A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SINGULARIDADES SIMBÓLICAS E CULTURAIS

O Brasil é um dos países que mais passaram a produzir estudos e pesquisas sobre paternidade, desde que o cenário familiar começou a mudar, devido às transformações dos papéis sexuais e de gênero

Não é novidade para ninguém que as figuras do pai e da mãe são fundamentais na vida dos filhos. Ao longo dos anos essa relação foi se transformando, passando por inúmeras fases, dependendo do momento histórico, social e comportamental, além de posicionamentos religiosos e até mesmo geográficos. Apesar de todas essas variantes, independentemente de quaisquer fatores, pai e mãe foram, são e sempre serão igualmente importantes na concepção, formação e educação da criança. Entretanto, apresentam singularidades simbólicas e culturais que produzem nuances delicadas nessa dinâmica.

Até o final do século XX foram poucos os estudos acadêmicos sobre a relevância da paternidade na formação da pessoa, enquanto que os estudos a respeito da maternidade foram inúmeros em todo o mundo. Mas, de acordo com Souza e Benetti (2009), esse cenário vem se transformando à medida que os papéis sexuais e de gênero vêm sofrendo transformações nas sociedades ocidentais: entre 2000 e 2007, usando as principais bases de dados acadêmicos, as pesquisadoras observaram uma incidência de 2.205 estudos sobre paternidade, sobretudo no Brasil, Inglaterra e Estados Uni­ dos. Em suas análises, concluem que “o tema paternidade é foco importante para a compreensão das relações familiares, questão fundamental para a implantação de políticas públicas de apoio às famílias em diferentes contextos”. (Souza; Benetti, 2009, p. 97). A paternidade é um fator que transforma a vida do homem, sobretudo aquele que a exerce de forma afetiva e presente e em nível cerebral: há alterações neurais, cognitivas, emocionais, hormonais e comportamentais significativas. Neurologicamente, novas conexões sinápticas compõem o cérebro do pai. No aspecto hormonal há evidências de que pais que cuidam efetivamente dos seus filhos têm níveis de oxitocina aumentados, enquanto a testosterona tem uma leve diminuição, o que nos leva a crer que há um aumento do vínculo e diminuição da agressividade, sem, contudo, comprometer a função protetiva.

As figuras paternais são sabidamente fundamentais para a formação da identidade e personalidade da pessoa e, nesse sentido, esses estudos apontam um avanço da Psicologia que gera subsídios às políticas públicas e ao Direito para desenvolverem medidas sociais que qualifiquem a vida humana. De acordo com Hennigen e Guareschi (2002), a paternidade é uma construção social com caráter flexível, influenciada por outras posições identitárias, bem como a mídia e a cultura. Assim, a ideia de paternidade responsável é fator social importante, estando relacionada à diminuição da violência e de acidentes de trânsito, à prevenção da criminalidade, qualidade da saúde da criança (Moreira; Toneli, 2013).

Considerando essas preposições, o objetivo deste trabalho é discutir a importância da figura paterna na for­ mação da pessoa, a ausência paterna e separação dos pais, a adoção pater­ na e pais em famílias homoafetivas. Ser amado ou rejeitado é igualmente influente na formação da personalidade das pessoas, da infância à vida adulta, e isso significa que a discussão sobre as figuras materna e paterna são definitivas na modulação da personalidade e da cultura social, sobretudo no que se refere à ansiedade geral, segurança e agressividade dos sujeitos.

A figura paterna, seja realizada pelo progenitor biológico ou não, é fundamental para a estrutura psíquica da pessoa, contribuindo para sua introdução no mundo, nas diferenças e regras sociais, à curiosidade e exploração do ambiente e na resolução dos problemas – seja uma referência positiva ou negativa, é de suma importância para a pessoa compreender a si mesma no mundo.

IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO

Existem novas possibilidades de ser “pai” para além da imagem tradicional veiculada nas propagandas de datas festivas: pais separados, pais doadores de material genético, pais que formam casal em relações homoafetivas, pais que convivem minimamente com os filhos, ou que moram em outro continente, mas que com eles falam diariamente via ferramentas de tecnologia da comunicação.

Em seu trabalho O pai possível: conflitos da paternidade contemporânea, o dr. Durval Luiz de Faria discute essas singularidades no panorama das transformações da identidade e da intimidade do mundo contemporâneo. Nesse panorama de multipossibilidades, o autor aborda as dificuldades, limites, funções e conflitos inerentes à figura do pai, que, supomos, seja também um ser humano real: para além dos nossos ideais normativos, juízos de valor e expectativas, a paternidade é função social que vai se adaptando às transformações da cultura, na vida prática.

CÁTIA RODRIGUES – é psicóloga e pesquisadora acadêmica na Pont1fic1a Universidade Católica de São Paulo (PUC -SP). espec1al1sla em sexualidade e em saúde mental. www.irbc.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.