OUTROS OLHARES

INFÂNCIA INTERROMPIDA

Brasil já é o 5º país no mundo em número de casamentos de crianças

Ilegal, o casamento infantil e adolescente no Brasil tem sua face mais cruel no Maranhão e Piauí. Em campo para atualizar os dados da pesquisa “Como é ser menina no Brasil”, de 2015, uma ONG que atua em 75 países, a Plan lnternational Brasil, escolheu a cidade de Codó, a 219,7 km de São Luís, para buscar respostas. O que se soube, no último levantamento, é que cerca de 3 milhões de meninas entre 6 e 15 anos no país enfrentavam os desafios de uma vida adulta antes do tempo, antes mesmo de brincar como crianças. Desta vez, o foco do levantamento são as jovens entre 14 e 19 anos.

Os pesquisadores localizaram as mesmas personagens da última pesquisa, além de novas vítimas. O levantamento será concluído em outubro, mas quem está em campo já vê os sinais do triste avanço do número de casamentos precoces:

“Nunca vimos tantos casos como agora (ele trabalha na Plan há doze anos). A gente tem se surpreendido. Sem dúvida, a situação econômica e a pandemia contribuíram para piorar a situação, assim como os casos de abuso e de violência contra a criança”, avalia Flávio Debique, gerente nacional de Programas e Incidência da Plan, em Codó.

Com população estimada em 123.368 pessoas, o município maranhense é miserável, ocupando o 4.352° lugar entre os 5.570 municípios do país no que diz respeito ao salário médio familiar, que lá é de R$ 1, 6 mil. Para Debique, a falta de contato com as escolas e as amigas, nos últimos meses, isolou muitas crianças do mundo. Não à toa, a ONG nasceu mundialmente durante outra pandemia, a da Gripe Espanhola, entre 1918 e 1920, que matou cerca de 50 milhões de pessoas em todos os continentes.

Outro componente que amplia o drama: a fuga para um casamento para escapar de abusos dentro de casa. Como o caso de uma menina, hoje com 15 anos e grávida aos 13, que foi morar com o namorado porque era abusada pelo padrasto desde os 11.

“Neste caso, a gravidez foi a fuga dela. Ela se libertou do padrasto, a mãe denunciou e ele está foragido”.

APROVAÇÃO DOS PAIS

Seguindo os cuidados previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, enviamos perguntas e recebemos áudios de três das jovens entrevistadas pela pesquisa. Em geral, elas se expressam como as crianças que ainda são. Vivendo a realidade de adultos, na pequena Codó, outra jovem, hoje com 16 anos, ficou grávida aos 14.

“A gente se conheceu pelas redes sociais e namora há três anos. Casamos porque fiquei grávida”, conta Claudia*. “A gente não planeja engravidar. Nenhum adolescente deseja engravidar, muito menos casar tão cedo assim. Alguns dizem que só de 18 para frente. Mas às vezes acontece. Tem muita coisa nova acontecendo. Ser mãe nova é difícil, a vida tá meio complicada, mas boa. Não posso passear para muitos lugares. A gente ainda não se casou na igreja e no cartório, só foi morar junto. Eu amo minha filha. E a família dele (o namorado) substituiu a minha família”.

Claudia diz que vai ensinar métodos contraceptivos para a filha, algo que pouco conhecia quando engravidou. O plano inicial, que era ser advogada, pode mudar para outro, como ser policial, enfermeira ou veterinária:

“Agora fico muito impressionada com uma mulher sendo juíza. Fico inspirada”.

No país, nem com a autorização dos pais adolescentes menores de 16 anos têm direito ao casamento civil e religioso, desde a aprovação da Lei 13.801, de 2019, que alterou o artigo 520 do Código Civil.

De posse do cargo de desembargadora no Rio de Janeiro desde a semana passada e juíza que se especializou na área de Família, Andréa Pachá lembra que negou autorização a uma menina de 16 que pretendia se casar.

“Em muitos casos, vemos que a família quer resolver a violência de uma gravidez precoce com o casamento. A lei hoje não impede que uniões precoces continuem acontecendo. Mas (a decisão) vai criando a percepção simbólica de que casamento não é cura”, observa Andréa Pachá. “Conversei sobre o peso daquele casamento com os pais”.

A desembargadora acredita que a ausência da escola durante a pandemia e a falta de contatos com amigos e até mesmo vizinhos impactem no número de casos de violência doméstica e também de uniões precoces por falta de orientação e rede de apoio. Procurada, a assessoria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que a entidade não se pronunciaria sobreo assunto.

Codó é um microcosmo da pesquisa integral, que está ouvindo 2 mil meninas em todas as regiões do país. O Brasil está hoje no quinto lugar no ranking internacional de casamentos infantis, de acordo os dados do Fundo Nacional para a Infância. Estava em quarto lugar até o ano passado, mas foi ultrapassado pela Etiópia, precedida de Índia, Bangladesh e Nigéria. Estudiosos indicam que, aqui, há uma certa anuência dos pais em relação às uniões.

“Infelizmente temos encontrado muito, nesses últimos tempos, meninas de 13 anos, 14 anos, que engravidaram. Muitas foram morar informalmente com os namorados. Essas crianças jamais poderiam estar casadas. Essas uniões são totalmente proibidas por lei. De fato, elas perderam uma importante rede de proteção com a pandemia. O contato com o mundo exterior é essencial”,  afirma Cynthia Betti, diretora-executiva da Plan International Brasil.

FALTA DE OPÇÕES

Apesar de concentrado em regiões mais pobres, o drama se espalha Brasil afora. Promotora de Justiça e coordenadora do Centro Operacional de Infância do Ministério Público de São Paulo, Renata Rivitti relata casos semelhantes em seu estado. Para ela, o primeiro e crucial problema é que é uma questão “altamente invisibilizada”.

“Tem alta relação com a vulnerabilidade social. Quando pensamos em países da África e na Índia, por exemplo, estamos falando de rituais, muitos religiosos. No Brasil, se dá como se fosse a naturalização de uma escolha. E não é. Em muitos casos, é falta de opção”, diz Rivitti.

Em grande parte dos casos, as mães das adolescentes também engravidaram quando eram crianças – o que acaba naturalizando a situação em família. Em outros, o abuso é tolerado. Um dado: quase todos os maridos são adultos.

“A avó dele era vizinha da minha avó. Aí a gente decidiu morar junto porque ele morava muito longe da casa da mãe dele. Nós pegamos essa responsabilidade. Meu sonho é ter minha casa, para colocar meu filho dentro. E vou dizer a ele que tudo é muita responsabilidade”, relata Flávia*, que se uniu ao marido aos 14 anos e citou a palavra “responsabilidade” seis vezes.

A história contada por Silvia*, outra “noiva” que se tornou mãe no ano pandêmico de 2020, também traz componentes dramáticos:

“Sempre é melhor antes de namorar, de casar, realizar alguns sonhos que a gente tem. A gente se conheceu e dois dias depois já estávamos namorando. Voltei pra casa dos meus pais, mas apanhei da minha mãe, acabei fugindo. Vim passar o Natal com ele e fui ficando. Aí veio a Natália*(a filha) e os sonhos mudaram. A gente tem que pensar nela. Se dedicar. Eu não posso nem estudar. Alguns sonhos a gente tem que deixar pra trás”, conta Silvia, que se uniu ao namorado aos 16 anos. Os pais da jovem não concordaram com o casamento.

“Nenhum pai quer que os filhos casem tão novos”, afirma Silvia.  “Ser mãe e esposa jovem é muito complicado. Algumas coisas que a gente desejava fazer a gente não faz mais. A gente planejava tanta coisa…”.

A promotora Renata Rivitti corrobora a visão de que a pandemia agravou o cenário do casamento infantil:

“O momento aumentou muito tudo isso. Há muito mais litígios, brigas familiares. Aumenta o número de meninas em busca de socorro. O “casamento” acaba parecendo uma saída. Em geral não é”.

* Nomes fictícios.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 30 DE SETEMBRO

AMIGOS SANGUESSUGAS

Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes (Provérbios 19.6).

A lei da sanguessuga é: dá, dá. A sanguessuga gruda no nosso corpo apenas para sugar nosso sangue. Ela se alimenta da nossa seiva e se abastece da nossa vida. Há pessoas que se acercam de nós e nos cobrem de elogios, adulando-nos com palavras doces, apenas para receber algum proveito pessoal, para tirar alguma vantagem, para ganhar algum presente. São pessoas egoístas e mesquinhas. Não estão interessadas em você, mas no que você tem. Não amam quem você é, mas o que você pode oferecer. Tentam comprá-lo com bajulação. São sedosas nas palavras, estratégicas nos elogios, mas falsas nas motivações. Querem aninhar-se debaixo de suas asas. Querem viver seguras sob a proteção de sua sombra. Desejam seus presentes mais do que sua presença. Querem seus bens mais do que o seu bem. Querem o que você tem, não quem você é. São sanguessugas, e não amigos. São aproveitadores, e não camaradas de jornada. São indignos de sua companhia, e não parceiros de seus sonhos. O rei Salomão nos alerta para o fato de que todos procuram agradar às pessoas importantes; todos querem ser amigos de quem dá presentes. A prudência nos ensina a não engrossarmos as fileiras desse grupo. Não devemos dar guarida a esse bando de aproveitadores nem nutrir em nosso coração esse sentimento vil.

GESTÃO E CARREIRA

CUIDE DO SEU TIME E ELE CUIDARÁ DOS SEUS CLIENTES

Você se lembra das vezes em que se irritou esperando na linha de telefone para ser atendido, dos longos formulários para preencher e da ansiedade em ter que ficar repetindo seus dados pessoais cada vez que era passado de área em área? Pois é, as experiências negativas ficam conosco, e não só para os clientes como também para as equipes que trabalham na ponta do atendimento

A pesquisa CX Trends 2021 mostrou que 75% dos times de atendimento nas empresas latinoamericanas estão se sentindo sobrecarregados e mais da metade passou a trabalhar de casa, mudando toda a estrutura e apoio que tinham de trabalho. A pandemia trouxe à tona inúmeros desconfortos e problemas pessoais a todos, mas grande parte do estresse também está relacionado à velocidade com que as empresas tiveram que reestruturar seus times e processos da noite para o dia.

E por que estamos falando dos times de atendimento? A verdade é que a percepção dos clientes sobre uma marca, hoje se embasa muito mais na experiência deles com a marca, especialmente quando precisam conversar com elas para resolver um problema, do que propriamente o produto e o preço.

E quem lida com essa jornada são as equipes de CX e atendimento ao cliente. Se ali falta tecnologia, suporte e processos adequados para atender ao cliente como ele espera, dificilmente ele terá uma boa experiência e continuará com a marca.

1. A INFLUÊNCIA DA LIDERANÇA NA AGILIDADE – O estudo Agilidade em Ação mostra que 82% dos agentes de atendimento na América Latina disseram que suas lideranças consideram a agilidade importante para o sucesso do negócio. Por isso, o primeiro ponto que trago é a importância do envolvimento das lideranças em promover uma cultura que tenha agilidade e o cliente no centro.

E isto é feito criando processos e padrões movidos pela colaboração e pelo compartilhamento de conhecimento. A colaboração continua sendo um desafio para todas as empresas. Hoje, 48% dos agentes na América Latina consideram ainda não possuir as ferramentas necessárias para trabalhar de casa, e sem isto dificilmente a empresa atingirá seus objetivos com o cliente.

Criar um ambiente que facilite a colaboração aberta e o compartilhamento de conhecimento é uma maneira poderosa de melhorar a eficiência da equipe. Por exemplo, se um agente resolve um problema difícil para um cliente, documentar e compartilhar esse esforço pode poupar outros agentes de complicações semelhantes e ajudar os clientes com mais agilidade.

Portanto, escolher tecnologias flexíveis e integradoras que possibilitem o compartilhamento de informações se torna ainda mais importante para lidar com mudanças como foi durante a pandemia.

2. VISÃO DO CLIENTE SEM SILOS – Da mesma forma, é importante que a tecnologia contribua para que a equipe de atendimento tenha uma visão unificada de toda a jornada dos clientes. Se o agente perde tempo para achar uma informação, pedir dados do cliente, passar a demanda entre diferentes áreas e canais para entender o que o cliente precisa, além daquele consumidor ter uma péssima experiência com a marca, a equipe de atendimento e muitas outras áreas perdem produtividade a todo momento.

Na pesquisa Agilidade em Ação, vimos que 37% dos agentes de empresas de médio porte dizem precisar de mais contexto do cliente para oferecer uma experiência melhor. Manter os dados coletados da experiência do cliente em silos entre as áreas é uma oportunidade perdida.

O feedback do cliente e os dados relacionados devem ser compartilhados por toda a sua organização; da equipe de produto ao marketing. Essas informações podem alimentar a tomada de decisões informada e baseada em dados, consequentemente aumentando a aquisição e fidelidade do cliente.

3. OTIMIZANDO PROCESSOS PELA AUTOMAÇÃO E AUTOATENDIMENTO – Além de ter as informações corretas em mãos, os líderes também podem otimizar o trabalho da equipe ao adotar recursos de automação e inteligência artificial. Embora não seja um substituto para os seres humanos, implementar chatbots com tecnologia de IA, por exemplo, ajuda a filtrar os chamados mais simples para que o agente foque nos clientes que querem de fato falar com um atendente humano.

Se uma transferência for necessária, os bots podem fazer com que suas contrapartes humanas se adaptem rapidamente ao contexto e tornar a solução de problemas mais rápida e eficiente. Se a empresa também investe em criar um bom canal de autoatendimento, como Centrais de Ajuda e Perguntas Frequentes, muitos dos problemas mais simples podem ser resolvidos pelo próprio cliente – e o Agilidade em Ação mostra que 61% dos consumidores preferem fazer isso para achar respostas .

4. MANTER-SE À FRENTE DAS MUDANÇAS – Por fim, é preciso treinar as equipes para que possam aproveitar o melhor dos processos e tecnologias disponíveis, e constantemente aprender e se adaptar às mudanças do mercado, da empresa e do cliente. Ter um olhar continuamente atento a todos estes fatores e muitos outros se tornará parte da cultura ágil da empresa e da área de atendimento.

Afinal, agilidade é um músculo que, assim como tantos outros, precisa ser exercitado com frequência para alcançar os resultados esperados da equipe e consequentemente em toda a experiência que o cliente terá com a sua marca.

*** FÁBIO GONÇALVES – É consultor de Soluções da Zendesk Brasil.

EU ACHO …

O DESAFIO

Vou desafiar meus leitores e minhas leitoras. É um convite a uma posição mais científica na formulação de opiniões. Meu texto de hoje tem dois objetos: um é de memória de um centenário, outro é uma metodologia de pensamento.

Começo pela metodologia. O pensamento científico tenta enfrentar o que for “preconceito”. Dentre muitos sentidos, a palavra indica um conceito surgido antes da experiência, algo que está na cabeça sem observação da realidade. O indivíduo é um evangélico fervoroso e, por causa da sua fé, evita ler um bom texto do papa Francisco, por exemplo. Obviamente, o mesmo ocorre com o católico convicto em relação a outros credos. Também Freud, Adam Smith ou Marx são precedidos de muitas informações de segunda mão. Sempre houve mais nieczschianos do que leitores de Nietzsche, mais freudianos do que examinadores dos textos do médico austríaco.

Existem, por fim, os que conhecem algo de uma referência, porém apenas tomaram contato com trechos, excertos, frases perdidas. Talvez Platão e a Bíblia sejam as vítimas mais frequentes desse mal. Como na parábola dos cegos que apalpam um elefante, uns imaginam que a forma do mamífero seja de uma espada por tocarem no marfim, outro afirma ser uma parede por tocar seu abdômen e um terceiro garante que é uma mangueira por ter encostado, exclusivamente, na tromba.

Passemos ao centenário e à união dos dois temas. A 19 de setembro de 1921, ou seja, há cem anos, nascia o recifense Paulo Reglus Neves Freire. Filho de uma classe média urbana (o pai era militar), enfrentou dificuldades, porém seguiu o curso de Direito e começou a lecionar português. Seu olhar agudo tocava em um grande problema do Brasil: a alfabetização de adultos. Os métodos tradicionais causavam desistência. Apenas para dar uma breve indicação do tamanho do desafio: em 1906, de cada mil habitantes do Estado de Pernambuco onde Paulo Freire viria a nascer, 193 eram alfabetizados e 807 analfabetos. Os números podiam ser ainda mais desanimadores (168 alfabetizados em mil na Paraíba) ou subir um pouco mais (247 alfabetizados por mil em São Paulo). Apenas no Distrito Federal a área aproximada da então capital, Rio de Janeiro, a alfabetização ultrapassava 50% da população (519 em mil). Éramos um país rural e com poucos leitores. Deixamos de ser um país rural…

O quadro foi mudando lentamente ao longo do século 20, sem nunca ter conseguido eliminar a gravidade do analfabetismo total e do ainda não calculado analfabetismo funcional. Como construir uma sociedade produtiva e minimamente justa com analfabetismo, letramento imperfeito, dificuldades estruturais de leitura e de interpretação de texto? Abundam alunos defasados na relação idade/ano cursado, desistência e evasão escolar, sucateamento material da escola pública e a evidente falta de um projeto nacional consistente e contínuo sobre a educação. O quadro como via o jovem Paulo Freire e a nós, cem anos depois…

A questão tinha tocado fundo em Anísio Teixeira (1900-1971), um dos mais influentes pensadores da educação pública brasileira. Um dos livros do baiano de Caetité apresenta como título quase um programa permanente: Educação Não É Privilégio.

Há muitos outros educadores. Paulo Freire é um deles. Ele concebeu um modelo de alfabetização novo. Partiu do universo dos alunos em um célebre experimento com cortadores de cana. Usando uma palavra em voga hoje, empoderou os alunos que deixaram de ser receptores passivos de uma escola informativa, baseada na memória e com autoridade do professor. Escreveu sobre suas experiências, inclusive sobre alguns fracassos que motivaram aperfeiçoamentos no método.

Paulo Freire tem muitos livros. Seu método chamou a atenção de intelectuais na Europa e nos EUA. O livro Pedagogia do Oprimido, obra básica para conhecer seu pensamento, é traduzido para quase todas as línguas. Sei da importância do livro, porém o meu preferido é Pedagogia da Esperança. É o intelectual brasileiro mais citado na área de educação nos grandes centros. Cerca de 40 instituições universitárias de peso deram a ele o título de Doutor Honoris Causa. Exemplos? Genebra, Bolonha e Barcelona. Foi professor-visitante em Harvard. Um brasileiro debatido e estudado no mundo todo. Não por acaso, é o patrono da educação brasileira.

Comecei falando do caráter pouco científico de julgar sem ler. Depois falei do centenário de Paulo Freire. Tenho encontrado defensores e detratores apaixonados da obrado recifense. Encontro bem menos leitores. Lanço o desafio cheio de esperança no centenário dele: antes de defender ou atacar Paulo Freire, leia dois livros dele ao menos. Pouco eu sei, porém, um começo. Depois de ler e examinar a obra, talvez alguns dados biográficos dele. Por fim, livremente, sendo você de esquerda ou de direita, emita sua sagrada opinião, agora com certo embasamento.

Educação é algo muito sério. Paulo Freire encarou o gravíssimo drama do analfabetismo. Hoje vivemos outro tipo de drama: pessoas que possuem a capacidade de ler e se recusam a fazê-lo. Freire dizia que a esperança é um ato revolucionário. Acredito nisso.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COM A CABEÇA FEITA

Estudo mundial constata o aumento explosivo de sintomas de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes, resultado direto dos efeitos perversos da pandemia

As crianças e adolescentes vivem uma contradição nesta pandemia. Se eles são mais resistentes à ação nefasta do vírus do que os adultos, suas mentes estão entre as vítimas preferenciais do cenário atual. Um dos mais completos estudos já realizados sobre os efeitos da Covid-19 na saúde psicológica identificou o aumento explosivo de sintomas de ansiedade e depressão entre jovens, considerando desde a primeira infância até pouco antes de se tornarem maiores de idade. O levantamento coordenado pela Universidade de Calgary, do Canadá, compilou informações de 29 estudos que abordaram os desígnios mentais de 80.000 pequenos participantes de diversas partes do mundo, inclusive da América do Sul. O porcentual de jovens ansiosos saltou de 11,6% antes da pandemia para 25,2% agora – trata-se de um aumento superior a 100%. Para ficar claro: um em cada quatro jovens desenvolveu algum tipo de ansiedade enquanto o novo coronavírus se multiplicava pelo mundo. Os depressivos eram 12,9% nos tempos pré-Covid e são 20,5% atualmente.

A juventude é um período único da vida. Nessa fase, são comuns rompantes de felicidade entremeados com momentos de angústia, tudo junto e misturado em uma sinfonia de pensamentos típicos da tenra idade. Os psicólogos dizem que, nesse período mágico, os jovens precisam de rotina, ordem e equilíbrio – tudo aquilo que a pandemia aniquilou de forma repentina. A vida ficou imprevisível, cheia de incertezas. Com as restrições de circulação, o convívio social foi abruptamente interrompido. Amigos de escola, colegas de clube, parceiros de baladinhas para os adolescentes, todos eles saíram de cena, e a tela do smartphone, computador ou TV passou a ser, durante uni bom tempo, o único ponto de contato com o mundo lá fora. “Estar socialmente isolado, afastado dos amigos, das rotinas escolares e das interações sociais revelou ser muito duro para os jovens”, diz Sheri Madigan, uma das autoras do estudo.

Os meses de isolamento foram, de fato, terríveis. Rejane Tardelli, mãe de Maria Fernanda, de 12 anos, e João Guilherme, de 14, identificou uma mudança negativa no humor dos filhos desde o começo da pandemia. Para entender o problema, ela agendou consultas com uma psicóloga para toda a família – e, sim, a crise se devia ao isolamento imposto pelo vírus. Maria Fernanda conta que, com a suspensão da escola e das aulas de futebol, tênis e skate, a vida piorou. “Fiquei mais triste mesmo”, resume a garota. Ela teve de trocar o contato com amigos e colegas por brincadeiras com o cachorro e mais tempo on­line, em sites como o YouTube.

A volta às aulas pode ser um antídoto contra a ansiedade e a depressão. As escolas obviamente favorecem o contato próximo entre os jovens, mas elas também estão atentas aos incômodos mentais. Segundo Claudia Santos Ferreira, psicóloga do Colégio Pensi, no Rio de Janeiro, a procura dos estudantes por conversas ou atendimentos cresceu de modo significativo desde o começo da pandemia, inclusive entre crianças com menos de 10 anos. “Entre nossos alunos, aumentaram muito as queixas daquilo que os menores chamam de tristeza e os mais velhos, de depressão”, afirma Claudia. “Eles têm falado frequentemente sobre dificuldades nas relações com os colegas, da sensação de isolamento e do frequente desinteresse pelos estudos.”

O fenômeno é notado em diversos colégios. Meire Nocito, diretora educacional do Visconde de Porto Seguro, de São Paulo, reforça o papel vital do retorno às aulas presenciais. “Na escola, o jovem tem autonomia, ao contrário do ambiente doméstico, onde fica muito vinculado à família”, diz. “Em tempos de pandemia, ele precisa estar em um lugar onde aprende a lidar sozinho com conflitos.” Brae Anne McArthur, uma das pesquisadoras que conduziu o estudo da Universidade de Calgary, concorda com esse ponto de vista. “Sabemos que jovens se dão bem com rotinas claras”, diz. “Por isso, o retorno à escola e a atividades extracurriculares é muito importante, podendo acrescentar mais pontos de apoio à saúde mental de crianças e adolescentes.”

A história ensina que as grandes crises costumam ser devastadoras para as novas gerações. Durante a II Guerra, crianças da então Prússia Oriental foram separadas de suas famílias e, para escapar da morte, vagaram por florestas durante meses. Devido aos hábitos selvagens que acabara1n adquirindo , recebera1n o apelido de crianças-lobo. Durante anos, esses ex- andarilhos, mesmo depois de reintegrados à sociedade, conviveram com os danos psicológicos provocados pela experiência traumatizante. Um famoso estudo dessa época reforçou a importância da manutenção de laços familiares. Durante os confrontos, milhares de crianças foram retiradas de Londres e outras cidades para morar em lares adotivos no interior da Inglaterra. Segundo a pesquisa, os jovens que ficaram com suas famílias, mesmo debaixo de bombardeio, eram mais “felizes” – na medida do possível, ressalte-se – do que os exilados.

O curioso é que, na pandemia do século XXI, muitos laços familiares foram revigorados graças ao confinamento forçado. Para muitas famílias, o período dentro de casa ajudou a aproximar pais e filhos. “Algumas crianças relataram que essa fase trouxe aspectos positivos e oportunidade de crescimento”, diz Guilherme Polanczyk, psiquiatra de crianças e adolescentes e professor da USP. Isso certamente ocorreu em muitos lares, mas o quadro geral mostra que a pandemia provocou estragos que deverão ser duradouros. Na psicologia, um evento traumático ocorrido hoje vai reverberar apenas amanhã, em um processo que pode levar meses ou anos. Seja como for, apenas o futuro será capaz de dimensionar o real estrago provocado por um vírus que obrigou a sociedade a se reorganizar, alterando hábitos enraizados. É certo que as crianças e adolescentes sofreram, só não se sabe exatamente quanto. Mas é certo também que vão se restabelecer.

OUTROS OLHARES

UM A CADA SETE JOVENS AINDA TEM SINTOMAS TRÊS MESES APÓS COVID

Resultados de pesquisa feita no Reino Unido ainda são preliminares

Um estudo conduzido por pesquisadores da University College of London (UCL) e do Instituto de Saúde Pública da Inglaterra concluiu que uma a cada sete crianças e adolescentes que têm entre 11 e 17 anos ainda apresentava três ou mais sintomas ligados à Covid-19 mesmo três meses após ter tido a infecção.

A pesquisa monitorou dois grupos, um de 3.065 jovens que testaram positivo para a doença entre janeiro e março deste ano, e um segundo grupo de 3.759 crianças e adolescentes que testaram negativo no mesmo período. Os resultados preliminares foram divulgados na última semana pela UCL.

O estudo é o maior já feito sobre Covid-19 longa nessa faixa etária, mas ainda não foi revisado por pares. De acordo com as primeiras conclusões dos pesquisadores, cerca de 30% dos jovens pertencentes ao grupo que testou positivo relataram ter três ou mais sintomas depois de 15 semanas.

Entre o grupo que testou negativo, 16% dos indivíduos fizeram a mesma afirmação. A diferença entre os dois grupos indica que 14% das pessoas entre 11 e 17 anos ainda apresentavam os sintomas devido à doença.

“Existe uma evidência consistente que alguns adolescentes terão sintomas persistentes depois de testar positivo para o Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19). Nosso estudo apoia essa evidência, com dores de cabeça e cansaço incomum sendo as reclamações mais frequentes”, afirmou o responsável pela pesquisa, o professor Terence Stephenson, da UCL, ao site da universidade.

Segundo os pesquisadores, o número alto de jovens que testaram negativo e ainda assim relataram sintomas de Covid-19 pode ser explicado, por exemplo, pelo fato de sintomas como cansaço incomum serem normais na faixa etária monitorada. Isso reforça a necessidade de haver dois grupos para comparação, ressalta a coautora do estudo, professora Roz Shafran, também da UCL.

“Nosso estudo também mostra a importância de se ter um grupo para comparação de modo que os sintomas da Covid-19 longa não sejam confundidos com problemas de saúde não relacionados à doença. Sem um grupo de controle dos jovens, nossas descobertas não poderiam ser interpretadas”, disse.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 29 DE SETEMBRO

A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS

A falsa testemunha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa (Provérbios 19.5).

Os tribunais da terra estão repletos de falsas testemunhas. Pessoas que juram falar a verdade, com a mão sobre a Bíblia, e depois abrem a boca para falar mentiras. O resultado desse teatro vergonhoso é que inocentes saem desses tribunais condenados, e os culpados acabam livres, sob a proteção da lei. No entanto, ainda que a verdade seja escamoteada nos tribunais da terra, ainda que a mentira vista a toga sagrada do direito e desfile na passarela da justiça, sua máscara um dia cairá, e suas vergonhas serão vistas por todos. A mentira tem pernas curtas. O mentiroso não é consistente. Ele incorrerá em contradição mais cedo ou mais tarde. Tropeçará em sua própria língua. Será pego em sua própria armadilha. Seus pés descerão à cova que ele abriu para seu próximo. O mal que ele intentou para o outro cairá sobre sua própria cabeça. Isso porque as trevas não prevalecerão sobre a luz. A mentira não triunfará sobre a verdade. A falsa testemunha não ficará impune nem conseguirá escapar do castigo. A mulher de Potifar, ao acusar o jovem José do Egito de assédio moral, teve sua reputação resguardada por algum tempo. Mas a verdade veio à luz, sua trama foi descoberta, e seu nome caiu na vala de desprezo por gerações sem fim.

GESTÃO E CARREIRA

COMO COLOCAR O BEM-ESTAR EMOCIONAL DOS COLABORADORES COMO PRIORIDADE

De acordo com uma pesquisa da Willis Towers Watson com 186 grandes empresas em atuação no Brasil, 97% têm como prioridade o bem-estar emocional dos colaboradores para os próximos três anos.

Com a grande transformação da relação entre as pessoas e o ambiente de trabalho nos últimos meses, o formato híbrido (parte no escritório e parte em home-office) deverá se consolidar daqui em diante e a empatia irá se tornar algo imperativo dentro das corporações. Com ela, vem a necessidade de prezar ainda mais pela a saúde mental e a motivação dos colaboradores.

De acordo com uma pesquisa da Willis Towers Watson com 186 grandes empresas em atuação no Brasil, 97% têm como prioridade o bem-estar emocional dos colaboradores para os próximos três anos. Nessa mesma pesquisa, 88% afirmam que a pandemia foi prejudicial para a saúde mental dos mesmos. No entanto, manter o time engajado e feliz em um modelo híbrido de trabalho não é um desafio apenas das grandes companhias.

Mas sim de todo o mercado brasileiro, inclusive dos micro, pequenos e médios negócios. Hoje, mais de 90% das empresas no país possuem menos de 100 funcionários, segundo o IBGE. Segundo Gabriel Leite, cofundador da Feedz, plataforma completa para engajamento e desempenho de colaboradores, independente do tamanho do negócio, seja uma grande companhia ou uma PME, o RH deverá criar uma cultura de valores em que as pessoas são a prioridade.

Ou seja, a saúde mental e a felicidade dentro das organizações estarão no centro das decisões. Pensando nisso, Gabriel elencou algumas dicas para construir uma cultura organizacional forte, na qual os valores da empresa estão totalmente focados nas pessoas. O resultado é um time mais motivado e feliz.

1)  SEJA, ACIMA DE TUDO, HUMANO – O contato social restrito aos meios digitais pode ser um dos principais fatores da desmotivação. Então, uma das soluções é criar ambientes em que as pessoas  se sintam acolhidas e seguras. Por exemplo, incentivar momentos de descontração, pausas durante o expediente e garantir que o trabalho não se sobreponha à vida pessoal.

2)  RECONHEÇA TANTO AS CONQUISTAS EM GRUPO QUANTO AS INDIVIDUAIS – Sucessos coletivos são incríveis e devem ser reconhecidos, mas uma maneira de manter todos motivados é pensar também nas conquistas individuais. O simples ato de fazer o reconhecimento do trabalho e desempenho pode aumentar a produtividade, diminuir a rotatividade de funcionários, inspirar lealdade e aumentar o engajamento.

3)  PEÇA FEEDBACK DIRETO DOS COLABORADORES – Você só saberá se seus métodos estão funcionando se perguntar. Incentivar rotinas para trocas de feedbacks é essencial para manter o time engajado e feliz. Mas fique atento: a liderança deve prezar por um ambiente acolhedor, em  que o colaborador se sinta à vontade para compartilhar inseguranças e sugestões de melhoria para a empresa.

4)  SEGURANÇA ACIMA DE TUDO – Da mesma forma que as empresas precisam cumprir as normas  de segurança no ambiente físico de trabalho, como as regras sanitárias de prevenção à Covid-19, por exemplo, também é necessário investir na segurança emocional dos colaboradores. Para isso, é essencial construir relações de confiança e desenvolver uma cultura de diálogo e acolhimento.

Desenvolver uma cultura de bem-estar, focada na criação de cenários de felicidade para os colaboradores, não é fácil. Para a liderança, há o dever de compreender a pessoa sem perder de vista que ela é um ser humano que contribui para o andamento dos negócios.

*** FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: www.feedz.com.br

EU ACHO …

ÚLTIMA GERAÇÃO DE PRIMEIROS

Certa vez,recebi no LinkedIn um relato de uma moça recém-promovida gerente na empresa em que trabalhava. E me identifiquei demais, em várias partes. Segundo ela, amigos e parentes estavam em festa e não era para menos. O cargo representava um marco: era a primeira pessoa da família a conseguir um posto tão alto. Filha de uma faxineira e de um pedreiro, ambos com ensino fundamental inconcluso, ela sempre foi encorajada a ir longe nos estudos. Certamente, suas vivências e dificuldades tinham lhe fortalecido e ensinado a perseverar, criando estratégias para driblar a escassez .

No entanto, este orgulho e um olhar carinhoso sobre seu passado foram uma construção. Afinal, em seu meio tinha se sentido acuada e coagida a mentir sobre seus pais. A maioria dos colegas falavam sobre bibliotecas em casa com centenas de livros compartilhados por gerações. No caso dela, a maioria dos livros que acessou eram xerocados ou PDFs passados por professores que aliviavam sua barra financeira.

Na faculdade, a biblioteca era sua principal aliada para ler, participar de grupos de estudos, pegar livros caros emprestados ou tirar aquele soninho nos intervalos das aulas. Típico de quem mora hem longe da faculdade e tem que acordar megacedo.

Mas agora a promoção vinha mostrando que tudo pelo que passou tinha valido a pena. Será? Às vezes, questionava-se.

Assim que recebeu a promoção, sua chefe imediata sugeriu que usasse parte do recurso para fazer uma pós-graduação, já que a empresa poderia arcar com uma parte do investimento.

Ela achou a ideia incrível, mas, ao pegara planilha e fazer os cálculos, deu-se conta de que investir em si mesma ainda não poderia ser a principal prioridade.

Ganhar pouco mais de dez salários mínimo por mês poderia parecer uma fortuna se esse dinheiro fosse só para ela.

No entanto, o título de ser a primeira da família a alçar um posto tão alto também pesava no bolso. Ela tinha uma dívida histórica com toda a rede corresponsável por sua conquista

Isso na prática também significava ter uma participação financeira mais robusta na ajuda aos pais do que seus irmãos, ainda desempregados. O pai tinha acabado, inclusive, de descobrir uma doença rara, e ela precisaria ajudá-lo. Destinava parte do salário aos irmãos e familiares que sempre pediam algum tipo de suporte para pagamento de dívidas.

Ir a um restaurante mais caro para fazer networking ainda não era um reflexo. Ou, se rolasse, pedia o item mais barato torcendo para não sugerirem de ratear a conta. Isso gerava um frio na barriga pois qualquer movimento em falso poderia coloca-la no vermelho. Sentia como se estivesse vivendo em uma espécie de limbo em que precisava ajudar quem não tinha as mesmas condições.

Antes de ocupar o tal posto, desconhecia uma das regras de ouro do mundo corporativo: promoções também moram no networking. Competência pode contar, mas proximidade e recomendação do amigo do amigo importam e muito.

Um mentor lhe dissera que comparecer a happy hours não era só diversão. Por isso, deu-se conta deque talvez devesse ter participado mais vezes no passado. Não se dá cargo de confiança a quem não se conhece.

Uma coisa ela já sabia: precisaria se esforçar muito para entregar acima da média e justificar a escolha daqueles que apoiaram seu crescimento na empresa. E, ao mesmo tempo, driblar a pressão extra por ser uma das poucas mulheres negras naquele tipo de cargo.

Ela deseja que, no futuro, entre as próximas gerações, alcançar um posto como aquele ou mais alto não seja mais um marco para pessoas como ela.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BEIJINHO, BEIJINHO, TCHAU, TCHAU

A pandemia aboliu o costume nacional – e de boa parte do mundo – de cumprimentar pessoas com um ou mais beijos no rosto. Há quem diga que é para sempre. Será?

Na revolução de costumes que a pandemia desencadeou pelo mundo, uma das transformações mais notáveis ocorreu no modo como as pessoas se cumprimentam. Tirando as mãos juntas na frente do peito, à moda indiana, e a inclinação de cabeça e torso, típica dos orientais, todos os outros gestos de saudação mais usados foram abolidos em nome da prevenção contra o novo coronavírus. À medida que a vacinação e o conhecimento das situações de contágio avançam, dá para imaginar que um rápido aperto de mão ou um abraço com rostos bem afastados têm chance de reaver seu lugar no encontro entre duas pessoas. Mas e o beijinho no rosto, aquele manancial de partículas despejadas justamente das redondezas da boca, nariz e olhos, as áreas mais críticas da contaminação? Deste, ninguém arrisca, por enquanto, a prever a volta – nem os franceses, seus maiores divulgadores. Em uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública feita com a imunização já avançada no país, 78% dos entrevistados se disseram dispostos a dispensar permanentemente la bise, como o gesto é conhecido, ao cumprimentar pessoas que pouco ou nada conhecem. Mais: 50% pretendem evitar beijos na bochecha até na relação com os mais próximos.

Os franceses não inventaram o beijinho como cumprimento, mas foi da França que ele se espalhou pelo mundo. Atribui-se o sucesso de la bise no país à calorosa cultura latina e à tendência francesa de conferir significado aos gestos – ao se beijarem, as duas pessoas se colocam em pé de igualdade e transmitem uma mensagem de sociabilidade e acolhimento.

“Há dois tipos de cultura no mundo: a que valoriza o contato físico e a que o inibe. Na França, sempre predominou o apreço pela proximidade”, diz Dominique Picard, especialista em relações sociais da Université Sorbonne Paris Nord. Quer dizer, até a Covid-19 fazer seu estrago e o beijo na bochecha ganhar a pecha de vilão. Mesmo estando 65% dos franceses imunizados, o presidente Emmanuel Macron, beijoqueiro contumaz inclusive de senhoras que não foram criadas assim, como a chanceler alemã Angela Merkel e a ex-primeira-dama americana Melania Trump, se viu soterrado em críticas ao tentar reabilitar o cumprimento beijando (de máscara) dois veteranos da II Guerra Mundial, em uma cerimônia em junho. “Acho que esse gesto não volta tão cedo. Mas sou otimista e confio que vai acabar reaparecendo, afinal o toque é inerente à condição humana e fundamental para o desenvolvimento cognitivo,” anima-se David Le Breton, antropólogo da Universidade de Estrasburgo.

No Brasil, onde chegar por último em um jantar de família impunha o ritual de dar a volta na mesa beijando um por um os presentes, a pandemia extinguiu esse tipo de cumprimento e a rejeição a ele segue firme e forte. Muita gente se declara, inclusive, favorável a sua interdição definitiva, a não ser em ocasiões especiais. “Agora, eu beijo meus filhos e meu marido. E ponto-final”, decreta a funcionária pública Cláudia Teresa Guimarães, 57 anos, do Rio de Janeiro. Na mesma linha, a estudante Ana Clara Lopes, 24 anos, de Campos dos Goytacazes, no interior fluminense, encarou o fim da obrigatoriedade de beijar quem encontrar pela frente como uma espécie de libertação. Fica apenas no soquinho com os conhecidos. “Parei para refletir e me dei conta de que se trata de um excesso de contato físico”, afirma.

A ciência corrobora a tese de que a beijação indiscriminada não é saudável. O beijo permite que gotículas de saliva repousem na face da outra pessoa, facilitando a disseminação de vírus e bactérias – um gesto rápido que abre portas não só para o novo coronavírus, mas para uma série de outros agentes causadores de enfermidades como gripes, herpes, caxumba, catapora e conjuntivite. Edimilson Migowski, professor de doenças infecciosas da UFRJ e presidente do comitê científico de enfrentamento da Covid do estado do Rio, está entre os que acreditam que o beijinho na bochecha sairá de moda por um bom tempo, talvez para sempre. Como as vacinas não são 100% eficazes, diz, a doença permanecerá ativa mesmo em países onde boa parte da população já estiver imunizada, fazendo dos protocolos anti-Covid cuidados duradouros. “Duvido que aquele beijo social volte a ser regra. Ficou deselegante expor o outro ao risco”, aposta Migowski.

Pode até ser que o beijinho suma do mapa – mas os registros da história não apontam nessa direção. A origem documentada do cumprimento usando o rosto – no caso, esfregando narizes – está na índia: textos em sânscrito datados de 1500 a.C. sugerem essa forma primitiva de saudação. A prática se internacionalizou por volta de 326 a.C., quando o exército de Alexandre, o Grande, ocupou partes da Índia e, seguindo adiante, apresentou o esfrega­narizes a povos do Oriente Médio. O cumprimento, já transmutado em beijo, viria a ganhar espaço e prestígio como ritual afetivo no Império Romano. Coube aos romanos categorizar o gesto, dando nome de saevium à versão amorosa, de osculum nos atos religiosos e de baseum nas manifestações de polidez e cortesia – este, o ponto de partida do beijinho-cumprimento de hoje em dia. À medida que o Império se expandia, os romanos, tal qual missionários do beijo, foram transplantando o costume para os limites de seus domínios. Na França, acredita-se que tenha chegado durante as guerras travadas com os gauleses, povo de origem celta que ocupava boa parte da região. A popularização definitiva se deu quando o beijo no rosto foi abraçado pela Igreja Católica como símbolo do cristianismo. No período em que a peste bubônica dizimava a população da Europa, a partir de 1300, o beijo na bochecha entrou em recesso devido – então como agora – ao seu potencial de transmissão da doença. O gesto atravessou a Idade Média nas sombras, identificado pela mesma Igreja como ato pecaminoso, símbolo de sensualidade e sujeira. O trauma deixado pela peste negra durou quase 500 anos, mas enfim aconteceu: o beijinho voltou, e justamente na França. Da Revolução Francesa, em 1789, em diante, beijinhos no rosto representavam os três ideais da nascente república: fraternidade, igualdade e liberdade. O liberou geral viria com a rebelião dos jovens, nos anos 1960 – o beijinho deixou o círculo mais íntimo e familiar e ganhou o mundo. Ou melhor, parte dele – os Estados Unidos e a Europa não latina até hoje torcem o nariz. Na virada para o século XXI, as bochechas brasileiras, tal qual as de muitas outras nacionalidades, passavam o dia inteiro recebendo beijos. Isso acabou. Fica a pergunta: até quando?

OUTROS OLHARES

DE FIBROSE A DOR DE CABEÇA: PACIENTES CONVIVEM COM SEQUELAS HÁ UM ANO

Pesquisa da USP identifica problemas em 60% de 750 pacientes do Hospital das Clínicas, especialmente em pessoas com mais tempo de internação. Recuperados relatam perda de sentidos e problemas respiratórios e cardiológicos, além de reflexos emocionais e cognitivos

Mais de um ano após ter covid-19, a baiana Renilda Lima ainda tem 20% do pulmão comprometido, sofre cansaço diariamente, convive com perda de memória e tem baixa imunidade. A doença, contraída em maio de 2020, causou sequelas que persistem até hoje e que Renilda, de 34 anos, não sabe se conseguirá se recuperar. Segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da USP, 60% dos pacientes que tiveram covid no ano passado estão em condições de saúde semelhantes, mesmo após um ano da alta hospitalar.

O estudo da USP acompanha 750 pacientes que ficaram internados no primeiro semestre de 2020 no Hospital das Clínicas da instituição. Eles serão analisados durante quatro anos, mas os resultados preliminares indicaram que 30% ainda possuem alterações pulmonares importantes. Além disso, parte também relata sintomas cardiológicos e emocionais ou cognitivos, como perda de memória, insônia, concentração prejudicada, ansiedade e depressão.

Segundo Carlos de Carvalho, professor titular de Pneumologia da USP e diretor da divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (InCor), os resultados preliminares mostram que algumas sequelas a longo prazo ainda podem ser revertidas. “Há casos em que os pulmões apresentam inflamações mesmo um ano depois da alta hospitalar. Já vimos que essas  inflamações podem virar fibroses (cicatrizes pulmonares), que são permanentes”, declara. No caso de Renilda, as sequelas físicas vieram junto com as emocionais. Além do cansaço – o que a levou a interromper algumas atividades diárias -, ela também passou a ter dificuldades de dormir e medo de ficar novamente em estado grave se contrair doenças respiratórias. “Até hoje meu sono não é regulado. Troco o dia pela noite. Recusei três propostas de emprego com medo de ficar doente”, contou.

Natural de Feira de Santana, a 116 quilômetros de Salvador, a baiana teve covid no primeiro pico da pandemia no Brasil, momento em que os hospitais públicos estaduais da Bahia não tinham leitos vagos. Ela tratou da doença em casa até conseguir um leito de estabilização em Salvador, onde permaneceu por três dias. No retorno para casa, ficou de cama durante dois meses e não conseguiu se recuperar totalmente.

Carvalho explica que as sequelas são piores e mais longas nos casos em que o tratamento das complicações causadas pela Covid é feito tardiamente ou de maneira não adequada. “Percebemos que os pacientes que demoraram mais a serem encaminhados para o hospital das Clínicas chegaram em um estado mais grave, e isso também agrava as sequelas. Quanto maior o tempo de internação e a gravidade das infecções, maior a tendência de haver mais sequelas a longo prazo”.

SENTIDOS

A perda do paladar e do olfato, sintomas comuns no período de infecção, também está entre as sequelas de longa duração. O estudante de Engenharia Ambiental e cozinheiro Emmanuel Ramos, de 20 anos, afirma que os dois sentidos estão “distorcidos” e que os cheiros de alguns temperos foram perdidos. “Tenho enjoos também quando sinto o cheiro de produtos de limpeza e até das queimadas que atingem minha região”,  disse Ramos, de Palmas.

Nos dois casos, as sequelas alteraram a rotina anterior à Covid. Em relação a Emmanuel Ramos, o atrapalha na cozinha. Já Renilda parou de fazer faxina em casa, de ir à academia e sente que não pode desempenhar a mesma função de antes no trabalho, em que era gerente de um estacionamento, por também sofrer perda de memória.

Essa última sequela é relatada por 42% dos pacientes durante a pesquisa da USP.  De acordo com os relatos ouvidos, a perda de lapsos de memória é frequente na rotina e acontece a qualquer hora. “Às vezes, saio da minha sala de trabalho para beber água no corredor e no caminho esqueço o que fui fazer”, descreve a acreana Sheyenne Queiroz, de 45 anos. Ela contraiu a Covid em novembro e não chegou a ficar no estado grave da doença, mas passou a sofrer com dores de cabeça fortes e esquecimento. “Cheguei a achar que estaria com aneurisma por causa da intensidade das dores de cabeça, mas, ao procurar um neurologista e fazer exames, ele me disse que se tratava de uma sequela da Covid-19″, diz.

A neuropsicóloga do Instituto Alberto Santos Dumont, Joísa de Araújo explica que as queixas mais recorrentes dos pacientes estão concentradas em esquecimento, dores de cabeça, ansiedade, sintomas depressivos e sensação de fadiga, inclusive em pessoas ditas “assintomáticas” durante o período de infecção. “Muitos jovens, que não tinham queixas anteriores, passaram a apresentar dificuldades de recordar questões do dia a dia”, afirma

ASSISTENTE AINDA SOFRE COM FALTA DE AR APÓS QUATRO INTERNAÇÕES

Baiana contraiu covid-19 em junho de 2020 e foi diagnosticada com inflamação no pulmão e Arterite de Takayasu

Natural de Esplanada, Bahia, Eliane Silva, de 32 anos, contraiu Covid-19 no final de junho de 2020 e precisou ser internada quatro vezes por causa do vírus. Foram três vezes por causa das sequelas da doença, além da hospitalização no período em que estava infectada.

A assistente de pessoal passou a sofrer com falta de ar, fadiga e problemas na circulação. Ela foi diagnosticada com vasculite pulmonar (doença autoimune que se caracteriza pela inflamação dos vasos pulmonares) e Arterite de Takayasu, uma doença inflamatória crônica.

Em julho, a baiana foi internada em uma unidade de saúde de Salvador para tratar uma nova crise. “Não tinha problema respiratório e tudo começou depois da Covid. Hoje me sinto muito abalada. Às vezes, digo para o médico que prefiro nem pensar nisso tudo, pois já dá vontade de chorar”, confessa.

Segundo o professor Carlos de Carvalho, casos de doenças autoimunes são possíveis em qualquer infecção ou vírus. Entretanto, ele afirma que os resultados obtidos na pesquisa não indicam que essa é uma característica recorrente, apesar de possível. “É algo que permanecemos atentos para ver se doenças autoimunes irão se manifestar ao longo dos anos, mas, com um ano, não vimos.”

Em julho do ano passado, Eliane ficou internada, mas recebeu alta no mesmo mês. No entanto, passou a sentir dores debaixo do peito esquerdo e entre a costela em novembro e precisou retornar ao hospital. Na maioria das vezes, os médicos afirmavam que as dores eram gases e passavam uma medicação paliativa. Somente em janeiro, cinco meses após as primeiras dores, descobriu o que sofria.

O tratamento inicial durou de quatro a seis meses, com coagulantes e uso de corticoide, remédio com potência anti-inflamatória. Entretanto, ela voltou a sentir dores ao iniciar o desmame dos medicamentos e foi internada no dia 28 de julho. “É muito complicado ter uma internação a cada seis meses. O psicológico fica a mil por horas.”

PERGUNTAS EM ABERTO

A pesquisa do Hospital das Clínicas é realizada com pacientes que estiveram internados entre 30 de março e 30  de agosto de 2020. Segundo Carvalho, isso significa que não se sabe quais sequelas as variantes surgidas a partir deste ano – como a Delta, mais transmissível – podem deixar a longo prazo. “Ainda são perguntas em que não sabemos as respostas porque é preciso fazer novos estudos.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 28 DE SETEMBRO

AMIGOS INTERESSEIROS

As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa (Provérbios 19.4).

Há amigos e amigos. Há amigos de verdade e amigos de fachada. Amigos do peito e amigos que nos apunhalam pelas costas. Há amigos que nos amam e amigos que amam o que temos. Há amigos que estão ao nosso lado no dia da fartura e amigos que nos abandonam na hora da escassez. Esses amigos de plantão não são amigos verdadeiros, mas apenas aproveitadores. Esses amigos utilitaristas rasgam os lábios em palavras sedosas e nos tecem elogios bajuladores, mas se afastarão de nós ao sinal da primeira crise. Os ricos conseguem muitos amigos dessa categoria. Esses lobos com peles de ovelhas, mascarados de amigos, estão sempre buscando alguma vantagem pessoal. Estão sempre tecendo ao rico os mais distintos elogios, enquanto maquinam no coração oportunidades para tirar algum proveito. O pobre não consegue granjear esse tipo de amizade. Ainda bem! Diz o ditado popular que é melhor viver só do que mal acompanhado. O amigo verdadeiro ama todo o tempo. Ele é mais achegado do que irmão. Não nos deixa na hora da crise nem nos abandona na hora da aflição. Jesus é o maior exemplo de amigo. Ele deixou a glória e desceu até nós. Amou-nos não por causa de nossa riqueza, mas apesar da nossa pobreza. Deu sua vida por nós não por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Você é um amigo verdadeiro? Você tem amigos verdadeiros?

GESTÃO E CARREIRA

COLABORADORES PODEM TROCAR DE EMPREGO PARA MANTER O TRABALHO REMOTO

A pesquisa revelou uma tendência de opção pelo trabalho híbrido na volta ao ambiente corporativo, decisão tomada com clareza, em especial, pelas mulheres

A pandemia trouxe consigo o distanciamento social e a necessidade de novas formas de trabalho. Dezoito meses após a adoção forçada do trabalho remoto pela maioria das empresas no país, o retorno ao escritório torna-se uma realidade cada vez mais próxima, e é um tema que impacta diretamente na retenção e contratação de talentos. É o que demonstra uma pesquisa da Robert Half, que entrevistou 358 pessoas entre 29 de junho e 19 de julho, considerando trabalhadores e desempregados que buscam recolocação.

A pesquisa revelou uma tendência de opção pelo trabalho híbrido na volta ao ambiente corporativo, decisão tomada com clareza, em especial, pelas mulheres. Quando perguntadas se buscariam uma nova oportunidade, caso a empresa onde trabalhem atualmente decidisse não oferecer uma opção 100% ou parcialmente remota, as mulheres se mostraram mais determinadas a mudar de emprego. Entre elas, quatro em cada dez (44,1%) informaram que optariam por uma nova oportunidade que oferecesse um modelo de trabalho remoto. Entre os homens, esse percentual é de 31,4%.

De modo geral, quando perguntados sobre como gostariam que fosse o modelo de trabalho adotado pela empresa após a pandemia, 63,8% dos entrevistados declararam que, ao longo da semana, gostariam de trabalhar mais vezes em casa que no escritório. Já 16,7% preferem inverter a frequência, e trabalhar mais vezes no escritório que em domicílio.

“Antes da pandemia, a percepção geral dos colaboradores era de que o home office era um benefício oferecido pelas empresas, um diferencial de contratação. O que a pesquisa nos mostrou é que, hoje, o colaborador tem consciência de que está diante de um novo modelo de trabalho, disposto a mantê-lo e conciliá-lo com sua nova rotina”, afirma Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, ao destacar que 76,5% dos profissionais, após vivenciar o trabalho remoto por mais de um ano, passaram a considerá-lo como um novo modo de trabalho.

A pesquisa ainda demonstra que as empresas estão atentas ao desejo dos colaboradores, embora muitas ainda não tenham um plano de retorno totalmente definido. Segundo os entrevistados, mais da metade das empresas (58,1%) ainda não definiu como será o modelo de trabalho após a pandemia. Entre aquelas que já anunciaram a decisão, no entanto, o modelo híbrido é o mais adotado (65,4%).

Entre as empresas que optaram pelo modelo híbrido, 46% definiram um esquema mais rígido de comparecimento, em que os funcionários trabalham alguns dias no escritório e outros em casa. Apenas 19,4% oferecem um modelo totalmente flexível, no qual o colaborador opta pelo trabalho remoto ou no escritório, sem dias definidos. Também é alto o índice de retorno total ao escritório, indicado por 21,4% dos participantes. “Fica clara, ao longo da pesquisa, a necessidade de diálogo entre empregadores e colaboradores para definir como criar a melhor experiência de trabalho daqui para frente. Cada pessoa se relaciona com o trabalho remoto de uma maneira muito particular, e a melhor forma de lidar com essas peculiaridades é por meio do diálogo aberto e da inclusão do colaborador nessa decisão de retorno”, conclui Mantovani.

*** Fonte e outras informações:  www.roberthalf.com.br.

EU ACHO …

FAXINA LITERÁRIA

O primeiro passo é providenciar a “sujeira”. Espalho frases de qualquer jeito, abuso dos pronomes possesivos, solto umas ideias mal alinhavadas. Que ninguém veja. Há um começo manco, um final precipitado, mas já se percebe o conteúdo; precisa apenas de uma boa faxina. É um texto, apenas mais um texto esparramado na tela em branco. Tem futuro, depois que começar a varredura pode dar certo, mas deixe pra amanhã, desligue o computador e vá dormir.

No dia seguinte, mãos à obra. A página tem que ficar apresentável, estará diante dos olhos de muita gente, procure não passar vergonha.

E a partir desse ponto que me animo, que gosto de ser aquela que escreve, sabendo que escrever não é só emendar urna palavra na outra. É limpar, suprimir, arruinar, desinfetar, reescrever uma, quatro, dez vezes, até abrir a porta ao prezado leitor e liberar o acesso, “pode entrar”.

Aquele verbo, por exemplo. A frase ganhará outro ritmo se ele tiver três silabas em vez de duas. Busque outro com o mesmo sentido e se possível a mesma terminação.

A palavra medo não se aplica no segundo parágrafo, o assunto não é tão dramático, troque por receio, que fica mais suave, e fique atenta àquela rima ali no meio, a não ser que seja proposital, o leitor perdoa quando o autor poetiza a rotina. Vamos lá, não desanime, ainda há trabalho pela frente.

Aquelas redundâncias perto do fim: dispense todas elas.

Caramba, justo onde inseri uma piada? Cortá-la vai doer, a gente se apega, sabe? Será que posso transferi-la para outra parte do texto? Não, ela não serve,precisa ser eliminada. Lá por novembro vocêtenta de novo, hoje não é dia de gracinhas. Diga adeus, coragem.

Retiro um “é preciso reconhecer que” para ir direto ao assunto, dou contundência a uma descrição, deleto quatro adjetivos poluentes e troco “até este exato momento” por algo mais enxuto: “por enquanto”, isso. Preciso me manter nas cercanias dos 2.300 caracteres ou comprometerei a diagramação da coluna.

Passo a guilhotina nos advérbios, enxugo um excesso de palavras terminadas em “ão” e troco uma crítica explicita por uma ironia. Aparafuso uma palavra que estava frouxa, ajusto uma concordância equivocada e inverto a sequência de duas frases – hum, ficou melhor assim. Substituo uma expressão em inglês por sua versão em português, retiro umas aspas, altero um tempo verbal, reforço um ponto de vista, volto a colocar as aspas, leio tudo em voz alta e só então me indisponho com uma gíria que não se usa mais. Ah, tudo bem, ela fica.

Terminou? Termina nunca. Sempre sobra uma gordurinha ou uma pontuação duvidosa, mas, paciência, uma hora é preciso dar o texto por encerrado, relaxe, ficou ajeitadinho, o público já pode entrar.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS CRIANÇAS IGNORADAS

As políticas públicas educacionais desenvolvidas no brasil costumam deixar de lado alunos com transtornos do déficit de atenção e com outros problemas de aprendizagem

O baixo desempenho de estudantes brasileiros nas avaliações de Português e Matemática tem causado sérias preocupações em especialistas de diversas áreas. Essa defasagem entre o desempenho esperado para a idade e escolaridade e o desempenho observado tem origem em questões pedagógicas, socioculturais, ambientais, entre outras. Considerar todos esses fatores é, sem dúvida, necessário para que ocorra uma mudança significativa no quadro da Educação brasileira. Investir na formação de professores, melhorar as condições de trabalho e de remuneração dos educadores, bem como adotar práticas educacionais baseadas em evidências científicas são algumas das prioridades a serem consideradas.

No entanto, ainda há um contingente de crianças e jovens que, mesmo se essas condições educacionais fossem ideais, ainda assim teriam dificuldades para acompanhar o processo de aprendizagem. Esse grupo de crianças corresponde de 4% a 6% da população escolar – meninos e meninas que têm transtornos do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e/ou transtornos específicos de aprendizagem (TEA). Os sinais desses transtornos são identificados na escola, mas não são restritos ao ambiente escolar. Essas crianças têm dificuldades nas funções cognitivas de atenção e memória, em alguns aspectos do desenvolvimento da linguagem social e até emocional, e éna escola que essas dificuldades se tornam um problema maior.

A pesquisa cientifica no mundo inteiro, inclusive no Brasil, demonstra, sem ambiguidades, que quanto mais cedo esses transtornos forem identificados por profissionais da saúde melhor será o processo educacional.

Desde a Declaração de Salamanca, em 1994, o Brasil tem avançado muito em suas políticas educacionais da perspectiva da educação inclusiva, estabelecendo diretrizes e critérios para o acompanhamento de crianças com necessidades especiais, no ensino regular e complementação no Atendimento Educacional Especializado. A política atual destaca o apoio aos escolares com  deficiências física, auditiva, visual, intelectual, transtorno global do desenvolvimento (autismo) e   altas habilidades/superdotação. No entanto, o grupo de crianças com TDAH e/ou TEA não está contemplado nessa resolução que especifica o público-alvo do Atendimento Educacional Especializado.

No mundo, há legislação específica para apoio educacional e garantia de diagnóstico por equipes multidisciplinares em mais de 150 países. Como exemplo, destaco as legislações no Reino Unido e Estados Unidos da América, que enfatizam a importância da identificação precoce desses casos para intervir o mais rapidamente possível.

Em 2010, o então senador Gerson Camata apresentou um projeto de lei que dispõe sobre a necessidade do poder público garantir o  diagnóstico e  o  apoio educacional das crianças e jovens com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dislexia, um dos transtornos específicos de aprendizagem.

O projeto já tramitou no Senado e foi aprovado em todas as comissões em que passou (Seguridade Social e Família; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição. Justiça e Cidadania). No momento o projeto se encontra na Câmara dos Deputados e já foi aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família. Na Comissão de Educação, o projeto de lei nª 7081/2010 teve como relatora a deputada Mara Gabrilli, que emitiu voto favorável com apresentação de um novo substitutivo que especifica melhor as condições de cada setor: Educação e Saúde para lograr o acompanhamento dessas crianças e jovens. Ainda faltam duas comissões para a aprovação final: a Comissão de Finanças e Tributação, Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O projeto de lei nº 7081/2010 elaborado pelo estabelecimento de políticas que reconheçam as crianças com TDAH e transtornos específicos de aprendizagem como população que precisa de apoio pedagógico em sala de ala regular. Caso seja aprovado, caberá ao Poder Executivo regulamentar essa lei, estabelecendo as suas diretrizes e inserindo essas ações em programas inter­setoriais de Saúde e Educação.

Com essa aprovação, o Brasil estaria corrigindo um equívoco e, com isso, melhorando as condições de sucesso de aprendizagem para esse grupo de crianças que estão à margem desse processo. Infelizmente, ainda não é o bastante para sanar todas as dificuldades que o sistema educacional enfrenta, mas, sem dúvida, já representará um grande avanço e, pelo menos, essa parcela da população escolar terá condições mais justas de alcançar o sucesso no processo de aprendizagem.

*** ANA LUÍZA NAVAS – é professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP e membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Déficit de Atenção.

OUTROS OLHARES

BYE, BYE, PIZZA

A polêmica dieta cetogênica, que induz à queima de gordura pelo corte radical de carboidratos, volta a ganhar força e atrai de famosos a anônimos que desejam perder peso

Há dietas que não sobrevivem a uma temporada na moda. Foi assim com a da lua, cujo princípio era beber somente líquidos durante 24 horas quando o satélite natural da Terra muda de fase, e com várias outras que propunham semelhantes despautérios. Não é o que acontece com a dieta cetogênica, baseada na severa restrição de consumo de carboidratos e no aumento expressivo de ingestão de proteínas e gorduras. Há pelo menos cinco anos, o regime passa ao largo do sobe e desce entre as preferências e, desde o ano passado, permanece na primeira posição da lista das top diets, segundo levantamento da Pollock Communications, agência americana de relações públicas especializada no atendimento a empresas do setor de alimentos. E a previsão, de acordo com a pesquisa realizada com nutricionistas e nutrólogos dos Estados Unidos, é a de que a ketodiet reinará absoluta por muitos anos.

O segredo de tamanho sucesso em um universo tão competitivo quanto o das dietas está na rápida perda de peso promovida pela cetogênica. Adele, a cantora inglesa, perdeu 45 quilos em seis meses. Kourtney Kardashian, uma das integrantes da família que hipnotiza seguidores nas redes sociais, mantém seus 45 quilos com a dieta. A modelo Sasha Meneghel, a filha de Xuxa, eliminou 8 quilos. Ao mesmo tempo, o que para os adeptos é uma vitória a ser comemorada – sem pizza, claro – representa na opinião de boa parte dos médicos algo que pode não ser tão bom assim para a saúde. A pitada de controvérsia dá o toque final à receita de popularidade.

A cetogênica surgiu no início do século XX como opção para o tratamento da epilepsia, doença neurológica que leva a movimentos descontrolados e crises convulsivas. A proposta mais conhecida é a do médico americano Russell Wilder, que jogou luz ao termo cetogênico quando desenvolveu esse regime que promove condições metabólicas semelhantes às induzidas pelo jejum prolongado. Nessa condição, sem a energia proveniente da glicose fornecida pelos carboidratos, o corpo utiliza o combustível dos corpos cetônicos, produtos fabricados a partir da transformação da gordura em glicose. A gordura, até então armazenada, vai sendo queimada. Ao determinar a restrição aos carbs, a dieta de sucesso desencadeia mecanismo semelhante. Aorientação é ingerir diariamente até 10% do nutriente cinco vezes a menos do sugerido para uma alimentação balanceada. Como nossa reserva de glicose dura no máximo 36 horas, após esse período o organismo entra em cetose e obtém seu combustível da gordura guardada ou ingerida.

No cardápio da keto, há muita proteína e gorduras saudáveis, como as encontradas em óleos vegetais. O que não pode são doces, pães, alimentos processados. Analisada por esse aspecto, a dieta é saudável. “Os açúcares promovem processos inflamatórios. A dieta elimina esse risco”, diz o médico nutrólogo Pablo Llompart, que indica o regime. Por outro lado, várias pesquisas sugerem que a ausência de carboidratos e o excesso de gordura causam problemas cardiovasculares e hepáticos. “A cetogênica pode ter consequências prejudiciais a longo prazo”, afirma a cardiologista Sara Seidelmann, do Hospital Brigham and Women’s, em Boston, e autora de um estudo sobre os padrões alimentares de mais de 400.000 pessoas no mundo.

Há ao menos um consenso: a perda rápida de peso serve como estímulo para a adesão a um estilo saudável de vida. O difícil é segui-la por muito tempo. Além de cansaço e alterações de humor nos primeiros dias, o cardápio pode enjoar. “É preciso aprender a deixar a comida do dia a dia saborosa. Assim, fica mais fácil fazer a dieta sem entrar em desespero no terceiro dia”, aconselha a chef Dani Faria Lima, que cuida do cardápio do ator Reynaldo Gianecchini, novo adepto da cetogênica. Mais duas orientações: ser acompanhado por um médico e resistir ao cheirinho de pão quentinho no café da manhã. Difícil.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 27 DE SETEMBRO

NÃO CULPE A DEUS PELOS SEUS FRACASSOS

A estultícia do homem perverte seu caminho, mas é contra o Senhor que o seu coração se ira (Provérbios 19.3).

Deus não é parceiro de suas loucuras. O que o homem semear, isso ele ceifará. Você bebe de sua própria fonte. Você come os frutos de sua própria semeadura. Você se abastece de si. O tolo faz suas loucuras e depois se ira contra Deus. Desanda a boca para falar impropérios e depois quer ouvir palavras doces. Apressa os pés para o mal e depois quer receber o bem. Suas mãos são ágeis para cometer injustiça e depois esperam boas recompensas de suas ações malignas. E o pior, ao receberem a justa recompensa de suas obras más, os tolos colocam a culpa em Deus. A falta de juízo é que faz a pessoa cair na desgraça; no entanto, ela joga a culpa em Deus. Quando concebe o mal no coração e se apressa para executá-lo, não consulta a Deus. Quando se entrega à prática do mal, tapa os ouvidos aos conselhos de Deus; mas, na hora de receber o justo castigo de seus atos insensatos, a pessoa se sente injustiçada e atribui a culpa ao Senhor. Essa atitude é a mais consumada tolice. É querer inverter uma ordem imutável: colhemos o que plantamos. Não podemos semear o mal e colher o bem. Não podemos plantar joio e colher trigo. Não podemos semear discórdia e colher harmonia. Não podemos plantar ódio e colher amor.

GESTÃO E CARREIRA

CINCO RAZÕES PARA TODO EMPREENDEDOR BUSCAR UMA MENTORIA

Aprender com quem tem experiência na área pode otimizar as estratégias de um negócio, estimular seu crescimento e proporcionar economia de forma significativa.

Essas são algumas das razões que levam empreendedores a buscar um processo de mentoria. É o que está ocorrendo na Acelerar – aceleradora da Área Central, empresa de tecnologia focada em associativismo empresarial e que disponibiliza um processo de mentoria para empreendedores de todo o Brasil.

O objetivo é ajudar quem tem interesse em melhorar a performance empresarial por meio de soluções práticas. O mentor Jeferson Rosa, que conta com mais de 20 anos de experiência na área, reuniu as principais dicas. Acompanhe:

1. ACELERAR A OBTENÇÃO DE RESULTADOS – Grupos de empresas precisam alcançar certo amadurecimento para ter a melhor recompensa possibilitada por estratégias como a compra conjunta, por exemplo. Esse processo pode levar até dois anos para ser concretizado, mas, a partir da mentoria incluída na aceleradora, ele é finalizado entre seis e oito meses. É uma forma de conquistar preços mais competitivos, com impacto a curto prazo.

2. ECONOMIZAR RECURSOS FINANCEIROS – É possível realizar uma análise de como e qual produto o empreendedor pode adquirir para seu negócio, os prazos para efetuar a aquisição, auxílio na negociação e como otimizar o processo de compra conjunta. Esses pilares estão diretamente conectados com o desempenho das companhias. São muitas as variáveis, como o mix de produtos, por exemplo, mas essa consultoria pode gerar uma economia de aproximadamente 10%. Vale ressaltar que a compra conjunta pode ser feita para mercadorias que serão utilizadas no seu negócio ou revendidas.

3. CRIAR CONEXÃO COM STAKEHOLDERS – A identificação de potenciais parceiros confere ao empreendedor mais possibilidades de alavancar seu negócio. Durante a mentoria feita em grupos empresariais, é possível desenvolver habilidades empreendedoras e aprimorar a performance da empresa com sinergia. O contato desses grupos é intermediado por um gestor de projetos, responsável pela apresentação de boas práticas para ganhos reais. O resultado é um crescimento em conjunto e a possibilidade de desenvolver parcerias sólidas, que ajudam a alavancar os lucros.

4. DESENVOLVER CARACTERÍSTICAS ESTRATÉGICAS – A jornada do mentorado começa com a coleta de informações. O segundo passo consiste em fazer o cadastro e a categorização de seus fornecedores e de produtos. Tudo isso utilizando a tecnologia a favor da tomada de decisão, que é sempre feita com acompanhamento, garantindo que todos os envolvidos estejam alinhados. O software da Área Central disponibiliza gráficos com os fornecedores mais relevantes, pulverizando o potencial do empresário. Para muitos, essa é uma nova forma de enxergar o próprio negócio.

5. OTIMIZAR A GESTÃO DO TEMPO – Muitos empreendedores possuem tempo escasso. Por isso, o processo de mentoria, além de ser feito de forma remota, ajuda na organização da gestão, prazos e logística. Dessa forma, planejamento e execução são realizados em menos tempo. Somando o uso da tecnologia com a expertise em consultoria, o mentorado que coloca em prática essas melhorias está contribuindo com o próprio desenvolvi- mento, de seu negócio e do ecossistema de inovação.

Fonte e outras informações: www.areacentral.com.br

EU ACHO …

O BRANCO DOS OLHOS

A barra é um mundo diferente do Leblon”, foi a explicação que recebi logo pela manhã para uma pergunta informal e sem pretensão alguma de rivalizar os personagens dos famosos bairros do Rio de Janeiro, onde fazia uma breve visita profissional.

Na parte da tarde, a mesma explicação foi feita sobre o bairro oposto: Ah, aqui é Leblon e não a Barra”. Refleti então na perda de tempo que é a valorização das diferenças que são absolutamente indiferentes. Afinal, quão distintas podem ser pessoas que moram no mesmo país e cidade, durante a mesma geração e,nesse caso, que ainda são da mesmíssima classe social?

Pessoas iguais criam parâmetros convenientes e aleatórios para definir diferenças que as tornem melhores ou únicas. Acredito profundamente que somos mais parecidos que diferentes, mais comuns em nossas escolhas do que pensamos e essa obsessão por observar nuances superficiais prejudicam a colaboração tão necessária para a vida em sociedade.

O Leblon e a Barra, no Rio, são só um exemplo do que fazemos também em São Paulo ou em qualquer outra cidade do mundo. Quem mora em Higienópolis é diferente de quem mora no Jardim Europa? Em qual medida essa suposta diferença afeta decisões importantes na vida de empreendedoras, mães, donas de casa, profissionais liberais ou executivas que moram ou trabalham nesses bairros? E, mais que isso, o quanto valorizar essas diferenças cria uma separação inconveniente para a melhora da vida de todos?

É só parar para conversar com atenção por alguns minutos com uma mulher que trabalha em São Paulo no ano de 2021 para entender que ela tem dores e anseios parecidos com os meus. Nossas preocupações familiares, carências, vivências são mais próximas que distantes e, nos despindo do esconderijo de nossas máscaras, somos apenas mulheres brasileiras que podem ter trocas, amparo e aprendizado mútuo se minimizarmos nossas antenas para o diferente e alterar para o que é igual, comum e prioritário. Focar no enredo e não na alegoria, sabe?

O historiador e pensador europeu Rutger Bregman, em seu último livro Humanidade uma história otimista do homem, vai bem longe nesta análise de que somos mais parecidos e abertos a estarmos juntos do que nossas diferenças e afirma: “Os seres humanos nasceram para aprender, se relacionar e interagir. Somos a única espécie de primatas que tem o branco dos olhos pronunciado e essa característica permite que acompanhemos o olhar do outro. Somos livros abertos e o foco da nossa atenção é claro para qualquer um”, explica. ”Sobrevivemos como Homo sapiens porque coabitamos em grupos maiores e migramos para outros grupos com facilidade. Nosso anseio por relações cria novas conexões e não diferenças”, conclui.

***ALICE FERRAZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HORA DE CONVERSAR SOBRE AQUELE ASSUNTO – I

Educação sexual é ainda mais necessária na pós-pandemia, quando os adolescentes vão levar os relacionamentos das telas para o mundo real

De olhares no recreio e das baladas típicas da idade para um cenário de pandemia, em que intenções e descobertas só podem ocorrer virtualmente. Para os adolescentes, o desenvolvimento emocional e sexual precisou se reconfigurar de uma hora para a outra. E como fica agora que o contato social vai aumentar ainda mais, com o início da vacinação para menores de 18 anos? Como evitar decepções, riscos e eventuais excessos?

Conversar sobre Aquele Assunto é o melhor caminho, afirmam especialistas, que se preocupam com questões como dificuldade de os adolescentes estabelecerem laços afetivos fortes, maior consumo de material pornográfico e aumento de relações sexuais desprotegidas.

Sanar as lacunas entre as experiências que os adolescentes tiveram nos meios digitais e as que viverão a partir de agora é um ponto importante para lidar neste momento. ”Um dos principais problemas relatados por eles em relação à sexualidade é o receio de como vai ser quando encontrar a pessoa, uma vez que na telinha é uma coisa e pessoalmente, outra”, observa Enylda Motta, psicoterapeuta e sexóloga da USP. “Costuma existir muita ansiedade a respeito. Mas a descoberta vai acontecer de uma forma ou de outra.”

A estudante Larissa Oro Kintope, de 18 anos, passou por esse momento de insegurança. Ela eo namorado se conheceram na pandemia e conversaram virtualmente  por quase dois meses antes do encontro presencial. A adolescente tinha receio de não saber o que fazer. Também se perguntava se o namorado se sentiria confortável de ter algum contato físico.

A primeira interação ao vivo foi no shopping, sem tirar as máscaras. Depois, resolveram evitar lugares públicos. “Tinha pensado em vários encontros, mas no fim ficamos em casa. Nos adaptamos.”

LAÇOS AFETIVOS

Capacidade de adaptação, aliás, é fundamental para que os adolescentes consigam estabelecer laços afetivos duradouros e saudáveis. “A  grande recuperação que precisaremos ter é reaprender a socializar adequadamente e com confiança sem intermédio das telas”, afirma  Felipe Fernandes, pós-doutor em Gênero e Antropologia da Educação.

Morador de Curitiba, o estudante Vinicius Rodrigues Lemos, de 18 vem tendo dificuldade nessa readaptação. Ele diz que a pandemia impediu que tivesse novas relações – algo que lhe faz falta. “A pandemia criou esse medo, uma fobia social”.

No caso da gaúcha Luiza, também de 18 anos, os contatos online até ocorreram. “Esses flertes satisfizeram um pouco no sentido de me sentir desejada, mas depois não se concretizaram”, relata a adolescente, que pediu para não se identificar. “A pandemia pausou isso e deixei de viver partes da minha vida.”

TEMPO PERDIDO

Se alguns adolescentes sentem receio de contato, outros podem acabar antecipando o ritmo das relações. É o que atestaram os pesquisadores David Bell, Leslie Kantor e Laura Lindberg, autores de um estudo que avaliou o efeito da covid-19 na vida sexual de adolescentes nos Estados Unidos. Como explica Bell, da Universidade de Columbia, alguns vão querer “compensar o tempo perdido”, embora esse aumento no número de relações deva ser temporário.

Outro receio é de que deixem de usar preservativos. “Nossa preocupação é de que os cuidados com a Covid-19 façam com que eles não prestem atenção nas infecções sexualmente transmissíveis  (ISTs)”, diz Laura Lindberg , pesquisadora chefe do Guttmacher Institute.

Por mais que a pesquisa não inclua brasileiros, a psicóloga Brune Coelho, mestre pela Universidade Federal de Juiz de Fora acredita que essa maior busca por manter relações sexuais pode ocorrer também por aqui. Ela faz a ressalva, porém, de que ainda é muito cedo para fazer previsões definitivas.

Há também quem acredite que a pandemia pode até favorecer que as relações sejam mais rígidas. É o caso da antropóloga e professora Miriam Grossi, da Universidade Federal de Santa Catarina. “Antes de se relacionarem, os jovens vão se perguntar: ‘Por onde essa pessoa andou? Será que se cuida?”.

MAIS DIÁLOGO

Isso não quer dizer que pais e educadores não precisem estar atentos e abertos para dar orientações e acolher os jovens. Até porque problemas como gravidez na adolescência e baixo uso de camisinha já eram questão de saúde pública antes da pandemia. Quase metade (44%) dos adolescentes de 12 a 18 anos que afirmaram já terem tido relação sexual não usou o preservativo na primeira vez, segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizada no ano passado. Além disso, 35% disseram que não utilizam ou raramente usam camisinha

A pesquisa ainda revelou que 16% dos adolescentes aumentaram as práticas de sexo virtual ou de masturbação com conteúdo erótico online. Um dado que a sexóloga Lucimar Ghelfi vê com preocupação.  “Se esses adolescentes só tiverem experiências virtuais, no momento de reproduzir isso, cria-se um espaço muito grande entre real e virtual”, afirma. Além disso, há temores relativos à inadequação sexual. “O hiper estímulo pode levar a disfunções sexuais, principalmente à ejaculação precoce”, pondera o médico urologista Sander Tessaro.

O diálogo é um fator decisivo para que essa fase de descobertas seja vivenciada de forma saudável. “A sexualidade dos adolescentes deve ser tratada com naturalidade, a repressão pode afastar e inibir. Quando se fala a respeito disso, o assunto se torna natural e cria-se confiança”, afirma a psicoterapeuta Enylda, da USP.

A estudante Giovana  Fleith do Vale, de 18, sempre teve abertura para falar com a mãe. Quando recebeu uma foto de um homem no Instagram, foi à ela que recorreu. “É bom ter apoio. Nossa relação é muito boa, falamos sobre tudo”.

OUTROS OLHARES

A VIOLÊNCIA SILENCIOSA

Apesar de mais denúncias de agressões a crianças, abrigos se esvaziam na pandemia

A adolescente Maria* perdeu o pai quando tinha 3 anos e a mãe aos 9. A família decidiu que a menina passaria a viver com um casal de tios e o filho deles em Campo Largo (PR). Passados mais quatro anos, Maria relatou a outra tia ter sido abusada sexualmente pelo tio. Os abusos, segundo ela, ocorreram ao longo do último ano, sempre quando a tia e o primo saíam.

“Fui ao conselho tutelar, que me orientou a fazer um boletim de ocorrência. A família toda me julgou, não acreditou (na denúncia). Minha sobrinha está morando com a gente eaté agora não conseguiu atendimento psicológico”, diz a tia, uma professora de 29 anos que pediu anonimato.

No último ano, o número de crianças e adolescentes acolhidos em abrigos teve uma redução de 15%, segundo a Secretaria Nacional de Assistência Social. Passou de 29.998 acolhimentos, em 2019, para 25.534 em 2020. Em tempos normais, a “queda” seria uma ótima notícia, sinal de que há menos violações de direitos e de que a rede de proteção está funcionando. Mas não é nisso que acreditam especialistas.

Integrantes do Judiciário e da rede pública de proteção a menores de idade avaliam que não foi a redução da violência que esvaziou os abrigos, mas sim o abafamento dos casos. Presas em casa com seus agressores e longe da escola, principal canal de identificação de violações, crianças e adolescentes como Maria sofrem em silêncio. O funcionamento parcial de equipamentos da assistência social e de saúde durante a pandemia, com regimes de plantão ou trabalho remoto, foi outro agravante.

A promotora de Justiça Renata Rivitti, assessora do Centro de Apoio Operacional da Infância do Ministério Público de São Paulo, explica que num primeiro momento da pandemia houve um empenho maior da Justiça para encaminhar crianças e adolescentes acolhidos em abrigos. Em abril do ano passado, na tentativa de protegê-los do coronavírus, o Conselho Nacional de Justiça aprovou um documento com recomendações para agilizar processos de adoção ou até mesmo a reintegração às famílias de origem.

“Conforme a situação mais alarmante foi passando, surgiu uma nova situação: escolas fechadas e equipamentos de assistência social trabalhando em horários alternativos. Reduziram-se as formas de a notícia da violência chegar”, diz Renata.

PEDIDOS ANÔNIMOS

Se os abrigos ficaram mais vazios, os pedidos de socorro não pararam de chegar. Em 2020, as denúncias por telefone de violações contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram quase 10%, de acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Caíram os registros policiais – estupro de vulneráveis, por exemplo, teve queda de 11%, segundo o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mas de acordo com especialistas, em muitos casos, responsáveis pelas vítimas, além de terem medo, não conseguem se desvencilhar dos agressores para ir à delegacia.

No fim de agosto, estivemos em dois abrigos no estado de São Paulo. Segundo funcionários, as unidades não conseguiram preencher nem mesmo metade das 30 vagas oferecidas nos últimos meses. Em um dos abrigos, apesar da estrutura com quatro dormitórios, brinquedoteca, balanço e espaço para pintar e desenhar, havia apenas três crianças. Uma delas era a recém-nascida Vitória*, abandonada pela mãe, usuária de drogas, ainda no hospital.

Integrante do Instituto Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel Castro diz que é urgente a retomada dos serviços presenciais nas varas de Infância e Juventude, conselhos tutelares e serviços de assistência.

“Fazer atendimento de crianças em situação de risco e de violência não funciona por videochamada. O agressor está ao lado da vítima, que se sente constrangida de falar”, diz o advogado.

O Serviço de Acolhimento Aldeia São José, em Campo Largo (PR), tem capacidade para abrigar 20 crianças e adolescentes. Na série histórica, registrou média de atendimento de 15 a 18 abrigados. Segundo a coordenadora do serviço, a socióloga Maria Cristina Pieruccini, o espaço está hoje com seis abrigados:

“Isso significa que há uma importante redução na violação de direitos de crianças e adolescentes? Infelizmente, não. Com a recente retomada das aulas presenciais, já recebemos uma criança, cuja violação de direito foi percebida pela professora”, conta.

ATENÇÃO AOS SINAIS

Em março, depois de quase um ano sem frequentar aulas presenciais, Vera*, de 12 anos e também do Paraná, foi chamada pela escola para um teste de aprendizagem. Quando a pedagoga perguntou como tinham sido os meses de pandemia em casa, a menina desandou a chorar. A profissional estranhou e a encaminhou para uma unidade de saúde. Lá, descobriram que ela estava sendo assediada, manipulada e abusada sexualmente por um homem de 52 anos

Para conquistar seus pais e ficar próximo da menina, ele dava presentes à família. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público. Se ficar comprovado que o acusado enganava a família, ela permanecerá em sua casa. Caso contrário, poderá ser mandada a um abrigo.

A promotora Renata Rivitti reforça que a escola precisa estar ainda atenta para identificar as comunicações não verbais das crianças, porque nem sempre elasse expressam dentro da lógica dos adultos, como Vera.

“As crianças não necessariamente falam, mas demonstram, seja por comportamento agressivo, disperso, depressivo. O que precisamos nos preocupar é: estamos preparados para ouvir a criança, dar credibilidade para o que ela fala e dar atendimento?”, indaga a promotora.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 26 DE SETEMBRO

A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO

Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado (Provérbios 19.2).

Há um ditado popular que diz: “O apressado come cru”. Quem investe tempo em planejamento trabalha menos e com mais e melhores resultados. Li certa feita que os japoneses gastam onze meses planejando algo e um mês para executá-lo; os brasileiros gastam um mês no planejamento e onze meses na execução. Fazer antes de planejar ou realizar um projeto sem cuidadoso planejamento é laborar em erro e semear para o fracasso. Quem não planeja bem planeja fracassar. O tempo gasto em amolar o machado não é tempo perdido. Quem começa a construir uma casa sem antes ter uma planta? Quem vai à guerra sem antes calcular o seu custo? Quem começa um projeto sem antes avaliar suas vantagens e perigos? Agir sem pensar não é bom. A pressa é inimiga da perfeição. Um empreendedor, via de regra, faz duas perguntas antes de iniciar qualquer negócio: Quanto vou ganhar se fechar esse negócio? Quanto vou perder se deixar de fechar esse negócio? Tomar decisões sem reflexão é uma insensatez. Falar antes de pensar é tolice. Entrar num negócio sem avaliar as oportunidades e os riscos é pavimentar o caminho do fracasso. Mas investir o melhor do seu tempo no planejamento é sinal de prudência, pois a pressa é inimiga da perfeição. Não seja tolo, seja sábio!

GESTÃO E CARREIRA

EMPREENDEDORES VOLTAM AOS ESCRITÓRIO COM REGIME HÍBRIDO E ESPAÇOS MENORES

Empresas adotam sistema de rodízio de funcionários e diminuem gastos com condomínio e aluguel

Com a suspensão das medidas de restrição na maioria dos estados, pequenas e médias empresas testam, ainda que lentamente, o retorno aos escritórios.

A volta ao trabalho presencial acontece gradualmente, com a implementação de modelos híbridos, a adoção de sistemas de rodízio e a continuidade do home office para parte da equipe.

A divisão do quadro de funcionários permitiu escritórios menores. E a redução dos gastos com condomínio e aluguel tem ajudado as empresas a prepararem o terreno para a reintegração do pessoal.

“Temos um ambiente novo, agora sem divisórias. Estamos contratando especialistas para treinar nossos colaboradores para essa nova realidade”, afirma Leonardo Pantaleão, diretor-executivo da Sices Solar, que atua no mercado de energia fotovoltaica.

A empresa colocou a maioria dos 150 funcionários em home office no início da pandemia e trocou o escritório de quase 2.000 metros quadrados por outro com a metade do tamanho. Com o avanço da vacinação, planeja, a partir de outubro, a volta dos funcionários no modelo híbrido.

Segundo Pantaleão, a decisão foi tomada após algumas pessoas manifestarem a preferência pelo trabalho presencial. Ainda assim, no espaço físico menor, a empresa economizará 40% no aluguel. “Diminuindo o custo fixo, consigo reduzir também o preço final do produto. A empresa fica mais competitiva”, diz.

Além da imunização dos funcionários, a marca de vinhos Veroni leva em consideração a variação no fluxo de caixa para planejar o retorno, a partir de novembro.

A empresa tem no catálogo vinhos rosê e branco, mais consumidos no verão. No ano passado, as vendas nessa estação do ano subiram cerca de 200%, de acordo com Mariana Noronha, sócia da Veroni. “No trabalho remoto, a relação com a equipe fica menos humanizada. Alguns funcionários podem ter a sensação de que fazem um trabalho menos importante, o que não é verdade”, afirma Noronha.

Em um primeiro momento os seis funcionários do administrativo da Veroni poderão escolher trabalhar em casa um dia da semana.

Na decisão do modelo mais adequado para o retorno ao escritório, gestores podem comparar os números de produtividade da empresa com dados específicos do setor de atuação, diz Alexandre Slivnki, vice-presidente da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento).

Cifras maiores ou menores que as da concorrência podem indicar que o modelo remoto está dando certo ou que o trabalho presencial ainda é a melhor alternativa.

Antes de voltar ao escritório, as empresas devem se certificar de que tomaram cuidados para minimizar os riscos de contaminação. Ainda não há consenso, mas a Covid-19 pode ser caracterizada pela Justiça como doença ocupacional, alerta Paulo Sérgio João, professor de direito do trabalho da PUC-SP e da FGV.

o distanciamento social entre os funcionários é uma preocupação da empresa de tecnologia BHC Sistemas, que estabeleceu rodízio para os 30 colaboradores no escritório de 180 metros quadrados. A empresa adotou uma plataforma em que os profissionais reservam no máximo 15 postos de trabalho com antecedência, evitando a aglomeração. Após o uso de um ambiente, uma notificação é disparada para a equipe de limpeza fazer a higienização do local.

“Entro na plataforma e sei quem está em cada ambiente. Assim, garantimos a boa execução do protocolo de segurança”, diz Adalberto Bem Haja, fundador da BHC Sistemas. A experiência com a plataforma foi tão bem sucedida internamente que a empresa passou a comercializá-la. No ano passado, registrou faturamento de R$6 milhões, 15% a mais do que em 2019. Pesquisa da consultoria PwC mostra que 79% das empresas devem manter ou implementar o trabalho remoto nos próximos meses, e 68% das companhias planejam adotar o modelo híbrido. A consultoria de qualidade e engenharia de software Yaman já adotava o modelo híbrido antes da pandemia. Com a crise, implementou o que chama de “work anywhere”-“(escritório em qualquer lugar, na tradução livre).

Segundo Andrey Coelho, hoje a Yaman tem funcionários em 11 estados do país. “Ganhamos com a diversidade cultural e criatividade da equipe”.

Com a decisão de ir ou não para o escritório a critério dos próprios funcionários, o retorno ao trabalho presencial acontece a passos lentos, o menor fluxo de pessoas permitiu que a Yaman devolvesse metade do espaço alugado.

“Não queremos nos desfazer do escritório, mas nosso espaço físico mudou de propósito. Se tornou mais um ponto de encontro”, diz Coelho.

Hoje há mais empresas que trabalham de forma totalmente remota, mas se desfazer do ponto físico pode ser um tiro no pé, segundo Fernando Moulin, professor do master em gestão da experiência do consumidor da ESPM e parceiro de negócios da Sponsorb, consultoria de performance. Muitas empresas se precipitaram. Hoje observamos fadiga do Zoom, pessoas com dores lombares e a miopia explodindo, diz Moulin.

Ele lembra que mesmo companhias inovadoras do Vale do Silício (EUA), ainda que mantenham a flexibilidade, descartam o trabalho remoto em tempo integral.

As empresas também precisam ouvir os colaboradores. “Se a companhia implementar uma norma autocrática, pode perder grandes talentos”, diz Slivnik, da ABTD.

A Depender dos trabalhadores, o modelo híbrido prevalecerá. Estudo da WeWork e da WorkPlace Intelligence, empresa de consultoria de RH, feito nos EUA, indicou que 95% dos funcionários desejam combinar as atividades em casa e no escritório.

EU ACHO …

OS LOGRADOS

O ano de 1630 foi de muita ansiedade na  França. Ao sul, além dos Pirineus, a Península  Ibérica inteira era governada por Filipe IV, Habsburgo. Do outro lado do reino, o sacro império, encabeçado por Fernando ll, também pertencia àquela família que fazia, assim, um “anel de ferro” ao redor do território francês.

O risco de “sufoco geopolítico” era agravado pela Guerra dos 30 anos (1618-1648). Protestantes e católicos travavam um conflito que chocou o mundo pelo número de mortos e pela violência extrema nos domínios germânicos. Estavam em jogo a supremacia religiosa, o aumento do poder imperial e o crescimento de uma força insuportável para a política externa francesa. Temendo tudo isso, o governo do poderoso ministro Richelieu fornecia recursos para os rebeldes protestantes. A lógica política superava escrúpulos religiosos.

Problemas fora e dentro do reino: apesar da tolerância religiosa decretada pelo rei Henrique IV, em 1598, a França continuava com uma maioria católica e um grupo forte protestante (huguenotes). O cardeal-ministro teve de atacar posições fortificadas dos reformados. O Estado francês queria evitar que os huguenotes formassem um Estado dentro do Estado, algo perigoso para um ponto fundamental no Atlântico como La Rochelle, que poderia receber auxílio de reis como Carlos I, da Inglaterra. O ponto foi sitiado e bloqueado e grande parte da população morreu de fome. A Coroa francesa venceu no campo de batalha, porém confirmou a liberdade religiosa. Protestantes sim, porém sem exércitos próprios ou pontos livres.

O rei da França, em 1630, nosso ano em questão, era Luís XIII. Subiu ao trono aos 9 anos de idade, quando seu pai, Henrique IV, foi assassinado por um fanático religioso. Incapaz de assumir plena consciência do poder que caiu em seu colo com a morte do pai, a criança foi controlada pela mãe, Maria de Médici. A França já conhecia uma célebre conspirador a rainha Catarina de Médici.

Um rei fraco controlado pela mãe. Uma rainha- mãe italiana astuta e vista com desconfiança por ser estrangeira e por suas ligações com outros conterrâneos como Concino Concini. Um cardeal ambicioso e quase modelo de política realista. Ainda não falei da esposa de Luís XIII: espanhola e, como tal, originária de um país inimigo. Personagens fascinantes em um palco de conflitos externos e lutas intestinas: que enredo temos pela frente! Alexandre Dumas percebeu tudo ao fazer Os Três Mosqueteiros (1844).

Já que o grande público ama o fato específico mais do que as estruturas em transformação, vamos a um. O jogo do poder na corte estava em grande limite de tensão. Vamos acrescentar um fato no final do ano de 1630 uma epidemia de peste se alastra pela França – O rei sofre com dor de dentes, febres e uma disenteria insistente. Teme-se pelo futuro da Coroa. Chegou a receber a extrema-unção no dia do seu aniversário. Os grupos em conflito, especialmente o cardeal e a rainha-mãe, usam de todos os recursos para tomarem o poder na eventualidade da morte do segundo Bourbon. No outono de 1630, o rei recupera a saúde.

A cena seguinte ocorre no palácio de Luxemburgo, em Paris. O rei imagina poder ir a Versalhes, na época um pavilhão de caça modesto em comparação ao que o Luís seguinte construiria ali. A Médici quer evitar a presença do cardeal no Conselho e  ordena aos guardas que fechem as portas. Maria fica com o filho e ataca o cardeal. Este, em um gesto ousado, entra por uma porta secreta e faz uma cena dramática diante do rei. Pergunta se estão falando sobre ele. Ela está furiosa e ataca Richelieu. O prelado se ajoelha e beija a bainha do vestido da rainha que continua vociferando. O rei fica impressionado com a cena: a mãe parece descontrolada, o cardeal assume tom humilde e dedicado ao serviço da Coroa. Freud teria algo a dizer. Era domingo, 10 de novembro de 1630.

No dia seguinte, no seu pavilhão em Versalhes, Luís XIII recebe a visita do cardeal que faz novas promessas de submissão e de afeto. O rei decide afastar os ministros e políticos ligados à rainha- mãe. O golpe da mãe fracassou. Os aliados dela (como o marechal Francois de Bassompierre e Michel de Marilac) são presos. O filho preferido de  Maria, Gastão d’Or’leans, foi para uma corte rival.  A vitória do ministro é total Guillaume Bautru, conde de Serrant, classificou o dia como “joumé e desdupes”. A palavra exata poderia ser escolhida entre aliados ingênuos, jornada dos logrados, mas “dupe” inclui a ideia de idiota, enganado ou tolo. O termo de Bautru passou à história: quem foi tosquiar saiu tosquiado, o plano de derrubar Richelieu arrasou com o grupo da rainha – mãe e o cardeal ficou com o apoio total do rei. Armand Jeandu Plessis, nome de batismo do ministro, passa à história como astuto, maquiavélico e vitorioso na afirmação do poder real e na condução da política externa da França. Dumas fez um retrato terrível dele e uma construção romântica da esposa de Luís XIII. Uma visão mais objetiva diria que uma rainha que favorecia a espionagem espanhola na corte francesa e trocava correspondência com os inimigos ingleses era alguém que estava mais próximo da Bastilha do que do panteão romântico.

E o povo? Teve impostos (como a gabela, sobre o sal) aumentados muitas vezes. Aumentou a miséria na França? A pergunta sempre fica: a “razão de Estado” é boa para a população em geral? Onde estariam os verdadeiros “logrados”? Tenho esperanças de que, um dia, mude a resposta óbvia até aqui.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VIDA CONDICIONADA

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é muito mais do que uma simples “mania” pessoal. O quadro pode causar sérios prejuízos ao corpo e à mente, deixando a pessoa sem controle de seus pensamentos e ações

“Eu tenho TOC”. Essa frase é comumente utilizada entre o grande público, mas dificilmente empregada na situação correta. Isso porque todos temos um comportamento que se repete mais do que outros no dia a dia, seja em relação à organização, limpeza ou outros aspectos rotineiros. Porém, entre não conseguir deixar a cama desarrumada e ter que apagar e acender as luzes do quarto 30 vezes todos os dias antes de dormir, por exemplo, há uma grande diferença, no caso, a propriedade ao falar: “Eu tenho TOC”.

CASO SÉRIO

TOC é a sigla popular para transtorno obsessivo compulsivo, o qual, em termos médicos, é classificado como um distúrbio ansioso caracterizado por pensamentos obsessivos que se fixam na mente do indivíduo até que ele os transforme em ação (mesmo que a pessoa não esteja de completo acordo com o pensamento). Além disso, é marcado pela presença de comportamentos compulsivos, ou seja, ações repetitivas e exageradas, consideradas fora dos padrões pela sociedade, realizadas na tentativa de neutralizar as ideias obsessivas.

Para compreender o quadro de uma forma simples, a especialista em psiquiatria Lucia Milena de Oliveira explica que “as obsessões tendem a aumentar a ansiedade da pessoa ao passo que as compulsões reduzem a sensação. Se o paciente resiste à realização de uma compulsão ou é impedida de fazê-la, também surge a ansiedade”.

CÉREBRO COMPULSIVO

A ciência ainda estuda para entender completamente como o TOC afeta as atividades cerebrais. E uma pesquisa publicada na revista Nature, por cientistas da Universidade de Wtirzhurgo, na Alemanha, deu um passo importante nessa missão.

De acordo com o experimento feito em roedores, a deficiência da proteína SPRED2 gerou comportamentos de limpeza excessivos em roedores utilizados como cobaias. A substância é encontrada em maior quantidade na amígdala e nas gânglios basais e é responsável pela inibição do circuito Ras/ERK-MAPkinaseGWld. Sem tal interdição, os estudiosos acreditam que os rituais obsessivos compulsivos são estimulados. A descoberta possibilita o avanço no tratamento medicamentoso do distúrbio por meio da inibição química do circuito.

PREJUÍZOS SOCIAIS

Além dos efeitos negativos no bem-estar devido à ansiedade descontrolada, se não tratado, o quadro também pode exercer influências incapacitantes na vida social do indivíduo.

A vivência com o distúrbio acaba sendo uma experiência passiva para o paciente, uma vez que, ao tentar resistir aos próprios pensamentos obsessivos – sem sucesso – tem apenas um alívio passageiro apesar do grande esforço. Desse modo, como afirma a psiquiatra Sandra Carvalhais, “é frequente que as pessoas se queixem de cansaço mental (e mesmo físico), o que interfere no fluxo normal de pensamentos e atividades, comprometendo a sua vida”.  Então, devido a esse consumo de energia que deveria ser gasta com diferentes capacidades cognitivas, como o foco e a concentração na hora do trabalho, os prejuízos atingem o nível social além da saúde do organismo,

Lucia ainda complementa ressaltando que a execução dos rituais (as compulsões) gera uma exposição prejudicial ao indivíduo. “As pessoas podem achar frescura alguém lavar sempre as mãos, pensar que a pessoa tem nojo das outras, rotular ou até fazer bullying. Já vi paciente que apresentava compulsão de andar dois passos para trás cada vez que via um carro branco. Isso fazia com que ele chegasse no emprego com horas de atraso e acabou sendo demitido”, relata a especialista.

Outro ponto a ser levantado é a possibilidade de os pensamentos se tornarem ruminativos, ou seja, ideias que “ocupam” a mente do sujeito de tal forma que ele não consegue tomar decisões, hesita entre as diversas opções e está sempre em dúvida. A indecisão parece uma “condição de vida'”, conclui Sandra Carvalhais.

EM BUSCA DE ALÍVIO

Primeiramente, é importante ressaltar que não há uma cura definitiva para o transtorno, portanto, a chave é ter paciência para manter o TOC em questão sob controle e ter uma melhor qualidade de vida. O tratamento costuma ser baseado na utilização de “antidepressivos e psicoterapia, principalmente a da linha cognitivo-comportamental. A resposta ao tratamento não é imediata, podendo demorar semanas para o indivíduo sentir uma melhora”, esclarece Lucia Milena de Oliveira. Vale lembrar também que a orientação familiar e no trabalho quanto às dificuldades proporcionadas pelo distúrbio pode ajudar na recuperação do paciente.

POESIA CANTADA

AOS NOSSOS FILHOS

IVAN LINS

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS

Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim

Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim

Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim

E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim

Quando largarem a mágoa
Quando lavarem a alma
Quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim

Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim

OUTROS OLHARES

BRINQUEDO ANTIESTRESSE POP-IT VIRA FEBRE COM REDES SOCIAIS

Buscas por bolhas de silicone disparam 535% em sites que comparam preços

Tudo começou com a pequena Giovana, de dez anos. Aficionada pelo TikTok, ela passou a assistir a vídeos de gente se divertindo com um brinquedo colorido de silicone com bolhas, que poderiam ser pressionadas de ambos os lados e faziam um suave “ploc”.

Foi o suficiente para insistir em que o pai, o empresário Roffman Ribeiro, encontrasse o produto. “Moramos na Barra da Tijuca e percorri uma parte da zona oeste do Rio atrás do pop-it”, diz Ribeiro, referindo-se ao “fidgettoy”- ou brinquedo antiestresse – da vez.

A procura, em maio, foi sem sucesso. Como trabalha com marketing digital e tem contato com alguns importadores, Ribeiro encomendou o produto e montou uma pequena loja dentro do site da sua agência, a Inconnect Marketing.

“Não tinha grandes expectativas, só montei a loja no fim de maio e pedi para ela avisar os amigos, pensando nos pais que também não iriam encontrar os pop-its. Mas viralizou”, diz. Em três meses, Ribeiro faturou R$150 mil com os pop-its – pelo menos dez vezes a renda mensal que ele tinha com a agência, cujo trabalho precisou interromper. Agora 100 % da sua atenção está voltada para o site Fidgettoys.com.br, domínio que ele registrou. A febre dos pop-its se alastrou nos últimos três meses com as redes sociais – foi até tema no mês passado do aniversário de 12 anos de Rafinha Justus, filha do publicitário Roberto Justus e da apresentadora Ticiane Pinheiro.

Segundo a Mosaico, que reúne sites de comparação de preços, em agosto, houve aumento de 535% nas buscas por brinquedos de amassar , em relação a julho. Já a quantidade de alertas criados – avisos quando o produto atingir determinado preço – disparou 1.600%.

Influenciadores mirins, como Luluca, com 11,3 milhões de seguidores no YouTube, fazem vídeos periódicos com os mais diferentes formatos de pop-its e de outros fidget toys, como o polvo do humor, o minicubo, o spinner ou as bolinhas amassáveis. É o suficiente para movimentar a venda dos produtos, desde lojas tradicionais até camelôs.

A maioria dos pop-its é importada. No Brasil, a Luka Plásticos se apresenta como a única fabricante certificada pelo Inmetro. Especializada em injeção plástica, com a fabricação de produtos promocional e de peças para a indústria automobilística, a empresa encontrou nos pop-its uma nova veia de vendas.

“Começamos a produção há cerca de 50 dias e já vendemos mais de 200 mil unidades para atacadistas”, diz Gonzaga Pontes, diretor da Luka Plásticos. Hoje, 50% do seu faturamento vem das bolhas de silicone. Seus principais clientes são atacadistas que revendem os produtos na internet.

Uma das varejistas de brinquedos mais populares de São Paulo, a Armarinhos Fernando está há cerca de 20 dias “vendendo muito bem” um único modelo de pop-its a R$ 19, 90 , segundo o gerente geral da empresa, Ondamar Ferreira.

“Compramos um lote até agora, o frete da China está muito caro”, diz o executivo.

Na Fidgettoys, de Roffman Ribeiro, o preço varia de R$ 60 a R$ 850. O item mais caro do mix é um pop-it gigante, de 85 centímetros, que pesa dois quilos. “Metade do preço é só frete, mas achei importante ter o produto para servir de aspiracional”, diz ele.

O tíquete médio da Fidgettoys é RS 205. Ribeiro já atendeu clientes ilustres, como a modelo Gracyanne Barbosa e a atriz Thaís Fersoza, mulher do cantor Michel Teló. Apesar do sucesso, o empresário, que até março era coordenador de distribuição da Volkswagen no Rio, diz que não ficou rico.

“Tem a despesa com o produto, a tarifa de importação, o intermediador de pagamento, a divulgação nas redes. Cerca de 70% do preço do produto é custo”, afirma Ribeiro, que conta com a esposa para fazer a postagem nas redes sociais e outros três profissionais – um designer, um editor de vídeo e um gestor de tráfego.

Ribeiro afirma que a primeira quinzena de julho foi “maravilhosa” em vendas, mas nos 15 dias seguintes apareceram os primeiros problemas com a logística. “Minha vida virou um caos”, diz.

“Vendemos para os mais diferentes locais do Brasil: Amazonas, Roraima, Ceará, Tocantins, Rio, São Paulo. Teve caso de pedido parado nos Correios por mais de 20 dias. Descobrir em qual rota o pedido está e tentar esclarecer o caso com os Correios não é uma tarefa fácil”, diz.

O empresário não sabe até quando deve durar a febre dos pop-its, mas a Fidgettoys vai continuar como uma loja de brinquedos, aproveitando a bola da vez. “O pop-it já superou completamente as minhas expectativas, mas acho que o sucesso ainda dura mais uns dois meses”, afirma o empresário, que se diz ”viciado” no barulhinho das bolhas sendo apertado. “Sempre pego um pop- it quando chega alguma reclamação”, brinca.

Já Gonzaga Pontes, da Luka Plásticos, avalia que os pop-its devem se tornar uma nova linha de produtos. “Existem efeitos terapêuticos para as crianças, elas se acalmam”, afirma.

Segundo especialistas, o brinquedo pode estimular a parte sensorial da criança, por meio de toques, cores e sons, ajudando na coordenação motora.

“Meu filho adora. Viu no You Tube, fomos ao shopping e ele me enlouqueceu até comprar”, diz Karinna Rodrigues, mãe de Pedro Henrique, de sete anos, que acabou levando um lote de produtos para oferecer como lembrancinha na festa de aniversário do filho, no mês passado.

“Mas acalmá-lo, não acalma não”, brinca Karinna, ela própria uma usuária do pop-it: comprou uma capinha de celular com o tema.

Giselle Vazquez, mãe de Bianca, 9, e Bernardo, 6, concorda. “Não acalma, mas, se brincar traz bem-estar, então está valendo”, diz ela, que também gosta de apertar a bolha quando encontra uma por perto. “As crianças usam os pop-its nas brincadeiras que veem no YouTube”.

“As crianças ficaram loucas pelo pop-it”, diz Ingrid Ferreira, mãe de Maria Luísa, 10, e João Paulo, 6. “Mas eles brincam cinco minutos e param. Porém, quando veem os youtubers brincando, apresentando os mais diferentes tipos de pop-its, passam horas assistindo”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 25 DE SETEMBRO

A INTEGRIDADE VALE MAIS DO QUE DINHEIRO

Melhor é o pobre que anda na sua integridade, do que o perverso de lábios e tolo (Provérbios 19.1).

Vivemos uma crise colossal de integridade. Essa crise desfila na passarela diante dos olhos estupefatos de toda a nação. Está presente no Palácio da Alvorada, em Brasília, e nas choupanas mais pobres dos bolsões de miséria de nosso país. Está presente na suprema corte e também nos poderes executivo e legislativo. A ausência de integridade enfiou sua cunha maldita no comércio, na indústria e até mesmo na igreja. Famílias estão sendo assoladas por essa crise de integridade. Vivemos uma espécie de torpor ideológico e uma vergonhosa inversão de valores. As pessoas valorizam mais o ter do que o ser. Coisas valem mais do que pessoas. Nessa sociedade hedonista, os homens aplaudem a indecência e escarnecem da virtude, enaltecem o vício e fazem chacota dos valores morais absolutos. Precisamos levantar nossa voz para dizer que é melhor ser pobre e honesto do que mentiroso e tolo. É melhor ter uma consciência tranquila do que possuir dinheiro desonesto no bolso. É melhor comer um prato de hortaliça com paz na alma do que se refestelar em banquetes requintados, mas com o coração perturbado pela culpa. É melhor ser pobre honesto do que ser rico desonesto. A integridade vale mais do que dinheiro. O caráter é mais importante do que a aparência. O que somos vale mais do que o que temos.

GESTÃO E CARREIRA

EM MEIO A DESEMPREGO RECORDE, PAÍS TEM ‘BOLSÕES’ DE VAGAS NÃO OCUPADAS

Faltam pedreiros, azulejistas e outros trabalhadores habilitados para funções básicas na construção civil; a dificuldade se repete no setor de prestação de serviços a empresas, como logística, e na agropecuária – onde há até leilão de salários

Em meio à 14,8 milhões de brasileiros desempregados – a maior marca desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2012 -, há setores que estão contratando e vivendo uma realidade completamente diferente da que predomina no País. Na construção, faltam pedreiros, azulejistas e outros trabalhadores para funções básicas. No campo, há leilão de salários para admitir vaqueiros e operadores de máquinas. E, com o avanço da digitalização, empresas de logística e tecnologia viraram grandes demandantes de mão de obra.

Os bolsões de aquecimento do mercado de trabalho com e sem carteira assinada estão concentrados em praticamente três de dez setores: agropecuária, construção e serviços prestados a empresas -, revela um estudo feito pela consultoria IDados, com base na PNAD Contínua. Em maio deste ano, a construção empregava quase 12% a mais do que em maio de 2020, o auge da crise sanitária. Em seguida, vem a agropecuária, com avanço de cerca de 10% no pessoal ocupado. Por fim, estão os serviços prestados a empresas, com crescimento perto de 6%. “É uma recuperação frágil do mercado de trabalho, já que muitos setores hoje não têm aumento na ocupação em relação ao auge da crise, em maio de 2020”, afirma Bruno Ottoni, economista da consultora e responsável pelo estudo. Ele ressalta que cinco setores têm queda da ocupação e dois – emprego doméstico e indústria – permanecem estáveis na comparação com maio de 2020. Também em relação ao período pré-pandemia, maio de 2019, quando o desemprego era alto, a maioria dos segmentos continua como nível de ocupação no vermelho.

 Pesquisa da firma de consultoria e auditoria PwC Brasil, feita com 62 empresas de 16 segmentos entre outubro de 2020 e março de 2021, atesta esse resultado. A enquete revelou que 79% das companhias ampliaram os quadros, com crescimento de até 30 % nas contrações, puxadas pelo agronegócio e tecnologia. “O resultado surpreendeu positivamente, quando a gente vê os índices de desemprego tão elevados”, diz Flávia Fernandes, sócia da PwC.

CAMPO

Impulsionada pelo boom das commodities, a ocupação na agropecuária hoje supera o auge da crise e é maior do que antes da pandemia. Atualmente, há 8,7 milhões de trabalhadores no campo e a ocupação cresce por sete meses seguidos.

“Com o aumento da cotação da soja e do boi, produtores estão ampliando as safras e os rebanhos. Isso aumentou muito a procura por mão de obra, inclusive com leilão de salários e crescimento da rotatividade”, afirma Jaqueline Lubaski, sócia da consultoria de RH Destrave Desenvolvimento.

Há 25 anos atendendo a grandes empresas do agronegócio, ela não havia presenciado um aumento generalizado da procura por trabalhadores do gerente ao vaqueiro. “Estamos desesperados porque não temos vaqueiros nem capataz.”

Um ano atrás, o salário de um capataz, no Centro-Oeste estava em R$ 2,5 mil, com moradia, água, luz, internet. Hoje, Jaqueline conta que oferece R$ 3,5 mil, mais vale alimentação de R$ 618, e não consegue contratar.

SEM PARAR

O quadro se repete na construção, especialmente na capital paulista. Empreiteiras de São Paulo – que virou um grande canteiro de obras na pandemia -, enfrentam a falta de pedreiros, encanadores, eletricistas, conta o vice-presidente de Relações Institucionais do Sinduscon -SP, Yorki Estefan. A demanda está sendo puxada pelo aumento dos lançamentos, que foi de 183% no  primeiro semestre deste ano ante 2020.

“Hoje, precisamos de dez pintores e não encontramos”, afirma Gilvan Delgado, dono da empreiteira Aracama. Para suprir a falta, ele contratou Marcos Paulo Viana, de 33 anos, que veio do setor de panificação, sem experiência na construção.

O reflexo, dessa escassez já bateu nos salários. “O dissídio dos trabalhadores em maio foi por volta de 7%, e estamos tendo de pagar 15%”, diz Mario Rocha, CEO da construtora Rocontec. Com os prêmios, Antônio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo, conta que há pedreiro tirando R$ 8 mil, enquanto o piso é de R$ 2.030.

Outro setor com alta na ocupação é o de serviços prestados às empresas, que inclui logística, serviços financeiros online e tecnologia da informação. No primeiro semestre, foram feitas 100   milhões de compras online, segundo o Ebit-Nielsen. E, por trás de cada transação, há uma massa de trabalhadores.

O Mercado Livre, por exemplo, um dos gigantes do setor, vai ter recorde de admissões neste ano. Fechou 2020 com 4,9 mil empregados diretos, hoje tem 10 mil e vai encerrar 2021 com 16 mil. ”Crescemos muito as contratações por conta de logística, tecnologia e serviços financeiros”, diz Patrícia Monteiro, diretora de People.

EU ACHO …

2024 É LOGO ALI

Faltam quase mil dias para os próximos Jogos Paralímpicos, depois da edição histórica que se encerrou no domingo passado em Tóquio.

Se nos falta otimismo ao olhar para o cenário político de modo geral, basta nos oxigenarmos na lembrança da melhor campanha da História do Brasil em Paralimpíadas. Não podemos deixar a chama da esperança se apagar. E assim como os atletas que já estão se preparando para Paris 2024, nós também precisamos aprender a pensar a longo prazo e preparar o futuro desde agora.

Nossos atletas nos deixaram transbordando de orgulho, trazendo para casa 72 medalhas.

Nem preciso dizer que Carol Santiago foi um arraso até debaixo d’água. A nadadora conquistou cinco medalhas. Débora Menezes quebrou tudo no parataekwondo. Alex Pires fez história ganhando a medalha de prata na maratona. Além disso, Fernando Rufino se destacou na canoagem. Isso só para citar alguns nomes.

Nosso supernadador Daniel Dias, que anunciou sua aposentadoria após suas 27 medalhas, abre caminhos para tantas e tantos. Fora as reflexões sobre como podemos avançar na inclusão das pessoas com deficiência no nosso dia a dia. Esta é uma causa que deve ser de todas etodos nós. Levantar a pauta é também uma das grandes conquistas dos Jogos Paralímpicos, embora recebam uma cobertura de mídia muito menor que os Jogos Olímpicos.

Quando falamos da inclusão de pessoas com deficiência, lembro o quanto vibrei quando uma amiga minha comprou uma Barbie cadeirante e já estou aqui de olho no site para comprar a minha. Minha amiga Andrea Schwarz sempre fala sobre a necessidade de representatividade dentro e fora do mundo corporativo.

Eu nunca tinha visto uma boneca cadeirante antes. E tenho certeza de que ao ter uma boneca como essa, crianças e adultos podem cada vez mais treinar seus olhares para trazer visibilidade às deficiências (parece óbvio, mas muitos ignoram) e também lutar pelo direito na prática da acessibilidade para todas as pessoas.

Além de banirmos urgentemente de nosso vocabulário termos capacitistas, que promovem discriminação às pessoas com deficiência, como dizer que algo está capenga como sinônimo de ruim ou chamar alguém de débil mental como algo depreciativo.

Sabemos que a Barbie cadeirante que mencionei é só a representação de uma das deficiências que as pessoas podem ter. É por isso que além de terem suma importância, os Jogos Paralímpicos também são extremamente didáticos ao trazerem visibilidade para a diversidade de deficiências e classificarem-nas em diferentes categorias, agrupando atletas a partir de perfis funcionais semelhantes.

Apesar das boas-novas trazidas pelas Paralimpíadas, faltam aparatos básicos como rampas, sinalizações e informações que promovam mobilidade e acesso às oportunidades de educação, esportes e emprego. Já sabemos que o Brasil não é dos países que mais se destaca quando o assunto é acessibilidade.

E, neste caso, não precisamos ter apego a esse título. Tampouco deveríamos nos agarrar a histórias de superação como a de pessoas com deficiência que, com ou sem medalhas, tornam-se heroínas no dia a dia só por conseguirem driblar as mais diferentes barreiras que remetem a ações, para muitos de nós básicas, como sair de suas casas.

Que até 2024 possamos construir novas bases para permitir que novos atletas paralímpicos e olímpicos possam alçar voos ainda maiores. Se já tivemos um desempenho incrível com tantos obstáculos estruturais, imagine sem eles?

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaiguadaderacial.com.br.       

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUASE PERFEITO

Pesquisadores desenvolvem braço biônico que restaura comportamentos naturais

Lá pelo ano de 3.5OO a. C., diz a lenda, a guerreira Vishpla, rainha da Índia, perdeu a perna numa batalha e recebeu uma prótese de ferro para poder retornar à luta. A história épica é a primeira menção de um dispositivo artificial capaz de substituir uma parte do corpo. Foram necessários milênios para se chegar a um dos aparelhos mais extraordinários já desenvolvidos. Nesta semana, os avanços atingiram novo patamar quando cientistas da Cleveland Clinic, nos EUA, anunciaram um braço com funções muito semelhantes às de um órgão natural, até mesmo as mais sofisticadas.

O “braço biônico” permite que as pessoas pensem, se comportem com ele como se não fossem amputadas. Os resultados foram publicados na Science Robotics. O grande avanço é combinar mecanismos importantes: controle motor intuitivo, cinestesia de toque e sensação intuitiva de abrir e fechar a mão.

“A técnica é o estado da arte sob o ponto de vista acadêmico e de desenvolvimento tecnológico. A tendência que existe hoje na área é fazer integração sensório-motora para controle de próteses. Vários experts têm advogado que é preciso integrar não só a parte motora, mas também a parte sensorial”, diz Leonardo Abdala Elias, fundador e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Neuro-engenharia e coordenador do Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp. – E eles conseguiram.

Como prova a lenda de Vishpla, a próteses existem há milênios, mas foi há cerca de 70 anos que voltaram a ser pesquisadas e começaram a se aprimorar. Há quatro décadas surgiram as bioelétricas, que têm um comando a partir de um motorzinho. Ou seja, o usuário consegue levar o ombro para trás, abrir a mão, trazer o ombro para frente, fechar a mão. Já a integração sensorial é uma busca bem recente, dos últimos cinco anos. Os avanços são fundamentais para conter o abandono das próteses que, segundo Elias, chega a 60% no caso dos que perderam membros superiores.

O grande problema é a carga cognitiva. Quando uma pessoa não amputada vai pegar um copo, ela olha uma vez para o objeto e o resto se desenvolve naturalmente: esticar o braço, abrir a mão e colocar a pressão necessária para movê-lo. Como as próteses acessíveis hoje não têm sensibilidade, a pessoa tem que olhar e racionalizar cada uma das etapas.

Os desafios são pouco óbvios para quem não sofre a ausência do membro. Se fechar os olhos, essa pessoa sabe a posição da sua mão ou braço. Ao pegar um objeto, identifica imediatamente a pressão que deve usar para movê-lo. Se encostar em algo quente, imediatamente seu cérebro será notificado e ela se afasta. Essas são algumas das capacidades que estão sendo buscadas em centros acadêmicos de países como Suécia, Reino Unido e, principalmente, Estados Unidos. No país, boa parte da verba vem de uma agência de pesquisa ligada à Defesa americana – preocupação derivada do grande número de soldados feridos em guerras.

Pesquisas também vêm sendo feitas no Brasil, onde, apenas em 2020, 68.962 pessoas tiveram membros amputados.

Segundo a professora de fisiatria da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho Diretor do IMREA (instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Cínicas de SP), Linamara Rizzo Battistella, as próteses bioelétricas usadas atualmente nos membros superiores oferecem muita dificuldade:

“Elas exigem atenção, coordenação e muito treinamento. São próteses sensíveis, e o acabamento não tem um senso estético, capaz de criar um conjunto mais harmônico.

Por outro lado, o braço biônico de Cleveland traduz outra lógica, que seria a capacidade de, com um impulso cerebral, movimentar o segmento.

“Não será para todos porque exige boa integridade dos nervos, treinamento e boa coordenação. Ainda não é automático. Mas será um dia. Por isso é importante olhar para estas pesquisas como um caminho e não um ponto de chegada. Mas é um bom começo. O fato de ter a função do tato, o sensor que te dá propriocepção, isso é muito refinado. A participação visual na prótese bioelétrica é muito grande, já na biônica é a percepção sensorial”, diz Battistella.

Quando esses braços biônicos vão chegar à população é difícil dizer porque vai além da ciência. Depende também da indústria de reabilitação, das agências reguladoras e muitos outros agentes.

OUTROS AVANÇOS

Em relação aos membros inferiores, as pesquisas mais importantes estão na biomecânica, na direção do controle da impedância, que é a rigidez na articulação para fazer movimentos mais harmônicos e suaves.

Há outras linhas de pesquisa. Em uma delas, como explica André Luiz Jardini Munhoz, pesquisador no Instituto Nacional de Biofabricação Biofabris/Unicamp, o coto da perna é escaneado, a imagem vai para o computador e é usada para montar um cartucho (dispositivo que integra a prótese ao membro) pela impressão 3D, oferecendo mais conforto para a pessoa amputada.

Outro projeto segue a linha internacional: em parceria com o Ministério Público do Trabalho, são desenvolvidos braços com sensores, capazes de emitir sinais do cérebro ao nervo e do nervo ao cérebro.

Paralelamente, na área de próteses, são estudados tecidos para simular a pele, biomateriais para implantes, ligas de titânio, polímeros associados, etc. Há também próteses virtuais, com olhos biônicos, e auditivas.

POESIA CANTADA

MUNDO COLORIDO

VANUSA

COMPOSIÇÃO: VANUSA.

O meu mundo é colorido
Porque eu assim o quis
Fiz de cada tristeza
Um motivo pra ser feliz

Sou tão negra quanto os negros
Que são brancos como a mim
Uma flor em vez de arma
Pra lutar até o fim

O meu mundo é colorido
Como o verde da esperança
Pelo sorriso da criança
Que por si já é colorido

Sou guerreira tanto quanto
Quero explicar porquê
Sou capaz de odiar
Da mesma forma que amar

O meu mundo é colorido
Porque preciso viver
Para quê? Nada fizemos
Para quê? Nada sofremos

Somos jovens e é preciso
Não morrer na guerra assim
Eles não tem culpa
De ser negra a cor até o fim

O meu mundo é colorido!
O meu mundo é colorido!
O meu mundo é colorido!
O meu mundo é colorido!

OUTROS OLHARES

O NOVO MELHOR AMIGO

Cães cibernéticos já são usados em ambientes de alto risco na indústria petroquímica e de mineração, mas sua aquisição por forças policiais gera polêmica

A passeata no centro de Dallas, no estado americano do Texas, transcorria de forma pacífica, apesar do motivo do protesto: a morte de dois negros por policiais brancos na Louisiana e em Minnesota. A paz acabou quando Micah Johnson – um jovem negro de 25 anos munido de fuzil – disparou contra a polícia, ferindo sete guardas e matando outros cinco. Depois de uma infrutífera negociação, Johnson, acantonado em uma garagem próxima, recebeu a visita de um robô de controle remoto que explodiu ali mesmo, tirando sua vida. Essa ação sem precedente, ocorrida em julho de 2016, atiçou a imaginação das pessoas. Afinal, se a polícia podia fazer aquilo com uma máquina comum, até onde ela iria com um robô inteligente? Um ano e meio depois do caso Dallas, a série Black Mirror projetou, em um de seus episódios, a imagem de um cão-robô perseguindo sua vítima – cena perturbadora, porém restrita ao terreno da ficção, pelo menos segundo as empresas que estão fabricando o novo melhor amigo do homem.

A robótica, é bom lembrar, já faz parte do cotidiano, seja em fábricas automatizadas, seja dentro de casa. Algoritmos são chamados de robôs e estão espalhados pela internet. Nada disso, porém, é tão interessante quanto as máquinas da Boston Dynamics, empresa americana fundada em 1992 e hoje controlada pela sul-coreana Hyundai, que tem milhões de visualizações toda vez que posta vídeos de seu robô humanoide Atlas dançando ou vencendo obstáculos. Do laboratório da Boston, já saiu uma dezena de modelos, incluindo o BigDog, um quadrúpede de carga que nunca chegou a ser comercializado. O sucesso do momento, vendido por 74.500 dólares – preço que pode dobrar com os opcionais -, é Spot, um cão-robô com mais de 500 unidades em operação, prestando serviço para empresas de atividades insalubres e para a polícia – não sem causar polêmica, é verdade.

Recentemente, o departamento de polícia de Honolulu, no Havaí, adquiriu uma unidade completa por 150.000 dólares, utilizando recursos do fundo de combate à Covid-19. Desde então, Spot vem sendo usado para monitorar assentamentos de desabrigados que contraíram o coronavírus. Ele é capaz de conferir a temperatura da pessoa escaneando os olhos a 2 metros de distância. Leva água e comida para os sem-teto e se torna um elo de comunicação com eles. A polícia se mostra satisfeita com o resultado, mas não os munícipes, incomodados com o investimento feito em um robô com verba que poderia ser doada à população empobrecida pela crise. Em Nova York, Spot – rebatizado de DigiDog pela polícia local – foi usado em operações em conjuntos habitacionais, provocando a revolta de comunidades que ainda se lembram do caso Dallas. Segundo a União Americana pelas Liberdades Civis, é questão de tempo até que as forças de segurança sejam tentadas a armar os cães. Sob pressão, a polícia de Nova York achou por bem devolver o equipamento.

A Boston não está sozinha no mercado. A empresa suíça ANYbotics já vendeu vinte unidades de seu cão cibernético, batizado de ANYmal, e espera comercializar dez vezes mais nos próximos três anos. Ela tem clientes de peso como a petrolífera Petronas e a mineradora brasileira Vale, para as quais vende unidades customizadas por 165.000 dólares. Conversamos com Cheila Marques, gerente da ANYbotics, que esclareceu que o cão-robô é ideal para ambientes de alto risco, como plataformas de petróleo e indústrias químicas: “Ele sobe e desce escadas, agacha-se, tem sensores e pode inspecionar lugares de difícil acesso”.  Perguntada sobre o uso militar do ANYmal, Cheila diz que essa modalidade contraria o estatuto da companhia.

Não se sabe se a chinesa Xiaomi terá a mesma postura antibelicista com o CyberDog, anunciado há poucos dias. Ainda na fase de protótipo, ele tem um aspecto futurista e até mesmo ameaçador. Ainda não está claro onde será empregado, mas, segundo a empresa, serão produzidas inicialmente 1.000 unidades destinadas a “entusiastas da robótica”. O fato é que as três marcas ainda estão no estágio preliminar da inteligência artificial, no qual dispositivos dependem da intervenção humana. Isso deverá mudar nas próximas décadas, quando serão lançados robôs totalmente autônomos. Até lá, é bom que os parâmetros morais de uso tenham sido configurados – de preferência, universalmente.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 24 DE SETEMBRO

O VALOR DO AMIGO VERDADEIRO

O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão (Provérbios 18.24).

O renomado cantor brasileiro Milton Nascimento diz que amigo é coisa para se guardar no coração. Há muitas pessoas que nos cercam na hora da alegria, mas poucas permanecem do nosso lado na hora da crise. O amigo verdadeiro é aquele que chega quando todos já foram embora. O amigo ama em todo tempo, e na desventura se conhece o irmão. A Bíblia fala a respeito do filho pródigo, que saiu a esbanjar sua herança num país distante. Lá dissipou todos os seus bens vivendo dissolutamente, cercado de amigos. Quando a crise chegou, contudo, esses amigos de farra se dispersaram. Os amigos da mesa de jogo, os amigos de boteco e os amigos das baladas apenas se servem de você, mas nunca estarão prontos para servi-lo. Os amigos utilitários só se aproximam buscando alguma vantagem. Eles não amam você, mas o que você tem e o que você lhes pode dar. Algumas amizades não duram nada, baseiam-se meramente em interesses; mas o amigo verdadeiro é mais chegado do que um irmão. Está sempre ao seu lado, especialmente nos tempos de desventura. Jesus é o nosso verdadeiro amigo. Sendo rico, fez-se pobre para nos tornar ricos. Sendo Deus, fez-se homem para nos salvar. Sendo bendito, fez-se maldição para nos tornar benditos aos olhos do Pai.

GESTÃO E CARREIRA

O ESTRESSE DO RETORNO

Com o regresso das atividades presenciais, empresas e trabalhadores combinam esforços para facilitar a readaptação e tratam de criar o novo normal

O mundo mudou e o normal não é mais o mesmo de antes. No momento em que muitas pessoas começam a voltar ao trabalho presencial depois de um longo tempo de isolamento, há uma mistura de sensações e uma grande curiosidade sobre como as coisas irão se desenvolver a partir de agora. Para gente que teve excelente adaptação ao home office, voltar à antiga rotina pode ser desafiador e até estressante. Outros não viam a hora de retomar a convivência com os colegas e a agitação do ambiente corporativo. De qualquer forma, são inúmeros os casos em que o retorno ao trabalho representa uma nova realidade. Há empresas que mudaram de endereço e outras que alteraram inclusive sua estrutura organizacional.

“Ficou tudo diferente, vai ser um novo processo de adaptação”, afirma Lucas do Nascimento Araújo, 27, que trabalha no setor de administração e financeiro da empresa Eppendorf, uma multinacional fabricante de insumos e equipamentos de laboratório, que fornece, inclusive, para o Instituto Butantan. Sua readaptação começou pela localização da sede administrativa da empresa que ficava na zona Oeste da capital paulistana, na região da Lapa, durante o confinamento. “Era uma casa que foi transformada em sala comercial e, agora, ela fica em um prédio”, conta. Nesse momento, Lucas tem que ir ao trabalho uma vez por semana, às terças-feiras, na Vila Madalena, nova localização da empresa. “Agora vou de Metrô, e o escritório fica a dez minutos da estação”, diz. Apesar de gostar do relacionamento empresarial e das vantagens logísticas do novo endereço de trabalho (antes ele perdia três horas para fazer o percurso de sua casa até a Eppendorf), Lucas sente-se inseguro devido à pandemia. Ele já tomou a primeira dose, mas entende que nem todas as pessoas se cuidam devidamente. O que lhe deixa mais aliviado é o fato de a empresa ter adotado medidas de controle sanitário.

A engenharia civil Thamiris Ferreira, 28, que atua na área de suprimentos da Nortis Incorporadora, detalha como está sendo o processo de readaptação ao modelo presencial. A empresa também adotou a esquema hibrido para os funcionários. “Os espaços dentro da empresa foram modificados, pensando nos cuidados relativos à pandemia”, diz. Com a intenção de minimizar os riscos de disseminação do vírus, a construtora desenvolveu um sistema para garantir o distanciamento. entre os funcionários. As cadeiras usadas por cada um tem que ser reservadas por aplicativo. Nela, há um código QR que o funcionário lê, por meio do smartphone, criando um vínculo. “Se a leitura não for feita, a cadeira vai para outra pessoa”, conta.

Os especialistas em comportamento empresarial afirmam que o retorno nesse momento de respiro da pandemia se, mal planejado, pode gerar estresse e ansiedade nas pessoas. José Raucci, psicólogo da Nuovavita Psicologia, afirma que por estarem se expondo a uma situação que não está totalmente dominada, as pessoas tendem a ficar ansiosas e desenvolver outros distúrbios emocionais. Porém, em pesquisa recente da consultoria Thomas Case & Associados mostrou que 76,3% dos trabalhadores preferem o modelo híbrido de trabalho. É o caso de Camila Mastrange, 37, química e matemática, que leciona para alunos do ensino médio, em uma escola privada na Zona Sul de São Paulo.

A docente explica que a causa de sua apreensão está relacionada com a forma mais comum com que os alunos se relacionam com o professor. Na hora de tirar dúvidas, se dirigem à mesa e ficam tête a tête com ela. “A Covid-19 levou um aluno meu, isso causa insegurança”, diz. Camila trabalha em diversas escolas e esclarece que apesar da instituição de ensino ter colocado em prática todas as medidas protetivas, acima das outras escolas em que atua, parece que os alunos ainda não compreenderam a necessidade de se manter distância do professor. Ela já tomou a primeira dose da vacina da Pfizer, mas, com certeza, preferiria continuar lecionando remotamente. “Ainda estou em confinamento, só saio de casa uma vez por semana e, mesmo assim, fico preocupada”. O retorno à vida normal também pode representar um alívio. Foi isso que aconteceu com Andresa de Almeida, CEO da Prime Guarantee Investment AS, e mãe de João Guilherme, de 13, e Ana Laura, de 9 anos. Há um mês, as crianças retornaram para as aulas presenciais. “Eles já estavam cansados de ficar em casa e eu finalmente também pude voltar à empresa”, desabafa.

EU ACHO …

UM REINO CHEIO DE MISTÉRIO

No dia 21 de setembro comemorou-se o Dia da Árvore, o que deve ter dado trabalho a muito menino do primário, do qual certamente exigiriam uma redação sobre o tema: com a alma bocejando, os meninos devem ter dito que a árvore dá sombra, frutos etc.

Mas, ao que eu saiba, não se comemora o dia da planta, ou melhor, da plantação. E esse dia é importante para a experiência humana das crianças e dos adultos. Plantar é criar na Natureza. Criação insubstituível por outro tipo qualquer de criação.

Lembro-me de quando eu era menina e fui passar o dia numa granja. Foi um dia glorioso: lá plantei um pé de milho com muito amor e excited. Depois, de quando em quando, eu pedia notícias do que havia criado.

Mais tarde, na Suíça, plantei um pé de tomates numa lata grande, bonita. Quando começaram a aparecer os ainda pequenos tomates verdes e duros achei inacreditável que eu mesma lhes tivesse provocado o nascimento: eu entrara no mistério da Natureza. Cada manhã, ao acordar, a primeira coisa que fazia era ir examinar minuciosamente a planta: é como se a planta usasse a escuridão da noite para crescer. Esperar que algo amadureça é uma experiência sem par: como na criação artística em que se conta com o vagaroso trabalho do inconsciente. Só que as plantas são a própria inconsciência.

Nesse reino, que não é nosso, a planta nasce, cresce, amadurece e morre. Sem nenhum objetivo de satisfazer algum instinto. Ou estarei enganada, e há instintos os mais primários no reino vegetal? Meu tomateiro parecia ter tomates vermelhos porque assim queria, sem nenhuma outra finalidade que não a de ser vermelho, sem a menor intenção de ser útil. A utilização do tomate para se comer é problema dos humanos.

Um dos gestos mais belos e largos e generosos do homem, andando vagarosamente pelo campo lavrado, é o de lançar na terra as sementes.

E quando os tomates ficaram redondos, grandes e vermelhos? Chegara a hora da colheita. Não foi sem alguma emoção que vi num prato da mesa os tomates que eram mais meus que um livro meu. Só que não tive coragem de comê-los. Como se comê-los fosse um sacrilégio, uma desobediência à lei natural. Pois um tomateiro é arte pela arte. Sem nenhum proveito senão o de dar tomate.

O ritmo das plantas é vagaroso: é com paciência e amor que ela cresce.

Entrar no Jardim Botânico é como se fôssemos transladados para um novo reino. Aquele amontoado de seres livres. O ar que se respira é verde. E úmido. É a seiva que nos embriaga de leve: milhares de plantas cheias de vital seiva. Ao vento as vozes translúcidas das folhas de plantas nos envolvem num suavíssimo emaranhado de sons irreconhecíveis. Sentada ali num banco, a gente não faz nada: fica apenas sentada deixando o mundo ser. O reino vegetal não tem inteligência e só tem um instinto, o de viver. Talvez essa falta de inteligência e de instintos seja o que nos deixa ficar tanto tempo sentada dentro do reino vegetal.

Lembro-me de que no curso primário a professora mandava cada aluno fazer uma redação sobre um naufrágio, um incêndio, o Dia da Árvore. Eu escrevia com a maior má vontade e com dificuldade: já então não sabia seguir senão a inspiração. Mas que seja esta a redação que em pequena me obrigavam a fazer.

*** CLARICE LISPECTOR

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PROBLEMAS RENAIS: MAIS UM FARDO DA PANDEMIA

Sobreviventes da Covid-19 podem precisar de diálise e até transplante de rim, mostra novo estudo; como são silenciosas e indolores, doenças no órgão são ainda mais perigosas, alerta nefrologista

Problemas nos rins costumam ser indolores e silenciosos, e agora configuram a mais recente complicação identificada a acometer uma grande quantidade de sobreviventes da Covid-19.

Danos ao órgão, responsável pela filtragem do sangue, podem ocorrer entre pessoas que se recuperam do coronavírus em casa e podem ficar mais graves diante de casos mais severos da Covid, descobriu um estudo publicado no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia. Mesmo os pacientes de Covid não hospitalizados e sem problemas renais têm um risco quase duas vezes maior de desenvolver doença renal em estágio terminai, em comparação com alguém que nunca teve Covid.

As descobertas destacam mais um fardo pernicioso da pandemia que já deixou doentes mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

Os dados mostram 7,8 pessoas a mais precisando de diálise ou transplante de rim a cada 10 mil pacientes de Covid-19 em quadros leves ou moderados.

“Esse não é um número pequeno, se você multiplicar pelo grande número de americanos e também globalmente que podem acabar desenvolvendo um quadro renal em estágio final“, disse Ziyad AI-Aly, diretor do centro de epidemiologia clínica do Veterans Affairs St. Louis Health Care System, no Missouri, Estados Unidos. “Essa constatação é realmente significativa e certamente moldará nossas vidas provavelmente na próxima década ou mais”.

Em abril, AI-Aly, que liderou o estudo, examinou, com seus colegas, dados coletados durante o tratamento de rotina no programa do Veterans Health Administration para registrar a enormidade de sequelas debilitantes que assoIam os sobreviventes de Covid meses após o diagnóstico, de coágulos sanguíneos, derrame, diabetes e dificuldades respiratórias até danos ao coração, fígado e rins, depressão e ansiedade.

A pesquisa mais recente de AI-Aly comparou os riscos de doenças relacionadas aos rins em 89.216 usuários do programa de saúde dos veteranos americanos que sobreviveram à Covid com mais de 1,7 milhão de pessoas que não tiveram a doença causada pelo Sars-CoV-2.

“O mais problemático sobre a doença renal é que ela é realmente silenciosa, ela realmente não se manifesta em dor ou quaisquer outros sintomas”, disse AI-Aly, que também trabalha como nefrologista.

AI-Aly e colegas descobriram que os pacientes não hospitalizados da Covid têm um risco 23% maior de sofrer lesão renal aguda em seis meses do que quem não foi infectado. Esta condição impede a remoção de resíduos e toxinas do sangue.

E, até seis meses após a infecção, os sobreviventes da Covid apresentaram probabilidade cerca de 35% maior do que os pacientes não infectados por Covid de sofrer algum tipo de declínio substancial na função renal, disse Al-Aly.

Especialistas alertam para limitações nas comparações feitas pelo estudo, pois, enquanto um grupo havia histórico de infecção por Covid, o outro, por mais que não tenha tido contato com o coronavírus, pode ser constituído por pacientes com vários outros problemas de saúde.

Os pesquisadores tentaram minimizar as diferenças com análises detalhadas que se ajustaram a uma longa lista de características demográficas, condições de saúde preexistentes, uso de medicamentos e se as pessoas estavam em lares de idosos.

Outra limitação é que os pacientes do sistema de veteranos eram, em grande parte, do sexo masculino e brancas, com uma idade média de 68 anos, portanto não está claro o quão generalizáveis podem ser os resultados.

Um ponto forte da pesquisa, dizem os especialistas, é que ela envolve mais de 1,7 milhão de pacientes com registros médicos eletrônicos detalhados, tornando-se o maior estudo até agora sobre problemas renais relacionadas à Covid.

Embora os resultados provavelmente não se apliquem a todos os pacientes da Covid, eles mostram que, para aqueles no estudo, “há um impacto bastante notável na saúde dos rins dos sobreviventes de Covid-19 longa, especialmente aqueles que ficaram muito doentes durante a fase aguda da infecção”, disse C. John Sperati, nefrologista e professor associado de medicina da Johns Hopkins, que não esteve envolvido no estudo.

Para avaliar a função renal a equipe de pesquisa avaliou os níveis de creatinina, um produto residual que os rins supostamente eliminam do corpo, bem como uma medida de quão bem os rins filtram o sangue, chamada taxa de filtração glomerular estimada.

Adultos saudáveis perdem gradualmente a função renal ao longo do tempo, cerca de 1% ou menos ao ano, começando na casados 30 ou 40 anos, disse Perry Wilson, nefrologista e professor de medicina em Yale, não envolvi do no estudo. Doenças e infecções graves podem causar perda de função mais profunda ou permanente que pode levar a doença renal crônica ou doença renal em estágio terminal.

O novo estudo descobriu que 4.757 sobreviventes de Covid perderam ao menos 30% da função renal no ano após a infecção, disse Al-Aly.

“Isso é equivalente a aproximadamente “30 anos de declínio da função renal”, disse Wilson.

Os pacientes da Covid tinham até 25% mais probabilidade de atingir esse nível de declínio do que as pessoas que não tinham a doença, mostrou o estudo.

Um número menor de sobreviventes de Covid teve declínios mais acentuados. Mas os pacientes da Covid tinham 44% mais probabilidade do que os pacientes não Covid de perder pelo menos 40% da função renal, e 62% mais chances de perder pelo menos a metade dela.

MISTÉRIOS PERMANECEM

A doença renal em estágio final, que ocorre quando pelo menos 85% da função renal é perdida, foi detectada em 220 pacientes com Covid, disse Al-Aly. Os sobreviventes da Covid tinham quase três vezes mais chances de receber o diagnóstico do que os pacientes sem Covid, descobriu o estudo.

AI-Aly e os demais pesquisadores também analisaram um tipo de insuficiência renal súbita chamada lesão renal aguda, que outros estudos encontraram em até metade dos pacientes de Covid hospitalizados. A condição pode ser curada sem causar perda prolongada da função renal.

Mas este estudo de agora descobriu que, meses após a infecção, 2.812 sobreviventes da Covid sofreram lesão renal aguda, quase o dobro da taxa em pacientes não Covid, disse AI-Aly.

Os médicos não sabem ao certo porque a Covid pode causar danos aos rins. Os órgãos podem ser especialmente sensíveis a surtos de inflamação ou ativação do sistema imunológico, ou os problemas de coagulação do sangue frequentemente vistos em pacientes com Covid podem perturbar a função renal, disseram os especialistas.

POESIA CANTADA

ESTRELA

GILBERTO GIL

COMPOSIÇÃO: GILBERTO GIL.

Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida seja assim
Assim, um altar
Onde a gente celebre
Tudo que Ele consentir

Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida seja assim
Assim, um altar
Onde a gente celebre
Tudo que Ele consentir

OUTROS OLHARES

ESTUDO APONTA IMPACTO DA COVID NOS TESTÍCULOS

Pesquisa da Fapesp registra, ainda sem revelar infertilidade, menor movimentação dos espermatozoides e menos testosterona

Ao acompanhar, desde o ano passado, pacientes homens que tiveram covid-19, o andrologista Jorge Hallak, professor da Faculdade de Medicina da USP, começou a observar que os resultados de exames de fertilidade e hormonais deles permanecem alterados por muitos meses após se recuperarem da doença.

Apesar de ser um teste inicial e não ter condições de diagnosticar fertilidade ou infertilidade, o espermograma de vários pacientes tem indicado, por exemplo, que a motilidade espermática – a capacidade de os espermatozoides se moverem e fertilizarem o óvulo, cujo índice normal é acima de 50 % – ficou entre 8% e 12% e permaneceu nesse patamar quase um ano após terem sido infectados pelo vírus. Já os restes hormonais apontam que os níveis de testosterona de muitos deles também despencaram após a doença. Enquanto o nível normal desse hormônio é de 300 a 500 nanogramas  por decilitro de sangue (ng/dL), em pacientes que tiveram covid-19 esse índice caiu abaixo de 200 e, muitas vezes, ficou entre 70 e 80 ng/dL.

“Temos visto, cada vez mais, alterações prolongadas na qualidade do sêmen e dos hormônios desses pacientes, e mesmo naqueles que apresentaram quadro leve ou assintomático”, disse Hallak. Alguns estudos feitos pelo pesquisador em colaboração com colegas do Departamento de Patologia da FM-USP, publicados nos últimos meses, têm ajudado a elucidar essas observações da prática clínica. Constatou-se que o Sars-CoV-2 também infecta os testículos, prejudicando a capacidade das gónadas masculinas de produzir espermatozoides e hormônios. “Entre todos os agentes prejudiciais aos testículos que estudei até hoje, o Sars­ CoV-2 parece ser muito atuante”, afirma Hallak.

Em um estudo com 211 pacientes que tiveram covid-19, os pesquisadores verificaram em exames de ultrassom que mais da metade apresenta inflamação grave no epidídimo – estrutura responsável pelo armazenamento dos espermatozoides, e onde eles adquirem a capacidade de locomoção. Os pacientes têm idade média de 33 anos. O estudo, apoiado pela Fapesp, foi publicado na revista Andrology.” Ao contrário de uma infecção bacteriana clássica ou por outros vírus, como o da caxumba, que causa inchaço e dor nos testículos em um terço dos acometidos, a epididimite causada pela covid é indolor e não é possível de ser diagnosticada por apalpamento ou a olho nu”, explica Hallak. Por isso, segundo ele, seria interessante ensinar o autoexame dos testículos como política de saúde pública no pós-pandemia.

Outro estudo do mesmo grupo, também apoiado pela Fapesp, indicou que o coronavírus invade todos os tipos de células testiculares, causando lesões que podem prejudicar a função hormonal e a fertilidade masculina. Os pesquisadores pretendem realizar um estudo de acompanhamento de pacientes homens para avaliar quanto tempo duram as lesões causadas pelo SARS-Co V-2. “Ainda não sabemos se essas lesões testiculares poderão ser revertidas e quanto tempo levará para isso acontecer”, afirma Hallak.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 23 DE SETEMBRO

A DELICADEZA NO TRATO

O pobre fala com súplicas, porém o rico responde com durezas (Provérbios 18.23).

A comunicação é a radiografia da alma. Quem não fala com doçura expõe suas entranhas amargas. Quem é duro no trato demonstra ter um coração maligno. A Bíblia fala de Nabal, marido de Abigail. O homem era filho de Belial, dominado por espíritos malignos. Era um homem rico, mas incomunicável. Ninguém podia falar-lhe. Suas palavras feriam mais do que ponta de espada. Suas atitudes revelavam seu coração ingrato, e suas palavras duras demonstravam seu espírito perturbado. Esse homem cavou a própria sepultura. Semeou ventos e colheu tempestade. Por ter tratado com desdém Davi e seus valentes, foi sentenciado à morte. Sua morte só não aconteceu por mãos de Davi porque Abigail defendeu a causa do marido com senso de urgência. A Bíblia diz que o pobre pede licença para falar, mas o rico responde com grosseria. O pobre fala com súplicas, mas o rico responde com durezas. O rico, por causa de seus bens, fala com dureza e age com prepotência. Julga-se melhor do que os outros, tripudia sobre eles e usa o poder do seu dinheiro para humilhar aqueles que vêm à sua presença. Essa é uma atitude insensata. A delicadeza no trato é um dever de todos os homens. Pobres e ricos podem ser benignos no trato e usar sua língua para abençoar as pessoas, em vez de feri-las.

GESTÃO E CARREIRA

LIÇÕES ÚTEIS PARA UMA REUNIÃO MAIS EFICAZ

Em tempos de ‘Zoom’, planejar reuniões é essencial para se ter um time mais produtivo

Comparecer a reuniões significa ressentir-se da maioria delas: encontros longos a respeito de questões que poderiam ser resolvidas por e-mail; conversas atrapalhadas por contratempos tecnológicos; reuniões dominadas por aquele colega que fala alto demais e interrompe todo mundo ou que lotam a agenda ao ponto de não termos mais tempo para, digamos, trabalhar de fato.

As reuniões “representam o maior custo singular não avaliado nem discutido no balancete de uma organização”, afirma Steven Rogelberg, professor da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, e autor de The Surprising Science of Meetings (A Surpreendente Ciência das Reuniões). Reuniões mal conduzidas resultam em frustração imediata, diz Rogelberg. “Quando participamos de uma reunião ruim, essa negatividade nos acompanha, e ficamos ruminando essa sensação, isso prejudica nossa produtividade.” Além disso, alerta ele, funcionários constantemente submetidos a reuniões ruins mostram menos comprometimento no trabalho e por vezes acabam se demitindo.

A pandemia de covid-19, em que muita gente passou a trabalhar remotamente, aumentou o número diário de reuniões por trabalhador, aponta a Faculdade de Administração de Empresas de Harvard. E muitos trabalhadores reclamaram da chamada “fadiga de Zoom”.

Mas, mesmo em seus melhores momentos, as reuniões podem criar uma dinâmica estranha. “Quando vamos a uma reunião, abrimos mão do nosso poder pessoal e protagonismo em favor do líder da reunião”, afirma Rogelberg. “E é um grande problema abrir mão, literalmente, do nosso livre arbítrio em favor de outra pessoa.”

Quando o protagonismo pessoal é nosso, há maneiras de tornar as reuniões menos tensas e mais eficientes. Aqui vão algumas dicas para organizar reuniões melhores, presenciais ou virtuais:

1) ADOTE A “MENTALIDADE DE ADMINISTRADOR”.

A função do administrador da reunião é servir como o melhor facilitador possível – o que inclui um ritual de preparação para a reunião, como os participantes são tratados e como se conclui o encontro.

2) CRIE E DISTRIBUA UMA AGENDA DETALHADA PARA OS PARTICIPANTES.

Isso inclui rastrear e acompanhar metas e projetos, resolução de problemas e discussão de assuntos complexos, afirma Paul Axtell, coach e autor de Meeting Matter (Reuniões Importam). É importante, ainda, incluir no encontro um número de itens apropriado à quantidade de tempo disponível.

Rogelberg sugere organizar a agenda como um questionário. A reunião será bem-sucedida quando todas as perguntas tiverem sido respondidas. Quando for impossível pensar em uma questão para incluir na agenda, é sinal de que a reunião é desnecessária.

3) CONTROLE DA DISCUSSÃO É FUNÇÃO DO LÍDER

Assim como chamar a atenção de quem se desviar do tema, diz Axtell. Se algum participante interromper repetidamente um colega, Axtell sugere dizer: “Desculpe, posso cortar você um pouquinho” Quero garantir que a Janine (nome hipotético) conclua o que tem para falar, depois voltamos para você.” É melhor organizar reuniões pequenas – com seis participantes, no máximo, diz Rogelberg. Quanto maior o grupo, maior a probabilidade de algo sair errado, e cada participante terá menos oportunidade de contribuir. Uma dica é gravar suas reuniões no Zoom e depois disponibilizá-las para que os funcionários cuja presença não era essencial.

4) FAÇA REUNIÕES CURTAS, ESPECIALMENTE SE FOREM VIRTUAIS.

Temos menor capacidade de concentração atualmente, então, faça o que puder para reduzir o tempo das reuniões, diz Rogelberg. Reuniões de 15 ou 20 minutos podem ser tão efetivas quanto reuniões de uma hora. “Quando o tempo é curto, isso tende a criar uma pressão positiva”, afirmou ele. “Dá mais foco.”

5) ABRA AS REUNIÕES VIRTUAIS ANTES DA HORA MARCADA.

Humanos buscam conectar-se, especialmente quando estão trabalhando remotamente, a partir de lugares diversos. Axtell sempre abre as salas de reunião online de 10 a15 minutos antes do horário marcado, “para que as pessoas possam dar um ‘oi’ e conversar um pouco”.

6) ESTABELEÇA AS REGRAS NO INÍCIO.

No começo de uma reunião, garanta que todos saibam o que esperar. Por exemplo, informe aos participantes se você chamará algum deles para falar, para que ninguém seja pego de surpresa. Também é uma boa ideia informar a maneira que você lidará com dúvidas. Guardá-las até o último momento raramente funciona bem, diz Axtell, porque perde-se o contexto delas.

7) FRAGMENTE REUNIÕES GRANDES EM REUNIÕES MENORES.

Designe cada subgrupo para discutir uma tarefa por, digamos, 15 minutos, e depois reagrupe todos os participantes. “Funciona como um aquecimento”, afirma Rogelberg. “Quando os participantes retornam, tende a haver muito mais comunicação.”

8) SAIBA SE SEUS COLEGAS ESTÃO BEM.

Nos primeiros dias da pandemia, houve uma ênfase em saber como estavam nossas pessoas próximas e garantir que todos ficassem bem. Isso ainda é importante, diz Keswin. Uma sugestão: nos primeiros minutos da reunião, “peça que todos os participantes digam ao grupo, com um adjetivo, como se sentem hoje”.

9) ESTEJA CIENTE DOS PERCALÇOS DO TRABALHO HÍBRIDO.

Nessa nova era, alguns colegas continuarão trabalhando remotamente, participando virtualmente de reuniões, enquanto outros atuarão presencialmente. É importante que todos se sintam incluídos, alerta Keswin.

10) TERMINE BEM A REUNIÃO.

Quando restarem poucos minutos, comece a concluir as discussões. Axtell aconselha perguntar: “Alguém gostaria de acrescentar algo? Todo mundo concorda com nossas conclusões?”

EU ACHO …

O VASO DE FLOR

Neste domingo, Caio Fernando Abreu faria 73 anos. Não é uma data redonda, mas é sempre oportuno lembrar este escritor que faleceu aos 47 e se tornou eterno.

O Caio F dos contos, das cartas, das peças de teatro, dos romances, e que sem ter conhecido o furor das redes sociais, tomou-se um dos autores mais citados por elas. Qual a razão deste encantamento que não se desfaz, ao contrário, só aumenta?

Deve ser porque são tempos brutos, incultos, superficiais, e Caio era o oposto disso: um homem que tinha a alma concentrada e que mergulhava nos sentimentos. Aperitivava algumas experiências, mas sempre desejou a refeição completa.

Quando todos queriam ser um sucesso, Caio queria ser amado. Acreditava que encontraria no amor seu conforto espiritual, seu lugar no mundo. Ele, que morou em várias metrópoles sem se enraizar em nenhuma, até que fez do texto o seu lugar, o seu território de reconhecimento.

Caio era pop e profundo ao mesmo tempo. Com suas palavras carregadas de poesia e sensibilidade, revelava o secreto e o escuro que nos habita internamente, dando assim visibilidade para aquilo que não costumamos expor à luz do dia.

Caio foi e ainda é um holofote, um farol, uma lanterna que ilumina as solidões mais melancólicas. Interessava-se pelos outsiders e pelo lado maldito da vida, mas e sem nunca perder o refinamento. Domava o próprio desespero com uma elegância genuína. Ninguém foi tão sofisticado ao retratar a crueza do mundo e a dor da rejeição. Escrevendo, criava cenários visuais para seus leitores, como se o texto fosse um videoclipe. Sua amargura vinha sempre acompanhada da descrição de um sofá estampado no canto da sala, da paisagem urbana que ele via através da janela (onde certamente haveria, no parapeito, um vaso de flor) , da música que estava tocando (Nara Leão? Tom Waits?). Caio cultivava suas trevas em bom ambiente, não era de sofrer sem trilha sonora ou sem uma vela acesa no castiçal.

Poucos como ele narraram tão bem a aproximação entre dois estranhos: os gestos lentos, as palavras bem cuidadas, os silêncios espichados. Expectativas quase nunca atingidas, que resultavam em cacos que Caio juntava um a um, formando mais um mosaico da sua coleção de emoções fragmentadas. Ele se foi, mas em nosso universo íntimo, somos como Caio: o tempo passa, a gente se constrói, aí sopra um vento forte e nos esparrama, e então juntamos do chão as partes que ficaram espalhadas e com elas nos reconstruímos, e a cada nova formatação ficamos um pouco melhores do que antes, ou um pouco mais desalentados, mas nunca os mesmos. Só o que não muda é o vaso de flor no parapeito da janela, atenuando nossa desolação. Em meio à tanta bestialidade, há sempre que preparar a casa para a esperança.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PERCEPÇÕES INCOMUNS

A esquizofrenia é um distúrbio que abala a razão e as emoções, porém o está ligado ao vago e popular conceito de loucura

Considerada um castigo dos deuses e até possessão demoníaca na antiguidade, a esquizofrenia é um distúrbio mental que atinge indivíduos de diversas faixas etárias, apresentando crises que perturbam o modo como pensam e sentem as situações que acontecem, bem como as pessoas que o rodeiam. O transtorno carregou estigmas negativos por séculos, mas vem ganhando mais aceitação com o avanço das pesquisas e dos tratamentos e o maior acesso à informação.

SENSIBILIDADE INCONSTANTE

Há muitos mitos a respeito do que é a doença e como são suas alucinações. Ouvir vozes e ver coisas que nenhuma outra pessoa ouve ou vê é o primeiro indício comumente associado, porém não é bem assim que se conceituam a esquizofrenia e seus sintomas de crise. Longe de ser uma loucura incapacitante, o transtorno tem tratamento, garantindo ao paciente uma vida saudável.

O quadro pode ser descrito como uma patologia psicológica grave que afeta diversos domínios da mente, como a percepção da realidade. Os sintomas costumam ser diferenciados em positivos, que são delírios e alucinações, alterações no comportamento e na expressão dos sentimentos, e negativos, como apatia, isolamento social, redução da sensibilidade afetiva.

Além disso, algumas funções importantes do cérebro são afetadas pelo transtorno, como o desempenho cognitivo, a concentração e a memória de trabalho – habilidade de lidar com ações e emoções cotidianas. “A esquizofrenia não está limitada ao que leigamente se considera ‘loucura’ , puro preconceito e estigmatização. Na verdade, ela é um conjunto complexo de condições psiquiátricas”, comenta o psiquiatra Rodrigo Pessanha.

O problema está no desequilíbrio do neutro transmissor dopamina. Em quadros esquizofrênicos, o sistema mesolímbico fica sobrecarregado da substância, produzindo os sintomas positivos, já as vias mesocorticais têm uma deficiência desse elemento, gerando os sintomas negativos da doença.

DISTÚRBIO JOVEM

Por mais que haja estudos sobre o mecanismo da psicopatologia, a medicina ainda não é capaz de realizar um diagnóstico por exames laboratoriais – um marcador biológico que possa indicar a doença ainda está sendo pesquisado. O indivíduo é avaliado com esquizofrenia por meio de análise clínica da manifestação dos sinais.

“Os sintomas psicóticos costumam surgir entre o fim da adolescência e meados dos 30 anos,   sendo o início antes dessa faixa etária mais raro. A idade de pico do início do primeiro episódio psicótico tende a ocorrer na faixa dos 20 e 25 anos para o sexo masculino e entre os 25 e 30 anos para o feminino”, explica a psicóloga Carolina Macedo. A especialista defende a tese de que a doença é bio-psico-socio-cultural, ou seja, “o resultado de uma interação entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociológicos”. Outro mito associado à esquizofrenia é que sua causa está no uso de drogas psicoativas, como cocaína, LSD e anfetamina. Porém, o quadro de surto persecutório, acompanhado de vozes e imagens, é uma realidade para os indivíduos com a patologia. Para esclarecer as dúvidas, a especialista Carolina Macedo ressalta que “tais substâncias podem dar origem a uma crise ou exacerbar os sintomas psicóticos, pois são agonistas dopaminérgicos indiretos, mas não são causadoras do transtorno”.

MARES MAIS CALMOS

O tratamento para a psicopatologia é feito de forma medicamentosa e por psicoterapia. Remédios antipsicóticos graves ou sutis são utilizados de acordo com o grau das manifestações e do estado de agitação do paciente. Eles atuam de forma a reduzir as crises e perturbações, bem como as tomando mais escassas ao longo do tempo.

A psicoterapia visa trazer uma melhor qualidade de vida para a pessoa com esquizofrenia, reduzindo o isolamento social e aumentado a interação familiar. Algumas práticas que envolvem expressões artísticas ou arteterapia são muito utilizadas para que o indivíduo possa expor suas emoções – elementos abalados pela doença – gerando um alívio, além de ser uma forma de analisar seu estado.

Ainda não existe uma cura para a esquizofrenia, entretanto, com os tratamentos e acompanhamento, é possível uma melhor qualidade de vida. No âmbito de inserção social, “a progressão educacional e a manutenção do emprego costumam ficar prejudicadas. Os indivíduos costumam ter empregos inferiores aos de seus pais, e a maioria, especialmente os homens, não casam ou têm contatos sociais limitados fora da família”, esclarece Carolina Macedo.

É essencial para a reabilitação aprender a lidar com os pensamentos perturbadores, os sentimentos e comportamentos na medida do possível. “Entender a natureza complexa desta condição, sem uma atitude pessimista e fatalista ou um otimismo irresponsável é essencial, ainda que não suficiente. O comprometimento na busca dos melhores recursos possíveis por parte de médicos e familiares e a criação de uma rede de suporte efetivo também são elementos imprescindíveis”, comenta Rodrigo Pessanha.

EU ACHO …

O NARIZ

Tinha nascido em uma família de mulheres lindas, pelo menos era isso que ouvia desde pequena. Sendo assim, dentro de sua cabeça, era natural que, quando crescesse, também fizesse parte dessa categoria. Na infância, foi uma criança forte, simpática, alegre e cabeluda – mas nenhuma menção era feita sobre a beleza. Não se sentia pressionada, mas, ao chegar na adolescência, começou a ficar ansiosa: “quando, afinal, seria ‘linda’?”

Aos 13 anos, surgiu a primeira noção de que talvez essa realidade preestabelecida não seria assim tão óbvia no seu caso. Seu nariz começou a crescer mais do que o esperado e foi quando começou a ouvir alguns comentários na família: “O nariz cresce primeiro, mas, quando o rosto amadurecer, ficará linda”. Olhava-se espelho com desconfiança, como reflexo de uma promessa não cumprida. Tinha medo do desapontamento que produziria quando descobrissem a verdade, que ela definitivamente não seria tão linda quanto achavam. Tentava, então, ser a mais simpática, a mais agradável, a mais atenta a tudo e a todos. Podia não ter sido agradada como presente gratuito da beleza de nascença, mas certamente iria se esforçar para produzir uma emoção em quem a conhecesse.

Aos 16 anos, finalmente, concluiu que, além de estar fora do molde familiar, seu padrão de beleza estava longe do estabelecido pela mídia para sua geração.Com a imagem dos pequenos e perfeitos narizes das atrizes mais famosas da época, era cristalina a mensagem de que um nariz grande não era belo. Maitê Proença, Monique Evans, Michelle Pfeiffer, Farrah Fawcett e até Jaclyn Smith, a personagem do mais importante seriado de TV que assistia semanalmente, As Panteras, eram a prova viva de sua tese. Lembrou, então, de um conhecido de seus pais que sabia ser o mais famoso cirurgião plástico do momento e marcou uma consulta sozinha. Tinha certeza que ele poderia resolver a situação, contornar esse ”defeito” que a colocava tão distante de todas as suas referências femininas.

Abriu seu coração ao médico, que ouviu seu relato com atenção genuína, e disse: “Sente nesta cadeira e vamos ver o que podemos fazer”. Sentiu um alívio imediato. E vira a cabeça para cima, para o lado, para baixo, apalpa o osso cada dia mais proeminente, respira, solta, respira de novo, tira foto de todos os ângulos, olha a foto. “Pronto! Ele entendeu!”, pensou. “Vou ser linda!” Tinha lágrimas nos olhos. Foi quando o cirurgião sentou ao seu lado, a olhou de perto e disse com franqueza absoluta: “Você é linda. Não tem uma beleza padrão, eu sei, você sabe, mas seu nariz carrega sua personalidade, seu rosto foi feito para ele, sua boca tem o tamanho para seu nariz. Ele está perfeito para você e não posso mexer em algo que vai te diminuir”.

Sem margem para réplica, levantou, agradeceu e saiu da sala. Desnorteada, chorou sozinha. Se arrependeu de não ter levado alguém junto para insistir, convencê-lo de que estava errado. À partir dali, no entanto, seguiu a vida com a frase do médico ecoando sempre em sua cabeça toda a vez que era chamada de nariguda ou que se comparava intimamente com a beleza de sua família ou geração. Namorou, casou, separou, casou de novo e seu nariz virou para ela um símbolo de resistência e autoestima. Essa semana, trinta e cinco anos depois, encontrou por acaso o cirurgião na porta de um restaurante. Reconheceram-se e abraçaram-se como se tivessem se visto na véspera. Foi quando ele olhou seu nariz, e, com carinho, disse: “E eu não falei que era perfeito?”.

*** ALICE FERRAZ

POESIA CANTADA

NADA MUDOU

LEO JAIME

COMPOSIÇÃO: LEO JAIME

Ela me dá um beijo na testa
E quer que eu tenha um dia legal
Mas se eu quiser eu posso ver nas ruas
Senhores e escravos, nada é real

Todo mundo me diz bom dia
Todo dia é sempre igual
Crianças pedem na janela do carro
Até nas noites de Natal

Ô, ô, ô, ô, nada mudou

Se ela quer o sétimo céu
Vai ter de subir degrau por degrau
Os melhores momentos do mundo
Não são manchetes no jornal

Os velhos jogam dama na praça
Professores de tudo que é dor
Fingindo esconder a falta que faz
Viver um grande amor

OUTROS OLHARES

BEBIDA ALCOÓLICA PODE AFETAR SEU CORAÇÃO

Nos EUA, novo estudo concluiu que o álcool, mesmo em pequena quantidade, é capaz de aumentar o risco de desenvolver alterações na frequência cardíaca, problema que atinge cerca de 3 milhões de americanos

Um  novo estudo descobriu que o consumo de álcool, mesmo que uma lata de cerveja ou um copo de vinho, pode aumentar rapidamente o risco de um tipo comum de arritmia cardíaca conhecida como fibrilação atrial em pessoas que têm um histórico da doença.

Os médicos há muito suspeitam da ligação entre o álcool e a fibrilação atrial não, mas não tinham evidências definitivas de que o álcool pudesse causar arritmia. O novo estudo está entre os mais rigorosos até hoje: os pesquisadores recrutaram cem pessoas com histórico de fibrilação atrial e as acompanharam intensamente por quatro semanas, monitorando a ingestão de álcool e o ritmo cardíaco em tempo real.

Os cientistas descobriram que beber álcool aumentava as chances de uma pessoa ter um episódio de fibrilação atrial, ou de frequência cardíaca anormal, nas horas seguintes. E, quanto mais bebiam, maior a probabilidade de ter uma arritmia. O novo estudo foi publicado no Annals of Internal Medicine. Asconclusões, com dados de estudos anteriores, sugerem que pessoas com histórico de fibrilação atrial podem reduzir suas chances de desenvolver arritmias reduzindo o consumo de álcool ou evitando por completo bebidas alcoólicas.

Os autores especularam que as descobertas poderiam ter implicações mais amplas para adultos saudáveis também. Embora o consumo moderado de álcool seja amplamente considerado benéfico para a saúde do coração, a nova pesquisa sugere que, pelo menos em algumas pessoas pode potencialmente perturbar o funcionamento do órgão. “Isso demonstra que, sempre que consumirmos álcool, ele presumivelmente terá um efeito quase imediato no funcionamento elétrico de nossos corações”, disse Gregory Marcus, autor do estudo e professor de medicina na divisão de cardiologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

A fibrilação atrial, também conhecida como A-fib, é a disfunção na frequência cardíaca mais comum nos Estados Unidos, afetando cerca de três milhões de adultos. Ocorre quando as câmaras superiores do coração, os átrios, começam a bater irregularmente, o que pode interromper o fluxo sanguíneo para as câmaras inferiores do coração, os ventrículos. Com o tempo, pode levar a complicações, como insuficiência cardíaca e derrames.

A A-fib pode ser persistente ou pode ocorrer esporadicamente, com sintomas como palpitações, falta de ar e fadiga, que duram alguns minutos ou horas a cada episódio. Quando ocorrem ocasionalmente, a condição é conhecida como fibrilação atrial paroxística.

As pessoas têm maior chance de desenvolver fibrilação atrial à medida que envelhecem. Também é mais provável ocorrer em pessoas com fatores de risco, como hipertensão, doenças cardíacas, obesidade, ascendência europeia ou histórico familiar.

Cerca de quatro décadas atrás, os médicos começaram a documentar casos de pessoas com arritmias após crises de bebedeira nos fins de semana e feriados, um fenômeno que veio a ser conhecido como “síndrome do coração pós-feriado”. Desde então, uma série de estudos observacionais descobriram que pessoas que consomem álcool regularmente, mesmo que apenas uma bebida por dia, têmuma probabilidade maior de desenvolver fibrilação atrial em comparação com pessoas abstêmias.

Muitos desses estudos anteriores tinham deficiências importantes. Na maioria dos casos, eles confiaram que as pessoas teriam relatado com precisão e honestidade sua ingestão de álcool, o que nem sempre é confiável. Estudos descobriram, por exemplo, que as pessoas tendem a subestimar o quanto bebem. Outra limitação é que as pessoas que são solicitadas a relembrar um episódio de fibrilação atrial podem identificar erroneamente uma variedade de comportamentos como gatilhos.

O novo estudo, no entanto, foi projetado para contornar essas limitações. Marcus e seus colegas recrutaram cem pessoas com histórico de fibrilação atrial paroxística, a maioria delas homens, e os fizeram usar monitores de eletrocardiograma 24 horas por dia. Os dispositivos continham um botão que os participantes deveriam apertar sempre que ingerissem uma bebida alcoólica. Os pesquisadores também usaram outras medidas objetivas para monitorar a ingestão de álcool. Eles equiparam os participantes com monitores de tornozelo especiais que podiam detectar seus níveis de álcool no sangue. E fizeram exames de sangue de rotina para medir os níveis de fosfatidiletanol dos participantes, ou PEth, um biomarcador que dá alguma indicação do consumo recente de álcool por uma pessoa.

GATILHO PARA ARRITMIA

Em quatro semanas de rastreamento , os pesquisadores descobriram que ao menos 56 participantes haviam experimentado um episódio de fibrilação atrial. Os dados indicaram que o álcool costumava ser um gatilho para arritmias. Tomar um drinque dobrava as chances de uma pessoa ter um episódio de fibrilação atrial nas quatro horas seguintes, enquanto tomar duas ou mais doses triplicava as chances. Quanto mais alta a concentração de álcool no sangue de uma pessoa, maior a probabilidade de ter uma arritmia.

Marian R. Piano, pesquisadora que publicou muitos estudos sobre álcool e saúde cardiovascular, e que não estava envolvida com o novo estudo, disse que as descobertas representam um passo importante em nossa compreensão de como o álcool afeta o coração. Segundo ela, os profissionais de saúde devem conversar com seus pacientes, especialmente aqueles que têm fibrilação atrial, sobre a quantidade de álcool que consomem e se seria prudente reduzir ou evitar.

“A fibrilação atrial é uma arritmia que pode ter efeitos graves, como um derrame. Portanto, entender o que pode ser um gatilho relevante é crucial”, disse Piano, professora e reitora associada de pesquisa na Escola de Enfermagem da Vanderbilt University.

A especialista disse que gostaria de ver mais pesquisas sobre em um grupo mais diverso de pessoas. Os participantes desse novo estudo eram, em sua maioria, brancos e apenas 22 deles eram mulheres.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 22 DE SETEMBRO

A ESPOSA É UM MARAVILHOSO PRESENTE

O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor (Provérbios 18.22).

O casamento é uma fonte de felicidade ou a razão dos maiores infortúnios. Pavimenta o caminho do bem ou promove grandes males. O casamento foi instituído por Deus para a felicidade do homem e da mulher, mas podemos transformar esse projeto de felicidade num terrível pesadelo. Muitos homens não buscam a direção divina para seu casamento. Casam-se sem reflexão, movidos apenas por uma paixão crepitante ou por interesses egoístas. Precisamos pedir a Deus o nosso cônjuge. Essa procura deve estar regada de oração. Devemos observar os princípios estabelecidos pelo próprio Deus nessa busca. Como Isaque, também devemos buscar a direção de Deus para encontrar a pessoa que ele reservou para nós. A Bíblia diz que a casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do Senhor, a esposa prudente. Encontrar essa pessoa é uma grande felicidade. É tomar posse da própria bênção do Senhor. Uma esposa prudente vale mais do que riquezas. Seu valor excede o de finas joias. Um casamento feliz é melhor do que granjear fortunas. De que adianta ter muito dinheiro e morar com uma mulher rixosa? De que adianta ter a casa cheia de bens, mas viver em permanente conflito e tensão dentro de casa? O casamento feito na presença de Deus e o lar edificado por Deus são uma expressão eloquente da benevolência do Senhor.

GESTÃO E CARREIRA

COMUNICAÇÃO CENTRALIZADA EM UM SÓ CANAL É EFICIENTE E EVITA DESGASTE

O trabalho remoto atravessa muitas empresas há mais de um ano e, mesmo com toda a sua flexibilidade, são perceptíveis os primeiros sinais de fadiga dos colaboradores nesse modelo

Prova disso é que, segundo estudo da Gartner, 93% dos líderes de RH relataram estar cada vez mais preocupados com o esgotamento dos funcionários. A boa notícia é a possibilidade de estabelecer um ambiente mais positivo com a ajuda de uma boa estratégia de comunicação interna e o uso de ferramentas adequadas.

“Ao explorar as diferenças entre ambientes de trabalho presenciais e híbridos, nossa pesquisa descobriu que uma série de recursos nativos do modelo híbrido estão causando fadiga, e isso está colocando o bem-estar do funcionário em risco. Além disso, muitas das estratégias que as organizações estão empregando para garantir a produtividade estão, na verdade, exacerbando esses fatores de fadiga”, afirma Alexia Cambon, diretora da Gartner.

O que tem afetado a concentração dos colaboradores? Três fatores-chave são apontados pela consultoria como causas de desgaste: distrações digitais, sobrecarga virtual e dificuldade de desconexão.

DISTRAÇÕES NO TRABALHO: e-mails; ligações e videoconferências de trabalho não planejadas; notificações de mensagens no chat corporativo; e atualizações ou requisição de reuniões.

DISTRAÇÕES DIGITAIS: e-mails pessoais; mensagens de texto; notificações de redes sociais; manchetes de notícias; e ligações e videoconferências pessoais não planejadas.

DISTRAÇÕES PESSOAIS: responsabilidades domésticas; responsabilidades de cuidado (aos familiares etc.); e entregas/correio.

E-MAIL: MOCINHO OU VILÃO DA COMUNICAÇÃO INTERNA?

A Gartner afirma que “altos níveis de virtualização são cognitivamente desgastantes para o funcionário, com 75% dos líderes de RH concordando que o aumento no número de pontos de contato virtuais coloca os colaboradores em risco de esgotamento”. Portanto, o e-mail, que antes era um dos únicos pontos de contato virtual entre empresa e colaborador se tornou um de muitos. E o uso excessivo dessa ferramenta contribui diretamente para a fadiga.

Um estudo realizado pela Universidade Católica da Lovaina (Bélgica) relata que o excesso de e-mails está diretamente relacionado ao aumento de estresse dos colaboradores e a perda de produtividade. Para Caroline Sauvajol-Rialland, professora responsável pela pesquisa, essa “sobrecarga de informação” causa interrupções na concentração do funcionário e em seu ritmo de trabalho. Ela também explica que 30% do tempo do profissional é usado para atender ligações ou responder e-mails.

É importante salientar que abusar do envio de e-mails gera prejuízos para a comunicação interna (e, consequentemente, para o resultados e finanças do negócio). Então, a solução não é abandonar a comunicação online (longe disso!), mas sim adotar uma estratégia de Comunicação Interna digital de forma que não sobrecarregue o colaborador, oferecendo as informações de forma objetiva. Preferencial- mente, em um mesmo canal para concentrar a atenção e o tempo do colaborador.

GABRIEL KESSLER – É CGO do Dialog.ci, startup responsável por desenvolver plataforma online de comunicação interna e RH, que funciona como um hub para o colaborador e melhorar o engajamento dentro das empresas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS DOIS (OU MAIS) LADOS DA MOEDA

O transtorno bipolar não é apenas uma variação entre o bom e o mau humor

Dias bons e ruins fazem parte do cotidiano, mas a oscilação constante de humor pode indicar algo a mais. Porém, isso também não quer dizer que uma pessoa que muda fácil da raiva para a alegria sofre com algum distúrbio. E necessário cuidado ao diagnosticar esta variação de temperamento como um caso de transtorno bipolar.

NEURÔNIOS DESCONECTADOS

Segundo o psicanalista Paulo Miguel Velasco, no paciente com o distúrbio, “o hipocampo é afetado em cerca de 10%, o que gera perda parcial de conexão com os neurônios, diminuindo a eficiência  dos medicamentos”. As funções desta área encefálica são ligadas no eixo frontal, podendo danificar a memória. O cérebro de uma pessoa diagnosticada com o transtorno pode sofrer com o excesso de alguns neurotransmissores, como o glutamato e a dopamina. Em situação de defesa, o órgão envia células protetoras, o que causa inflamações e, consequentemente, as falhas nas ligações entre os neurônios.

EM CRISE

Sem as medicações necessárias, as crises em indivíduos bipolares são inevitáveis. Os níveis variam de acordo com a incidência do bom e do mau humor e são divididos em leve, moderado, grave e crônico. O que os difere é a frequência com que se manifestam e o tempo de duração.

“O tratamento à base de lítio, é o mais recomendado, comeficácia em 86% dos casos. Também é possível a administração de antidepressivos, ansiolíticos e anticonvulsivos para amenizar as crises”, revela o psicanalista.

Não há uma idade específica para desenvolver o transtorno, sendo mais comum, de acordo com a psiquiatra Maria Cristina de Stefano, ”no início da vida adulta, dos 20 aos 25 anos. Porém, casos mais tardios podem surgir entre os 30 e 35 anos. Não há evidências em crianças, mas na adolescência é possível ocorrer devido às alterações normais de humor da puberdade”.

NÃO É TUDO IGUAL

O transtorno maníaco-depressivo é frequentemente confundido com outros distúrbios em virtude dos seus sintomas. É muito comum o bipolar apresentar traços de outros transtornos como a síndrome borderline. Ambos apresentam instabilidade afetiva, irritabilidade, ansiedade curta, ódio excessivo de alguém e distúrbios dissociativos”, explica Velasco.

Diferentemente do senso comum, a pessoa não tem que lidar apenas com os picos de humor. Segundo o psicólogo Leonardo Barros, “a bipolaridade pode, muitas vezes, passar despercebida e ser considerada característica da personalidade, além de ser confundida com esquizofrenia, depressão e síndrome do pânico. Por isso, é importante que se estabeleça um diagnóstico exato antes que qualquer tratamento seja iniciado.

Além de outros transtornos mentais, os sintomas podem ser confundidos com quadros de saúde como o hipotireoidismo, hiperticoidismo, doenças da supra- renal, diabetes, síndrome de ovários policísticos e outras patologias que causam grande oscilação de humor.

AS VARIAÇÕES

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM) e a Classificação Internacional de Doenças (CID), o transtorno bipolar está dividido em:

TIPO 1: tanto os sinais de mania (extrema excitação) e depressão se manifestam intensamente (ao mesmo tempo ou não) e podem prejudicar a vida social, levando à internação do indivíduo.

TIPO 2: oscilação entre depressão e euforia sem maiores prejuízos sociais para a pessoa.

NÃO ESPECIFICADO: sintomas que indicam o distúrbio, mas não há a confirmação no diagnóstico.

CICLOTIMIA: grau menor de transtorno de humor que traz apenas uma alternância entre a depressão moderada e a hipomania (estado leve de excitação).

POESIA CANTADA

PEQUENINO CÃO

SIMONE

COMPOSIÇÃO: CAIO SILVIO / FAUSTO NILO

É a qualidade das paixões de quem procura
Ser maltratado maltratando a criatura
Adormeceu em minha mão, como um menino
Só, sem destino, um pequenino cão

Se a vida abraça a redenção das amarguras
Você não faça a eternidade na tortura
Entorpecendo o coração a gente espanta
O passarinho por pavor ou medo

Eu sei que o certo, sem sabor, é a tua loucura
Eu sei que a cor do teu amor é muito escura
E sem poder te dar à luz, meu coração, eu durmo cedo
E só te peço amor: Não me abandones mais

Quando desperto e vejo na porta da frente
Uma saída, minha vida, noutra vida diferente
E sem poder te dar à luz, meu coração, eu durmo cedo
E só te peço amor: Não me abandones mais

OUTROS OLHARES

VIOLÊNCIA REVIVIDA

Método de interpretar o agressor constrange mulheres na Justiça

Quando foi ao tribunal participar de uma sessão de constelação familiar, a universitária A., de 22 anos, reviveu a violência que buscava esquecer e punir ao buscar a justiça. Em uma sala, a jovem foi levada a relembrar as agressões sofridas no relacionamento com o ex-marido. Também foi coagida pelo mediador a pedir desculpas para o ex, que a agrediu ainda grávida, e depois, com o filho pequeno.

Relatos como o da jovem (o nome foi preservado para não comprometer o processo) têm se repetido no país nos últimos meses. Tribunais têm usado a técnica de constelação familiar, desenvolvida na Alemanha como um método terapêutico para solução de conflitos por meio de uma encenação, em processos da Vara da Família que envolvem denúncias de violência, o que constrange as vítimas.

A técnica passou a ser adotada em tribunais em 2012, com aval de resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que incentiva o uso de saídas extrajudiciais para desafogar o Judiciário. Apesar de a aplicação ocorrer majoritariamente em processos de guarda ou pensão alimentícia, os casos que têm gerado reclamações são de mulheres que também estão processando seus ex-maridos por agressão, e por isso a violência é abordada pelos mediadores.

Nos relatos feitos à reportagem, há desde convites para se colocar no lugar do agressor e refletir sobre o que causou a violência até uma dramatização do conflito em um auditório com mais de 50 pessoas. No último caso, desconhecidos são convidados a interpretar os envolvidos no processo.

“Os mediadores me colocaram para pedir perdão a ele (ex-marido) porque seria bom para mim. Me recusei, pois eu sou a vítima de violência, não ele. A partir daí fui colocada como louca. Me senti completamente sozinha, humilhada e desesperada”, disse A.

MARIDO NÃO FOI

Também estudante, C., de 36 anos, foi chamada para participar de três sessões de constelação. O ex-marido, acusado de agressão, nunca compareceu. A mediadora pediu para que ela perdoasse o homem, que, meses antes, a empurrou no hall do apartamento, o que lhe causou traumatismo craniano.

“Disseram que isso vem dos antepassados e que ele assimilou, mas não sabia o que estava fazendo”, disse ela. “É uma violência institucionalizada. É muito pesado, doloroso e injusto”.

A advogada Mariana Tripode, fundadora da Escola Brasileira de Direitos das Mulheres, atendeu diversas clientes submetidas à prática em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Brasília e São Paulo. Um desses casos envolveu uma menor de idade estuprada pelo próprio pai. A advogada conta que a mediadora pediu à mãe da vítima para acolher o ex-marido, e não excluí-lo da família e “desonrar” sua posição de pai. Caso contrário, estaria violando a “lei da hierarquia”.

“Noto um crescimento do uso da constelação familiar em todo o Brasil, principalmente em casos envolvendo violência contra a mulher. A prática pode até ser eficaz fora da Justiça, mas dentro coloca a mulher em uma situação de revitimização”, disse Mariana, acrescentando que tenta-se “empurrar” o perdão da mulher para encerrar o caso. Pesquisadora da Universidade de Tsukuba, no Japão, Gabriela Bailas afirma que não existe nenhum artigo científico que estude os reais efeitos da técnica.

“Essas constelações são aplicadas em casos da Vara de Família, em sua maioria com mulheres vulneráveis, de renda baixa e que vão apenas com o intuito de resolver o seu problema. Feridas são abertas e depois são deixadas lá sem nenhuma assistência”, disse ela.

CLAREZA SOBRE DINÂMICAS

Já a advogada e terapeuta sistêmica Bianca Pizzatto Carvalho afirma que a constelação visa a trazer clareza sobre as dinâmicas que estão envolvidas nos relacionamentos e conflitos.

“As mulheres não apanham pelo mesmo motivo e os homens não batem pelo mesmo motivo. Quando as partes entendem a dinâmica da violência, elas têm a possibilidade de mudar”, disse a advogada.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), estado onde um dos casos citados ocorreu, disse que processos de violência doméstica não são encaminhados para a constelação. Afirmou também que a técnica pode ajudar os envolvidos a compreender a origem do conflito e a construir a solução.

A explicação não é suficiente para algumas das litigantes. Uma mulher de 45 anos, mãe de três filhos que pediu para não ser identificada, entrou com uma ação em 2018 para solicitar ao ex­ marido o pagamento da pensão alimentícia. A juíza do caso promoveu quatro sessões de constelação em que ela mesma desempenhou o papel de mediadora. Uma delas foi acompanhada de dezenas de pessoas:

“Imagina ter o seu pior pesadelo exposto dessa forma. Foi um momento traumatizante e que deixou feridas abertas nos meus filhos.

PARA #METOOBRASIL, ESTADO É INEFICAZ COM VÍTIMAS

Fundadora da campanha diz que em um ano recebeu mais denúncias do que algumas delegacias especializadas de São Paulo

Lançado no país há um ano, o movimento #Me­TooBrasil conseguiu atender 151 vítimas de violência sexual e mandar um total de 68 casos para instituições públicas de proteção. Segundo a organização, 50% das mulheres que relataram abusos nunca haviam pedido ajuda. Para a advogada e fundadora do movimento, Marina Ganzarolli, isso demonstra a ineficácia do Estado em responder a esse tipo de crime.

“Os relatos recebidos durante o primeiro ano mostram que o Estado é incapaz de uma intervenção no momento oportuno, quando o crime ocorre. Nas poucas vezes em que é notificado, se mostra ineficaz em dar uma resposta à vítima”, critica Marina, especialista em Compliance Cultural, Direito da Mulher e da Diversidade, que atua com mulheres e LGBTs vítimas de violência há 15 anos. A advogada conta que fica clara a falta de confiança das vítimas nas instituições. Muitas deixam de procurar delegacias especializadas e o Judiciário com medo de serem desacreditadas.

“ME SINTO UM LIXO”

“Por que você não gritou, tentou bater nele? ouviu uma das vítimas atendidas pelo #MeTooBrasil ao relatar a um delegado o abuso sofrido pelo padrasto, aos 14 anos. Ela respondeu que havia sido ameaçada de morte caso gritasse.  Mas continuou questionada. “É a primeira vez que vejo uma pessoa ser violentada e não lutar para que não aconteça”, disse o policial. “A partir daí, minha vida não tem sentido nenhum, tomo remédios de depressão e ansiedade para dormir e me sinto um lixo de ser humano”, relatou.

Inspirado na campanha americana, o #MeTooBrasil quer deixar de ser uma campanha para se consolidar como a ONG voltada para o enfrentamento à violência sexual no ano que vem.

Segundo Marina Ganzarolli, há delegacias especializadas do estado de São Paulo que não chegam aos 151 atendimentos feitos pelo #MeToo Brasil em um ano inteiro.

“Pensando nos 15 anos da Lei Maria da Penha, avançamos muito no debate sobre a violência doméstica, a ponto de já existir uma conscientização geral da população brasileira de que em briga de marido e mulher se mete sim a colher. Mas ainda não alcançamos isso em relação à violência sexual. Apesar de repetir o mantra da “culpa não é da vítima”, seguimos buscando no comportamento dela algo que justifique a violência. Ainda nos perguntamos se ela estava bebendo, que roupa estava usando. Sempre naturalizando as situações de assédio”, alerta.

Uma análise de 77 relatos enviados anonimamente ao #MeTooBrasil mostra que 57% dos abusos contra menores de idade foram praticados por um homem da família. A maioria foi contra meninas (88%), mas há casos com meninos (12%). Em 20% dos relatos, a mãe foi acusada de alienação parental (influenciar psicologicamente a criança para afastá-la do pai) após denunciar o crime.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 21 DE SETEMBRO

O PODER DA COMUNICAÇÃO

A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto (Provérbios 18.21).

Podemos avivar ou matar um relacionamento dependendo da maneira como nos comunicamos. A vida do relacionamento conjugal, bem como de todos os outros relacionamentos interpessoais, depende da maneira como lidamos com a comunicação. A comunicação é o oxigênio dos relacionamentos. Certa feita, um jovem espertalhão quis colocar numa enrascada um sábio ancião que vivia em sua vila. O velho sempre tinha respostas sábias para todos os dilemas que lhe eram apresentados. O jovem, então, disse para si mesmo: “Vou levar um pássaro bem pequeno nas minhas mãos e perguntar ao velho se o pássaro está vivo ou morto. Se ele disser que o pássaro está morto, eu abro a mão e deixo o pássaro voar. Se falar que está vivo, eu aperto as mãos, esmago o pássaro e o apresento morto. De qualquer forma, esse velho estará encrencado comigo”, pensou o jovem. Ao se aproximar do ancião, o jovem o desafiou nestes termos: “O senhor é muito sábio e sempre tem respostas certas para todos os dilemas, então me responda: o pássaro dentro das minhas mãos está vivo ou está morto?” O velho olhou para ele e disse: “Jovem, o pássaro está vivo ou está morto, só depende de você”. A comunicação dentro da sua casa, no seu casamento, no seu trabalho, na sua escola, na sua igreja está viva ou morta; só depende de você, pois a morte e a vida estão no poder da língua (Provérbios 18.21).

GESTÃO E CARREIRA

BRASILEIRO TROCA DE ÁREA PARA TER EMPREGO

Em set ores onde há escassez de mão de obra, falta de qualificação não é obstáculo

Mesmo sem qualificação adequada, trabalhadores são forçados a mudar de ramo em busca de ocupação. Setores que perderam o brilho por causa da pandemia, como comércio e serviços, são trocados pelo construção, comércio online e o agronegócio.

A troca foi detectada por empregadores na hora em que recebem os currículos dos candidatos. Diante da escassez de mão de obra qualificada, investir na formação tem sido uma das saídas para preencher as vagas.

“Aumentou a migração de trabalhadores de outras áreas para construção”, afirma Gilvan Delgado, dono da empreiteira Atacama. Com déficit de mão de obra, ele contratou Marcos Paulo Viana, de 33 anos, que desde os 16 trabalhava na microempresa de panificação do pai. Inclusive, carregava no currículo só cursos desse setor”.

O negócio de pão de forma integral, vendido a pequenos comércios e diretamente a consumidores, não foi para a frente quando veio a pandemia. A microempresa fechou e Viana encontrou na construção civil uma nova oportunidade. Um ano atrás, quando começou na empreiteira, não tinha conhecimento da área.  No início, trabalhava como ajudante em diversas funções para aprender. Hoje, coordena os serviços operacionais, como encarregado do controle de qualidade.

“Entrei na empreiteira achando que iria sair rápido, que seria algo transitório, mas fui aprendendo, evoluindo e crescendo”, diz. Na construção, Viana ganha quase o dobro do que tirava na panificação e planeja fazer um curso técnico na área ou até uma faculdade de Engenharia.

Esse também é o plano de Jacqueline Torres, de 27anos. Formada em Administração, desde maio ela trabalha na área de saída de mercadorias no centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar (SP). Pretende cursar uma pós graduação em logística, tema que entrou para o seu radar faz três meses.

Durante oito anos, Jacqueline foi funcionária de uma loja de calçados da rua 25 de Março, tradicional polo do comércio atacadista. “Cuidava da parte administrativa e vendia”.

Apesar do bom salário, Jacqueline decidiu procurar outro emprego, porque se via estagnada. Em 2019, conseguiu uma vaga na área de tecnologia de outra companhia, mas com a pandemia foi demitida. Depois de quase um ano procurando uma ocupação, foi admitida em março de 2021 na área de marketing de uma empresa de alimentos. Mas logo apareceu a chance de trabalhar no Mercado Livre.

Hoje, ela coordena uma equipe de 75 pessoas, gerenciando desde a separação do pedido até a saída da mercadoria. Ganha o dobro do que recebia no último emprego e 2% a mais em relação ao salário do comércio tradicional. “Tive de aprender tudo desde o começo, foi muito rápido”, afirma. Há três meses na empresa, ela diz que parece que está há um ano, diante da carga de novos conhecimentos.

“Treinamos e formamos pessoas”, diz Patrícia Monteiro, diretora de People do Mercado Livre. Para serviços de logística, a diretora conta que tem admitido trabalhadores vindos de outros setores que não vão bem.

MUDANÇA

 Após quatro anos como motorista de ônibus em Piraju, interior de São Paulo, Antônio Márcio Sanches, de 41 anos, fez uma manobra radical: trocou o transporte coletivo pelo trator. Com a pandemia, as viagens de ônibus diminuíram, e ele teve o contrato suspenso. Passou a receber o auxílio do governo, e a renda caiu. “Com a pandemia, ficou enrolado e sai por conta.”

Sanches conhecia o produtor rural e zootecnista Miguel Abdalla e aceitou o desafio de mudar de ramo. Pouco mais de um mês, começou a pilotar trator e colheitadeira. Decidiu ir para o agronegócio em busca de um ganho maior e conseguiu. “Tiro cerca de 50% a mais do que ganhava como motorista.”

Além da receita maior como autônomo, ele diz que o ambiente de trabalho no campo é mais sossegado. Cursando o ensino fundamental, Sanches quer fazer um curso técnico para pilotar máquina agrícola, assim como fez para dirigir ônibus.

EU ACHO …

OS IMBECIS

Um jovem casal passava horas lendo em conjunto. Encontravam grande prazer na tarefa. No meio de um dia frio de quase primavera, ele diz a ela:

– Amor, você já leu Georges Bemanos?

– O católico monarquista francês?

– Sim. Acabei de ler esta frase:

“A única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”.

– Que forte ideia!

– Forte mesmo. Mas eu me lembro de outra frase de um homem oposto, Bernard Shaw: O pessimista? O homem que se ressente de  todos os outros porque os acha tão desagradáveis como ele”.

– Bemanos é um tipo de moralista e Shaw traz um pouco de psicanálise.

– Uma ideia interessante, amor. Eu anotei aqui uma outra ideia, de Lewis Mumford: “Os conservadores são pessimistas em relação ao futuro e os otimistas, ao passado”. Assim, ele volta a Bemanos, pois imagina que todos temos um ponto negativo. Se sou um conservador, o futuro e até o presente podem ser tenebrosos. Se sou um otimista, o que já ocorreu é inferior ao que pode ocorrer, logo, sou um pouco negativo com o vivido e ansioso pelo que virá.

– Na semana passada, você deu uma palestra para professores de uma escola pública. Recordo-me do seu roteiro que lembrava a importância da educação e como cada professor poderia construir um futuro melhor para si, para os alunos e para o Brasil. Pense bem: você acha mesmo que o entusiasmo que você despertou vai durar? Que o sistema permitirá que saia algum empreendedor vitorioso dali?

– Claro que acho! Não creio que ser empreendedor seja o caminho exclusivo da felicidade e único indicativo de mérito. Porém, o melhor caminho para que surjam boas lideranças comunitárias, empreendedores de todo tipo, pessoas realizadas e felizes é lembrar a todos que somos senhores do nosso destino.

– Sim, amor, é a sua cara falar isso. Eu poderia dizer que você azeitou uma máquina de exclusão. Os professores ganham muito mal e os alunos naquela região sempre tiveram um ensino complicado que foi piorado pelo pandemia. Que um ou outro possa fazer algo diferente faz parte do desvio-padrão de todo experimento. Todavia, veja: ao dizer que os professores são maravilhosos e agentes do futuro, você substitui a dignidade material que eles não têm, o apoio que não chega e a realidade dura por uma espécie de ópio entusiasmado. Seu otimismo pode estar ajudando o mundo a permanecer como sempre esteve! Você virou um analgésico social.

– Ah, querida, sempre trazendo uma nota de enxofre para meu paraíso… Retirar a capacidade de sonhar ou o horizonte de esperança de alguém é matar a alma. Seria como desistir de uma luta antes de ela começar por ser complicada. Pessimismo é covardia e quase uma preguiça mental.

– Meu querido Cândido, disse ela sorrindo ao citar a personagem quase ingênua de Voltaire, “nunca sei se eu te beijo ou te esbofeteio quando você diz essas coisas…”, comentou a companheira com um olhar ambíguo. – Sei que você tem a melhor Intenção. Imagine que você dissesse algo oposto: “Meus queridos colegas professores: o sistema de ensino público foi montado para não funcionar. O salário é ruim, a estrutura física da escola é péssima, faltam coisas básicas e os alunos não têm condições de apoio em casa para transformar o conhecimento em alavanca de mudança. O maior objetivo aqui nesta escola é oferecer um treinamento mínimo de leitura e hábito para que cada aluno vire um bom empacotador de super ou vendedor treinado de fast-food. Caso vocês discordem dessa máquina de perpetuação de desigualdades, não melhorem o cárcere: derrubem-no! Para construir uma nova escola, eu tenho de rejeitar a antiga. Não sejam melhores carcereiros, sejam libertadores e se libertem!” Isso seria algo útil a dizer.

– Nossa, Cláudia, quanta amargura. Pedro estava assustado. Amava sua noiva, porém ficava espantado com o que considerava uma incapacidade de pensar com leveza o mundo. Pedro acreditava, genuinamente, naquilo que dizia nas palestras. A mulher desenvolvia um argumento que o tornava um ser perverso, alguém que animava presídios ou tocava como a banda do Titanic a afundar.

O casal já tinha conversado multas vezes sobre o tema. Cláudia tinha postura radical: os alunos não deveriam ser enganados com promessas falsas. Eles estavam ali para garantir certa aparência de igualdade do Brasil com suas escolas públicas para ”todos”. Porém, era um jogo viciado, com dados que nunca dariam o número vencedor a eles. A crise da educação não era um acidente, era um projeto, como tinha destacado Darcy Ribeiro há muitos anos. Tudo era montado para que a política e o capital continuassem com seu trajeto sem atritos. Claro, pensava ela, nosso Capitalismo não podia, hoje, contar com pessoas escravizadas analfabetas. Os funcionários tinham de saber enviar um e-mail, receber um vídeo ou até acessar o treinamento da lanchonete em um aplicativo. Os antigos escravizados tinham de ser minimamente alfabetizados. Aqui entrava a escola pública. Pedro, pensativo, não se cansava de incentivar alunos e professores. Seria um imbecil alegre e sua noiva uma imbecil triste? Sua amada queria libertar todos de uma falsa promessa de melhoria e ele seria um dourador de venenos? Eis uma dúvida legítima para você, querida leitora e estimado leitor. Qual o seu imbecil preferido? Com ou sem esperança?

***LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ALÉM DO MEDO

A fobia age no inconsciente e pode ser um obstáculo em diversas áreas da vida – algumas que você nem imagina!

Entre o grande público, a definição de fobia pode ser confundida com a de medo. Apesar de haver certa semelhança, o medo está relacionado com o instinto de sobrevivência. “Já a fobia é uma aversão excessiva, exagerada, irracional e persistente em relação a um objeto, animal ou alguma situação que represente pouco ou nenhum perigo real, mas que é sentida como se fosse”, explica o médico Gilberto, Katayama. Isso ocorre em uma ocasião específica, que é entendida pela pessoa com o transtorno como uma ameaça terrível.

É possível identificar esse tipo de quadro por meio dos comportamentos e recursos apresentados na tentativa de afastar o que causa incômodo. “Para muitas pessoas, torna-se relativamente simples perceber um indivíduo fóbico, porque as suas atitudes se tornam socialmente inadequadas no contexto social no momento em que esse medo extremo se manifestar”, frisa Katayama.

Saiba mais sobre o medo como um transtorno mental a seguir.

A AÇÃO NA MENTE

Assim como a maioria dos casos, a fobia tem início por meio dos estímulos captados pelos sentidos. Após isso, as informações são levadas ao cérebro para serem analisadas em áreas específicas e especializadas. “O sentimento de medo, por exemplo, é processado inicialmente pelo sistema límbico, mais especificamente pela amígdala. Este sentimento, associado às sensações físicas, será processado pela mente, que buscará  atribuir um significado lógico ao que estamos experimentando. Quando o objeto fóbico se faz presente, surgem nossos comportamentos reativos e reações de fuga ou desistência”, esclarece Gilberto.

Além disso, a memória é outro fator importante nas respostas dos indivíduos. Isto é, ao vivenciar uma situação, o cérebro  busca experiências semelhantes como forma de comparação. “A cada estímulo, buscamos na memória, de forma inconsciente, as experiências passadas similares. E estas bagagens se apresentam como memórias vivas, ou seja, vêm acompanhadas das sensações, sentimentos e pensamentos”, complementa  o médico. Com isso, de maneira inconsciente, a mente soma as lembranças antigas com as novas a cada situação vivida, as deixando disponíveis para experiências futuras.

OBSTÁCULO SOCIAL

As fobias interferem em diversos aspectos do dia a dia e, entre as principais, está a questão da convivência com o mundo ao redor. “Fobia social é um transtorno de ansiedade que se caracteriza pelo desconforto e pela esquiva de situações sociais e de desempenho”, descreve o psiquiatra Tito Paes. Dessa forma, a relação interpessoal do indivíduo sofre como um tipo de bloqueio, interferindo no seu dia a dia.

Ir a festas, construir um relacionamento, participar de reuniões, falar em público… Tudo isso parece muito distante das pessoas que sofrem com esse teor. Segundo Tito, isso ocorre porque há “um receio de ser avaliado negativamente pelas pessoas nas situações sociais e de desempenho”.

A ORIGEM

Mas de onde vem essa preocupação que impede o indivíduo de viver e conviver em sociedade? Apesar de não existir nenhuma comprovação científica, alguns estudos apresentaram hipóteses para a origem desse quadro. “As causas da fobia social ainda não estão bem elucidadas. Admite-se que um componente genético tenha um papel na eclosão desta fobia. Uma vulnerabilidade biológica maior para manifestação de sintomas de ansiedade na infância pode contribuir para o surgimento dos sintomas”, atesta Tito.

Contudo, o psiquiatra ressalta que o fator familiar é outro possível desencadeamento e merece um cuidado a mais – principalmente a relação entre pais e filhos e o incentivo ao contato com outras pessoas. “O ambiente em que a criança foi criada também pode exercer uma influência importante. Assim, é possível que ela adquira a falta de interesse dos pais pela vida social. Em alguns casos, os responsáveis podem desencorajar seus filhos de terem vida social”, explica Tito.

Além disso, alguns pais dão muita ênfase a opiniões alheias e isso afeta na maneira de agir dos filhos, que podem se preocupar demais com o que os outros pensam. Há também os indivíduos que enfrentam longos períodos de isolamento, como em caso de doenças, dificultando o desenvolvimento de suas habilidades sociais.

O CORPO FALA

Esse medo em demasia gera diversos sintomas por todo o corpo. Isso ocorre porque o cérebro prepara o físico para encarar uma situação de perigo. “É provocada uma liberação de hormônios que informam à pessoa que ela irá enfrentar uma luta ou uma possível fuga”, cita a psicanalista Cristiane Vilaça.

Dentre os principais sinais, estão taquicardia, sudorese e falta de a r, mas eles não são os únicos.” Diante das situações sociais ou de desempenho, o fóbico social manifesta sintomas físicos como tremor, tensão, abalos musculares e ruborização, bem características nesses casos”, descreve Tito.

E não para por aí. A psicóloga clínica Cristiane Maluhy Gebara afirma que o fóbico ainda pode sofrer com sintomas psíquicos, abrangendo “os sentimentos de vergonha e humilhação, a autodepreciação, a antecipação negativa, o medo da avaliação negativa e a timidez excessiva”. Com isso, há uma degradação psicológica da pessoa e ela busca o isolamento, alterando sua rotina e suas atividades diárias. “Os sintomas da fobia são muito desagradáveis e provocam sofrimento e ansiedade a ponto de interferirem na qualidade de vida”, ressalta Gilberto.

TIMIDEZ X FOBIA SOCIAL

Apesar de causarem sintomas e sinais relativamente semelhantes, há uma grande diferença entre os dois conceitos. Ambos afetam a parte social do indivíduo, porém, a fobia impede a convivência e o torna solitário. Enquanto isso, uma pessoa tímida continua realizando suas atividades diárias, caracterizando-se apenas como um traço de personalidade.

POESIA CANTADA

METADE

OSWALDO MONTENEGRO

COMPOSIÇÃO: OSWALDO MONTENEGRO. 

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade, não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia
A outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também

OUTROS OLHARES

PEQUENINO, MAS LUCRATIVO

As redes registram cada vez mais influenciadores mirins, que ganham fama e dinheiro com o estímulo dos pais. Os especialistas alertam para os perigos

Aos 3 anos, o menininho de bochechas fartas e sorriso fácil acomodado na cadeira infantil do carro ensaia um “eu te amo” em inglês para a mãe, que registra, eufórica, aqueles segundos. O vídeo, como quase tudo em que Noah Tavares estampa o rosto, viralizou entre o seu recém alcançado 1 milhão de seguidores no Instagram e os mais de 5milhões que acompanham suas variadas gracinhas no TikTok. Administrada pela mãe, a farmacêutica Frécia Tavares, 33 anos, a bio de Nonô, como ficou célebre, informa que ele é “uma pessoa pública”. E como. “Comecei a postar fotos dele quando era um bebezinho e me surpreendi com o sucesso”, conta Frécia, cuja determinação acabou transformando o filho em um pequeno ás da publicidade – chega a cobrar 4.000 reais por foto postada, divulgando marcas como Coca-Cola, Itaú e Rappi. “Temos uma rotina de gravação praticamente diária”, diz a farmacêutica, que largou o emprego para gerenciar a atribulada agenda. Em tempos pré-web, Nonô seria garoto-propaganda. Hoje é influenciador digital e encorpa a hashtag mini- influencer, já empregada 1 milhão de vezes, e subindo no Brasil.

A quem o aborda – e não é pouca gente – ele se apresenta: “Sou aquele menino famoso da internet”.

A indústria do entretenimento é uma usina de converter fofura e talento precoce em fama desde a mais tenra idade. Um mergulho mais fundo, porém, mostra que o caminho pode ser tortuoso para a criança, que perde contato com a espontaneidade da infância e passa a cumprir um roteiro traçado pelos pais. “Familiares às vezes agem de forma narcisista, expondo os filhos para aparecer através deles”, diz a psicóloga Ceres Araújo, fazendo um alerta para um efeito colateral nocivo: “O excesso de expectativa por parte dos adultos exerce sobre a criança uma pressão que tende a se traduzir em sofrimento”. Diversos nomes estelares penaram depois de estrearem jovens demais, entre eles Michael Jackson, que aos 6 anos cumpria uma maratona de shows e era alvo de castigos físicos do pai-empresário, e Macaulay Culkin, o astro de Esqueceram de Mim, que, revelado aos 4 anos, adentrou a maturidade sem saber lidar com a fama e abandonou as telas.

As redes sociais, sempre elas, deram novos contornos ao fenômeno, com seu potencial de fazer de uma peraltice um sucesso global, muitas vezes oco. E os pais se entusiasmam além da conta. A tentação de exibir todos os passos da prole ganhou até nome em inglês: sharenting, mescla de share (dividir) com parenting (paternidade.) Especialistas reconhecem a complexidade de estabelecer nesse movediço terreno a fronteira entre o razoável e o contraindicado – e o bom senso será sempre um balizador, lembram. Cientificamente, já está comprovado que uma rotina intensa demais no mundo paralelo da internet reduz vivências essenciais para o desenvolvimento. O risco é de a criança se deixar fisgar por imagens fáceis no lugar de afiar raciocínios complexos. “As redes atuam no sistema de recompensa do cérebro infantil como um estímulo positivo, mas não são nem de perto suficientes para enriquecer a linguagem e o pensamento”, afirma o neuropediatra Mauro Muszkat, da Unifesp. A médica Fernanda Kanner, 38 anos, viu a filha Nina, 14, disparar no TikTok, com 2 milhões de seguidores. Notando que o cotidiano virtual fugia do controle, a mãe tomou a dura decisão de encerrar a conta há um mês. “A pseudo fama a fez acreditar que a beleza era o que ela tinha de mais especial. Fiz isso para o seu bem”, justifica a médica. Quando o dinheiro entra na equação, a probabilidade de um desequilíbrio na rotina infantil se eleva. “Sempre houve crianças aparecendo em propagandas, mas, depois que as mídias tradicionais passaram a ser reguladas, as redes se tornaram uma opção mais interessante, já que ali as regras não estão plenamente definidas”, explica a antropóloga Solange Mezabarba. Desde 2014 uma norma do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente proíbe que a publicidade infantil seja dirigida diretamente aos pequenos, mas nem sempre é trivial discernir brincadeira de propaganda. A sutileza se revela, por exemplo, em situações como o unboxing, em que o mini- influenciador vai abrindo uma caixa e de lá retira “produtos-surpresa”, como roupas e brinquedos, tudo à venda. Na segunda-feira 23, nove empresas foram denunciadas ao Ministério Público da Bahia pelo Instituto Alana por prática de publicidade infantil irregular. “Acriança percebe o influenciador mirim como um amigo, não como um ator, e aí está o problema”, explica Isabella Henriques, diretora-executiva do Alana. No fim de 2020, a fabricante de brinquedos Mattel foi condenada a pagar 200.000 reais por danos morais coletivos, após o Tribunal de Justiça de São Paulo considerar que a empresa fez publicidade indireta ao contratar uma criança com canal no YouTube para divulgar uma marca de bonecas. A Mattel diz “garantir a ética, a qualidade e a verdade em sua comunicação”.

A lei brasileira determina que filhos não podem se tornar responsáveis pelos rendimentos da família, o que é frequente no universo dos influencers mirins. “O Estado e os pais também devem zelar pelo que é melhor para a criança”, frisa Glicia Salmeron, presidentedaCo1nissão dos Direitos da Criança da OAB. A especialista em turismo Patrícia Yamazaki, 43 anos, deixa a filha, Maria Eduarda, de 8, gravar anúncios (ela é embaixadora de grifes conhecidas de roupas e contabiliza 73.000 seguidores). Mas impõe horários, acreditando que assim a menina segue uma trilha saudável. “Só marco trabalhos aos sábados e domingos. Não quero que ela se deslumbre com o mundo digital e deixe de se empenhar nos estudos”, diz a mãe. Todo o cuidado é pouco nesse campo de tantos e variados estímulos.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 20 DE SETEMBRO

O CORAÇÃO SE ALIMENTA DA BOCA

Do fruto da boca o coração se farta, do que produzem os lábios se satisfaz (Provérbios 18.20).

Há uma estreita relação entre o coração e a boca. A boca fala o que procede do coração, e o coração se alimenta do que a boca fala. O coração é a fonte, a boca, os ribeiros que fluem dessa fonte. Sendo a boca o veículo do coração, é também o celeiro que o alimenta com o melhor das iguarias. Quando a boca diz palavras sábias, bondosas, edificantes, o coração se satisfaz com o que produzem os lábios. Palavras verdadeiras, oportunas e cheias de graça sempre alegrarão o coração. Essas palavras abençoam não apenas quem as ouve, mas também quem as profere. Essas palavras alimentam não somente o coração dos ouvintes, mas também o coração daqueles que as proclamam. Como é bom ser portador de boas-novas! Como é bom ser instrumento de Deus para consolar os tristes! Como é bom abrir a boca para falar a verdade em amor e encorajar as pessoas diante dos dramas da vida! Quando plantamos sementes na vida dos outros, nós mesmos colhemos os frutos dessa semeadura. Quando plantamos boas sementes na lavoura do nosso próximo, vemos essas mesmas sementes florescendo e frutificando em nosso próprio campo. Bebemos o refluxo do nosso próprio fluxo. As bênçãos que distribuímos para os outros caem sobre a nossa própria cabeça.

GESTÃO E CARREIRA

 HERDEIROS ESG REVOLUCIONAM EMPRESAS FAMILIARES

Chegada de ‘millennials’ ao comando dá ênfase a metas ambientais, sociais e de governança

Não é mera coincidência a ascensão sincronizada dos millennials no comando de empresas familiares e da sigla em inglês ESG, ou ASG em português – Ambiental, Social e Governança. Forjados em uma educação globalizada já sob ansiedade climática, herdeiros têm sido a força motriz por trás da adoção de boas práticas socioambientais em empresas fundadas por antepassados com outros valores. As trajetórias são variadas e nem sempre lineares -afinal, cada família é ESG à sua maneira – , mas os que chegam se parecem e são cada vez mais verdes.

Aos 35 anos, Alex Seibel é da terceira geração de uma família judaica polonesa que se estabeleceu no Brasil no entre- guerras, fugindo do antissemitismo. Seu avô Bernard chegou a São Paulo adolescente, aos 14 anos e acabou fazendo carreira no setor moveleiro. Em 1961, comprou a Leo Madeiras, loja de insumos para marcenaria que se tomaria pedra angular de um grupo de negócios familiares.

Em 2009, uma outra empresa dos Seibel, a Satipel, se fundiu com a Duratex, tornando-se uma das maiores fabricantes de painéis de madeira do mundo. A transação representou um salto de ordem de grandeza nos negócios da família. Hoje, os Seibel fazem parte do bloco de controle da Dexco (novo nome da Duratex) junto com a Itaúsa e têm 20% da companhia, fatia que vale R$ 3 bilhões na Bolsa.

Mas a trajetória de Alex, neto de Bernard, começou longe do core business familiar. Em 2012, aos 26 anos, o jovem foi enviado a Porto Alegre para trabalhar na Empório Body Store marca que vendia cosméticos artesanais. Em seguida, a Empório Body Store fez uma joint-venture com a The Body Shop, famosa empresa britânica. Em pouco tempo, a marca da L’Oréal – e que hoje pertence à Natura – compraria a Empório Body Store. Mas a passagem deixou impressões marcantes no herdeiro dos Seibel.

“Foi lá que conheci a trajetória da Anita Roddick, fundadora da The Body Shop e pioneira no uso de produtos de base vegetal e no comércio justo com comunidades locais.

O primeiro resultado dessa experiência foi a Positiva, uma consultoria de soluções ambientais inspirada em conceitos como permacultura e economia circular. Logo, Alex constatou que o modelo tinha pouco alcance e resolveu transformar a empresa em uma linha de produtos de limpeza e higiene pessoal ecológicos. Desde 2015, a Positiva já reciclou 50 toneladas de plástico. A marca está em 500 pontos de venda e é ativa no e-commerce.

CADÊ O DINHEIRO?

A Positiva foi a primeira de uma série de empreendimentos centrados na sustentabilidade. Alex, mais tarde, voltou para o negócio familiar, criando um núcleo de impacto no Family office do clã, o HS Investimentos. Recentemente, assumiu vaga no conselho de administração da Dexco.

“Escolhi atuar na esfera do capital”, explicou Alex.

É justamente aí que o Brasil mais peca, observa Marina Cançado, responsável pela área de sustainable wealth ( patrimônio sustentável) da XP. Diferentemente do que ocorre nos EUA e na Europa, o investimento institucional tem sido um dos pontos cegos do ESG no Brasil.

“Estou positivamente surpreendida na forma como a nova geração está mexendo nos negócios. Falta ainda mexer nos investimentos. Talvez os Family offices locais ainda sejam tocados por pessoas de velha guarda”, especula Marina, ela própria herdeira da rede de farmácias Drogaí, que tem 219 lojas no interior de São Paulo.

NA VANGUARDA

Curiosamente, um dos pioneiros do tema no Brasil foi um banqueiro. Ex-presidente do Real e, posteriormente, do Santander, Fábio Barbosa lembra que era ridicularizado com apelidos como ”banqueiro verde” e “abraçador de árvore” ao abordar a sustentabilidade duas décadas atrás.

“Se minha geração não deixou um Brasil melhor, pelo menos ela deixou filhos melhores. A cada dia sai do mercado um consumidor que achava isso uma bobagem e entra outro que acha isso importante. A cada dia sai do mercado um profissional que escolheu a carreira por salário e entra outro que escolheu por propósito. Isso é motivo de celebração”, resume Barbosa, que é membro dos conselhos de administração do Itaú Unibanco e da Endeavor Brasil.

A mudança geracional é real e global. As estimativas variam, mas calcula-se que até US$ 68 trilhões que hoje pertencem a baby boomers serão herdados por millenials americanos ao longo desta década. Isso vai quintuplicar a riqueza dos jovens que estão ocupando cargos de poder nas empresas.

A sensação de deslocamento leva muitos herdeiros a experimentarem o ESG fora de casa. “Entre 2005 e 2010 eu era universitário e fiz uma espécie de grande programa de trainee dentro da empresa. Chegou um momento em que percebi que não era para eu estar ali”, lembra Pedro Wickbold, de 34 anos, herdeiro de quarta geração da fabricante de pães que leva seu sobrenome.

O plano era sair para empreender. Wickbold trouxe para o Brasil a marca italiana Wewood, cujos relógios são feitos em madeira. A cada peça vendida, uma árvore é plantada. Três anos depois, em2014, Wickbold vendeu o negócio.

“Casei e tirei 2015 para dar uma volta ao mundo com minha mulher. Estivemos em 120 cidades de 37 países. Conheci muita gente, vi muita riqueza e muita pobreza. E voltei encantado com o Brasil, que é um país fantástico, mas cuja desigualdade é abissal. Voltei determinado a retomar o legado da família e, por meio dele, contribuir para mudar isso”, sustenta.

Sua chegada precipitou uma guinada sustentável. Já em 2016, a marca de pães fechou parceria com a rede de negócios sustentáveis Origens Brasil. Por meio dela, a Wickbold passou a comprar castanha-do-pará e farinha de babaçu diretamente de famílias extrativistas da Amazônia. Por meio da Amigos do Bem, a panificadora também está comprando castanha de caju de famílias no sertão nordestino. Essas matérias-primas se transformaram na Linha Raízes, de pães especiais.

“É mais caro, mas demonstra nosso engajamento socioambiental. Adotar essa política é um processo de convencimento desafiador, mas a família sempre foi aberta a isso. E o mais importante é que dá resultado”, afirma o executivo, que assumiu a presidência da companhia no ano passado e criou uma área de sustentabilidade que está calculando a pegada de carbono para traçar um plano de mitigação.

SUCESSÃO NO LUTO

Para Manuella Curti, herdeira da marca de purificadores de água Europa, a chegada ao comando foi abrupta, trágica e envolta em luto.

Em 2010, em um intervalo de apenas seis meses, ela perdeu o irmão e o pai. Aos 26 anos, coube à jovem advogada ocupar o vácuo.

Ao tomar as rédeas da companhia, Manuella diz que começou pelo “questionamento de nosso propósito”, o que desembocou em uma crise de identidade da Europa. Foi a oportunidade para integrar ao negócio uma sensibilidade social e ambiental característica de sua geração, explica:

“Mudar fatores ligados à cultura da empresa sempre são processos mais longos e nem sempre o caminho mais fácil. Na Europa, isso não foi diferente.

Manuella decidiu avançar em políticas como a ampliação do nível de circularidade dos resíduos e maior diversidade na companhia. “É preciso haver conexão entre a geração de valor do ESG e o resultado econômico”, observa.

Mas a maioria dos herdeiros assumem negócios que, em geral, não têm o ESG como prioridade, diz Carlos Mendonça, sócio da PwC:

“Uma pesquisa nossa mostrou que a pauta ESG está lá embaixo nas prioridades. Por isso muitos jovens não querem trabalhar na empresa da família nem têm orgulho desse legado.

Segundo ele, as três maiores prioridades são expandir seus negócios, avançar em tecnologia e melhorar o uso de recursos digitais. Só 39% das empresas têm uma estratégia ESG fundamentada

EU ACHO …

PAÍS MAL-ASSOMBRADO

Somos perseguidos pelos fantasmas que não foram devidamente enterrados

Nessa última semana, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul hasteou em sua sede a bandeira do Brasil Império, como símbolo de reconhecimento aos ideais libertários e de respeito à Constituição. Em 1822, marco da homenagem do órgão aos “ideais libertários”, a população negra era escravizada e seguiu sendo durante a grande parte do século 19.

No Facebook e no WhatsApp, uma corrente de fake News em curso há mais de ano “informa” as pessoas que dom Pedro 2º era um bravo líder que “por mais de 40 anos lutou contra poderosos fazendeiros pela abolição da escravatura”.

Quem quiser ver Pedro 2º na versão romântica, como um líder sensato, que respeitava a população negra no último país a abolir a escravidão na América, basta ver a novela das seis da maior emissora do Brasil.

Somos transportados a um outro país. É engraçado o que uma liberdade de roteirização pode fazer. Como diz um provérbio africano: “Até que os leões tenham seus próprios historiadores, a história da caça glorificará o caçador”. Pessoas negras não detêm concessões públicas, nem poderio econômico para criar suas novelas.

Como nos ensina Chimamanda Adichie em “O Perigo da História Única:” “É impossível   falar sobre única história sem falar sobre poder. Há uma palavra, uma palavra da tribo igbo, que eu lembro sempre que penso sobre as estruturas de poder do mundo – ‘nkali’ é um substantivo que se traduz: ‘Ser maior do que o outro’. Como nossos mundos econômico e político, histórias também são definidas pelo princípio do ‘nkali’. Como é contada, quem as conta, quando e quantos histórias são contadas, tudo realmente depende do poder”.

Como vivemos uma história única contada há décadas no país de “Escrava Isaura”, “Sinhá Moça”, “Terra Nostra” e tantas outras produções, os brancos no poder do regime escravista se tornam os mocinhos da história. Nem parece que vivemos no último país da América a abolir a escravidão. Nem parece que foi o mesmo país que massacrou populações negras quilombolas e indígenas, que manteve leis para “inglês ver”.

Seguindo com Chimamanda, “poder é a habilidade de não só contar a história de outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa. O poeta palestino Mourid Barghouti escreve que se você quer destituir uma pessoa, o jeito mais simples é contar sua história e começar com ‘em segundo lugar’. Comece uma história com as flechas dos nativos americanos, e não com a chegada dos britânicos, e você tem uma história totalmente diferente. Comece a história com o fracasso do estado africano e não com a criação colonial do estado africano e você tem uma história diferente”.

Parece que foi em outro país que o Brasil imperial instituiu como política pública o incentivo da vinda de imigrantes europeus, como forma de branquear a população. Uma política formulada por teóricos do racismo científico, que acreditavam que a população negra era biologicamente inferior à branca.

Ao mesmo tempo, vemos intelectuais ressentidos com o protagonismo negro no debate público, em vez de aceitar que precisam estudar autores negros e abrir mão de falácias argumentativas para justificar seus racismos. O ostracismo deve doer a ponto de se abrir mão da honestidade intelectual para impor aquilo que se quer provar. Realmente a branquitude não se enxerga, pois se recusa a reconhecer os lugares construídos a partir da opressão de outros grupos, a pauperização histórica da população negra que possibilitou a concentração de renda nas mãos brancas, a tentativa de culpabilização de pessoas negras por um sistema que as oprime. É uma total inversão lógica, ética e política.

Como já escrevi aqui, fazendo referência à artista multidisciplinar Grada Kilomba, a escravidão e o colonialismo, enquanto histórias mal- resolvidas, funcionam como fantasmas.

Fantasmas comumente são vistos como aqueles espíritos errantes com fim traumáticos e que ficaram presos ao plano terreno. Seguimos assombrados pelos fantasmas que não tiveram seus devidos fins, não foram devidamente enterrados. Não houve rituais fúnebres condizentes, então eles permanecem, nos assustam, mas a verdade é que sempre estiveram aqui, em um país que se recusa a enfrentá-los.

Temos o fantasma do marco temporal em um país que não respeita os povos indígenas;  o fantasma do golpe em um país que nunca condenou os torturadores da ditadura e ainda os homenageia com nomes de ruas, temos o fantasma do colonialismo, que mata e persegue a população negra e que tenta por algozes como heróis, que faz com que seja possível intelectuais racistas julgarem que sabem teorizar sobre racismo sem investigar seu próprio grupo racial e tantos outros fantasmas que fazem do Brasil um país mal-assombrado.

*** DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MENTE E MUSICALIDADE

A música está presente em variadas culturas. Não por acaso, a Neurociência tem investigado a relação entre música, emoção e comportamento humano, com o objetivo de compreender os seus benefícios para os seres humanos

A música se faz presente em diversos lugares. É plausível dizer que o canto dos pássaros em um jardim, assim como a queda d’agua de uma cachoeira, configuram cenários repletos de sons musicais. Do mesmo modo que, nos grandes centros urbanos, sirenes, buzinas, ruído de motores, vozes de pessoas que alertam, vendem e orientam também inspiram compositores exercendo influência direta na configuração do cenário musical de uma cidade. Desse modo, tom, melodia, harmonia e ritmo são constantes na vida dos humanos.

Os avanços tecnológicos permitiram descobertas científicas no campo de estudos sobre mente e musicalidade. A Neurociência tem investigado a relação entre música, emoção e comporta­ mento humano, com o objetivo de compreender os benefícios da música para os seres humanos. A música está presente em variadas culturas, sendo produzida por meio de diversos instrumentos que alcançam tonalidades distintas.

Este dossiê apresenta dados sobre mente e musicalidade, musicoterapia, além de relatar o modo pelo qual música e criatividade se conjugam no trabalho realizado por um músico, compositor e psicólogo que se beneficia da música e da criatividade para compor sua identidade enquanto atua profissionalmente em situações de vulnerabilidade social.

EXPERIMENTAÇÕES

O indivíduo entra em contato com a experiência musical na mais tenra idade. Das canções de ninar, entoadas pela mãe, ao ruído da água em ebulição durante o preparo da mamadeira, crianças ouvem uma grande porção de sons logo nos primeiros contatos estabelecidos na relação com adultos. A experiência vivenciada pela criança pode gerar prazer, dentre outras emoções, além de configurar esquemas que englobam regiões do cérebro.

O neurologista britânico Oliver Sacks, autor de diversos livros sobre temas relacionados aos campos da Psiquiatria e Neurologia, reconhecido professor de Neurologia da Columbia University, situada nos Estados Unidos, afirma que a espécie humana é a única a dispor de um cérebro capaz de entender estruturas musicais e ser afetado emocionalmente pelas características impressas nas músicas. Por meio da utilização de avançados recursos tecnológicos, descobriu-se que músicos sofrem significativas mudanças em regiões do córtex cerebral que nunca foram observadas em outros profissionais. Além dessa constatação, observaram-se alterações cerebrais em pessoas expostas a estímulos musicais, ainda que tais pessoas não tivessem habilidades musicais.

Segundo Sacks, a música se apossa de muitas partes do córtex cerebral, o qual se desenvolve quando um ritmo é percebido, aprendido e imaginado. Ele considera a musicalidade peculiar aos seres humanos, quando sustenta que nenhum outro animal é capa de ouvir e distinguir sons complexos, compostos de tons, semitons, ritmos e expressões orais. A percepção musical é, portanto, uma habilidade específica dos humanos e merece atenção da parte de pesquisadores interessados na compreensão da vida humana.

De acordo com Daniel J. Levitin, pesquisador da Universidade McGill, situada em Montreal, Canadá, a música foi e ainda é fundamental ao processo de evolução humana. Trata-se de um recurso indispensável para a vida cotidiana. O referido autor publicou um livro intitulado, A Música no seu Cérebro (2010) (no original, This is your Brain on Music, 2006), para divulgar estudo acerca da interação música, mente, corpo e cérebro. Ele lançou mão de músicas de diferentes estilos, partindo de Johann Sebastian Bach até o rapper norte-americano Eminem, com a finalidade de investigar fatores importantes na definição de gostos musicais. Segundo Levitin, o fato de as atividades musicais mobilizarem quase todas as partes cerebrais corrobora com as críticas ao pensamento dualista que considera a separação entre mente e corpo na compreensão do ser humano. A música é percebida em sua completude a partir de oito parâmetros perceptivos, conforme exposto por Levitin: (1) intensidade, (2) altura, (3) contorno, (4) duração, (5) andamento, (6) timbre, (7) localização espacial e (8) reverberação. Desse modo, as afetações incidem no ouvinte como um todo.

De acordo com Levitin, o ato de ouvir música se inicia nas estruturas subcorticais (núcleos cocleares, tronco cerebral e cerebelo) antes de avançar para o córtex auditivo. Esse modo de compreender a audição é condizente com a crítica que se faz à separação dualista entre razão e emoção, mente e corpo, dentre outras cisões operadas sob a influência do pensamento cartesiano, uma vez que a constatação indica o fato de a audição estar atrelada a diversas partes do córtex cerebral, sem atribuir, portanto, exclusividade ao córtex auditivo. Quando alguém acompanha uma música conhecida, prossegue o referido autor, aciona outras regiões do cérebro, como o hipocampo que está relacionado à memória, além de recorrer às subseções do lobo frontal. Outras regiões são envolvidas quando um músico compõe uma canção, por exemplo. Nesse caso, exigem-se ativações do córtex com o objetivo de se resgatar dados memorizados, mas espera-se que o compositor efetue planejamentos e cálculos que definirão ritmo, velocidade e intensidade musical.

No dedilhar de um violão, ou na digitação dos teclados de um piano, recorre-se ao córtex motor, situado no lobo parietal, bem como ao córtex sensorial que viabiliza percepção tátil. Para se efetuar a leitura de uma partitura, faz-se necessário mobilizar o córtex visual, situado na região do lobo occipital. Além destas regiões, exigem-se capacidades vinculadas à linguagem, o que sugere afetação da área de. Broca, situada nos lobos temporal e frontal. Em suma, a riqueza da música e da musicalidade reside na complexidade de sua natureza.

POESIA CANTADA

METADE

ADRIANA CALCANHOTTO

COMPOSIÇÃO: ADRIANA CALCANHOTTO

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

OUTROS OLHARES

STATUS DE CUIDADO COM FILHOS E CASA VOLTA AO DEBATE NA PANDEMIA

Decisão argentina de contar cuidado materno para aposentadoria reforça ideia sobre aumentar proteção social

Invisível tanto quanto essencial, o cuidado com filhos, com parentes e com a casa ganhou uma nova dimensão durante a pandemia da Covid-19 e motivou o desligamento de mulheres do mercado de trabalho.

Segundo estudo do Banco Mundial, 56% das mulheres da América Latina  e do Caribe ficaram desempregadas, temporária ou permanentemente, a partir da crise sanitária – um índice 44% superior ao dos homens da região. Ainda que parte delas tenha perdido emprego por atuar nos setores mais atingidos pela crise, como comércio e serviços domésticos, de acordo como estudo, o fator mais relevante para a desproporção do desemprego de mulheres em relação a homens foi a atividade de cuidado.

“Jamais pensei em sair do meu emprego e ficar em casa cuidando das crianças”, admite a matemática Joana Villas Boas Mello, 41, que trabalhou no setor bancário por 13 anos e abandonou o emprego durante a pandemia.

“Esse nunca foi um plano na minha vida, mas nossa rotina na pandemia não se sustentava”,  admite ela, que tem dois filhos pequenos.

Joana passou a desempenhar um tipo de trabalho não remunerado que, mesmo sendo às vezes mais exaustivo que o dia a dia do banco, está longe de receber reconhecimento similar. “O trabalho de casa e dos cuidados com os filhos é muito subvalorizado. Uma coisa é saber disso na teoria. Outra coisa é viver na prática. Foi desse lugar que ela assistiu à decisão da Argentina de contabilizar os anos de cuidado materno para a aposentadoria de mulheres que são mães.

As argentinas poderão acrescentar de um a três anos de tempo de serviço por filho que tenha nascido com vida para atingir o tempo mínimo exigido por lei para garantir o direito à previdência. Segundo o decreto, serão ainda considerados dois anos por filho adotado e será adicionado um ano para cada filho com deficiência. A medida é alvo de debate, mas não se trata de um caso isolado. O Uruguai já havia reconhecido o trabalho materno em 2008 e permite que mulheres contabilizem um ano de tempo de serviço adicional para cada filho, até o limite de cinco anos.

E o Chile, que complementa a aposentadoria de mulheres segundo a quantidade de filhos, tem vivido debates intensos sobre a economia do cuidado durante sua nova Constituinte.

A Assembleia chilena é marcada pela paridade de gênero e as mulheres constituintes reivindicam a criação de políticas públicas para que o trabalho de cuidado não recaia desproporcionalmente sobre elas.

O Brasil é exemplo flagrante da desigualdade na divisão sexual do trabalho de cuidado. Antes da pandemia, as mulheres do país gastavam, em média, o dobro de horas semanais dos homens em trabalho não remunerado de cuidado, segundo dados de 2019 do IBGE. Na pandemia, 50% das mulheres brasileiras passaram a se responsabilizar pelos cuidados com alguém, de acordo com pesquisa da Sempre Viva Organização Feminista.

Segundo definição da OIT(Organização Internacional do Trabalho); o trabalho de cuidado pode ou não ser remunerado e envolve atividades diretas, como alimentar um bebê ou assistir a um doente, e indiretas, como cozinhar ou limpar.

Na pandemia, o Brasil foi um dos países em que as escolas ficaram fechadas por mais tempo no mundo. Como as normas sociais do país colocam a mulher como principal responsável pelo cuidado com os filhos, o impacto desse fechamento na vida das mães foi desproporcional.

De acordo com o Banco Mundial, ter filhos de até cinco anos pesou para a perda de emprego de mulheres muito mais do que para os homens que têm filhos nessa faixa etária. E o peso desse fator para o desemprego de mulheres se intensificou à medida que a pandemia se alongou.

“A novidade na questão da inserção das mulheres no mercado de trabalho não é apenas que elas são numerosas entre os desempregados, mas também que são mais numerosas entre aquelas que abandonaram o mercado de trabalho “, diz Lena Lavinas, professora de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Segundo o IBGE, o país tem hoje 14,8 milhões de desempregados, entre eles quase 2 milhões de trabalhadoras domésticas, além de 6 milhões de pessoas que saíram do mercado de trabalho e não estão mais procurando emprego – situação chamada de desalento.

Estudo do Núcleo Afro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) já havia indicado que três dos cinco setores econômicos com maior redução de postos de trabalho na pandemia (alojamento e alimentação, serviços domésticos e demais serviços) eram dominados por mulheres e por mulheres negras.

O mesmo estudo apontou ainda para o aumento, durante 2020, da proporção de mulheres que deixaram de buscar emprego por causa de atividades de cuidado. Em novembro do ano passado, 21% das mulheres em desalento informaram como causa os cuidados não remunerados com parentes e com a casa. Entre os homens, esse percentual era de apenas 1,3%.

Trata-se de uma situação cercada de estigmas negativos.

“Trabalho desde os 17 anos, nunca fiquei sem emprego, e não me ver como profissional foi muito difícil”, admite Joana, que parou de trabalhar para cuidar dos filhos. “Tive que renovar a carteira de motorista na pandemia e, quando me perguntaram minha profissão, eu travei. Simplesmente não conseguia responder”, conta. Para a professora de sociologia da USP, Nadya Araújo Guimarães, uma construção longeva não reconhece isso como um trabalho, e o vigor dessa construção é tão grande que as próprias pessoas que fazem esse trabalho às vezes não o reconhecem como trabalho.”

Segundo ela, foram os movimentos feministas que apontaram para o cuidado como um “trabalho não pago e desigualmente distribuído, que onera as mulheres”.

“No Brasil, essa desigualdade é impactante porque ela tem uma diferença de sexo e uma diferença de cor”, diz. “As mulheres trabalham mais do que os homens, mas as mulheres negras têm uma quantidade de trabalho não remunerado doméstico ainda maior:”

É o caso de Ana Paula da Silva Vieira, 38, que se desdobrava entre o trabalho como porteira, a manutenção da casa de três cômodos e os cuidados de mãe-solo com o filho de cinco anos até perder o emprego no mês passado.

“Sou o homem e a mulher da casa, e tudo depende só de mim”, desabafa. “Já tinha feito uma dívida antes da pandemia, que agora ficou pior. Às vezes deixo de pagar uma coisa pra poder pagar outra. O primeiro trabalho que aparecer, eu estou pegando. Não posso ficar desempregada”,  preocupa-se.

Para ela, que sempre trabalhou com registro em carteira, sem trabalho não dá para pagar o INSS de maneira autônoma para garantir melhor aposentadoria no futuro. “Previdência não é minha prioridade, neste momento”.

“Numa conjuntura recessiva, com alto desemprego feminino e queda de renda das mulheres, a capacidade de contribuição para a aposentadoria é muito baixa”, diz Lena Lavinas. “Inclusive porque, estando essas mulheres também endividadas junto ao setor financeiro, a prioridade é pagar a dívida para poder renegociá-la”.

É por causa dessa urgência que mães de crianças pequenas muitas vezes têm que o economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper, pondera a iniciativa argentina. “A medida é interessante, mas garante um benefício lá na frente, quando a mulher tiver por volta de 65 anos, e isso pode já ser tarde demais para beneficiar a criança, que pode ter se desenvolvido na pobreza, acumulando problemas socioemocionais e de aprendizado que vão impactar seu futuro”, diz ele, que integra o Núcleo Ciência pela Infância do Insper. Para Menezes, e mais vantajoso para as mães ter auxílio direto e imediato por meio de uma transferência de renda no valor mínimo de RS 400 por criança. “Seria uma espécie de Bolsa Família turbinado”. O economista Paulo Tufne, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, enxerga como polêmico e questionável querer corrigir, a partir da previdência, problemas decorrentes do mundo do trabalho ou da convivência social e familiar.

“É muito mais interessante criar um mecanismo assistencial para famílias em que a mulher definitivamente é privada do trabalho e de renda para cuidar de um parente. E fazer isso focalizado nas famílias mais pobres”, avalia.

No caso brasileiro, o trabalho de cuidado não tem proteção social nem benefício previdenciário.

“Trata-se de uma carga desigualmente distribuída, que pesa sobre o trabalho remunerado, diminuindo as chances da mulher de estar no mercado de trabalho, o que gera efeitos sobre os benefícios futuros”, diz Guimarães, da USP. Ela destaca a pandemia deu visibilidade para o trabalho do cuidado em suas diversas formas, inclusive o não remunerado, feitos nos domicílios.

Segundo a professora, há no Brasil uma defasagem em relação a outros países quanto ao reconhecimento e a mensuração desse fenômeno. “Só em 2016 que a Pnad passou a considerar essas atividades como trabalho. E, enquanto países como Colômbia, Argentina e Uruguai fazem pesquisas de orçamento de tempo [que permite a atribuição de um valor para esse tipo de trabalho], no Brasil isso nunca aconteceu. Medir esse fenômeno é condição para que se desenvolvam políticas públicas para ele”, afirma.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE SETEMBRO

NÃO OFENDA A SEU IRMÃO

O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo (Provérbios 18.19).

Não é uma atitude sensata ferir uma pessoa, pois um homem ofendido em sua honra torna-se uma fortaleza inexpugnável. Suas contendas são mais fortes do que os ferrolhos dum castelo. Quando Tito Vespasiano invadiu e devastou Jerusalém no ano 70 d.C., cerca de três mil judeus fugiram e se refugiaram na fortaleza de Massada, nas proximidades do mar Morto. Depois de verem seu povo ser massacrado e seu templo ser incendiado, esses judeus se tornaram verdadeiros gigantes para se defenderem no alto dessa fortaleza construída por Herodes, o Grande. Quando os romanos tentavam aproximar-se, os judeus jogavam pedras lá de cima. Estavam feridos em seu orgulho e em sua honra e, como se fossem um só homem, lutaram bravamente até o dia em que, sem esperança de salvamento, resolveram que um suicídio coletivo seria melhor do que cair nas mãos dos romanos para serem desonrados e mortos à espada. Não podemos ferir as pessoas. Não podemos agredi-las com palavras e atitudes. Não temos o direito de humilhá-las. Todo ser humano deve ser respeitado. Devemos tratar a todos com dignidade e amor. Pois uma pessoa ferida resiste como uma fortaleza, e suas contendas são tão fortes como os ferrolhos de um palácio.

GESTÃO E CARREIRA

PRESSÃO POR INCLUSÃO FAZ ESCOLAS DE ELITE BUSCAREM ALUNOS E PROFESSORES NEGROS

Diante da demanda dos pais pela pauta antirracista, colégios particulares de São Paulo reformam currículos, formam docentes e incluem novos autores e pesquisadores não brancos. Oferta de bolsas e auxílios ajuda a tornar classes mais plurais

A demanda dos pais por uma educação antirracista pode levar a uma das maiores mudanças na história recente das escolas particulares de elite de São Paulo. Já há reformulação de currículos, não só na forma como se fala dos negros e indígenas na aula de História, mas com novos autores e pesquisadores não brancos. Elas também passaram a dar preferência para contratar professores negros – superando a ideia de que eles são sempre o porteiro ou a faxineira. E ainda abriram bolsas para alunos negros e indígenas, com mensalidade, material, transporte e passeios pagos pela escola e pelas famílias, com doações que chegam a R$4 milhões.

Projetos parecidos surgiram em 2020 e 2021 em colégios como Santa Cruz, Vera Cruz, Oswald de Andrade, Escola da Vila, Gracinha, Equipe, entre outros. O caminho para a mudança não é fácil e causa questionamentos pessoais e institucionais, admitem diretores e professores ouvidos pela reportagem. Eles falam da deficiência na própria formação, buscada também em currículos eurocêntricos e brancos. E ainda existe a dificuldade em lidar com situações de racismo, considerado muitas vezes um tabu, ou com dúvidas das crianças sobre raça e cor.

Para ajudar no chamado letramento racial, as escolas procuraram assessorias que analisam materiais, abordagem dos docentes e falam da importância de se cuidar também da relação entre negros e brancos no ambiente escolar. “Não é pra trazê-los para ‘o mundo encantado do Alto de Pinheiros’, e, sim, criar um novo lugar”, diz a advogada Roberta di Ricco Loria, mãe de três filhos na Escola Vera Cruz e diretora da associação criada pelos pais, o Projeto Travessias. “O racismo é complexo. Se não houver sensibilização de toda a comunidade escolar, não funciona.”

Em 2020, o Vera Cruz recebeu 18 alunos negros ou indígenas no último ano da educação infantil – são três bolsistas por sala. A mensalidade é dividida entre a escola e a associação de pais, que já arrecadou R$ 4 milhões. A intenção é garantir 18 bolsistas anualmente e que todos possam ficar até o fim do ensino médio na escola.

Uma delas é Fernanda, de 6 anos, filha da massagista Norma Oliveira da Luz. Entre os requisitos do processo seletivo, que já está aberto para 2022, estão raça, renda baixa e morar, no máximo, a 12  quilômetros da escola. No ano passado, a direção entrevistou cerca de 50 famílias das 270 que se inscreveram. Norma fala da alegria quando soube que a filha, que estudava numa escola pública, tinha conseguido a vaga. Ela veio do interior da Bahia com o pai e 21 irmãos, já foi babá, empregada doméstica e hoje sustenta Fernanda sozinha. “Eu não pude, mas minha filha vai poder sonhar.”

A pressão das famílias por uma educação antirracista ganhou força no ano passado depois do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos. Em meio à pandemia, surgiram grupos no WhatsApp para discutir a inclusão nas escolas. Alguns pais e mães formaram a Liga lnterescolas por Equidade Racial, que intermediou o acesso dos colégios a especialistas.

A inclusão de negros na educação havia ganhado força no País em 2012, quando foi aprovada a lei de cotas, que estabelece reserva de vagas nas universidades federais para jovens pobres, com recortes por raça. A Universidade de São Paulo (USP) também adotou ações afirmativas recentemente, amparada em estudos sobre o bom desempenho de cotistas. Antes disso, em 2003, uma lei determinou que os currículos das escolas incluíssem a história e a cultura afro-brasileira, mas pouco foi feito na rede privada.

“Não tem mais como a gente não reconhecer o racismo estrutural e não contribuir para eliminá-lo. A escola é uma instituição importante porque participa da educação da sociedade”, diz a diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, Débora Vaz. A escola contratou professores negros, está mexendo no currículo e anuncia amanhã bolsas para negros e indígenas para 2022. Serão 12 vagas para não pagantes e 10 para pagantes, um lugar de honra no concorrido processo seletivo do Santa Cruz.

Mirian Ferreira dos Santos, de 27 anos, foi contratada este ano como professora assistente na escola. Nas séries iniciais do fundamental, onde dá aulas, é a única negra. Certa vez, ela substituiu uma outra professora numa sala onde há uma aluna negra. “Eu vi a diferença no olhar dela, o sorriso, ela me viu como uma profissional que estava em um lugar de reconhecimento e se parecia com ela.”

CURRÍCULO.

Em vez de apresentar o negro pela primeira vez na escola como o escravo, falar de Martin Luther King – esse é um exemplo de educação antirracista. Ou aprender sobre os povos indígenas antes de falar sobre a chegada dos portugueses ao Brasil. E não ter apenas bonecas brancas na educação infantil. “O currículo às vezes é muito engessado e conteudista. Os professores têm dificuldade na literatura, usam só os cânones em seus planos de aula”, diz Suelem Lima Benício, consultora de educação em relações étnico raciais do Colégio Oswald de Andrade. Ela fez formação dos professores e dos funcionários administrativos e analisou o projeto pedagógico. “É um processo que vai durar muito. Se queremos formar jovens transformadores, a escola precisa estar incomodada”, diz a diretora pedagógica do Oswald, Andrea Andreucci. O cientista político Cássio França, pai de duas filhas na escola e membro do grupo antirracista, diz que o colégio “já é outro”. A leitura de férias da filha adolescente incluiu O quarto do despejo, de Carolina Maria de Jesus, o diário da catadora de papel que vivia numa favela. “Com o fim da pandemia o projeto deve acelerar mais.”

Para Sheilla André, contratada como coordenadora pedagógica no Oswald este ano, um colégio que se diz humanista precisa buscar a igualdade. “No meu currículo não dizia que eu era negra, mas percebi que era importante para a escola nas entrevistas.  “O colégio também deve lançar um programa de bolsas em setembro. Sheilla diz que temeu a reação dos pais na escola de elite, mas acabou se sentindo acolhida.

“Nosso desafio é que não seja uma coisa pontual, um evento, para ter um selinho antirracista”, diz a coordenadora da Ação Educativa, Denise Carreira. Ela é autora de um documento sobre relações raciais na escola, feito em 2013 com o Unicef e o Ministério da Educação, mas abandonado pelo governo federal hoje. Denise usa o material com as escolas particulares e diz que a abordagem tem de ser multidimensional. “Precisamos educar crianças e adolescentes brancos para construir uma cultura democrática. A situação dramática atual do País é em parte responsabilidade de uma elite segregada em seu mundo.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENXAQUECA CIRÚRGICA

Com bons resultados, procedimento recebe aval de sociedade americana

Classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das doenças mais incapacitantes do planeta, a enxaqueca aflige 30 milhões de brasileiros. São as mulheres as principais vítimas, pela oscilação natural dos hormônios do corpo feminino. Não é por menos que o problema é um dos principais alvos da indústria dos remédios. Um dos procedimentos mais interessantes, no entanto, com nenhuma ligação com medicações, tem ganhado espaço nos últimos tempos no Brasil e no mundo: a cirurgia.

O procedimento consiste em descomprimir dois tipos de nervos associados à sensibilidade: o trigêmeo (que passa pelas regiões de nariz, maxilar, bochechas, testa e lateral) e o occipital (com ramificação pela nuca e parte de trás da cabeça).Ambos são apontados como uma das causas das intensas dores de cabeça.

São sete tipos de cirurgias já praticadas, uma para cada área em que as dores costumam começar ou se tornar mais fortes. Com preço que pode variar de RS5 mil a R$ 50 mil, a depender da complexidade, elas são feitas nos hospitais, sob anestesia geral ou local, e duram de 20 minutos a cinco horas. A mais comum é a retirada de um pequeno pedaço de músculo ou vaso para descomprimir os nervos da sensibilidade.

A operação é indicada para pacientes com diagnóstico de enxaqueca feito por neurologistas e que não respondam bem ao tratamento convencional ou que sofram muitos efeitos colaterais causados pelos remédios contra a doença. Cerca de 80% a 90% das pessoas submetidas à cirurgia de enxaqueca apresentam pelo menos 50% de melhora na intensidade, duração e frequência das crises, sendo que de 30% a 40% delas afirmam não sentir mais as dores.

Nos Estados Unidos, onde é mais popularizada, é realizada em universidades, como Harvard, e recentemente foi reconhecida pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica. No Brasil, o procedimento é considerado experimental pela Academia Brasileira de Neurologia e pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, e, por isso, neurologistas não podem realizá-lo. O Conselho Federal de Medicina(CFM) não impede a prática, no entanto.

“Este é um procedimento que existe há mais de uma década e que tem evoluído fortemente. Trata-se de uma cirurgia superficial, e, portanto, não chega perto do cérebro. Os efeitos colaterais são relacionados à sensibilidade da região operada, não há risco de sequelas neurológicas”, destaca Paolo Rubez, cirurgião plástico e especialista em cirurgia de enxaqueca pela Case Western University, nos EUA, um dos médicos que mais fazem a operação no Brasil.

A técnica nasceu nos anos 2000, nos Estados Unidos, por acaso. Naquele tempo, o cirurgião plástico Bahman Guyuron percebeu que após procedimentos cirúrgicos estéticos no rosto, alguns pacientes relatavam uma diminuição nas enxaquecas.

Nem toda dor de cabeça pode ser classificada como enxaqueca. Ela é definida como uma dor que pode durar de quatro a 72 horas, com intensidade moderada a grave, e que dificulta a realização de atividades do cotidiano, como trabalhar, ler, comer. A sensação costuma ser do tipo pulsátil, ou seja, como se fosseuma artéria latejando. Normalmente, vem acompanhada de outros sintomas, como irritabilidade com a luz (fotofobia), com sons e cheiros.

OUTROS TRATAMENTOS

São variados os tipos de tratamento da enxaqueca: eles vão desde o uso de analgésicos até os anticorpos monoclonais e a aplicação de toxina botulínica. Eles vão depender se a enxaqueca é aguda – um episódio específico – ou crônica – recorrente.

“Nos casos de enxaqueca crônica, os tratamentos têm como objetivo diminuir a frequência e a intensidade das dores ao longo do mês. Não é uma cura, é colocar o paciente no grupo em que as dores são episódicas”, explica Gabriel Batistella, neurologista e assistente de Neuro-Oncologia Clínica na Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

É nos casos da enxaqueca crônica que entram também os anticorpos monoclonais e a toxina botulínica. Em 2019, a Anvisa aprovou o uso do erenumabe, que pertence ao primeiro grupo. Ele bloqueia os receptores do peptídeo relacionado com os genes de calcitonina (CGRP), responsável por desencadear crises de enxaqueca. Já a toxina botulínica promove o relaxamento muscular da região onde é aplicada, evitando contrações, e inibe sinais dolorosos, aliviando assim as crises. Essas duas técnicas são úteis e evitam episódios frequentes de dor.

Quando a enxaqueca é aguda, , explica o médico, o tratamento visa suspender as dores daquele momento. Os medicamentos mais comuns são dipirona, paracetamol, anti-inflamatório e os triptanos.

“Não costumo recomendar remédios que apresentam uma combinação de muitas substâncias, como dipirona, cafeína e relaxante muscular. Este tipo de medicamento pode induzir à resistência a ele mesmo ou então gerar um vício no paciente. O corpo gosta tanto do remédio que vai gerar uma dor de cabeça só para o paciente voltar a usá-lo”, afirma Batistella.

POESIA CANTADA

BILHETE

IVAN LINS

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS.

Quebrei o teu prato
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala
Já fiz tua mala
Pus no corredor

Eu limpei minha vida
Te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou
Está morto

Jogue a cópia das chaves
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa volta
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus
Boa sorte, adeus

OUTROS OLHARES

EM UM ANO, #METOOBRASIL RECEBEU RELATOS DE 151 VÍTIMAS

Mais da metade só narrou o abuso sexual; 68 foram encaminhadas à Justiça

“Por que você não gritou? Não tentou bater nele? Essa é a primeira vez que vejo uma pessoa ser violentada e não lutar.”

As frases vêm do relato que Júlia (nome fictício) enviou à campanha #MeTooBrasil, narrando o abuso que sofreu aos 14 anos. No depoimento, relembra como o padrasto a assediou, como foi rejeitada pelo pai ao buscar ajuda e maltratada ao denunciar o caso para o delegado da sua cidade.

Lançado há um ano, o movimento #MeTooBrasil, que acolhe vítimas de violência sexual, se inspirou na campanha americana de mesmo nome que expôs abusos em Hollywood e que resultou, em março de 2020, na condenação do produtor Harvey Weinstein a 23 anos de prisão por agressão sexual e estupro.

Neste primeiro ano, a campanha brasileira recebeu 151 relatos relacionados à violência sexual. Desses, 77 usaram a plataforma como forma de relatar suas histórias, como Júlia; as outras 74 vítimas buscaram ajuda efetivamente – 68 desses atendimentos resultaram no encaminhamento para rede de proteção do Estado.

Para a advogada Marina Ganzarolli, idealizadora do projeto, frases como “em briga de marido e mulher não se mete acolher” não encontram mais uma aceitação tácita na sociedade. Campanhas nas redes sociais, contudo, como a que diz que “a culpa não é da vítima”, ainda se limitam a hashtags e o que elas pregam não foi ainda assimilado. A advogada admite que a campanha que concebeu, com um nome em inglês, esbarra em barreiras sociais, econômicas e até digitais. Mas,  diz, sua criação foi a forma que encontrou para romper bolhas. “Para a gente conseguir uma resposta eficaz contra a violência sexual no Brasil, precisamos falar com todo o mundo. Aprendi que seria interessante beber das influências das hashtags e das redes sociais e atingir movimentos hegemônicos para conversar fora desse círculo de garantia de direitos humanos.

Ao entrar em contato com a plataforma, a vítima recebe apoio e orientação do Projeto Justiceiras, que oferece amparo à mulheres vítimas de violência sexual. Depois disso, é dado o encaminhamento do caso no âmbito judicial.

De acordo com o levantamento realizado pela campanha, 54% das mulheres que buscaram pelo #MeToo Brasil são casos não urgentes, ou seja, que não aconteceram na hora e, por isso, não buscam ajuda imediata. A maioria dos relatos da campanha são pedidos de ajuda que partem de mulheres brancas (65%), da região Sudeste do país (53%) e tem entre 21 e 30 anos.

”A maioria nos procura para saber se ainda tem como denunciar as violências sofridas há mais de dez anos. Elas ainda estão revisitando traumas do passado e entendendo as possibilidades de reparação”, diz Ganzarolli. ”Nenhuma vítima consegue denunciar sozinha, não conseguem nem falar para pedir ajuda, quem dirá brigar com um Saul Klein ou um Roger Abdelmassih.

Ela lembra que é comum que vítimas de crimes sexuais demorem anos para buscar ajuda e aponta que um dos maiores problemas da violência sexual no Brasil é a subnotificação do casos.

De acordo com o mais recente anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2010, houve uma queda de 14% no registro de estupros e estupros de vulneráveis. Mas  a leitura não é  necessariamente otimista, diz a advogada.

“As condições em que esses crimes acontecem são dentro do convívio familiar e aumentaram com o isolamento social. Por isso, com certeza, a violência sexual aumentou, o que caiu foram os registros”. São vários os fatores que contribuem para a subnotificação, mas um deles é a incompreensão de como funciona a violência sexual, normalmente perpetrada por pessoas do ciclo afetivo da vítima.

“Não é uma pessoa que ela odeia, que ela quer ver presa, que ela quer destruir, normalmente é o pai, irmão, padrasto, tio, chefe, um colega. É um processo difícil porque a vítima tem uma série de afetos com aquela pessoa para fora da situação de trauma”.

De acordo com os dados das mulheres que recorreram ao #MeTooBrasil, 55% das denúncias são de violências que aconteceram dentro de casa, 54% afirmaram que era a primeira vez que buscavam ajuda, 21% relataram que o agressor possui posse ou acesso a armas de fogo e 14,7% vivem com seus agressores. Os dados seriam divulgados nesta terça (31), em um Webinar.

Ganzarolli afirma que, apesar de a grande maioria das vítimas dos casos de violência sexual ser de mulheres, meninos também são vítimas de violência sexual, tanto na infância quanto na adolescência.

“Não são nem 5% dos casos, mas eles são ainda mais invisibilizados, por sofrerem com a chave da homofobia. Por isso não falam nunca sobre as violências sofridas”.

Como Márcio (nome também fictício), que teve sua história contada à campanha pela avó. O garoto contou que o pai havia introduzido o dedo em seu ânus. A família, então, levou o menino, cuja idade não foi indicada no relato, para fazer exame de corpo de delito. Porém as investigações nada constataram. Agora a avó teme que a guarda da criança vá para o pai.

Medos como o da avó de Márcio são constantes entre as vítimas que sofrem abusos, diz Ganzarolli, que estima que o Brasil 30 anos atrasado na compreensão da violência sexual, se comparado aos EUA e países da Europa.

“Lá fora, se o funcionário de uma empresa é acusado de abusar de alguém, a lógica é afastá-lo ou demiti-lo. Aqui pensam “e se eu punir o cara e não for verdade? Eu vou ser condenado pelo agressor por ter difamado e acabado com a vida dele?” É sempre pela perspectiva do agressor”.

Na visão da advogada, a atual legislação contra crimes sexuais no Brasil é boa e resguarda bem as vítimas. O gargalo estaria na aplicação das leis. “Quantos equipamentos de saúde pública no Brasil estão preparados para aplicar a Lei do Minuto Seguinte (que prevê que hospitais ofereçam às vítimas de violência sexual atendimento emergencial e multidisciplinar)? Estaria exagerando se eu dissesse 40.”

Ela identifica como um avanço recente na área o surgimento da Ouvidoria das Mulheres, em maio de 2020. O canal, criado pelo conselho do Ministério Público a fim de receber denúncias, foi também uma forma de agilizar o encaminhamento dentro da instituição e promover o apoio multidisciplinar às vítimas – em um ano, mais de 870 já procuraram ajuda do órgão.

“Quando falamos de violência doméstica, discute-se um bem protegido, que é a entidade familiar; já quando falamos de violência sexual, é sobre um crime que aborda a sexualidade doentia de homens. Mas as pessoas acham que estamos falando sobre sexo”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 18 DE SETEMBRO

A DECISÃO SÁBIA VEM DE DEUS

Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos, e se decide a causa entre os poderosos (Provérbios 18.18).

Nos tribunais há muitas batalhas jurídicas em andamento entre os poderosos. Os pleitos são defendidos com vigor e fortes arrazoados. Advogados ilustres, com argumentos arrasadores, defendem o pleito de seus clientes com eloquência irreparável. Esses pleitos, porém, se arrastam por longos anos, em virtude da complexidade da causa e da burocracia da justiça. A queda de braço entre os poderosos parece não ter fim. A pugna parece interminável. Os pleitos não chegam a um fim desejável. Sempre que uma sentença é dada, recorre-se a um tribunal imediatamente superior e, assim, a pendenga jurídica cruza anos e anos sem um veredito final. Nos tempos antigos, especialmente no povo de Deus, essas questões eram resolvidas pelo lançar da sorte. O Deus que sonda os corações era consultado quando uma decisão difícil precisava ser tomada. Então, Deus respondia e trazia uma solução clara, justa, que cessava os pleitos. Quando Judas Iscariotes, traindo o seu Senhor, enforcou-se, era necessário um substituto para ocupar o seu lugar. A igreja reunida no cenáculo, em Jerusalém, buscou a Deus em oração, e por meio do lançamento de sortes Matias foi escolhido para ocupar o seu lugar. Hoje, não usamos mais esse expediente, porém o princípio de buscar a Deus e agir segundo a sua vontade ainda deve reger nossas decisões.

GESTÃO E CARREIRA

RECUSA DE VACINA ACENDE DEBATE CORPORATIVO

Segundo especialistas, proteção do coletivo se impõe à do indivíduo e normas das empresas são asseguradas por lei

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 no País, muitas empresas que mantiveram o time em home office até agora estão voltando a operar no presencial. Apesar de a imunização ser comprovadamente a forma mais eficaz de se proteger do vírus, o fato de algumas pessoas recusarem a vacina tem obrigado o mundo corporativo a se posicionar para garantir um ambiente coletivo seguro.

Com a previsão de reabrir seus escritórios em outubro, a Microsoft dos Estados Unidos já anunciou que vai exigir o comprovante de vacinação de todos os funcionários e visitantes para que possam entrar nos prédios da companhia a partir de setembro. Facebook e Google também informaram, no início do mês, que os colaboradores que retomarem ao presencial deverão estar vacinados.

No Brasil, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) manteve recentemente a justa causa aplicada à demissão da funcionária de um hospital que não quis se vacinar. A justificativa foi que, apesar de a vacinação não ser compulsória, a imunização em massa é a única maneira de frear a pandemia. Nesse caso, para proteger a saúde do coletivo, as empresas têm o direito de restringir a frequência ou o exercício de atividades de quem não aceitar entrar na dança – e até de demitir por justa causa, dependendo do motivo da recusa.

“A empresa não pode forçar o empregado a se vacinar, mas, se ele não o fizer, poderá sofrer consequências trabalhistas”, afirma Rodrigo Takano, sócio do departamento trabalhista do Machado Meyer Advogados. “Caso a empresa estabeleça a vacinação como uma condição para a proteção da saúde e segurança dos seus empregados no ambiente do escritório e o empregado se recuse a se vacinar, ele estará violando uma norma interna e inviabilizando o seu trabalho no ambiente coletivo. Nesse contexto, o empregador tem legitimidade para dispensar o empregado por justa causa”, ele esclarece.

Sob a ótica do trabalhador, o especialista ressalta que ele não poderá ser punido por não se imunizar se houver prescrição médica com contraindicação, mas o acesso presencial à empresa pode ser limitado. “Em comparação com outros programas nacionais de vacinação, como o da H1N1 (Influenza), a obrigatoriedade de vacinação é a mesma, porém, no contexto de pandemia e calamidade pública, há um rigor maior de toda a sociedade no que concerne a exigir e fiscalizar a vacinação individual em razão da tutela da coletividade”, reitera.

PROTEÇÃO DIRETA E INDIRETA

Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações e médica do corpo clínico da Cedipi, a pediatra Silvia Bardella Marano explica que, apesar de nenhuma das atuais vacinas contra a covid-19 eliminar o estado de portador do vírus, a pessoa que se imuniza não adoece com a mesma frequência que a que está desprotegida – e, se contrair o vírus, as chances de transmissão são inferiores. “Além dos anticorpos, quem se vacina desenvolve vários graus de resposta contra aquele agente e as chances de o vírus se multiplicar são muito menores”, afirma.

A médica sublinha a importância da questão traçando um paralelo com outros vírus conhecidos. “Urna pessoa com sarampo contamina 18 pessoas, uma com varicela transmite a doença para quase 100 % dos contatos não imunes e uma pessoa com Covid-19 contamina de 3 a 6 pessoas, dependendo da cepa. Então, ela representa um risco para a população, especialmente para quem não está vacinado por limitações da idade, gestação ou imunossupressão.”

De acordo com Silvia, quem ainda não pode tomar a vacina por algum motivo acaba indiretamente protegido pela imunidade de rebanho.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em Goiânia, a Consciente Construtora promoveu campanhas de conscientização sobre a importância da imunização para seus colaboradores. Como resultado, a grande maioria dos funcionários já recebeu a primeira dose e deve estar completamente imunizada até setembro. Dos 190 operários, apenas 4 optaram por não tomar a vacina.

A empresa afirma que orienta, incentiva e procura sempre conscientizar os colaboradores sobre a importância da vacina, inclusive facilitando para que os profissionais possam sair durante o expediente de trabalho para se vacinar. Apesar da campanha permanente, no entanto, eles entendem se tratar de um ato voluntário. Não há nenhum tipo de descontinuidade de contrato ou penalidade com aqueles que, por questões pessoais, decidam não se vacinar.

No caso da healthtech Dandelin, como a equipe é jovem, por enquanto somente os dois sócios-fundadores já estão 100% imunizados e voltaram a frequentar o escritório em formato híbrido. “Com o avanço da vacinação, optamos por deixar opcional o retorno ao escritório, mas somente para aqueles que tiverem tomado as duas doses da vacina e aguardado os 14 dias para que a imunização esteja completa”, explica o CEO Felipe Burattini.

Ele fala que nenhum dos colaboradores tem um posicionamento negacionista quanto à necessidade da vacinação, tanto para a prevenção pessoal quanto coletiva, mas que a empresa é rigorosa com a questão. “Caso algum colaborador se recusasse a ser vacinado, teríamos a certeza de que os valores dele não estariam em conformidade com os da Dandelin”, complementa Mára Rêdiggollo, COO da empresa.

A foodtech Pratí, que até hoje manteve na fábrica somente os profissionais que exercem atividades que não podem ser realizadas a distância, também optou por uma volta gradativa para o escritório daqueles que tenham tomado as duas doses da vacina ou a dose única, no caso da Janssen. Se houver recusa, porém, a empresa vai dialogar. “Os colaboradores que estão em home office e não quiserem se vacinar, manteremos no formato remoto até se vacinarem”, afirma o CEO Fabio Canina. “Para os que atuam de forma presencial, buscaremos entender o motivo da recusa e continuaremos reforçando a importância da imunização, pensando sempre no bem-estar de todos”, ele pondera.

EU ACHO …

A XEPA DO INSTAGRAM

De batom a biscoito, a publicidade na internet virou uma praga

Eu concordo com a publicidade. Base da nossa sociedade de consumo. Digo isso para não ficar semelhante a um esquerdista dos velhos tempos para quem anunciar já era, em si, um pecado. Hoje vivemos sob a era dos influencers. E me pergunto: não há responsabilidade sobre o que eles dizem? Abro meu celular, passo por uma figura pública comendo biscoitos, dizendo que são deliciosos. É uma ação paga, claro. Mas ela comeu os biscoitos, ou só está dizendo pela graninha? Na publicidade tradicional, há um projeto que envolve inúmeras pessoas, e se exige responsabilidade. Quando alguém fura, há inclusive processos. Toda a estrutura pressiona para proteger o consumidor. Mas e os influencers?

Dizem o que querem. Não digo que sejam coisas ruins. A maioria fala de biscoitos, cosméticos, dá a dica de comidinhas… A minha pergunta é: a influencer usou aquele produto? Desfrutou a comidinha? Eu tenho um contato relativo com o mundo de influencers. Sei que ganham por ações pagas, e muitos faturam alto. Cada batom apresentado, cada unha pintada. Mas eles usam os produtos? Experimentam pelo menos? Ou só na hora de gravar?

Quando eu era pequeno, aprendi que devo ter responsabilidade sobre o que falo. Na publicidade tradicional também já vimos gente que “não bebe” fazendo propaganda de cerveja – inclusive a Sandy. Não colou. Mas no dia a dia da internet está desenfreado. Às vezes – acho pior – disfarçado. A personalidade faz uma foto descontraída e lá no canto tem o produto. Como que por acaso. Eu mesmo, confesso, já fiz post com chocolates. Sinto a consciência em paz porque sou guloso e adorava a marca. Mas exagerei dando mordidas de hipopótamo em um ovo de Páscoa. Eu comeria aquele chocolate de novo? Todos os anos. Comeria outro? Daquele jeito? Exagerei. Ou seja, a palavra tem valor. Só que esse valor passou a ser medido em preços. As pessoas ficam ricas ou pelo menos vivem bem falando de coisas que não experimentam, não conhecem. E se um produto fizer mal?

O contato dos influencers com o produto é rápido, só na hora da gravação, na maior parte das vezes. Não têm a menor ideia do que estão dizendo. Criam um mundo falso, de um cotidiano recheado de produtos que não conhecem. As pessoas que os seguem pagam a conta.

Eu não sei dizer. Mas a gente não deveria pensar em cobrar responsabilidade social dos influencers? Tipo: que no mínimo conhecessem o produto que alardeiam? Não digo que se tenha de usar o produto todo dia, mas, antes de falar bem, não teriam de conviver com ele?

São questões novas que estão surgindo com a força do Instagram. Eu me lembro que, no passado, tudo que um jovem ator queria fazer era uma peça de teatro. Muitos não pensam mais nisso. Querem bons posts bem pagos, e com isso viver. São objetivos de vida, não tenho nada a dizer. Mas essa nova publicidade motiva um estilo de vida, de consumo rápido e crenças em testemunhos positivos.

Testemunhos nos quais as pessoas nem sabem do que estão falando.

*** WALCYR CARRASCO

EU ACHO …

AGIR É VITAL

Eventos on-line facilitam a vida. Perde-se o contato presencial, mas ganha-se em tempo. Num mesmo final de tarde, sem levantar do sofá, assisti a uma palestra do biólogo americano Jared Diamond promovida pelo Fronteiras do Pensamento, e em seguida uma live com a gerontologista Candice Pomi, no Instagram da jornalista Patrícia Parenza. Falaram sobre dois assuntos que convergiram: o fim. Jared, sob o aspecto universal; Candice, pessoal.

Candice abordou a troca de papéis (filhos cuidando dos pais idosos) e a importância de nos prepararmos (cedo) para nosso próprio envelhecimento, não com o intuito de viver mais, mas de viver melhor, com autonomia. Nossa população tem hoje mais adultos acima dos 60 anos do que crianças de O a 5. No entanto, a quantidade de pediatra continua bem maior do que a de geriatras. Costumamos deixar para pensar na velhice só quando ela se aproxima, o que é, no mínimo, um desperdício. Entre os 60 e os 100 anos, há oportunidades magnífica de vida, mas antes temos que perder o medo de conversar sobre declínios, adaptações, finitude.

Aos 84 anos, o biólogo Jared Diamond mantém a mente ativa e os olhos no futuro. Ele lembra que doenças emergentes sempre existiram, mas hoje elas circulam a jato pelos cinco continentes, caso da Covid. O único proveito dessa pandemia é reconhecer que, pela primeira vez, o mundo precisa de uma solução global – nenhum país vencerá o vírus sozinho. E temos um desafio ainda maior: nosso senso de coletividade precisa ser direcionado para três dramas planetários que matam mais que a Covid. São eles: as mudança climáticas, o esgotamento dos recursos naturais e a desigualdade social.

A Covid assusta porque mata rapidamente e de forma direta, mas ela não extinguirá o planeta. Já as outras três catástrofes, sim, serão fatais se não houver uma mobilização integrada. Alterações do clima provocam tsunamis, incêndios, estiagem, elevação do níveldo mar e destruição de recifes. A exploração indiscriminada da natureza elimina florestas, acaba com os solos, provoca escassez de energia. E a desigualdade social gera fome, disseminação de doenças, violência. Mas continuamos preocupados apenas com o amanhã imediato, e não com o fim do planeta que se desenha para depois de amanhã.

Tanto no cotidiano privado como no exercício da cidadania, o recado está dado: planeje-se, em vezde entregar-se aos humores do destino. Se parece paranoia, paciência, é uma paranoia útil. Que façamos bom uso do relativo controle que ainda temos sobre o período que iremos viver. Frase de Jared Diamond: ”Negar uma crise é o caminho mais curto para o desastre”. Seja uma crise existencial, política, sanitária, ambiental, não importa: uma vezinformados, é preciso, agora, levantar do sofá.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÂMERA LIGADA, A CULPADA PELO CANSAÇO NAS WEB CHAMADAS

Pesquisa mostra que lidar com a própria imagem em reuniões on-line pode causar pressão excessiva sobre funcionários

Aquele cansaço típico relatado por muitas pessoas após uma reunião virtual, realizada em frente a uma tela de computador ou celular, pode ter um responsável: a webcam aberta. Isso é o que afirma estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que analisou o impacto de uma câmera ligada na fadiga dos usuários.

O estudo, publicado no Journal of Applied Psychology, analisou 103 participantes em 1.400 instantes de suas chamadas e concluiu que o ato de deixar o dispositivo ligado pode estar diretamente relacionado com a sensação de cansaço após o encontro virtual. Isso porque as pessoas tendem a se sentir mais pressionadas com a exposição e com a necessidade de parecerem profissionais engajados diante de uma câmera.

“Há muita tensão em relação à autoimagem associada às câmeras. Ter uma formação profissional e parecer pronta, ou manter as crianças fora da sala estão entre algumas das pressões”, explica a professora Allison Gabriel, autora do estudo.

O trabalho também mostrou que, ao contrário do pensamento convencional, pessoas com câmeras ligadas tendem a apresentar menor produtividade nas reuniões do que aqueles que as mantêm desligadas, uma vez que há um cansaço maior para se manter “apresentável” e disponível. Além disso, mulheres e funcionários mais novos seriam mais vulneráveis a essa fadiga, provavelmente devido às pressões adicionais de apresentação pessoal.

“As mulheres muitas vezes sentem uma pressão para serem perfeitas sem esforço ou têm maior probabilidade de interrupções no cuidado dos filhos”, afirma a pesquisadora. “Já os funcionários mais novos imaginam que devem participar mais para mostrar produtividade”.

O esforço para se expor é algo familiar para a publicitária Flávia Moura, que tem trabalhado de forma remota desde abril de 2020 devido ao distanciamento imposto pela Covid-19. Mãe de uma criança de cinco anos, Flávia sente que, além de ter ficado mais “neurótica”- nas palavras dela -por causa da pandemia em si, também se sente mais preocupada com a aparência e menos confiante no próprio trabalho.

A publicitária relata que tem que se desdobrar para comparecer às reuniões on­line da empresa em que trabalha, além de cuidar da filha, da casa e dos gatos de estimação. É comum ter que desligar a câmera quando a filha lhe pede atenção, o que a faz sentir-se culpada.

“É uma culpa que eu sei que é injustificada. Ninguém é obrigado a ficar com a câmera aberta, mas eu costumo deixar por achar que, assim, vão me levar mais a sério como profissional. No fundo, eu sei que é besteira, mas fiquei mais preocupada com essa visão que os outros têm de mim durante a pandemia”, conta Flávia.

A preocupação sentida pela publicitária se tornou mais comum de um ano para cá, quando grande parte das pessoas se viu em uma situação semelhante e com a qual não estava acostumada. O psicólogo e pesquisador na área de prevenção em saúde mental Renato Caminha afirma que essa sensação pode ser explicada no seu campo de trabalho por meio de um fenômeno chamado de “exaustão do eu”.

“Quando a gente tem longos períodos de atenção fixa, direcionada, isso promove um fenômeno chamado de “exaustão do eu”. Fazendo uma analogia, é como se você fosse à academia e desgastasse excessivamente o físico. É o excesso do foco de atenção que justamente pode tornar você mais desatento, disperso”, afirma o psicólogo.

Para recuperar o vigor dos processos cognitivos, as pessoas necessitam de descanso, mas, como aponta o psicólogo, isso muitas vezes não é possível, sobretudo quando já se está no ambiente de repouso, em casa. Esse cansaço pode levar à irritabilidade, menos disponibilidade para o outro e, inclusive, mais déficit de atenção.

A pesquisadora Allison Gabriel, inclusive, recomenda no estudo que as empresas não obriguem o uso da câmera em reuniões. A ideia é não forçar um situação em que o funcionário se sinta pressionado e, posteriormente, prejudicado.

“No final das contas, queremos que os funcionários se sintam autônomos e apoiados no trabalho para estarem em sua melhor forma. Ter autonomia sobre o uso da câmera é mais um passo nessa direção”, defende a psicóloga.

POESIA CANTADA

NADA POR MIM

MARINA LIMA

COMPOSIÇÃO: HERBERT VIANNA / PAULA TOLLER

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vá e eu não fui

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só prá agradar (Te agradar)

Me diz até o que vestir
Por onde andar, por onde ir
E não me pede prá voltar

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

OUTROS OLHARES

REVOLUÇÃO VIRTUAL

Facebook propõe novo modelo de interação em que as pessoas e os acontecimentos reais são projetados no mundo online em três dimensões

Se há vinte anos alguém dissesse que as pessoas não iriam mais para os seus escritórios, mas que trabalhariam de casa através de videoconferências, ninguém acreditaria como algo provável ou até mesmo prático. Hoje isso já está superado e a previsão é que viveremos plenamente em ambientes virtuais em 3D, na forma de avatares, cumprindo todo tipo de função profissional e reproduzindo nossa própria vida na rede com personagens animados. O Facebook, empresa comandada por Mark Zuckerberg, está encabeçando essa revolução para estabelecer a nova realidade tridimensional. A empresa lançou novos óculos “VR” (virtual reality) e ditou que o futuro será a imersão no online. Você deixará de ter uma foto de perfil e terá seu corpo inteiro transportado para um lugar cibernético chamado “metaverso”. “Faremos com que as pessoas que nos veem como uma empresa de mídia social nos vejam como uma empresa metaversa”, disse Zuckerberg.

Se a palavra parece saída da ficção científica é porque isso é verdade: o termo “metaverso” surgiu pela primeira vez no livro “Snow Crash”, escrito por Neal Stephenson, em 1992. O enredo trazia dois entregadores de pizza que mergulham no espaço virtual para fugir de uma vida disfuncional. Hoje se fala simplesmente numa combinação da vida comum das pessoas com recursos de realidade aumentada, como uma espécie de projeção de si mesmo na rede. “As pessoas conversam em telas onde só o rosto é visto”, explica o cofundador da empresa de realidade virtual VR Monkey, Pedro Kayatt. “Mas uma reunião de trabalho onde é possível ver o gestual dos envolvidos, será muito mais produtiva”. Ele diz que os ganhos na educação serão relevantes, já que os estudantes poderiam interagir como em um videogame com colegas e professores. Apesar da ideia não ser nova, só agora a humanidade ­— e os desenvolvedores — conseguiram reunir tecnologia avançada e internet de boa qualidade para fazer com que um mundo paralelo seja possível. Jogos como “Second Life”, que surgiu em 2003, eram pesados e com gráficos ruins. Por lá se criava uma segunda vida e se estabeleciam relações sociais virtuais. A ideia agora é usar essas ferramentas em nosso cotidiano e permitir que o metaverso seja acessado por todos.

Se os óculos de realidade virtual ainda causam estranheza, atualmente os modelos são modernos, leves e acompanhados por dois controles. O futuro, é ainda mais promissor. A Apple deve lançar seus dispositivos de realidade aumentada em breve e o design deve ser cada vez mais funcional e prático. O metaverso é centrado em uma economia em pleno funcionamento: ou seja, você poderá entrar em lojas, ocupar diversos “espaços” com facilidade e ainda manter os avatares e mercadorias que compra. Os videogames ensaiam esse universo, mas ainda em uma tela. Jogos como Roblox, Fortnite e Animal Crossing — criam comunidades, colocam roupas de grife para serem compradas e usadas pelos avatares e até levam a shows de artistas reais, recriados conforme o gráfico dos jogos. Entretenimento, mercado de trabalho e viagens são apenas o começo. Essa fronteira tecnológica pode tomar proporções grandiosas — imagine um mundo sem limitação de tamanho e criatividade no qual você poderá percorrer normalmente. A possibilidade de mercado — de geração de riqueza, principalmente para as empresas — será imensa.
Mark Zuckerberg quer as pessoas literalmente dentro do Facebook — e com isso dividir seus gestos, sotaques, maneiras de se vestir com a empresa. Um passo além da concessão de privacidade. Se atualmente a rede social já sabe muito sobre você, passará a saber ainda mais. Quem irá controlar o metaverso? O que sua existência faria ao nosso senso comum de realidade? A humanidade ainda está abraçando a versão bidimensional das plataformas sociais e disputar a versão 3D pode ser exponencialmente mais difícil. “Estamos mediando as nossas vidas e nossa comunicação através de pequenos retângulos brilhantes. Acho que não é realmente como as pessoas são feitas para interagir”, disse Zuckerberg em entrevista à imprensa americana. Com o aquecimento global e futuras pandemias, viver sem tecnologia será impossível — mas será que estamos indo na direção correta?

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 17 DE SETEMBRO

CUIDADO COM SUAS MOTIVAÇÕES

O que começa o pleito parece justo, até que vem o outro e o examina (Provérbios 18.17).

As coisas não são o que aparentam ser; elas são o que são em sua essência. Não somos o que somos no palco, mas o que somos na intimidade. Muitas vezes as pessoas não admiram quem somos, mas quem aparentamos ser. Não gostam de nós, mas da máscara que usamos. Respeitam não nosso caráter, mas nosso desempenho. Amam nossas palavras, mas não nossos sentimentos. Salomão está dizendo aqui que as pessoas podem julgar-nos justos quando iniciamos um pleito. Nossas palavras são eloquentes, nossa defesa é irretocável, nossos direitos são soberanos. Porém, quando alguém se aproxima, levanta a ponta do véu e revela o que escondemos sob as camadas de nossas motivações mais secretas, descobre que há um descompasso entre nosso pleito e nossos interesses pessoais. Há um abismo entre o que falamos e o que somos. Há um hiato entre o que professamos e o que praticamos. Há inconsistência em nossas palavras e deformação em nosso caráter. Uma cunha separa nossas intenções mais secretas do nosso pleito. Não basta parecer justo em público; é preciso ser justo em secreto. Não basta parecer justo no tribunal dos homens; é preciso ser justo no tribunal de Deus. Não basta parecer justo aos olhos dos homens; é preciso ser justo aos olhos de Deus.

GESTÃO E CARREIRA

ROBÔS ASSUMEM TAREFAS DE RISCO EM FÁBRICAS E NO CAMPO

‘Cachorro-robô’ para a mineração emáquinas autônomas para o agronegócio refletem o desenvolvimento de tecnologias no País

Empresas brasileiras aceleraram os investimentos em robôs móveis para realizar trabalhos considerados mais perigosos no lugar de empregados. Desde p cachorro-robô de quatro pernas até veículos movidos por rodas e esteiras, a tecnologia está assumindo o risco em serviços expostos a altas temperaturas, grandes alturas e a produtos químicos em diferentes setores.

A mineradora Vale, por exemplo, vai comprar um “cão-robô”, chamado anymal, por aproximadamente T$ 1 milhão. O robô quadrúpede criado pela suíça Anybodes, com seu rostinho inofensivo, foi adaptado para operações de fiscalização na área de mineração.

O cão-robô realizou neste ano uma prova de conceito na usina de Cauê, em Itabira (MG). Planejou rotas. Subiu e desceu escadas, exibiu mapa da área sob inspeção. Focou ainda em objetos e instrumentos, transmitindo imagens, inclusive com medições de temperatura. No fim do teste, executivos da Vale estavam convencidos de que precisam ter um daqueles.

“Com o robô, eliminamos os riscos pertinentes às atividades de inspeções”, disse Rayner Teixeira, analista operacional responsável pelo desenvolvimento do Anymal na Vale.  “O robô também nos dá acesso a espaços confinados, como o interior de um moinho.”

Além da compra do Anymal, a Vale desenvolve os próprios robôs, que consumiram investimentos de R$ 1,5 milhões nos últimos anos. Um deles é o EspeleoRobô, projetado inicialmente para mapear cavernas próximas às minas utilizando rodas e esteiras. A tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto Tecnológico Vale  (ITV) , em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo a Vale, quatro unidades do EspeleoRobô estarão em operação até o fim do ano, em áreas de cobre no Pará e de minério de ferro em Vitória (ES) e Itabira (MG). Serão colocados para realizar inspeções de moinhos de usina, dutos e outros ambientes confinados. “Esses robôs foram criados dentro da Vale pelos próprios empregados e são uma tecnologia em constante evolução”, diz Gustavo Pessim, do ITV.

Em relatório divulgados no início deste mês , a Federação Internacional de Robótica (IFR na sigla em inglês) avaliou que o mercado de robôs móveis autônomos deverá crescer 31% ao ano até 2023 no mundo. A IFR explica que o acelerado avanço de hardwares e softwares está provocando um “boom” em vários segmentos do setor.

PETRÓLEO

Um dos segmentos que devem puxar o crescimento do uso de robôs na indústria é o de petróleo. Imagine trabalhar pendurado a 30 metros de altura em alto-mar para pintar o casco de uma plataforma de 300 metros de comprimento? Para eliminar esse risco, a Petreobrás desenvolveu o “robô´pintor”. Formado por cordas erodas, além de um compressor de ar, é capaz de pintar 300 m2 de superfície em uma hora, dez vezes mais do que um humano.

O uso de robôs não é novidade na Petrobrás. Na Estatal, a fronteira está na combinação de automação com inteligência artificial. A companhia tem 15 projetos em carteira para desenvolvimento de robôe e drones com instituições de ciência e tecnologia, além de startups.

Julianos Dantas, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Perobrás, explica que os investimentos em robótica da companhia somam R$ 100 milhões, entre valores realkizados e previstos para os próximos anos. Além do “robô pintor”, a Petrobrás desenvolve uma espécie de “robô minhoca” – que desobstrui dutos de petróleo – e o CRAS, um robô escalador capaz de se locomover em superfícies quentes.

As máquinas autônomas também chegaram ao campo. A fabricante de máquinas agrícolas Jacto desenvolveu um robô autônomo pulverizador de pomares, o Arbus 400JAV. O veículo sobre rodas tem a parte dianteira semelhante a um rosto e espécie de braços de pulverização, no melhor estilo de série de filkmes Transformers.

Fernando Gonçalves Neto, diretor-presidente fa Jactom explica que o operador acompanha o robô a distância, por meio de câmeras. “Quando oveículo é autônomo, caso haja  névoa química ou excesso de ruido,o operador não estará embarcado. É um benefício de segurança”, diz Gonçalves Neto.

EU ACHO …

O BUQUÊ DO NOIVO

Pense em cenas típicas de festas de casamento nos moldes mais tradicionais das culturas ocidentais. Quais imagens lhe vêm à mente? Uma das cenas mais recorrentes é a da noiva segurando um buquê de flores. Num determinado momento do evento, ela deve lançá-lo.

Neste instante, outras mulheres solteiras se colocam atrás da noiva e disputam entre si a possibilidade de alcançar as flores.

De acordo com a crença popular, quem pegar o buquê será a próxima a se casar. É uma brincadeira que marcou vários casamentos? Sim. Porém, é mais do que isso. Já fui em uma cerimônia na qual duas amigas se estapearam para pegar o buquê. Rolou um mal-estar e elas ficaram anos sem se falar.

Por ora, não vou problematizar a pressão ainda imposta pela sociedade, sobretudo às mulheres, em torno da necessidade de se casar. Mas quero focar em outro ponto: a quantos casamentos você já foi em que o noivo jogava o buquê? Você já viu uma situação na qual homens disputaram as tais míticas flores?

Por que seria este, obrigatoriamente, um momento da festa dedicado somente às mulheres? Por que não temos um momento institucionalizado como a hora do buquê do noivo para homens que queiram participar?

Sabemos bem que o nosso machismo estrutural mora nos detalhes. E, ao abrir este momento para os homens, podemos provocar reflexões. E até, quem sabe, quebrar algumas das bases dessa estrutura e seus paradigmas, como a de que o casamento é um sonho só das mulheres, não sendo este um desejo compartilhado pelos homens; e de que só elas consideram o matrimônio a maior realização de suas vidas. Há ainda a própria noção que reforça um imaginário de que apenas as mulheres disputam esse tipo de “conquista” entre si. Para eles, o casamento não seria urna vilória. Pelo contrário.

Parei para pensar sobre esta tradição e me dei conta de que nunca havia presenciado tal cena até rever o vídeo da cerimônia da minha cunhada em que convocamos, ou melhor, obrigamos, os homens a pegarem o buquê. Tudo começou com o meu marido, que incentivou os rapazes a participarem. Alguns vieram puxados, ainda reticentes, dizendo que aquilo era coisa de mulher.

Pouco apouco, o time de homens foi ficando maior do que o das mulheres. E demos ao noivo a tarefa de jogar o buquê. Desajeitado com as flores e com a situação, ele ficou com as mãos trêmulas. A cena inusitada ganhou até espectadores virtuais. Três, dois, um e foi.

Um homem não muito alto saiu do fundo do grupo e pulou bem para arrematar o buquê. Uma cena digna de um jogo de futebol americano. Ele saltou o mais alto que conseguiu, pegou o buquê e rolou no chão com as flores. Sujo de grama, levantou-se orgulhoso. Tá passada? Ainda deu um grito de vitória. O episódio provocou risos da audiência, mas também foi bastante inspirador.

Sorte a dele ter sido o primeiro homem para muitas pessoas, inclusive para mim, que disputou e ganhou um buquê jogado pelo noivo. Brincadeira à parte, como ele mesmo disse, depois de recusar o título de “fofo”, não fez mais do que o óbvio em participar de um momento que já poderia existir na cerimônias de casamentos e na vida: a divisão saudável dos papéis de cada um.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MAIS SONO, MAIS VIDA

Pesquisa mostra o impacto de noites mal dormidas na longevidade

Desde a década de 1980, quando as pesquisas sobre o impacto do sono na saúde do organismo foram aprofundadas, poucas vezes uma descoberta sobre o assunto chamou tanto a atenção. Um trabalho conduzidos por cientistas da Universidade da California, nos Estados Unidos, revelou que, seis meses após o nascimento de seus bebês, as mães sofrem um envelhecimento biológico de três a sete anos, além da idade cronológica. A Causa? A falta de descanso crônico provocado pelas noites mal dormidas, tão comuns depois da chegada de um bebê. O trabalho foi publicado na revista científica Sleep Health.

Os pesquisadores avaliaram um grupo de mulheres durante a gravidez e ao longo do primeiro ano de vida de seus filhos. Durante esse período várias amostras de sangue foram colhidas para observar o DNA das voluntárias. Eles descobriram que as mães que dormiram menos de sete horas por noite de forma frequente eram mais velhas biologicamente em relação às que dormiam sete horas ou mais.

RISCO À SAÚDE

As mães que dormiam menos de sete horas tinham uma alteração: os telômeros, pequenos pedaços de DNA nas extremidades dos cromossomos que agem como capasprotetoras do material genético, eram mais curtos. Telômeros encurtados têm sido associados ainda por cima a um risco maior de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças e morte precoce.

“A principal função dele é proteger o material genético transportado pelos cromossomos. No entanto, conforme as células se multiplicam para promover a regeneração dos tecidos do organismo, o comprimento dos telômeros é reduzido. Com o passar do tempo, eles ficam tão curtos que não são mais capazes de proteger o material genético , o que faz com que as células parem de se reproduzir e atinjam um estado de envelhecimento que é sentido em todo o organismo. Há influência genética para o encurtamento mais rápido dos telômeros, mas isso também ocorre em situações de grande estresse e agora, como se sabe, de privação de sono”, explica o geneticista Marcelo Sady, responsável técnico do Laboratório Multigene, de Botucatu, em São Paulo.

Participaram do estudo mulheres com idades entre 23 e 45 anos. Enquanto o sono noturno das participantes variou de cinco a nove horas, mais da metade teve menos de sete horas, tanto aos seis meses, quanto no período deum ano após o  parto, relatam os pesquisadores. Eles observaram que cada hora de sono adicional refletia em uma menor idade biológica da mãe, ou seja, seu corpo sofria menos com o fator do envelhecimento do que as outras.

“Quando nós dormimos à noite, continuamos com uma grande descarga de adrenalina e outros hormônios que nos fazem ficar acordados, quando o organismo deveria estar no repouso. É como se mantivéssemos os vasos sanguíneos e o coração no modo trabalho. Só que isso gera um estresse fisiológico muito grande para o organismo. E acelera o envelhecimento. Fazendo uma comparação, é como se você deixasse uma máquina o tempo todo ligada e, quanto mais tempo ligada, menor a vida útil”, explica a neurologista Christianne Martins Bahia, responsável pelo setor de Distúrbios do Sono do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade estadual do Rio de Janeiro.

Um sono de qualidade é um dos pilares de uma boa saúde física e mental. Enquanto dormimos, o corpo faz uma verdadeira faxina em neurotoxinas que prejudicam o funcionamento e estão associadas ao surgimento do Alzheimer.

Os pesquisadores incentivaram as mães para dormir um pouco mais, como cochilar durante o dia quando o bebê está dormindo, aceitar ajuda de sua rede de apoio, como família e amigos, e, sempre que possível, dividir com o pai da criança a responsabilidade de cuidar do bebê, tanto durante o dia quanto à noite.

Uma mães que está extremamente privada do sono ainda produz menos leite porque está estressada, tem menos energia e disposição para cuidar da criança. Dormir pouco pode ser fator de risco para outras doenças, como a depressão e ansiedade. Precisamos olhar para essa mãe do pós-parto e conscientizar a família sobre a importância da rede de apoio, para ela ter esse momento do descanso garantido”, destaca Bahia.

SETE ANOS ATÉ DORMIR

Um outro estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, mostrou que as mães só conseguem recuperar a quantidade e a qualidade do sono que tinham antes de engravidar, seis anos após o nascimento do filho. Nos primeiros 3 meses depois do nascimento, as mães dormiram em média 1 hora a menos do que antes da gravidez e, enquanto a duração do sono do pai diminuiu em apenas 15 minutos. O impacto era maior nos pais de primeira viagem.

Dormir pouco todos os dias influencia inclusive na questão alimentar. A privação do sono reduz os níveis de leptina (hormônio da saciedade) e aumenta os níveis de grelina (hormônio da fome). Esse cenário estimula o risco de sobrepeso ou obesidade, já que a pessoa terá mais fome e mais tempo de comer. E aqui outro problema: a obesidade é um dos principais fatores para o desenvolvimento da apneia do sono, um distúrbio em que a respiração para e volta diversas vezes, diminui muito a qualidade do descanso.

“Quando há uma grave perturbação da ordem temporal, bioquímica , fisiológica e dos ritmos comportamentais, isso mexe também com a expressão de alguns genes que regulam o metabolismo e os hormônios. Muitos pacientes que enfrentam mudanças  nesse ciclo não conseguem seguir um plano alimentar, têm maior carga de estresse e impulsos alimentares”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Apesar de não ser possível recuperar o sono perdido, é possível mitigar os efeitos estabelecendo uma rotina de descanso. O nosso corpo é capaz de se reprogramar e amenizar os danos já causados.

As oito horas diárias de sono são a recomendação básica. No entanto, cada faixa etária tem seu tempo recomendado de descanso (veja no quadro abaixo).

POESIA CANTADA

CANÇÃO DA AMÉRICA

MILTON NASCIMENTO

COMPOSIÇÃO: FERNANDO BRANT / MILTON NASCIMENTO

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam: Não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

OUTROS OLHARES

HOMENS PRETOS E PARDOS SE TORNAM PAIS ANTES E TEM MAIS FILHOS, DIZ IBGE

Estudo indica que população com baixo nível de estudo e de menor renda também vira pai antes

Um novo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que homens pretos ou pardos costumam ter mais filhos e viram pais mais cedo, na comparação com o restante da população.

A mesma lógica também vale para quem tem pouco estudo ou está nas menores fatias de renda, indica a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada nesta quinta-feira (16).

0 estudo inclui novos recortes de dados frente a edição anterior; de 2013. O levantamento, contudo, ainda não capta os reflexos da pandemia de coronavírus na área de saúde, já que a Covid-19 chegou ao país em 2020.

Uma das novidades da pesquisa e justamente o retrato sobre os homens de 15 anos ou mais que já tiveram pelo menos um filho.

Conforme o estudo, pais pretos ou pardos tinham, em média, 25 anos quando o primeiro filho nasceu. A marca entre os brancos foi maior; de 26,8 anos.

A média de filhos entre os homens pardos que já eram pais ficou em 2,8. Pretos vieram logo na sequência, com 2,7. Já entre os brancos, o número foi de 2,4.

No recorte por nível de escolaridade, os dados apontam que homens com ensino fundamental completo e médio incompleto tinham 24,6 anos quando viraram pais. É a menor marca da pesquisa.

Já os homens sem instrução ou ensino fundamental incompleto se tornaram pais com 25,1 anos.

Brasileiros que tem ensino superior completo, por sua vez, viraram pais mais tarde. A média nesse grupo foi de 27 anos para iniciar a paternidade.

Segundo o IBGE, o número de filhos foi superior entre os pais sem instrução ou fundamental incompleto: 3,5. Já entre os homens com ensino superior completo, a marca foi de 2 filhos.

Quando a variável é nível de renda, os brasileiros com renda domiciliar per capita inferior a um quarto do salário mínimo ingressaram na paternidade antes, com 24 anos, e eram os que tinham o maior número de filhos (3,1).

Na faixa de renda mais alta da pesquisa, com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo, a idade era maior (26,7 anos), e a média de filhos, menor (2,4).

Os dados também trazem recorte por região. Segundo o estudo, homens do Norte e do Nordeste viraram pais antes e tinham mais filhos.

Outro módulo pesquisado pela PNS é o da saúde da mulher. De acordo com o estudo, em torno de 80,5% das mulheres de 15 a 49 anos sexualmente ativas usavam algum método para evitar a gravidez em 2019.

A fatia de 40,6 % considerava a pílula anticoncepcional como o método mais eficaz. Em seguida, vinham a camisinha masculina (20,4%) e a laqueadura (17,3%).

No Brasil, 4,7 milhões de mulheres de 15 anos ou mais tiveram filhos entre 29 de julho de 2017 e 27 de julho de 2019. Em  relação ao parto, 87,2% foram atendidas por médicos, 10,4 % por enfermeiros e 1% por parteiras. O levantamento também indica que, em 2019, 81,3% das mulheres entre 25 e 64 anos haviam realizado o exame preventivo para câncer de útero no período de menos de três anos. Enquanto isso, 6,1% nunca haviam feito o procedimento.

De acordo com o IBGE, cerca de 58,3% das mulheres de 50 a 69 anos haviam realizado mamografia nos últimos dois anos. O percentual foi ligeiramente mais alto do que o verificado em 2013 (54,3%). O estudo mostra ainda que em 2019, 17,3 milhões de pessoas com dois anos ou mais tinham alguma deficiência no país. O número equivale a 8,4% da população nessa faixa etária.

Segundo o  IBGE, apenas 28,3% das pessoas com deficiência e em idade de trabalhar (14 anos ou mais) estavam na força de trabalho em 2019. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual era superior; de 66,3%.

A força de trabalho e o conceito que reúne tanto os profissionais empregados (ou ocupados) quanto os desempregados (ou desocupados, que seguem em busca de novas vagas).

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 16 DE SETEMBRO

A GENEROSIDADE ABRE PORTAS

O presente que o homem faz alarga-lhe o caminho e leva-o perante os grandes (Provérbios 18.16).

Um coração generoso é o nosso melhor cartão de visitas. O amor traduzido em atitudes abre portas para novos relacionamentos. Você quer falar com alguém importante? Leve um presente, e será fácil. Um simples gesto de bondade pavimenta o caminho para novas amizades. Ninguém perde por ser gentil. O coração aberto é revelado por mãos abertas, e estas são generosas para presentear. Às vezes ficamos constrangidos em presentear alguém que tem tudo do bom e do melhor. Porém, não é uma questão do que estamos oferecendo, mas de como estamos oferecendo. O que importa não é o valor monetário do presente, mas seu significado. É o gesto de amor que conta. É a demonstração de carinho que enternece. Ninguém é tão rico que não possa receber um presente, e ninguém é tão pobre que não possa dá-lo. A generosidade consegue entrar em palácios. A generosidade nos coloca em companhia dos príncipes. Quando temos amor no coração e um presente nas mãos, alargamos o caminho para novos contatos, e esse gesto nos leva à presença dos grandes. A generosidade é uma chave que abre o cofre dos mais difíceis relacionamentos e pavimenta o caminho para as mais profundas amizades.

GESTÃO E CARREIRA

ERROS QUE VALEM OURO NO MUNDO DOS NEGÓCIOS

Antes de seguir a leitura, enfatizo que são experiências reais de um sonhador que visualiza uma empresa estruturada e que não dependa de seu fundador para seguir atuante no mercado. São erros. Erros de quem conseguiu perceber exatamente em quais pontos agir para recuperar o campo cultivado que foi temporariamente invadido por um “vírus” – cujos tentáculos foram neutralizados até que a atualização de sistema seja concluída e o vírus eliminado.

Quatro anos de imersão prática entre dezenas de projetos entregues para clientes, construção de rede de contatos profissionais, muita persistência, busca por informações a todo instante a fim de defender um propósito validado pelo mercado. Desde menino eu sonhava ser empresário e às vezes questionava meu pai, depois de ouvir notícias no rádio, sobre “por que eles [governo] não conseguiam melhorar o Brasil?”, “os donos de empresas não podem ajudar?”.

Saí para rua e troquei picolés por dinheiro antes mesmo de frequentar as aulas na pré-escola. Segui carreira no varejo e, hoje tenho uma agência especializada em Internet Marketing. Em 2011 surgiu A Oportunidade e então nasceu minha empresa. Era uma produtora de sites (desenvolvimento web) que também oferecia serviços de marketing no mundo digital. Muitas “coisas” aconteceram, pessoas entraram e outras saíram, clientes, tecnologia. A verdade é que eu não me sentia realizado com aquela entrega. Um dos meus mentores perguntou durante um café: “qual o seu propósito, por qual razão você faz o que faz?”.

Foram oito meses incansáveis de busca por resposta até que um dia “a ficha caiu”. Decidi então mudar o modelo de negócio da agência, a estratégia, procedimentos, ferramentas, portfólio de entregáveis… A equipe também sofreu alterações [de forma orgânica, inclusive]. Passamos a fazer algo que está no nosso DNA e vai além do resultado financeiro. Vendas por atração, estratégia de comunicação digital (e performance) para fortalecer relacionamentos antes e depois da venda é o que entregamos para nossos clientes.

1. VIRADA RADICAL VS. REPOSICIONAMENTO – Inovação, reposicionamento e mudanças no modelo de negócio são, em geral, paradigmas que assumem que as empresas podem e devem utilizar ideias e caminhos tantos internos quanto externos para ofertar novidades ao mercado em seu caminho de crescimento.

Quando se fala de governança corporativa, sustentabilidade de negócios, gestão de projetos, etc., os gestores levam a sério a famosa “Curva-S”.

Posso garantir que este conceito faz uma baita diferença na tomada de decisão.

Minha escolha foi radical ao ponto de que, numa sexta-feira vendíamos sites; na segunda-feira seguinte, não mais. Focamos 100% em Content/Inbound Marketing. Reposicionamento até permite uma virada de curto/médio prazo por entrar no contexto de campanha. Estratégia sustentável deve assumir o lugar da “virada radical disruptiva” quando se pretende adotar um novo modelo de negócio, um novo produto/ serviço, uma tecnologia.

Olhando agora, teria sido inteligente deixar de fazer sites somente quando o número de clientes de Content/Inbound garantissem faturamento superior aos projetos de desenvolvimento web. Ao invés de entrar no vermelho, manteria a saúde financeira da empresa estável e crescente. Primeira grande lição.

2. CICLO DE VENDA – Imagine o estoque de um supermercado. Considere que o giro de “produto xpto” na prateleira aconteça três vezes ao mês. Ou seja, a mercadoria fica no máximo dez dias em exposição até que alguém compre o item. Significa que o estoque destes produtos sofre exatas 36 reposições ao ano para atender a demanda de compra. Ciclo de venda é exatamente a linha do tempo necessária para fechar um novo negócio. O restaurante tem ciclo diário, a escola particular é mensal, o IPTU anual.

Para cada tipo de negócio um ciclo, fases, abordagens específicas. Identificar os passos e estágios chave para nova estratégia gera fortes impactos nas vendas. O empresário deve ter em mente que será necessário rever os processos, talvez contratar novo time comercial, ajustar as previsões financeiras. Em minha experiência, estava absolutamente confiante e não fiz nenhuma verificação. Afinal, era comum vender um projeto de criação de site em duas semanas, além de colocar em produção (pagamento pontual).

Quatro meses após a “virada radical”, percebi que vender projetos de consultoria era algo desafiador e demorado porque o contrato era assinado depois de três ou quatro meses após a primeira abordagem de venda (pagamento recorrente). Qual é o ciclo de vida média de um site? Três anos? Vender, entregar, cobrar, finalizar em seis meses é um prazo razoável? Parece que sim. Já o modelo adotado para projetos de consultoria em Inbound é anual com pagamentos mensais.

Como otimizar tudo isso e manter a saúde financeira da empresa em modo estável crescente? O custo de aquisição de novos clientes é o mesmo para ambas as situações? Mudou o cenário, mudaram as escolhas. Considerar esses conceitos e métricas torna-se imprescindível na tomada de melhores decisões. Segunda grande lição.

3. REFUTAR PARCERIAS ESTRATÉGICAS – Características comporta- mentais do empreendedor fazem toda diferença no processo de inovação e raramente se encontra alguém completo. Quando o assunto é dominância cerebral, por exemplo, me destaco nas esferas experimental e relacional – pontos que endossam visão mercadológica, encontrar alternativas, fazer correlações, transformar problemas em projetos, negociação e valorização do cliente.

Mas nem só de liderança, estratégia e propósito vive o homem. A moeda tem dois lados e é necessário o equilíbrio tático em torno de análises e controles efetivos. Ou seja, administrar, implementar, acompanhar, garantir entregas são responsabilidades vitais na empresa.

Sempre fui resistente à ideia de sociedade e optei por atuar como empresário individual. Hoje entendo que um sócio, um colaborador de alta confiança, além de excelentes parceiros alinhados ao ganha-ganha também é vital para o negócio. Um empreendedor como eu precisa ser apoiado por pessoas com perfil tático/útil e que divida uma meta em pequenas partes, que administre e implemente o plano.

Refutei em fechar parcerias altamente estratégicas que trariam receita para a agência porque achava que o mundo girava em torno do meu umbigo e discordava em passar por treinamentos específicos. Lembro de argumentos como “especializei-me em SEO há mais de seis anos e vou ter que passar pelo programa ‘engage’ para poder firmar um compromisso?”

Por sorte, esses parceiros persistiram e seis ou sete meses depois assinamos contrato por conta do principal ingrediente: relacionamento. Ter maturidade para compreender que um sócio ou um time de pessoas pode acelerar a realização proposital de uma visão de negócio e conquistar resultados sustentáveis dá segurança ao empresário e dispara a produtividade. Como diz o provérbio africano: “Se queres ir rápido, vá sozinho. Se queres ir longe, vá em grupo.”

4. NÃO SER PRODUTO DO PRODUTO – Lembra da Curva-S? Ela cabe aqui também. Se você ainda não tem um caso de sucesso, não é produto do seu produto, como pode ousar uma mudança brusca de atividade empresarial? Não considerei sequer o básico de campanha publicitária. Sim, dei um tiro no pé. A velha crença de que na casa de ferreiro o espeto é de pau já venceu.

O grande psicólogo Robert Cialdini recomenda que você deve ser exemplo para potencializar o poder de persuasão e consequentemente obter sucesso em negociações, por exemplo. A estratégia de comunicação, a abordagem de venda, a forma de atendimento de uma produtora de sites não combina com uma consultoria de Content/Inbound marketing. Além da demora em promover o próprio negócio, perdemos oportunidades durante o período em que relutava a aceitar as propostas de parceiros.

Focamos então na solução e cada pessoa da equipe trabalhou na construção de um “case” de Inbound Marketing, inclusive em projetos pessoais. A ideia de ser produto do produto passou a fazer parte do dia a dia e transformou-se em um enorme brainstorming. O time ganhou confiança e alinhou as entregas com o discurso do comercial, resultando em entregas com melhor qualidade para os clientes. Use seus próprios produtos, abuse dos seus próprios serviços.

5. QUALIFICAÇÃO DA EQUIPE X ENTREGA – Entre no jogo para ganhar. Tenha certeza de que seus jogadores estão preparados para correr, criar soluções em campo e fazer o gol. E mais do que isso, que estão preparados para fazer o que deve ser feito propositadamente. É comum que o empresário esteja enlouquecido com as rotinas do dia a dia da empresa e deixe passar detalhes que certamente irão comprometer a eficiência e os resultados.

É compromisso do líder assumir que o desempenho necessário para equipe atingir metas e objetivos depende pessoalmente dele e não adianta investir somente em ferramentas esperando que os liderados resolvam processos e caminhem sozinhos. Delegar com excelência significa direcionar, orientar e acompanhar as entregas da equipe.

Bem, estamos falando de erros que valem ouro. Quando decidi reposicionar o negócio, compartilhei a estratégia com a equipe e eles disseram estar preparados para atuar nas novidades e, acredite, fui convidado a “vai pra rua vender que nós tocamos os projetos” e fiquei anestesiado com aquela atitude. No entanto, não verifiquei em termos práticos se, de fato, aqueles profissionais estavam capacitados o suficiente para entregar um novo tipo e formato de projeto.

Pessoas. Taí o maior desafio de qualquer empresário… Outra lição! Mudou o modelo, as pessoas, os processos, o perfil de cliente, a tecnologia e tudo estava bem aqui na minha cabeça. A equipe não tinha clareza de processos, não dominava as ferramentas, tinha dificuldade em interpretar uma estratégia e desenvolver as ações necessárias. Só validei essas deficiências quando os clientes começaram a manifestar insatisfação com as entregas.

Fizemos esforços para melhorar o atendimento e CRM (gestão de clientes) da agência, mas nossa atuação ainda era fraca. Os maiores desafios consistiam em descentralizar a comunicação, cumprir prazos e, de fato, fazer a gestão dos projetos. Decidi mapear as deficiências, estruturar um programa de estudo colaborativo e estimular cada pessoa a desenvolver suas habilidades, dar aula aos demais colegas sobre os temas previamente planejados.

Foram três meses intensos de aprendizagem, talentos revelados e boas surpresas. Reforçamos a importância de ser produto do produto, geramos conteúdo, melhoramos muito a comunicação, revisamos os projetos… todos entendiam o que era um workflow de CRM (processo) e os motivos pelos quais tínhamos que nos conectar com os valores de cada cliente. Passamos a entregar valor no lugar de bits.

6. VENDER OU FAZER? – Definitivamente, quem faz tudo não faz nada. Com um lado da moeda descoberto, passei a alternar as atividades (comercial, atendimento, produção) até o ponto em que me vi desfocado e ao mesmo tempo imerso nos projetos. Cheguei à conclusão de que o vendedor deve evitar contato com o operacional para manter-se imune à insegurança e pensamentos do tipo “vou vender, mas será que os caras vão conseguir entregar?”.

De outro lado, é natural para os responsáveis pela entrega pensarem que “o pessoal do comercial só perde tempo com reunião, networking, etc.”. Penso que o ideal é que cada profissional se dedique àquilo que se propõe a fazer com maestria. Gosto de fazer, mas as consequências neste caso acenderam a luz vermelha e comprometeram complemente minhas ações comerciais.

Somente depois da equipe visitar cada cliente, equilibrar as entregas, reduzir os conflitos e eliminar jobs “ladrões de tempo/dinheiro” é que voltamos a dar atenção para as oportunidades e propostas paradas no pipeline de venda. Ter pessoas chave para atividades vitais da empresa é essencial para garantir proposta de valor ao cliente e atingir objetivos e metas. Também é importante expressar confiança na sua própria capacidade de realizar uma tarefa difícil ou enfrentar um desafio.

7. OLHAR PARA CRISE ECONÔMICA E POLÍTICA – É preciso dizer que os recursos financeiros se esgotaram depois de todos esses erros? A sequência de erros me fez desalinhar o foco e, para completar, me deixei contaminar pelo pessimismo brasileiro alimentado pela crise política e questões sociais que destroem a economia e nos levam para a recessão.

Noticiário, besteirol de redes sociais, mensageiros como WhatsApp, excesso de informação, estafa… Tudo isso contribui para a perda de foco e tempo do empresário, que por sua vez, baixa a guarda para persistência, se distrai a cada minuto e “esquece” de fazer as coisas antes de ser solicitado ou é forçado pelas circunstâncias.

Enfim! Olhar para fontes de informações que o mantenham no trilho e deslizar rumo aos objetivos do plano estratégico é o mais adequado. Ao invés de timelines como Facebook, faça ligações telefônicas para os clientes a fim de ajudá-los a mapear novas oportunidades, entender as dificuldades, buscar novos negócios. Faça como sugere o psicólogo Daniel Goleman e reserve tempo para refletir, manter foco no foco.

Para finalizar, fontes como IBGE e Sebrae apontam que cerca de 53% das empresas brasileiras fecham após quatro anos de atuação (dados de 2013). Para o empresário, um oceano de variáveis a serem administradas diariamente e sem descanso. Para os americanos, fracasso significa crescimento, maturidade. Os brasileiros tendem a desqualificar o empreendedor.

Não vejo problema algum em compartilhar estas experiências aprendidas a preço de ouro. Tomar consciência e usar os erros para potencializar as forças me faz acreditar ainda mais que iniciativa somada a conhecimento, dinheiro e atitudes positivas (sim, com- portamento) são fundamentais para materialização de um projeto. Gosto de ver o copo cheio e avalio estes erros como experiência prática, como impulso produtivo que me possibilita transformar um sonho em algo concreto e de valor para sociedade, tanto em termos econômicos como sociais.

É necessário dizer ‘Não’ e enfrentar o caos com valentia. Você precisa concentrar pessoas, energia, fazer com que o ambiente ao seu redor apoie suas ideias e queira realizar os projetos com ambição. Cuidar da saúde, alimentar-se bem, tirar folgas também é necessário para manter o foco no foco e lidar melhor com os desafios do dia a dia. Lembre-se: o empresário nunca faz o que faz somente pelo dinheiro.

Nem tudo são flores. Decisões dolorosas foram tomadas para podermos ajustar a empresa e garantir que o plano fosse executado de forma propositada. Afinal, resultado positivo é relevante para a continuidade do negócio. Estamos fora da estatística fúnebre do IBGE. Sim, boiando e finalizando a limpeza de um “vírus” no sistema para acelerar os motores e buscar ouro em terra firme.

ROGÉRIO MATOFINO – É arquiteto de negócios e publicitário especializado em gestão. Atua também como professor universitário e palestrante nas áreas de Vendas, Comunicação, Marketing e Transformação Digital.

EU ACHO …

VACINA OSTENTAÇÃO

As reuniões de  trabalho têm agora uma nova conversa de aquecimento. O tempo e a família foram, afinal, substituídos, depois de uma vida estando entre os temas favoritos daquele momento “quebra-gelo” antes de um encontro profissional. Foram quase dois anos sem as reuniões formais e presenciais – assunto é o que não falta, mas todos têm o mesmo foco nos dias de hoje: a vacina

– Tudo bem? Quanto tempo! Vacinada?

– Sim! Tomei a segunda dose esta semana, estou mais tranquila.

– Já? Nossa, tomei apenas a primeira. Qual você tomou?

– Pfizer

– Claro… você, né.

De encontro em encontro, quem tomou Pfizer cresce, quem tomou Janssen é até “considerado” e quem tomou CoronaVac se dá por vencido, “qualquer uma vale, né?”, dizem, com os olhos sorrindo “amarelo” entre as máscaras. Nenhuma das indústrias farmacêuticas que fabrica vacinas contra Covid-19 fez um plano estratégico de posicionamento, muito menos construiu a imagem de marca em estudos elaborados por agências de comunicação ou pensou que a vacina pudesse virar sinônimo de status, mas, no Brasil, virou.

Costumamos investir nosso dinheiro na bolsa da marca tal ,no sapato, na roupa, na gravata, no carro, no restaurante, no hotel e nas classes dos aviões, mas agora está mais difícil. O nome da fabricante da vacina que tomamos, todos sabem, é para ser uma escolha aleatória, mas avaliações e julgamentos são feitos e piadinhas, reiteram: “Você tem cara de CoronaVac, claro que trocaram na hora que te viram”, ouve-se em tom de brincadeira, como se o destino privilegiasse os mais abastados que passam a ter ainda mais status.

“Como se posicionar em uma reunião com pessoas influentes que só tomaram Pfizer?”, foi a pergunta que um colaborador disparou durante um encontro. Resposta padrão: “Não estou planejando viajar, então, tanto faz” ou a Pfizer pode ser perigosa, preferia CoronaVac, coisa nossa”. Apesar de todo esse debate, a ciência mostra que todas as vacinas disponíveis no Brasil são seguras e eficientes. A comparação entre elas não faz sentido técnico porque foram testadas em grupos de pessoas diferentes.

Na verdade, a simples pergunta, ”qual vacina você tomou?” já demonstra que existe uma classificação por estrato social, pois nunca alguém na vida soube ou perguntou qual nome da vacina para varíola que tomamos. Será que existe mais que uma? E febre amarela? E gripe? Está claro: a marca da vacina importa agora. É o Brasil lançando a moda da vacina ostentação.

*** ALICE FERRAZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOBREPESO ADIANTA IDADE DE EXAME PARA DIABETES

Especialistas americanos recomendam que investigação seja feita a partir dos 35 anos; no Brasil, onde quase 15,5 milhões são diabéticos, população acima do peso já tem indicação para análise, sem restrição de idade

Adultos com sobrepeso devem ser examinados para diabetes tipo 2 e para detecção de níveis elevados de açúcar no sangue a partir dos 35 anos, cinco anos antes do que era recomendado até então nos Estados Unidos.

A nova recomendação que partiu de uma força-tarefa de especialistas e não se aplica a mulheres grávidas, surge em meio ao aumento das taxas de obesidade e diabetes nos Estados Unidos. Isso significa que mais de 40% da população adulta americana agora deve ser rastreada, de acordo com   uma estimativa. A recomendação da força-tarefa (que orienta as seguradoras americanas) e um resumo das últimas evidências científicas foram publicados na semana passada na revista Jama (Journal of the American Medical Association).

No Brasil, segundo a última pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde, divulgada em 2020, 20,3% dos brasileiros estão obesos. Conforme o mesmo levantamento, 7,4% da população brasileira é diabética, o que equivale a 15,5 milhões de brasileiros.

Por aqui, explica o endocrinologista Paulo Miranda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, toda a população obesa e com sobrepeso já tem indicação para fazer o exame para diabetes, sem restrição de  idade e independentemente de outros fatores de risco. Já para a população geral, a recomendação para o rastreio é a partir de 45 anos.

“O diagnóstico de pré-diabetes é muito importante, porque essas pessoas já têm fatores de risco maiores para doenças cardiovasculares, doenças renais e outros problemas do que a população em geral. E (o rastreio de) uma alteração mais leve da glicose é uma oportunidade de prevenir diabetes com medidas não farmacológicas, com mudança de hábitos de vida, como a prática de atividades físicas, o controle alimentar e a perda de peso.(O diagnóstico de pré-diabetes) é um momento muito pertinente para prevenir”, diz Miranda.

Ele explica ainda que, no Brasil, estima-se que 40 % das pessoas que tenham diabetes potencialmente ainda não foram diagnosticadas e, portanto, não estão em tratamento.

“A diabetes do tipo 2 é uma doença silenciosa, que vai gerar sintomas e complicações no longo prazo. Se o diagnóstico é precoce, existe uma chance maior de prevenir as principais complicações”, alerta.

Quase um em cada sete adultos americanos agora tem diabetes, a taxa mais alta já registrada no país, descobriu um estudo recente. Na última década, houve pouca melhora na capacidade dos pacientes de controlar a doença, ou seja, reduzindo seus níveis de açúcar no sangue, pressão arterial e colesterol.

O aumento é especialmente preocupante em meio à pandemia, já que o diabetes é uma das condições médicas crônicas que aumentam o risco de uma infecção por coronavírus levar a quadros graves, hospitalização e até à morte por Covid- 19.

O diabetes está relacionado a doenças cardíacas e hepáticas, e é a principal causa de insuficiência renal e nova cegueira em adultos. A condição pode levar à amputação de membros, danos aos nervos e a outras complicações.

A força-tarefa disse que os prestadores de cuidados de saúde devem considerar a triagem de alguns indivíduos ainda antes dos 35 anos, se eles estiverem sob risco elevado. Isso inclui pessoas com histórico familiar de diabetes ou histórico pessoal de condições como diabetes gestacional e pessoas que são negras, hispânicas, nativas americanas, nativas do Alasca ou asiáticas americanas.

Todos esses grupos têm taxas mais altas de diabetes do que os americanos brancos.

“A epidemia da Covid é realmente importante, mas também temos uma epidemia de diabetes e pré-diabetes impulsionada pela obesidade e falta de exercícios”, disse Michael J. Barry, vice­ presidente da força-tarefa e diretor no Massachusetts General Hospital, em Boston. “Todas essas condições com as quais vivemos por anos ainda estão valendo.”

Cerca de um terço dos adultos norte-americanos têm níveis elevados de açúcar no sangue, uma condição chamada pré-diabetes que geralmente precede a diabetes tipo 2 e pode progredir para uma doença desenvolvida. A maioria não sabe que tem a doença, que não produz sintomas óbvios, e é por isso que o rastreamento é essencial, disse Michael J. Barry.

PRÉ-DIABETES

Estar acima do peso ou ser obeso é fator de risco mais importante para o tipo mais comum de diabetes, diabetes tipo 2 e pré-diabetes. Mudanças no estilo de vida – incluindo aumento da atividade física, alimentação mais saudável e perda até mesmo de uma pequena quantidade de peso – podem prevenir a progressão de pré-diabetes para diabetes completo. (O tratamento medicamentoso também é uma opção).

A triagem geralmente envolve um exame de sangue para determinar se o açúcar no sangue (ou glicose) está elevado. A força-tarefa pediu a redução da idade da primeira triagem para 35, porque é quando a prevalência de diabetes tipo 2 começa a aumentar. A triagem deve ser realizada a cada três anos até os 70 anos, disse a força-tarefa.

Tannaz Moin, endocrinologista que coescreveu um editorial acompanhando as novas recomendações, disse que reduzir a idade para o rastreamento foi um passo na direção certa e que ficou satisfeita com o fato de as diretrizes enfatizarem a importância de detectar o pré-diabetes. “Há muito mais reconhecimento de que o pré-diabetes é um grande problema que muitas vezes passa despercebido”, disse Moin. É fundamental detectar pré-diabetes em adultos jovens, porque eles podem viver com diabetes por muito tempo se desenvolverem uma condição em uma idade relativamente jovem, e terão maior risco de desenvolver complicações.

POESIA CANTADA

SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ

ELIS REGINA

COMPOSIÇÃO: ALOYSIO DE OLIVEIRA / ANTONIO CARLOS JOBIM

É
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você

É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

OUTROS OLHARES

ADEUS CINEMA?

Pesquisa aponta o futuro das salas e do streaming na pandemia

É praticamente eufemismo dizer que 2020 foi difícil para todo mundo, sejam as pessoas ou a economia. Para a mídia e o entretenimento, não foi diferente, com uma queda mundial de 3,8% na receita. No Brasil, foi ainda pior, com uma diminuição de 6% na renda do setor em relação a 2019. O país perdeu duas posições no ranking mundial, indo de 9º para 11º, segundo dados da Pesquisa Global de Entretenimentos e Mídia 2021-2025, estudo anual feito pela consultoria PwC, com previsões para os próximos cinco anos, feita em 53 países que englobam 14 segmentos, entre eles  internet, publicidade de jornal e revista, TV por assinatura, livros, cinema e vídeo OTT (vídeo de TV ou cinema, que inclui os serviços de streaming) – no Brasil, os dados que chamam mais atenção se referem aos dois últimos itens.

O cinema despencou 70,4% em receita. No Brasil, a queda foi mais drástica: 86%. “O mundo da exibição em salas de cinema está esfacelado”, disse Paulo Sérgio Almeida, do Filme B, site de análise e acompanhamento do mercado audiovisual. “Mas sou otimista”. Em compensação, o consumo do vídeo OTT explodiu, crescendo 29,4%.

O streaming virou o porto seguro dos fãs de audiovisual que encontraram as salas fechadas durante boa parte dos últimos 17 meses. Habituados a assistir a pelo menos dois filmes no cinema antes da pandemia, o blogueiro Diorman Werneck, de 29 anos, não retomou a rotina cinéfila.  Primeiro, por continuar  se sentindo seguro em casa, onde assistia a seus programas via streaming. Mas, principalmente, por não se sentir mais tão atraído pelas estreias semanais.

“O streaming  logo ocupou o horário que antes eu dedicava ao cinema – fechado em casa, se tornou meu principal passatempo”, disse Werneck. “A decisão de não voltar aos cinemas foi motivada porque vários serviços de streaming começaram a trazer as estreias junto com as salas ou um tempo depois”. O blogueiro, que assina três serviços de streaming, exemplifica: “Viúva Negra estava  disponível no mesmo dia que estreou no cinema e só não assisti imediatamente porque considerei o valor cobrado pela ferramenta (Disney)muito caro. Como eu sabia que logo estaria disponível, preferi esperar”. Werneck assistiu em casa a longas como Tenet, Convenção das Bruxas e Cruella. Com a comodidade de assistir em qualquer horário e mais de uma vez”.

DESAFIO DE RECONEXÃO COM O PÚBLICO

Apesar dos números desanimadores, estudo aponta cenário otimista para setor de mídia e entretenimento

Apesar dos números desanimadores, o estudo da PwC apontou uma perspectiva otimista para o setor de mídia e entretenimento até 2025. No Brasil, a expectativa da pesquisa anterior (de 2020 a 2024) previa um crescimento de 2,5%. De 2021 a 2021, espera-se que o aumento seja de 4,7% – claro que partindo de um patamar baixo -, mais ou menos seguindo as previsões globais de 5%.

O cinema é o segmento que deve crescer mais, cerca de 40% ao ano – o vídeo OTT deve continuar subindo cerca de 13% a cada 365 dias. Ainda assim, a arrecadação nas bilheterias nacionais, que foi de apenas US$96 milhões em 2020, deve chegar a US$ 518 milhões em 2025, mais ou menos o mesmo nível de 2016. “Já vemos alguma recuperação em 2021, mas a retomada deve se dar a partir de 2022. Ainda assim, também em termos de ingressos, ele volta apenas em 2025 ao nível de 2016”, disse Ricardo Queiroz, sócio da PwC Brasil.

Quem é da área vê com certo ceticismo quaisquer previsões sobre o futuro. ”Ninguém sabe de fato o que vai acontecer”., disse Jean Thomas Bernardini, que é dono da distribuidora Imovision, dos cinemas Reserva Cultural, em São Paulo e Niterói, e da plataforma de streaming Reserva Imovision. “Estamos no meio  de um túnel sem luz, sem saber quando vai acabar o túnel, se vai acabar, se tem um precipício no final do túnel ou uma floresta encantada”.

Nos casos dos cinemas mais comerciais, houve um respiro a partir do final de maio, quando lançamentos como Cruella, Invocação do Mal3,  Velozes e Furiosos e Viúva Negra chegaram às salas consecutivamente. Mas os números voltaram a baixar em agosto. “Ainda é uma incógnita”, disse Juliano Russo, diretor comercial e de marketing da rede de cinemas Cinépolis Brasil. “Mas a expectativa para os próximos meses é boa. Veja a repercussão que o trailer de Homem Aranha: Sem Volta para Casa teve”.

Bernardini acredita que a recuperação vai ser lenta. Em seu planejamento, a normalidade deve chegar apenas em 2024. “Até lá não tem como voltar aos números de antes, que já não eram tão bons, porque o cinema independente passava por uma crise”, afirmou. “Eu só posso afirmar que 2022 ainda não vai ser normal. Vai melhorar, claro. Mas são muitos fatores, não apenas a vacinação. No Brasil temos a questão política, o cinema brasileiro que não se define”.

Muitos distribuidores acabaram apostando no streaming como forma de ganhar algum dinheiro ou atrair novos assinantes para suas plataformas. Foi o caso da Warner, que lançou seus filmes simultaneamente nos cinemas e na HBO Max nos Estados Unidos, e da Disney, que colocou suas estreias ao mesmo tempo nas salas e no Disney+, com custo adicional. “Foi um teste e claramente não deu certo. Elas não estão faturando”, disse Juliano Russo.

Para Ricardo Queiroz, não há remuneração adequada para grandes produções no streaming. “Elas precisam da primeira semana de bilheteria. O pacote mais caro da Netflix custa por volta de R$55. O ingresso de cinema é mais do que isso, a TV por assinatura, também. Então o cinema está empatado; as pessoas aprenderam a ver em casa durante a pandemia, mas a receita do streaming é ainda pequena”. Para efeito de comparação, a previsão é que o gasto do brasileiro com vídeo OTT chegue a US$ 1,25 milhões em 2025. A TV por assinatura, mesmo com quedas anuais de 17%, deve faturar US$ 3 bilhões em 2025.

Por isso a Imovision decidiu não abolir a janela cinematográfica. Nenhum filme foi diretamente para a Reserva Imovision. “A gente tem os dois: uma plataforma que quer que cresça e um cinema que quer que volte. Obviamente que estamos torcendo para os dois”, disse Bernardini.

Ninguém acredita que o cinema vai acabar, como muitos mensageiros do apocalipse andaram apregoando. “Conversei com muitos amigos no Festival de Cannes e não vi ninguém achando que o cinema ia parar. É uma diversão quase insubstituível. Não vejo um debate pessimista”, disse Bernardini. Queiroz concordou. “Determinadas experiências não morrem nunca. É como a música: o que se houve em uma live não é a mesma coisa que o show ao vivo. A experiência presencial vai continuar existindo. Mas as pessoas aprenderam a separar o que vale e o que não vale pagar”.

SETE EM CADA 10 BRASILEIROS USAM STREAMING

O brasileiro definitivamente se apaixonou pelo streaming. Segundo pesquisa realizada pelo Itaú Cultural, em parceria com o Datafolha, para medir os hábitos culturais durante a pandemia, sete entre dez brasileiros acessam plataformas de vídeo sob demanda no País. Foram ouvidas 2.276 pessoas de 16 a 65 anos entre os dias 10 de maio e 9 de junho.

Uma grande parte assiste diariamente. Dos71% dos brasileiros que têm acesso, 44% assistem todos os dias. Para 23%, a média é de mais de cinco horas diárias, com 26% dedicando duas horas para o streaming, 18% vendo três horas, 17%, uma hora e 15% quatro horas. Entre os usuários pesados, que veem os conteúdos todos os dias,49% são mulheres, e 40% são homens; 51% são das classes D e E, ante 43% das classes A< B e C. Quem tem de 25 a 34 anos tende a consumir mais (49%), seguidos daqueles com 16 a 24 anos (45%) e 35 a 44 (45%).

Na classe AB, a penetração das plataformas de streaming é de 94%, enquanto 74% da classe C e 43% da classe D usam os serviços.

Na Região Sudeste, 756% dos entrevistados utilizam o streaming. Nas Regiões Norte e Centro-Oeste são 73%, com 70% na Região Sul e 61% no Nordeste. Nos habitantes das capitais e regiões metropolitanas, 75% declararam assistir a filmes e séries nesses serviços, ante 68% no interior.

Em termos de faixa etária, 48% das pessoas com idades entre 30 e 45 utilizam as plataformas em relação  a 44% daqueles com 17 a 25 anos, 33% dos que têm 46 a 60 anos e 26% de quem tem 26 a 30 anos. Apenas 8% dos maiores de 60 anos são usuários.  Entre as crianças, 11% daquelas com 1 a 5 anos e 19% entre os pequenos de 6 a 11 anos e os adolescentes de 12 a 16 usam Netflix, Disney+ e companhia.

A maior parte assiste televisão (49%), com 36% preferindo os celulares, 9% os notebooks, e 5% os computadores de mesa.

Os conteúdos preferidos são as séries, vistas por 77% dos usuários, seguidas por filmes estrangeiros (65%), filmes nacionais (49%), infantis (45%), animações (42%) e shows de música (36%).

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 15 DE SETEMBRO

A BUSCA DA SABEDORIA

O coração do sábio adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber (Provérbios 18.15).

O conhecimento é a busca incansável do sábio. Os tolos buscam prazeres, sucesso e conforto, mas, ainda que alcancem o objeto de seu desejo, não se satisfazem. Quando o rei Salomão pediu a Deus sabedoria, recebeu também riquezas e glórias. Quando buscou, entretanto, a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, colheu apenas vaidade. As coisas mais atraentes do mundo não passam de bolha de sabão. Têm beleza, mas não conteúdo. São multicoloridas, mas vazias. Atraem os olhos, mas não satisfazem a alma. O tolo abre seu coração para o que é frívolo, mas o sábio não desperdiça seu tempo buscando coisas fúteis. O sábio está sempre disposto e pronto para aprender. Seu coração busca o conhecimento mais do que o ouro depurado. Seus ouvidos aspiram à sabedoria mais do que à música mais encantadora. O conhecimento é a base da sabedoria. Sem conhecimento, seremos massa de manobra nas mãos dos aproveitadores. A sabedoria é mais do que o conhecimento, contudo. É a aplicação correta do conhecimento. Não basta ao homem a informação; ele necessita de transformação. Não basta saber; é preciso saber o que convém e viver de acordo com esse conhecimento. A sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus. É imitar a Deus. É andar nas mesmas pegadas de Jesus. É viver como Jesus viveu.

GESTÃO E CARREIRA

FIM DO E-MAIL É TENDÊNCIA NA COMUNICAÇÃO INTERNA DAS EMPRESAS

Parece algo distante, mas os e-mails estão com os dias contados, pelo menos da forma como conhecemos hoje.

Diariamente, bilhões de e-mails são enviados e o excesso de mensagens que lotam as caixas de entrada nos e-mails corporativos geram cada vez mais estresse e angústia entre os colaboradores, sem contar o risco de perder informações importantes, não ser copiado em alguma mensagem e o recebimento crescente de spams.

Algumas empresas utilizam a caixa de e-mails como lista de tarefas que precisam ser feitas, como arquivo de informações importantes, registro de aprovação de propostas, discussão de ideias e até como detalhamento do escopo de projetos. Esta forma de gestão torna a organização da informação quase impossível.

A startup Ummense, uma plataforma de gestão de equipes para micro, pequenas e médias empresas, é um exemplo de empresa que optou em não utilizar mais e-mails na comunicação interna, utilizando apenas com clientes e fornecedores. Mesmo antes da startup ser lançada, os fundadores já idealizavam o fim da troca de e-mails internamente, utilizando a própria plataforma para organizar as informações, de uma forma segura, ágil e inteligente.

“Temos alguns colaboradores que, desde que entraram na empresa, nunca enviaram um e-mail, tudo é pela plataforma”, afirma Raul Sindlinger, CEO e co-fundador da Ummense. Armazenar todos os e-mails recebidos diariamente pode gerar diversas implicações, principalmente quando as mensagens são perdidas ou apagadas de um servidor, por exemplo, é o que aconteceu com o CEO da Ummense.

“Fui engenheiro de obras por 10 anos Toda a comunicação era por e-mail, e recebíamos mais de 100 mensagens por dia. Eu arquivava as mensagens em pastas para tentar organizar a informação para o caso de precisar delas um dia. Chegou o dia em que o responsável pela TI resolveu reduzir custos e limpou as mensagens antigas do servidor de e-mails. A obra que eu tocava ficou sem nenhuma informação: contratos, negociações, aprovações, detalhamentos, alterações. O prejuízo foi gigante”. Mudança cultural é fundamental para eliminar a troca de e-mails internos

Toda mudança exige tempo e também começa com o exemplo, principalmente da liderança. Com uma equipe de 13 pessoas, a Ummense não parou de usar e-mails de um dia para o outro. Esta mudança, que foi muito mais cultural, aconteceu de forma gradual, conforme novas funcionalidades da plataforma da startup eram implementadas, utilizando cada vez menos a troca de mensagens por e-mail. “Aos poucos, não usar e-mails passou a ser parte da cultura da empresa. Conforme novas pessoas iam se juntando ao time, acessar a caixa de e-mail já não fazia mais parte da rotina desde o primeiro dia na empresa”, comenta Keli Campos, co-fundadora da Ummense.

Mais produtividade e organização foram os principais pontos que a startup notou após eliminar os e-mails na rotina diária. Atualmente, toda a comunicação interna é realizada pela plataforma da Ummense, que também pode ser acessada por aplicativo no celular, e funciona como um Kanban Digital, organizando todas as informações das equipes em fluxos, cards e tarefas, sendo possível centralizar a comunicação em único lugar. Atualmente, conta com mais de 1.500 usuários assinantes que também utilizam a plataforma para centralizar a comunicação das equipes, e as informações dos seus projetos, processos e clientes.

“Essa mudança está alinhada com o nosso propósito de melhorar a qualidade de vida no trabalho das pessoas. Com as informações organizadas, tudo fica mais fácil para ser acessado pela equipe, reduzindo o tempo de busca o por informações e esse é um dos motivos pelos quais a produtividade aumenta. Os gestores não precisam perder tanto tempo em reuniões para saber o andamento dos projetos ou para a discutir informações pontuais.

“Na plataforma da Ummense essas informações ficam acessíveis de forma visual e prática, propiciando um ambiente mais a colaborativo e produtivo”, explica Keli Campos. Sobre o futuro da comunicação interna: “Provavelmente não eliminaremos a completamente os e-mails de nossa vida tão cedo, mas para a comunicação interna e organização das informações nas empresas, que representa grande parte do problema, sabemos que hoje já existe uma forma muito mais inteligente e organizada para fazer isso”.

“Além de organizar a comunicação interna, a Ummense também comercializa um aplicativo por assinatura, 100% integrado com a plataforma, e que é entregue com a identidade visual da empresa que contrata, para organizar e reduzir consideravelmente os e-mails também na comunicação com os clientes.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES:  www.ummense.com.

EU ACHO …

MARCO TEMPORAL

A falta de memória desse país é um projeto para absolver o colonialismo

Na última semana estava na praia. Tirei cinco dias de descanso entre baterias de escrito, evento e aula. Foi ótimo, pude respirar a brisa do mar, olhar para a imensidão e agradecer à natureza pela conexão.

Na terça, cheguei em São Paulo. Assim que entrei na cidade, me senti mole, cansada, sufocada. Minha pressão baixou e eu quase desmaiei. Passei a semana com dificuldades de cumprir minha agenda, encontrando forças para sair do sofá.

Enquanto passava mal, estranhava o que estava acontecendo, afinal estava bem momentos antes. Foi então que soube que um incêndio havia destruído boa parte de uma floresta na região, uma das pouquíssimas que restam. O incêndio, causado por um balão, se somou à poluição, à devastação de outras florestas para fazer pasto para gado, entre outras dinâmicas que estão superaquecendo o planeta e produzindo consequências desastrosas.

Como uma mulher negra que cultiva a ancestralidade, me vejo como parte da mata. A conexão entre os povos negros ancestrais e a natureza materializam o axé, força vital que traz o poder de viver com realização.

Como nossos mais velhos já ensinaram, a ancestralidade negra e a ancestralidade de indígenas produziram um intercâmbio de resistência física, espiritual e territorial que seguem até hoje. A soma do legado desses povos diversos, compostos por um vasto número de etnias, produziu a cultura brasileira e tudo que esse país se orgulha.

Entretanto, como sabemos, o colonialismo vive de apagar idiomas, culturas e memórias de grupos explorados e perseguidos ontem nos engenhos, hoje nas fazendas. Parafraseando Darcy Ribeiro, a falta de memória desse país não é uma crise, mas um projeto desenhado para absolver o colonialismo e seus descendentes da responsabilidade por atrocidades.

Um exemplo paradigmático do que estamos falando é a tese do marco temporal das terras indígenas, defendida por ruralistas – os descendentes dos senhores de engenho – para impedir novas e travar as atuais tentativas de demarcação de terras dos povos originários. Esse tema está em discussão no Supremo Tribunal Federal desde a última semana e, se nenhum ministro ou ministra resolver pedir vista e arrastar o caso por mais anos ainda, pode ser decidido nas próximas sessões.

Para quem não está familiarizado com o tema, em linhas gerais significa dizer que os advogados dos ruralistas defendem por essa tese que somente é terra indígena aquela que estava ocupada na promulgação da Constituição de 1988.

Ocorre que povos indígenas foram alvos de chacinas, agressões, intimidações durante todo o período escravista e seguiram durante o século 21. Nesse ano de 1988, portanto, muitas terras estavam desocupadas como resultado da violência histórica contra esses povos. A tese, portanto, chancela a vitória infame do colonizador e autoriza a morte, a tortura e o exílio de povos inteiros.

A interpretação constitucional deve ser de fortalecimento da rede de proteção a esses povos, bem como à rede de proteção ambiental. Nesse sentido, é necessário destacar que diversas pesquisas apontam que as terras demarcadas historicamente funcionam como ilhas de conservação do meio ambiente. Na contemporaneidade constitucional, diante do aquecimento global, todas as medidas que implicam na proteção ao meio ambiente se sobrepõem aos anseios de pasto da pecuária brasileira.

Como mostrou reportagem esta semana, o índice de desmatamento nessas reservas tem aumentado exponencialmente durante o atual governo, devido à invasão de grilagem, extração de madeira e garimpo. Sob constante ameaça e invasão, as comunidades sofreram uma escalada de extermínio no atual governo.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), sob o atual governo, em 2019 houve um recorde nos conflitos de campo e assassinato contra indígenas. Ou seja, sequer o marco temporal é respeitado pelos que tanto defendem “segurança jurídica”. E, de novo, além do direito constitucional de maior demarcação aos povos originários, o STF deve determinar a proteção policial maciça aos limites dos territórios.

A discrepância do acesso ao sistema notarial e de justiça pelos povos brancos, criadores desses espaços, e os povos indígenas pode nos induzir a pensar que os descendentes dos senhores de engenho foram bem-sucedidos no STF, ou no Congresso, onde dominam e buscam aprovar leis nesse sentido.

Mas milhares de indígenas acampados em Brasília mostram o contrário. Com a força da natureza e a fé na justiça ancestral, seguem os passos de seus antepassados que resistiram apesar de tudo, apesar inclusive da justiça branca e suas teses engenhosas.

*** DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

(RE) CONEXÃO

Dias de folga aliviam cansaço mental causado pela pandemia

Reconexão, descoberta, bem-estar. Diante de tantos significados que uma viagem pode ter, muitos se tornam agora ainda mais relevantes. Experiências proporcionadas pelo turismo podem ser aliadas no cuidado com a saúde mental e ajudar a lidar com quadros provenientes da pandemia, como ansiedade e exaustão.

“A viagem sempre traz descobertas de lugares e interações. Com uma parcela da população em home office, também oferece a possibilidade de deslocamento”, afirma Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista no campus de Assis(Unesp/Assis). Ela explica que a conexão com os outros e consigo mesmo vivida nos dias longe de casa promove uma experiência emocional interna: “É uma medida para buscar um alívio, mesmo que seja temporário, para descarregar tensão, tristeza e angústia.”

Quando a ansiedade se caracteriza como transtorno ou doença, pode ser preciso fazer terapia e às vezes usar medicamentos, diz o médico Joel Rennó Jr., professor colaborador do Departamento de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). “Porém, atividades de lazer, socialização e ressignificação da experiência de vida podem contribuir positivamente”, diz.

Rennó Jr. lembra que todos vimos escapar o referencial de controle diante de tantos casos de doença e mortes. ”Tem quem lide com sequelas da covid, outros perderam pessoas próximas. A pandemia exacerbou o sentimento de apreensão, de finitude da vida. Algumas pessoas acabaram projetando planos até como forma de não adoecer, para encontrar força para lidar com estresse, medo, fracasso. Por exemplo, dizem ‘assim que isso passar, vou fazer uma viagem para a Itália ou Fernando de Noronha. Sempre tive vontade e nunca fiz’.

O longo período em isolamento, segundo a professora da Unesp, tirou do ambiente doméstico o significado de lugar de descanso.” Ele se tornou um ambiente para muitas coisas. O mundo do trabalho e dos estudos invadiu o mundo de casa. Sair traz a sensação de liberdade, de movimento.”

Depois de meses ensinando Artes em aulas online ou híbridas, Thaiany Ferreira passou uns dias em julho na Bahia. Foi para o Grand Palladium Imbassuí Resort & Spa com o namorado, Bruno Izzo, que trabalha na rede pública de Saúde em São Paulo. “Sou professora do Estado e meu namorado trabalha na parte administrativa de um hospital. São áreas desafiadoras”, diz. A quebra na rotina ajudou a espairecer. “Depois de um ano e meio bem rígido, serviu para relaxar. Sentimos um pouco da vida de antes da pandemia”, conta Izzo.

Esse foi um dos beneficias de viajar apontados por Felipe Laccelva, CEO da Fepo, startup digital especializada em atendimentos psicológicos, com preços acessíveis, a partir de R$38. “Traz a sensação de que estamos retomando ao modo de vida anterior, que o pior ficou para trás. Vivenciar experiências novas e inspiradoras é o que todos nós precisamos agora”, diz  o CEO da empresa que, só em 2020, ultrapassou o total de 2,7 mil sessões, ante 1,8 mil no ano anterior.

“O Brasil antes da pandemia já era considerado o país mais ansioso do mundo, com 93% da população com o transtorno, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em junho de 2020, na pandemia, 41% dos brasileiros ouvidos numa pesquisa do Instituto Ipsos afirmaram ter experimentado algum nível de ansiedade. Outro estudo da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) verificou que cerca de 80% dos entrevistados sentiram subir os nível de ansiedade.”

O distanciamento prolongado, necessário contra o coronavírus, acabou afetando o lado psicológico, afirma Laccelva. “O ser humano é um ser social e o distanciamento provocou o aumento dos níveis de ansiedade”, diz. “A terapia é a principal maneira para lidar com isso. Mas há outras formas que ajudam a minimizar as consequências, como atividades físicas e de lazer. Desde que respeitada a segurança sanitária, essas ações geram bem-estar”.

A professora Thaiany lembra que o medo causado pela covid afetou seu equilíbrio. “A pandemia, a pressão no trabalho, questões pessoais, familiares, são várias as situações. Acabou acontecendo de eu não pensar na saúde mental. Mesmo que a viagem não resolva, ajuda a sair um pouco da rotina”, diz. Mary Yoko explica que as pessoas têm um limite para suportar coisas. “Não é porque somos privilegiados do ponto de vista econômico que estamos impedidos de sofrer, que não ficamos tristes. Temos sido muito exigidos. Quando atingimos um limite, precisamos de algo que forneça alívio”.

ATIVIDADES

Talvez isso explique o maior interesse dos hóspedes do Virá Charme Resort, no Paraná, em serviços de relaxamento e bem-estar. Em julho de 2021, a procura por passeios a cavalo cresceu 29% em relação a junho, o mês recordista em números de saídas, e 181% quando comparado a janeiro do ano passado, principal período da alta temporada. O empreendimento, a 150 km de Curitiba, vendeu 14.91% mais tratamentos no spa do que em junho deste ano e 20% acima de janeiro de 2020. O hotel-fazenda tem apenas 38 bangalôs em 170 hectares de área.

“Hotéis-fazenda e resorts estão entre os mais vendidos de julho no Zarpo. A infraestrutura de lazer e descanso é um atrativo incrível nesses tempos de isolamento”, diz Daniel Topper, CEO do Zarpo, agência online com 7 milhões de clientes e cerca de 500 parceiros, caso das redes Blue Tree, Tauá, Vila Galé, Iberostar e Bourbon. O setor de turismo no Brasil vem percebendo uma retomada gradual. No Zarpo, junho de 2021 teve 9% mais vendas do que o mesmo mês em 2019. “Depois de mais de um ano de pandemia, as pessoas estão ávidas para viajar”, diz Topper.

Pode ser uma escapada longa ou curta, rumo ao interior ou para a praia, sozinho ou em família. O aposentado Cláudio Ferreira fechou com a Pomptur um roteiro em outubro para voltar ao Jurema Águas Quentes, no Paraná, desta vez com a mãe e a irmã. Com dois resorts e águas termais, em 34 mil km2, o complexo viu o movimento subir em 2021: teve ocupação 41% maior em julho, em relação ao mesmo mês em 2020, no meio da pandemia

“A expectativa é boa, de ter um pouco mais de tranquilidade. Minha mãe está vacinada com as duas doses. Até lá, já tomei a segunda, e minha irmã também”, conta. “Estamos há muito tempo dentro de casa, e isso mexe com o psicológico e o físico. E o hotel é próprio para isso: oferece a parte recreativa, piscinas aquecidas, um ambiente gostoso, com tudo limpo e bem cuidado. Tem muita natureza e espaço.”

BENEFÍCIOS

VÍNCULO: Os especialistas ouvi­ dos na reportagem ressaltam que uma viagem pode servir para se conectar com outras pessoas e até consigo mesmo – e num ambiente novo.

SENTIDO: Diante de tantas incertezas trazidas pela pandemia, desfrutar de momentos de tranquilidade e paz pode dar à pessoa a chance de refletir e encontrar um sentido para seu momento de vida atual.

CONTROLE: Planejar dias fora da rotina e conseguir cumprir o que foi definido pode trazer segurança, a sensação de que algo pode ser previsto e realizado.

POESIA CANTADA

VELHA ROUPA COLORIDA

BELCHIOR

COMPOSIÇÃO: BELCHIOR

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais meu pai falou: She’s leaving home
E meteu o pé na estrada, like a rolling stone
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quêde o cartaz?

No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho
Black bird, assum preto, o que se faz?
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Assum preto, pássaro preto, black bird, me responde: Tudo já ficou atrás
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Black bird, assum preto, pássaro preto, me responde: O passado nunca mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer

OUTROS OLHARES

CANNABIS ANTIVIRUS

A ciência avalia o uso de canabinoides nas terapias contra a Covid-19 e suas sequelas, como lapsos de memória. Até agora, os resultados são positivos

“Descobri que estava com Covid-19 em dezembro, perto do Natal. Tive sintonias leves, como tosse e cansaço, e fiz o tratamento em casa. Mas, depois de um mês, notei que a minha memória estava com uma espécie de delay, meu raciocínio, lento, e eu tinha dificuldade para lembrar palavras.” O relato da advogada previdenciária Débora Macedo, de 48 anos, é compartilhado por milhões de pacientes que passaram pela fase aguda da doença e agora apresentam sequelas. A chamada Covid longa afeta até mesmo pessoas que tiveram sintomas leves, como a advogada. Ainda não há tratamento específico, tampouco se sabe por quanto tempo as condições persistirão. Por isso, a ciência busca novas possibilidades de tratamento para a Covid e também suas heranças. Nesse caminho, surgiu unia possibilidade um tanto quanto inusitada: a Cannabis medicinal.

Com 198 milhões de consumidores no mundo – 1,5 milhão no Brasil -, a maconha é a mais popular das drogas. Restrita ou ilícita na maioria dos países, ela é também a mais estudada para uso medicinal. A planta possui diversos fitocanabinoides, sendo os mais conhecidos o canabidiol (CBD) e o THC, que interagem com receptores presentes no organismo. “É fundamental afastar o efeito farmacológico do canabidiol do recreativo. Acreditamos que o efeito anti-inflamatório da substância ajude a controlar a tempestade de citocinas que pode ocorrer em pacientes com Covid e possivelmente atenuar os sintomas persistentes”, diz o cardiologista Edmar Bocchi, diretor do Núcleo de Insuficiência Cardíaca e Dispositivos Mecânicos para Insuficiência Cardíaca do Instituto do Coração, de São Paulo. A instituição coordenará o primeiro estudo clinico do Brasil com canabidiol para o tratamento de pacientes com Covid longa. A pesquisa, com duração prevista de três meses, contará com a participação de 290 pacientes que apresentam fadiga muscular, insônia, ansiedade, depressão e alterações cognitivas por pelo menos noventa dias após o diagnóstico. Há outro teste clinico semelhante em andamento nos Estados Unidos. Os ensaios são importantes porque buscam comprovar o que já foi observado na prática clínica e em laboratório. “Temos bons indícios de que pode ser uma opção eficaz de tratamento, mas precisamos do estudo para comprovar”, diz José Bacellar, CEO da Verdemed, empresa canadense de Cannabis medicinal parceira do estudo no InCor.

Logo após notar os problemas de cognição, Débora procurou ajuda médica e começou o tratamento com Cannabis medicinal. “Já melhorei 90% “, conta. A advogada faz uso do medicamento há cerca de seis meses. “Vemos melhora nos pacientes e, do ponto de vista teórico, faz sentido, porque a Cannabis fornece uma neuroproteção importante, além de uma diminuição na inflamação cerebral”, diz o neurocirurgião Pedro Pierro, que trata pacientes com Covid longa, incluindo a Débora.

O composto de maior interesse dos cientistas é o canabidiol, encontrado em pequeno volume no caule e na folha da erva Cannabis. Ele não é psicoativo nem tóxico. Não causa dependência nem altera o raciocínio. Mas, em níveis controlados, até mesmo o THC, responsável pelo efeito psicoativo da planta, tem benefícios farmacológicos. Um estudo publicado na revista Frontiers in Pharmacology mostrou que o composto atenuou a inflamação nos pulmões de cobaias, resultando em 100% de sobrevivência. Testes em laboratório mostram que os canabinoides reduzem a produção de citocinas inflamatórias associadas ao agravamento da doença. 

Por isso, seu uso também está sendo avaliado para tratar casos leves, moderados e graves de Covid. A expectativa é de que o resultado dos trabalhos seja publicado em breve. “A Cannabis entraria como uma das possibilidades terapêuticas da Covid-19″, diz a especialista em radiologia e diagnóstico por imagem Paula Dall’Stella, pioneira na prescrição de Cannabis medicinal no Brasil. As descobertas não representam um passe livre para o uso recreativo da droga. Fumantes regulares de maconha correm mais risco de complicações da Covid-19 e o impacto terapêutico não está associado ao uso de produtos com canabidiol encontrados fora do Brasil. A Cannabis medicinal é segura e tem baixo potencial de toxicidade – já existem remédios aprovados para o controle da epilepsia em crianças e da esclerose múltipla quando o paciente não reage a outros tratamentos. Agora, além dos testes contra a Covid-19 e a Covid longa, ela vem sendo usada experimentalmente no tratamento de ansiedade, dor crônica, insônia, esquizofrenia, depressão e Alzheimer. Enfim, a planta que gera o mais famoso dos entorpecentes também produz um poderoso remédio.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 14 DE SETEMBRO

NA DOENÇA, TENHA ESPERANÇA

O espírito firme sustém o homem na sua doença, mas o espírito abatido, quem o pode suportar? (Provérbios 18.14).

Nossa atitude diante dos dramas da vida tem uma conexão muito estreita com nossa saúde física. A vontade de viver mantém a vida de um doente, mas, se ele desanima, não existe mais esperança. Quem entrega os pontos e joga a toalha, quem perde a esperança e não luta mais para sobreviver é vencido pela enfermidade. Nossas emoções têm um peso decisivo quando se trata de enfrentar a doença. Não basta usar os recursos medicamentosos. Precisamos alimentar nossa alma com o tônico da esperança. Precisamos tirar os olhos das circunstâncias e colocá-los naquele que está no controle das circunstâncias. Nossos pés podem estar no vale, mas nosso coração deve estar no plano. Mesmo quando passamos por vales áridos, Deus pode transformá-los em mananciais. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Aqueles que se entregam ao desânimo, porém, fazem do lamento a sinfonia da vida. Perdem as forças, atrofiam-se emocionalmente e são dominados por irremediável sentimento de fracasso. Na doença precisamos colocar nossos olhos em Deus, pois a última palavra não é da ciência, mas daquele que nos criou, nos sustenta e pode intervir em nossa vida, redimindo-nos da cova da morte.

GESTÃO E CARREIRA

PEOPLE ANALYTICS, CIÊNCIA E A PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL – O TRIPÉ DO NOVO RECRUTAMENTO

O caminho que algumas empresas estão trilhando para abraçar o futuro, começa a ser mais nítido.

A transformação digital e cultural passou a fazer parte da rotina do RH, que teve a coragem e desapego das antigas formas de recrutamento, e isso requer mudança de mentalidade, ao mesmo tempo em que motivados por uma visão ampla e menos enviesada, estão seguindo uma jornada inclusiva para todas as pessoas. Estes times de recrutamento já entenderam que vivem o futuro e estão “abrindo mão” de alguns pré-requisitos na escolha de candidatos – antes cobrados e exigidos, como domínio do inglês, faculdades de primeira linha, certificações e experiências. Esses, entre muitos outros fatores, barram grande parte da população nos processos seletivos.

Pouco a pouco, esses profissionais de RH têm percebido, graças aos novos métodos de recrutamento, que avaliar um talento somente pelo seu currículo, ignorando seu perfil cultural e comportamental, pode eliminar muitas pessoas com potencial. Além da exclusão, afeta diretamente os índices e planos de ampliação de diversidade, como por exemplo, para jovens pretos, pessoas trans, pessoas PCD (Pessoa com deficiência), e muitas outras. O Brasil é um país desigual, economicamente e de oportunidades, e precisamos falar sobre isso para que essa realidade seja transformada, melhor e justa.

Paralelamente, muito se discute sobre o uso da tecnologia no R&S, e a importância de tê-la como aliada do RH, e não como uma inteligência pro- gramada, excluindo a humanização. No mesmo ritmo em que a área se torna cada vez mais estratégica e ágil para as empresas, as contratações de novos talentos exigem, em mesma escala, a utilização de métodos inteligentes e com embasamento científico. O mapeamento cultural, por exemplo, é uma excelente ferramenta para ajudar as empresas na busca de profissionais com estilo de trabalho semelhante aos delas. Isso proporciona um aumento do sucesso nas contratações e valoriza profissionais que combinam culturalmente com as contratantes.

O “futuro” sempre parece muito distante, mas esse é o RH do futuro, e as empresas que não acompanharem essa transformação, tanto tecnológica quanto cultural, estarão em constante retrocesso. Com os recentes desafios que a pandemia impõe, fica nítido o quanto a digitalização tem ajudado nas contratações a distância. A tecnologia é essencial nas relações e vital para o sucesso do recrutamento e seleção, sendo possível contratar talentos em todo país, ou seja, a barreira geográfica já foi superada.

Uma pesquisa realizada pela Kenoby, em janeiro deste ano, com analistas de RH, coordenadores gerentes, diretores, business partners, presidentes, CEOs, sócios, entre outros cargos, mostrou que a maioria das empresas, no Brasil, pretendem investir em  tecnologias para tornar o RH mais estratégico. O levantamento mostrou que 38,8%, ainda analisam a possibilidade, 15% disseram não ser uma prioridade e 45% apontaram já ter um planejamento para isso acontecer. A pesquisa revelou, ainda, o quão tecnológico ou automatizado já é o RH. Cerca de 59% dos respondentes disseram ser “mais ou menos tecnológicos e/ou automatizados”, 20% afirmaram não ser nem um nem outro e apenas 19% disseram ser totalmente tecnológicos.

CONTRATAÇÃO À BASE DE DADOS, E MENOS VIESES

Observando o movimento do mercado, o recrutamento será cada vez mais baseado em dados e, principalmente, nas habilidades individuais de cada candidato, relacionando capacidades pessoais às necessidades empresa- riais. Unindo perfis que tenham uma cultura mais próxima das empresas, cria-se conexões, deixa-se de lado pré-julgamentos, os vieses inconscientes, características físicas ou técnicas no currículo para possibilitar novas contratações. Quando o processo seletivo é baseado em estudo e metodologias ágeis e não somente em currículo, dinâmicas, ou recomendações de profissionais, a pessoa candidata já tem um ganho, pois ela será avaliada por outros critérios, dessa vez, com reais embasamentos. A transformação digital permitiu essas novas formas de recrutar e, por isso, o currículo deixa de ser fator essencial e é tão somente complementar ao processo.

Utilizar as avaliações culturais, comportamentais e técnicas, e não apenas considerar faculdades ou experiências anteriores, reflete em possibilidades abertas para todas as pessoas, e não só para as que preenchem um tal requisito, majoritariamente, feito por uma pequena parcela social. Isso é contratar e recrutar sem viés, e os benefícios são claros: mais diversidade, melhores resultados e menos turnover. Um recrutamento que é baseado no processo científico e humano, capaz de fazer o match perfeito entre empresa, vaga e talento, além de trazer precisão aos processos, valoriza o potencial individual.

O foco sai do currículo e vai para a pessoa, com suas análises de fit cultural, fit técnico e soft skills do futuro. O RH agora tem agora dados valiosos nas mãos (People Analytics), que ajudam a tomar decisões mais precisas. É um sinalizador de caminho de onde e para onde o RH está indo e pode chegar e com quem querem chegar. Esse é o movimento, e o futuro já chegou!

*** FELIPE SOBRAL – É diretor de marketing da 0, software para gestão do recrutamento e seleção, que utiliza a ciência da psicologia organizacional para conectar os talentos às empresas e construir igualdade de oportunidades de empregos.

EU ACHO …

AS CAMADAS

Quando você nasceu, havia um nome e um sobrenome esperando-o. O que eram? Uma decisão aleatória que fala muito dos desejos e projeções dos pais sobre cada um de nós. Nosso nome nos antecede e não aguardou nenhum traço de personalidade para ser colocado. Por mais fraco que seja, o menino Gabriel recebe o indicativo de que é “o homem forte de Deus” pela raiz hebraica. Por mais limitada que seja no futuro, a menina assinará Sofia, o nome que aponta sua densa sabedoria. Nem toda Letícia é feliz. Conheci um Adamastor que pouca similitude guardava com o gigante de Camões. Eu sou Leandro, homem-leão, como se nota pela juba vistosa O nome é, como cada signo, arbitrário. Primeira camada sobre nós.

A segunda camada constará nos documentos: brasileiro nato. O que é ser brasileiro? Fronteiras traçadas ao longo da história com linhas imaginárias, respeitando ou não o terreno que as recebe. Uma entidade nacional que, supostamente, será sua pátria, sua identidade, sua marca quase sempre permanente. “Meu coração é brasileiro” eu já o declarei; todavia, um exame do meu cadáver pouco revelará ao anatomista quaisquer distinções dos meus ventrículos em relação a um vizinho argentino ou a um longínquo japonês. As metáforas são bonitas, poéticas até: meu coração é apátrida, biologicamente. Pátria é uma convenção celebrada diariamente, já foi dito. Sem dúvida, é a segunda camada que nos foi dada, quase sempre, ao ver a luz do mundo.

Recebi uma religião no berço. Fui batizado católico, apostólico, romano. Segui a lista de sacramentos e recebi minha primeira comunhão, confessei­ me e fui crismado. Candidatei-me a um quarto sacramento, a ordem, mas não segui o impulso até o fim. Como católico praticante, incorporei liturgias, práticas devocionais, repertório e comportamentos. Criei um hábito, aquele que, segundo velho ditado cristão, não faria, sozinho, o bom monge. Despi-me e, com ele, foi-se o religioso. Era uma camada, a terceira, tão aleatória quanto as anteriores.

Meus círculos profissionais e acadêmicos? Bem, quase todos só valem no Brasil. Atravesso uma fronteira e só posso ser servente em uma construção. Logo, mesmo que envolvam esforços meus, tem algo de randômico. Nos EUA, em uma casa que alugamos, a mulher da limpeza era advogada mineira, com carteira da OAB. A camada jurídica não resistiu à alfândega. Bem o sabe o médico brasileiro com anos intensos de estudo que, nos EUA, pode ir para a prisão se prestar algum serviço. Seus títulos e esforços o qualificam para atender corpos com o mesmo passaporte e em território nacional. Camada sobre camadas: a quarta.

Poderia ampliar nossa múltipla cebola identitária. Talvez, como no bulbo citado, ao se retirarem as camadas, encontramos o nada. Sou feito de sobreposições, ainda que elas sejam fruto do acaso combinado com minhas respostas aos acidentes da vida. Uma curva tensa entre convenções e percepções do que seria o real.

Dizem que pouco antes de morrer, a 3 de outubro de 1226, Francisco de Assis estipulou: “Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido antes de ontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar uma milha, devagar”. O frade fundador queria estar no chão, despido de toda pompa, roupa e circunstância. Ao redor da pequena igreja da Porciúncula e da Capela do Trânsito onde ele faleceu, ergue-se hoje a majestosa basílica de Nossa Senhora dos Anjos. Uma imensa e luxuosa… camada arquitetônica que grita, alta e com luxo, a mensagem que o santo desejou evitar. As sobreposições são tão fortes que nos tomam mesmo após a morte.

E, afinal, minha querida leitora e meu caro leitor, qual seria, de verdade, seu “eu” mais íntimo e verdadeiro? Difícil separar rosto de máscara, substantivo de adjetivo, você de tantas outras personagens. Vamos piorar tudo: cada um é uma pessoa para sua família e outra para seu trabalho. Alguns cidadãos possuem uma personalidade específica para o trânsito, quase sempre a pior. E quando bebe? E quando está tranquilo na praia? Esse amplo concílio de ”vocês” é, somado, o eu indivisível e profundo que você chamaria de “eu”? A internet facilitou mais camadas possíveis de recortes aleatórios de marketing pessoal. Apesar de sempre ter sido um desafio, “conhece a ti mesmo” do Templo de Apolo em Delfos virou uma jornada épica. A frase melhor de hoje: “Fora seu Instagram, você está bem?”.

Vejo o vídeo de uma senhora berrando em uma manifestação. Seu discurso é de ódio puro, catártico, furibundo e agressivo. Imagino-a chegando em casa, retirando a camiseta, tomando um banho e brincando com os netinhos ou com o gato enrolado aos seus pés. Volta a ser vovó, dona de receitas e de afagos, em tudo distante daquela pessoa que, há pouco, seria capaz de invadir a Polônia com seu panzer. Onde está a mentira? Na dona do bichano ou na manifestante? Duas antíteses ou mais um “estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”?

O cachimbo deforma a boca; as camadas constroem identidades. Sou eu e minhas circunstâncias, como queria Filipe II e Ortega YGasset. Na circunstância atual, querida leitora e estimado leitor, você seria alguém com esperança?

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRANSTORNO DA INFELICIDADE

A depressão é um distúrbio carregado de tabus que prejudicam a recuperação dos pacientes

A depressão é uma das doenças que mais atinge a população mundial atualmente. Dados de 2015 apontam que o suicídio, uma consequência mais grave do desenvolvimento do distúrbio, foi a segunda maior causa de morte entre os jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que até 2025 esse será o segundo transtorno mais incapacitante do mundo. Mesmo assim, poucas pessoas falam do assunto, que é tratado como tabu ou taxado apenas como uma tristeza passageira.

TRISTEZA X DEPRESSÃO

Perder um ente querido, experienciar o fim de um relacionamento ou a morte de um animal em extinção pode gerar sentimentos ruins que duram um longo período. Contudo, a infelicidade é   uma emoção passageira, ou seja, com o tempo, a pessoa se recupera e volta a sentir alegria no dia a dia. A depressão, no entanto, “é uma tristeza muito mais profunda e recorrente, com sintomas mais marcantes. Além disso, o distúrbio não precisa, necessariamente ter um motivo para aparecer”, explica a psicóloga Lizandra Arita.

O transtorno também pode surgir decorrente de um acontecimento pessoal dos mesmos modos que a tristeza intensa, mas a depressão vem somada com traumas do passado. Além disso, pode ser causada por alterações fisiológicas e hormonais, como problemas na tireoide e o pós-parto, além do aspecto genético. O distúrbio é considerado uma doença que deve ser diagnosticada e tratada, enquanto a infelicidade “faz parte da vida, aliás, é um dos sentimentos básicos do ser  humano, junto com a alegria, o medo e a raiva”, esclarece Lizandra.

DISFUNÇÃO CEREBRAL

Para a neurociência a depressão é causada pelo mau funcionamento dos neurotransmissores – substâncias que comunicam as áreas do órgão ao ativarem as células neurais –  responsáveis pela regulação do  humor e motivação. “Uma das hipóteses mais aceitas é de que os sistemas monoaminérgicos não funcionam adequadamente. Estes são compostos por neurônios que contêm neurotransmissores como noradrenalina e serotonina, que, junto com a acetilcolina, exercem efeitos na modulação e integração sobre outras ações envolvidas na regulação da atividade psicomotora, apetite, sono e do humor”, explica a neurologista Vanessa Muller.

Além disso, outras desregulações podem estar presentes nos sintomas depressivos, como a deficiência da dopamina – neurotransmissor responsável pela motivação –  e a diminuição do hipocampo, região que regula as emoções. A consequência dessas disfunções são: falta de interesse em atividades que geram prazer, insônia ou sono excessivo, baixos níveis de energia e autoestima, pouca concentração e pensamentos suicidas.

IDENTIFICANDO E CURANDO

Para diagnosticar a doença é preciso passar por uma avaliação clínica com um psicólogo ou psiquiatra. Assim, os profissionais podem encaminhar o paciente para um tratamento mais adequado dependendo do grau de depressão que o indivíduo apresenta. O tratamento pode abranger desde uma psicoterapia para níveis mais leves, até medicamentos antidepressivos para quadros mais avançados.

O papel dos amigos e familiares de uma pessoa depressiva é importante no momento do diagnóstico e tratamento, da doença. O primeiro passo é entender o transtorno e não desdenhar da dor do outro como algo sem motivo ou relevância. Assim, o círculo social pode ajudar o paciente a manter a rotina de medicamentos e presença nas sessões com o médico responsável, bem como propor novas atividades benéficas para a saúde física e mental.

CONSEQUÊNCIA DA DEPRESSÃO

A grande maioria dos casos de suicídio é causado por quadros depressivos avançados, segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015, a cada 40 segundos uma pessoa tira sua própria vida no mundo. No Brasil, são estimados 32 casos por dia, ou seja, uma morte a cada 45 minutos. Além disso, essa é a segunda forma de óbito entre os jovens entre 15 a 29 anos. Apesar do alto índice de falecimento, 80% dos depressivos dão sinais ou, até mesmo, falam abertamente sobre seus planos antes de cometer o ato. Contudo, o assunto ainda é tratado como tabu pela sociedade.

Reconhecer os indícios é o primeiro passo para ajudar uma pessoa a evitar o suicídio. Por isso, fique atento em comportamentos como: mudança de hábito, isolamento social, marcas de automutilação pelo corpo – muito comum em adolescentes depressivos -, autocrítico, atitudes autodepreciativas, melhora súbita – quando uma pessoa depressiva aparenta uma recuperação surpreendentemente rápida a fim de ficar sozinho – e frases sugestivas, por exemplo, “a vida não vale a pena”, ou explícitas, como “não aguento mais, quero morrer”. Se detectar essas ações em um parente ou amigo, ajude-o a procurar um especialista e ofereça atenção para ouvir o que tem a dizer. Se você se enquadra nos aspectos listados, o Centro de Valorização da Vida (CVV) tem suportes como ligação gratuita no número 141 e chat pelo sitehttp://www.cvv.org.br paraatender pessoas que precisam conversar a qualquer momento.

POESIA CANTADA

NÓS

CÁSSIA ELLER

COMPOSIÇÃO: TIÃO CARVALHO.

Eu… sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Eu… sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Eu… sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ouvir cantar por aí

Eu… sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois, é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Pois é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Essa samba é pra você
Pra você sorrir, pra você chorar
Pra você sonhar, pra você feliz
Pra você amar!

OUTROS OLHARES

CONTROLE HI-TECH

Cem anos depois da sintetização da insulina, a medicina oferece um extraordinário arsenal contra o diabetes, doença crônica que atinge 12 milhões de brasileiros

Há um século, indivíduos que tinham diabetes ganharam a primeira esperança de viver um pouco mais. Em 1921, os médicos canadenses Charles Best e Frederick Banting sintetizaram a insulina e abriram o caminho para que a doença finalmente tivesse alguma forma de controle. A insulina é um hormônio produzido no pâncreas e tem a função de permitir a passagem da glicose que circula no sangue para dentro das células. É assim que o corpo ganha combustível para funcionar. Se ela não for produzida ou não atuar como deveria, sobra açúcar no sangue e o corpo todo sofre.

Isso é o diabetes. Da aplicação das primeiras injeções, em 1922, até hoje, a ciência construiu um arsenal terapêutico extraordinário. Não se chegou à cura, mas a vida do paciente está bem melhor e, a contar pelo que está saindo dos laboratórios, será ainda mais bem preservada.

Sem controle, o diabetes age como erva daninha. Não dá sinais, mas aos poucos danifica vasos sanguíneos, dispara processos inflamatórios, bagunça o metabolismo e, quando a pessoa se dá conta, pode estar a um passo de um infarto ou de um acidente vascular cerebral. Só no Brasil há 12 milhões de indivíduos que precisam ser tratados antes que tudo isso aconteça. Cerca de 90% deles têm diabetes tipo 2, associado à obesidade e ao sedentarismo. Para esse grupo, a forma mais fácil de manter os índices de glicose sob controle é ter uma boa alimentação e fazer exercício físico. Quando isso não é suficiente, uma das indicações mais comuns é o uso de insulina sintetizada, para ajudar o corpo a se livrar do açúcar em excesso. Nesse campo uma das novidades é a Icodec, insulina de dose semanal produzida pelo laboratório Novo Nordisk. Ela está na fase 3 de ensaio clínico, mas resultados preliminares sugerem que tenha a mesma eficácia das insulinas tomadas diariamente.

Há tempos recomenda-se aos pacientes que façam periodicamente um exame que revela o comportamento da doença durante três meses. A medida é relevante porque aponta um padrão de evolução que pode exigir mais do que intervenções pontuais. Esse teste se chama hemoglobina glicada. É feito como outros exames laboratoriais cujos resultados saem após alguns dias. Porém, uma opção mais moderna chamada AlCNow+ chegou ao Brasil prometendo entregar o resultado cinco minutos depois da coleta da amostra de sangue. Como a insulina semanal, o objetivo é garantir conforto e rapidez na entrega de informações.

A ideia de usar um pâncreas artificial para tratar o diabetes tipo 2 também começa a ser discutida. Hoje, estão em estudo modelos que serviriam para o tipo1 da doença, causado pelo ataque do sistema de defesa do corpo contra as células produtoras de insulina. Porém, um time da Universidade de Cambridge , na Inglaterra, iniciou testes em pacientes com o tipo 2 com a expectativa de que a invenção funcione também para eles. O pâncreas artificial é, na verdade, um sistema instalado do lado de fora do corpo composto de um sensor que capta o nível de glicose no sangue, de um chip capaz de calculara dose de insulina necessária e de uma bomba que injeta o hormônio sintético na circulação sanguínea. Nos Estados Unidos, criação um tanto mais sofisticada está em criação na Universidade Rice: um implante que libera insulina quando preciso. “Queremos reproduzir o que acontece no corpo”, diz Omid Veiseh, líder do trabalho. Esses recursos vêm para evitar que o paciente chegue à cirurgia metabólica, opção invasiva recomendada apenas aos que tentaram outros tratamentos. Se bem indicada, ela tem bons resultados. No entanto, o melhor a fazer é se cuidar e deixar o bisturi como última alternativa.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 13 DE SETEMBRO

ESCUTE PARA DEPOIS RESPONDER

Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha (Provérbios 18.13).

A Palavra de Deus nos ensina a sermos prontos para ouvir e tardios para falar. Falar muito e ouvir pouco é sinal de tolice. Responder antes de ouvir é então, passar vexame na certa. Não podemos falar daquilo que não entendemos. Não podemos responder sem nem mesmo ouvir a pergunta. Uma pessoa sábia pensa antes de abrir a boca e avalia as palavras antes de proferi-las. Uma pessoa sensata rumina a pergunta antes de dar a resposta. Avalia e pesa cada palavra antes de enunciá-la. O apóstolo Pedro não seguia esse padrão. Era um homem de sangue quente. Falava sem pensar e, muitas vezes, sem entender o que estava falando. Por ter uma necessidade quase irresistível de falar sempre, tropeçava em suas próprias palavras e se envolvia em grandes encrencas. Na casa do sumo sacerdote, afirmou três vezes que não conhecia a Jesus, e isso depois de declarar que estava pronto a ser preso com ele e até mesmo morrer por ele. Pedro proferia afirmações intempestivas e dava respostas sem nenhum sentido. Era um homem contraditório, que num momento fazia declarações audaciosas para em seguida recuar e demonstrar uma covardia vergonhosa. Falar do vazio da cabeça e da plenitude da emoção pode ser um enorme perigo. O caminho da sabedoria é ouvir mais e falar menos, é pensar mais e discutir menos, é abrir mais os ouvidos e menos a boca.

Blog O Cristão Pentecostal

"Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertam-se! Convertam-se dos seus maus caminhos!" Ezequiel 33:11b

Agayana

Tek ve Yek

Envision Eden

All Things Are Possible Within The Light Of Love

4000 Wu Otto

Drink the fuel!

Ms. C. Loves

If music be the food of love, play on✨

troca de óleo automotivo do mané

Venda e prestação de serviço automotivo

darkblack78

Siyah neden gökkuşağında olmak istesin ki gece tamamıyla ona aittken 💫

Babysitting all right

Serviço babysitting todos os dias, também serviços com outras componentes educacionais complementares em diversas disciplinas.

M.A aka Hellion's BookNook

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

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La otra luna de Picasso

El arte es la esencia de la espiritualidad humana.