POESIA CANTADA

UM DIA, UM ADEUS

GUILHERME ARANTES

COMPOSIÇÃO: GUILHERME ARANTES.

Só você pra dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver
A luz, estrela no deserto a me guiar
Farol no mar da incerteza

Um dia, um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura

Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Pra você me perdoar

Ah! Que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais

Ninguém mais
Como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou

Ninguém mais
Como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Como eu, como eu

OUTROS OLHARES

O ‘COVIDIOMA’ NOSSO DE CADA DIA

Se atualizar um dicionário já é difícil em condições normais, imagine em meio a uma pandemia que, em um curto período de tempo, acelerou o surgimento de palavras novas – e a ressignificação de outras. Com 382 mil entradas, a sexta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (“Volp”), disponível exclusivamente na versão on-line no site da Academia Brasileira de Letras, enfrentou este desafio. Dos 1.160 verbetes inseridos nesta nova edição da obra, que é considerada o fiel da balançada língua pátria, 65 (cerca de 5% do total) estão ligados direta ou indiretamente ao contexto pandêmico, como “Covid-19”, “lockdown” e “trabalhador essencial”.

Mas  houve  também  um número considerável de termos barrados pelos lexicógrafos. Alguns são curiosíssimos: “coronaplauso” (salva de palmas da população em quarentena como forma de agradecimento à dedicação dos trabalhadores da área de saúde), “corona­ baby”(criança nascida durante a pandemia) ou ainda “blursday”  (impressão de que todos os dias são iguais na quarentena). Preteridos ou não, todos fazem parte do chamado  “covidioma” – outro termo novo que, por ironia, acabou ficando de fora da lista.

“A pandemia trouxe esse estímulo a mais para os lexicógrafos”, diz o acadêmico Evanildo Bechara, presidente da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, que produz o  “Volp. “A sociedade passou por uma ebulição cultural e tecnológica e isso teve repercussão no uso da língua.

Produzida em parte ao longo da pandemia, a nova edição no ar desde o mês passado, só foi possível graças a uma palavra que também faz sua estreia no “Volp”: ”home office”. O uso do termo, aliás, é polêmico, já que a frase “I’m doing home office” (estou fazendo home office) não existe em inglês. Mas não tem problema. Basta dizer que, para levar a cabo sua tarefa, a equipe de Lexicologia e Lexicografia da instituição aderiu ao “teletrabalho” – termo que também estreou agora no dicionário.

Mesmo com as atividades presenciais da ABL suspensas, o trabalho de atualização continuou com muitas trocas de e-mails, mensagens de celular e o uso de videoconferência”, esta tecnologia pandêmica que acaba de realizar o sonho do verbete próprio. Coisa de dar “nomofobia” (medo patológico de ficar sem acesso ao celular). Foi uma dinâmica inédita nos 75 anos de carreira de Bechara. Aos 93 anos, o professor aderiu ao confinamento, já que não é um “negacionista”. Sim, mais uma palavra recém-dicionarizada.

ESTOU AQUI DE PASSAGEM

O ingresso de um verbete novo depende de uma série de exigências. Em primeiro lugar, a sua criação precisa traduzir com eficiência a ideia que quem a empregou quis transmitir. Em segundo, não pode haver palavras antigas e mais expressivas que transmitam melhor a mesma ideia.

Também são levadas em consideração a frequência de uso, a presença em textos oficiais, jornalísticos, acadêmicos etc. e a relevância para a vida social. “Covidengue” e “covidivórcio’ ‘ ingressaram no Real Academia Espanhola, mas ficaram de fora do ” Volp”. Ainda que tratem de fenômenos que também ocorreram no Brasil, tiveram, segundo a equipe da ABL uma repercussão baixa ou inexistente por aqui.

“Há expressões que nasceram para situações específicas e que acabaram não tendo circulação na sociedade. É como se morressem em seu nascedouro”, explica Bechara, que acaba de lançar o livro “Fatos e dúvidas de linguagem” (Nova Fronteira), uma reunião de seus estudos publicados ao longo da carreira.

Palavras existem para nomear a realidade que nos cercam. Mas nem sempre é necessário inventá-las. Autor do livro “De onde vêm as palavras: origens e curiosidades da língua portuguesa” e vice-presidente da Academia Brasileira de Filologia, Deonísio da Silva lembra que a crise sanitária não apenas enseja o surgimento de termos e expressões como também altera o significado das existentes. É o caso, por exemplo, de “comorbidade”,  “imunossuprimido” e “média móvel”. Por sinal, “pandemia” não designou originalmente a peste. Foi precedida em séculos por “epidemia”: do mesmo étimo, observa Deonísio.

“Quantas destas novas palavras ou novos significados prevalecerão? Ainda é cedo para saber”, diz ele.

“O alemão já criou mais de mil palavras nessa pandemia. E com a habitual precisão. Aliás, chamar de pandemia e não peste, como antes, já me parece uma opção pelo eufemismo. Nós como que exorcizamos ou abençoamos as coisas com as palavras.

Responsável pela atualização do “Dicionário Aurélio”, Renata Menezes garante que a fábrica covidiana de expressões está longe de ser um pesadelo para um dicionarista. Pelo menos não para o “lexicógrafo-raiz”, que é como ela chama os apaixonados pelas palavras. Ainda que não façam mais parte do nosso dia a dia depois que a crise sanitária acabar, afirma Renata, os novos termos estão fadados a se eternizar por meio de diferentes registros (científicos, históricos, literários, jornalísticos, lexicográficos…).

“Que esse momento chegue logo e que tenhamos, de fato, aprendido algo com a pandemia, não é mesmo?”, diz a consultora de lexicografia das obras “Aurélio”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 12 DE SETEMBRO

HUMILDADE, O CAMINHO DA HONRA

Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade (Provérbios 18.12).

A soberba é a sala de espera da queda, mas a humildade é o portão de entrada da honra. Quanto mais alto o homem colocar o seu ninho, mais desastrosa será a sua queda. Quanto mais envaidecer seu coração, mais amarga será sua derrota. Deus não tolera o soberbo e resiste aos orgulhosos. Deus lançou do céu o querubim de luz porque o orgulho entrou em seu coração quando quis ser semelhante ao Altíssimo. Deus arrancou Nabucodonosor do trono e o lançou no campo, para pastar com os animais, porque o rei se ensoberbeceu. O anjo de Deus fulminou o rei Herodes porque, ao ser exaltado pelos homens como um ser divino, não deu glória a Deus. O orgulho é um terreno escorregadio, uma estrada cujo destino é o fracasso irremediável. A humildade, porém, precede a honra. A pessoa humilde é respeitada. Deus dá graça aos humildes. Levanta o pobre do monturo e o faz assentar-se entre príncipes. Deus exalta aqueles que se humilham. João Batista disse: Convém que ele [Jesus] cresça e que eu diminua (João 3.30). Esse precursor do Messias considerou-se indigno de desatar as correias das sandálias de Jesus, mas o Mestre o exaltou, dizendo que, dentre os nascidos de mulher, ninguém era maior do que ele. Permanece a verdade imperturbável de que a humildade é o caminho da honra.

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE AS EMPRESAS DEVEM INVESTIR EM GOVERNANÇA CORPORATIVA

Termo define conjunto de práticas por meio das quais as companhias precisam ser administradas para cumprirem seus objetivos

Existe uma crença de que apenas as grandes empresas precisam se preocupar com as práticas de governança corporativa. Na realidade, corporações a partir de um determinado porte deveriam entender que a governança é um imperativo para o seu crescimento e gestão dos seus negócios e que terá um impacto positivo no desempenho e na viabilidade de longo prazo. Aqueles que acham que a governança corporativa “não se aplica” à sua empresa são os que têm uma visão de que essa não afeta os seus resultados financeiros, que é cara para implementar, muito burocrática e vai retardar as tomadas de decisões.

O termo governança corporativa não tem uma definição única aceita em todos os meios. Em termos gerais, ela descreve os processos, as práticas de tomadas de decisões e as estruturas por meio das quais uma empresa é administrada no sentido de cumprir seus objetivos financeiros, operacionais e estratégicos com sustentabilidade de longo prazo. A governança também está moldada para demonstrar a transparência da administração de uma empresa para com os seus clientes, acionistas, órgãos reguladores, empregados, colaboradores, fornecedores e mídia, entre outros.

Os administradores e conselheiros têm o dever da lealdade para com as companhias a que servem e têm o dever fiduciário de agir honestamente.de boa fé e no melhor interesse da empresa, e a governança corporativa tem o papel fundamental de supervisionar e apoiar as atividades desses.

Talvez o maior de todos os objetivos da governança é promover empresas competitivas, fortes e viáveis que prestem contas às partes interessadas por meio do conjunto de suas políticas e  normas internas de forma transparente.

Elencamos cinco práticas de governança corporativa que irão beneficiar as empresas:

1. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – implante um conselho independente e sem qualquer relação material direta ou indireta que possa interferir em seu julgamento, composto por profissionais com ótima qualificação, experiência e tempo suficiente para se comprometer com suas funções e tenham como principais valores de vida a ética e a integridade

2. PAPÉIS E RESPONSABILIDADES – defina linhas claras de responsabilidade entre conselho, presidente, CEO, diretores executivos e comitês de gestão. O presidente lidera o conselho e garante que ele esteja agindo nos melhores interesses da empresa, já o CEO lidera a gestão, desenvolve e implementa a estratégia de negócios.

3. CULTURA GERAL – desenvolva uma cultura geral de ética e integridade nos negócios e de respeito e conformidade com as leis. Enfatize a necessidade dessa integridade e de o trato ético estar aderente a políticas internas.

4. DESEMPENHO DOS DIRETORES – tenha metas mensuráveis para executivos e avalie o seu desempenho, tome decisões sobre remuneração baseadas nesses princípios, pois assim atrairão candidatos adequados para sua empresa.

5. GESTÃO DE RISCOS – estabeleça uma gestão integrada de risco baseada no apetite ao risco que a empresa está disposta. Aja mediante uma definição clara de qual é sua tolerância aos riscos da empresa. Também é necessário produzir informações suficientes para que, na sua estrutura organizacional, os responsáveis possam tomar as devidas decisões quando ocorrer desvios dos riscos. Quando falamos de riscos, as empresas devem atentar para identificar claramente e avaliar os riscos financeiros, operacionais, legais, de reputação, socioambientais que estão relacionados à sua indústria. Seus sistemas precisam estar adequados para suprir informações de controles, identificação, avaliação, mitigação e monitoramento do risco.

Por fim, uma governança corporativa eficaz apoiará e supervisionará de forma transparente se a empresa está em conformidade com as leis e regulamentos e como ela é dirigida, administrada  e controlada.

*** ‘LUIZ ANTÔNIO BULI – é Diretor Executivo do Banco Master S/A – Operações, Risco e Compliance. Formado em Administração de Empresas, possui MBA em Finanças e em Neurociência nos Estados Unidos e no Brasil. Atua no mercado financeiro há mais de 35 anos, sendo 13 nos Estados Unidos e na Europa e com passagem como diretor pelos bancos Safra, Jsafra, Safra National Bank of New York e várias empresas do Grupo Safra no Exterior.

EU ACHO …

O VÉU DA NATUREZA

Apesar da falação boba de hoje em dia, nem sempre o natural é bom

A natureza é objeto de muita falação boba hoje em dia. O adjetivo “natural” acompanha todo tipo de equívoco. Como exemplo clichê, o uso do adjetivo em questão visa, comumente,  dizer que algo é  bom ou orgânico, confiável ou saudável.

Aqui já reside a ignorância crassa – câncer é tão natural quanto uma bela praia deserta. Pestes são tão naturais quanto alfaces criadas sem agrotóxicos, por exemplo.

Existem duas concepções de natureza egressas da filosofia e religião gregas que marcam o ocidente. A obra “Le Voile d’Isis (O véu de Isis), do filósofo francês Pierre Hadot (1922- 2010),  narra essa história para quem quiser saber um pouco o que se quer dizer quando se diz “natureza” para além do senso comum banal. O combate à banalidade é da natureza da filosofia.

A primeira concepção é chamada por Hadot de prometeica, sendo fiel à interpretação consensual entre especialistas no assunto. Claro que essa nomenclatura está vinculada à peça “Prometeu Acorrentado”, de ÉsquiIo (525 a. C – 456 a. C), na qual Prometeu rouba o segredo do fogo dos deuses, dá a chama aos homens e é punido por Zeus por isso.

O fogo aqui é a grande metáfora da técnica, e os homens não seriam vistos pelos deuses como capazes de manipular tanto poder técnico – nem as mulheres, já deixo o aviso às afoitas de gênero.

Nessa linhagem, o termo mais preciso é uma relação mecânica com a natureza, em que “mechané”, termo grego para contendas ou luta, descreve nossa atitude em relação à natureza, a fim de obriga-la a nos revelar seus segredos. E aqui temos um detalhe fundamental na concepção de natureza dos gregos.

O pré-socrático Heráclito de Éfeso (540 a. C – 470 a. C) nos deixou um fragmento em que ele afirma que a natureza ama se esconder de nós. O ambiente permanece sob um véu que nunca podemos atravessar plenamente. A imagem normalmente associada na arte figurativa à de uma mulher que se esconde ou se desvela, relevando ou não os segredos do seu corpo feminino, é enormemente poética.

 Para os prometeicos, como os cientistas modernos – e, à época, já havia experimentos próximos do que hoje chamamos de ciência moderna -, trata-se de torturar a natureza, via experimentos calculados, para fazer com que ela nos releve seus segredos para que vivamos melhor.

É evidente a linhagem direta entre o segredo do fogo de Prometeu e vacinas, aviões, computadores, construção de casas, transplantes, engenharia genética e outras invenções científicas similares. Francis Bacon (1561-1626), grande organizador do método indutivo na ciência moderna, usava essa metáfora da tortura da natureza para a ciência nascente.

Na verdade, a pergunta que separa a linhagem prometeica da órfica – nos termos de Hadot – é se temos ou não o direito de torturar a natureza para que ela revele seus segredos, como no ato de rasgar as roupas de uma mulher e, assim, destruir seu pudor e acessar os recantos do seu corpo. Seria esse ato uma desmedida?

A figura do mítico poeta Orfeu representa aqui o ato de contemplar a natureza, deixando-nos encantar por ela ou passando a encantá-la com nossa poesia, arte e música, dedicando ao ambiente o nosso amor e o nosso respeito, em oposição à atitude prometeica de violá-la. Há uma oposição clara entre usar a natureza como recurso ou contemplá-la como divindade.

Nas antiguidades grega e romana, muitos filósofos de peso que você conhece – Platão, estoicos, epicuristas, entre outros – foram contra esse viés mecânico de invasão dos segredos da natureza.

Mesmo entre os românticos modernos, como Goethe e Schelling, ambos vivendo entre os séculos 18 e 19, ecos da atitude órfica são encontrados em suas obras, como na medicina antroposófica.

A crítica aos excessos da ciência na lida com o planeta ou com a natureza carrega claros traços da ideia de contemplação como forma de respeito aos limites do pudor da natureza. Diante do sucesso da ciência prometeica ao longo dos séculos, hoje em dia, a atitude contemplativa órfica nos parece quase a afetação de uma doce ignorância.

Pergunte-se quando você tiver um ataque cardíaco, você prefere um médico prometeico ou um órfico no pronto-atentimento do hospital.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEXO SOB EFEITO DE DROGAS, ‘CHEMSEX’ ATRAI PRATICANTES E ACUMULA RISCOS

Metanfetamina e cocaína são algumas das substâncias preferidas por quem adota a atividade

Lá nos anos 1980, chamavam de sexo, drogas e rock’n’roll. Agora usam o nome “chemsex contração de “chemical” (químico, em inglês) com “sex” (sexo). O rock’n’roll não é mais parte fundamental da fórmula, e a história se tornou uma prática recreativa que, vez ou outra, faz casais e grupos estenderem a transa por todo um fim de semana. Ou para segunda, para terça, para quarta…

O uso do termo comporta um cigarro de maconha e uma rapidinha após o expediente? Não é bem assim. O chemsex costuma ir além. Hoje, tem sido estimulado pelo crescimento da circulação de metanfetamina, também conhecida por cristal (pronunciada como no inglês “crystal”) ou tina.

Entram no jogo também a cocaína, o GHB (também chamado de ecstasy liquido) e o MDMA, princípio ativo do ecstasy. São drogas mais fortes e que, no contexto das festinhas de sexo ou nas maratonas sexuais de casais, geram riscos.

O chemsex é mais associado ao universo LGBTQIA+, ainda que transar sob efeito de substâncias psicoativas aconteça entre todos os grupos. Para Álvaro Sousa, doutor em ciências pela USP que publicou um estudo sobre chemsex na pandemia no Brasil e em Portugal, a prática é discutida e negociada mais abertamente entre os gays, mas também não é rara entre heterossexuais.

Já a psiquiatra Camila Magalhães vê uma associação entre o uso desse tipo de droga e a cultura de festas e baladas gays. “Entre os héteros, a busca por desinibição para os encontros sexuais é mais calcada no álcool”, afirma ela.

Um dos riscos do chemsex é a dependência. Ouvimos de diversos praticantes da modalidade que em algum momento eles perceberam que haviam desenvolvido dependência química e psicológica. E que, quando não havia uma substância a mais, o sexo havia se tornado algo sem graça.

“Hoje em dia sou abstêmio do sexo. Quando me masturbo, tento imaginar que estou louco de MDMA. Se não imagino o efeito do MDMA e dos poppers (nitritos inalados), fica mais difícil. Chego a virar o olho, para imaginar que estou sob efeito de algo”, diz Fernando, 40 (os nomes dos entrevistados foram trocados).

“Em 95% das vezes em que transei, acho que estava sob efeito de drogas pesadas, entre elas MDMA e cocaína”, conta. “Hoje, quando vejo pornô, faço pesquisa na internet procurando termos como esse”, diz, em resposta sobre se conhece o termo chemsex.

O isolamento causado pela pandemia do coronavírus pode ter contribuído para o aumento da frequência desse tipo de prática. Entre os pacientes de Magalhães, alguns trocaram baladas e casas noturnas por festinhas em residências com sexo e drogas.

“Muitas dessas pessoas tiveram sua sexualidade reprimida ao longo da vida. Essas festas são um momento em que se sentem ‘liberadas’ para fazer tudo o que não puderam fazer, para curtir”, diz a médica.

Alguns praticantes relatam desempenho sexual melhor ou maior sensação de prazer sob o efeito das drogas.

Para Sousa, isso não vem necessariamente do efeito da droga em si, mas, sim, da desinibição que ela causa. “Muitos gays têm uma homofobia internalizada, não aceitam que têm desejo por esse tipo de sexo ou não aceitam seu próprio corpo. Como a droga desinibe, têm a impressão de que o sexo é melhor”, afirma.

Juliana, uma prostituta de 29 anos, observa que não são só os gays que procuram essa prática. Ela conta que é comum atender homens que querem transar sob efeito de substâncias psicoativas.

A trajetória da vida sexual de José também passou pela sensação de riscos iminentes, para além da compulsão. Ele começou a frequentar uma sauna gay no centro de São Paulo e descreve um cenário de uso de substâncias químicas, dentro de quartos e cabines, com maratonas que chegavam a durar 48 horas.

O perigo era a perda de controle e o risco de overdose. “A minha primeira conexão com cocaína foi quando eu tinha 35 anos de idade. Eu me achava bastante maduro para tomar esse tipo de decisão e fechado para alguma vulnerabilidade. Sempre fui muito careta comigo”, diz.

José conta que tinha amigos que usavam drogas em um contexto como o da sauna. “Eu ia, era capaz de curtir a noite [sem usar nada]. Via que outros amigos continuavam lá. Às vezes, por dias. E eu ficava tentando entender como encontravam tanta força? Aos poucos, prossegue, ele foi compreendendo que essas maratonas eram movidas pelo sexo químico. A primeira vez que resolveu aderir ao chemsex foi para acompanhar um parceiro com quem já mantinha relações.

O entrevistado relata que só na terceira ou quarta vez que fez chemsex sentiu uma espécie de “gozo infinito”, um prazer continuo e duradouro.

“Era menos importante ejacular e era uma experiência introspectiva, às vezes quem estava comigo nem era tão interessante para mim:”

José diz que sempre achou que o que estava fazendo era algo errado e que, com a dificuldade de interromper as sessões de chemsex, passou a se considerar dependente químico. “Não fazia uso diário, às vezes era mensal, quinzenal, mas eu desaprendi a transar fora do contexto do uso de cocaína”, afirma ele.

Naquele momento, José desconfiou que estava vulnerável. “Primeiro, porque o uso que eu fazia era muito intenso, havia gastos excessivos e eu me sentia derrotado já no momento em que pensava em usar. Depois, eu passava por ressacas absurdas e que duravam dias”, conta ele.

“Acho que nunca normalizei o uso disso [mesmo se], via esse discurso ser reiterado por amigos, que diziam que não havia problema, porque eu nunca faltava no trabalho por causa disso. O problema é que passei a não saber fazer sexo de uma outra maneira.”

Camila Magalhães afirma que há quem faça chemsex de maneira consciente, planejada e ocasional, protegendo-se e evitando perigos. Outras, porém, têm maior risco de desenvolver dependência química, seja por fatores hereditários, seja por questões psíquicas ou emocionais.

Assim como outros entrevistados, José passou a deixar de lado sua rotina de treinos físicos, de boa alimentação e especialmente de hidratação.

A perda de controle também traz outros riscos. Sob efeito das substâncias, dizem especialistas, muitos passam a não usar preservativo ou interrompem o uso da PrEP (profilaxia pré-exposição, medicação que reduz o risco de contrair HIV), expondo-se a infecções sexualmente transmissíveis.

O uso combinado de algumas drogas ou sua associação com álcool também pode levar a efeitos físicos como desidratação, taquicardia e arritmia cardíaca.

Em Portugal, relata Sousa, a fim de reduzir esse tipo de dano, os organizadores de festas chamam o Ministério da Saúde, que envia equipes ao local. Na entrada, perguntam aos frequentadores que tipo de droga pretendem usar e dão orientações sobre doses adequadas. Também ficam a postos caso alguém precise de atenção médica.

Existe ainda o perigo de abuso sexual por parceiros desconhecidos, do qual Luís foi vítima. Ele conta que foi chamado para uma sessão de chemsex há cerca de duas semanas, respondendo ao contato, por aplicativo, feito por um homem com quem ele já havia tido relações sexuais.

Luís diz que estava buscando prazer sexual sem uso de aditivos, porque já tinha passado pela sensação da dependência. Naquela noite, foi atraído por conversas no aplicativo e a indicação de uso de drogas. Ele diz que topou ir ao apartamento desse conhecido, onde havia um terceiro homem.

“Existe um momento em que você negocia consigo mesmo se você vai ou não. Eu havia decidido que só faria uso da droga que eu mesmo ia levar, metanfetamina”, diz. Ele havia resolvido também que não faria o slam, prática de injetar metanfetamina, e que alertou os dois de que só consentia em fazer sexo no qual estivesse na posição de ativo.

“Durante muito tempo naquela ocasião foi muito gostoso, foi bom mesmo”, diz. Porém, em um determinado momento ele não conseguiu mais ter ereção. “Falei: pessoal, vou ficar de fora, vou tomar uma água. Nesse momento, afirma, alguém lhe ofereceu um refrigerante. “A partir dali comecei a ficar muito obediente, comecei a fazer o que eles mandavam”, conta Luís.

Sob a insistência de fazer uma dose de slam, virou “um brinquedo na mão dos parceiros”. “Lembro que começaram a chegar outras pessoas. Ele foi perdendo a consciência, mas percebeu que pingaram algo em seu ouvido. ‘Quando retornei a consciência, havia seis ou sete pessoas ao meu redor”.

Dias depois, decidiu ir à polícia. Fez exame toxicológico, que, para sua surpresa, acusou uso de morfina, entre outras substâncias. Ele diz ter sido vítima de abuso por um grupo de ao menos dez homens.

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