Ter uma formação profissional e parecer pronta, ou manter as crianças fora da sala estão entre algumas das pressões”, explica a professora Allison Gabriel, autora do estudo.

O trabalho também mostrou que, ao contrário do pensamento convencional, pessoas com câmeras ligadas tendem a apresentar menor produtividade nas reuniões do que aqueles que as mantêm desligadas, uma vez que há um cansaço maior para se manter “apresentável” e disponível. Além disso, mulheres e funcionários mais novos seriam mais vulneráveis a essa fadiga, provavelmente devido às pressões adicionais de apresentação pessoal.

“As mulheres muitas vezes sentem uma pressão para serem perfeitas sem esforço ou têm maior probabilidade de interrupções no cuidado dos filhos”, afirma a pesquisadora. “Já os funcionários mais novos imaginam que devem participar mais para mostrar produtividade”.

O esforço para se expor é algo familiar para a publicitária Flávia Moura, que tem trabalhado de forma remota desde abril de 2020 devido ao distanciamento imposto pela Covid-19. Mãe de uma criança de cinco anos, Flávia sente que, além de ter ficado mais “neurótica”- nas palavras dela -por causa da pandemia em si, também se sente mais preocupada com a aparência e menos confiante no próprio trabalho.

A publicitária relata que tem que se desdobrar para comparecer às reuniões on­line da empresa em que trabalha, além de cuidar da filha, da casa e dos gatos de estimação. É comum ter que desligar a câmera quando a filha lhe pede atenção, o que a faz sentir-se culpada.

“É uma culpa que eu sei que é injustificada. Ninguém é obrigado a ficar com a câmera aberta, mas eu costumo deixar por achar que, assim, vão me levar mais a sério como profissional. No fundo, eu sei que é besteira, mas fiquei mais preocupada com essa visão que os outros têm de mim durante a pandemia”, conta Flávia.

A preocupação sentida pela publicitária se tornou mais comum de um ano para cá, quando grande parte das pessoas se viu em uma situação semelhante e com a qual não estava acostumada. O psicólogo e pesquisador na área de prevenção em saúde mental Renato Caminha afirma que essa sensação pode ser explicada no seu campo de trabalho por meio de um fenômeno chamado de “exaustão do eu”.

“Quando a gente tem longos períodos de atenção fixa, direcionada, isso promove um fenômeno chamado de “exaustão do eu”. Fazendo uma analogia, é como se você fosse à academia e desgastasse excessivamente o físico. É o excesso do foco de atenção que justamente pode tornar você mais desatento, disperso”, afirma o psicólogo.

Para recuperar o vigor dos processos cognitivos, as pessoas necessitam de descanso, mas, como aponta o psicólogo, isso muitas vezes não é possível, sobretudo quando já se está no ambiente de repouso, em casa. Esse cansaço pode levar à irritabilidade, menos disponibilidade para o outro e, inclusive, mais déficit de atenção.

A pesquisadora Allison Gabriel, inclusive, recomenda no estudo que as empresas não obriguem o uso da câmera em reuniões. A ideia é não forçar um situação em que o funcionário se sinta pressionado e, posteriormente, prejudicado.

“No final das contas, queremos que os funcionários se sintam autônomos e apoiados no trabalho para estarem em sua melhor forma. Ter autonomia sobre o uso da câmera é mais um passo nessa direção”, defende a psicóloga.

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