POESIA CANTADA

PERIGO

ZIZI POSSI

PERIGO

COMPOSIÇÃO: NICO REZENDE / PAULINHO LIMA

Nem quero saber
Se o clima é prá romance
Eu vou deixar correr
De onde isso vem?
Se eu tenho alguma chance
A noite vai dizer
Nisso todo mundo é igual
Hum! Hum! Hum! Hum!
Anjo do bem
Gênio do mal…

Perigo é ter você
Perto dos olhos
Mas longe do coração
Perigo é ver você
Assim sorrindo
Isso é muita tentação…

Teus olhos, teu sorriso
Uma noite
Nem quero saber
Se o clima prá romance
Eu vou deixar correr
De onde isso vem?
Se eu tenho alguma chance
A noite vai dizer
Nisso todo mundo é igual
Hum! Hum! Hum! Hum! Hum!
Anjo do bem
Gênio do mal…

Perigo é ter você
Perto dos olhos
Mas longe do coração
Perigo é ver você
Assim sorrindo
Isso é muita tentação…

Teus olhos, teu sorriso
Uma noite…

Nisso todo mundo é igual
Hum! Hum! Hum! Hum! Hum!
Anjo do bem
Gênio do mal…

Perigo é ter você
Perto dos olhos
Mas longe do coração
Perigo é ver você
Assim sorrindo
Isso é muita tentação…(2x)

Teus olhos, teu sorriso
Uma noite…

Perigo é ter você
Perto dos olhos
Mas longe do coração
Perigo é ver você
Assim sorrindo
Isso é muita tentação…(2x)

Teus olhos, teu sorriso
Uma noite…

Perigo é ter você!
Perigo é ter você!
Perigo é ter você!
Perigo é ter você!

OUTROS OLHARES

BENEFÍCIOS DO VINHO VÃO MUITO ALÉM DO CORAÇÃO

Do combate ao Alzheimer a diabetes e acne, novos estudos mostram dez vantagens do consumo do vinho tinto; efeito positivo só é atingido com doses moderadas e pode ter consequências opostas em caso de abuso

Não é de hoje que o vinho tinto é apontado pela ciência como um protetor para a saúde cardíaca. A fonte maior dos benefícios vem dos polifenóis, composto que aparece em abundância na natureza. Nas plantas ele desempenha o papel de proteção contra o sol, insetos e microrganismos. No corpo humano, atua principalmente no combate aos radicais livres, as moléculas que causam o envelhecimento.

O principal polifenol do vinho é o resveratrol, mas há outras substâncias, como os taninos, os flavonoides, a quercetina, a antocianina e o ácido elágico, encontrados em menor quantidade.

De uns tempos para cá, no entanto, pesquisas passaram a identificar efeitos até pouco imagináveis, como a prevenção de espinhas e a redução do risco de doenças neurodegenerativas. Alguns desses mecanismos estão relacionados aos radicais livres, outros, não. Mas a maioria tem em comum os polifenóis.

Além disso, o álcool em si contribui para evitar a sobrecarga nas artérias. Segundo estudo de pesquisadores do Kingston General Hospital, da Queen’s University, no Canadá, publicado na revista científica da Associação Americana do Coração, os polifenóis do vinho relaxam a parede das artérias e evitam a agregação plaquetária, reduzindo assim o risco de aterosclerose, trombose e hipertensão.

DOSES MODERADAS

Os benefícios do vinho, no entanto, só são identificados com doses moderadas da bebida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), isso significa a ingestão diária de 90ml por mulheres e 180ml por homens – uma e duas taças, respectivamente. A diferença na quantidade se deve ao fato de que o organismo feminino absorve mais rapidamente a bebida. Isso ocorre porque elas produzem quantidades menores de uma enzima chamada álcool desidrogenase (ADH), que é liberada pelo fígado e usada para metabolizar o álcool.

“O vinho também tem vantagem sobre outras bebidas, já que geralmente é consumido junto com a comida, o que reduz o risco do uso excessivo”, destaca Antônio Carlos do Nascimento, médico endocrinologista e escritor do livro “Vinho: Saúde e Longevidade”.

Doses acima do volume recomendado pela OMS podem ter o efeito contrário no corpo. O consumo exagerado está ligado a vários problemas de saúde, como cirrose hepática, impotência sexual, hipertensão e câncer, além do risco de dependência química.

Os vinhos com maior quantidade de polifenóis são os tintos e não necessariamente eles devem ter preços elevados.

“Os mais densos, como os feitos da uva Tannat, são os melhores para a saúde. O vinho mais barato que não fica envelhecendo tem mais benefício para a saúde se comparado com vinhos caros que ficam reservados por anos e vão perdendo elementos neste tempo, embora melhorem no sabor”, destaca o endocrinologista.

O SUCO DE UVA

Os polifenóis são encontrados também no suco de uva integral, mas em menor quantidade do que no vinho tinto.

O motivo está na preparação da bebida: na fabricação do suco de uva, a fruta é aquecida e macerada para liberar o sumo, passando pouco tempo em contato com a casca, região que concentra a maior quantidade de polifenóis. Já na produção do vinho, o líquido que vai para a fermentação inclui as cascas da uva, aumentando o tempo de contato.

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos da Fapesp desenvolveram uma técnica que aumenta os níveis e a concentração de resveratrol na uva, elevando em até 70% o teor da substância no suco da fruta, mas não são todos os produtos preparados com ela.

CRESCIMENTO

Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo de vinho no Brasil cresceu 18,4% em 2020. O país passou de 360 milhões de litros, em 2019, para 430 milhões no ano passado, o maior aumento entre os países associados à entidade, a maior do setor.

Em 2020, o brasileiro bebeu, em média, 2,6 litros de vinho no ano. Em 2019, esse número era de 2 litros ao ano por pessoa.

O crescimento no país está associado ao isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 -a facilidade de comprar vinhos online e o maior tempo em casa favoreceram.

No mundo, os Estados Unidos lideram o consumo em números absolutos, com 3,3 bilhões de litros por ano. Já os líderes no consumo per capita são os imbatíveis Portugal (51,9 litros per capita ao ano), Itália (46,6 litros) e França (46 litros).

TOP 10 DOBENEFÍCIOS DO VINHO TINTO

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 02 DE SETEMBRO

APRENDER É MELHOR DO QUE FALAR BOBAGEM

O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior (Provérbios 18.2).

Os lerdos em aprender são apressados para falar. Aqueles que cessam de aprender são os mais afoitos em abrir a boca. O tolo não se interessa em aprender, mas só em dar suas opiniões. Em vez de abrir sua mente para receber instrução, o insensato abre seus lábios para expor seus pensamentos. O sábio sabe que tem muito a aprender. Seus ouvidos estão atentos à instrução. Ele tem pressa para buscar conhecimento. O tolo, porém, fala do vazio de sua cabeça. Despeja torrentes dos seus lábios, mas essas torrentes não são as águas límpidas do conhecimento, e sim as enxurradas da ignorância. Não é sensato falar muito, mas é prudente ouvir com atenção. A Bíblia nos ensina a sermos prontos para ouvir, mas tardios para falar. Deus nos fez com duas conchas acústicas externas e apenas uma língua amuralhada de dentes. Devemos escutar mais e falar menos. Devemos aprender mais para não falarmos tolices. O insensato não tem prazer no entendimento, porém folga em externar o seu interior, contar suas vantagens e fazer propaganda de si mesmo. O tolo faz propaganda do que não tem. É um fanfarrão que vê a si mesmo diante do espelho como um gigante, quando não passa de um nanico. Conta suas façanhas com gestos de heroísmo, quando esses pretensos gestos de galhardia não passam de consumada covardia.

GESTÃO E CARREIRA

O PERFIL DO LÍDER DE RESULTADOS

Há vários pontos a considerar quando se pensa numa liderança de resultados, no entanto, eu consigo centrar esse perfil em dois pontos: clareza de direção e suporte ao longo da jornada. Isso porque o líder de resultados tem a consciência da importância do time e do quanto é necessário que todos conheçam os rumos da companhia.

A ideia de que o distanciamento entre líder e liderados serve para manter a autoridade é na verdade uma péssima forma de manter a autoridade que, na verdade, vem pelo reconhecimento da atuação de cada um nas áreas do negócio e pela forma com que orienta e apoia seus liderados na execução das tarefas.

Os canais de comunicação podem ser diversos, o importante é que a comunicação seja eficiente. Antigamente a conversa com a equipe ocorria por memorandos, hoje ela pode ser feita por um post na rede social da empresa, por exemplo. O ponto crucial é que ela ocorra e que seja feita da maneira mais clara possível, de modo a ser entendida por todos, independente do nível hierárquico de cada um na companhia.

Outro aspecto importante é que gerentes e coordenadores, naturalmente mais próximos do dia a dia do time, tenham pleno conhecimento dos rumos da empresa para comunicar a mesma mensagem, sem ambiguidades ou alguma distorção na comunicação. Você já ouviu aquela expressão: a equipe é o espelho do líder? É ótimo que seja assim, desde que o líder, claro, seja focado em resultados, porque assim também será a equipe.

Claro que é importante apontar que ser focado em resultados não é atropelar ninguém, longe disso, é agir com clareza e objetividade. Tem algumas atitudes e pensamentos que são contrários àqueles que se espera de um líder de resultados, mas que ainda persistem. Vou apontar aqui três delas:

1. – Subestimar o esforço de comunicação, achar que o que foi dito em uma reunião do C-Level seja suficiente para a mensagem chegar clara até ao estagiário;

2. – Falar exclusivamente por meio de números, indicadores e metas;

3. – Estar envolvido demais na agenda do dia a dia do negócio e trabalhar pouco as pessoas.

Note que nos três casos o foco são justamente as pessoas, que só ficam sabendo dos rumos da empresa quando o líder tem a transparência na gestão como forma de agir. Os líderes de gerações mais antigas costumavam guardar as informações para si como forma de manter o poder. Hoje em dia, é imprescindível um nível maior de compartilhamento de informações sem que isso implique em perda de poder.

Na verdade é o contrário, essa transparência propicia um alcance de melhores resultados, inclusive, por meio de um maior engajamento do time, já que ele entende melhor o porquê de fazer deter- minadas coisas, este ou aquele projeto.

O desafio de comunicação nessa era da evolução exponencial da tecnologia faz com que, não por acaso, a gestão por OKR – Objectives and Key Results (Objetivos e resultados chave) – venha conquistando cada vez mais os gestores de empresas de todos os portes.

Ela é uma ferramenta extremamente adequada para comunicar a estratégia a todo o instante para a organização, inclusive as maiores, só para citar algumas, Intel e Google, já a adotaram. A gestão por OKR tem por princípio entender que o plano de execução tem que se adaptar constantemente, à medida que é necessário responder às mudanças no ambiente ou na medida em que vamos tendo maior clareza da situação e precisamos ajustar o plano.

Será que alguém consegue pensar num momento da história em que a necessidade de ajuste nos rumos das organizações tenha sido mais constante e mais importante do que o momento atual?

PEDRO SIGNORELLI – É especialista “insider” na implementação de OKR em empresas de diversos tamanhos e segmentos, e ministrando palestras e workshops de implementação de OKR.

EU ACHO …

JUSTIÇA CLIMÁTICA JÁ

Recentemente, conhecemos “Frio de Janeiro”, uma versão da cidade que nós, sudestinos cariocas, não estamos acostumados. Literalmente, nem temos roupa para isso. Brasil afora, vivemos tempos de registros de menos quatro graus. Não estou falando do Alasca. Até porque sabemos que lá, as temperaturas podem chegar a – 50 graus. Ou, pelo menos, costumava ser assim. A dinâmica climática do nosso planeta vem mudando drasticamente.

Onde não era tão gelado agora está. Locais mais frios experimentam ondas de calor. E com o tópico das mudanças climáticas emerge cada vez mais o da justiça climática. Estamos de verdade em meio a um processo de aquecimento global que precisa ser levado a sério: não pode virar esquecimento global, algo de que só lembramos quando nos convêm ou quando sentimos na pele.

Se você, que está aqui lendo esta coluna, tem abrigo e cobertor, saiba que isso é um privilégio em um país cuja população de rua cresceu mais de 140% de 2012 até agora. Movimentos sociais denunciaram óbitos de pessoas em situação de rua por hipotermia no mês passado, em São Paulo. Com o calor em excesso ao qual estamos mais acostumados no resto do ano, mais pessoas acabam ficando vulneráveis a doenças cardíacas e à pressão alta, por exemplo. Nem todo mundo tem ar condicionado.

Temos um quadro inegável de injustiça climática. Uma mistura de injustiça social e racial, pois sabemos a cor e a raça de boa parte da maioria que sofre com essas condições no Brasil.

Mais do que nunca, o trabalho de organizações humanitárias de apoio a grupos vulnerabilizados nas ruas tem sido fundamental. Porém, precisa, e cada vez mais, ser complementado por políticas públicas e outras ações que enxerguem a justiça climática como um tópico central.

Recentemente, as jovens Lara Martins, Juliana Degani e Amanda Costa fizeram parte do Y20, grupo de engajamento oficial do G20 (as 20 maiores economias do mundo) destinado a incluir a voz da juventude em espaços de decisão e negociação internacional. Um dos principais tópicos a serem debatidos era a justiça Climática. No dia 29 de julho, o dia da Sobrecarga veio para nos lembrar que estamos consumindo todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar ao longo de um ano, e o quanto isso está correlacionado às mudanças climáticas.

Ainda este ano, teremos a conferência COP26 das Mudanças Climáticas em Glasgow, na Escócia. O Museu manhã, em suas exposições, enfatiza o tema. Fóruns e o assunto não faltam. Agora, é necessário também transformá-los em ações individuais e coletivas.

Desde já, precisamos de estratégias para lidar com os efeitos colaterais e continuados das mudanças climáticas. Com as diferenças de temperatura no mundo há previsão do desaparecimento de cidades inteiras como Florianópolis. Já pensou? Além disso, está previsto termos um aumento considerável no número de refugiados climáticos, que são aqueles que precisam migrar para outros locais por conta de mudanças severas das condições climáticas habituais.

Um relatório recente da ONU deixou claro que a situação já é irreversível. Ainda assim, devemos fazer a nossa parte para tentar minimizar os danos de curto, médio e longo prazo. Da reciclagem ao consumo consciente, ainda que saibamos que os maiores poluentes são grandes empresas e países, precisamos como indivíduos fazer a nossa parte. Não podemos desistir do nosso planeta.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EXAUSTÃO MARCA O EMOCIONAL DE CHEFES DURANTE PANDEMIA

Burnout chega ao alto escalão; 88% nunca tinham vivido crise igual, diz pesquisa

“Primeiro foi o medo da morte. Da minha morte, do meu pai, da minha mulher e dos meus filhos. Depois me assustei com a diferença de conduta na minha própria família: uns estavam mais relaxados com o distanciamento social, outros, como eu, mais rigorosos. Ter que lidar com a tristeza dos meus filhos nessa fase também não foi moleza.”

“Do ponto de vista profissional, parece que todos enlouqueceram! Falam em exaustão, choram, acham que tudo é responsabilidade da empresa. Parei de fazer exercícios, passei a comer mais, a beber mais… Enfim, tempos muito difíceis.”

“Eu resisti a procurar um especialista. Depois falei sobre o que estava sentindo com uma pessoa que prestava atendimento na empresa. Ela me ajudou muito. Percebi que, se não buscasse uma ajuda especializada, iria quebrar. Quase quebrei. Cheguei muito perto.”

“Toda essa situação me fez dar mais valor à vida, ao meu autoconhecimento e compreender meus limites. Não vou conseguir salvar o mundo, mas minha parte eu tenho que fazer. Compreendi que os ataques de raiva que eu tinha com o meu chefe não eram para ele. Eram para minha vida.

estava insatisfeito com o meu casamento, com a dependência que a minha mulher sempre teve de mim. Eu sempre precisei ser o forte… Cansei.”

“Quase me separei, mas ainda não tive coragem. A família é muito importante para mim, mas não está fácil sustentar o casamento. A pandemia nos colocou convivendo de outra forma, com outra intensidade. Eu não estava preparado para isso.”

“Essa doença acabou pegando meu pai, não sei como. Ele estava dentro de casa, superprotegido e se foi. Uma dor sem tamanho.”

O relato acima de Jorge (nome fictício), 56 anos, vice-presidente de uma grande rede de varejo, que chora copiosamente ao falar do pai, prova que o processo de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico relacionados ao trabalho, o burnout, também chegou ao alto escalão durante a pandemia

Pesquisa da doutora em psicologia Betânia Tanure de Barros, da BTA Associados, especialista em cultura organizacional, feita há cerca de um mês com mil executivos em posições de comando (presidentes, vice-presidentes, conselheiros, diretores) apontou que 88% nunca passaram por uma crise tão forte na vida como a atual. Mais da metade deles (58%) tem muito medo de morrer. Já 42% decidiram se separar do cônjuge ou estão pensando seriamente no assunto;

“Nós estamos vivendo quatro crises simultâneas”,  diz Betânia. “Econômico-financeira, sanitária, antropológica e afetiva”. A pandemia que gerou impactos na economia afetou o nosso cotidiano, a maneira como nos relacionamos e a nossa visão de mundo, afirma a especialista. “Isso conta para todos, não importa se você mora em 30 ou em 300 metros quadrados”, diz ela.

Os líderes sempre ocuparam essa posição porque conseguiam enxergar um horizonte e entregar respostas, dar um direcionamento – seja nos negócios, seja na família. Mas, quando um momento de dúvidas generalizadas chega, como o atual, esse líder se vê sem norte, sem chão, e precisa compreender que também é falível e vulnerável, diz Betânia.

“Os executivos estão vivendo em um nível de exaustão muito relevante”, diz. “Os líderes recebem toda a frustração dos subordinados e se sentem angustiados e deprimidos, porque não foram treinados para lidar com isso ao mesmo tempo em que eles também se sentem assim.”

Aos olhos do mundo, afirma a especialista, a questão fica reduzida ao excesso de trabalho, mas a realidade vai muito além disso.

“Não é algo que se resolve com um dia de folga, mas com a percepção de que os líderes são gente de carne e osso, não estão acima do bem e do mal, têm medo e dúvidas sobre o futuro”.

Foi o que aconteceu com Patrícia (nome fictício), 47 anos, ex-diretora de uma grande montadora. “Em todo esse tempo, eu mantive para mim muitas dores”, diz. “Nessa vida executiva você sempre tem que dar respostas, mostrar o caminho. Pedir ajuda e dizer que não sabe ou que não consegue é considerado fraqueza. Ninguém quer um líder fraco”.

Casada e mãe de duas meninas, de 12 e 15 anos, ela teve que conciliar as rotinas da casa, do ensino remoto das filhas e de 12 horas diárias de trabalho, muitas vezes incluindo o fim de semana. Insônia, e ansiedade passaram a ser sintomas frequentes, assim como uma dormência insistente no braço esquerdo.

“Foi a pior crise da minha vida”, diz ela, que deixou a montadora há algumas semanas, para assumir um novo cargo em uma empresa de bens de consumo.

“Saber que havia mais de 20 mil pessoas cujo destino dependia em parte de mim, das soluções que eu ajudasse a encontrar. Mas eu não sabia até onde essa crise iria durar, quanto tempo a empresa poderia sobreviver, se eu iria ficar desempregada, morando em uma cidade como São Paulo, em que a violência poderia explodir.”

Quando precisou voltar a viajar a trabalho, ela teve muito medo de se contaminar. “Ficava pensando em como iriam ficar as minhas filhas se algo acontecesse comigo”, diz. Para Patrícia, uma das coisas mais doloridas dessa fase foi constatar a sua ausência como mãe. “A vida corporativa me consumia de uma maneira intensa, muitas viagens, muitas reuniões. Sempre foi assim, desde que eu sai da licença-maternidade”, diz. “Eu não gosto de falar sobre ‘prós’ nesta pandemia, porque é um período sofrido demais, mas agora eu tive a oportunidade de viver a rotina das minhas filhas. Continuo amando a minha carreira é quero novos desafios, mas agora vou pensar em como fazer isso, pra que a vida pessoal e profissional seja equilibrada de verdade e eu não me sinta mais culpada”.

A pressão de tomar decisões que teriam impacto sobre o destino de muitas famílias também pesou para Jean Carlo Nogueira, 38 anos, diretor-executivo de gente e cultura da Gol.

“A indústria da aviação civil foi uma das mais afetadas pela crise: de um dia para o outro, o nosso número de voos diários passou de 900 para 50”, diz ele, referindo-se a abril de 2020.

A Gol fez negociações sindicais para redução de salários e jornadas e abriu um plano de demissão voluntária (PDV). “Tomamos a decisão de não demitir, entramos na crise pensando que ela iria durar 90 dias”, afirma o executivo.

“Mas a crise foi perdurando e tínhamos de dar respostas a 16 mil funcionários, 16 mil famílias,” diz ele. Cerca de mil colaboradores aderiram ao PDV.

Nogueira passou a ter crises de insônia. “Acordava as 2h da manhã e não conseguia mais dormir”, diz. Por morar perto da sede da Gol, na zona sul de São Paulo, tomou a decisão de continuar a trabalhar presencialmente na companhia – quando todo o seu time estava em home office. O presidente e os demais diretores fizeram o mesmo.

“Por vezes eu olhava para os lados e chorava, vendo tudo vazio, um departamento onde antes trabalhavam 150 pessoas, uma sede com 1.500 pessoas. Era deprimente. Ficava pensando quando tudo isso iria passar, diz ele.

“É importante tirar essa capa de super herói que o líder veste., sabe? Saber que eu não tenho que ter todas as respostas, porque esta é uma crise que não está nos manuais”.

Para Nogueira, o fato de seguir trabalhando na empresa ajudou a preservar a relação com a esposa e os dois filhos de 5 e 11 anos. “Minha mulher decidiu, antes mesmo da pandemia, parar de trabalhar e se dedicar aos nossos filhos. Ela foi incrível, minha família foi um alicerce que me ajudou a enfrentar esta fase. Mas vi muitos casamentos acabarem, inclusive separações não amigáveis”.

Em razão de uma experiência pessoal, o executivo diz não ter tido medo da morte. “Meu filho caçula nasceu prematuro, em dezembro de 2015”, diz. “Um problema no intestino o fez permanecer cinco meses no hospital e passar por cinco cirurgias. A cada intervenção, sabia que corria o risco de perdê-lo.

Ter que lidar com a iminência da morte do recém-nascido foi o ápice do seu sofrimento, diz ele. “De certa forma, fiquei calejado para o que veio depois. Não temia morrer, mas sim perder as pessoas que eu amo”, diz Nogueira, que também afirma ter se abalado com tragédias sociais desse período – como o ataque à creche de Saudade (SC) e a morte do ator Paulo Gustavo.

Betânia diz que é fundamental que cada um encontre dentro de si os mecanismos psíquicos para sobreviver à pandemia. ”Muitos líderes, até o início da pandemia, achavam que eram invencíveis. Mas descobriram que a mortalidade faz parte da vida”, diz ela.

Nogueira, que não fazia exercícios, começou a correr todos os dias de manhã e ir a pé para o trabalho, o que lhe garantiu ânimo novo. Já Patrícia, tentou, sem sucesso, medicamentos para contornar a dormência no braço esquerdo – sintoma que só acabou depois que a ioga passou a ser uma prática diária. Jorge, por sua vez, deu início a terapia para aprender a lidar com suas frustrações e limitações.

“O processo de autoconhecimento nunca foi tão importante: é preciso reconhecer, sim, seus pontos fortes e diminuir os pontos cegos, aqueles em que você não reconhece que tem um problema”, afirma Betânia.

Cuidar de si é fundamental não só para o indivíduo, mas para o futuro das organizações, diz. “A competitividade de uma empresa está na paixão das pessoas pelo que fazem”.

“Um líder que não está bem consigo mesmo não consegue engajar a equipe. E estamos vivendo um momento em que as pessoas têm todas as desculpas verdadeiras para não desempenhar bem o seu papel”.

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