POESIA CANTADA

QUANDO O AMOR ACONTECE

LEILA PINHEIRO

QUANDO O AMOR ACONTECE

COMPOSIÇÃO: ABEL SILVA / JOÃO BOSCO

Coração sem perdão, diga fale por mim
Quem roubou toda a minha alegria
O amor me pegou, me pegou pra valer
Aí que a dor do querer, muda o tempo e a maré
Vendaval sobre o mar azul
Tantas vezes chorei, quase desesperei
E jurei nunca mais seus carinhos
Ninguém tira do amor, ninguém tira, pois é
Nem doutor nem pajé, o que queima e seduz, enlouquece
O veneno da mulher
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, ilusão
O meu coração marcado tinha um nome tatuado que ainda
doía, pulsava só na solidão
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, esquece sim
Quem mandou chegar tão perto se era certo um outro
engano, coração cigano
Agora eu choro assim
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, esquece sim
Quem mandou chegar tão perto se era certo um outro
engano coração cigano
Agora eu choro assim

OUTROS OLHARES

COLESTEROL AUMENTA O RISCO DE ALZHEIMER, COMPROVA PESQUISA

Acúmulo anormal de proteínas está ligado ao desenvolvimento da doença

Um estudo científico comprovou a correlação entre o colesterol e a produção de uma das proteínas associadas ao Alzheimer, a beta-amiloide. A pesquisa ajuda a esclarecer como a doença – que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), acomete cerca de  35,6 milhões de pessoas no mundo, sendo mais de 1 milhão no Brasil – está diretamente ligada ao acúmulo anormal dessas proteínas, que atuam como receptoras de sinais químicos no cérebro.

A conexão foi comprovada através da observação de uma outra proteína, a apolipoproteína E (apoE), que atua diretamente no transporte do colesterol para os neurônios, facilitando a produção da proteína na membrana externa dessas células. O bloqueio do fluxo de colesterol seria capaz de impedir esse contato, evitando efetivamente a produção dessas substâncias.

Segundo o estudo, a beta-amiloide pode se aglomerar formando grandes emaranhados de “placas” nas membranas celulares dos neurônios, o que atrapalha na transmissão dos sinais nervosos e pode desencadear a perda de memória, uma das principais características da doença. Essa ligação já havia sido detectada em estudos anteriores, mas não comprovada, devido às limitações tecnológicas.

Conduzida por pesquisadores da Scripps Research, na Flórida, EUA, a pesquisa só se tornou possível por utilizar técnicas de microscopia muito avançadas, com alta resolução de imagens, para poder enxergar as células cerebrais de camundongos e como elas atuavam na produção da beta-amiloide.

“Mostramos que o colesterol age essencialmente como um sinal nos neurônios, o que determina quanto da beta-amiloide é produzido. Portanto, não deveria ser surpreendente que a apoE, que carrega o colesterol para os neurônios, também influencie no risco de Alzheimer”, afirma o coautor do estudo e professor associado do Departamento de Medicina Molecular da Scripps Research, Scott Hansen.

Com a comprovação do papel do colesterol na produção da beta-amiloide, o estudo sugere que seja possível, a partir de agora, explorar o potencial de prevenção da progressão da doença. No entanto, o trabalho esclarece que, em níveis adequados, o colesterol é necessário ao cérebro – e ao organismo, como um todo – para diversos outros processos, que incluem a manutenção do estado de alerta e cognição.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, isto é, com perda progressiva dos neurônios, e cujos sintomas principais são a perda de memória e a confusão mental. Outros desdobramentos desse processo costumam preceder o esquecimento, como mudanças súbitas de humor, apatia, desinteresse, ansiedade, dificuldade de compreensão, fala e escrita. Com progressão lenta, a incidência da doença é maior entre os mais idosos, mas pode se desenvolver precocemente em casos mais raros.

Cerca de 70% dos casos de demência são causados pelo Alzheimer, segundo a OMS. No Brasil, estima-se que a proporção de pessoas com a doença possa quadruplicar em 30 anos, segundo pesquisas recentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de Queensland, na Austrália.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 06 DE SETEMBRO

LÍNGUA DESCONTROLADA, AÇOITES NA CERTA

Os lábios do insensato entram na contenda, e por açoites brada a sua boca (Provérbios 18.6).

Um indivíduo que não tem domínio sobre sua língua também não tem controle sobre suas atitudes. Quem não domina a língua não domina o corpo. O insensato vive entrando em confusão e criando contendas. Onde chega, promove intriga. É causador de verdadeiras guerras dentro do lar, no trabalho e até na igreja. Quando o tolo abre a boca, fere não apenas quem está à sua volta, mas também atrai confusão para si mesmo. Quando o insensato abre a boca para brigar com alguém, o que está pedindo é uma surra. As palavras do tolo são como açoites que afligem seus lombos. Uma pessoa descontrolada emocionalmente, que fala sem refletir, agride as pessoas, quebra relacionamentos e promove inimizades. Uma língua sem freios atrai castigo. Uma pessoa desbocada é um barril de pólvora: provoca explosões e destruição à sua volta. A Bíblia fala sobre Doegue, o fofoqueiro. Por ter a língua solta, esse homem induziu o rei Saul a cometer uma chacina na cidade de Nobe. Inocentes foram mortos, famílias foram trucidadas, e um banho de sangue foi derramado por causa do veneno destilado pela boca desse insensato. Mas Doegue não saiu ileso dessa deplorável história. O rei Saul o forçou a matar os próprios homens que ele acusou. Doegue foi chicoteado por sua própria língua, pois além de fofoqueiro tornou-se também assassino.

GESTÃO E CARREIRA

BICHO TAMBÉM CONSOME

Mais presentes nos lares, ‘pets’ elevam gastos das famílias e estimulam negócios

Cães, gatos e outros tipos de animais de estimação cada vez mais presentes nos lares dos brasileiros, introduzindo novos itens de consumo nos orçamentos que vão muito além de ração. Muitas famílias que passam mais tempo em casa desde o ano passado por causa da pandemia agregaram novos bichinhos de estimação no último ano, o que ajudou a aquecer um mercado bilionário em plena crise. O potencial de crescimento ainda é grande, e isso atrai agora investimentos de grandes companhias.

Metade dos domicílios brasileiros tem ao menos um pet. São cerca de 150 milhões de animais -0,7 para cada brasileiro – no país, que estimulam negócios formais e informais das grandes redes de varejo aos pequenos pet shops, passando pelos veterinários e passeadores. E, agora, pesos pesados da indústria investem no setor no Brasil, citando a BRF e a Nestlé.

A universitária Luiza Carretero, de 24 anos, resolveu adotar, em janeiro, a gata Lila para fazer companhia a ela e a Bento, cachorro shitzu que a família já tinha. Ela mora com a mãe, na Zona Norte de São Paulo, mas, com aulas e trabalho remotos desde o início da pandemia, passou a ficar sozinha em casa durante o dia. O cão e a gata se estranharam um pouco no começo, mas já acertaram os ponteiros e a dona 1não perde uma oportunidade de recompensá-los pela cumplicidade diária.

“Achei que seria o melhor momento para adotar”, conta Luiza, que viu seus gastos aumentarem com duas bocas para alimentar (são ao menos RS300 por mês de ração), embora não saiba precisar quanto, já que acaba comprando brinquedos e acessórios por impulso ao passar pela pet shop.

“Lila ama a ração úmida, mas dou de vez em quando, pois a seca é bem mais em conta. Só que toda vez que saio de casa acabo comprando alguma coisa para eles. Gosto de mimá-los.

RELAÇÃO ESTIMULA COMPRAS

Luíza é a típica consumidora na mira das empresas que investem no mercado pet: quanto mais tempo as pessoas dedicam aos seus bichinhos, mais estão propensas a gastar com eles. Em 2020, o segmento – que inclui alimentação, higiene, serviços e produtos veterinários e toda a sorte de acessórios – cresceu 15,5%.

Neste ano, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), deve desacelerar para 13,8%, movimentando RS 46,5 bilhões, mas ainda com taxa de expansão de dois dígitos.

A pandemia funcionou mesmo como um gatilho para muitas famílias que estavam indecisas sobre ter um animal de estimação. É o que mostra a pesquisa Radar Pet 2021, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Do total de entrevistados em todo o país, 30% dos que tinham pet agregaram um novo membro à família durante a fase de isolamento social. Para 23% foi o primeiro bichinho de estimação da vida.

Com mais entidades e até pet shops promovendo a adoção de filhotes ou animais adultos abandonados ficou ainda mais tentador. Os cães ainda são maioria nos lares, mas a preferência pelos felinos aumentou em 2020, observa Leonardo Brandão, coordenador da Comac:

“O interessante é que a maioria foi adoção, e de gatos. Historicamente, a compra de cachorros é sempre maior. Entre os felinos, 84% foram adotados e, entre os cães, 54% são frutos de adoção. Isso confirma uma tendência de que os gatos futuramente serão os pets predominantes no Brasil”,  diz Brandão, destacando que a maior parte dos que adotaram na pandemia são pessoas que moram sozinhas.

A adoção incentiva as pessoas a levar para casa cães mestiços, os chamados vira-latas, abandonados, em vez de comprar cães de raça, mas há quem ainda faça questão de pedigre”.

No comércio autorizado, os mais populares, segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), são as espécies spitz alemão (conhecido como lulu ou anão da pomerânia) e buldogue francês, entre outros. Já entre os gatos, os queridinhos são os persas, incluindo o colorpoint e o himalaio.

Para Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria especializada em consumo Gouvêa Ecosystem, os números refletem uma mudança no comportamento das famílias, que ganhou força na pandemia, cujo potencial de consumo ainda não foi totalmente explorado:

“Com o número de filhos por família caindo nos últimos anos, assim como a renda familiar, e a quantidade cada vez maior de domicílios com uma pessoa só ou com idosos, é natural que os lares tenham mais bichos de estimação e busquem opções de serviços e produtos para eles. Quanto mais próximo o dono é do pet, mais ele gasta.

Ainda que já responda por 70% do mercado pet, a indústria de ração é onde está o maior potencial. Menos de 50% dos bichos de estimação no Brasil consomem esse tipo de alimento industrializado, mas os fabricantes notam maior interesse e disposição dos donos para gastar em alimentos mais saudáveis. Por isso, a indústria de ração tem atraído investimentos altos de gigantes como Nestlé, BRF e Mars.

Carlos Martella, diretor de marketing da marca de rações Royal Canin, conta que, nos últimos três anos, o rótulo da Mars investiu R$5 milhões no desenvolvimento de produtos com viés veterinário. Há alimentos hipoalérgicos e com a adição de elementos que ajudam a diminuir a geração de bolas de pelo, por exemplo. Segundo ele, a procura por esse tipo de ração cresceu muito desde o ano passado:

“Muitas pessoas que não tinham pet compraram ou adotaram um, o que fez aumentar a quantidade de animais em casa. Mas outro fenômeno que vemos é que os tutores que já tinham um passaram a investir em melhores produtos ao passar mais tempo com eles em casa.

VIA PARA IMPORTAÇÃO

Além do mercado interno crescendo, grandes companhias também apostam no setor, de olho nas vantagens relativas do país para exportar, como o acesso às principais matérias-primas agrícolas para a fabricação de rações, como carnes, trigo e milho. A alta recente das commodities levou a reajustes dos produtos finais, mas o consumo segue em alta.

“Ainda assim, o pet food (alimentação) tem um aumento previsto de 7,5% na produção em 2021, chegando a 3.41 milhões de toneladas. O segmento de per care (produtos de higiene) deve crescer em torno de 10% e o pet vet (atendimento veterinário), 12%”, diz José Edson Galvão de França, o presidente-executivo da Abinpet.

O aposentado Jorge Bezerra dos Santos adotou uma cachorrinha já adulta, a Yanka, durante a pandemia, para trazer um pouco mais de vida à casa onde mora com a mulher, Regina da Costa, na Zona Sul de São Paulo. Como estão a maior parte do tempo em casa, brincar com Yanka é uma diversão. Além dos gastos com ração e veterinário, Santos compra brinquedos para animar a interação com ela.

“Eu e minha mulher nos aposentamos em dezembro de 2019 e tínhamos projetado viagens, mas aí veio a pandemia. Ficamos muito reclusos, começamos a sentir falta de algo. Yanka é muito brincalhona, ocupa o tempo”, diz o aposentado.

POPULAÇÃO CRESCENTE

Pesquisa estima que o número de animais domésticos no país aumentou em 2020

INVESTIMENTOS VÃO DE RAÇÃO E XAMPU A PLANO VETERINÁRIO

O aumento do consumo de produtos e serviços para ‘pets’ estimula a expansão da indústria, dos serviços e do varejo

Com a alta no consumo de produtos para o bem-estar de animais de estimação, grandes empresas investem alto em diferentes segmentos, das rações aos cosméticos e medicamentos veterinários, passando por brinquedos e roupinhas. Só a indústria ligada ao tema deve crescer 17.8% este ano, segundo a Abinpet, mas também estão em expansão redes de pet shops, e serviços como os planos veterinários.

A Purina, da Nestlé, anunciou uma nova fábrica de rações em Santa Catarina, cujo investimento será de R$1 bilhão na primeira fase e mais RS 1 bilhão nas duas seguintes. Investiu RS 600 milhões na expansão da fábrica de Ribeirão Preto (SP) nos últimos três anos, incluindo uma nova linha de rações úmidas, fonte de proteínas para os pets.

“A população de cães e gatos de raças pequenas cresce e aumenta a tendência de alimentos premium e úmidos. No Brasil, só 40% da necessidade calórica deles é fornecida por alimentos industrializados”, diz o CEO da Nestlé Purina no Brasil, MarceI de Barros. A gigante brasileira de alimentos BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão comprou em junho duas empresas voltadas para comida especial e úmida de bichos. Uma delas é a gaúcha Hercosul, cuja marca Biofresh, de rações mais saudáveis, tem forte atuação no Sul e no exterior. A outra é a Mogiana, de São Paulo, com operação mais relevante no Sudeste.

BISCOITO DE HAMBÚRGUER

Se os negócios forem aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a BRF será um dos maiores produtores, com aproximadamente 10% desse mercado Estima o vice-presidente de Novos Negócios da companhia. Marcel Sacro.

A rede de lanchonetes Burger King também resolveu agradar pets e seus donos. Lançou em julho uma edição limitada de um biscoito para cães com sabor de carne grelhada.

“A resiliência do segmento e o crescimento, mesmo com as crises, contribui para que investidores se sintam seguros”, avalia Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria Gouvêa Ecosystem.

A Unilever lançou em 2020 sua primeira linha de cosméticos para cães e gatos, a Cafuné. Há, por exemplo, xampu e condicionador fabricados a partir de extratos naturais com direito a opções de diferentes fragrâncias. A marca de brinquedos Fisher-Price também acaba de estrear no mundo pet com uma linha de higiene em parceria com a Neutrocare.

No varejo pet, ainda muito pulverizado, os investimentos buscam a criação de “ecossistemas'” em lojas com produtos e serviços. A rede Petz, que se capitalizou ao lançar ações na Bolsa em 2020, tem hoje 145 lojas, e planeja abrir mais 30 até dezembro. A partir de 2022 o plano é inaugurar 30 qualidades a cada ano e alcançar todos os estados até 2026.

Na semana passada, a Pet Center, um dos braços do grupo, fechou acordo para a compra da plataforma de e-commerce Zoe.Org, espécie de grife do mundo animal, com peças e acessórios para pet.

“A estratégia é ampliar o “ecossistema”. Pode ser por aquisição, parceria, não faz diferença. A expansão é a partir da necessidade do cliente, como o day care ou hotel, por exemplo. Estamos nos preparando para oferecer estes serviços”, explica Sergio Zimerman, presidente da Petz.

Segundo Nelo Marracini, presidente-executivo do Instituto Pet Brasil (IPB), o plano da Petz segue um modelo de negócios já comum na Europa e nos EUA, onde grandes redes compram marcas menores e exclusivas. A Petland, de franquias, também busca frentes complementares. No mês passado, a rede de clínicas veterinárias do grupo, a Dra. Mei, comprou 50% da startup Vetsign, uma plataforma de conteúdo educacional sobre saúde dos pets. O objetivo é vender cursos digitais e fortalecer o e-commerce. Com 306 lojas no país, pretende alcançar 2,5 mil em todo o país até 2027.

BICHO COMO DENPENDENTE

Já a Petlove firmou, em abril, um acordo com a Health for Pet, da Porto Seguro, para oferecer planos a partir de R$99, que dão a cães e gatos acesso a serviços ambulatoriais, vacinas e outros serviços. Um plano veterinário pode fazer diferença numa emergência. já que as clínicas estão cada vez mais sofisticadas e caras.

A Insurtech (startup do setor de seguros) Ciclic passou a aceitar animais de estimação como dependentes de seus serviços de saúde para humanos. Cobre consulta veterinárias presenciais, orientação por telefone, assistência funeral, além de outras conveniências, como indicação de hotel, transporte emergencial e entrega de ração. A cada quatro planos vendidos, um tem pet como dependente. O Itaú criou adicional semelhante ao seu seguro de acidentes pessoais para clientes Personalité.

“Conversando com clientes, percebi que eles consideram o pet membro da família. Se a pessoa pode adicionar um filho ou um marido ele também ter um pet no plano”, diz o presidente da Ciclic, Raphael Swierczynski.

PENSE BEM ANTES DE AGREGAR UM ‘PET’ À FAMÍLIA

COMPRAR OU ADOTAR?

Segundo o Ibama, não há regra nacional sobre a comercialização de animais domésticos, que é regulada por estados e prefeituras. A maior parte dos cães, particularmente os de pequeno porte, é vendida. No entanto, ONGs vêm tentando aumentar a adoção de pets abandonados.

LONGO COMPROMISSO

A veterinária Kellen Oliveira observa que o maior interesse por pets vem acompanhado do aumento de animais abandonados, principalmente fêmeas grávidas. Ao se apaixonar por uma linda gata persa, pense bem se tem condições de manter os cuidados do bichinho até o fim da vida dele.

EU ACHO …

E SE EU MORRER?

Tal como na psicanálise, na antropologia social ou cultural seus aprendizes são forçados a provar o seu próprio remédio (ou veneno). Em ambas as disciplinas, o aprendizado implica um ambíguo e arriscado trabalho que consiste no fato de o aprendiz viver com o investigado com o intuito de compreendê-lo: de sentir e pensar como ele.

No caso da psicanálise, ocorre a submissão a uma prototípica análise didática na qual o futuro médico torna-se paciente; ou melhor, aceita-se como um doente, pois descobre e aprende que a doença (essa diferenciação extremada) ensina. Já nas antropologias, o observador é obrigado a sair do seu costumeiro e “civilizado” gabinete e sala de aula para morar com os selvagens – com os “índios”-, como se diz no Brasil.

O futuro psicanalista (cuja imago é aquela impactante fotografaria de Freud feita por Max Halberstad) vira um decifrador de compulsões e manias; o aprendiz de antropólogo experimenta línguas e costumes exóticos. Suas subjetividades viram laboratórios e eles entram em contato com a sua fragilidade e a sua ignorância, num processo árduo e arriscado, revelador das contradições e angústias sem as quais não se compreende o diferente. Como prémio, eles aprendem o poder das diferenças tidas como alternativas e não como enfermidades ou primitivismos.

A prova do remédio antes de toma-lo é mais comum do que pensamos e certamente ocorre em qualquer aprendizado, mas nestas duas profissões o trocar de lado talvez seja mais profundo e marcante. Que leitor não tome minhas palavras biblicamente, mas como uma ilustração.

Não me esqueço da agonia que se manifestava na véspera das minhas viagens de campo. Sair de casa para depois de alguns dias ou semanas, deitar-se numa rede com a intenção de se entregar ao sono (esse avatar da morte) num lugar remoto, numa palhoça sem paredes e como um intruso, longe do conforto e do carinho dos familiares, era o que me fustigava. Será que eu seria capaz de cumprir a tarefa exigida pelo aprendizado?

Pesquisei o que havia sobre os “meus” nativos, mas na hora de conhecê-los em carne e osso surgia dentro de mim uma enorme insegurança. Um fato que eu – nascido e criado num sistema no qual o maior castigo é a ausência de ficar longe dos seus – jamais havia me dado conta. Como, pois, transformar castigo em aprendizado profissional?

Curiosa profissão essa que me obrigava a viver com selvagens sem roupa e hora certa para comer; para não mencionar a ausência de escrita e de registros de sua língua ou história. E passar ao largo do agressivo preconceito contra os nativos que tornava o projeto ainda mais anormal: como é que uma pessoa “fina” como o senhor – ouvi inúmeras vezes – vai viver com aqueles brutos?

Não se pode ser antropólogo sem ter feito um trabalho de campo e realizado essa cisão consciente entre sua vida e as vidas alheias que, sem censura ou julgamento, deveriam ser observadas e trazidas de volta para interrogar o nosso estabelecido modo de se viver…

Um jovem aprendiz pensava em tudo isso na noite anterior de sua partida do Rio para Belo Horizonte e ,dali, para Goiânia, a ponte para uma desconhecida Marabá; por sua vez, a base para seguir para uma Itupiranga de onde, depois de um dia e uma noite a pé, dentro de uma Amazônia até hoje possuída por grileiros, chegava-se, devidamente grilado, à aldeia do povo a ser estudado. O curioso é que ele jamais pensou nos riscos concretos de ser picado por uma cobra ou sofrer um acidente. Sua onipotência o contemplou com uma malária.

Em meio ao oceano de ansiedade, surgia o que levar – cadernos de campo, filmes, bife enlatado e pilhas para lanterna – e, ao lado disso, algumas questões graves e reais: levo facão ou revólver?

Vendo sua agonia, a mulher largou a limpeza e os filhinhos para acalmá-lo.

– Querido, tudo vai dar certo. Por que te atormentas tanto? As situações criam seus consolos. Você vai suportar esse teste e vai realizar um bom trabalho.

As palavras fazem coisas. Mas não há nada como o real para liquidar fantasias e terrores.

– Mas e se eu morrer, o que vai ser das crianças? Apelou o aprendiz como um último recurso, um soluço desesperado.

– Se você morrer não se preocupe. Elas são pequenas e vão te esquecer…

Ele seguiu, fez o  trabalho, ficou mais velho do que esperava e hoje conta essa anedota como um alento para os tempos de ansiedade e morte que não merecemos viver.

Tempos no quais um presidente destrambelhado rompe compulsivamente com rotinas institucionais e convoca incertezas. Esses avatares dos golpes.

*** ROBERTO DA MATTA

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EVOLUÇÃO NO TRANSPLANTE DE CABELOS DERRUBA TABU

Refinados, novos procedimentos trazem resultados mais naturais e deixam cicatrizes imperceptíveis; inovação principal está no rastro deixado na área doadora, em geral perto da nuca, onde os fios costumam ser à prova de queda

Foi depois do fim de um casamento que o youtuber Flávio Giusti, de 44 anos, resolveu se livrar dos dreadlocks que cultivava há duas décadas. Passou a tesoura nas mechas de 70 cm, tingidas de verde- amarelado nas pontas, para só então constatar outra questão: clareiras abertas nas laterais e no topo da cabeça. Era sua retumbante estreia como calvo.

Conhecido pelos seguidores da plataforma por estampar a cara – e os dreads – há quase dez anos em um canal de receitas, Giusti não conseguiu ficar em paz com o espelho depois da descoberta. Começou a usar boné para disfarçar, mas ficou com medo de abafar demais o couro cabeludo e agravar o problema. Enfim, procurou uma clínica especializada para ver o que havia de salvação. E encontrou mais do que esperava.

“Antigamente o sujeito fazia o implante e ganhava uma espécie de milharal na cabeça. A coisa evoluiu muito”, comemora ele, que optou pela solução cirúrgica há cerca de três semanas e já gravou um vídeo para dividir com o público a satisfação do replantio.

“É como ralar o joelho, não precisei nem tomar sedação. Acordei no dia seguinte com umas casquinhas e nada mais.”

METAMORFOSE

De fato, o transplante capilar – expressão hoje considerada mais adequada que “implante” – passou por uma metamorfose expressiva desde sua consolidação, há pouco mais de 20 anos, quando o microscópico foi Incorporado ao procedimento. As técnicas atuais deixam cicatrizes quase imperceptíveis e um resultado mais natural, mesmo na linha da testa, onde no passado era fácil detectar o “cabelo de boneca” dos recém-transplantados.

O método mais recente é descrito por uma sigla, em inglês, FUE (na tradução, “extração da unidade folicular). A inovação principal está no rastro deixado na área doadora, que geralmente fica perto da nuca, onde os fios costumam ser à prova de queda. Ali, tradicionalmente se retira uma tira de couro cabeludo, deixando uma cicatriz linear. Hoje são mais comuns as microperfurações esparsas, com um instrumento em forma de cânula chamado punch. Essas marcas desaparecem entre os fios remanescentes, mesmo com o cabelo em corte mais curto.

“É como se a região doadora fosse a Amazônia e a calva, a caatinga. Onde tem floresta o dano é mínimo, enquanto o ganho para a área transplantada é enorme”, explica o cirurgião plástico Mauro Speranzini, que comanda uma clínica especializada em São Paulo. O transplante capilar é indicado para casos de calvície chamada androgenética, ou seja, com origem nos genes e relacionada aos hormônios masculinos. Esse tipo de perda de cabelo hereditária costuma se manifestar já na casa dos 20 anos e se agravar com o tempo. É mais comum que o problema passe a incomodar depois dos 40.  Fatores como estresse, alimentação e até a tração –  penteados em coques apertados, como era o caso de Giusti – podem agravar a queda.

“É um processo lento e progressivo que conta com tratamentos clínicos medicamentosos, como o minoxidil, dependendo do estágio e do incômodo estético do paciente”, afirma o cirurgião plástico Fernando Basto, ressaltando que o caminho cirúrgico nem sempre interrompe a progressão. “Há casos de pessoas que dez anos depois nos procuram para fazer uma segunda intervenção porque surgiram novos pontos de calvície”.

Dedicado à restauração capilar há 30 anos, Basto acompanhou de perto os avanços. Desde o diâmetro do punch, que costumava ser de 1,5 mm e hoje chega a 0,6mm, até a chegada recente dos micromotores manuais. Atualmente, o instrumento giratório poupa uma parte do esforço de remover os folículos. Trata-se de um alívio considerável para o profissional, considerando que uma cirurgia costuma envolver a retirada de 2 a 3 mil unidades foliculares (a porção de tecido com um a quatro fios e suas raízes) e durar em média, sete horas.

Com preços entre os R$ 10 mil e os R$ 36mil, a FUE é realizada com anestesia local, geralmente acompanhada de uma leve sedação. Depois de retirados, os folículos são cuidadosamente reparados e deixados em uma solução nutritiva antes de ganharem novo lar. O paciente deixa o hospital no mesmo dia e tem recuperação rápida e indolor. Os primeiros fios transplantados caem e o cabelo volta a crescer a partir de três meses.

Nessas décadas de experiência, os cirurgiões ampliaram o arsenal de truques na manga, como reservar os folículos com uma só raiz pau a linha de frente do rosto. Com fios menos agrupados, o efeito “boneco” é amenizado. Outro esforço é o de garantir que o trauma da retirada seja mínimo para não se perder a vascularização que alimenta essas raízes.

“Consideramos sucesso um transplante em que 95% ou mais unidades foliculares vingam na nova área. Em cirurgias mais grosseiras, temos incisões também grosseiras e uma taxa de êxito menor”, diz Speranzini, que neste ano publicou um protocolo com 40 passos para um procedimento bem­ sucedido na Revista Fórum Internacional, da International Society of Hair Restoration Surgery (JSHRS), principal publicação do segmento do mundo.

Com o aperfeiçoamento dos procedimentos, caiu o tabu da vergonha que antes cercava a cirurgia. O ator Paulinho Vilhena chegou a postar no Instagram, depois de preencher as entradas já pronunciadas: “Bora bater cabelooooo”. O cantor Lucas Lucco, dono de um famoso topete, também tornou público seu transplante. Como bom influencer, o músico baiano Leo Santana publicou orgulhoso o resultado do seu, com direito a arroba do profissional.

O crescimento de demanda criou até rotas de turismo capilar. Na Turquia, onde a forte concorrência entre clínicas especializadas criou preços atrativos, mais de 60 mil turistas do mundo todo desembarcam anualmente em busca do procedimento. Mas especialistas alertam que muitos desses centros carecem de higiene adequada e profissionais com a exigida formação.

Segundo dados da ISHRS, homens compõem a grande maioria (84.2%) dos pacientes de transplante capilar no mundo. Foram mais de 6 mil procedimentos do tipo no país em 2018, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. E se engana quem pensa que a antiga técnica de faixa, a FUT (de “transplante de unidade folicular”), foi completamente abandonada pelos cirurgiões. Por ser mais abrangentes é ainda indicada para áreas de calvície maiores, às vezes associada com o refinamento da FUE.

“Minha filosofia é sempre informar ao paciente das vantagens e desvantagens de cada técnica para ele tomar uma decisão embasada”, diz o cirurgião plástico Luiz Paulo Barbosa, com mais de 3 mil transplantes capilares no currículo.

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