GESTÃO E CARREIRA

BICHO TAMBÉM CONSOME

Mais presentes nos lares, ‘pets’ elevam gastos das famílias e estimulam negócios

Cães, gatos e outros tipos de animais de estimação cada vez mais presentes nos lares dos brasileiros, introduzindo novos itens de consumo nos orçamentos que vão muito além de ração. Muitas famílias que passam mais tempo em casa desde o ano passado por causa da pandemia agregaram novos bichinhos de estimação no último ano, o que ajudou a aquecer um mercado bilionário em plena crise. O potencial de crescimento ainda é grande, e isso atrai agora investimentos de grandes companhias.

Metade dos domicílios brasileiros tem ao menos um pet. São cerca de 150 milhões de animais -0,7 para cada brasileiro – no país, que estimulam negócios formais e informais das grandes redes de varejo aos pequenos pet shops, passando pelos veterinários e passeadores. E, agora, pesos pesados da indústria investem no setor no Brasil, citando a BRF e a Nestlé.

A universitária Luiza Carretero, de 24 anos, resolveu adotar, em janeiro, a gata Lila para fazer companhia a ela e a Bento, cachorro shitzu que a família já tinha. Ela mora com a mãe, na Zona Norte de São Paulo, mas, com aulas e trabalho remotos desde o início da pandemia, passou a ficar sozinha em casa durante o dia. O cão e a gata se estranharam um pouco no começo, mas já acertaram os ponteiros e a dona 1não perde uma oportunidade de recompensá-los pela cumplicidade diária.

“Achei que seria o melhor momento para adotar”, conta Luiza, que viu seus gastos aumentarem com duas bocas para alimentar (são ao menos RS300 por mês de ração), embora não saiba precisar quanto, já que acaba comprando brinquedos e acessórios por impulso ao passar pela pet shop.

“Lila ama a ração úmida, mas dou de vez em quando, pois a seca é bem mais em conta. Só que toda vez que saio de casa acabo comprando alguma coisa para eles. Gosto de mimá-los.

RELAÇÃO ESTIMULA COMPRAS

Luíza é a típica consumidora na mira das empresas que investem no mercado pet: quanto mais tempo as pessoas dedicam aos seus bichinhos, mais estão propensas a gastar com eles. Em 2020, o segmento – que inclui alimentação, higiene, serviços e produtos veterinários e toda a sorte de acessórios – cresceu 15,5%.

Neste ano, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), deve desacelerar para 13,8%, movimentando RS 46,5 bilhões, mas ainda com taxa de expansão de dois dígitos.

A pandemia funcionou mesmo como um gatilho para muitas famílias que estavam indecisas sobre ter um animal de estimação. É o que mostra a pesquisa Radar Pet 2021, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Do total de entrevistados em todo o país, 30% dos que tinham pet agregaram um novo membro à família durante a fase de isolamento social. Para 23% foi o primeiro bichinho de estimação da vida.

Com mais entidades e até pet shops promovendo a adoção de filhotes ou animais adultos abandonados ficou ainda mais tentador. Os cães ainda são maioria nos lares, mas a preferência pelos felinos aumentou em 2020, observa Leonardo Brandão, coordenador da Comac:

“O interessante é que a maioria foi adoção, e de gatos. Historicamente, a compra de cachorros é sempre maior. Entre os felinos, 84% foram adotados e, entre os cães, 54% são frutos de adoção. Isso confirma uma tendência de que os gatos futuramente serão os pets predominantes no Brasil”,  diz Brandão, destacando que a maior parte dos que adotaram na pandemia são pessoas que moram sozinhas.

A adoção incentiva as pessoas a levar para casa cães mestiços, os chamados vira-latas, abandonados, em vez de comprar cães de raça, mas há quem ainda faça questão de pedigre”.

No comércio autorizado, os mais populares, segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), são as espécies spitz alemão (conhecido como lulu ou anão da pomerânia) e buldogue francês, entre outros. Já entre os gatos, os queridinhos são os persas, incluindo o colorpoint e o himalaio.

Para Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria especializada em consumo Gouvêa Ecosystem, os números refletem uma mudança no comportamento das famílias, que ganhou força na pandemia, cujo potencial de consumo ainda não foi totalmente explorado:

“Com o número de filhos por família caindo nos últimos anos, assim como a renda familiar, e a quantidade cada vez maior de domicílios com uma pessoa só ou com idosos, é natural que os lares tenham mais bichos de estimação e busquem opções de serviços e produtos para eles. Quanto mais próximo o dono é do pet, mais ele gasta.

Ainda que já responda por 70% do mercado pet, a indústria de ração é onde está o maior potencial. Menos de 50% dos bichos de estimação no Brasil consomem esse tipo de alimento industrializado, mas os fabricantes notam maior interesse e disposição dos donos para gastar em alimentos mais saudáveis. Por isso, a indústria de ração tem atraído investimentos altos de gigantes como Nestlé, BRF e Mars.

Carlos Martella, diretor de marketing da marca de rações Royal Canin, conta que, nos últimos três anos, o rótulo da Mars investiu R$5 milhões no desenvolvimento de produtos com viés veterinário. Há alimentos hipoalérgicos e com a adição de elementos que ajudam a diminuir a geração de bolas de pelo, por exemplo. Segundo ele, a procura por esse tipo de ração cresceu muito desde o ano passado:

“Muitas pessoas que não tinham pet compraram ou adotaram um, o que fez aumentar a quantidade de animais em casa. Mas outro fenômeno que vemos é que os tutores que já tinham um passaram a investir em melhores produtos ao passar mais tempo com eles em casa.

VIA PARA IMPORTAÇÃO

Além do mercado interno crescendo, grandes companhias também apostam no setor, de olho nas vantagens relativas do país para exportar, como o acesso às principais matérias-primas agrícolas para a fabricação de rações, como carnes, trigo e milho. A alta recente das commodities levou a reajustes dos produtos finais, mas o consumo segue em alta.

“Ainda assim, o pet food (alimentação) tem um aumento previsto de 7,5% na produção em 2021, chegando a 3.41 milhões de toneladas. O segmento de per care (produtos de higiene) deve crescer em torno de 10% e o pet vet (atendimento veterinário), 12%”, diz José Edson Galvão de França, o presidente-executivo da Abinpet.

O aposentado Jorge Bezerra dos Santos adotou uma cachorrinha já adulta, a Yanka, durante a pandemia, para trazer um pouco mais de vida à casa onde mora com a mulher, Regina da Costa, na Zona Sul de São Paulo. Como estão a maior parte do tempo em casa, brincar com Yanka é uma diversão. Além dos gastos com ração e veterinário, Santos compra brinquedos para animar a interação com ela.

“Eu e minha mulher nos aposentamos em dezembro de 2019 e tínhamos projetado viagens, mas aí veio a pandemia. Ficamos muito reclusos, começamos a sentir falta de algo. Yanka é muito brincalhona, ocupa o tempo”, diz o aposentado.

POPULAÇÃO CRESCENTE

Pesquisa estima que o número de animais domésticos no país aumentou em 2020

INVESTIMENTOS VÃO DE RAÇÃO E XAMPU A PLANO VETERINÁRIO

O aumento do consumo de produtos e serviços para ‘pets’ estimula a expansão da indústria, dos serviços e do varejo

Com a alta no consumo de produtos para o bem-estar de animais de estimação, grandes empresas investem alto em diferentes segmentos, das rações aos cosméticos e medicamentos veterinários, passando por brinquedos e roupinhas. Só a indústria ligada ao tema deve crescer 17.8% este ano, segundo a Abinpet, mas também estão em expansão redes de pet shops, e serviços como os planos veterinários.

A Purina, da Nestlé, anunciou uma nova fábrica de rações em Santa Catarina, cujo investimento será de R$1 bilhão na primeira fase e mais RS 1 bilhão nas duas seguintes. Investiu RS 600 milhões na expansão da fábrica de Ribeirão Preto (SP) nos últimos três anos, incluindo uma nova linha de rações úmidas, fonte de proteínas para os pets.

“A população de cães e gatos de raças pequenas cresce e aumenta a tendência de alimentos premium e úmidos. No Brasil, só 40% da necessidade calórica deles é fornecida por alimentos industrializados”, diz o CEO da Nestlé Purina no Brasil, MarceI de Barros. A gigante brasileira de alimentos BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão comprou em junho duas empresas voltadas para comida especial e úmida de bichos. Uma delas é a gaúcha Hercosul, cuja marca Biofresh, de rações mais saudáveis, tem forte atuação no Sul e no exterior. A outra é a Mogiana, de São Paulo, com operação mais relevante no Sudeste.

BISCOITO DE HAMBÚRGUER

Se os negócios forem aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a BRF será um dos maiores produtores, com aproximadamente 10% desse mercado Estima o vice-presidente de Novos Negócios da companhia. Marcel Sacro.

A rede de lanchonetes Burger King também resolveu agradar pets e seus donos. Lançou em julho uma edição limitada de um biscoito para cães com sabor de carne grelhada.

“A resiliência do segmento e o crescimento, mesmo com as crises, contribui para que investidores se sintam seguros”, avalia Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria Gouvêa Ecosystem.

A Unilever lançou em 2020 sua primeira linha de cosméticos para cães e gatos, a Cafuné. Há, por exemplo, xampu e condicionador fabricados a partir de extratos naturais com direito a opções de diferentes fragrâncias. A marca de brinquedos Fisher-Price também acaba de estrear no mundo pet com uma linha de higiene em parceria com a Neutrocare.

No varejo pet, ainda muito pulverizado, os investimentos buscam a criação de “ecossistemas'” em lojas com produtos e serviços. A rede Petz, que se capitalizou ao lançar ações na Bolsa em 2020, tem hoje 145 lojas, e planeja abrir mais 30 até dezembro. A partir de 2022 o plano é inaugurar 30 qualidades a cada ano e alcançar todos os estados até 2026.

Na semana passada, a Pet Center, um dos braços do grupo, fechou acordo para a compra da plataforma de e-commerce Zoe.Org, espécie de grife do mundo animal, com peças e acessórios para pet.

“A estratégia é ampliar o “ecossistema”. Pode ser por aquisição, parceria, não faz diferença. A expansão é a partir da necessidade do cliente, como o day care ou hotel, por exemplo. Estamos nos preparando para oferecer estes serviços”, explica Sergio Zimerman, presidente da Petz.

Segundo Nelo Marracini, presidente-executivo do Instituto Pet Brasil (IPB), o plano da Petz segue um modelo de negócios já comum na Europa e nos EUA, onde grandes redes compram marcas menores e exclusivas. A Petland, de franquias, também busca frentes complementares. No mês passado, a rede de clínicas veterinárias do grupo, a Dra. Mei, comprou 50% da startup Vetsign, uma plataforma de conteúdo educacional sobre saúde dos pets. O objetivo é vender cursos digitais e fortalecer o e-commerce. Com 306 lojas no país, pretende alcançar 2,5 mil em todo o país até 2027.

BICHO COMO DENPENDENTE

Já a Petlove firmou, em abril, um acordo com a Health for Pet, da Porto Seguro, para oferecer planos a partir de R$99, que dão a cães e gatos acesso a serviços ambulatoriais, vacinas e outros serviços. Um plano veterinário pode fazer diferença numa emergência. já que as clínicas estão cada vez mais sofisticadas e caras.

A Insurtech (startup do setor de seguros) Ciclic passou a aceitar animais de estimação como dependentes de seus serviços de saúde para humanos. Cobre consulta veterinárias presenciais, orientação por telefone, assistência funeral, além de outras conveniências, como indicação de hotel, transporte emergencial e entrega de ração. A cada quatro planos vendidos, um tem pet como dependente. O Itaú criou adicional semelhante ao seu seguro de acidentes pessoais para clientes Personalité.

“Conversando com clientes, percebi que eles consideram o pet membro da família. Se a pessoa pode adicionar um filho ou um marido ele também ter um pet no plano”, diz o presidente da Ciclic, Raphael Swierczynski.

PENSE BEM ANTES DE AGREGAR UM ‘PET’ À FAMÍLIA

COMPRAR OU ADOTAR?

Segundo o Ibama, não há regra nacional sobre a comercialização de animais domésticos, que é regulada por estados e prefeituras. A maior parte dos cães, particularmente os de pequeno porte, é vendida. No entanto, ONGs vêm tentando aumentar a adoção de pets abandonados.

LONGO COMPROMISSO

A veterinária Kellen Oliveira observa que o maior interesse por pets vem acompanhado do aumento de animais abandonados, principalmente fêmeas grávidas. Ao se apaixonar por uma linda gata persa, pense bem se tem condições de manter os cuidados do bichinho até o fim da vida dele.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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