POESIA CANTADA

NÃO VÁ EMBORA

MARISA MONTE

NÃO VÁ EMBORA

COMPOSIÇÃO: ARNALDO ANTUNES / MARISA MONTE.

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio, só, perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca, nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca, nunca mais

Eu podia estar perdido, caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

OUTROS OLHARES

TIKTOK, A MÁQUINA DE MEMES, SAI NA FRENTE NA DISPUTA PELA ATENÇÃO

Receita de vídeos curtos facilita tarefa do algoritmo de conhecer o gosto de cada um. Aplicativo ultrapassa 3 bilhões de downloads

A disputa das plataformas digitais pela maior fatia da atenção do usuário ganhou novo capítulo no pós-pandemia. Segundo dados do SensorTower, o TikTok se tornou o primeiro aplicativo concorrente do grupo Facebook lnc. a ultrapassar 3 bilhões de downloads no mundo. O feito só havia sido atingido pelo WhatsApp, Messenger, Facebook e Instagram, que desde janeiro de 2014 ocupavam o posto sem grandes concorrentes.

“No mundo do social, o vídeo curto é rei”, informa relatório da App Annie, focada em análise do mercado mobile, referindo-se ao principal recurso do TikTok. Segundo a agência, alguns hábitos sociais formados na pandemia se aprofundaram. O TikTok ultrapassou o YouTube em tempo médio gasto por usuário nos EUA e no Reino Unido. Em maio, o usuário médio americano passava 24,5 horas por mês no TikTok contra 22 h no YouTube. No Reino Unido, são quase 26 horas gastas no TikTok contra 16 horas no YouTube.

No mercado brasileiro não falta espaço para a expansão destas plataformas. Segundo a consultoria, os brasileiros passam mais de cinco horas por dia usando aplicativos em seus smartphones. É o país com o maior tempo gasto em apps.

Para especialistas, a conquista da Byte Dance, dona do TikTok, agita o mercado de aplicativos. “O TikTok é uma máquina de meme viciante. Transforma espectadores em criadores de conteúdo, personaliza o conteúdo de acordo com os interesses de quem vê e promove o conteúdo com maior probabilidade de ser compartilhado”, escreveu Jeffrey Towson, professor do Ceibs e chefe de pesquisa da Asia Tech Strategy, consultoria com foco nos EUA e na Asia, no Twitter.

RIVAIS CORREM ATRÁS

A ascensão do Tik Tok tem feito gigantes do Vale do Silício se movimentarem em busca de recursos semelhantes. O Instagram lançou em junho do ano passado o Reels, de vídeos curtos, cujo limite passou de 30 para 60 segundos há uma semana. Em junho deste ano, o YouTube anunciou o Shorts, espécie de vídeo na vertical com duração de até 60 segundos.

Outras empresas correm atrás. Há um mês, o Pinterest lançou o IdeaPins, ferramenta de vídeos com até 1 minuto de duração. Em março, a Netflix lançou nos EUA o Fastlaughs, recurso que exibe sequência de trechos engraçados de filmes, sitcoms, shows de stand-up e outros programas.

Os apps de relacionamento não ficam atrás. O Tinder anunciou um recurso, em junho, em que usuários podem adicionar até nove vídeos de 15 segundos em seus perfis. O chinês Kwai e o indiano Moj, apps de compartilhamento de vídeo, lutam para concorrer com as demais plataformas.

Mas o que tem de tão especial nos vídeos curtos que as plataformas passaram a adotar?

“Por serem vídeos curtos, o algoritmo consegue entender melhor e muito mais rápido, baseado no histórico de atividade, o que o usuário quer ver”, afirmou Christian Perrone, coordenador de Direito e Tecnologia do ITS Rio. Além disso, o tempo curto de duração possibilita que os algoritmos sejam mais precisos na compreensão do interesse do usuário.

“Ele conhece o que a pessoa quer ver naquele exato momento. Ver quatro vídeos curtos é mais rápido do que ver dois vídeos de cinco minutos no YouTube. Talvez no segundo o interesse do usuário já tenha mudado”, diz Perrone.

Matthew Brennan, autor do livro “Attention Factory: Toe Story of TikTok and China’s Byte Dance” (Fábrica de Atenção, em português) revelou, em seu relatório “Entendendo Tik Tok & Byte Dance”, que a Byte Dance, dona do app, compartilha sistemas e infraestrutura entre seus produtos, o que favorece a experiência personalizada.

“O que um usuário faz no aplicativo A pode afetar diretamente o conteúdo recomendado a ele no aplicativo B. Desta forma, mesmo um pequeno aplicativo Byte Dance novo pode aproveitar o mecanismo de recomendação da empresa e os dados de perfil do usuário para oferecer uma experiência altamente personalizada que poderia colocá-lo à frente dos concorrentes”, disse o especialista no texto.

Além disso, Brennan avaliou que o aumento do vídeo curto representa ampla mudança nos hábitos de consumo da web. “É formato atraente para quem visualiza e para anunciantes”, disse o especialista em tecnologia na China.

Para Anna Bentes, pesquisadora do MediaLab-UFRJ/Rede Lavits e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, plataformas como o Instagram e TikTok possuem “mecanismos de enganchar e engajar”.

Por trás da economia da atenção – modelo que disputa a atenção humana como negócio comercializável, sobretudo para fins publicitários – são estes dispositivos que funcionam como um “gatilho” para atrair o olhar dos usuários no nível comercial – concorrendo com outras empresas ­ e entre quem navega no app, na busca por likes, visualizações e engajamento.

“São mecanismos irresistíveis ao olhar. Muitos críticos dos mecanismos de atenção dizem que a lógica das timelines de recompensas variáveis tem funcionamento parecido com o da máquina de caça-níquel, com a ideia de apertar a alavanca e encontrar resultados diversos, como algum conteúdo muito interessante ou nada”, diz Anna.

EFEITOS SOBRE ADOLESCENTES

A popularização das plataformas digitais, sobretudo redes sociais como o TikTok, cujo público majoritário é formado por pré-adolescentes e adolescentes, tem gerado discussões sobre a influência dos algoritmos dos apps no comportamento dos mais jovens.

Levantamento da HypeAuditor de julho do ano passado mostra que usuários entre 13 e 17 anos representavam 40,7% das contas do TikTok no Brasil. Segundo dados do Statista, adolescentes somavam 25% das contas de usuários ativos do TikTok nos EUA em março último.

No último dia 4, o adolescente Lucas Santos, filho da cantora de forró Walkyria Santos, tirou a própria vida após receber uma série de ataques em um vídeo publicado no TikTok. A plataforma se solidarizou com a família: “Comentários de ódio, que violam nossas políticas e prejudicam nossa comunidade, são removidos da nossa plataforma. Também trabalhamos com especialistas, como o CVV, para dar apoio e oferecer recursos para qualquer pessoa que possa estar passando por um momento difícil”, disse, em nota.

Para Perrone, o cenário pré e pós-plataformas modificou a segurança mental das crianças e adolescentes, e as plataformas terão de fazer mais:

“Tem o elemento de moderação de conteúdo, de identificação da situação de risco das crianças, de gerar um certo grau de fricção para que os conteúdos não sejam tão diretos aos menores. São elementos que têm que estar presentes nessas plataformas.

Fernanda Teles, psicóloga especialista em parentalidade positiva destaca que os pré-adolescentes e adolescentes precisam de espaços seguros para se desenvolverem, tanto nas redes sociais como no convívio fora dos espaços virtuais:

“As interações nas redes sociais podem promover fragilidade emocional no desenvolvimento da personalidade e autoestima do adolescente. É preciso estimular o pensamento crítico dos jovens para saber que um comentário pode reverberar na vida do outro.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 31 DE AGOSTO

A ELOQUÊNCIA DO SILÊNCIO

Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio (Provérbios 17.28).

É mais fácil falar do que ficar em silêncio. É mais fácil esbravejar do que cerrar os lábios. Falar muito é sinal de insensatez. Quem fala sem refletir matricula-se na escola dos tolos. Quem fala sobre o que não conhece como se conhecesse recebe o troféu de campeão da estultícia. Os homens não podem auscultar nossos sentimentos nem julgar nossos pensamentos, mas podem pesar nossas palavras e julgar nossas ações. Quando nos calamos, somos considerados sábios. Dificilmente nos arrependemos daquilo que não falamos, mas frequentemente ficamos envergonhados com nossas palavras. A Bíblia nos ensina a sermos prontos para ouvir, mas tardios para falar. Devemos colocar guarda na porta dos nossos lábios. Precisamos filtrar o que falamos. Se nossas palavras não forem verdadeiras e oportunas, não merecem ser ditas. Se nossas palavras não transmitirem graça aos que ouvem, não devem ser pronunciadas. Se a nossa voz não for uma expressão da voz de Deus, é melhor cerrarmos os lábios. Se a nossa língua não for bálsamo para os aflitos, é melhor nos cobrirmos com o manto do silêncio. A eloquência do silêncio é melhor do que o barulho de palavras vazias.

GESTÃO E CARREIRA

A REINVENÇÃO DA LOJA

Com o avanço do comércio online, marcas são obrigadas a transformar seus pontos de venda em espaços de experiência que vão muito além de araras, manequins e vendedores

Por trás do rastro de destruição deixado pela pandemia – que resultou no fechamento de 22,3 mil lojas de moda no país em 2020, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo -, está uma conta que há tempos o varejo brasileiro evita revisar.

As restrições impostas pela Covid-19 aceleraram a busca por respostas quanto à utilidade das lojas físicas. O mercado tenta descobrir o que de fato fará os consumidores abrirem a carteira, em um horizonte saturado de opções no celular – plataforma responsável por 55,1% dos 87,4 bilhões que o e-commerce movimentou em vendas no ano passado, de acordo com relatório da consultoria E-bit Nielsen. No caso específico da moda, tão volátil quanto os humores de quem se viu impedido de sair às ruas, o primeiro fator dessa nova equação é que os pontos físicos, com araras, manequins e vendedores, podem estar com os dias contados. Experiência, mais do que nunca, é a palavra de ordem.

Foi ela que fez, por exemplo, o grupo francês LVMH decidir não esperar a volta do fluxo de turistas asiáticos, que costumam movimentar o mercado parisiense, para reabrir a La Samaritaine.

O centro de compras centenário, adquirido em 2001 pelo conglomerado dono da Louis Vuitton, ficou fechado por 16 anos e foi reinaugurado em junho, após uma reforma faraônica que custou €750 milhões (RS 4,5 bilhões) à companhia – e que tornou o local tudo, menos uma loja.

Hotel de luxo, 96 apartamentos, bares, restaurantes com estrelas no Guia Michelin e, claro, lojas de moda e joalheria compõem o espaço, que não é nem shopping nem loja de departamentos, mas sim uma espécie de cápsula de autoindulgências para um consumidor de luxo.

Algo em escala menor ocorre em São Paulo. O grupo JHSP, dono do shopping Cidade Jardim, abriu em dezembro o CJShops, um complexo de moda e gastronomia com cara de mansão que é quase um anexo do hotel Fasano, nos Jardins.

Aglomeradas em uma das arestas do que se convencionou chamar quadrilátero do luxo paulistano, as marcas se organizam em espaços pequenos para atender a uma demanda do próprio bairro. “Olhamos formas diferentes de experimentar novos resultados. A região é muito adensada de clientes com alta renda e, desde que ofereçamos uma experiência melhor do que a rua, o negócio faz sentido para nós”, explica o diretor-presidente do JHSP, Thiago Alonso.

Para as grifes, o local funciona também como outra opção para a entrega de produtos comprados online no marketplace do grupo, o CJFashion. A facilidade, diz Alonso, está ligada à economia de tempo, um dos novos fundamentos trazidos pela pandemia.

“O consumidor passou a valorizar mais a expressão ‘qualidade de vida.’ Temos de pensar como as ferramentas digitais, que nos foram oferecida quase de maneira impositiva, podem ser usadas para melhorar esse dia a dia.”

Não é coincidência que as marcas estejam criando seus locais de convivência. Próximo ao CJShops, na segunda-feira (9), a estilista mineira Patrícia Bonaldi abrirá o novo espaço da sua grife PatBo. É, na verdade, um lugar onde reunirá outras marcas, como a Apartamento03, de seu grupo Nohda, além de grifes de sapatos, decoração e joias.

Um café da bandeira mineira Frau Bodan completa a área que, antes, pertenceu à loja de fast fashion Forever 21. A mudança sinaliza o espaço que o consumidor quer frequentar.

“Loja não é mais o lugar onde você vai pegar roupa, mas onde recebe explicação sobre ela, monta o styling e tem o contato humano. Temos de considerar esses espaços como lugares vivos”, afirma a empresária, que pretende levar o conceito a Goiânia, Brasília e Belo Horizonte.

A meta de não deixar o e-commerce suplantar a experiência ao vivo – ainda que na pandemia o digital tenha crescido 300% na operação da PatBo -, fez ela dar um passo maior. No fim do mês, a estilista abre a primeira loja fora do país, no Soho, região fashionista de Nova York (EUA).

“Não dá para achar que só a digitalização do varejo seja o futuro. Não é porque um modelo foi mal (o físico] que o outro irá melhor. São propostas diferentes para produtos diferentes. Sea roupa precisa ser vista e tocada para fazer sentido, como é o meu caso, o físico é primordial”, diz Bonaldi.

O que a moda deve perceber a partir de agora é que não se vende mais roupas, mas um estilo de vida. E, por isso, uma das marcas mais bem-sucedidas do país, a Reserva, mudou a arquitetura de suas lojas para dividir em blocos cada segmento de sua oferta. A ideia é conectar os produtos à experiência virtual, um híbrido que, de acordo como empresário Rony Meisler, é extensão da jornada de consumo.

‘Houve um ‘bigbang’ no varejo. A pandemia nos provou que o consumidor está em todos os lugares, que não foram as marcas que viraram ‘omnichannel’ [termo usado para definir a integração dos canais de vendas], mas sim as pessoas”, diz o diretor-executivo do braço de “lifestyle” do grupo Arezzo, o AR&Co, do qual a Reserva faz parte.

Para ele, isso significa que uma marca hoje não deve apenas olhar para a digitalização de seus estoques, mas para tudo o que engloba essa experiência, desde a usabilidade e o marketing digital até o impulso de vendas pelas redes sociais, como TikTok e Instagram. “Quem pensa em vender para millenials ou para a geração Z não pode deixar de estar ali, porque a relação com as marcas começa nessas plataformas. O desafio é fazer esse negócio não ser apenas escalável, mas lucrativo”, afirma.

No fim, toda essa história sobre o modelo de venda vai depender da estratégia de cada marca, porque “abrir loja só para abrir loja diz Meisle, “Isso não existe mais.

EU ACHO …

REDES SOCIAIS LUCRAM COM O ÓDIO

É preciso uma decisão judicial para excluir a conta de quem comete um crime?

Nesta semana, completou-se um ano da divulgação da identidade de uma menina negra de 10 anos engravidada por um tio que buscou seus direitos de aborto legal. Seu nome foi exposto por uma militante de extrema direita  que, na sua conta de Twitter, violou o Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outras leis.

O fato ganhou ampla repercussão. A conta do Twitter da tal militante de extrema direita estava ativa para acesso geral, mesmo com um histórico de anos de mensagens falsas. Ela, inclusive, havia sido presa pouco tempo antes por causa dos atos antidemocráticos contra o Supremo Tribunal Federal . Mas mesmo antes disso, , havia uma longa lista de episódios de narrativas de violência e exposição.

Pois bem. Não satisfeita, também divulgou o endereço do hospital onde a menina faria o aborto legal. No YouTube, essa mesma pessoa passou a fazer vídeos ao vivo repercutindo o caso, enquanto uma horda perseguia a menina no Espírito Santo, estado onde morava, e depois em Pernambuco, para onde foi transferida.

Cientes de onde a menina estava, pessoas se reuniram na porta do hospital, onde passaram a gritar e impediam médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras de entrarem no hospital. Foi um circo armado e repercutia no Twitter, onde as palavras “estupro”, “aborto” e o nome da militante se confundiam com anúncios diversos, como assista a nova série X”. A banalidade do mal.

As cenas foram de desistir desse país que criminaliza o corpo das mulheres, mas lida muito bem com homens que fazem filhos e abandonam. Que ainda hoje julga as mulheres que fazem aborto e as condenam à ilegalidade, levando um número altíssimo de mortes pelo procedimento inseguro. E pior de tudo é que  naquele hospital estava uma menina de dez anos de idade, uma criança que entrou no hospital com uma girafa e um sapo de pelúcia.

Mais tarde, foi revelada que a “ministra das mulheres e da família” mobilizou a máquina pública para pressionar a menina e sua avó para que o aborto não fosse feito. A matéria conta uma visita hostil à casa da avó da criança, um retardo de alta no Hospital do Espírito Santo ligado à igreja onde a ministra é pastora e a coincidência incrível entre a chegada da criança no Recife e a revelação pela militante – e então pupila da ministra – da identidade e endereço nas redes.   

Enojada com aquela completa banalização da violência, do episódio trágico que envolvia uma criança e a falta de responsabilidade completa com ela, sua família, os profissionais da saúde e a sociedade em geral, percebi como muito dinheiro foi feito nas empresas de redes sociais naquele final de semana com base em um crime contra uma criança. O fluxo aumentou, as informações estavam lá para acesso geral, as pessoas compartilhavam, instrumentalizando a vida de  uma criança para ganhar likes.

Em um artigo perguntei: qual valor seria destinado à mesma e sua família dos lucros auferidos pelo Twitter naquele final de semana em que a empresa a teve como uma garota propaganda involuntária?

Algum tratamento, acompanhamento psicológico, alguma indenização seriam devidos pelo fato de a plataforma ter se envolvido como praça pública onde a militante pendurou a identidade e o local onde estava a menina e onde pessoas se reuniram para levar essa exposição do assunto mais comentado da rede?

É a exploração econômica do racismo e da misoginia enriquecendo essas empresas que lucram com o ódio. Até hoje não obtive resposta para essa pergunta, que também se estende ao YouTube, onde a militante fez vídeos ao vivo incentivando a repercussão do caso, enquanto a horda gritava na porta de um hospital. Atualmente, ela tem conta ativa no Facebook e no Instagram.

Voltando ao Twitter, o perfil da militante seguiu para acesso amplo e só foi tirado do ar por determinação da Justiça dó Espírito Santo. Até lá, a empresa permitia a presença do perfil.

Vale dizer que o Twitter se amparou no Marco Civil da Internet para manter o perfil ativo, mas  perguntamos: precisa mesmo uma decisão judicial para excluir a conta de quem está cometendo um crime contra uma criança? Será que o Marco Civil da Internet está atualizado para as dinâmicas dos tempos contemporâneos? Evidentemente, entendo que não.

A verdade é que esse caso hoje não é mais comentado. Virou um assunto do passado, a menina e sua avó que lutem, o dinheiro que fizeram em cima delas foi distribuído em uma bolsa de valores, num lugar bem distante do Espírito Santo. A ministra segue seu projeto a serviço do governo e quem ainda se preocupa com o escatológico que toda essa situação evidenciou sou eu,  você e, quem sabe, instituições sérias que ainda existam nesse país para responsabilizar as plataformas de redes sociais pelo que fazem e deixam de fazer. Com a palavra, o MPF? 

DJAMILA RIBEIRO – é mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção ”Feminismos Plurais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSIEDADE, ANGÚSTIA E MEDO DA COVID MARCAM RETOMADA DA VIDA PRESENCIAL

Reencontros entre amigos e retorno aos escritórios devem ser gradativos, dizem especialistas

Insegurança na volta ao escritório, falta de coragem para encontrar os amigos, receio de contato com colegas que frequentam festas clandestinas, pavor de transmitir a Covid-19 para os familiares e medo de não perder o medo do vírus. Estas são algumas das angústias relatadas por aqueles que ainda não se sentem confortáveis com a retomada à vida presencial. Há mais de um ano e meio, a pandemia fez com que escolas adotassem o ensino a distância, escritórios apostassem no home office e encontros entre amigos se restringissem a conversas por videochamadas.

Com o avanço da vacinação e uma queda no número de casos de Covid, medidas de contingência vêm sendo abrandadas na maioria dos estados do país. Porém, há quem não se sinta confortável com a retomada da vida presencial.

Taise Cavasin Dalazen, 34, vive em constante estado de pânico. Ela, que mora em Florianópolis, diz que seu isolamento ainda é severo, com poucas saídas – coragem para ir ao mercado, por exemplo, ela só teve no início deste ano. Agora, com os amigos imunizados com a primeira dose da vacina e já querendo se reencontrar. Taise ainda não sente coragem “Mesmo que seja em um lugar arejado, com distanciamento, uso de álcool, sei que vou ficar em pânico. Ainda não me vejo saindo de casa tranquila. Me surpreende que pessoas que tinham o privilégio de trabalhar de casa não pararam quietos durante a pandemia”, diz.

Em meio à aceleração de casos da variante delta e debates em relação à necessidade de terceira dose, o medo e a ansiedade leve são legítimos, afirma o psiquiatra Daniel Costa, do Hospital das Clínicas.

Ele sugere que, nestes casos, as pessoas optem por retornos graduais e aumentem a exposição gradativamente. Mas, para quem ainda assim experimentar sintomas de ansiedade que se assemelham a síndrome de pânico, a busca de profissionais de saúde mental é o caminho mais indicado para que o retorno seja menos sofrido.

Essas angústias quanto à retomada já se transformaram em siglas, que vêm sendo usadas em países como Estados Unidos e Inglaterra como Fomu e Forto, que, traduzidos para o português, se referem ao medo de encontrar outras pessoas e medo de se retornar ao escritório, respectivamente.

Para  Katty Zuniga, psicóloga e pesquisadora do laboratório de estudos de psicologia e tecnologias da informação e comunicação da PUC­ SP, a ansiedade, a depressão e o estresse podem aflorarem qualquer momento da vida, mas a pandemia, com certeza, foi um acelerador, tanto no início quanto agora na volta.

Além disso, ela afirma que o distanciamento deixa marcas, tanto entre jovens e crianças que estão em fase de autoconhecimento como em adultos, que tiveram de equilibrar a rotina familiar com o home office.

De acordo com uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia, publicada em março deste ano, 49% dos adultos admitiram que se sentiriam apreensivos com as interações presenciais, mesmo no pós-pandemia. Na época a pesquisa não detectou diferença de respostas em relação ao medo entre adultos vacinados e aqueles que ainda não haviam recebido o imunizante.

Professora de redação e inglês de uma escola particular em Duque de Caxias (Rio de Janeiro), Nathalie Gonçalves, 26, trabalha com crianças de 8 a14 anos. Ela já recebeu as duas doses da vacina e, desde fevereiro, trabalha em um sistema híbrido, com parte dos alunos em casa e outra parte na sala – que já registram quase metade de ocupação.

Além dos problemas do dia a dia do trabalho, ela se sente mais ansiosa, com vontade de lavar a mão a toda hora e, ao mesmo tempo, lidar com a dificuldade de manter a distância com as crianças. “Como eu vou dizer ‘não’ quando ouço um ‘tia, amarra meu tênis?’ ou ‘tia, ajeita meu casaco?”‘

Ela vive com a mãe e com a avó e, apesar de todas estarem imunizadas, ela não se sente  tranquila para sair. “O pior é abrir o Instagram e ver um conhecido num casamento cheio de gente”, lamenta.

No estado de São Paulo, as aulas presenciais foram retomadas no início de agosto. Porém, cerca de 80% dos professores, alunos e pais seguem com medo de serem contaminados pela Covid-19, conforme mostrou um estudo encomendado pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) ao Instituto Vox Populi.

O contrário aconteceu com Jucelei Fidelis Signoreto, 15, que vive em Valinhos (São Paulo). Ele relata que estava feliz com o retorno das aulas, já que em casa sentia dificuldade nas aulas online, devido a problemas de conexão com a internet e falta de espaço isolado para estudar.

Porém, logo na primeira semana, sua escola foi fechada após um caso de Covid-19. Signoreto diz que passou a sentir receio das aulas ao descobrir que alguns colegas frequentam festas, não utilizam máscaras e no dia seguinte vão para a escola.

Para o psicoterapeuta Leo Fraiman, atitudes como as dos colegas de Signoreto refletem sobre outro lado, ou seja, que não apenas adultos e jovens conscientes manifestam angústia com as retomadas. “Muitas vezes, a mesma família que permite que o filho se aglomere em jantares com os amigos e frequente baladas, não quer que o mesmo aglomere na escola”, diz Fraiman. Para ele, existe uma certa dissonância frequente, principalmente da classe média e classe média alta, que trata o filho com “coitadismo exagerado”.

Para ele, a pandemia piorou aquilo que já era notado nas escolas, em que pais e alunos se consideram clientes de professores e, por isso, acham que têm sempre razão. “Existem muitos custos para a sociedade em consequência dessas atitudes individualistas, em que “cada um fica na sua bolha”, diz o especialista que compara essas situações com as de um “filme de terror em que a maioria se recusa a acreditar.”

POESIA CANTADA

OCEANO

DJAVAN

OCEANO

COMPOSIÇÃO: DJAVAN

Assim que o dia amanheceu lá
No mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim

Enfim, de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti, tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na sela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor
Vem me fazer feliz, porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
E esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você

Enfim, de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti, tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na sela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor
Vem me fazer feliz, porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
E esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você

OUTROS OLHARES

SINAL DOS NOVOS TEMPOS

A TV por assinatura, que atingiu seu auge na década passada, perde 6 milhões de clientes em sete anos – indício de uma tendência que pode ter vindo para ficar

Sabe aquela tradicional imagem da família em torno da televisão? Já faz algum tempo que ela não representa a realidade do lar, inclusive do brasileiro. Hoje em dia, cada membro da família está com a cara voltada para uma tela diferente: computador, celular ou tablet. Os jovens adultos lideram essa tendência – eles não veem mais TV, seja aberta ou por assinatura, a não ser para assistir a um jogo de futebol ou, eventualmente, um reality show. Na verdade, a maioria é avessa às programações fixas das emissoras e recorrem a plataformas de streaming como Netflix, Amazon, HBO Max, entre tantas outras. A maior evidência dessas mudanças está em dados recentes sobre o mercado de TV paga divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatei), mostrando que só neste ano as operadoras registraram perda média de 160.000 assinantes por mês.

É verdade que a tendência de queda começou antes, em 2014, em razão da retração econômica que reduziu o poder de consumo do brasileiro. Por não ser um serviço essencial, a TV por assinatura é um dos primeiros itens do orçamento doméstico a sofrer corte. Os preços dos pacotes, que custam em média 130 reais por mês, contribuem para isso. Com exceção de agosto do ano passado, quando houve um aumento tímido da base de assinantes, a curva vem apontando para baixo. O número total desceu do patamar de quase 20 milhões de lares para menos de 14 milhões, revelando que, em sete anos, 6 milhões de clientes cancelaram seus planos. Todas as grandes empresas do setor tiveram sua base de assinantes reduzida, com exceção da Oi, que adicionou 52.000 lares à sua, provavelmente em razão do investimento na tecnologia de fibra, que melhora a recepção e a qualidade de imagem. Ainda assim, trata-se de um número inexpressivo quando comparado a um mercado potencial de mais de 20 milhões de clientes.

Justificar a perda de assinantes pela conjuntura econômica pode levar à errônea conclusão de que se trata de um problema circunstancial, o que está longe de ser verdade. O streaming, seja pago, seja gratuito, tem reduzido o interesse do público pela TV por assinatura, que ainda consegue segurar a audiência com eventos esportivos e a venda casada de pacotes que englobam telefonia fixa, internet rápida e canais de TV. O problema é que esses canais são estáticos e competem com uma programação sob medida de aplicativos lançados, ironicamente, pelas mesmas redes que defendem seu antigo produto, como Disney, Warner e Paramount. “Além de ser mais baratas, as plataformas digitais têm a vantagem de conseguir direcionar o cardápio de filmes e séries, por meio de algoritmos, para o que os clientes querem ver”, disse o professor de economia Arthur Barrionuevo, da Fundação Getúlio Vargas.

Outro complicador para as operadoras é a pirataria. Estima-se que cerca de 5 milhões de lares recebam sinal sem pagar por ele, provocando um impacto de mais de 15 bilhões de reais por ano. Apesar disso, o mercado continua atraente para as operadoras, pois as assinaturas existentes ainda movimentam 21 bilhões de reais por ano. No quesito preço final, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) mostra que as operadoras enfrentam um concorrência assimétrica dos outros provedores de vídeos, que não estão sujeitos às mesmas obrigações regulatórias e carga tributária. Segundo a associação, “os custos impostos à TV paga são maiores, o que gera uma competição desigual”. Essa queixa, inclusive, foi levada ao Ministério das Comunicações, que pode vir a revisar o modelo. Espera-se apenas que a solução não venha na forma de aumento de impostos sobre serviços de streaming, prejudicando a parte mais interessada: o consumidor.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 30 DE AGOSTO

O VALOR DO DOMÍNIO PRÓPRIO

Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência (Provérbios 17.27).

Quem controla sua língua domina todo o seu corpo. Quem domina seus próprios impulsos é mais forte do que quem conquista uma cidade. Dominar a si mesmo é uma tarefa mais árdua do que dominar os outros. Quem fala sem refletir revela sua estultícia. Quem fala muito erra muito, mas até o tolo, quando se cala, é tido por sábio. Quem retém suas palavras possui o conhecimento, mas quem tem língua solta tropeça em suas próprias palavras. Se o silêncio é a voz eloquente do conhecimento, o espírito sereno é a bandeira desfraldada da inteligência. Um indivíduo destemperado emocionalmente pode até ser um poço de cultura, mas sempre será tido como estulto. Pode até ter razão, mas sempre perderá sua causa. Uma pessoa que fuzila os outros com palavras venenosas e os agride com ações violentas demonstra sua falta de inteligência. Nessa sociedade tão sobrecarregada, em que as pessoas vivem com os nervos à flor da pele, estressadas com o trânsito congestionado e com as filas imensas nos bancos, o domínio próprio está-se tornando uma virtude em extinção. Precisamos vigiar a porta dos nossos lábios e acalmar o ímpeto do nosso espírito para não sermos taxados de ignorantes e insensatos.

GESTÃO E CARREIRA

VAI VENDER PELA INTERNET? CUIDADO PARA NÃO CAIR EM GOLPES

Criminosos tentam contato paralelo com quem anuncia para burlar plataformas, simular pagamento ou clonar WhatsApp

Comprar on-line exige cuidados, mas vender também. O número de golpes usando como trampolim as plataformas que permitem ao internauta adquirir e anunciar produtos se multiplicam. Na maioria dos casos, os criminosos usam o anúncio feito on-line como ponto de partida para buscar um contato paralelo com o vendedor. São duas as fraudes mais frequentes: uma é a tentativa de clonar o WhatsApp, alegando problemas no pagamento. A outra é burlar o sistema para receber o produto sem desembolsar um tostão, o que o vendedor só vai descobrir tarde demais.

Foi o que aconteceu com a enfermeira carioca Fabrícia Ribeiro, que caiu num golpe apesar de não ser estreante no Mercado Livre:

“Anunciei meu celular, logo em seguida recebi um e-mail, idêntico visualmente ao do Mercado Livre, alegando problemas e me enviando os dados do comprador para o envio do celular para São Paulo, tinha até o telefone de contato da pessoa. Só me dei conta do golpe quando o produto chegou lá e não recebi nada. Procurei a plataforma, mas me disseram que deveria ter ficado atenta ao domínio do e-mail. Conclusão: perdi R$700”, lamenta.

A paulista Graziely Basílio, analista de marketing, salvou a irmã Gabriely, de apenas 18 anos, de cair num golpe. A jovem tinha anunciado uma TV 32 polegadas na OLX e recebeu uma mensagem de um pretenso interessado perguntando se seria possível fazer a mesma oferta no Mercado Livre, pois gostaria de usar outra forma de pagamento. E assim Gabriely fez. Logo em seguida, mandaram a ela um e-mail, com a identidade visual idêntica à da plataforma, informando que a compra havia sido bloqueada e pedindo dados pessoais e bancários para que pudessem fazer o pagamento. Foi nesse momento que Graziely entrou no circuito:

“Passei a fazer contato com o comprador, logo me dei conta que devia ser um golpe pelo número de dados que pediram. Minha tia já tinha sofrido uma tentativa semelhante, foi a nossa sorte pois o contato é muito persistente e amigável. Falei para minha irmã fazer um boletim de ocorrência e escrevi às redes sociais como forma de alertar outras pessoas”, diz Graziely, acrescentando que continua a receber mensagens.

NADA DE PASSAR DADOS

A advogada Renata Ruback da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RJ, diz que Graziely agiu corretamente. Nunca se deve preencher formulários com dados pessoais, como nome, RG CPF, data de nascimento e, especialmente; dados bancários, antes de checar e constatar a autenticidade da plataforma, afirma. E acrescenta:

“Deve-se dar preferência aos meios de pagamentos seguros usualmente disponibilizados pelas plataformas. Além disso, o vendedor deve esperar a compra ser aprovada pela plataforma e não cair em qualquer pressão para envio da mercadoria”.

No caso da médica veterinária paranaense Elaine Marques, a ligação aconteceu dez minutos depois do anúncio entrar no ar:

“A pessoa dizia que era da OLX e que estavam reclamando que eu não respondia ao anúncio. Disse que eu receberia um número por mensagem de texto para liberar meu acesso ao WhatsApp. Recebi a mensagem, não passei o número e desliguei. Desconfiei.”

O químico Robson Kertelt chegou a cair no golpe, mas se deu conta ainda a tempo:

“Recebi ligações alegando que a publicação foi clonada, pedindo um código que seria enviado pelo WhatsApp para desbloquear a transação. Assim que passei o código, veio a desconfiança e entrei nas políticas da OLX e vi que eles não fazem ligação. Na hora, ativei a dupla verificação do WhatsApp e não puderam clonar.”

A advogada Claudia Silvano, diretora do Procon Paraná diz que, antes de fazer qualquer anúncio em plataforma, o internauta deve se informar sobre os termos de uso do site:

“Isso é fundamental para saber se são feitos contatos por telefone, que tipo de informação são coletadas. Qualquer contato paralelo à plataforma deve ligar um sinal de alerta de fraude.”

USUÁRIO DEVE DENUNCIAR

É imprescindível, no entanto, diz, que as empresas alertem em suas páginas sobre os riscos de golpes:

“Esse alerta é fundamental. É preciso ter atenção, pois nesse tipo de fraude é muito difícil reaver o prejuízo.”

A OLX diz investir em tecnologia e serviços de orientação ao usuário, como manter as conversas no chat da plataforma, não deixar o número de telefone nos anúncios, evitar intermediários e não fazer entrega sem a confirmação do pagamento. A plataforma esclarece que não solicita validação com código de segurança nem informações que permitam acesso à conta dos usuários via chat, telefone, SMS, WhatsApp ou redes sociais.

O Mercado Livre também orienta a verificação do status da venda, na área “Minha Conta”, disponível no site, antes de envio do item. E recomenda que o pagamento seja feito via Mercado Pago, coberto pelo Compra Garantida. A plataforma reforça que dados de contato, como e-mail e celular, não devem ser informados a outros usuários diretamente.

OLX eMercado Livre orientam a leitura dos termos de uso e solicitam que descumprimentos sejam denunciados.

O WhatsApp recomenda a ativação da confirmação em duas etapas, que possibilita o cadastro de e-mail e PIN de seis dígitos. E ressalta que o PIN, assim como o código de verificação enviado por SMS, não deve ser compartilhado.

CONFIRA AS ORIENTAÇÕES DOS ESPECIALISTAS

> Antes de comprar ou anunciar leia os termos de uso;

> Todo o processo de compra e venda deve ser feito pela plataforma. Tentativas de contatos paralelos são alerta de risco de fraude;

> Não forneça telefone ou e-mail a pretenso comprador;

> Não preencha formulários com dados pessoais, como nome, RG, CPF, e dados bancários, antes de checar a autenticidade da plataforma;

> Dê preferência às formas de pagamento oferecidas pelas plataformas que costumam ter garantia.

> Não envie o produto antes de confirmar o pagamento.

> As empresas não costumam telefonar ou pedir códigos enviados por WhatsApp.

> Atenção: e-mails com domínios gratuitos como @gmail, @hotmail, @yahoo ­ são os mais usados para as fraudes;

> Denuncie à plataforma caso suspeite de irregularidade;

> Lembre-se: em caso de fraude é difícil rever o dinheiro.

EU ACHO …

ANDAR COM FÉ

Possivelmente, a saída da armadilha de sermos seres tão crentes seja… mais crença

As pessoas têm fé. Crer é humano. Talvez o reverso da moeda seja verdade e sejamos humanos porque cremos. Não me leve a mal o leitor ou leitora menos devoto ou indiferente. Não me refiro à crença em Deus ou em deuses. Acreditar, realizar o que se chama de salto de fé, é muito maior do que qualquer um de nós pode conceber.

Exemplo banal, porém, verdadeiro: a estatística mostra que dirigir em estradas no Brasil é perigosíssimo. Perdemos cerca de 80 conterrâneos diariamente em acidentes de trânsito: 30 mil vidas por ano, em média. Mais de 5 mil deles apenas no Estado de São Paulo. Ou seja, por prudência, não deveríamos andar de carro por aqui. No entanto, o fazemos. Diariamente. Todos nós entramos em nossos veículos, distraídos, apressados, benzendo-nos, mas embarcamos certos de que, conosco, naquele dia, nada ocorrerá. São números assombrosos e seguimos confiantes. Dirigir, como vemos, é um ato de fé.

Há outra dimensão da convicção absoluta. Quase tudo que vemos (e que não vemos) ao nosso redor é criação nossa. Os veículos, os prédios, as coisas tangíveis são, obviamente, produtos humanos. Há criações que, de tanto acreditarmos nelas, parecem naturais, atemporais, que sempre estiveram lá, como o dinheiro, o casamento ou a democracia. Nada disso é fruto da natureza e, em todas, necessitamos crer para ver. Imaginem um alienígena chegando para nos visitar. Por maior que fosse seu espírito antropológico e sua real vontade de nos entender, qual seria sua surpresa ao se deparar com seres que amanhecem acreditando que ao chamarem um carro por um botão de celular ele aparecerá? Ou… que temos um sistema no qual votamos uns nos outros para que o eleito represente os ausentes.

Não me interpretem errado. Dizer que algo é uma invenção, que não existe em si, que faz parte de um sistema ultra elaborado de crenças não é dizer que ele não seja real. A democracia e o casamento são reais. Traia seu cônjuge e tente puxar da manga a carta de que a monogamia é uma invenção, uma convenção boba. A reação será a medida. Yuval Harari chamou esse tipo de crença humana de grandes ficções. Mesmo nos momentos que se tomaram solenes na memória histórica, como nas declarações de independência, abunda crença: é um pacto de fé achar que um punhado de terras, daquele momento em diante, ganhará uma fronteira, que delimita cidadãos que ali nasceram de estrangeiros que vieram ao mundo 5 cm ao lado. Não à toa, o segundo parágrafo da norte-americana começa com “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas”. Se tem que explicar é porque tais verdades não são tão auto evidentes assim. Mais interessante é  perceber que essa é uma ficção compartilhada. Um historiador norte-americano, David Armitage, já afirmou que a declaração era tanto de independência quanto de interdependência. Se  os demais países do mundo, invenções mais antigas, não acreditassem no que era ali declarado, de que valeria buscar a soberania? Com quem fariam comércio? Para quem destinariam seus produtos? Como sobreviveriam? A Inglaterra não acreditou no texto e a guerra tomou anos. Se o texto era de 1776, a antiga metrópole só passou a acreditar na nova nação em 1783, pelo Tratado de Paris. Séculos depois, quem não acredita nos Estados Unidos?

Voltemos ao início e retomemos o que já descobrimos juntos: crer é fenômeno humano, todos acreditamos em ficções complexas que sustentam nosso dia a dia. Pergunta decorrente: isso é bom? Crer é positivo? O mesmo mecanismo que me faz acreditar em um deus, numa constituição ou que um papel colorido com um desenho de um bicho que tenho na caneira pode ser trocado por comida não seria o mesmo que me faz crer em tratamento precoce para covid, em fake News e que há salvadores messiânicos em política?

Sim, infelizmente é o mesmo. Escolhemos fés, herdamos outras, podemos modificar muitas delas. Possivelmente, a saída da armadilha de sermos seres tão crentes seja…mais crença. Ao entender que a grande maioria das coisas que me cercam não é natural, porém criação humana, não preciso, necessariamente, ser cético.

Posso, num salto de fé, acreditar que podem ser melhoradas. Ninguém sabe se o serão. Talvez não o sejam. Acreditar que possam ser é o X da questão. Vejamos mais um exemplo que já  consta do texto: identificando tantos acidentes de carro, podemos pensar em formas mais seguras de dirigir, algoritmos que impeçam colisões, veículos capazes de absorver impactos, poupando seus ocupantes. Podemos legislar (outra invenção maravilhosa!) sobre velocidades máximas, entender que, em mobilidade urbana, transporte de massa é mais interessante do que carro. Enfim, podemos imaginar futuros alternativos melhores, buscar formas concretas para que se tornem realidade. Ainda que nunca se concretize o futuro sonhado. Com a democracia, o mesmo: ela é fruto de nosso engenho, de novas e constantes pautas, de lutas, de uma constante busca por vivermos juntos e melhor. Há enormes problemas e, ao tentar consertar um furo, descobre-se outro, por vezes. Como o carro: podemos imaginar mil melhorias, mas ele, mesmo infinitamente mais seguro, ainda polui.

Mesmo assim, tenhamos fé nessa invenção. Sem democracia, sem leis, experimentaremos problemas mais sérios. Achemos um jeito de manter essa deusa e seus fiéis, sempre reformando o templo em que nos reunimos. Jamais o derrubando. Sempre com esperança.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CBD CONTRA O ‘BURNOUT’

Em estudo, canabidiol reduziu fadiga na linha de frente da Covid

O canabidiol, composto derivado da maconha, obteve sucesso num teste clínico para tratar a síndrome de ”burnout”, caracterizada por esgotamento físico e mental extremo, em um grupo de médicos e profissionais de saúde na linha de frente da resposta à Covid-19. Realizado no Hospital Universitário da USP de Ribeirão Preto (SP), o extrato da reduziu sintomas de fadiga emocional em 25% dos voluntários, depressão em 50% e ansiedade em 60%.

Liderado pelo psiquiatra José Alexandre Crippa, o ensaio clínico contou com 120 voluntários, que foram divididos em dois grupos iguais: um deles recebeu 300mg diários do medicamento (1 ml), e o outro não recebeu, para efeito de comparação. Todos os profissionais de saúde do estudo passaram, porém, pelo tratamento padrão contra o “burnout”, que incluía consultas com psiquiatras e exercícios físicos de baixo impacto.

SEM BARATO

O canabidiol, também conhecido pela sigla CBD, é extraído da planta da maconha na forma de óleo. Diferentemente da THC, a substância não tem efeito psicoativo forte e não provoca o “barato” típico da droga. O composto vem sendo testado contra diferentes tipos de problemas neurológicos com bons resultados, particularmente contra sintomas da epilepsia.

“É importante ressaltar que na nossa pesquisa usamos o canabidiol em grau de pureza farmacológica. Não era um extrato de maconha comum”, conta Crippa.

O médico conta que teve a ideia de fazer o estudo ao falar com colegas britânicos que estava descrevendo as situações dramáticas das equipes médicas que enfrentaram a primeira onda da Covid-19, antes de ela se dar no Brasil. O estudo começou em Ribeirão Preto, então, a tempo de englobar o período de auge nas ocupações de leitos de UTI da cidade.

“Alguns voluntários do estudo eram médicos e enfermeiros que ficavam por muitas horas no plantão, viam pacientes morrer e passavam medo de se contaminar. Depois iam para casa e não tinham como descompensar esse estresse, não pode dia ter vida social, não podiam namorar, nada. Foi um período muito difícil”, diz o médico.

EFEITOS COLATERAIS

Apesar do sucesso do ensaio clínico, os autores do estudo relatam que uma parte não desprezível dos pacientes, cinco deles, manifestaram efeitos colaterais pelo uso da substância. Em três deles o problema se manifestou apenas ao final do tratamento, que foi encerrado. Em dois pacientes os médicos optaram por descontinuar o uso do canabidiol e exclui-los do teste, (um deles teve alterações em exames de enzimas do fígado, outro teve reações fortes na pele).

“Neste estudo, a terapia com canabidiol reduziu os sintomas de ‘burnout’ e de exaustão emocional entre profissionais de saúde trabalhando com pacientes durante a pandemia de Covid-19. Contudo, é necessário equilibrar os benefícios da terapia de canabidiol com potenciais efeitos colaterais indesejados”, escreveram Crippa e seus colegas em artigo que divulgou os resultados da pesquisa, na revista JAMA Open Network, da Associação Médica Americana.

Os pesquisadores afirmam que mais estudos sejam feitos para atestar com mais precisão o benefício do medicamento.

No estudo atual, os pesquisadores adotaram como diagnóstico de “burnout” três diferentes questionários padrão para medir os sintomas de fadiga emociona, depressão e ansiedade. Em cada um deles, foi estabelecido um nível crítico de sintomas que qualificariam os voluntários a um diagnóstico psiquiátrico clínico envolvendo esses três aspectos.

O teste da USP de Ribeirão foi feito durante a primeira onda da epidemia no país e durou de junho a novembro. Cada um dos voluntários foi acompanhado por quatro semanas inicialmente, e aqueles que não puderam tomar o medicamento no início poderiam optar por entrar no tratamento depois, por quatro semanas adicionais. O estudo continua agora e todos os pacientes estão sendo acompanhados por um ano.

Os cientistas contam no artigo que a ideia inicial era dar placebo ao grupo que não recebeu o canabidiol, mas a universidade recomendou que isso não fosse feito, porque seria mais difícil de por esse plano em prática às pressas durante rotina atribulada de uma UTI de Covid-19. O teste também pode ter tido um viés, afirmam, por não ter sido “duplo-cego”, ou seja, pela falta de placebo os pacientes e médicos sabiam qual tratamento estavam recebendo.

“Testes clínicos futuros com abordagem duplo-cega e controlados por placebo serão necessários para avaliar se as conclusões tiradas deste estudo podem ser aplicadas mais amplamente”, escreveram os cientistas.

“Uma mensagem importante deste estudo é que o CBD não é tão inócuo, precisa ser prescrito por um médico, e o tratamento precisa ter acompanhamento”, diz Crippa.

STATUS LEGAL

O uso do CBD no país é hoje autorizado pela Anvisa, que libera a importação do produto por pessoas físicas e por empresas registradas para revenda. A produção nacional ainda é pequena. O acesso ao medicamento requer prescrição médica e exige do paciente um cadastro.

Existem projetos de lei no Congresso Nacional que buscam desburocratizar o acesso ao CBD e permitir a aquisição por meio do SUS, mas ainda estão tramitando. Formalmente, o produto ainda não é um medicamento aprovado, e a responsabilidade de seu uso recai sobre o médico que o prescreve.

POESIA CANTADA

NÃO VÁ EMBORA

MARISA MONTE

NÃO VÁ EMBORA

COMPOSIÇÃO: ARNALDO ANTUNES / MARISA MONTE

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio, só, perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca, nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca, nunca mais

Eu podia estar perdido, caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

OUTROS OLHARES

PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL

Lei brasileira avança para punir com rigor os stalkers, que amedrontam e ameaçam as pessoas na internet e na vida real

No mesmo mês em que o Código Penal brasileiro foi alterado para incluir a tipificação de crime de perseguição — ou stalking, como é conhecido no mundo todo —, em abril, a professora Nelice Pompeu atravessava uma situação que já se enquadraria no novo texto: por causa de uma série de manifestações políticas contra a abertura das escolas em meio à pandemia, ela primeiro passou a receber mensagens ameaçadoras pelo celular. Umas das ameaças se materializou quando foram até o seu trabalho pedir sua demissão e chegou ao ápice quando ela viu fotografias suas, feitas por um anônimo dentro de um clube, circulando por perfis falsos nas redes sociais. “Está sendo perturbador”, relata.

Algo semelhante aconteceu com Daniel Cara, candidato ao Senado pelo PSOL em 2018. Ainda antes da campanha, ele passou a ser ameaçado por uma série de desconhecidos nas redes sociais, mas estranhou quando percebeu que todas as mensagens tinham uma linguagem parecida. “Parecia a mesma pessoa usando perfis diferentes”, conta. As ameaças, que envolviam seu filho pequeno e a esposa, chamando-os inclusive pelo nome, se tornaram assustadoras quando ele se deparou com o responsável pelos ataques em um estabelecimento ao lado de sua casa. Depois do episódio, Daniel chegou a procurar uma delegacia, mas ouviu que não havia materialidade para abrir um Boletim de Ocorrência. Apesar disso, os ataques on-line cessaram.

AUMENTO DAS PENAS

A nova tipificação do crime de perseguição revogou uma lei da década de 1940 que dizia respeito a quem perturbasse a tranquilidade de outra pessoa “por acinte ou por motivo reprovável”. A pena era de 15 dias a 3 meses de prisão. A nova regra, por sua vez, prevê reclusão de até 2 anos. Em casos em que as vítimas são crianças, adolescentes e idosos, mulheres apenas por sua condição de sexo feminino, ou em que o agressor usa algum tipo de arma ou atua acompanhado, a pena pode ser ainda maior. Na esteira dessa mudança institucional, o Senado aprovou no começo de agosto o projeto que pretende incluir o crime de violência psicológica contra a mulher no Código Penal. O texto foi sancionado por Jair Bolsonaro há alguns dias.

Segundo a promotora pública Valéria Scarance, que coordena a Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid), a maioria das situações de perseguição hoje no Brasil envolve, na verdade, o stalker rejeitado, isto é, a pessoa que quer reatar um relacionamento rompido — geralmente homens. “Para as mulheres, esse tipo de stalking é um risco de violência e eventualmente de morte”, diz ela. Amarílis Costa, da Rede Feminista de Juristas (deFEMde), acrescenta ainda o número expressivo de histórias envolvendo o stalker em busca de intimidade, que fantasia uma relação inexistente com a vítima e, por isso, passa a ameaçá-la. “Ele acredita que merece um contato mais íntimo e que seus esforços para obter esse contato são justificados”, explica. Recentemente, uma dessas histórias veio à tona, infelizmente com um final fatal: a jogadora de e-Sports Ingrid Bueno, de 19 anos, foi esfaqueada no bairro onde morava, em São Paulo, por um estudante de 18 anos com quem ela havia trocado mensagens pela internet no mês anterior. Ele chegou a enviar um vídeo cometendo o feminicídio para um grupo de colegas do WhatsApp.

Medo de sair de casa, necessidade de mudar alguma parte da rotina ou de bloquear contas de telefone e perfis nas redes sociais são sinais inequívocos de que se está sendo perseguido, segundo o Ministério Público. Além disso, quando a pessoa se sente ameaçada psicológica ou fisicamente, não há dúvida que também se enquadra na mesma situação. Nesses casos, a vítima deve procurar uma delegacia para realizar um Boletim de Ocorrência, mas também fazer uma representação – isto é, processar o agressor — até seis meses depois do crime. Agora a pena para os stalkers ficou bem mais dura.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 29 DE AGOSTO

JUSTIÇA SEJA FEITA

Não é bom punir ao justo; é contra todo direito ferir ao príncipe (Provérbios 17.26).

No tribunal dos homens, muitas vezes o justo é punido, e o culpado é inocentado. No tribunal dos homens, vemos um José do Egito na cadeia e a mulher de Potifar sair ilesa como molestada. No tribunal dos homens, vemos um Herodes no trono e um João Batista degolado. No tribunal dos homens, vemos Jesus sendo sentenciado à morte e Barrabás sendo devolvido à liberdade. A injustiça desfila garbosamente no tribunal dos homens. Inocentes são condenados, e culpados são aplaudidos como beneméritos da sociedade. Não é assim no tribunal de Deus. O juiz de vivos e de mortos não tolera a injustiça. Ele não inocentará o culpado nem culpará o inocente. A Palavra de Deus é meridianamente clara: não é bom punir ao justo nem ferir aquele que está investido de autoridade. Insurgir-se contra o justo é conspirar contra a justiça divina, e ferir insubordinadamente aquele que está investido de autoridade é conspirar contra o próprio Deus, que instituiu toda autoridade. Nossa conduta precisa ser pautada pela integridade. Nossas ações devem ser regidas pelo amor. A prática da justiça glorifica a Deus e exalta a nação. Os tribunais precisam ter compromisso com a verdade e ser a expressão mais eloquente da justiça.

GESTÃO E CARREIRA

O CONSELHO DAS ESTRELAS

Celebridades entram na elite corporativa para participar da estratégia do negócio – resta saber agora se elas farão mesmo o marketing ou serão apenas usadas por ele

Houve um tempo em que o esforço de venda se resumia a um bom anúncio, muitas vezes estrelado por um grande nome do cinema ou do futebol. Os anos se passaram e o marketing foi decupado por áreas de atuação, do preço ao ponto de venda, por gurus como o americano Philip Kotler, e a estratégia de propaganda passou a ter também a associação da figura pública com a marca, fazendo de uma a extensão da outra. Agora, no admirável mundo novo do produto como estilo de vida, ao qual nenhum caubói dos cigarros Marlboro imaginou chegar, celebridades estão sendo integradas diretamente na operação. Mais do que simples garotas-propaganda, artistas passaram a atuar ativamente na estratégia do negócio, no coração da elite do mundo corporativo – ou, pelo menos, assim parece para quem vê de longe.

Em junho, a cantora Anitta, possivelmente o maior fenômeno musical brasileiro dos últimos anos, foi convidada a participar do conselho de administração do Nubank, uma das maiores fintechs do Brasil, com mais de 35 milhões de clientes. De acordo com o banco digital, a cantora participará das reuniões do conselho para compartilhar seus conhecimentos de marketing e empresária. Anitta teria o toque de Midas, a capacidade de transformar tudo o que toca em ouro, graças a sua performance nas redes sociais, que a instala entre as celebridades mais comentadas do Instagram e do Twitter. Aproximar-se do público da cantora, composto principalmente de jovens, seria o motivo para ter a celebridade no conselho – para chegar, por meio dela, ao público de milhões que ela representa.

Quase ao mesmo tempo, a atriz Tais Araújo, outra celebridade – esta derivada das novelas -, foi anunciada como embaixadora do BV, um dos maiores bancos de investimentos do país. Tais não vai sentar no conselho de administração, como fará Anitta, mas terá a função de tocar projetos relacionados a mulheres e à educação, com a finalidade de elaborar produtos e serviços que facilitem a democratização das finanças. A atriz afirma ter um interesse genuíno em descomplicar a complexa linguagem bancária e traduzi-la de forma que todos os clientes possam entender. Segundo o banco, mais do que “propaganda”, Tais atuaria como a comunicadora da empresa – talvez, neste aspecto, não muito diferente da estratégia de associação da figura pública à marca adotada em tantos produtos.

Na mesma toada de suas bem-sucedidas colegas de estrelato, Gisele Bündchen, a maior de todas as super­modelos brasileiras, recentemente se tornou acionista da Ambipar – líder em gestão ambiental, listada em bolsa e presente em dezoito países. Gisele participará do comitê de sustentabilidade da empresa, também cumprindo a função de embaixadora. A modelo, engajada na proteção ao meio ambiente, pelo menos em suas declarações públicas, associará sua imagem conhecida mundialmente a um setor de negócios no qual a credibilidade é especialmente relevante.

Há aspectos positivos nas iniciativas recentes. “As celebridades podem levantar pautas relevantes e necessárias”, diz Wilson Poit, especialista em gestão, do Sebrae-SP. “As empresas voltadas para o consumidor final serão mais bem-sucedidas do que, por exemplo, exportadoras de commodities”, ecoa Ricardo Teixeira, coordenador da Fundação Getulio Vargas. “Mas não descartaria a presença de famosos em outros setores da economia, se o perfil for adequado ao posicionamento que a companhia quer alcançar.”

Em contrapartida, vale lembrar que o conselho de administração, bem como os comitês que advêm dele, é o centro nervoso no qual as principais decisões de longo prazo são tomadas, inclusive aquelas pertinentes ao CEO da companhia. Peter Drucker, outro mago da administração moderna, dizia que marketing e inovação trazem resultados – e que todo o resto é custo. Portanto, toda celebridade, antes de sair aceitando convites, devia saber de que lado dessa conta estará.

EU ACHO …

O PROBLEMA DO MOLE

Por que é que Deus, sendo onipotente, não fez o mesmo pelos seus filhos?

Como suponho que saibam, eu não sou onipotente. No entanto, mesmo com as minhas naturais limitações, procurei criar para as minhas filhas um mundo em que elas possam viver com o máximo de segurança possível. Não sei se percebem o onde quero chegar.

Por que é que Deus, sendo onipotente, não fez o mesmo pelos seus filhos? De vez em quando, um terremoto arrasa uma cidade. Outras vezes, um tsunami dizima populações inteiras. Bem sei que eu nunca criei um universo e que é fácil estar de fora a criticar. Mas me parece inegável que o planeta tem falhas estruturais graves.

Não me interpretem mal: sou sensível ao fato de a gente não pagar aluguel. E, como todo o mundo que já teve de lidar com obras, registro com muito agrado que uma empreitada deste tamanho tenha ficado pronta em apenas seis dias. Só acho que talvez devesse ter sido considerada a hipótese de deixar na Terra um síndico a quem nós pudéssemos apresentar algumas queixas sobre pequenas falhas da criação que merecem conserto, como os já citados terremotos, tsunamis, e também o meu joelho esquerdo.

Essa questão ficou conhecida na filosofia como o problema do mal: será possível conciliar a ideia de um Deus onipotente e onibenevolente com a existência do sofrimento e do mal?

O tempo gasto na concepção e produção em massa das cobras e dos mosquitos, por exemplo, não teria sido mais bem aplicado na criação de um mundo em que ninguém sofresse? É um problema filosófico interessante.

Eu, no entanto, tenho menos interesse em filosofia do que em construção civil e tenho me dedicado a refletir sobre a razão pela qual o mundo é tão rijo.

Digamos que queremos criar um mundo. Não acho mal que seja redondo, e teria votado favoravelmente à lei da gravidade. Mas pergunto: não teria sido possível fazer um mundo um pouco mais mole? Quando era pequeno, usava botas ortopédicas (para corrigir mais um problema estrutural), caía muitas vezes e me machucava. Creio que teria sido fácil conceber um mundo todo feito com a tecnologia de um sofá.

Se a ausência do mal é pedir demais, ao menos a presença de umas almofadas era simpática. Parece-me que não estamos perante um mundo de luxo. Não lhe daria mais de três estrelas e meia no TripAdvisor.

*** RICARDO ARAÚJO PEREIRA – é humorista, membro do coletivo português Gato Fedorento. É autor do livro “Boca do Inferno.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DO DIVÃ PARA A COZINHA: UMA NOVA OPÇÃO TERAPÊUTICA

Criar um ritual para aprender receitas pode melhorar a saúde mental, amenizar a ansiedade e até ajudar a elaborar o luto

Uma nova forma de terapia, bem distante do divã, vem ganhando força entre homens e mulheres: a cozinha terapia. A técnica tem reunido desde pessoas ansiosas, mentalmente exaustas, ou emocionalmente abaladas pela separação dos parentes e amigos durante a pandemia. A atividade não é uma técnica catalogada. No entanto, segundo o psicólogo Flávio Gonzalez, escolher e preparar os alimentos pode trabalhar diversas dimensões do psiquismo.

Um dos potenciais é o resgate das memórias afetivas. Afinal, quem não tem lembrança de algo que a mãe, a avó ou o pai preparavam na Infância? Os inesquecíveis almoços de domingo, jantares de Natal, churrascos de fim de ano ou festinhas de aniversário?

“Reproduzir uma receita de família remete ao seu passado, sua história, e isso traz a sensação de segurança e de continuidade do tempo. São lembranças olfativas, gustativas e até visuais, e isso muitas vezes é pouco explorado. O gatilho é sensorial”, afirma Gonzalez.

Essa forma de entrar em contato com as recordações também pode ser uma ferramenta para lidar com o luto. Com 570 mil vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil, milhões de pessoas enfrentam a saudade sem ter tido a possibilidade de realizar os rituais de despedida tradicional. Durante a pandemia, o consultor de empresas Alfredo Guimarães Motta, 50 anos, se deparou com o tédio de ficar em casa, apenas remoendo todas as notícias deprimentes. Para sair dessa situação, decidiu ir  para a cozinha.  Ao longo desse período, fez mais de 140 receitas.

“A cozinha, para mim, foi super terapêutica. O fato de ter uma proposta, uma receita aonde se quer chegar, aquilo te envolve”, conta Motta, que também encontrou na culinária uma forma de se conectar com sua mãe, já falecida. “Eu tinha uma cadernetinha de telefones da minha mãe e, um dia, folheando, achei uma receita de bobó de camarão. Foi um presente. Fiz o bobó três dias seguidos até achar o ponto que achei que ela gostaria. A cozinha é muito emocional.

“MINDFULNESS”

A cozinha terapia também se destacou nos últimos tempos como um exercício contra a exaustão mental, um dos problemas agravados pela pandemia. Segundo o psicólogo, é como uma estratégia de mindfulness, já que a preparação de um prato exige que a pessoa esteja conectada ao   presente, atenta ao que está fazendo e com o sensorial ativado. Isso também ajuda a lidar com a ansiedade, desligando da hiperestimulação, tão comum diante de tanta conectividade.

A chef Elaine Sá, autora do livro “Cozinhaterapia” (editoria lxtlan), viu um interesse maior sobre o  tema ao longo do último ano.

“Na pandemia isso ficou mais evidente. O pessoal passou a cozinhar em casa, começou a gostar, foi uma válvula de escape, uma terapia para muita gente. É o que eu sempre digo: quer relaxar? Vai para o fogão”, afirma Sá.

A chef destaca que a atividade se diferencia daquela correria para preparar o almoço durante a semana, enquanto as crianças vão para a escola ou entre uma reunião virtual e outra. É preciso tempo.

“Se preparar para a cozinha terapia é diferente do que se faz rotineiramente, de forma automática. Você pensa na receita, escolhe os produtos com cuidado, decide o que comprar, combina com o que vai beber, ouve uma música… Uma possibilidade é fazer aos finais de semana. E o mais importante é se arriscar, não colocar expectativa. Se errar da primeira, não se frustre, vai de novo.”

Para quem quer dar os primeiros passos, a chef recomenda começar por uma bruschetta ou preparar um espaguete com o molho de preferência.

MASTIGAÇÃO LENTA

Um dos primeiros movimentos a associar o ato de cozinhar ao bem-estar físico e mental nasceu na Itália, em 1986. Batizado de Slow Food, tem o propósito de eliminar a pressa durante as refeições e se opor à padronização dos alimentos. Ele nasceu após uma manifestação em reação à tentativa de construção de um McDonald’s na Piazza di Spagna, em Roma, e hoje está presente em mais de 160 países, incluindo o Brasil, influenciando cardápios de restaurantes.

Em tempos da cultura do fast food, resgatar os rituais relacionados à alimentação, com mais calma e qualidade, faz bem não só para o corpo, mas também para a mente.“No fast food você engole o lanche pensando no trabalho, no que vai fazer daqui a pouco. E o slow food tenta resgatar a ideia de estar presente. Esse ato ritualístico de uma alimentação que te estimula a estar ali é um exercício para a vida”, diz o psicólogo

POESIA CANTADA

DETALHES

ROBERTO CARLOS

DETALHES

COMPOSIÇÃO: ERASMO CARLOS / ROBERTO CARLOS

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida
Eu vou viver

Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora vão estar presentes
Você vai ver

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas
A culpa é sua

O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada, ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

À noite, envolvida no silêncio
Do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você
Lembrar de mim

Se alguém tocar seu corpo como eu
Não diga nada
Não vá dizer meu nome sem querer
À pessoa errada

Pensando ter amor nesse momento
Desesperada você tenta até o fim
E até nesse momento você
Vai lembrar de mim

Eu sei que esses detalhes vão sumir
Na longa estrada
Do tempo que transforma todo amor
Em quase nada

Mas quase também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando você vai
Vai lembrar de mim

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito, muito, muito tempo em sua vida
Eu vou viver
Não, não adianta nem tentar
Me esquecer

OUTROS OLHARES

OS CINCO CENÁRIOS TRAÇADOS PARA O FUTURO DO PLANETA ATÉ 2100

Panoramas no relatório do IPCC levam em conta nível das emissões de carbono e fatores socioeconômicos

Além de prever que o aumento da temperatura global pode chegar a 1,5° Celsius já na próxima década – patamar considerado o derradeiro antes de um cataclisma – o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) traça cinco cenários possíveis para o futuro.

Os panoramas são resultado de cálculos complexos que dependem do quão rápido a Humanidade reduzirá as emissões de gases causadores do efeito estufa. Também buscam capturar mudanças socioeconômicas que levem em conta fatores como variações populacionais, densidade urbana, educação, exploração de terra e riqueza.

Por exemplo, um aumento populacional deverá estimular a demanda por combustíveis fósseis e água. A maior escolaridade, por sua vez, pode afetar a velocidade do desenvolvimento tecnológico. Já as emissões evidentemente aumentam quando há o desmatamento de áreas florestais.

Os cenários indicam tanto os níveis de emissão quanto o “Caminho Socioeconômico Compartilhado” (SSP, na sigla em inglês utilizado para calcula-lo. Em todos eles, a marca e 1,5° Celsius deverá ser superada entre 2021 e 2040, embora a probabilidade dessa ultrapassagem seja maior nos cenários de mais alta emissão.

MAIS OTIMISTA

O melhor dos cenários, nomeado de SSPl-1.9 – o 1, uma referência à qualidade dos fatores socioeconômicos, e o 1.9, ao saldo de energia acumulada na atmosfera em Watts/m2 até 2100 – considera a neutralização de emissões de carbono até a metade do século.

As sociedades farão a transição para práticas mais sustentáveis, mudando seu foco do crescimento econômico para o bem-estar. Os investimentos em educação e saúde aumentarão, enquanto a desigualdade cairá. Eventos climáticos extremos serão mais comuns, mas o mundo terá driblado seus piores impactos.

Apenas esse panorama permite manter o aumento de temperatura ao redor de 1,5° Celsius acima dos níveis pré-industriais, como consta no objetivo traçado pelo Acordo de Paris, de 2015. É “muito provável” que o aquecimento bata a marca cataclísmica em curto (2021-2040) e médio prazos (2041-2060), mas retroceda até o fim do século, estabilizando-se ao redor de 1,4° Celsius.

OTIMISTA

No segundo melhor cenário apresentado pelo IPCC, o SSP1-2.6, as emissões globais de carbono são intensamente reduzidas, mas não tão rapidamente quanto no panorama anterior, atingindo a neutralidade após 2050. Ele leva em conta as mesmas mudanças socioeconômicas em direção à sustentabilidade que o anterior, mas o aumento da temperatura, até o fim deste século, ficaria ao redor de 1,8° Celsius.

Nesta projeção, há “muita confiança” de que o número anual de dias com temperaturas superiores a 35° Celsius na Amazônia aumentaria cerca de 60 dias, o que teria consequências gravíssimas para o ecossistema. O aquecimento dos oceanos neste século, por sua vez, poderia ser duas vezes maior que o observado entre 1971 e 2018.

INTERMEDIÁRIO

No cenário intermediário, o SSP2-4.5, as emissões de C02 ficam ao redor dos níveis atuais até começarem a cair no meio do século. Não atingiriam, contudo, a neutralidade até 2100. No SSP2-4.5, os fatores socioeconômicos seguem suas tendência históricas, sem mudanças notáveis, e os avanços em direção a um mundo mais sustentável são lentos, com a renda e o desenvolvimento crescendo em ritmos desiguais. Caso essa previsão se confirme, o IPCC estima um aumento entre 2,1° e 3,5°Celsius até o fim deste século, sendo o mais provável ao redor de 2,7° Celsius.

A última vez que a temperatura da superfície continental, mais quente do que a marinha, esteve mais de 2,5° Celsius acima dos níveis pré-industriais foi há 3 milhões de anos, apontam os cientistas com grau médio de confiança.

PESSIMISTA

Neste panorama, o SSP3-7, as temperaturas aumentam constantemente, e o nível atual de emissões praticamente dobra até 2100. Os países tornam-se mais competitivos entre si, mudando seu foco para a Segurança Nacional e para garantir seus estoques de comida. Até o fim do século, estima-se que o planeta tenha aquecido 3,6° Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Com isso, o IPCC projeta que as tempestades deverão no Hemisfério Sul se agravem e que o Ártico fique praticamente sem gelo durante os meses de verão, entre outras catástrofes.

MAIS PESSIMISTA

O SSP5-8.5, pior dos cenários, deve ser evitado a qualquer custo. Nele, o nível de emissões atuais dobraria até 2050. A economia global cresceria, mas às custas da exploração de combustíveis fósseis e de estilos de vida que gastam muita energia.

Até o fim do século, o mais provável é que a temperatura global aumente ao redor de 4,4° Celsius. Cada meio grau a mais de aquecimento, destaca o Observatório do Clima, aumenta a frequência de ondas de calor, tempestades e secas que afetam a agricultura.

Nesse panorama, o aquecimento dos oceanos poderia ser oito vezes maior que o observado entre 1971 e 2018, enquanto a elevação total das marés, até o fim do século, pode ser de 63 cm a 1,02 metro. Os picos de maré alta que ocorriam uma vez a cada século poderão agora ser eventos anuais. Diversas cidades costeiras, como o Rio, ficariam inundadas, e países insulares ficariam inabitáveis. Na Amazônia, o número de dias por ano com temperaturas acima de 35° Celsius pode aumentarem mais de 150.

INCÓGNITAS

O relatório não é capaz de dizer qual cenário é o mais provável, já que leva em conta uma série de variantes que passam por fatores como ações governamentais. Ainda assim, em todos eles, o aquecimento global continuaria por ao menos mais algumas décadas, os níveis dos oceanos continuarão a subir por centenas ou milhares de anos, e o Ártico ficará praticamente sem gelo em ao menos um verão nos próximos 30 anos.

A velocidade das mudanças e o seu grau de perigo, contudo, dependerão das ações humanas para mitigar o aquecimento do planeta.

O QUE DIZ O RELATÓRIO DO IPCC

O planeta já aqueceu 1,2° Célsius em relação à temperatura dos níveis pré-industriais (1850). Veja o que pode acontecer daqui em diante, conforme avançam os termômetros.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 28 DE AGOSTO

FILHO INSENSATO, PAI TRISTE

O filho insensato é tristeza para o pai e amargura para quem o deu à luz (Provérbios 17.25).

O filho insensato é um causador de problemas. Sua vida é um transtorno para a família. É motivo de tristeza para o pai e de amargura para a mãe. Sua conduta é reprovável. Por onde passa, deixa um rastro de vergonha. O filho tolo despreza o ensino dos pais e não valoriza o que recebe no lar. É ingrato. Nunca reconhece o esforço e o investimento que os pais fazem em sua vida. O filho insensato é esbanjador. Não sabe o valor das coisas, por isso gasta sem critério e desperdiça o que recebe dos pais vivendo de forma irresponsável e dissoluta. O filho tolo é rebelde. Além de ser um peso para a família, ainda reclama, murmura e ergue sua voz para afrontar os pais. O filho insensato é egoísta. Não valoriza a família, não investe nos pais nem cuida deles na velhice. Tem um comportamento reprovável. Suas palavras são torpes, suas ações são violentas, suas reações são intempestivas. Em vez de levar alegria para os pais, produz no coração deles dor e amargura. A Bíblia fala de Caim, filho de Adão e Eva. Em vez de imitar as virtudes de Abel, Caim tramou a morte do irmão e a executou com requinte de crueldade. Em vez de escutar a repreensão divina, endureceu seu coração e derramou sangue inocente. Em vez de ser uma bênção para sua casa, provocou uma dor indescritível no coração de seu pai e grande amargura para sua mãe.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESA ADOTA MODELO DE TRABALHO COM SEMANA DE QUATRO DIAS

Ter um trabalho com o mesmo valor salarial e menos horas pode parecer um sonho, mas é uma realidade cada vez mais próxima

Na Islândia, o governo fez um estudo sobre a redução da jornada de trabalho de 40 para 35 horas semanais. O resultado foi trabalhadores menos estressados e com mais equilíbrio entre a vida profissional, familiar e a saúde.

Aqui no Brasil, a ideia foi adotada pelo coletivo de produtores de conteúdo I Hate Flash, justamente pensando no bem-estar de todos os colaboradores – principalmente depois do início da pandemia. Assim como na Islândia, a empresa fez um teste. Decidiu implementar por um período a jornada de quatro dias de trabalho para três de folga.

A iniciativa partiu de um dos sócios, Francisco Costa, que além de fotógrafo também é psicólogo. “Li um texto sobre empresas que estavam adotando essas jornadas e os benefícios que folgar em um dia útil poderia trazer para a equipe”, conta. A partir daí foi necessário deixar os processos ainda mais organizados.

As reuniões com todos os colaboradores passaram a acontecer no primeiro horário de segunda-feira e no último de quinta-feira. Para que nenhum cliente ficasse sem atendimento na sexta-feira, foram implementados plantões com revezamento entre os profissionais.

“Quando falamos em trabalhos que mexem com a criatividade, esse dia a mais pode ser usado para inúmeras coisas, desde cursos e trabalhos como freelancer até coisas banais da vida pessoal, como ir ao banco”, diz Costa. A Clarisse Ribeiro que o diga. Diretora de projetos no I Hate Flash, ela também atua como cineasta e nas artes visuais.

Esse dia útil de folga ajudou muito a profissional a conseguir tocar os projetos pessoais. “Por mais que eu ame meu trabalho no I Hate Flash, tenho também outras satisfações pessoais que preciso preencher. Ter esse dia útil foi uma revolução muito boa. Acredito que melhorou até meu trabalho, estou mais organizada, focada, planejada e tenho muito mais satisfação em estar em um lugar que se preocupa com meu bem-estar”, aponta.

O teste deu certo e passou a ser permanente. “Quando a pandemia passar e os grandes eventos de música voltarem vamos precisar reorganizar tudo novamente, mas sabendo dos benefícios que esse dia a mais trouxe, com certeza vamos dar um jeito de manter”, completa Francisco Costa.

FONTE E OUTRAS INFORMAÇÕES:  https://ihateflash.net/. 

EU ACHO …

UM ROSTO SEM HISTÓRIA

O jantar tinha sido marcado com quatro meses de antecedência, em meio à pandemia e ao abre-e-fecha dos restaurantes. Mas a longa espera era natural, fosse ou não nesse período, por ser ele um estrelado restaurante Michelin. Aconteceu que ela havia tomado sua tão esperada segunda dose da vacina naquele mesmo dia, então a noite se tornou, em seu imaginário, um jantar romântico e de comemoração. Depois de um ano e meio sem saírem, ansiava por um encontro com seu marido, daqueles cheios de conversas ao “pé do ouvido” e planos para um futuro próximo, com mais liberdade.

E como a vida, já sabemos, é cheia de imprevistos, o restaurante teve que alterar a configuração de lugares e, em vez de mesas individuais, os clientes agora sentavam “todos juntos” em um charmoso balcão do renomado chef japonês. “Todos” eram os únicos seis privilegiados que agora poderiam desfrutar dessas delícias tão esperadas. Com algum distanciamento, estava claro que jantariam agora “todos juntos”.

Em poucos minutos, o grupo já parecia se conhecer há tempos e o assunto passou da comida deliciosa às futuras viagens, abertura de fronteiras, países que cada um gostaria de conhecer e novas experiências – a tal liberdade em pauta, ou pelo menos a busca por ela que parecia começar a dar as caras. Até que a aparência das brasileiras se tornou o tema e alguém do grupo levantou uma afirmação como um elogio: “São as mulheres mais bem tratadas do mundo, mulheres que se cuidam”. A “verdade absoluta” dita com alegria e orgulho foi imediatamente aceita pelos cinco homens do grupo.

A partir daquele momento, uma bifurcação se abriu e ela se viu entrando em outra porta. A afirmação “as mais bem cuidadas do mundo” reverberava em sua cabeça. Naquela mesma manhã, havia feito fotos de divulgação para o trabalho. As imagens estavam boas, mas algo a incomodara. O rosto ali estampado na tela do celular não era o dela, tinha algo de “sem identidade” que se revelou em alguns minutos de observação no veredicto: sua cara parecia “sem idade”. Foi então que pediu para ver as fotos com e sem tratamento, uma ao lado da outra, e ficou claro que o apagar das marcas era exatamente o que a deixara com um rosto que poderia ser chamado atualmente de “ageless”, ou, como concluiu, uma cara de extraterrestre que acabou de aterrissar no planeta, sem história alguma.

Pediu, então, para deixarem a cicatriz embaixo do olho direito, que fez aos 7 anos pulando amarelinha na escada da casa que passou a infância. A lembrança da casa, do dia do acidente, do cuidado e apreensão do pai pegando-a no colo e levando-a ao hospital, voltou imediatamente a sua mente: o cheiro daquele dia, a luz, as vozes, tudo. Olhou a foto com a cicatriz e se gostou mais. Pediu, então, para deixarem a ruga entre as sobrancelhas que a conferia um rosto mais “bravo”, mas que trazia também uma expressão de confiança, de seriedade. Lembrou-se da sobrancelha do pai, da sua força e caráter. Gostou mais da imagem. Pediu também para deixarem o real tamanho do seu quadril. Com ele, não ficava com o corpo da modo atual, mas sua real imagem a fez pensar sobrea forçada genética – sua mãe tinha o corpo idêntico. “Para ser da minha família, tenho que ter um quadril”, pensou e riu sozinha. E, assim, de traço em traço, voltou a ser ela mesma.

O portal que a levou embora do jantar voltou a se abrir e ela retornou de súbito à conversa sobre a mulher brasileira. “Que seja a mais bem cuidada, mas não a mais apagada”, disparou. Ninguém respondeu. E o Jantar seguiu com a tal “liberdade” como tema.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRENÇAS SOBRE METABOLISMO ESTÃO ERRADAS, MOSTRA ESTUDO

Artigo publicado na Science traça quatro períodos distintos na vida em que há mudanças nas taxas metabólicas

Todo mundo conhece essa velha crença sobre o metabolismo: as pessoas ganham peso ano após ano a partir dos 20, porque o organismo fica mais lento, especialmente por volta da meia idade. Asmulheres sofrem esse processo ainda mais intensamente do que os homens, o que provoca mais dificuldade em controlar a balança. A menopausa só piora as coisas, desacelerando ainda mais o ritmo metabólico feminino.

Tudo errado, de acordo com um artigo publicado recentemente na revista Science. Usando dados de quase 6.500 pessoas, com idades entre 8 dias e 95 anos, os pesquisadores descobriram que existem quatro períodos distintos da vida no que diz respeito ao metabolismo. Eles também descobriram que não há diferenças reais entre as taxas metabólicas de homens e mulheres após o controle de outros fatores.

As descobertas da pesquisa devem remodelar a ciência da fisiologia humana e também podem ter implicações para algumas práticas médicas, como determinar as doses apropriadas de medicamentos para crianças e idosos.

“(O artigo) estará nos livros didáticos – prevê Leanne Redman, fisiologista do balanço de energia do Pennington Biomedical Research Institute em Baton Rouge, Louisiana.

Rozalyn Anderson, professora de medicina da Universidade de Wisconsin-Madison, que estuda o envelhecimento, escreveu um texto que acompanha o artigo. Em uma entrevista, ela disse que ficou “maravilhada” com as descobertas.

“Teremos que revisar algumas de nossas ideias”, acrescentou.

As implicações das descobertas para a saúde pública, dieta e nutrição ainda não podem ser medidas, na opinião de Samuel Klein, diretor do Centro de Nutrição Humana da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, que não esteve envolvido no estudo. Quando se trata de ganho de peso, diz ele, o problema é o mesmo de sempre: as pessoas estão comendo mais calorias do que queimando.

A pesquisa metabólica custa caro. Portanto, a maioria dos estudos publicados teve poucos participantes. Mas o principal investigador do novo trabalho, Herman Pontzer, um antropólogo evolucionista da Duke University, conta que os próprios pesquisadores do projeto concordaram em compartilhar seus dados. Existem mais de 80 coautores no estudo. Ao combinar os esforços de meia dúzia de laboratórios coletados ao longo de 40 anos, eles tinham informações suficientes para fazer perguntas gerais sobre as mudanças no metabolismo ao longo da vida.

Todos os centros de pesquisa envolvidos no projeto estavam estudando taxas metabólicas com um método considerado o padrão ouro: a água duplamente marcada. A estratégia envolve medir as calorias queimadas monitorando a quantidade de dióxido de carbono que uma pessoa exala durante as atividades diárias.

Os pesquisadores também colheram as alturas, os pesos e a porcentagem de gordura corporal dos participantes, o que lhes permitiu observar as taxas metabólicas fundamentais. Uma pessoa menor queimará menos calorias do que uma pessoa maior, é claro. Mas, corrigindo o tamanho e o percentual de gordura, o grupo perguntou: o metabolismo deles era diferente?

“Ficou muito claro que não tínhamos um bom controle sobre como o tamanho do corpo afeta o metabolismo ou como o envelhecimento afeta o metabolismo”, disse Pontzer. “Esses são aspectos fundamentais básicos, que você acha que teriam sido respondidos há cem anos.

O ponto central de suas descobertas foi que o metabolismo difere para todas as pessoas em quatro fases distintas da vida. Até 1 ano de idade, a queima de calorias está no auge, acelerando até alcançar uma taxa 50% acima da taxa de adubo. A partir daí, até os 20 anos o metabolismo desacelera gradualmente em cerca de 3% ao ano. Dos 20 aos 60 anos, ele se mantém estável. Passados os 60 anos, diminui cerca de 0,7%ao ano.

Desconsiderados o tamanho do corpo e a quantidade de músculos que as pessoas têm, eles também não encontraram diferenças entre homens e mulheres.

Como era de se esperar, embora os padrões da taxa metabólica sejam válidos para a população como um todo, isso varia no nível individual. Algumas pessoas apresentam metabolismo 25% abaixo da média para a idade e outros 25% acima do esperado. Mas esses valores discrepantes não mudam o padrão geral, refletido em gráficos que mostram a trajetória das taxas metabólicas ao longo dos anos.

Os quatro períodos de vida metabólica descritos no novo artigo mostram que “não há uma taxa constante de gasto de energia por libra”, observa Redman. A taxa depende da idade. Isso vai contra as suposições de longa data que ela e outros na ciência da nutrição sustentavam.

As trajetórias do metabolismo ao longo da vida e os indivíduos que são discrepantes abrem uma série de brechas de pesquisa. Por exemplo: quais são as características das pessoas cujo metabolismo é maior ou menor do que o esperado, e há relação disso com a obesidade?

BEBÊS E MÃES

Uma das descobertas que mais surpreenderam Pontzer foi o metabolismo das bebês. Ele esperava, por exemplo, que um recém-nascido tivesse uma taxa metabólica altíssima. Afinal, uma regra geral em biologia é que animais menores queimam calorias mais rápido do que animais maiores.

Em vez disso, afirma o pesquisador, durante o primeiro mês de vida, os bebês têm a mesma taxa metabólica de suas mães. Mas, logo após o nascimento de um bebê, ele disse “algo entra em ação e a taxa metabólica dispara”.

O grupo também esperava que o metabolismo dos adultos começasse a desacelerar quando eles estivessem na casa dos 40 anos. No caso das mulheres, no início da menopausa. No entanto, revela Pontzer, “simplesmente não vimos isso”.

A desaceleração metabólica que começa por volta dos 60 anos resulta em um declínio de 20% na taxa metabólica aos 95. Segundo Klein, embora as pessoas ganhem em média mais de um quilo e meio por ano durante a idade adulta, elas não podem mais atribuir isso a um metabolismo lento.

As necessidades de energia do coração, fígado, rim e cérebro respondem por 65% da taxa metabólica basal (do corpo em repouso), embora constituam apenas 5% do peso corporal, explica Klein. Um metabolismo mais lento após os 60 anos, acrescentou ele, pode significar que órgãos cruciais estão funcionando pior com o envelhecimento. Isso pode ser um dos motivo pelos quais as doenças crônicas tendem a ocorrer com mais frequência em pessoas mais velhas.

Até mesmo estudantes universitários podem ver os efeitos da mudança metabólica por volta dos 20 anos, afirma Klein.

“Quando eles terminam a faculdade, já estão queimando menos calorias do que quando começaram.

E por volta dos 60 anos, não importa o quão jovem você pareça, seu corpo está mudando de uma forma fundamental.

“Existe um mito de juventude duradoura”, afira Anderson. “Não é isso que a biologia diz. Por volta dos 60 anos, as coisas começam a mudar. Chega um momento em que a vida é como costumava ser.

POESIA CANTADA

CARA A MÁSCARA

FÁTIMA GUEDES

CARA A MÁSCARA

COMPOSIÇÃO: FÁTIMA GUEDES.

Se alimenta do meu medo
Respira do meu pavor
Pois que no fundo tem medo
Da extensão da minha dor

Corpo a corpanzil se mostra e ri
E gosta do meu estado de abandono
Cara a máscara me enfrenta
Com vantagens de meu dono
Grande guardador que é
Grande senhor, grande senhor

Um dia esse seu vozeirão
Já não me causa mais temor
Um dia eu abro essa porta
E meu diabo te atenta
E a minha faca te entra
E a minha raiva te corta
E há de cair coisa morta
Sangue e sangue e alegria
Meu medo longe da porta
Justificando a histeria

OUTROS OLHARES

BUSCANDO AS RAÍZES

Mais baratos, mais precisos e disponíveis via internet, os testes genéticos que mapeiam a origem dos ancestrais caem nas graças dos brasileiros

Um pouquinho de saliva e pronto: está refeita a trajetória dos ancestrais. Com essa facilidade, e tirando partido dos meses de clausura imposta pela pandemia e do maior tempo livre para buscar novidades na internet, os brasileiros aderiram com entusiasmo a uma ferramenta de autoconhecimento que já havia virado febre nos Estados Unidos e na Europa – o mapeamento genético, que, através da comparação do DNA fornecido com uma gigantesca base de dados mundial, identifica com precisão, no mapa-múndi, por onde passaram os antepassados do indivíduo. O aumento da procura aqui foi se avolumando ao longo de todo o ano passado e explodiu em 2021 – as empresas do ramo apontam aumento de até 700 % na demanda. “Antes, só era possível conhecer esses antecedentes através da genealogia. Agora é tudo muito mais prático e, quanto mais o armazenamento de dados cresce, mais preciso é o resultado final”, diz o médico geneticista Salmo Raskin.

Os mapas de ancestralidade estão disponíveis no Brasil há mais de dez anos, mas o preço desanimava os interessados. A partir de 2019, várias empresas se instalaram no país, a análise do material deixou de ser feita no exterior e o custo baixou tremendamente – hoje, o teste sai, em média, 200 reais. A pessoa compra no site um kit para a coleta de material, enviado pelo correio. Em casa, segue as instruções para passar o cotonete no interior da bochecha, embala corretamente e devolve, no envelope fornecido. As células coletadas têm seu DNA extraído, sequenciado, analisado e comparado com o banco de dados de populações de todo o planeta. Em um mês o cliente recebe um relatório on-line indicando os países e regiões percorridos por, em média, oito gerações anteriores. “As pessoas deixaram de viajar fisicamente e substituem essa ausência por viagens para dentro de si mesmas”, avalia Ricardo di Lazzaro, da empresa de mapeamento Genera.

As comparações de DNA abrem espaço para pesquisas que vão além da ancestralidade individual. A polícia americana, por exemplo, está desvendando crimes nunca esclarecidos através da testagem de amostras genéticas colhidas no local e guardadas desde então, o que lhe permite chegar a parentes do criminoso e identifica-lo. Encontrar familiares é um dos serviços oferecidos, embora a exposição do DNA armazenado esteja sujeita a autorização (dispensada nas investigações policiais). A atriz paulista Karina Puri, de 35 anos, que sempre soube de suas origens indígenas, mas se surpreendeu com o porcentual africano entre seus ancestrais, tem esperança de, assim, achar um “irmão perdido” – um primeiro filho de seu pai com quem nunca teve contato. “Deixando meus dados genéticos disponíveis, posso chegar a ele, se um dia também fizer o teste”, explica.

Entre os famosos que passaram pelo exame estão a jornalista Maju Coutinho, o apresentador Tiago Leifert e a atriz Deborah Secco. Em seu perfil no Instagram, Deborah mostrou-se animada com os resultados, que mesmo eles sendo óbvios -, predominância europeia, sobretudo da Península Ibérica.

“Neste período de pandemia, estamos distantes de quem a gente ama, mas conseguimos uma forma de nos conectar com nossa ancestralidade”, comemorou em vídeo. O influenciador Marcus Miguel, de 28 anos, conta que o teste foi uma forma de compreender melhor suas raízes. “Fiquei comovido em ver que 25% dos meus genes vêm de países africanos”, afirma. “As pessoas negras pouco sabem sobre seus antepassados. O Brasil sofreu um processo secular e institucionalizado de apagamento da sua história”, observa o historiador João Paulo Lopes.

Os testes oferecidos também são capazes de indicar propensão a determinadas doenças (o que quadruplica o preço) – um processo que não tem caráter diagnóstico e difere dos exames para identificar doenças genéticas, bem mais complexos. Pesquisa realizada pela revista MIT Technology Review mostrou que, até o início de 2019, 26 milhões de pessoas já haviam feito seu mapa de ancestralidade, alimentando uma armazenagem de dados que não para de crescer. David Schlesinger, presidente do laboratório Mendelics, acredita que, no futuro, todos os bebês serão submetidos a esse tipo de mapeamento. “Entender nossa origem é um caminho para valorizar a individualidade”, afirma. Na falta de uma resposta precisa à questão de para onde vamos, pode trazer alívio à ansiedade geral destes tempos saber que a chave para decifrar de onde viemos está na ponta de um cotonete.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 27 DE AGOSTO

CONCENTRE-SE NAQUILO QUE É EXCELENTE

A sabedoria é o alvo do inteligente, mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra (Provérbios 17.24).

Um indivíduo inteligente não desperdiça suas energias nem seu tempo em busca de muitas coisas. Não é uma pessoa dispersiva, mas focada. Age como o apóstolo Paulo: “Uma coisa eu faço”. Precisamos mirar o alvo e caminhar em sua direção sem olhar para os lados. Somos como um corredor numa maratona. Se entrarmos na pista olhando para as arquibancadas, perderemos a corrida. Se entrarmos na arena da vida com o coração dividido, arrastados de um lado para o outro, seduzidos pelas muitas vozes que tentam conquistar nosso coração, perderemos a luta. Um exemplo clássico dessa realidade é Sansão. Ele foi um gigante levantado por Deus para ser o libertador do seu povo. Na força física era imbatível, porém tornou-se um pigmeu. Rendeu-se aos caprichos de uma paixão. Dominava um leão, mas não conseguia dominar seus olhos. Subjugava uma multidão, mas não controlava seus desejos. Tinha controle sobre os outros, mas não sobre si mesmo. Há muitas pessoas cujos olhos vagam pelas extremidades da terra em busca de aventuras. Querem beber todas as taças dos prazeres. Querem saborear com os olhos todas as delícias da terra, mas nessa empreitada perdem a sabedoria e, insensatos, acabam colhendo derrotas amargas e sofrimentos atrozes.

GESTÃO E CARREIRA

DESENVOLVIMENTO DE CARREIRA É O FATOR MAIS IMPORTANTE PARA A MAIORIA

Estudo realizado no mundo inteiro tem por objetivo fornecer insights para ajudar líderes na construção de sua marca empregadora.

Progressão na carreira é o fator mais importante para 77% dos trabalhadores brasileiros na hora de escolher um emprego, afirma o estudo Marca Empregadora, realizado pela Randstad, líder global de soluções em RH, com o objetivo de fornecer insights para ajudar líderes na construção de sua marca empregadora.

Se considerado o recorte por gênero neste fator relacionado ao desenvolvimento de carreira, a preferência sobe para 80% das mulheres entrevistadas. Salários, benefícios e um ambiente de trabalho agradável aparecem empatados com 74% na segunda posição do ranking geral. A pesquisa, realizada em fevereiro de 2021, traz um recorte do Brasil com 3.770 ouvidas, dentro de uma amostra de 190 mil trabalhadores entrevistados em todo o mundo.

Conceito que ganha cada vez mais atenção das corporações brasileiras, já que está diretamente ligado à atração e engajamento de talentos, a marca empregadora impacta diretamente nos resultados dos negócios. O estudo da Randstad tem justamente o objetivo de mostrar a importância de investir na percepção da força de trabalho e apontar caminhos para diminuir a lacuna entre o que os trabalhadores querem com o que as empresas estão oferecendo.

Nesse sentido, ainda segundo a pesquisa, quem investe no tema tem chances de contratar até duas vezes mais rápido. Além disso, 50% dos candidatos dizem que não trabalhariam para uma empresa com má reputação e 80% dos líderes entrevistados concordam que uma marca empregadora forte tem um impacto significativo em sua capacidade de contratar.

“Pessoas trabalham para culturas, não para empresas. Logo, a reputação do empregador é muito importante. A partir dos dados obtidos, conseguimos oferecer insights valiosos para que os empregadores ajustem alguns pontos e aumentem o nível de interesse da sua força de trabalho e para os seus negócios”, afirma Diogo Forghieri, diretor de RPO e MSP da Randstad e especialista em Marca Em pregadora.

Gestão forte e treinamentos aparecem empatados em quarto e quinto lugares: 66% dos entrevistados no Brasil consideram esses aspectos importantes para escolher ou permanecer em um emprego. Oferecer um ambiente de trabalho seguro em relação à COVID-19 também foi relevante para os entrevistados, ficando em 6º lugar no Brasil, com 65%, num ranking com 16 posições contendo temas como seguro no emprego (59%), retribuição à sociedade (58%), diversidade e inclusão (57%) entre outros.

A maneira como os empregadores no Brasil apoiaram seus funcionários e lidaram com a pandemia impactou positivamente: 75% dos funcionários sentem-se agora mais leais aos seus empregadores por conta desses cuidados.

Um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional também se destacou: aparecendo em sétimo lugar com 64% no ranking geral. Porém, ao fazer o recorte de gênero, 66% das mulheres com 25 anos ou mais e as de nível escolar médio e superior deram preferência a esse aspecto, frente a 62% dos homens abordados.

No Brasil, por exemplo, 29% dos 3.770 entrevistados pretendiam mudar de empregador no primeiro semestre de 2021, sendo que mulheres e aqueles com 18 a 24 anos têm uma probabilidade maior de planejar a mudança, 31% e 32%, respectivamente. Entender o que as pessoas querem, pode fazer toda a diferença. Mais do que diminuir a rotatividade ou aprimorar o desempenho, é preciso encarar os talentos como peças fundamentais para a construção da marca da empresa, é um caminho importante para a perenidade e sucesso dos negócios”, conclui Forghieri. A pesquisa foi realizada de forma online, em fevereiro de 2021.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: www.randstad.com.br.

EU ACHO …

O DESAFIO DO CASAL

Você tem um amigo muito especial. Ele lhe acompanha há anos. Estudaram juntos. Suas conquistas foram saudadas com genuíno entusiasmo e suas dores, compartilhadas com empatia. São confidentes. Como é da natureza das coisas, ele encontrou uma companheira e se casou. Você foi até padrinho. Que felicidade!

Começou nova fase: seu amigo tem esposa. Você a trata com o máximo de carinho e respeito, afinal, foi a escolha dele. Porém, você e ela possuem pouca intimidade. Surgiu a necessidade de um desabafo? Não dá mais para fazer como na época de solteiro. Ele tem uma família, não pode ser “alugado” em um sábado à noite para ouvir seu drama. E se para piorar, a mulher do seu amigo tiver o hábito de ficar sempre junto ao marido? Como resolver o novo patamar que a vida oferece ao afeto entre vocês?

A história se repete. Sua melhor amiga se casou e o marido é chato. Ela escolheu aquele homem. Você não pode e não deve criticar. É um terreno perigoso. Sabe que o discurso negativo pode ser desgastante para a relação de vocês. Não obstante, o cônjuge é, definitivamente, azucrinante. Sim, sua vontade de estar com a pessoa querida é enorme, mas o pacote da amizade ganhou um bônus complexo. Como resolver?

Tenho uma pessoa que me contou algo mais no campo do desnível do casal. Seu grande amigo era muito desejado nas festas. Conversa boa, carisma e animação: modelo de bom convidado. Infelizmente, ele se casou com uma mulher insuportável. O que fazer? Perder o bom ou incorporar a ruim? O grupo da minha amiga tomou uma resolução sábia: cada convidado da festa tinha de ficar meia hora conversando com a esposa do simpático. Era obrigatório. Uma espécie de pedágio. “Quer estar na festa? Tem de conversar com ela por meia hora”. Após o período probatório doloroso em que a vítima era metralhada com observações desagradáveis, fazia um sinal de socorro e vinha o substituto ou a substituta. Convencionou-se que meia hora era o possível paro um ser humano tolerar aquela pessoa. Enquanto uma vítima era imolada no altar do bem comum, os outros se divertiam e riam com intensidade. O sistema sofisticou-se com listas prévias e até concessões subjetivas: “Hoje eu estou bem, posso ficar 5 minutos” ou “‘Pelo amor de Deus, o mês está difícil, hoje só tolero 20 minutos”. Todos compreendiam que havia dias em que o prazo de meia hora excessivo ou em que se poderia oferecer um “chorinho”. Notava-se, inclusive, que, liberto daquele “ordálio” (provação medieval extrema vista como sinal divino), todo convidado acabava ficando mais feliz depois e as festas ganharam um ânimo extra. E a chata? Voltava mais alegre a sua casa, tendo conversado com quase todos do evento e despejado sua personalidade desagradável de forma democrática sobre o grupo. Ressalto para minha querida leitora e para meu caro leitor: a história é real.

Os casos variam. Citando pessoas que conheço, posso indicar tipologias variadas: ela é ótima, ele bebe demais e dá vexame; ele é agradabilíssimo, ela quer ir embora cedo e fica insistindo nisso; ele é positivo ao extremo, ela é um chá de boldo forte. Não sei na sua experiência – na minha, é raro um casal com mesmo padrão de qualidades sociais.

Se já existe o desafio quando você encara um casal, imagine com novos modelos como “trisal” ou “poliamor”. As formas em si são válidas, claro, todavia aumentam a matemática do caos. E se seu amigo estiver com duas pessoas? Há, claro, a hipótese de duas pessoas agradáveis mais o seu amigo. Lembremo-nos, não obstante, do princípio universal conhecido como lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”. Já imaginou se o seu amigo ou amiga chegar com duas pessoas insuportáveis? Isso complica a solução descrita um pouco antes de convidados voluntários para o martírio em nome da fé no grupo.

E o casal fascinante em dupla? Tarsila do Amaral conheceu Oswald de Andrade e brotou um amor intenso. Ele? Genial, escritor, bem-humorado. Ela? Brilhante, pintora de primeira grandeza, culta e agradável. Ambos aristocratas elegantes e com conversas que eram o centro das atenções. Chegaram a criar um nome para o casal: TarsiWald. Foi uma dupla de encanto homogêneo, pelo menos até Oswald ter uma aproximação com outra mulher brilhante: Patrícia Rehder Galvão, conhecida como Pagu. Bem, ainda temos tal desafio: o casal Interessante pode terminar o casamento.

A pergunta já deve ter lhe ocorrido. Como aquela sua amiga tão bacana, tão agradável e tão positiva foi namorar e casar com um tipo tão insuportável? De que forma seu amigo que teve tantas pretendentes legais foi ficar, justamente, com a mulher chata? Escolhas afetivas são difíceis de ser ponderadas por testemunhas externas.

Não tenho uma solução perfeita para o problema que, denominarei de “desnível do casal. Um dos dois será, sempre, mais agradável, carismático ou de fácil convívio. Aceitar? Esperar o fim? Selecionar alguém para distrair a parte problemática? Bem, a pandemia tinha suspendido o problema. E agora? Boa semana de sociabilidades. É preciso ter esperança, bons amigos e boas escolhas.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTA É NOSSA CHANCE DE LIBERTAR OS ADOLESCENTES DA ARMADILHA DO CELULAR

Mesmo antes da Covid-19, os jovens já vinham se sentindo cada vez mais solitários na escola e com maiores índices de depressão

Com a volta dos alunos às aulas em semanas (no hemisfério norte), muita atenção será dedicada à sua saúde mental. Muitos problemas serão atribuídos à pandemia, mas na verdade precisamos voltar um pouco mais no tempo, a 2012.

Foi nesse ano que os indicadores de depressão, solidão, automutilação e suicídio entre os adolescentes dos Estados Unidos começaram a subir de forma acentuada. Em 2019, pouco antes da pandemia, a incidência de depressão entre os adolescentes havia praticamente dobrado.

Quando começamos a ver essas tendências, em nosso trabalho como psicólogos que pesquisam sobre a Geração Z (os americanos nascidos depois de 1996), ficamos intrigados. Era difícil determinar um grande acontecimento nacional no começo da década que tenha reverberado.

Nós dois viemos a suspeitar dos mesmos culpados: os smartphones, em geral, e a mídia social mais especificamente. Jean descobriu que 2012 foi o primeiro ano em que a maioria dos americanos passou a ter smartphones; em 2015, dois terços dos adolescentes os tinham.

Jonathan descobriu, enquanto estava trabalhando em um ensaio com o psicólogo Tobias Rose, que as grandes plataformas de mídia social mudaram profundamente entre 2009 e 2012. Em 2009, o Facebook adotou o “like”, e o Twitter o “retwet”, e nos próximos anos, os feeds passaram a ser ditados por algoritmos que tomavam por base o “engajamento”, o que queria dizer essencialmente a capacidade de deflagrar emoções.

Além disso, a medida que crescia a popularidade do Instagram, nos anos seguintes, isso passou a exercer efeitos fortes sobre as meninas e jovens mulheres convidando-as a vasculhar as postagens de amigos e desconhecidos que mostravam rostos, corpos e vidas editados e reeditados de forma que ficassem muito mais próximos da perfeição do que da realidade.

Já há muitos anos, alguns especialistas vêm dizendo que os smartphones e a mídia social prejudicam os adolescentes, enquanto outros descartam essas preocupações como só mais uma onda de pânico moral. Um argumento poderoso é o seguinte: o smartphone foi adotado em muitos países aproximadamente na mesma época; assim, porque os adolescentes de outros países não estão experimentando problemas de saúde mental semelhantes? Onde estão as provas nesse sentido?

É uma pergunta difícil de responder porque não existe levantamento mundial de saúde mental adolescente com dados anteriores a 2012, e que continue até o presente. No entanto, existe algo próximo a isso. O Programa de Avaliação de Estudantes Internacionais (Pisa, na sigla em inglês) avalia adolescentes de 15 anos a cada três anos, desde 2000. Em todas as edições exceto duas, o levantamento incluiu seis perguntas sobre solidão na escola. Solidão certamente não é o equivalente de depressão, mas existe uma correlação entre as duas coisas.

Em um estudo que acabamos de publicar no The Journal of Adolescence, apontamos que em 36 dos 37 países em 4 regiões, e encontramos o mesmo padrão em todas elas: a solidão entre adolescente se manteve relativamente estável entre 2000 e 2012, com menos de 18% reportando um nível elevado.

Mas nos seis anos posteriores a 2012, esse índice aumentou dramaticamente. Praticamente dobrou na Europa, América Latina e nos países de fala inglesa, e subiu cerca de 50% no leste asiático.

Para testar nossa hipótese, buscamos dados sobre tendências que poderiam ter impactado a solidão adolescente, entre as quais redução no tamanho das famílias, mudanças no Produto Interno Bruto, aumento na desigualdade, no desemprego, além do maior acesso a smartphones e aumento nas horas na internet

Os resultados foram claros: só o acesso a smartphones e o uso da internet haviam crescido no mesmo compasso da solidão adolescente.

A questão científica mais comum vem sendo: adolescentes que consomem muita mídia social tem resultados de saúde mental inferiores aos que consomem pouca mídia social? A resposta é sim, especialmente entre meninas. Quando o smartphone se tornou mais comum, ele transformou os relacionamentos de pessoa a pessoa e familiares e a textura da vida – mesmo para quem não tem smartphone ou Instagram.

É mais difícil estabelecer uma conversa casual no refeitório ou depois da aula se todo mundo está de olho no celular. É mais difícil manter uma conversa séria quando os participantes são interrompidos por notificações.

O que podemos fazer, portanto? Não é possível voltar para a era anterior aos smartphones, tampouco gostaríamos de que isso acontecesse.

Um passo importante seria dar aos adolescentes um período longo durante o dia em que eles não pudessem ser distraídos pelos seus aparelhos: o horário escolar. Os celulares deveriam ficar trancados para que os alunos possam praticar a arte pedida de prestar atenção completa às pessoas – o que inclui os professores.

Um segundo passo importante seria postergar o ingresso dos jovens na mídia social.

Mesmo antes da Covid-19, os adolescentes já vinham se sentindo cada vez mais solitários na escola. Agora, depois de quase 18 meses de distanciamento, temores de contágio, ansiedade entre os pais, estudo remoto e dependência maior de eletrônicos, será que podemos confiar que deixem de lado os smartphones?

Temos uma oportunidade histórica de ajudá-los a fazê-lo.

JONATHAN HAIDT – é psicólogo social na Escola Storm de Administração de empresas, Universidade de Nova York e autor de “The Codding of the American Mind.

JEAN TWENGE – é professora de psicologia na Universidade estadual de San Diego, é autora de “ICen.”

POESIA CANTADA

A LISTA

OSWALDO MONTENEGRO

A LISTA

COMPOSIÇÃO: OSWALDO MONTENEGRO.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

OUTROS OLHARES

FASHION OU CRINGE?

Carrie Bradshaw, Charlotte York e Miranda Hobbes, as protagonistas de Sex and the City, voltam a ditar moda, só que agora aos 50 anos

“Não consegui evitar me perguntar. Onde elas estão agora?” Com essa questão e um vídeo de uma agitada Nova York publicados em janeiro em suas redes sociais, a atriz Sarah Jessica Parker acendeu a curiosidade sobre um possível revival da icônica série Sex and the City, lançada em 1998. Logo depois, a plataforma HBO Max anunciou And Just Like that…, série dividida em dez episódios, de trinta minutos cada um, que trará Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Charlotte York (Kristin Davis) aos 50 anos, em vidas e responsabilidades diferentes, mas ainda assim – a ver pelas fotos divulgadas – loucas por moda. Em um mundo muito diferente do fim da década de 90, quando a série foi exibida, vivendo uma pandemia e tomado pelo universo digital, a pergunta que se faz agora é se Carrie, Miranda e Charlotte serão novamente fashions ou se, dezessete anos depois, se tornarão mais um meme cringe (algo como “cafona” na linguagem da geração Z, nascidos entre o fim dos anos 1990 e o ano 2010.)

A dúvida é pertinente. Ela evoca a tênue linha divisória em moda que separa o autêntico do caricato. E o verdadeiro, hoje, certamente é muito distinto do que há duas décadas, quando tudo o que o trio exibia na TV, especialmente Carrie, virava sonho de consumo. “É maravilhoso que elas sejam fiéis ao estilo pessoal e mantenham, aos 50, a exuberância”, afirma o estilista Dudu Bertholini. “Mas é preciso fazer uma atualização, sem o incentivo ao consumismo que pautava aqueles tempos.” De fato, não há nada mais fora de moda. Conceitos como o de compras sustentáveis e econômicas no tamanho da sacola estão aí. O contrário, ou seja, sair de um centro de compras carregada de sacolas lotadas com peças escolhidas por impulso, virou cafona. “Houve a desconstrução da ideia de comprar algo desnecessário ou indesejado só para ser quem você não é”, diz Bertholini.

Há outra mudança importante separando Sex and the City de And Just Like that…: as redes sociais. Elas mudaram tudo o que se entendia como referência em moda e a forma de consumi-la. Sua ascensão faz com que modismos surjam tão rapidamente quanto desaparecem. Além disso, vale muito quem está por trás do figurino. “O público das redes é muito ligado em comportamentos”, reflete Costanza Pascolato, uma das maiores autoridades no assunto. “As pessoas se moldam pelas personalidades que seguem.”

O revival deve, sim, propor reflexões em termos de moda depois de tantas transformações. Em entrevista à revista Vanity Fair, Sarah Jessica Parker disse que ela própria tinha muitas perguntas sobre sua personagem, inclusive o que a moda significava para Carrie agora. Sem contar a introdução nos episódios do onipresente tema da pandemia de Covid-19, que também provocou intensas alterações nos costumes. No que diz respeito à aparência e ao vestuário feminino, os meses em que passamos confinados ampliaram a liberdade de assumir cabelos brancos, de abdicar do salto alto e de tirar do closet tudo o que signifique desconforto. Sarah, que até anos depois do final de Sex and the City teve sua imagem colada à da colunista nova-iorquina a qual deu vida, é exemplo acabado da mulher urbana, casada, com filhos, que na entrada dos 50 anos e vivendo uma pandemia jogou para o alto algumas convenções. Recentemente, apareceu com os fios grisalhos em um jantar no Anton’s, restaurante em West Village, em Nova York.

A nova série talvez não traga mais os exageros de consumo de Carrie – em um dos episódios antigos, ela percebe que gastou 40.000 dólares em sapatos, mas não tem onde morar -, até pelos novos desafios das protagonistas. Elas têm outras aspirações profissionais, filhos adolescentes, casamentos que se transformaram em divórcios e a pressão de envelhecer com rosto e corpo perfeitos. Mas é fato, porém, que roupas, bolsas e sapatos continuarão sendo destaque. É só acompanhar as suntuosas e chamativas produções divulgadas. E a cada look, um alvoroço. O vestido pink Carolina Herrera, cinto Streets Ahead USA, clutch vintage Judith Leiber e, claro, o eterno scarpin Manolo Blahnik, por exemplo, já deram o que falar. E o que vender também: todos os itens estão esgotados.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 26 DE AGOSTO

NÃO ACEITE SUBORNO

O perverso aceita suborno secretamente, para perverter as veredas da justiça (Provérbios 17.23).

A sociedade brasileira vive a cultura do suborno. Com frequência perturbadora, vemos políticos inescrupulosos em conchavos vergonhosos com empresas cheias de ganância e vazias de ética. Esses ladrões de colarinho branco recebem somas vultosas, a título de suborno, para favorecer empresários desonestos, dando-lhes informações e oportunidades privilegiadas, a fim de se apropriarem indebitamente dos suados recursos públicos que deveriam promover o progresso da nação e o bem do povo. Aqueles que aceitam suborno, e muitas vezes se escondem atrás de togas sagradas  e títulos honoríficos, não passam de  indivíduos perversos e maus, gente de  quem deveríamos ter vergonha, pois fazem da vida uma corrida desenfreada para perverter as veredas da justiça. Não poderemos construir uma grande nação sem integridade. Não poderemos erguer as colunas de uma pátria honrada sem trabalho honesto. Precisamos dar um basta nessa política hedonista do “levar vantagem em tudo”. Se quisermos ver nossa nação seguir pelos trilhos do progresso, precisaremos andar na verdade, promover a justiça e praticar aquilo que é bom. Isso é o que Deus requer de nós.

GESTÃO E CARREIRA

COMO EQUILBRAR CARREIRA E VIDA PESSOAL

Ambiente atual é desafiador: equilíbrio entre carreira e vida pessoal

O ambiente atual é realmente muito desafiador, e foi agravado durante a pandemia. Convivemos cada vez mais, com doenças associadas ao estresse, sobrecarga física e emocional, e que não são necessariamente novas, como a depressão, a dependência química, a síndrome do pânico, ansiedade e muitas dessas doenças são atribuídas parcialmente a problemas de desequilíbrio que impactam negativamente a qualidade de vida.

As demandas da sociedade tanto na vida pessoal e social quanto na profissional, vem evoluindo e para muitas pessoas gerando mais pressão, cobranças, expectativas, frustrações, exposições e comparações. Estamos em um ambiente de redes sociais, smartphones, internet, “haters”, “stories”, apps, que como soluções derivadas da tecnologia podem servir para o bem; mas quando não utilizadas adequadamente, podem agravar muito o problema de desequilíbrio, tanto no lado pessoal quanto no profissional.

Gostaria de propor um pouco de reflexão, para gerarmos autoconhecimento e ajudarmos com ferramentas, técnicas e dicas no desenvolvimento de um planejamento, de objetivos e metas e de uma rotina que permita um equilíbrio entre estes dois aspectos da vida humana moderna/atual. Reconheço que existem muitas possibilidades e caminhos para a busca do equilíbrio mencionado, e não pretendo apresentar algo que seja melhor ou pior do que outras abordagens, que existem sobre o tema.

Buscarei entregar um conteúdo de valor, distribuído em alguns artigos, que possam trazer alguma contribuição para a busca por um equilíbrio e por uma vida mais saudável. A ideia inicial que proponho é a de promover a discussão de ideias, conceitos e perspectivas sobre o desafio de equilibrar a vida pessoal e a carreira profissional.

Podemos ter uma sequência que aborde com um pouco mais de profundidade, que cada pessoa é diferente das outras e, portanto, um elemento básico para se construir uma rotina de atividades equilibrada, passa por autoconhecimento.

Precisamos de motivação, sonhos e principalmente de objetivos e metas que nos permitam olhar para frente, e ter uma razão para empenhar esforços e energia em busca de algo. Isso será o tema de uma terceira parte desta série de artigos.

Na conclusão, podemos discutir a definição e a vivência de uma rotina que viabilize a priorização do que é mais importante para a pessoa, com alguma produtividade nas suas ações e este equilíbrio tão desejado por profissionais.

Seguem alguns pontos de vista sobre o tema, para sua reflexão.

PERSPECTIVAS VIDA PESSOAL X CARREIRA PROFISSIONAL:

•   Quero iniciar perguntando: por que você está aqui?

•   Acredita que há um conflito entre vida pessoal e profissional?

•   Entende que são duas vidas separadas que precisam estar em equilíbrio? Por quê?

•   Sente que atualmente a sua rotina diária está desequilibrada e isto está causando prejuízos?

•   Ou está em busca de mais produtividade?

•   Não? É felicidade, sucesso e qualidade de vida? É possível isto?

São muitas as perguntas que podem levar as pessoas a buscar conteúdo que ajude a equilibrar, o que em um primeiro momento, parece ser um desafio ou problema, ou seja, conciliar uma vida pessoal com uma carreira profissional cheia de realizações e sucesso. Recomendo uma visão integrada, que deve considerar a vida como uma só, com suas muitas dimensões, especialmente no lado pessoal, a exemplo da familiar, da individual, da social, da religiosa e da saúde / bem-estar.

Não devemos desassociar a vida pessoal da vida profissional. Acredito que a vida é uma só e que tanto a perspectiva pessoal quanto a profissional estão integradas, mesmo que em desequilíbrio.

Não vejo como possível, uma pessoa isolar totalmente a sua vida profissional das questões pessoais e o contrário, mesmo que alguns cheguem a quase abrir mão de viver uma destas, por exemplo, não tendo carreira profissional “formal” ou então se dedicando absurdamente apenas a questões profissionais e deixando de lado aspectos individuais, sociais, familiares, etc.

Assim podemos dizer que cada pessoa tem uma vida só, que não volta atrás no tempo, que é finita e dinâmica, composta de vários momentos, fases, etapas, e de várias dimensões. Não há fórmula que se aplique a todas as pessoas, para obtenção de felicidade, sucesso, e equilíbrio, basicamente porque as pessoas são diferentes, possuem cultura, educação, personalidade, etc. que fazem com que sejam únicas.

É importante que cada pessoa conheça a si mesma, conheça opções e alternativas para abordar a sua vida e escolha / decida como deseja conquistar seus sonhos e objetivos, que podem representar a felicidade, o equilíbrio, o sucesso e até mesmo a tão falada, qualidade de vida, mas isso será diferente para cada um e não se poderá isolar as dimensões de uma vida única.

O principal ativo do ser humano, sobre o qual buscamos equilíbrio é o nosso tempo, portanto a gestão do tempo que alocamos para as ações e para as dimensões da vida, tanto do ponto de vista de quantidade, mas principalmente de qualidade, é o fator chave para se alcançar os objetivos, bem como o equilíbrio desejado.

O principal conceito que temos de assumir é: o controle e a função de protagonistas sobre nossas decisões e ações. O autoconhecimento nos ajuda a entender quem somos, nossos valores, motivações e necessidades e até o nosso propósito de vida.

Devemos evitar o papel de vítimas ou terceirizar a responsabilidade sobre nossa situação, para outras pessoas ou entidades. Ter uma atitude de controle sobre a própria vida, a própria agenda e um pensamento sistêmico que entende as relações de causas e consequências na nossa vida, ajuda na construção de uma jornada, que é tão importante quanto o destino final. Cada indivíduo é diferente dos demais, por- tanto sua definição de sucesso e felicidade, seus objetivos e o seu equilíbrio entre o pessoal e o profissional, será único.

Esse deve ser construído com o tempo, entendendo-se que não será perene / estático, ou seja, é na média que se obtém o equilíbrio, reconhecendo que são necessários esforços, sacrifícios e “trocas” em determinados momentos, levando a alguns desequilíbrios em um período / temporários; que uma vez conscientes, podem ser compensados e assim o equilíbrio se atinge em um escopo / período maior, mas sempre individual.

Após compartilhar essas ideias centrais neste primeiro artigo da série, devo ir mais fundo nos temas mencionados nos seguintes, propondo discussões, mas sem fórmulas mágicas ou radicais. A ideia é apoiar o indivíduo na sua busca por equilíbrio, com alguma estrutura e objetividade.

ELBER MAZARO – É advisor na Wintepe, consultor, palestrante e professor de MBA

www.wintepe.com.br.  

EU ACHO …

APRIMORAR-SE

“Aprimorada pelo tempo”. Gostei dessa definição que li no livro “A ciranda das mulheres sábias”, de Clarisse Estés. Envelhecer não é nenhum escândalo, mas aprimorar-se é um verbo mais simpático. No próximo fim de semana, completo 60 anos de aprimoração, celebremos.

Cheguei aqui produtiva e com saúde, num mundo que começa a deixar de estigmatizar os cabelos brancos (penso até em suspender o tonalizante que passo de 20 em 20 dias) e em que Sarah Jessica Parker volta a gravar “Sex and the city” com rugas cultivadas desde o último episódio da série, em 2004: cada mulher é livre para fazer o que quiser do seu rosto, inclusive mantê-lo como é.

Nossa aparência muda, isso todos enxergam. A transformação interna é que é invisível e merece ser narrada e compartilhada, pois é o lado melhor dessa história: assumir nossa autonomia, sem mais idealizações ou autocobranças.

Eu sei, 100% livre, não há ninguém. De minha parte, nunca estive tão atrelada às necessidades de meus pais idosos e às de minhas filhas, mesmo adultas. Laços nos prendem e tudo certo, são os imprescindíveis vínculos afetivos. A liberdade que celebro está relacionada ao que desamarrei dentro de mim. Preconceitos, paranoias, desperdícios. É uma obrigação moral se livrar das obstruções que impedem o avanço da mente. Em termos físicos, a idade traz limitações que não controlamos, mas somos mais do que um corpo, e da nossa cabeça cuidamos nós – desatando os nós, para começar.

Já não espero por grandes acontecimentos, o que tinha para acontecer, já aconteceu. Agora é usar o que aprendi e o que sei a meu respeito para tratar a vida com a elegância que ela e eu merecemos. Envolvimento profundo com o que importa; de resto, sorrisos leves e silêncios prudentes, o sábio “deixar pra lá”.

Confiar na minha força interior e não interromper a busca pelo bem-estar, que nunca está na mentira, na vulgaridade, na grosseria (infelizmente, para muitas pessoas é mais fácil ser cruel do que ser gentil). Dançar sempre, até a alma escapar pelos poros. Azeitar paixão e razão, fazer as duas conviverem sem tanto conflito. Mandar o ego calar a boca, que ele já apitou demais. Não encaixotar a vida, ela sempre pode alargar-se, expandir-se, transbordar.

Sabedoria e doçura, juntas, desenredam aquilo que aperta o peito e dificulta a respiração. Estou diante de um portal que costuma assustar, mas passarei por ele feito uma bailarina, leve e delicadamente. Não me irrito mais (só não perco o senso crítico, # forabolsonaro). Ainda sou útil para alguns e me divirto comigo mesma. Desembaraçar-se, uma tarefa que se aprimora com o tempo, é verdade. Então que o tempo passe.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HIERARQUIA AFASTOU PAIS E FILHOS

A partir das transformações sexuais, o pai assumiu um papel não só de provedor, como foi reconhecido ao longo do tempo, mas também de responsável pelo cuidado das crianças, em conjunto com a mãe, que também se tornou provedora

O conceito de paternidade surge na história da humanidade a partir do estabelecimento do patriarcado, que nos últimos milênios é a trama de fundo do padrão da cultura ocidental, marcado não só pela opressão do feminino, rigidez, competitividade e distanciamento nas relações interpessoais, como também no distanciamento entre o pai e os filhos por uma hierarquia de autoridade. Essa é a avaliação do psicólogo e professor Durval Luiz de Faria, especialista em perspectivas simbólicas sobre o masculino, feminino e relações de gênero, com ênfase ao papel de pai na configuração psíquica.

Do ponto de vista psicológico, esse lugar estabelecido para a paternidade, como chefe e dono da família, leva o homem para a função de provedor, longe do ambiente doméstico, do feminino e do contato com os filhos. Contudo, desde as revoluções sexuais do início do século XX, esse cenário vem se alterando. Além de provedor, o pai ganha espaço como nutridor, responsável pelo trato e cuidado das crianças em parceria com a mãe, agora também provedora.

Entretanto, essa nova nuance pós patriarcal do homem que é pai afetivo desperta o medo da perda da virilidade com a dispensa da rigidez autoritária patriarcal, questão que muitas vezes mobiliza diversos homens em relação ao que significa, no fundo, ser pai. Assim, homens modernos que se tornam pai, mas que não tiveram como modelo de paternidade o afeto presente do próprio pai, podem apresentar conflitos entre o desejo de ser um pai presente e integral, em oposição à rivalidade com a criança que o remete à própria infância. Por isso, a experiência da paternidade pode ativar, no homem contemporâneo, complexos e obstáculos vividos na relação com seu próprio pai e mãe, ao mesmo tempo que surgem oportunidades de reelaboração e desenvolvimento pessoal com tal dilema.

Do pai herói ao idoso pai amigo, passando pelo superado pai na rebeldia do filho adolescente, ser pai passa por sentimentos de impotência, angústia, temor, ciúme, dúvidas, ansiedade e insegurança, que são difíceis de conciliar com a imagem da sociedade machista de masculinidade. É preciso a reinvenção da masculinidade para dar suporte a essa paternidade mais ampla. De acordo com Faria, os caminhos do compromisso e do enfrentamento da responsabilidade pelos filhos são a possibilidade de transformação da consciência masculina.

Para o grupo de pesquisadores sob coordenação da dra. Waglânia Freitas (2009), em trabalho de campo sobre a responsabilidade social do homem no papel da paternidade, os homens ainda compreendem a paternidade como um encargo social de provisão familiar, e menos como espaço de envolvimento afetivo, mas essa dimensão afetiva apresenta-se como eixo central da sua preocupação de ser pai: embora não saibam como realizar essa paternidade, se preocupam com ela. Para os autores, “o significado e o exercício concreto da paternidade situaram-se num campo de responsabilidades que predominantemente reproduzem o pai tradicional, mas também recriam o papel de pai, com inclusão da dimensão afetiva” (Freitas et ai., 2009, p. 85).

Em estudo anterior, Freitas, Coelho e Silva (2007) afirmam que “a posição social dos sujeitos do estudo frente ao momento em que se sentiram pais revela que o modelo em que homens assumem-se como pais, pela função de provedor, convive com o modelo do homem que busca ser um “novo pai”, cujo vínculo afetivo com o(a) filho(a) se inicia na gestação, representando ruptura com a paternidade tradicional” (Freitas; Coelho; Silva, 2007, p. 135).

Para Thurler (2006), a paternidade precisa ser analisada em dois eixos específicos: o exercício do reconhecimento geracional, formal-legal e afetivo-social, que incidem em demandas políticas; e o não reconhecimento paterno das crianças como a persistência de antigas práticas patriarcais, nas quais a escolha do homem foi naturalizada. Para a autora, a paternidade no Brasil tem uma tendência específica, a superação das relações sociais patriarcais, a fim de efetivar o direito à igualdade e à filiação de todas as crianças, bem como para o desenvolvimento da solidariedade e da responsabilidade em relação à criação dos filhos. Nesse sentido, a paternidade tem importância cívica e legal, de cidadania.

Conhecer e conviver com o pai é fundamental para a construção da identidade da pessoa, como figura de amor, proteção e referência. Sua ausência tem reflexos na vida do sujeito adulto, comportamental e emocional­ mente: baixa autoestima, fragilidade e insegurança, violência.

AUSÊNCIA

A presença dos pais está associada ao desenvolvimento do equilíbrio na vida dos filhos, e a uma adequada formação das suas personalidades. A presença de pai ou mãe é igualmente importante. Contudo, é mais comum observarmos a ausência paterna nos casos de separação do casal. Mas a separação não significa, em si, a sua ausência. E até mesmo a morte do pai não significa a ausência paterna. É claro que há pais que se negam à paternidade, recusando o laço afetivo com os filhos. Mas isso pode ocorrer com o pai que reside no mesmo local do filho. Pai ausente é aquele que pouco ou nada contribui à educação dos filhos, morando na mesma casa que eles ou em outro continente. Ou seja, não participa dos momentos importantes, não os compreende nem os orienta.

Um homem que, embora progenitor, não esteja disposto à experiência do papel de pai, convivendo e acompanhando o crescimento e desenvolvimento da criança, é melhor que esteja ausente. A presença física acompanhada de indiferença, irritação e obrigatoriedade provoca sentimento de rejeição, com reflexos emocionais em toda a vida da criança. Contudo, muitas vezes o problema não é a ausência em si do pai, mas a forma como a mãe lida com o ex-companheiro que impacta diretamente na formação emocional da criança, que pode desenvolver uma imagem de que pai é aquele que fez a mãe sofrer, gerando problemas com a figura masculina, autoimagem ou dificuldade de se relacionar afetivamente no futuro.

A ausência física e afetiva do pai pode ser facilmente superada pela criança se for bem administrada pela mãe, conforme ela lida com essa realidade. A pesquisadora australiana Melissa Wake, em sua pesquisa com cerca de 5 mil crianças entre 4 e 5 anos, descobriu que há relação direta entre a incidência de sobrepeso e obesidade dessas crianças com a negligência dos progenitores masculinos. A pesquisadora acredita que a figura paterna, associada à imagem de limites, possa aqui fazer falta.

A ausência real do progenitor não é motivo para desespero sobre o futuro do filho. Toda criança é capaz de fazer a internalização do pai por meio simbólico, filiando-se a outras figuras masculinas que estejam disponíveis ao seu redor, como tios, avôs, professores e até mesmo celebridades midiáticas. Nesse sentido, nos casos radicais de ausência paterna, como morte ou negação do progenitor em conviver com a criança, é fundamental que os adultos que a rodeiam ofereçam espaço para a compreensão e elaboração da situação real, com diálogo, apoio e oferta de segurança e proteção.

PAIS SEPARADOS

Em casos de pai separados, os progenitores precisam ser minimamente cordiais e civilizados, e procurar se desenvolver emocionalmente para perceber que se separaram como casal, mas que jamais poderão se separar como pais da criança. A criança não pode ser um joguete entre o ex-casal, usada como instrumento para ferir o outro de quem se tem mágoas ou raiva, pois a criança não é aliada de nenhum dos progenitores, mas é igualmente filha de ambos.

Há mães que dizem que o que é falado sobre o pai é verdade e que a criança deve conhecer essa verdade. Entretanto, além disso ser relativo – essa é a verdade do ponto de vista materno, e não filial -, a criança está construindo sua identidade a partir do conceito que tem da sua realidade, incluindo a sua visão sobre o próprio pai. A imagem construída internamente pela criança, seja boa ou má, fará parte daquilo que ela compreende como ela mesma. Assim, denegrir ou falar aspectos negativos do progenitor em nada acrescenta ou fortalece a criança.

De acordo com Botoldi (2010), a separação conjugal modifica o exercício da paternidade, sobretudo em relação à proximidade entre pai e filhos, geralmente em função do relacionamento do pai com a ex-mulher, dificultando a parentalidade. Sua pesquisa a esse respeito aponta que os pais separados desejam frequentemente estar presentes na vida cotidiana de seus filhos, e cada vez mais há o movimento social por essa parte em ampliar legalmente a participação na vida dos filhos, sem, contudo, deixar o reconhecimento do lugar materno na vida dos mesmos.

Atualmente, a lei brasileira da guar­ da compartilhada tem importante papel na obrigatoriedade de convívio entre pai e filhos. Ao integrar juridicamente deveres impostos ao pai, responsabiliza o mesmo à relação e condução da vida dos filhos menores. Mais do que oferecer alimento, vestuário e recursos médicos, o pai, quando juridicamente possui a guarda da criança, tem a obrigação legal de oferecer acolhida afetiva, amparo, educação, instrução, direção moral e aconselhamento ao filho.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a guarda da criança é uma prestação de assistência material, moral e educacional por parte do pai, independentemente de seu estado civil e afetivo com a mãe do filho. O maior interesse da guarda compartilhada é promover o máximo convívio possível da criança com ambos os pais, para além das desavenças que estes possam ter entre si – o que os obriga, consequentemente, a desenvolver uma relação respeitosa e harmoniosa mínima.

PAIS HOMOAFETIVOS

Na internet, é possível encontrar um grande número de informação opinativa, sem fundamentação teórica ou empírica. Até mesmo em textos desenvolvidos por supostos especialistas encontramos informações de cunho preconceituoso ou oriundas de má compreensão das teorias psicodinâmicas, que afirmam que uma das relevâncias da figura do pai para a criança é a formação da identidade de gênero, ou a orientação sexual, ou mesmo a distinção entre os gêneros e papéis sexuais. Contudo, quando nos alinhamos com as teorias clássicas do desenvolvimento da personalidade e com os estudos científicos sérios não encontramos fundamento para essas (des)informações. A maior parte das pesquisas acadêmicas sobre a criação e educação de crianças por casais homoafetivos indica que o desempenho nas tarefas familiares é similar ao de famílias com casais heteroafetivos. Dessa forma, assim como o pai é fundamental, ser bom pai pouco tem relação com a identidade sexual e de gênero do mesmo para os filhos.

Pinheiro, Galiza e Fontoura (2009) apontam um descompasso entre as transformações nas estruturas familiares e a forma como o Estado trata e conceitua a família. Em pesquisa sobre pais em famílias constituídas por casais de gays e lésbicas na França, Tarnovski (2011) argumenta que as famílias homoparentais representam uma tendência da transformação da organização familiar. De acordo com Martinez e Barbieri (2011), a família nuclear heterossexual, atribuidora de papéis de acordo com o sexo parental, necessita de revisão frente aos novos rearranjos sociofamiliares contemporâneos.

Famílias com casais homoafetivos são cada vez mais comuns e não expressam qualquer patologia em si por essa formação. Em estudo de caso, as pesquisadoras observaram que a maternagem e a paternagem não são exercidas em função da consanguinidade da criança com o pai/ mãe biológico, mas sim a partir do vínculo entre todos os elementos da família. Gato e Fontaine (2014) apontam mais semelhanças do que diferenças entre a heteroparentalidade e a homoparentalidade. Seja na prática parental ou no desenvolvimento da criança, o fator mais importante para a qualidade das relações é o afeto e o vínculo entre os elementos.

No caso de pais gays, o cérebro apresenta as mesmas alterações já citadas ocorridas com pais heterossexuais presentes no convívio com os filhos. Não há quaisquer indícios científicos de que casais homoafetivos tenham dificuldade em desempenhar os papéis tradicionais de figura materna ou paterna na formação de uma criança ou adolescente. Aliás, estudos em Neuropsicologia apontam que o cérebro dos pais em casais homoafetivos desenvolve ambas as funções, podendo assumir qualquer um dos papéis parentais diante da situação com a criança.

De acordo com Costa (s/ d), psicóloga jurídica e escolar, a sociedade ainda é a maior dificuldade a ser enfrentada pelos casais homoafetivos e seus filhos. É preciso superar o preconceito e o moralismo conservador entre os religiosos, legisladores e operadores do Direito. Para a pesquisadora, caráter e competência parental não residem na orientação sexual da pessoa, e corremos o risco de ferir a dignidade humana se os juízos morais forem baseados em preconceitos sociais, sendo necessário o resgate do respeito e do diálogo para a avaliação de processos de adoção e parentalidade por casais homoafetivos.

QUALIFICAÇÃO

Psicologia Social, Clínica, do Desenvolvimento, Sociologia ou Direito: todas essas áreas do conhecimento acadêmico e humano se empenham em compreender a formação do sujeito e suas interações e papéis sociais, com a finalidade de produzir um conhecimento que qualifique a vida prática das pessoas.

Observamos de forma convergente a importância da família, especialmente no exercício da parentalidade, no que se refere ao suprimento das necessidades humanas básicas entre pais e filhos: providência, sustento, segurança, amor, apoio emocional e suporte para o desenvolvimento pessoal. Nesse panorama, a figura paterna teve sua importância desprezada por muito tempo em função da concepção patriarcal da cultura ocidental, sendo resgatada e pesquisada com mais ênfase a partir do final do século XX.

E nesses estudos, observações e pesquisas, podemos apontar a singular importância do pai – biológico, adotivo, agregado e independentemente do gênero ou orientação sexual – para a formação da identidade e personalidade da pessoa. Do mesmo modo, o exercício da paternidade é fundamental ao sujeito que é o pai, no seu desenvolvimento humano e cognitivo. Mas para que isto se dê é preciso reflexão e consciência dessa importância para se escolher livremente por dispor de tempo qualitativo na construção desse vínculo com o filho.

O PAPEL DO PAI NA ADOÇÃO

Diante de tantos novos meios de geração da vida proporcionados pela Ciência. e dos rearranjos familiares que compõem a modernidade contemporânea, seria ingenuidade associar a paternidade apenas à condição genética. A paternidade está associada ao melhor interesse para a criança, considerando o elo de afeto que envolve pai e filho. Pai é aquele que a criança identifica e ama como pai. É a filiação socioafetiva que define a relação íntima e duradoura entre os envolvidos. Assim, em muitos casos de concreto abandono ou rejeição do pai biológico a paternidade pode ser definida por agremiação familiar ou adoção. Um tio ou avô que assume a função paterna, o novo companheiro da mãe, que passa a construir esse vínculo com a criança, casais hetero ou homoafetivos que adotem a criança vão ser efetivamente os pais. Em estudo sobre a significância da paternidade adotiva, Andrade, Costa e Rossetti (2006) assinalam que pais adotivos compreendem seus filhos como sua continuidade no mundo, assim como os entendem como decorrência natural de seus casamentos, ainda que entre esses pais e filhos não haja ligação genética. É o vínculo socioafetivo que define a relação com o filho e o papel de pai. De acordo com Dias (s/d), isso se aplica especialmente para casais homoafetivos: designar discriminatoriamente qualquer vedação em relação à filiação de uma pessoa. Dessa forma, negar a paternidade homoparental é um retrocesso civil, desrespeitando a dignidade humana, tanto de pais como de filhos nessa condição.

CÁTIA RODRIGUES – é psicóloga e pesquisadora acadêmica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- SP) especialista em sexualidade e em saúde mental.  www.rbc.com.br

REFERÊNCIAS

CUNICO. S.: ARPINI. D. Não basta gerar, tem que participar?: um estudo sobre a ausência paterna. Psicologia: Ciência e Profissão. v. 34. n.1. p. 226-241. Brasília. mar. 2014.

DANTAS C: JABLONSKI. B: FERES-CARNEIRO. T. Paternidade: considerações sobre a relação pais­ filhos após a separação conjugal. Paidéia. v. 14, n. 29. p. 347-357, Ribeirão Preto, dez. 2004.

FREITAS, W. et ai. Paternidade: responsabilidade social do homem no papel de provedor. Revista de Saúde Pública, v. 43. n. 1. p. 85-90. São Paulo. fev. 2009.

GATO. J.: FONTAINE. A. Homoparentalidade no masculino: uma revisão da literatura. Psicologia & Sociedade. v. 26. n. 2, p. 312-322. Belo Horizonte. ago. 2014.

GOMES. A.: RESENDE, V. O pai presente: o desvelar da paternidade em uma família contemporânea. Psicologia: Teoria e Pesquisa. v. 20. n. 2. p.119-125. Brasília. ago. 2004.

MARTINEZ, A.: BARBIERI. V. A experiência da maternidade em uma família homoafetiva feminina. Estudos de Psicologia. v. 28. n. 2. p. 175-18.5 Campinas. jun. 2011.

MOREIRA. L: TONELI. M. Paternidade responsável problematizando a responsabilização paterna. Psicologia & Sociedade. v. 25, n. 2. p. 388-398. Belo Horizonte. 2013.

SOUZA. C: BENETTI. S. Paternidade contemporânea: levantamento da produção acadêmica no período de 2000 a 2007. Paidéia. v. 19. n. 42, p. 97-106, Ribeirão Preto, abr. 2009.

TARNOVSKI. F. Les coparentalités entre gays et lesbiennseen France: le point de vue des péres. Vibrant, Virtual Brazilian Anthropology, v. 8. n. 2. p. 140-163. Brasíli.ad ez. 2011.

POESIA CANTADA

DEVOLVA-ME

ADRIANA CALCANHOTTO

DEVOLVA-ME

COMPOSIÇÃO: LILIAN KNAPP / RENATO BARROS

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!
Deixe-me sozinho
Porque assim
Eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim vai ser melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!

O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver
Devolva-me!
Devolva-me!
Devolva-me!

OUTROS OLHARES

A LÍNGUA SOB PRESSÃO

A linguagem neutra, usada por pessoas que não se identificam com os gêneros masculino e feminino, entra no centro do debate político, provoca revolta entre os bolsonaristas, mas vai demorar para ser absorvida pela norma culta

A linguagem neutra está no centro de um debate político que promete ainda gerar muita polêmica e discussões acaloradas. Enquanto se desenvolve como uma demanda de pessoas que não se identificam com os gêneros masculino e feminino e é defendida com ardor por membros da comunidade LGBTIQIA+, a proposta vem sendo atacada por grupos conservadores e descartada por gramáticos. Em 15 estados e no Distrito Federal, deputados bolsonaristas se articulam para proibir o uso da linguagem neutra nas escolas públicas e privadas. Em Santa Catarina, um decreto do governador Carlos Moisés (PSL) já impede que seja adotada. Os opositores da mudança alegam que precisa ser garantido aos estudantes o direito ao aprendizado da língua portuguesa conforme a norma culta e as orientações legais de ensino definidas com base nas orientações nacionais de educação e pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), consolidado pela Academia Brasileira de Letras (ABL). O deputado Cabo Junio Amaral (PSL-MG) acusa as palavras sem gênero de “aberração linguística”.

O que está em discussão é a criação de vocábulos que não sejam masculinos ou femininos e que sejam usados para se referir a gays e lésbicas, por exemplo. Para isso já se propôs que o “a” e “o” fossem substituídos nos pronomes, substantivos e adjetivos neutros por “x” ou “@”, permitindo que além de “ele” ou “ela” houvesse um pronome pessoal “elx” ou “el@”. Outra ideia é que se utilize o “e” em pronomes indefinidos como “todos” ou “todas”, que ganhariam uma terceira forma, “todes”. Na semana passada, inclusive, o Museu da Língua Portuguesa (MLP), em São Paulo, que será reinaugurado sábado, 31, colocou mais lenha na fogueira do debate ao publicar um post em suas mídias sociais em que usava um “todes”. Apesar de reconhecer o questionamento da norma, a instituição justificou sua opção dizendo que “é um espaço para a discussão do idioma e suas variações incorporadas ao longo do tempo”. “Estamos sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normalizadora”, informou em nota.

IMPOSSIBILIDADE NORMATIVA

A ABL, porém, que cuida da parte normativa, não tem a mesma visão, simplesmente porque a estrutura do português não suporta um gênero neutro, que existia no latim e persiste no alemão, mas desapareceu nas línguas neolatinas. “A gramática é como um edifício, você mexe na parte externa, que é a pintura, que são as palavras, mas não na estrutura, na parte interna”, afirma o filólogo Evanildo Bechara, ocupante da cadeira 33 da ABL e coordenador da 6ª edição do Volp, que incorporou, há uma semana, 1160 novos vocábulos na língua, incluindo muitos estrangeirismos, como home office e jihad, e conceitos como necropolítica e feminicídio. Numa língua sem gênero neutro, na qual o feminino e o masculino são sempre bem definidos, a transformação seria extremamente complexa e custosa, além de exigir flexões em vários elementos do sintagma. “Você não altera as regras de gênero, assim como não se muda as regras de formação de plural e de conjugação dos verbos”, diz Bechara. “Essa é uma mudança com a qual não é preciso se preocupar porque jamais será aceita totalmente pela comunidade de falantes”. Outro problema é que as soluções encontradas para expressar o gênero neutro atrapalham a leitura de pessoas com dislexia e a comunicação de deficientes auditivos.

A imediata inviabilidade gramatical não impede que grupo engajados desenvolvam seus símbolos e que a linguagem neutra vá encontrando seus próprios caminhos discursivos. Apesar de contrariar as normas, ela está associada a um debate importante sobre cidadania, inclusão e diversidade. Mesmo que não seja adotada de maneira generalizada, ela pode ser utilizada pragmaticamente e aos poucos por grupos em defesa de sua identidade. Embora corram em raias paralelas, tanto a ampliação do vocabulário pela ABL como a pressão política por uma mudança gramatical chamam atenção para o dinamismo da língua e para sua capacidade de renovação. Se o gênero neutro vai se impor ou não é outra história. O importante é manter a língua em transformação, ativa, vibrante, capaz de traduzir mudanças culturais e comportamentais na fala e na escrita dos brasileiros.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 25 DE AGOSTO

O BOM HUMOR É UM SANTO REMÉDIO

O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos (Provérbios 17.22).

Os sentimentos que você abriga em seu coração se refletem diretamente em sua saúde. O bom humor é um santo remédio. Um coração feliz aformoseia o rosto, fortalece o corpo e balsamiza a alma com o óleo da alegria. A paz interior é a melhor espécie de medicina preventiva. Nosso corpo é o espelho da nossa alma. Quando estamos angustiados, refletimos isso em nosso semblante. Um coração triste acaba produzindo um corpo doente, enquanto um coração alegre é remédio eficaz que cura os grandes males da vida. Se a alegria previne contra muitas doenças, o espírito abatido é a causa de muitos males. O espírito abatido faz secar os ossos. Murcha sua vida de dentro para fora. Destrói seu vigor, sua paz e sua vontade de viver. Muitas pessoas perderam a motivação para viver. Vegetam. Passam pela vida sem viço, sem poesia, sem entusiasmo. Olham para a vida com lentes escuras. Entoam sempre o cântico fúnebre de suas desventuras. Choram o tempo todo, com profundo pesar, suas mágoas. Curtem com total desalento suas dores. Capitulam ao pessimismo incorrigível. Por terem um espírito abatido, veem seus ossos secando, seu vigor estiolando e sua alegria desvanecendo. O caminho da cura não é o abatimento de alma, mas a alegria do coração.

GESTÃO E CARREIRA

A VALORIZAÇÃO DO COLABORADOR DENTRO DAS EMPRESAS

Antigamente, a relação das pessoas com o trabalho estava baseada apenas na troca de árduos esforços por dinheiro.

Era uma questão de sobrevivência além de ser uma atividade direcionada unicamente ao gênero masculino, já que havia uma visão de que o homem era sempre o provedor da casa. A mudança desse modelo iniciou-se a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII, quando modificaram-se as condições de vida dos trabalhadores e as relações sociais e econômicas no meio urbano – influenciando na perspectiva e ambição de cada um deles

Hoje, essa relação se transformou muito e está muito mais atualizada. Temos pelo menos quatro ou cinco gerações (Baby Boomers, X, Y – ou Millennials – e a Z) dividindo-se no mercado de trabalho. Entretanto, é perceptível o choque de seus ideais e percepções. Diferente do passado, quando o trabalhador fazia carreira apenas em uma única empresa, em que o regime de trabalho CLT era um desejo em comum, o trabalho quase sempre era formal, e a maioria seguia os mesmos padrões de vestimentas e modelo do trabalho.

Agora, vivenciamos um momento no qual existe um equilíbrio entre interesses de empresas e de colaboradores. As novas gerações passaram a exigir locais mais sustentáveis de trabalho, principalmente do ponto de vista psicológico. Buscam flexibilidade de burocracias e formalidades, reconhecimento, satisfação e preocupam-se muito mais com valores individuais e sociais.

Do lado das empresas, houve a necessidade de ajustar sua cultura e oferecer benefícios atualizados para se mostrarem competitivas no mercado. Finalmente, me parece que essa relação entre empresa e colaborador está ficando cada vez mais justa. Por exemplo, no dia a dia eu vejo que uma empresa que oferece um pacote de benefícios atrativos, consegue atrair e reter talentos muito mais do que outras empresas tradicionais ou que ainda não se atentaram a essa transformação.

Um exemplo disso está no próprio benefício do transporte: oferecer múltiplas formas de locomoção, como por exemplo, o fretamento corporativo, transmite ao colaborador uma sensação de bem-estar e reconhecimento. A longo prazo, isso transforma-se em produtividade e satisfação, afinal, ele não precisa dirigir ou utilizar opções de transporte públicos.

A solução de fretamento corporativo também oferece benefícios às cidades, ao eliminar menor quantidade de emissão de CO² e segundo o Inventário de emissões atmosféricas do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo, produzido pelo Instituto e Meio Ambiente, as emissões de poluentes altamente oxidantes são quatro vezes maiores em carros (18,5 mg) do que nos ônibus (4,9 mg). Isso significa que os automóveis emitem cerca de 71% de poluentes na cidade, contra 25% em ônibus.

Acredito que, embora o mercado de trabalho e o interesse dos colaboradores estejam em constante transformação, é papel do RH e dos líderes das empresas acompanhar esse movimento. Precisamos valorizar os colaboradores, afinal são a peça-chave das empresas, inclusive, tendo em vista essa mistura de gerações.

É preciso atentar-se, questionar-se e começar a fazer essas mudanças e inovações. Buscar recursos tecnológicos, participar de atividades de interesses sociais e globais de forma genuína. Principalmente: é preciso valorizar e capacitar os funcionários, afinal, um colaborador satisfeito reflete uma empresa saudável e uma sociedade mais equilibrada.

DANILO TAMELINI – Formado em administração de empresas pela Trevisan Escola de Negócios, pós USP em administração de serviços, é co-fundador e Presidente LATAM da Busup, que oferece um inovador serviço de gestão em fretamento de ônibus

EU ACHO …

A CULTURA MUDOU, ESTÚPIDO

O ex-governador de Nova York não entendeu os tempos atuais

Em qualquer ambiente onde mulheres e homens convivam, duas coisas são certas: tensão sexual em graus variados e fofocas sobre quem está envolvido com quem, principalmente se uma das partes desse envolvimento ocupar posição de chefia. Muito antes de qualquer filtro institucional detectar comportamentos indevidos, a rádio corredor já terá todas as informações relevantes – e as irrelevantes também, pois nada é mais humano do que comentar da vida dos outros, idealmente em todos os detalhes. Como é possível que homens em posições de grande autoridade, as quais conquistaram não sendo ingênuos ou fora de sintonia com a realidade circundante, ignorem esses fatos da vida?

Provavelmente porque, além de corromper, o poder também cegue. O caso de Andrew Cuomo, que renunciou diante da certeza de que sofreria impeachment e seria destituído pela Assembleia Estadual de Nova York por múltiplos casos de assédio sexual, foi um dos maiores exemplos dessa sensação de invulnerabilidade que beira o delírio. Cuomo não só nasceu numa dinastia política como foi procurador-geral, conhecendo, portanto, intimamente como são feitos os escândalos e os processos judiciais. Sabia muito bem que qualquer promotor de Nova York, diante de um caso de grande projeção, enfia os dentes até o osso para não deixar nenhum bambambã se safar de alguma encrenca em que tenha se metido – e não é preciso nem ter lido A Fogueira das Vaidades, o livro de Tom Wolfe sobre a derrocada de um operador de Wall Street que se enrosca com a lei, para ter consciência disso. E, no entanto, persistiu nos comportamentos abusivos, enquanto publicamente criava programas de combate à violência sexual e promoção da igualdade de condições para as mulheres. Um dos pacotes até exagerava, do ponto de vista mais conservador, na facilidade de condições para mulheres abrirem processos por discriminação. Criar um ambiente de trabalho mesmo que “parcialmente hostil” era uma delas. Progressista no discurso, na prática o ex-governador se cercava de assessoras escolhidas pela aparência, pespegava beijos indesejados, fazia comentários de natureza sexual, deslizava a mão por baixo da blusa, corria o dedo pelas costas (e de ninguém menos do que uma policial estadual que ele havia trazido para seu serviço de segurança), entre outros avanços. Como os anos passavam e as mulheres não o denunciavam, Cuomo foi ficando cada vez mais seguro de seu lugar num Olimpo inexpugnável.

Inacreditavelmente, não se deu conta da mudança cultural que criminaliza qualquer contato íntimo entre chefes e subordinadas. Hoje em dia, mesmo relacionamentos consensuais são estritamente vetados. Num dos casos mais conhecidos, e de grande poder simbólico, o presidente executivo da McDonald’s, Steve Easterbrook, foi não apenas demitido como processado pela empresa por causa de um romance com uma funcionária (denunciado por carta anônima; a rádio corredor é implacável). Homens como Cuomo e Easterbrook empurram os limites da credulidade com sua falta de noção sobre os novos tempos? “O problema com a ficção é que ela tem de ser plausível. Isso não vale para a não ficção”, ensinava Tom Wolfe.

*** VILMA GRYZINSKI

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MINHA CASA PARA SEMPRE

Pandemia trouxe revolução doméstica e criou hábitos que vieram para ficar

Lá para o final de março do ano passado, boa parte do Brasil se viu recluso em casa par causa de um vírus recém-chegado ao país. Para quem estava acostumado a uma vida agitada, com deslocamentos rotineiros, a quebra de rotina – carregada pelo medo da pandemia – causou um choque. Aqueles que puderam se beneficiar do isolamento enfrentaram questões que partiram do tédio (já arrumei todos os meus armários, e agora?), passando pela solidão (tenho saudades dos meus amigos, e agora?) até chegar às dúvidas existenciais (acho que estou com depressão, e agora?). Depois de muitos divórcios, videochamadas, novos hobbies, sessões de terapia e uma crise sanitária que dura muito mais do que o esperado, as coisas foram se assentando. O que era compulsório ganhou tons voluntários. Parte da turma que torcia o nariz para um modo de vida mais caseiro acabou se acostumando: redescobriu o valor do lar e pretende seguir na toada doméstica.

A casa virou um palco onde os conflitos aparecem com mais frequência, pois não foi possível adiar as soluções de algumas questões internas, analisa o terapeuta Arnaldo Cheixas.

“No começo fiquei meio doida, o dia todo em casa, lidar com a família, mas agora estou mais tranquila”, diz a artista visual Gabrieli Gama.

Ela deixou a criatividade aflorar. Começou a fazer cliques de si mesma para treinar a fotografia, a praticar exercícios aeróbicos com vídeos no YouTube e a assar pães, este um clássico pandêmico. “Fico uns 15 minutos sovando a massa, desestressando.”

DAS PANELAS AO VIOLÃO

Passar a preparar a própria comida foi um dos hábitos adquiridos nesse período de transformações domésticas que vieram para ficar. O bibliotecário carioca João Marco Luz, de 29 anos, se considera um “crítico” de feijão, mas dos outros, porque nunca havia tido coragem de usar a panela de pressão para preparar o prato. Com o contrato de trabalho suspenso, João, que sabia “no máximo fazer um macarrão”, aproveitou o tempo livre para se aventurar na cozinha. O feijão saiu saboroso. Depois, o rapaz se arriscou na picanha, na cerveja, no peixe de forno…

“Achei maneiras de ocupar meu tempo e isso faz bem para minha saúde. Assistir a séries e jogar videogame acaba enjoando, então busquei algo que me desafiasse”, conta.

Assim, surgiu também o interesse por aprender a tocar violão, encostado desde 2018.

“No começo da quarentena foi difícil, sempre tive muitos amigos. Mas me conheci melhor e aprendi a apreciar minha companhia. Coloco uma música, pego uma cerveja e aproveito”.

Homens, mulheres, jovens e velhos passaram, enfim, a ter mais tempo para a olhar para si mesmos nos mais variados aspectos da vida, provocando grande e rápido impacto na saúde mental e física.

“Percebemos que tínhamos arestas para aparar internamente, tanto no ambiente físico, de casa, do trabalho, quanto nas psicológicas, morais e espirituais. Pessoas ficaram com medo de estar consigo mesmas, de olhar para dentro e não encontrar nada. Mergulharam, por exemplo, em uma vida virtual para fugir”, afirma a filósofa Lúcia Helena Galvão, que complementa: “Já outros aproveitaram para repensar seus propósitos e imprimiram melhorias. Pararam para observar os detalhes, ouvir a música de que mais gostavam, se reconectaram com as mais belas leituras. Assim, desenvolveram capacidades que não vão perder depois e pavimentaram o caminho para uma vida equilibrada e feliz.

CASA MULTIFUNCIONAL

Uma das grandes mudanças foi em relação à atividade física. A maioria dos brasileiros ganhou peso, sim, no período, (estima-se que ao menos 20% da população tenha engordado mais de 3 quilos), mas outros muitos passaram a se mexer em espaços diminutos da casa, como no canto da sala ou do quarto. Desprovidas dos equipamentos grandiosos das academias, essas pessoas lidam agora com pesos e cordas improvisados e, não raro, como apoio de móveis. Um esforço, que, segundo os especialistas, leva ao autoconhecimento dos limites do próprio corpo e da força de vontade. Criou-se um novo tipo de interação com o espaço físico, que impactou também as relações.

Além das adaptações para os exercícios e para o home office, os lares passaram por uma revolução na decoração. O setor de construção civil e móveis e decoração deu um salto em 2020, no meio de uma crise aguda do varejo.

Muita gente percebeu que morava mal, no sentido de não iluminar bem os ambientes ou de faltar personalidade à própria casa, e investiu em mudanças voltadas para o bem-estar pessoal.

“O profissional que projeta hoje “sala, cozinha e quarto”, tá desenhando o passado. É preciso levar em conta as atividades, como trabalhar, comer, receber amigos, e dar à casa a flexibilidade necessária, com móveis que deslizam e cortinas, por exemplo”, afirma o arquiteto Guto Requena.

Houve quem tenha se mudado para respirar novos ares, rumo ao interior, ao litoral ou a espaços cercados por natureza. As plantas, inclusive, nunca dominaram tanto os lares. A terapeuta energética mineira Nádia Schmidt, 28, foi morar sozinha em um apartamento com varanda e criou um canto bastante pessoal, com flores, tapetes, almofadas coloridas, fotos da infância. Ela passou a se interessar por vinhos, realizou cursos, voltou a pintar quadros e até adotou um gato para lhe fazer companhia, o Carlos Daniel.

“Estou começando a circular um pouco, mas criei um apego mais forte com minha casa. Agora, selecionarei bem o que eu quero fazer, se realmente vale sair. Não tem mais essa história de ir a algum lugar só para falar que foi.

MEDO NA VOLTA AO NORMAL

A consciência do valor de nosso lar se consolidou. Porém, para alguns foi além e agora pode trazer problemas. Trata-se de quem escolhe ficar no ambiente doméstico por medo do mundo lá fora, após restrições tão duradouras.

O horizonte da volta à total “normalidade”, com barzinhos, festas e jantares sem restrições, traz angustia e ansiedade a alguns. Isso porque o desejo de regressar ao convívio se estendeu por tanto tempo que pode ter esmorecido. Os temores ganharam até nome em inglês, o F.O.M.A (Fear of Meeting Again, algo como  ”medo de voltar a encontrar”). Mas não há dúvida de que muitos e muitos sairão dessa experiência única da humanidade fortalecidos.

POESIA CANTADA

VIESTE

IVAN LINS

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS

VIESTE

Vieste na hora exata
Com ares de festa e luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres colhidos pra mim

Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens pra dentro de mim
Meu amor

Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro, velando por mim

Vieste de olhos fechados, num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens pra dentro de mim
Meu amor

Vieste de olhos fechados, num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens pra dentro de mim
Meu amor

OUTROS OLHARES

É HORA DE DESEMPENAR

Combate ao sedentarismo é urgência nacional, dizem especialistas

Insone numa noite fria de julho, a arquiteta carioca Juliana Souza, 44 anos, se viu tomada por um desejo incontrolável. Era ínfima a distância até ele, uma alvo sem ambição. Parecia fácil. Mas a meta exigia flexionar as articulações enrijecidas das pernas fracas e sustentar o corpo numa coluna em permanente dor. Um sofrimento de antemão fadado à decepção, já que os braços, tão travados quanto as pernas, não esticavam o necessário.

A missão era alcançar o fundo do armário sob a pia da cozinha onde Juliana pretendia pegar uma panela para fazer pipoca, seu objeto de desejo. Mas, com a atividade física reduzida a níveis pouco acima do zero e a gula e a inatividade alçadas à estratosfera durante um ano e meio de pandemia de Covid- 19, a arquiteta, que passara a trabalhar em casa e se entregou à preguiça, se viu como a pipoca que queria: pouco saudável. Após cair sentada em frente ao armário da cozinha com a panela na mão, ela se deu conta de que precisava, literalmente, se mexer.

Prostrada no chão de sua cozinha, empenada, Juliana não estava só. A pandemia piorou o que já era grave: o sedentarismo no Brasil. Segundo o IBGE, 40,3% dos brasileiros eram sedentários antes da pandemia. E 74% estavam acima do peso, de acordo com o Ministério da Saúde.

Dados do Projeto ConVid ­ parceria entre Fiocruz, Unicamp e UFMG – mostram que 62% dos 44.062 entrevistados deixaram de fazer exercício na pandemia. No Brasil, os que praticam exercícios são poucos. Estima-se que 4% dos brasileiros façam exercidos com regularidade, diz o professor de educação física, Guto Ferrari, da Velox. Estudo da Unesp sugere que a diminuição da atividade causará um aumento mundial de 11,1 milhões de casos de diabetes do tipo 2 e 1,7 milhão de mortes.

“A volta à atividade física, mesmo em casa, e a recuperação de níveis básicos de condicionamento é uma urgência nacional”, destaca o principal autor do estudo, Emmanuel Gomes Ciolac, professor do Departamento de Educação Física da Unesp, em Bauru.

Qualquer movimento importa, adverte a OMS. As atividades diárias treinam o corpo para manter o mínimo funcional, explica o professor de educação física da equipe Filhos do Vento, Ricardo Sanorato, que também trabalha na reabilitação de gente com dificuldades surgidas na pandemia.

Considerado um dos mais experientes especialistas em medicina do exercício do país, Claudio Gil Araújo ressalta que a redução da atividade física produziu uma epidemia de insuficiência física.

“Não é mais sedentarismo. É imobilidade, com impacto na vida e na saúde coletiva, com mais casos de lesões, dificuldades na vida sexual, além de problemas cardíacos e metabólicos. A diminuição da aptidão física causa envelhecimento precoce”, diz Araújo, diretor da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex).

Ele é o criador do mais aplicado teste de avaliação da aptidão física, o de sentar e levantar. O teste mede a capacidade dos quatro componentes não aeróbicos da aptidão física: força/potência, equilíbrio, composição corporal e flexibilidade. Consiste basicamente em sentar e levantar do chão com o menor número de apoios possível. Parece fácil, mas se tornou uma final olímpica para os empenados.

Numa prova de que a vida está cheia de injustiças, em média, um período de uma semana a 15 dias com redução ou ausência de atividade já começa a ter efeitos negativos sobre a aptidão física. A capacidade cardiorrespiratória costuma ser a primeira a diminuir. Em cerca de oito semanas, uma pessoa que corria volta à estaca zero de condicionamento, diz Sanorato.

A perda de força se faz sentir em média após 15 dias. A redução de flexibilidade um pouco depois, e o equilíbrio ainda resiste um pouco mais. Guto Ferreira diz que após um mês de inatividade a perda geral de condicionamento é evidente.

Segundo Claudio Cardoni, coordenador de medicina dos esportes olímpicos do Flamengo, os membros inferiores foram os que mais perderam função, porque a locomoção ficou comprometida. Mas a coluna lombar é o epicentro do terremoto de insuficiência física que varre o país. São pequenas lesões acumuladas. Por trás de tantos problemas estão maior tempo sentado.

A pandemia trouxe desafios mesmo para quem nunca foi sedentário e conhece muito bem o corpo humano. A fisioterapeuta Edilene Dias, de 39 anos, é uma corredora experiente, maratonista dos Filhos de Vento, e os treinos solitários: para se manter em forma. Mas as medidas de distanciamento a obrigaram a organizar os horários para cuidar dos filhos de 2 e 4 anos, trabalhar e ainda fazer exercícios:

“Fazia exercícios com aplicativos. Me exercitava com criança, com vassoura. Mas essas adaptações são perigosas. Basta uma distração e você pode se lesionar. O resultado foi um ombro machucado.

Entre especialistas em reabilitação, há unanimidade que exercícios à distância precisam ser personalizados, supervisionados e muito bem orientados por profissionais.

Empenar é rápido, desempenar leva mais tempo. A primeira recomendação é calibrar as expectativas. Não adianta sair por aí e correr como se não houvesse amanhã. O resultado será uma lesão. O importante é seguir devagar e para sempre.

A empresária Carmen Iglesias, 60, parou com o ciclismo nos primeiros meses de pandemia, mas retornou aos poucos aos treinos na Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca.

“Sabia que na floresta poderia treinar em segurança. Mas a musculação fazia falta porque você perde força. Assim, fui uma primeiras alunas a voltar à academia”.

E há quem tenha até melhorado a forma na pandemia, mesmo mantendo o distanciamento social.  A gerente da Central Analítica do Departamento de Química da PUC­ Rio, Gisele Birman Tonietto, de 56 anos, jamais esteve tão forte. Ela, o marido e a filha Raquel treinaram com Sartorato no prédio onde moram.

“Ele foi a única pessoa com quem nos encontramos durante meses. Detesto musculação, mas vi que, com a pandemia, perderia força.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 24 DE AGOSTO

UM FILHO TOLO, CAUSADOR DE TRISTEZA

O filho estulto é tristeza para o pai, e o pai do insensato não se alegra (Provérbios 17.21).

A família é nossa fonte de maior prazer ou a causa de nosso maior desgosto. É no lar que celebramos nossas vitórias mais expressivas ou choramos nossas derrotas mais amargas. Nossos relacionamentos mais importantes são os que cultivamos dentro da família. É na academia do lar que forjamos nosso caráter. É no ginásio familiar que aprendemos as lições mais importantes da vida. Um filho tolo é motivo de grande tristeza para o pai. Um filho que escarnece dos ensinos recebidos no lar provoca grandes dores no coração dos pais. Filhos rebeldes, desobedientes e ingratos trazem muito sofrimento à família. A paternidade é uma experiência magnífica. É fonte de grande prazer. É motivo de imensa alegria. O pai do insensato, porém, não tem nenhum motivo de alegria. Que prazer tem um pai em ver seu filho fazendo as piores escolhas, envolvendo-se nas maiores encrencas e cometendo os maiores desatinos? Que alegria tem um pai em ver seu filho envolvendo-se com as piores companhias, praticando os mais horrendos pecados e sofrendo as mais dolorosas consequências da sua loucura? Os filhos devem ser motivo de alegria para os pais, bênção para a família e honra para Deus.

GESTÃO E CARREIRA

TERAPIA E ATIVIDADE FÍSICA NA BUSCA DE EQUILÍBRIO FÍSICO E MENTAL

O tratamento psicoterapêutico trabalha as emoções negativas.

Impossível sair ileso de um período tão longo de isolamento social, no qual as atividades domésticas e profissionais se misturam no mesmo ambiente, envolvidas pela tensão provocada pelo vírus e a tristeza com sequelas – físicas e/ou mentais -, muitas vezes intensificadas pelas perdas de familiares e de amigos.

Não é por acaso que as corporações estão investindo cada vez mais em programas de saúde mental e emocional para seus colaboradores. Um estudo realizado pela Universidade do Rio de Janeiro (UERJ) e publicado pela revista The Lancet mostra que os casos de depressão aumentaram 90%. Já o número de pessoas que relataram sintomas como crise de ansiedade e estresse agudo mais que dobrou entre os dois primeiros meses da pandemia.

Sabemos que diante de situações desafiadoras, cada indivíduo reage e sente aquele momento de forma diferenciada. Alguns conseguem lidar melhor com o cenário, outros se sentem mais angustiados e em pânico.

Por isso, a importância das empresas estarem atentas a esses quadros e disponibilizarem parcerias e benefícios que possam contribuir para a saúde de sua equipe.

Uma das alternativas é combinar a orientação psicológica, por meio de sessões de terapia, e atividade física. O tratamento psicoterapêutico trabalha as emoções negativas e pode ser um apoio importante para lidar com elas, além de permitir o autoconhecimento, gerar motivação e o desenvolvimento de novas habilidades. Ao trabalhar questões incômodas para o paciente, a terapia oferece um novo olhar sobre o problema ou preocupação recorrente, permitindo que a pessoa encontre a melhor solução.

Já as atividades físicas ajudam a liberar a endorfina, neurotransmissor responsável pela promoção da sensação de prazer e bem-estar. Os benefícios da atividade física regular podem ir além da sensação imediata de satisfação, já que ela pode estimular o crescimento de células nervosas no hipocampo, estrutura do cérebro responsável pela memória e pelo humor, geralmente menor em pessoas com quadros de depressão.

Um estudo realizado durante 11 anos pelo instituto australiano Black Dog, com quase 34 mil adultos, chegou à conclusão de que o sedentarismo pode agravar os distúrbios psicológicos. Aqueles que não se exercitavam se mostraram 44% mais propensos a sofrer com depressão se comparados aos voluntários da pesquisa que faziam atividade física uma ou duas horas por semana.

Neste momento em que temos um aumento no índice de vacinados e uma retomada gradual das atividades, pequenas mudanças de hábito podem contribuir para superar dificuldades e garantir mais qualidade de vida. A combinação de terapia com práticas esportivas, que podem variar de acordo com o perfil de cada um – caminhada, corrida, dança, natação, ginástica – é uma forma de conquistar equilíbrio e mais saúde física, mental e psicológica.

A nova normalidade pede mais leveza na vida pessoal e profissional, bem como a reconexão com nós mesmos para seguirmos em frente com esperança, motivação e felicidade.

MÔNICA GUIDONI – É Head de Gente e Gestão na TotalPass

www.totalpass.com.br.

EU ACHO …

O DILEMA DO CAPATAZ

‘Não sou um escravo, não sou um preto’, disseram muitos de forma orgulhosa

Peças-chave da dinâmica colônia os capatazes tinham como função vigiar as pessoas escravizadas para evitar fugas ou a prática de qualquer conduta não autorizada pelos seus senhores de engenho. Munidos de um chicote, sua mera presença no ambiente era sinal de que ali a vontade do sinhô seria cumprida. O lema era “cabeça baixa, trabalho duro e noite na senzala”.

Ser um capataz foi o lugar que homens brancos pobres viram como a última saída para que se sentissem superiores às pessoas das quais foi retirada a humanidade. Eram pobres, mas eram homens e brancos. “Eu não sou um escravo, não sou um preto: disseram muitos, de forma orgulhosa.

Já algumas pessoas negras encontraram ali a última saída de uma vida com tantas violências. Seria algo feito de qualquer forma, posto que o sinhô mandaria. Mas, ainda assim, alguns fizeram com crueldade e satisfação. Seus descendentes se atualizaram para a dinâmica contemporânea. Como afirma Carla Akotirene, “a colonialidade é a permanência da colonização euracêntrica, imprimindo a competitividade, o cinismo, a inveja e a diferenciação “Por isso, muitos têm a pele negra, mas não conseguem estampar o asé dos seus ancestrais.” Conta a lenda que em um engenho do Brasil colonial, um capataz era conhecido além das fronteiras da fazenda onde trabalhava pela crueldade que infligia às pessoas escravizadas que faziam algo que não lhe agradava, sobretudo as mulheres pretas, seu alvo favorito. No engenho, quem comandava as operações era uma sinhá, que entregava seus filhos e seus lisos cabelos para o cuidado pelas mulheres negras escravizadas como mucamas, desde que não chamassem atenção. Se desaprovadas, eram enviadas para a lavoura nas mãos do capataz, que teria o imenso prazer de as “pôr no devido lugar”. Todos os dias, após uma extenuante jornada de trabalho para “impor respeito o capataz passava em frente à sacada da casa-grande para admirar aquela alva pureza, que costumava ler para passar o tempo. Ele já tinha tentado debater com ela suas últimas leituras, mas não tinha encontrado espaço para isso. O capataz queria provar o seu valor para além de açoitar.

Guardava em segredo seu hábito de ler á noite, sonhando com a oportunidade de poder declamar para ela aquele trecho que falava de amor e revolução.

A sinhá percebia os olhares apaixonados do chicoteador e até fazia um charme em meio àquele tédio da lavoura. De fato, ela admirava a disciplina do engenho imposta pelo capataz. Quando o sinhô chegasse da capital onde trabalha, como “doto”, poderia elogiá-la pelo ambiente ordeiro, o que a faria ganhar a semana de tanta alegria. As coisas estavam muito paradas, e a sinhá resolveu fazer um sarau com seus primos ainda mais jovens do que ela. Só que dessa vez entregou o convite ao capataz para que fosse e ficasse no cantinho da sacada. Era o certo a se fazer, afinal somos um país racialmente democrático e ele merecia.

O convite foi recebido como um soco no estômago. Não conseguiu dormir suando frio por dias. Escolheu um livro da biblioteca do sinhô, vestiu a roupa pela qual pagou um mês inteiro de salário e tomou um banho demorado. A grande noite havia chegado. Na sacada, um pouco tímido, o capataz riu deslumbrado das piadas sem graça dos primos da sinhá. Esperou sua vez e, quando todos os olhos se voltaram a ele, riu novamente, abobou-se até começar a ler as palavras pomposas daquele autor. Ao final de sua leitura, a sinhá toda orgulhosa puxou o aplauso. Ele tinha sido muito bonitinho e ela se gabava, pois seus primos não tinham um capataz que falava grosso com a escravaria, porém era bonzinho de trado com eles. A noite caía e era hora de jantar. Na mesa de jantar, envaidecido, o capataz começa a se soltar e manda uma gargalhada alta que incomoda os demais que já começaram a achar que ele estava “solto demais”. Deu goles compridos naquele vinho da segunda prateleira e se empanturrou com a comida na mesa. A sinhá estava incomodada, mas não queria ser rude na presença das visitas.

Porém, no meio da festa, o porteiro chega correndo na sala e anuncia que o sinhô estava chegando. Ele havia aparecido de surpresa. A sinhá agradece o capataz e o manda sair pela cozinha, mas, antes que tivesse tempo, o sinhô olha para o capataz assustado e, sem dizer uma palavra, sobe para seus aposentos, seguido pela sinhá apressada para se justificar.

Nas semanas que se seguiram o capataz não teve nada além de um bom dia, mesmo após o sinhô voltar para a capital. A disciplina no engenho seguiu mais firme do que antes. Ele tinha raiva pela falta de sorte, mas tinha esperança de seu trabalho ser novamente recompensado. Então seguiu trabalhando, sempre à espera do próximo convite.

Qualquer semelhança coma realidade é mera coincidência.

*** DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONHECIMENTO INTERIOR

Entenda o que é a intuição e como a ciência e personalidades famosas veem essa capacidade

Derivada do latim intuitio, que significa “um olhar, uma consideração”, e de intuitus, particípio passado de intueri, traduzido como “olhar, considerar, avaliar”, a palavra intuição, também conhecida como “pressentimento” e “sexto sentido”, é considerada uma das principais capacidades humanas que, até o momento, não foi compreendida em sua totalidade pela ciência, sendo um campo de possibilidades com muitas discussões envolvidas.

Útil tanto no aspecto pessoal quanto no social e global, a intuição não é apenas uma capacidade extra sensorial, mas sim uma inspiração para o artista, uma captação do outro para o psicólogo, por exemplo. “Ela ajuda adicionando algo a mais do que cálculos e análises, traz uma visão mais ampla das diversas situações da vida”, aponta a doutora em psicologia clínica Marta Tabone.

ALÉM DA LÓGICA

Quando nosso inconsciente, carregado de informações e experiências anteriores – como estudos, treinamentos e vivências diversas – informa ao consciente, através de uma profunda emoção, sobre o destino do que se está decidindo, a intuição está sendo usada. “Por exemplo, um atleta levantador de bola da seleção brasileira que precisa tomar decisões rápidas e escolher para qual outro jogador levantar, utiliza suas experiências anteriores somadas à experiência do momento para decidir o jogador que será estrategicamente bem sucedido no ponto de ataque e, intuitivamente, escolhe para quem jogar”, exemplifica a terapeuta vibracional Andrezza Ferrari. Esta profunda emoção vem do “arquivo” inconsciente de suas experiências passadas, visando objetivos futuros e usando processos inconscientes de aprendizado.

Todos os seres humanos são portadores da intuição ou têm potencial para expressar essa capacidade que, de acordo com a visão da psicologia junguiana, é “um dos elementos que compõem os tipos psicológicos de cada pessoa e que fazemos uso diariamente”, explica Andrezza. Segundo Marta Tabone, a percepção dominante ao classificar a intuição é a de que ela seria algo como a antítese da lógica ou do raciocínio. A ideia é decidir ou perceber sem utilizar o método lógico racional. “Na intuição, eu enxergo por dentro, como um sentido interior. Ocorre um tipo de visão interna, integrada, que transcende os dados sensoriais externos”, acrescenta a psicóloga.

DIFERENTES FORMAS DE SENTIR

Uma pessoa intuitiva acessa, dentro do seu eu, decisões mais acertadas. No entanto, saber diferenciar uma real intuição das emoções provocadas por afloramento de pulsões inconscientes, como um desejo muito forte de que algo aconteça ou emoções reprimidas, é muito importante. “A intuição deve vir puramente. Se temos uma emoção a respeito de algo antes que a intuição se manifeste, deve-se ter cuidado ao escolher”, salienta Andrezza.

Nem todas as pessoas experimentam a intuição da mesma forma. Existem três aspectos mais comuns. São eles:

CLARIVIDÊNCIA (ver):a palavra, que tem como significado “visão clara”, é provavelmente a forma mais conhecida de poder intuitivo. Pessoas clarividentes percebem as coisas ao seu redor com mais detalhes, e têm a capacidade de acessar informações visuais que podem orientar sobre o que está acontecendo ou virá a acontecer – como nos sonhos ou flashes causados por estímulos particulares.

CLARIAUDIÊNCIA (ouvir): pessoas com essa capacidade, que significa “ouvir claramente”, dispõem do “ouvido mental interior”, ou seja, são sensíveis aos sons e costumam escutar vozes e ruídos que não são audíveis para outras pessoas. É comum, também, terem o hábito de pensar em determinadas palavras aleatórias, como se as ouvissem diretamente do cérebro.

CONHECIMENTO PSÍQUICO: é o tipo mais comum e muitas pessoas acabam não percebendo que o possuem. É a capacidade de perceber que algo é verdadeiro (ou não), sem precisar de apoio racional, como se fosse um sentimento. A principal forma de desenvolvê-lo é conseguindo percebê-lo, ouvindo-o e confiando na intuição, de modo que ela possa se desenvolver para melhores decisões ao longo do tempo.

AO PÉ DA LETRA

Segundo a definição do dicionário on-line Michaelis, intuição significa um “conhecimento que, por sua imediatez e clareza, não é precedido de elaboração lógica”. Para a filosofia, segundo o dicionário, trata-se de um “conhecimento direto e espontâneo de uma verdade de qualquer natureza, que serve de base para o raciocínio discursivo e remete não apenas às coisas, mas também às relações que entre elas se dão”. A psicologia, por sua vez, entende como a capacidade de um indivíduo emitir julgamentos exatos e justos sem justificação lógica ou possibilidade de análise, ou seja, sem cogitação preliminares.

POESIA CANTADA

PAIXÃO

SIMONE

PAIXÃO

COMPOSIÇÃO: KLEDIR / KLEITON.

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém

Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou

OUTROS OLHARES

MAIS DE MIL PALAVRAS A MAIS NA LÍNGUA

Academia lança novo vocabulário ortográfico, influenciado pelos tempos e pela pandemia

A pandemia de covid-19 mudou a vida dos brasileiros – inclusive nas palavras que usam no seu cotidiano. Guardiã oficial do idioma, a Academia Brasileira de Letras (ABL) acaba de lançar seu novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). A obra registra o acréscimo de mais de mil novos vocábulos ao português que falamos e escrevemos. Muitos são relacionados à doença: infodemia, covid-19, telemedicina. Há ainda estrangeirismos, como home office e lockdown.

O Volp é o registro oficial de todas as palavras da língua portuguesa e de sua grafia. Essa é a sua primeira atualização oficial em 12 anos. Com as novas entradas, o vocabulário tem agora 382 mil verbetes. A edição de 2009 estava mais voltada a estabelecer a grafia das palavras após o Acordo Ortográfico. A atualização revela o dinamismo da língua. Também mostra as novas relações políticas e a importância da pauta identitária.

“Nos últimos anos houve uma aproximação dos países, não só em termos político, social e econômico, mas também por conta da pandemia”, explicou o filólogo Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, responsável pela elaboração do Volp. “Essa aproximação abriu a porta para um acréscimo de palavras, em grande parte da língua inglesa, mas também de países menores, como Camarões, com a ‘necropolítica’.”

O peculiar momento político que vivemos, no Brasil e em várias partes do mundo, trouxe para nossa língua novas palavras. São vocábulos como negacionismo, pós-verdade, necropolítica – expressão cunhada pelo filósofo e escritor camaronês Achille Mbembe. Das pautas identitárias, cada vez mais presentes, vieram feminicídio, afrofuturismo, sororidade, homoparental, gordofobia. O meio digital nos legou criptomoeda e ciberataque. Estão todas no novo vocabulário ortográfico da ABL.

Desde a publicação da quinta edição, em 2009, a equipe de Bechara reuniu novos vocábulos. Colheu-os em textos literários, científicos e também jornalísticos. Houve ainda sugestões enviadas por usuários do Volp. O gramático explicou que não basta uma nova palavra surgir para ser incorporada oficialmente ao vocabulário. Ela precisa ganhar consistência na língua, ser usada e compreendida.

MUDANÇAS SOCIAIS.

O cientista político Christian Lynch, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), lembrou que a sociedade é pautada pela cultura. “Essa cultura varia ao longo do tempo; mudam os juízos de valor, surgem modificações tecnológicas, mudanças morais. A língua faz parte da cultura e tende a acompanhar essas variações.”

Alguns períodos da história, no entanto, são mais convulsionados, como este em que vivemos. “Existem períodos de maior estabilidade, quando há menor surgimento de palavras novas”, disse Lynch. “Certos períodos apresentam mudanças muito bruscas e, frequentemente, não existem palavras para descrever todas as coisas novas; é preciso criar novas palavras, importar ou ressignificar palavras antigas. Foi assim, por exemplo, no fim da 1ª Guerra Mundial e também no fim dos anos 80, com o começo do fenômeno da globalização.”

Luiz Ricardo Leitão, professor associado da UERJ e autor de Gramática Critica: o Culto e o Coloquial no Português Brasileiro, concorda com o colega. “Causou estranheza a demora na atualização”, observou Leitão. “São 12 anos nesse período tão alucinado da pós-modernidade periférica, muita coisa aconteceu. Somos um país neocolonial, que depende tecnologicamente do exterior e é seduzido pelo estrangeiro.”

Para além das mudanças políticas, apontou Lynch, vivemos uma transição de um modelo de sociedade industrial para uma pós-industrial, uma mudança estrutural muito profunda. “É um período complicado de mudança, estamos mudando um modelo que durou mais de 200 anos”, disse. “Temos, então, uma crise geral, uma mudança social e econômica que cria uma crise política. Vivemos agora uma ressaca da globalização, com o retorno de uma onda conservadora, mais nacionalista, de um lado; e, de outro, um aprofundamento de certos aspectos da globalização. Essa mudança vem acompanhada também de uma mudança no vocabulário social, político, econômico, comunicacional.” O novo vocabulário pode ser consultado no site da ABL.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 23 DE AGOSTO

CORAÇÃO E LÍNGUA, TOME CUIDADO COM ELES

O perverso de coração jamais achará o bem; e o que tem a língua dobre vem a cair no mal (Provérbios 17.20).

Do coração procedem as fontes da vida. O que pensamos, sentimos e desejamos vem do coração. Se essa fonte estiver poluída com a perversidade, então tudo o que dela brotar será como uma torrente de maldade que espalhará o pecado, como um rio de morte. Quem vive pensando coisas más não pode encontrar o bem. Quem vive desejando o mal para os outros não pode colher favores. Quem semeia o pecado colhe a morte. Se o coração é o laboratório da maldade, a língua é o seu veículo. Quem tem uma língua dobre cairá no mal. A língua dobre é enganosa. Fala uma coisa, mas sente outra. Bajula com os lábios, mas maquina a maldade no coração. Elogia em público, mas difama em secreto. Uma pessoa de língua dobre não é confiável. Semeia contendas por onde passa. Separa os maiores amigos. Provoca divisões e abre fissuras nos relacionamentos. O que tem a língua dobre está a serviço do mal, e não do bem. É promotor da inimizade, e não ministro da reconciliação. Cairá no mal em vez de encontrar refúgio seguro. Será causa de tropeço, e não farol que aponta a direção; motivo de vergonha, e não objeto de louvor.

GESTÃO E CARREIRA

VOLTA AOS ESCRITÓRIOS CRIA A ERA DOS ‘SEM-MESA’

Funcionários agendam espaço por app e fazem check-in pelo celular para ir ao trabalho, e empresas exigem PCR

Com quase metade da população brasileira tendo recebido ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19 e estados dispostos a retomar as aulas presenciais na rede pública neste semestre, muitas empresas começam a voltar a ocupar os escritórios.

O novo normal é decididamente híbrido e enxuto: as companhias diminuíram o número de estações de trabalho, algumas pela metade, outras em até um terço do tamanho original. Quem volta ao escritório não volta mais para a sua mesa, mas para um espaço compartilhado, que muitas vezes precisa ser agendado com antecedência, por aplicativo.

Algumas empresas deixaram de ter sede própria e optaram pelo aluguel de estações de trabalho em espaços de coworking, uma maneira de reduzir custos e manter a equipe unida presencialmente em determinadas ocasiões. As companhias ainda não exigem o comprovante de vacinação para a volta ao escritório, uma vez que a campanha está em andamento, mas recomendam com ênfase a aplicação do imunizante e concedem até o dia livre para que o funcionário se vacine.

Há empresas que foram além e montaram um espaço de testagem dentro da sede. É o caso da varejista de moda C&A, que exige que os funcionários que passem pelo escritório façam o teste de Covid

“Hoje, todos que vão ao escritório fazem o exame PCR a cada 15 dias”, diz a diretora de recursos humanos e ESG da C&A Brasil, Fernanda Campos, que já traçou uma realidade híbrida para a equipe administrativa. “Não tem mais como pensar em 100% do pessoal dentro do escritório.”

As pessoas, diz, querem se relacionar, voltar ao presencial, mas já incorporaram a conveniência do home office. “Cada gestor vai combinar com a sua equipe quantas vezes por semana o trabalho será presencial”, afirma.

A empresa reformulou sua sede no ano passado. Antes da pandemia, o escritório central da varejista de moda era ocupado por 1.500 funcionários. A C&A entregou espaços alugados e concentrou a equipe em um único prédio, com capacidade para até 700 pessoas. Mas no momento estão liberadas apenas 350 estações de trabalho, para garantir ainda maior distanciamento social.

O espaço entre as mesas é de um metro e meio, e o uso delas precisa ser agendado na véspera, via aplicativo. O funcionário chega ao local e faz o check-in do espaço pela leitura de um QR Code adesivado na mesa (para confirmar que ele realmente está no escritório). A C&A oferece armários (lockers) para que o colaborador guarde suas coisas, uma vez que as mesas não terão mais dono. Cada um leva o seu notebook, fornecido pela empresa.

As salas de reunião estão fechadas por tempo indeterminado, e os encontros continuam sendo por videoconferência. No refeitório são permitidas no máximo duas pessoas por mesa, que também têm distanciamento de um metro e meio. A C&A oferece embalagem para armazenar a máscara durante a refeição, único momento em que a proteção pode ser retirada.

No prédio de dois andares, a varejista pede que os deslocamentos sejam feitos por escada, preservando os elevadores a pessoas com deficiência. Totens de álcool em gel em diversos ambientes, tapete sanitizante na entrada, produtos de limpeza para as mesas e padrão hospitalar de higienização dos banheiros completam os cuidados.

A multinacional Mondelêz, dona da Lacta no Brasil, também está reformando o escritório. “Antes da pandemia, tínhamos 70 % de mesões e 30% de colaboração. A ideia é inverter isso de forma que os escritórios sejam ambientes colaborativos, de interação entre os colegas”, diz Betina Corbellini, diretora recursos humanos da Mondelêz Brasil. A empresa também adotou um aplicativo de reserva de mesas, o Smart Space, para quem precisa ir ao escritório. Nas fábricas, junto com uma startup, instalou câmeras que identificam a temperatura e quem está de máscara, o que agiliza o processo de entrada.

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, começou o retorno aos escritórios de São Paulo no último dia 19, no modelo híbrido. A ocupação é de, no máximo, 30% das estações de trabalho.

Na VitaCon, o primeiro ensaio de volta ao presencial, há cerca de seis meses, foi atravessado pelo repique da pandemia. Na época, menos de 10% da equipe quis sair do home office. Na nova sede, inaugurada em julho, o número de mesas foi reduzido pela metade e os funcionários voltaram, mas não todos os dias.

Ariel Frankel, presidente executivo da incorporadora diz que, além da sede, a empresa mantém estações de trabalho em suas lojas-conceito, num prolongamento da ideia de coworking. Na avaliação do executivo, com a experiência do trabalho em casa, a ida ao escritório passa a ter outros significados, como os encontros e trocas.

“Menos fone, mais máscara e mais integração”, diz Frankel. No novo prédio, um terraço, hoje em reforma, também deverá virar espaço de socialização da equipe. “A pandemia nos levou a uma crise antropológica”, diz a psicóloga Betânia Tanure de Barros, especialista em comportamento organizacional.

“A sociedade teve que se acostumar com um novo jeito de viver, o que incluiu trabalhar de casa. Agora chegou a hora de voltar ao escritório. mas não vai ser como antes. Cada empresa está tateando para encontrar o modelo que faça sentido para ela.”

Para Betânia, o futuro das grandes empresas nas metrópoles passa pela formação de “squads” (equipes de trabalho) por proximidade: as pessoas que moram em regiões próximas se encontram em determinado ponto para trabalharem juntas, por exemplo.

“É preciso encontrar uma mescla entre a comodidade do home office, que permite evitar o tempo de deslocamento, por exemplo, e a necessidade de contato social, fundamental para que a cultura da empresa seja incorporada. Cultura empresarial não se transmite pelas telas”, diz ela, que atende grandes companhias como Itaú, Magazine Luíza, Vale e Natura. A própria Betânia, sediada em Belo Horizonte, costumava pegar voos para reuniões de uma hora com clientes em São Paulo.

“Aprendemos (na pandemia) que muita coisa pode ser resolvida remotamente, é um ganho de produtividade e qualidade de vida”, diz”. “Mas a liderança requer o olho no olho, o Brasil é um país muito relacional. A aprendizagem tácita, que não está nos manuais, é fundamental para a competitividade das empresas”.

Essa aprendizagem faz diferença especialmente quando se trata de incorporar novos integrantes à equipe. A varejista online de moda Amaro, por exemplo, contratou 100 pessoas durante a pandemia e hoje soma 574 funcionários. Destes, 279 estão no home office. Apenas o pessoal do centro de distribuição e das 18 guideshops (lojas que funcionam como showroom) estão no presencial.

“Nós somos digitais e nossa equipe trabalha bem remotamente”, diz Isadora Gabriel, diretora de recursos humanos da Amaro. “Mas é preciso garantir um espaço de interação entre as pessoas, que favoreça a formação de vínculos dentro da equipe. A maior parte dos novos funcionários nem conhece o gestor da sua área.”

Segundo Isadora, a empresa está em busca de um novo espaço próprio, menor que o anterior, para acomodar apenas um terço da equipe administrativa, no esquema híbrido. “Um espaço próprio também é importante para receber fornecedores e para a produtividade em alguns casos, como o pessoal que trabalha com edição de imagens e precisa de mais estrutura”, diz.

Até mesmo as companhias com operação 100% online pretendem garantir esse retomo do convívio no modelo híbrido. É o caso da Goflux, uma plataforma online de gestão de fretes, que não tem mais sede própria e fechou contrato com a GoWork para alugar cem estações de trabalho por três anos, que serão usadas pelo seu time em esquema de rodízio.

“Há uma curva de retomo aos escritórios, mais acentuada nos dois últimos meses”, diz Fernando Bottura, presidente da GoWork, que faz a locação de escritórios corporativos e tem entre os clientes Ambev, Imovelweb e Rappi. A empresa, dona de 14 torres de escritórios em São Paulo está com 95% das 7.000 posições de trabalho ocupadas.

Os espaços foram adaptados com maior distanciamento entre as mesas, separação em acrílico, totens de álcool em gel e a instalação de um equipamento com raio ultravioleta que filtra o ar condicionado. Foi feita sanitização a jato dos ambientes, com uma substância que cria uma película desinfetante nas superfícies. As janelas foram preparadas para uma abertura segura, que permita maior circulação de ar. “Investimos R$ 1 milhão nessa adaptação”, diz Bottura.

Em 2021 a GoWork fechou contrato de 2.000 novas estações de trabalho. Entre elas, a da startup imobiliária Quinto Andar, que acaba de locar 200 posições no formato rotativo, em que dois a três funcionários ocupam a mesma estação. O contrato é por 12 meses.

Já o IWG, multinacional de coworkings, lançou um produto de uso sob demanda, uma espécie de “vale – mesa”, no qual o cliente só paga o que for usado por seus funcionários. De acordo com o IWG, é uma oportunidade de as companhias reduzirem ainda mais os custos: em vez de pagar por uma estação de trabalho por um mês completo (720 horas), as empresas podem pagar pelo uso avulso, agendado online.

A Positivo Tecnologia contratou uma consultoria para ajudá-la a desenhar o retorno ao escritório.

“Estamos concluindo os estudos sobre o melhor formato de trabalho para cada função”, diz Adner Uema, diretor de gente e gestão da Positivo Tecnologia. “A tendência é que retornemos no formato híbrido, numa frequência entre casa e escritório que seja igualmente favorável para o desempenho das atividades e o bem-estar do funcionário.”

No escritório da Adobe em São Paulo, o trabalho presencial continua suspenso, mas, segundo o gerente-geral para a América Latina. Federico Grosso, um novo layout deverá priorizar espaços para reuniões presenciais, sem postos fixos.

EU ACHO …

IMORTAIS

A piada é conhecida. Ao ser questionado sobre o que significava ser imortal, Olavo Bilac afirmava que era “não ter onde cair morto”. O humor é certeiro: a pretensão é desmantelada pela ironia. Desejamos o cume das montanhas com nossos qualificativos e pronomes de tratamento; somos recobertos pelo pó da insignificância nos caminhos da vida. E a lição permanente de Ícaro: cuidado com a luz do Sol. Quando as penas da vaidade, unidas pela frágil cera da glória fátua, encontram a realidade do calor do real, sabemos que o céu não é nosso lugar. Aqui, seria o lugar ideal para inserir um brocado do Lácio: “sic transit”…

O parágrafo inicial pode funcionar, na retórica clássica, como a petição de clemência, na qual o orador invoca seus defeitos para cativar a benevolência da plateia. “Sou o último que deveria estar aqui proferindo este discurso”, diz, humílimo, do púlpito, o ego inflado do orador. ”Todos me excedem, aqui, em conhecimento e elegância”, arremata com a frase que, se fosse levada ao pé da letra, causaria a imediata deposição do falso modesto do púlpito. Temos egos enormes, todavia, mesmo eles não são imortais. “Lembra-te que és pó” é a sábia disposição do início da Quaresma. Como todas as pessoas, seremos todos, a meu/nosso tempo, pulverizados.

Tenho consciência do fato. A humildade, forçada pelo real e por sóis superiores sobre mim, produz um efeito bizarro. Sendo mortal e não o mais brilhante das criaturas de Prometeu, tenho de arrumar o banquete da vida com a louça disponível. O que tenho como vontade é ter amigos, bons e inteligentes, próximos a mim. Foi com tal desejo que aceitei a eleição para a Academia Paulista de Letras. Anseiopor gente de verdade e com um epíteto extra: “gente de letras”.

Leitores podem ser (ou deveriam ser) interessantes. Mesmo um canalha como Ricardo III, na imaginação de Shakespeare, faz discursos memoráveis. Os ambíguos, como Hamlet, ora assassino e ora consciente, liam bastante. Os heróis, como Henrique V, preferem frases agudas.

A Academia Paulista de Letras é uma instituição mais do que centenária, com 40 membros que se reúnem às quintas agora de forma virtual. Quando eu tive o privilégio de entrar para o time de escritores do Estadão, pensei na honra de ser colega de Ignácio de Loyola Brandão. Um dia, tomei um susto: ele me enviou e-mail dizendo ser leitor dos meus textos. Na APL, encontro-o quase toda semana. O presidente, José Renato Nalini, conduz com habilidade a tarefa complexa delidar com tantos perfis. A riqueza da casa é sua variedade e cromatismo.

As academias consagram talentos literários indubitáveis. A Paulista divide sócios com a Brasileira: Lygia Fagundes Telles, Celso Lafer e o já citado Ignácio de Loyola Brandão. Também partilhamos Fábio Lucas com a Academia Mineira.

Achoa diversidade da Paulista muito notável: músicos (como João Carlos Martins e Júlio Medaglia); um fotógrafo (Marcio Scavone); um arquiteto (Ruy Ohtake); um bispo católico (dom Fernando Antônio Figueiredo); médicos (Raul Marino Jr., Raul Gutait); um jornalista (Luiz Carlos Lisboa); diplomatas (Rubens Barbosa, Synesio Sampaio Goes Filho); educadores (Paulo Nathanael Pereira de Souza, Gabriel Chalita); cientistas políticos e sociais (Jorge Caldeira, Bolívar Lamounier, José de Souza Martins, José Pastore); um publicitário( Roberto Duailibi); um físico (José Goldemberg); um artista dos quadrinhos (Maurício de Sousa) e atores (Juca de Oliveira e Jô Soares). Há vários filhos de Samo Ivo (juristas/advogados/juízes), como Miguel Reale Jr., Célio Debes, Eros Grau, José Gregori, José Fernando Mafra Carbonieri, Ives Gandra da Silva Martins, Antônio Penteado Mendonça, Tércio Sampaio Ferraz Jr.

Gente imensa e de biografia notável oferece dificuldades de classificação. João Lara Mesquita é músico, fotógrafo, autor e jornalista. Ruth Rocha é formada em Ciências Sociais, mas a conhecemos como consagrada autora de literatura infanto juvenil. Maria Adelaide Amaral é brilhante dramaturga e, igualmente, tradutora. A saudosa Renata Pallomini (falecida em julho) escrevia e traduzia com talento, Walcyr Carrasco é autor consagrado e conhecido do grande público por grandes novelas. Célio Debes é da tribo jurídica e, igualmente, historiador de três alentados volumes históricos sobre o presidente Washington Luiz. Jô Soares, muito conhecido do grande público, seria tradutor, ator, humorista, diretor de teatro, entrevistador ou literato? Diversa no todo, a APL também o é em cada um dos membros.

Há desafios. Há muitos homens e poucas mulheres. A diversidade de carreiras é impressionante, todavia, faltam grandes intelectuais negros e indígenas. Há muito a ser feito, sempre, sinal da sua vitalidade.

O membro da Academia Brasileira de Letras R. Magalhães Júnior (falecido em 1981) falou, em uma entrevista, sobre um conselho aos novos que reproduzo. “Jovem literato: seja rebelde com as academias, casas de medalhões e de glorificação fácil.” Porém, dizia o cearense, “depois de gritar bastante, entre para a academia e tente melhorá-la”. Enquanto houver críticos e jovens, a academia sobreviverá.  Que é imortal, de verdade, é a vontade de recriar o mundo pelas letras eideias. Todo nome de rua, um dia, já atacou o busto da praça ou a referência da avenida.

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SINGULARIDADES SIMBÓLICAS E CULTURAIS

O Brasil é um dos países que mais passaram a produzir estudos e pesquisas sobre paternidade, desde que o cenário familiar começou a mudar, devido às transformações dos papéis sexuais e de gênero

Não é novidade para ninguém que as figuras do pai e da mãe são fundamentais na vida dos filhos. Ao longo dos anos essa relação foi se transformando, passando por inúmeras fases, dependendo do momento histórico, social e comportamental, além de posicionamentos religiosos e até mesmo geográficos. Apesar de todas essas variantes, independentemente de quaisquer fatores, pai e mãe foram, são e sempre serão igualmente importantes na concepção, formação e educação da criança. Entretanto, apresentam singularidades simbólicas e culturais que produzem nuances delicadas nessa dinâmica.

Até o final do século XX foram poucos os estudos acadêmicos sobre a relevância da paternidade na formação da pessoa, enquanto que os estudos a respeito da maternidade foram inúmeros em todo o mundo. Mas, de acordo com Souza e Benetti (2009), esse cenário vem se transformando à medida que os papéis sexuais e de gênero vêm sofrendo transformações nas sociedades ocidentais: entre 2000 e 2007, usando as principais bases de dados acadêmicos, as pesquisadoras observaram uma incidência de 2.205 estudos sobre paternidade, sobretudo no Brasil, Inglaterra e Estados Uni­ dos. Em suas análises, concluem que “o tema paternidade é foco importante para a compreensão das relações familiares, questão fundamental para a implantação de políticas públicas de apoio às famílias em diferentes contextos”. (Souza; Benetti, 2009, p. 97). A paternidade é um fator que transforma a vida do homem, sobretudo aquele que a exerce de forma afetiva e presente e em nível cerebral: há alterações neurais, cognitivas, emocionais, hormonais e comportamentais significativas. Neurologicamente, novas conexões sinápticas compõem o cérebro do pai. No aspecto hormonal há evidências de que pais que cuidam efetivamente dos seus filhos têm níveis de oxitocina aumentados, enquanto a testosterona tem uma leve diminuição, o que nos leva a crer que há um aumento do vínculo e diminuição da agressividade, sem, contudo, comprometer a função protetiva.

As figuras paternais são sabidamente fundamentais para a formação da identidade e personalidade da pessoa e, nesse sentido, esses estudos apontam um avanço da Psicologia que gera subsídios às políticas públicas e ao Direito para desenvolverem medidas sociais que qualifiquem a vida humana. De acordo com Hennigen e Guareschi (2002), a paternidade é uma construção social com caráter flexível, influenciada por outras posições identitárias, bem como a mídia e a cultura. Assim, a ideia de paternidade responsável é fator social importante, estando relacionada à diminuição da violência e de acidentes de trânsito, à prevenção da criminalidade, qualidade da saúde da criança (Moreira; Toneli, 2013).

Considerando essas preposições, o objetivo deste trabalho é discutir a importância da figura paterna na for­ mação da pessoa, a ausência paterna e separação dos pais, a adoção pater­ na e pais em famílias homoafetivas. Ser amado ou rejeitado é igualmente influente na formação da personalidade das pessoas, da infância à vida adulta, e isso significa que a discussão sobre as figuras materna e paterna são definitivas na modulação da personalidade e da cultura social, sobretudo no que se refere à ansiedade geral, segurança e agressividade dos sujeitos.

A figura paterna, seja realizada pelo progenitor biológico ou não, é fundamental para a estrutura psíquica da pessoa, contribuindo para sua introdução no mundo, nas diferenças e regras sociais, à curiosidade e exploração do ambiente e na resolução dos problemas – seja uma referência positiva ou negativa, é de suma importância para a pessoa compreender a si mesma no mundo.

IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO

Existem novas possibilidades de ser “pai” para além da imagem tradicional veiculada nas propagandas de datas festivas: pais separados, pais doadores de material genético, pais que formam casal em relações homoafetivas, pais que convivem minimamente com os filhos, ou que moram em outro continente, mas que com eles falam diariamente via ferramentas de tecnologia da comunicação.

Em seu trabalho O pai possível: conflitos da paternidade contemporânea, o dr. Durval Luiz de Faria discute essas singularidades no panorama das transformações da identidade e da intimidade do mundo contemporâneo. Nesse panorama de multipossibilidades, o autor aborda as dificuldades, limites, funções e conflitos inerentes à figura do pai, que, supomos, seja também um ser humano real: para além dos nossos ideais normativos, juízos de valor e expectativas, a paternidade é função social que vai se adaptando às transformações da cultura, na vida prática.

CÁTIA RODRIGUES – é psicóloga e pesquisadora acadêmica na Pont1fic1a Universidade Católica de São Paulo (PUC -SP). espec1al1sla em sexualidade e em saúde mental. www.irbc.com.br

POESIA CANTADA

A PAZ

GILBERTRO GIL

“A Paz”, também chamada “Leila 4”, é uma canção de Gilberto Gil e João Donato composta em 1986.

Lançada em primeira mão pela cantora  Zizi Possi, no disco Amor & Música em 1987, a gravação fez grande sucesso, consolidando-se como um dos maiores êxitos de sua carreira.

Posteriormente, a cantora regravou a canção para o disco Sobre Todas as Coisas em 1991.

No que tange à composição da canção, segundo Gil: “A imagem dele [João Donato] dormindo sossegado, em plena luz do dia, me chamou a atenção para o sentido da paz.” O autor se referia a uma visita à sua casa que Donato fizera, levando diversas canções chamadas “Leila” e enumeradas até 15 ou 16. Essa imagem o fez lembrar da obra de Leon Tólstói, Guerra e Paz, e a letra foi sendo composta com base nessa contradição. O paradoxo é recorrente na obra de Gil, segundo ele mesmo afirma: “essa é a recorrência básica no meu trabalho: yin e yang, noite e dia, sim e não, permanência e transcendência, realidade e virtualidade: a polaridade criativa (e criadora)”.

A PAZ

COMPOSIÇÃO: GILBERTO GIL / JOÃO DONATO

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos “ais”

OUTROS OLHARES

MUITO ALÉM DO BOTOX

A combinação de novos tratamentos para a pele é a estratégia usada nos consultórios para garantir o que hoje todo mundo quer: ficar bonito, mas de um jeito natural

Os mais atentos se lembrarão da atriz Nicole Kidman com a expressão congelada ou da face de Jennifer Aniston, a estrela queridinha da série Friends, levemente deformada. Isso foi há cerca de uma década, quando as agora cinquentonas Nicole, 54 anos, e Jennifer, 52, submeteram-se a procedimentos estéticos com finalizações duvidáveis. À época, chique era ostentar a testa sem movimento depois do Botox ou bochechas estranhamente salientes após a aplicação de preenchedores. Felizmente, o tempo de exageros passou, a ciência da pele evoluiu e Nicole e Jennifer encaram os 50 com beleza – quase – natural. Ou, em linguagem de rede social, com beleza do tipo “acordei assim”. Quanto menos aparentes as intervenções, melhor.

Ficaram no passado – e oxalá nele continuem – os lábios grossos, bochechas delineadas e pele esticada. Hoje, a naturalidade prevalece sobrea artificialidade. A procura por esse tipo de resultado teve crescimento nos últimos anos. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, entre 2018 e 2019, houve aumento de 7,4% na realização de intervenções não invasivas, justamente as adequadas para assegurar o efeito discreto, mas poderoso, desejado por homens e mulheres. “Os pacientes não querem deixar evidente que algo foi realizado”, diz o cirurgião plástico Alexandre Audi, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Tornar-se bonito ao “natural” dá trabalho, e muito. Não é com um único tratamento que se chega lá. Por essa razão, é grande a diversidade de produtos e máquinas a serviço de uma pele boa, saudável, sem manchas (ou poucas) e com viço. O Botox, claro, continua reinando soberano. Seja lá o que for necessário fazer, ele está sempre incluído. Na verdade, ele já se tornou aquele tipo de cuidado que faz parte da rotina anual, assim como ir ao dentista. A diferença é que se vai feliz, ou com vastas esperanças, ao consultório.

A essência dos tratamentos é garantir saúde à pele e por uma razão simples: a cútis firme, hidratada e viçosa é, por si só, retrato de aparência jovial. E se rugas, sulcos ou flacidez forem atenuados, tem-se o ponto almejado, no qual as pessoas comentam que você está com aparência ótima e descansada e não sabem bem o que mudou. Conquistar esse impacto exige uma mescla de recursos que alcançam todas as camadas da pele. “Isso é o ideal para o rejuvenescimento”, afirma a médica Marina Bittencourt, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da equipe da dermatologista Adriana Vilarinho. Uma das soluções recentes para atingir a camada profunda é o ultrassom microfocado. “Ele trata a flacidez muscular”, explica Marina. O resultado é um efeito similar ao do lifting, um procedimento cirúrgico. Alguns tipos de laser alcançam pontos mais profundos, como o de CO 2 fracionado. Outros, recentes, têm indicações mais precisas e alcances distintos. Entre eles estão os que clareiam manchas.

Essas terapias são associadas a intervenções cujos resultados aparecem rapidamente. Um exemplo são os bioestimuladores, produtos injetáveis que estimulam a produção de colágeno, a proteína que dá elasticidade à cútis. Eles são aplicados em pontos distintos da face para que não haja excesso de volume em nenhum lugar. Bem diferentes dos preenchedores que no passado podiam deformar o rosto. Os bioestimuladores são uma evolução, assim como os fios de colágeno (PDO) utilizados agora. Por algum tempo, bobagens como fios de ouro eram oferecidas para definir o contorno do rosto. A técnica, claro, tinha imenso potencial para dar errado. Biocompatíveis e maleáveis, os fios de colágeno os enterraram de vez. “A colocação dos fios promove uma tração que puxa a pele para cima, o que reduz os sulcos ao redor do nariz e da boca e tira o aspecto cansado da face”, explica Ediléia Bagatin, coordenadora de cosmiatria dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A atriz Halle Berry faz bom uso desse arsenal de novidades. Aos 54 anos, ela exibe a aparência de beleza natural tão procurada, mesmo que, é preciso admitir com sinceridade, não seja tão natural assim. Alguém vê algum problema nisso?

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 22 DE AGOSTO

CONTENDA E SOBERBA, PROBLEMAS À VISTA

O que ama a contenda ama o pecado; o que faz alta a sua porta facilita a própria queda (Provérbios 17.19).

A contenda e a soberba pavimentam o caminho da queda. Quem se enfia em todo tipo de discussão acaba tomando parte de contendas perigosas. Há indivíduos que não apenas se envolvem desnecessariamente em conflitos, mas amam a contenda. Buscam-na com sofreguidão. São pessoas que atraem rixas e provocam tempestades onde quer que estejam presentes. Quem ama a contenda ama também o pecado, porque uma contenda sempre desemboca em sentimentos amargos e eventos desastrosos. O outro elemento gerador de ruína é a soberba. Quem vive se gabando está correndo para a desgraça. Quem faz alta a sua porta facilita a própria queda, pois a arrogância é o prelúdio da queda. A soberba é a sala de espera da ruína. Quem soberbamente anda de salto alto, olhando os outros de cima para baixo e exaltando a si mesmo, será humilhado, pois a altivez precede a ruína. Os que se exaltam são humilhados, pois Deus resiste aos soberbos. Deus dá graça aos humildes. Ele exalta os que se humilham. Promete o reino dos céus não aos arrogantes, mas aos humildes de espírito. No reino de Deus os que buscam os primeiros lugares serão colocados no final da fila, mas os que servem, esses sim serão os maiores.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ SE CONSIDERA ESCRAVO DE SUA PRÓPRIA EMPRESA?

É comum donos de negócios, ou até mesmo gestores, se considerarem escravos de seus negócios. Sentem como se todo o peso dos ombros. Acontece que, muitas vezes, todo o peso da empresa realmente está concentrado em uma única responsabilidade, como também que deveriam ser da responsabilidade da equipe.

Há pequenos negócios onde os proprietários fazem absolutamente tudo, desde a gestão da empresa até a mais simples das atividades operacionais. Ou até mesmo empresas familiares, onde, após o afastamento do fundador, a empresa simplesmente entra em colapso, e como todo já sabem, o afastamento do dono nem sempre é voluntário, às vezes ele vem de repente.

Acontece ainda, de muitos executivos deixarem seus cargos corporativos em busca da liberdade e prosperidade de ter seu próprio negócio, na maioria das vezes, descobrem, amargamente, que ser o dono pode ser mais preocupante e desafiador do que ser empregado. Trabalham muito mais em sua própria empresa do que quando estavam em seus cargos.

Você ficou intrigado com algum desses cenários? Se a resposta for positiva, ótimo, pois ao longo desse artigo vou passar informações práticas, facilmente aplicáveis e preciosas, para que qualquer líder possa ter mais eficácia na gestão de sua empresa. Mas antes disso, faça o seguinte questionamento: qual o real papel do dono de uma empresa? Será esse o de se preocupar em apagar cada incêndio, fazer tudo sozinho e queixar-se da má sorte?

Eu acredito que não. Nesse sentido, fica aqui então a pergunta chave deste artigo: como deixar de ser escravo da própria empresa? Antes de responder isso, permita-me explicar a causa raiz do problema: empresários se tornam escravos de suas empresas quando são incapazes de exercer funções de gestão e ficam presos na execução de atividades que deveriam ser de responsabilidade de seus times ou, até mesmo, terceirizadas ou automatizadas.

Dessa forma, um remédio indispensável é desenvolver competências de gestão e liderança, para que possam se cercar e desenvolver pessoas que o ajudem ter êxito em suas atividades. Para exemplificar, trago as ideias de um dos maiores gurus contemporâneos de gestão, além de uma referência internacional em coaching de negócios, o Brian Tracy. Em suas obras, ele comenta que em qualquer cargo de gestão, existem funções chave, elas são:

• PLANEJAR – Planejamento está relacionado às metas e objetivos estratégicos da empresa ou área específica, ou seja, o que exatamente se espera alcançar.

• ORGANIZAR – Organização está relacionada aos recur- sos, materiais e intelectuais, necessários para a boa execução. De forma mais simples, é entender o que é necessário para o cumprimento das atividades e quem é o indivíduo adequado a fazê-la.

• DELEGAR – Se relaciona a dar, ou conceder, poderes a alguém. Na prática é desapegar-se de atividades que, talvez, já não deveriam ser de sua execução e transferi-la a outra pessoa. Dificuldade em delegar atividades é uma deficiência clássica em diversos líderes, que as concentram em si e ficam totalmente sobrecarregados.

• DESENVOLVER TIMES – Essa talvez seja a função mais importante de um líder, treinar e motivar sua equipe, garantir que estão totalmente aptos e engajados no trabalho a ser feito à frente.

• SUPERVISIONAR – Não é nada mais do que garantir que o trabalho esteja sendo executado da melhor maneira possível. Aqui ocorrem dois erros clássicos.

• MEDIR – Está relacionado a entender se a performance do time, e cada colaborador, superou ou não as expectativas previamente acordadas. Envolve também relatar as boas práticas do time aos superiores e clientes, mostrando o trabalho que foi feito, ou as dificuldades do caminho.

Neste ponto, após expor conceitos simples e impactantes, trago à luz um pensamento derivado do escritor americano Napoleon Hill: “Conhecimento não é poder, é apenas poder em potencial, ele é transformado em poder somente quando aplicado a algum fim prático, um objetivo definido”. Dessa forma, te convido a pôr em prática esse conhecimento e assim transformá-lo em poder, objetivando a prosperidade de sua empresa e sua própria evolução pessoal e profissional.

1. PLANEJE E ORGANIZE SUAS ATIVIDADES – Qual trabalho deve ser feito? Qual deve ser executado por você? Quais são as métricas de sucesso e desempenho? Quais recursos são necessários?

2. DELEGUE, SUPERVISIONE E TREINE A EQUIPE – Descentralize, fuja das atividades que não geram valor e que poderiam ser delegadas ou terceirizadas. Quem é responsável pelo o que? Qual a frequência ideal de acompanhamento das atividades com a equipe? Quais funcionários necessitam ser treinados, motivados ou capacitados?

3. MEÇA O TRABALHO – Cada colaborador cumpriu com sua parte? Indicadores foram atingidos? Que atividades foram feitas e quais ficaram pendentes?

Lembro nesse ponto que para se medir algo, é necessário que isso tenha antes sido planejado, portanto, mão à obra!

É muito comum surgirem boas ideias de aplicação e pontos de melhoria na gestão ao ser exposta a conteúdos como este. Se esse foi o seu caso, torço para que você os coloque em prática o mais rápido possível para que em um futuro breve, você possa colher os melhores frutos.

Promover esse tipo de reflexão, conhecimento e prática é exatamente o papel de um coach executivo quando trabalha em parceria com um empresário ou líder, o de aplicar continuamente estratégias comportamentais e de gestão para promover maiores e melhores resultados empresariais, trazer de volta o comando da empresa ao líder, e ajudá-lo a ter mais tempo e qualidade de vida.

Ao ler até aqui, você entendeu mais a fundo como exercer uma gestão profissional, trabalhando aspectos como: planejamento, organização, delegação, supervisão, treinamento e medição de atividades. A aplicação dessas ideias pode te ajudar a deixar de lado a circunstância de se sentir escravo de sua própria empresa, para que você possa exercer o verdadeiro papel do dono ou gestor, o de líder.

VALDEZ MONTERAZO – Associado sênior na Sociedade Brasileira de Coaching, especializado em negócios, liderança e psicologia positiva, promove resultados em diversos segmentos de pequenas e médias empresas https://valdezmonterazo.com.br.

EU ACHO …

A VELOCIDADE DA MUDANÇA

Como se adaptar às revoluções vertiginosas no vocabulário

Não há botox, plástica ou tratamento estético que esconda a idade de quem não faça um tratamento cirúrgico na própria linguagem. Eu estava lendo Baixo Esplendor, do Marçal Aquino – um ótimo livro, por sinal -, que se passa nos anos 70. Os personagens, por exemplo, correm para atender o telefone. Não que isso jamais ocorra atualmente. Mas em geral as pessoas usam celular e, quando toca, ninguém corre. Basta tirá-lo do bolso ou da bolsa. Expressões como “vou bater o telefone na sua cara” são obsoletas. Vai bater o quê? O celular? E quebrar, no preço que está? Algumas, mais antigas, como “tirei seu nome da minha caderneta”, não se dizem. Não se usa mais a velha caderneta de endereço. Hoje é tudo digital. Tudo bem, algumas pessoas usam, mas são dinossauros apegados ao passado. No mesmo livro há um Gordini. Quem se lembra do Gordini? É o mesmo que se recordar do Orkut, embora sejam de épocas absolutamente diferentes. Fale com um garoto de 14 anos. Não saberá nem o que é um, nem o outro. Possivelmente, também não saberá quem foi Dostoievski, o que é mais inquietante. Mas todos conhecem uma legião de influencers com milhões de seguidores – e eu, não.

A necessidade de atualização é constante e cruel. Imaginem para mim, que sou dos tempos da máquina de escrever. Do xerox. Até pouco tempo, um amigo deixava um recado na secretária eletrônica: “Envie um fax”. Não tem mais secretária, nem fax! O modo de falar nem sempre acompanha a velocidade das inovações. Até pouco tempo eu nem sabia o que era TikTok e ele já estava no auge. Surgem palavras como “monetizar”. Que vem de money e significa gerar dinheiro, tornar lucrativo. A linguagem dos computadores entrou para o dia a dia e já se fala em “deletar” alguém de sua vida.

A linguagem muda tão rapidamente que de um dia para o outro corro o risco de falar de um jeito antigo. A mudança não é só impulsionada pela tecnologia. Também há a questão das palavras de origem racista, expressões que atingem a mulher ou homofóbicas. Não saia, por exemplo, dizendo que alguém é gorda. No máximo, sobrepeso ou plus size. Ou pode até ser acusado de gordofobia e levar cadeia. Eu até me admiro porque a palavra “curtir”, que passou a ser usada na minha adolescência como gíria ligada ao uso da maconha, continua on. Sobreviveu. Falo curtir com tranquilidade, e me consideram avançado, ainda bem!

Pesquisa agora é no Google. Fala-se em “googlar” um nome. E lá vem a biografia, fotos… Recebia-se um calhamaço anual: era a lista telefônica. Hoje, nada mais antigo que ameaçar “vou tirar você da minha lista”. Cadê a lista? Encontra-se alguém mais rapidamente pelo Facebook, pelo Instagram… Outro dia, em um texto original para adolescentes, usei a palavra “stories”. A editora me advertiu: pode desaparecer. Substituída por uma nova tecnologia.

Nunca a linguagem foi tão rápida, tão fluida. Já aguardo a próxima novidade para descobrir que palavra devo aprender.

*** WALCYR CARRASCO

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PANDEMIA PIOROU SINTOMAS DE PESSOAS COM TOC

Ansiedade causada pelo coronavírus agravou hábitos repetitivos, como lavar as próprias mãos dezenas de vezes para garantir que estão limpas; para especialista, avanço da telemedicina ajudou a expandir tratamento

A maioria das pessoas se comporta de uma ou mais maneiras que os outros podem considerar peculiares, e não sou exceção. Quero que minhas roupas combinem, de sapatos a óculos e tudo o mais (incluindo roupas íntimas – um desafio ao fazer as malas para uma viagem). Se as visitas usam minha cozinha elas devem colocar as coisas de volta exatamente onde foram encontradas. Ao organizar meus móveis, bancadas e tapeçarias, procuro ter simetria. E eu rotulo os alimentos com suas datas de validade e os coloco em minha despensa em ordem de data.

Sei que não sou a única com peculiaridades como essas que os outros podem considerar “tão TOC”, uma referência ao transtorno obsessivo- compulsivo. Mas a síndrome clínica, naquelas pessoas têm pensamentos recorrentes que levam a hábitos repetitivos, é muito mais do que uma série de comportamentos peculiares. Trata-se de uma condição neuropsicológica crônica altamente angustiante que pode desencadear ansiedade séria e atrapalhar o desempenho na escola, no trabalho ou em casa. Para alguém com TOC, certas circunstâncias ou ações que a maioria das pessoas consideraria inofensivas, como tocar em uma maçaneta de porta, têm consequências potencialmente terríveis que exigem respostas corretivas extremas, se não o bloqueio total. Uma pessoa pode ter tanto medo de germes, por exemplo, que apertar a mão de alguém pode obriga-la a lavar a própria 10, 20 ou até 30 vezes para ter certeza de que está limpa.

Para muitos, a pandemia da Covid-19 só piorou as coisas. Pesquisas anteriores encontraram uma correlação potencial entre a experiência traumática e o aumento do risco de desenvolver TOC, bem como o agravamento dos sintomas. Uma pessoa  com TOC que já acredita que germes perigosos estão à espreita em todos os lugares, compreensivelmente, ficaria paralisada de ansiedade com a disseminação do novo coronavírus. E, de fato, um estudo dinamarquês publicado em outubro descobriu que os primeiros meses da pandemia resultaram em aumento da ansiedade e de outros sintomas em pacientes com TOC recém diagnosticados e previamente tratados com idades entre 7 e 21 anos.

ORIGEM PRECOCE

O transtorno geralmente ocorre em famílias, e membros diferentes podem ser afetados em graus variados. Os sintomas da doença geralmente começam na infância ou adolescência, afetando cerca de 1% a 2% dos jovens e aumentando para cerca de um em cada 40 adultos. Cerca de metade é seriamente afetada pelo distúrbio, 35%, afetados moderadamente, e 15%, pouco afetados.

Não é difícil ver como o distúrbio pode ser tão perturbador. Uma pessoa com TOC preocupada com a possibilidade de não conseguir trancar a porta, por exemplo, pode se sentir compelida a destrancá-la e trancá-la novamente de forma contínua. Ou pode ficar excessivamente estressada se uma rotina rígida, como ligar e desligar uma luz dez vezes, não for seguida antes de sair de uma sala. Algumas pessoas com TOC são atormentadas por pensamentos tabu sobre sexo ou religião ou por medo de fazer mal a si mesmas ou a outras pessoas.

O comediante Howie Mandei, de 65 anos, disse ao MedPage Today em junho que sofre de TOC desde a infância, mas só foi oficialmente diagnosticado depois de passar a maior parte de sua vida lutando contra uma obsessão por germes. Ele tem trabalhado para ajudar a combater o estigma da doença mental, na esperança de que uma maior conscientização sobre o transtorno promova o reconhecimento precoce e o tratamento para evitar seus efeitos prejudiciais à vida.

“Até meados da década de 1980, o TOC era considerado intratável”, afirma Caleb W. Lack, professor de psicologia da University of Central Oklahoma.

EVOLUÇÃO TERAPÊUTICA

Hoje, diz Lack, existem três terapias baseadas em evidências que podem ser eficazes, mesmo em casos severos: psicoterapia, farmacologia e uma técnica chamada estimulação magnética transcraniana, que envia pulsos magnéticos para áreas específicas do cérebro.

A maioria dos pacientes é inicialmente tratada com uma terapia cognitivo-comportamental chamada de prevenção de exposição e resposta. Começando com algo menos provável de provocar ansiedade – por exemplo, mostrar um lenço de papel usado a pessoas com medo obsessivo de contaminação -, os pacientes são encorajados a resistir a uma resposta compulsiva, como lavar as mãos repetidamente. Os pacientes são ensinados a se engajar em “conversas internas” até que seu nível de ansiedade diminua.

Quando eles veem que nenhuma doença resultou da visualização do tecido, a terapia pode progredir para uma exposição mais provocativa, como tocar o tecido e assim por diante, até que eles superem seu medo irreal de contaminação. Para pacientes especialmente medrosos, essa abordagem terapêutica costuma ser combinada com um medicamento contra a depressão ou a ansiedade.

Um aspecto positivo da pandemia é que ela pode ter permitido que mais pessoas fossem tratadas remotamente por meio de serviços de saúde on-line.

“Com a telemedicina, somos capazes de fazer um tratamento muito eficaz para os pacientes, não importa onde eles morem”, diz Lack. “Sem nunca deixar o centro de Oklahoma, posso atender pacientes em 20 estados. É uma verdadeira virada de jogo para pessoas que não querem ou não podem sair de casa”.

ESTÍMULO MAGNÉTICO

Para pacientes com TOC altamente debilitados, para os quais nada mais funcionou, a última opção é a estimulação magnética transcraniana, ou EMT, uma técnica não invasiva que estimula as células nervosas do cérebro e ajuda a redirecionar os circuitos neurais envolvidos em pensamentos obsessivos e compulsões.

“É como se o cérebro estivesse preso em uma rotina, e o TMS ajuda os circuitos a seguir um caminho diferente”, explica Lack.

Tal como acontece com a exposição e prevenção de resposta, afirma, a EMT usa exposições provocativas, mas as combina com estimulação magnética para ajudar o cérebro a resistir de forma mais eficaz ao impulso de responder.

Em um estudo de 167 pacientes gravemente afetados com TOC em 22 centros clínicos, publicado    em maio, 58% permaneceram significativamente melhor após uma média de 20 sessões com EMT. A Food and Drug Administration (FDA) aprovou a técnica para o tratamento de TOC, embora muitos planos de saúde nos EUA ainda não cubram o tratamento.

POESIA CANTADA

MUDANÇAS

VANUSA

MUDANÇAS

COMPOSIÇÃO: VANUSA / SÉRGIO SÁ.

Hoje eu vou mudar
Vasculhar minhas gavetas
Jogar fora sentimentos
E ressentimentos tolos
Fazer limpeza no armário
Retirar traças e teias
E angústias da minha mente

Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas
Deixar de ser menina
Pra ser mulher

Hoje eu vou mudar
Por na balança a coragem
Me entregar no que acredito
Pra ser o que sou sem medo

Dançar e cantar por hábito
E não ter cantos escuros
Pra guardar os meus segredos

Parar de dizer
Não tenho tempo pra vida
Que grita dentro de mim
Me libertar

Hoje eu vou mudar
Sair de dentro de mim
E não usar somente o coração
Parar de cobrar os fracassos
Soltar os laços
E prender as amarras da razão

Voar livre
Com todos os meus defeitos
Pra que eu possa libertar
Os meus direitos
E não cobrar desta vida
Nem rumos, nem decisões

Hoje eu preciso
E vou mudar
Dividir no tempo
E somar no vento
Todas as coisas
Que um dia sonhei
Conquistar

Porque sou mulher
Como qualquer uma
Com dúvidas e soluções
Com erros e acertos
Amor e desamor

Suave como a gaivota
E ferina como a leoa
Tranquila e pacificadora
Mas ao mesmo tempo
Irreverente e revolucionária

Feliz e infeliz
Realista e sonhadora
Submissa por condição
Mas independente por opinião

Porque sou mulher
Com todas as incoerências
Que fazem de nós
Um forte sexo fraco

Hoje eu vou mudar
Vasculhar minhas gavetas
Jogar fora sentimentos
E ressentimentos tolos
Fazer limpeza no armário
Retirar traças e teias
E angústias da minha mente

Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas
Deixar de ser menina
Pra ser mulher

Eu vou mudar
Eu vou mudar
Eu vou mudar pra valer

Eu vou mudar
Eu vou mudar
Eu preciso
Eu preciso mudar

OUTROS OLHARES

OS CROCS AGORA SÃO POP

Os calçados que já apareceram entre as coisas mais horrendas da civilização tornam-se queridinhos dos fashionistas e figuram na lista dos itens mais desejados do momento

Eles já foram eleitos uma das piores invenções da história, mas hoje ocupam lugar de destaque na lista dos itens fashions mais desejados, segundo levantamento da Lyst, uma das maiores plataformas de venda e análise de comportamento do consumidor. Também estão entre os assuntos mais citados nas redes sociais. Só no TikTok são 2,1 bilhões de menções. Os crocs, os calçados que dividem o mundo entre lovers e haters, ficaram pop. Chegaram em versão dourada à cerimônia do Oscar 2021 nos pés do músico Questlove, estão no figurino da rapper Nicki Minaj em modelo com pedrinhas brilhantes formando a marca Chanel e atraíram o cantor Justin Bieber para parcerias. Outros fizeram o mesmo, assim como grandes casas da alta-costura. A italiana Gucci foi a primeira a emprestar símbolo e prestígio ao chinelo. A espanhola Balenciaga, que pertence ao mesmo grupo da Gucci, criou exemplares com salto alto para a próxima temporada primavera-verão.

Os números de venda impressionam. Nos primeiros seis meses de 2021, a receita chegou a 640 milhões de dólares, 93% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado. E, para onde se olhe daqui em diante dentro da cena fasbion, os crocs estarão lá. No relatório da StockX, plataforma de venda de itens de luxo, eles são tendência. Há algo de intrigante no fenômeno crocs. É certo que ele atende ao desejo por peças confortáveis, uma das heranças da pandemia. Mas também é verdade que desde seu lançamento, em 2002, o calçado carrega o estigma de ser grotesco até. Tanto assim que em 2008 ele quase saiu do mercado e só retomou as vendas com força em 2016, quando começaram as parcerias. O que ajuda a explicar a febre é a onda “ugly shoes” (sapatos feios). Ou seja, vestir peças horrendas virou atitude transada, coisa cool. “Há um aspecto psicológico também, que é o de chamar a atenção por meio do uso de sapatos feios”, diz Adriana Farina, diretora criativa da marca de calçados que leva o seu nome. Embora seja um apelo forte para os fashionistas, muitos permanecem de fora dessa moda. A estilista inglesa Victoria Beckham, por exemplo, agradeceu ao amigo Justin Bieber o par de crocs que recebeu em abril, mas foi sincera. “Prefiro morrer a usar, mas agradeço”, postou no seu Instagram. Tem gente que não troca seu Jimmy Choo ou Ferragamo por nada. Ainda bem.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 21 DE AGOSTO

NÃO SEJA FIADOR, ISSO É UM PERIGO

O homem falto de entendimento compromete-se, ficando por fiador do seu próximo (Provérbios 17.18).

Sou testemunha de pessoas que, de boa-fé, perderam todos os seus bens porque foram avalistas e se tornaram fiadoras do seu próximo. Em alguns desses casos, não houve dolo por parte dos devedores, mas, sendo vítimas de algum revés, não conseguiram cumprir com o compromisso assumido nem puderam pagar a dívida contraída. A responsabilidade legal da dívida recai automática, irremediável e intransferivelmente sobre o fiador. Há casos, porém, em que o devedor busca um fiador com má-fé. Já tem a intenção de dar calote. Sabe de antemão que está fazendo uma transação financeira arriscada e que o ônus da dívida cairá irremediavelmente sobre os ombros do fiador. O conselho do sábio é um alerta. É uma medida preventiva. Somente um tolo aceitaria ficar como fiador do seu vizinho. Somente uma pessoa insensata colocaria seu pescoço debaixo desse jugo. Se não é sábio assumir dívidas além de nossas posses, quanto mais comprometer-nos a pagar a dívida dos outros, colocando nossa própria família em situação arriscada e constrangedora. A prudência nos ensina a fugir desse tipo de compromisso. A melhor solução para um problema é evitá-lo!

GESTÃO E CARREIRA

ACIONISTAS E CONSELHEIRAS QUE SÃO ‘A NOVA CARA’ DAS EMPRESAS

Celebridades não se limitam mais à publicidade e passam a atuar nos negócios aos quais emprestam sua imagem

As grandes empresas mostram uma nova faceta do marketing corporativo no Brasil. Não basta mais contratar figuras públicas como porta-vozes e divulgar a marca. Agora, as companhias querem também agregar personalidades que tenham valores alinhados com os seus propósitos e que possam contribuir com ideias para melhorar seus negócios.

O movimento ganhou força com a entrada da cantora Anitta no Conselho de Administração do banco digital Nubank, em junho, e teve mais um capítulo de impacto semana passada, com a chegada da super modelo Gisele Bündchen ao Comitê de Sustentabilidade da Ambipar, empresa de gestão ambiental da qual ela também se tornou acionista. A top, muito identificada com causas ambientais, será embaixadora da marca e também poderá influenciar em decisões da empresa nessa área.

“Gisele tem uma pegada ambiental interessante, enquanto Anitta tem apelo popular. Há um alinhamento dessas características respectivamente, com os propósitos da Ambipar, que atua em gestão ambiental, e com o Nuhank, que cresceu buscando um público desbancarizado”, diz Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research.

É esse novo tipo de identificação com as celebridades que as empresas parecem buscar. Portanto, não basta mais ser apenas garoto-propaganda de uma empresa. É preciso também ter um persona de negócios, além de atuação destacada em alguma pauta específica que possa ter identidade com alguma necessidade das empresas. Para construir esse atributo, produzir conteúdo espontâneo e manter um bom diálogo com seu público somam pontos, observa Fábio Mariano Borges, professor de Comportamento do Consumo da ESPM – São Paulo.

“Essa aproximação entre empresas e personalidades, com os mesmos propósitos, acaba gerando uma humanização da marca”.

AUTENTICIDADE É CHAVE

Larissa lembra que os milhões de seguidores de celebridades destacadas cobram autenticidade de seus ídolos. Isso significa que atrair esses astros para uma marca só com contrato e cachês sem que haja uma identificação de valores pode, hoje em dia, gerar uma avalanche de críticas instantaneamente, impactando negativamente a marca e “cancelando” o personagem.  O alinhamento de propósitos, inclusive, dá mais credibilidade para que os artistas sejam de fato atuantes nos conselhos, com críticas e sugestões levadas em conta.

Na semana passada, o Nubank anunciou que vai aumentar o limite do cartão de crédito de 35 milhões de seus 40 milhões de clientes nos próximos 12 meses. Será um acréscimo de RS26 bilhões na oferta de crédito da fintech até julho. Essa decisão é resultado de um trabalho de dois anos para desenvolver um novo modelo de credito que não estimulasse gastos desenfreados e inadimplência. Quando Anitta foi anunciada para o conselho, em junho, a cantora recebeu uma enxurrada de pedidos de aumento de crédito em suas redes sociais e acabou confirmando que o banco digital estava no caminho certo.

“Percebi logo de cara que esse era um pedido dos clientes e levei o assunto para discussão na reunião do conselho. Fiquei muito feliz em saber que havia um grande projeto nesse sentido. É claro que é importante ficar de olho na fatura para não gastar mais do que pode. Mas esse é o tipo de olhar que quero trazer para a empresa'”, afirmou a ícone pop, conhecida pelo empreendedorismo aplicado à própria carreira, em nota envida.

Como conselheira, Anitta terá direito a restricted stock units do Nubank, uma forma de remuneração baseada em ações para recompensar os funcionários. Em 2020, mais de 80% dos funcionários receberam ações de bonificação.

No caso da Ambipar, que não atua junto ao consumidor final, mas no segmento B2B, em que empresas são clientes de outras, a chegada de Gisele é promissora no momento em que as companhias buscam destacar seu compromisso público com a agenda de práticas ambientais, sociais e de governança reunida na sigla em inglês ESG. A modelo pode trazer sugestões de melhores práticas ambientais baseadas em sua militância na área, mas tem tudo para se tornar também uma espécie de “cartão de visitas” da empresa, tornando-a mais conhecida fora do meio empresarial, como quem investe na Bolsa, e até mesmo globalmente, dada a sua projeção internacional, dizem os especialistas.

A empresa confirma essa estratégia. Depois de abrir seu capital na Bolsa de São Paulo, a B3, em julho de 2020, a Ambipar decidiu começar um trabalho de comunicação para que a sociedade e o mercado conhecessem seu trabalho em gestão ambiental. Então surgiu a ideia de convidar Gisele para ser a “embaixadora da marca”.  Cristina Andriotti, CEO da Ambipar, conta que “a modelo quis conhecer melhor” a empresa e ficou empolgada quando foi apresentada ao Ecosolo, um condicionador orgânico com o conceito de agricultura regenerativa. Segundo a executiva, ele está em total sintonia com o documentário Solo Fértil, que Gisele ajudou a produzir.

NOVO MARKETING

Gisele admite que não conhecia a Ambipar, mas diz ter ficado impressionada com a história da empresa, que há 125 anos reaproveita resíduos que acabariam em aterros, rios e oceanos. “Eu me identifiquei com os valores de inovação e sustentabilidade da companhia e me surpreendi com o potencial de geração de efeitos positivos para a sociedade, criando uma economia circular e ajudando as empresas a minimizarem seus danos ao meio ambiente”, afirmou a modelo em um comunicado.

No exterior, essa tendência de trazer celebridades para dentro das companhias, como acionistas ou integrantes de algum conselho, já é vista há alguns anos como uma nova forma de marketing corporativo, diz André Luiz Silva, professor de Empreendedorismo no Ibmec-SP. Ele cita o jogador de basquete americano Shaquille O’Neal, que passou a integrar o Conselho de Administração da rede de pizzarias Papa John’s International, em 2019.

EU ACHO …

SAÚDE MENTAL IMPORTA

Um dos assuntos em alta nos Jogos Olímpicos de Tóquio foi o da saúde mental dos atletas. Rebeca Andrade reforçou que tem acompanhamento psicológico e o quanto isso é importante para sua performance.

Como sua espectadora, assim como muitos, vejo isso bem traduzido no seu sorriso sereno, uma marca impressa a cada vez que a vemos. E que, certamente, é uma construção coletiva Rebeca dedicou as conquistas ao seu técnico, Franciso Porath, e disse ser o pai que ela nunca teve (o que também chama para uma reflexão importante sobre pais presentes nesse Dia dos Pais). Sabemos que Chico, como ela o chama carinhosamente, faz parte de um timaço, incluindo psicólogos e preparadores físicos que são também parte dessa rede de apoio fundamental para que ela pudesse conseguir exercer sua melhor versão em meio a um ambiente de tanta pressão.

Em um de seus discursos vitoriosos, nossa primeira medalhista olímpica da ginástica, fruto também de um legado deixado por Daiane dos Santos e outros nomes que vieram antes, disse que mais importante do que a medalha, é estar feliz, divertir-se e sentir-se confiante e segura fazendo o que faz. Sua sensatez é mais brilhante que o ouro conquistado e deve ser um exemplo seguido por todas nós, dentro ou fora do esporte. Saúde mental importa. Simone Biles, a superestrela da ginástica, também provou isso. Preferiu desistir de algumas disputas para cuidar de seu bem-estar, que valoriza acima das medalhas. No fim, ela nos surpreendeu e encantou mais uma vez ao decidir disputar a prova na trave e conquistou mais uma medalha para sua coleção.

Como fã da atleta, não fico frustrada por esse passo. Pelo contrário, aplaudo de pé como fiz em 2016 ao vê-la ganhando medalha. Certamente, Simone e sua saúde mental são realmente muito mais importantes que suas realizações. A decisão de Biles mostrou maturidade. E ela já não precisava provar nada para ninguém. É uma das maiores atletas de todos os tempos e ponto.

Também vimos Naomi Osaka, para além do documentário da Netflix, eliminada dos Jogos nas oitavas de final, citando episódios de depressão, crise de ansiedade e um olhar bem abatido. O que provoca uma reflexão sobre Osaka e sobre nós.

Aliás, as recentes menções ao lema são um convite para que nós, aqui do outro lado do mundo e da tela, também façamos a mesma reflexão: o que você e eu estamos fazendo para trabalhar a nossa saúde mental?

Precisamos falar mais sobreo assunto. Afinal, saúde mental ainda é tabu para muitos. Ainda tem sido aquele item da lista das coisas a fazer que é menos priorizado. E, infelizmente, para uma grande parcela da população é algo a inacessível.

Por outro lado, o cardápio de autocuidado com a saúde mental é extenso e tem diversas possibilidades que podem ser colocadas em prática: terapia, exercícios físicos, meditação, mudança nos hábitos alimentares e conexão com a espiritualidade, só para citar alguns.

Quanto mais você faz ou experimenta, mais se autoconhece e evolui. Digo por experiência própria que, além de dosar as opções desse cardápio ao longo do ano, no meu caso, também aprendi a ampliar momentos de descompressão, como miniférias e longos silêncios.

O desafio é organizar para que essas atividades sejam parte de um tempo prioritariamente reservado para mim.

Essas têm sido algumas das bases das minhas práticas que absorvi a partir da observação de amigos que estão na buscado tão sonhado equilíbrio diário, entre vida pessoal e profissional. De toda forma, pausa e reflexão sobre a saúde mental no topo da lista importam, sim.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@maisgualdaderacial.com.br 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NO CALOR DA HISTÓRIA

Contos de fada são escritos para entreter as crianças, mas graças a eles conseguimos entender as manifestações do inconsciente humano. É uma espécie de anatomia da psique

As tramas por trás das narrativas dos contos de fadas geram aprendizado que nos auxilia a desenvolver nossas potencialidades. Aprendemos muito com as histórias de ricos personagens. A Cinderela nos faz entender o amor como um pé de sapato de cristal que carregamos e mostra a luta para encontrar esse outro que se ajusta como um belo par. O limite do tempo, quando à meia-noite acaba o encantamento, nos deixa a pensar que não devemos ultrapassar o limite que mantém esse estado de ilusão dentro de uma relação. Rapunzel ensina o quanto é difícil conseguirmos amar o outro aprisionada por uma mãe-bruxa que dificulta a aproximação que ameaça lhe roubar o único vínculo afetivo de sua vida. Os Três Porquinhos dosam a brincadeira com um trabalho sério para enfrentar os lobos. Chapeuzinho Vermelho lembra a malícia necessária para vivermos essa relação com o lobo e as adversidades da vida.

O conto A Pequena Vendedora de Fósforos, de Hans Christian Andersen, narra a história de uma menina pobre que nas vésperas do Ano-Novo, nas ruas frias e escuras, estava com um pé descalço e sem nada para cobrir-lhe a cabeça. Os cheiros dos gansos assados se espalhavam pelas ruas. Vendia fósforos, mas nesse dia temia voltar para casa. Não vendera nada, e seu pai iria surrá-la.

Era proibida de usar os fósforos. Transgrediu e riscou um deles. Viu-se desfrutando do calor frente a uma luxuosa lareira, mas logo que a chama do fósforo se apagou tudo desapareceu. Riscou o segundo, e um ganso assado veio em sua direção, mas tudo desapareceu quando a luz do fósforo se apagou. Acendeu o terceiro e viu uma bela árvore de Natal cheia de velas que foram subindo para virar estrelas. Uma delas, uma estrela cadente. Ela acreditava que quando aparecesse uma estrela cadente alguém iria morrer. Riscou mais outro e viu a avó que a amava, mas havia morrido. Para não perder esse momento, passou a riscar todos os outros palitos até que a sua avó a carregou. Voaram em esplendor e alegria para onde não há frio, nem fome e nem dor. Estavam com Deus. Encontraram o corpo morto da menina com um sorriso no rosto.

Em cada um de nós existe uma criança perversamente abandonada ao frio da falta de afeto. Quando recebemos emoções calorosas, mesmo poucas, como a chama de um fósforo, sentimos o encanto de algum prazer que a vida nos possa oferecer. Essa privação, tão ligada ao patriarcado, à ganância capitalista, nos impede a expressão livre da criatividade. A desobediência da menina permitiu-lhe viver o fantástico. Viu numa lareira, uma fonte, mesmo efêmera, de carinho e satisfação dos sentidos.

A fome de humanidade a atingira por meio de um ganso assado que aguçava olfato e paladar. Atendia ao desejo da fome de afeto, de forma curta, como acontece no ato sexual com apenas a experiência corporal, sem amor ou envolvimento. Diz Jung que da mesma forma que a ferida tem a marca da arma que a provocou, assim também o afeto corresponde ao ato da violência que lhe deu origem. Precisamos de uma estrutura psíquica como fonte de amor e ternura. Se não existiu, nossa condição humana exige que ela exista e faça esse processo desativado desviar de sua necessidade natural e se revelar na doença, que muitas vezes aparece em intensidade sexual, para efeitos de saciar desejos corporais sem que se possa apreciar a estrela cadente que anuncia possibilidade de mudança. Talvez por isso apareça o pé descalço. Como símbolo do desencontro humano – solidão.

A estrela cadente aparece como a anunciar a morte de um vínculo afetivo insubstituível. Assim morre dentro de cada um a menina que carrega o amor, a gratidão, e todos os sentimentos que deixam o ser existindo. A pobreza de nosso espírito nos assusta. Precisamos do encanto que as estrelas cadentes trazem. Segundo antigos mitos, as estrelas cadentes eram batalhas entre os deuses que espionavam os homens, daí ser o melhor momento para se fazer um pedido. Como

bom ou mau presságio, a tradição judaico-cristã fala de anjos e demônios caídos do céu. Poderiam ser as lágrimas da lua prevendo uma tragédia.

Tal tragédia para o eu pode ser um renascimento para a psique como um todo ou para Deus. A criança representativa de uma alma que sofre e pede um mínimo de calor afetivo precisou riscar um palito após o outro para segurar esse afeto maior de uma fonte de amor e ternura. São unidades de afetos que, por sua repetição, conseguem manter esse estado de plenitude até o momento final que eterniza um sorriso.

Pobreza de afeto pode corresponder à vida farta de afazeres que nos subtrai o tempo de apreciar as estrelas. A menina pobre que nos habita, carente de afeto, vive o calor das pequenas chamas, com tão breve desfrutar do que deseja, tem na estrela cadente o aviso de um renascimento para um outro modo de viver.

O ano termina como a morte que ronda o ano que chega como o renascimento que vibra em cada um. Não podemos ser impassíveis. Não há vida sem símbolos. Muitas vezes estamos como a menina: morrendo com o frio afetivo. Porém ao cair da noite quando o universo se revela em sua grandiosidade, nós nos aquecemos quando transgredimos nossas leis internas rígidas, patriarcais, para nos permitir viver a experiência do fantástico que a vida simbólica pode trazer.

CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. carlos@ijba.com.br/ www.ijba.com.br

POESIA CANTADA

CAÇADOR DE MIM

MILTON NASCIMENTO

CAÇADOR DE MIM

COMPOSIÇÃO: LUÍS CARLOS SÁ / SÉRGIO MAGRÃO

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu, caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

OUTROS OLHARES

A HORA CERTA DE COMER

Um novo campo de estudos investiga a relação entre o relógio biológico e a forma como o corpo aproveita os nutrientes. As evidências são claras: quando se alimentar é tão relevante quanto o que se levar à boca

“Se você comer tarde da noite ou começar o café da manhã em um horário totalmente diferente a cada manhã, estará constantemente deixando seu corpo fora de sincronia. Não se preocupe, a solução é igualmente simples: basta definir uma rotina alimentar e cumpri-la. Tempo é tudo”, escreveu Satchin Panda, um dos maiores especialistas do mundo em ritmos circadianos, no best-seller The Circadian Code: Lose Weight, Supercharge Your Energy, and Transform Your Health from Morning to Midnight.

É recomendação baseada no princípio da chamada crononutrição, uma área relativamente nova da ciência e que nos últimos anos ganhou tração inédita. Ela investiga o modo pelo qual o relógio biológico, ou ritmo circadiano, influencia o aproveitamento dos nutrientes que ingerimos. O que foi levantado até agora demonstra que quando comer é tão importante quanto o que comer. Tome-se como exemplo o mais recente estudo divulgado. Feito por pesquisadores da Universidade Waseda, no Japão, e publicado no início de julho na revista Cell Reports, o trabalho buscou esclarecer se consumir a maior parte da quantidade diária recomendada de proteínas no café da manhã, em vez de fazê-lo no jantar, resultaria em maior massa muscular. A resposta: sim. A hipótese é que, pela manhã, o metabolismo de proteínas é mais eficiente, contribuindo para o aumento do volume muscular.

Outras pesquisas indicam que a digestão e a absorção de carboidratos e de gorduras também variam de acordo com o relógio interno. “Os alimentos são processados de modos distintos dependendo do horário em que os consumimos”, afirma a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. Os horários das refeições, enfim, têm grande influência no ganho e na perda de peso e no risco do desenvolvimento de condições como diabetes e doenças cardiovasculares.

Determinados hormônios, enzimas e o sistema digestivo estão preparados para a ingestão de alimentos pela manhã e à tarde, quando o organismo precisa de energia para dar conta das tarefas cotidianas. Ànoite, o que ele necessita é descanso. Por isso o sistema endócrino regula o sobe e desce de hormônios ao longo da vigília e do sono de forma a sincronizar produção e hora. Pela manhã, os níveis de cortisol e de insulina estão no máximo. Os dois hormônios atuam em conjunto para facilitar o armazenamento de energia. O cortisol contribui para a fabricação de insulina, responsável por permitir a entrada da glicose circulante no sangue dentro das células. O metabolismo, ou capacidade de queimar calorias, também é maior. Ànoite, o corpo se prepara para o relaxamento. Aliberação da insulina diminui, o cortisol dá lugar à melatonina, hormônio que induz ao sono, e o metabolismo fica mais lento. Os compassos são precisos. “Mudanças na rotina alimentar podem levar a alterações que prejudicam a saúde”, diz o geneticista Marcelo Sady, diretor do laboratório Multigene. A sinfonia do corpo humano pede harmonia.

CADA PRATO A SEU TEMPO

Sincronizar as refeições de acordo com o relógio biológico contribui para manter o peso e a saúde como um todo

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 20 DE AGOSTO

O VALOR DE UM AMIGO VERDADEIRO

Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão (Provérbios 17.17).

Escasseiam os exemplos nobres da verdadeira amizade. Nem todas as pessoas que desfrutam da nossa intimidade são nossos amigos verdadeiros. A Bíblia fala de Jonadabe, jovem que frequentava a casa dos filhos do rei Davi e deu um conselho desastroso a Amnom, culminando em grandes tragédias para a família do rei. Há amigos nocivos que são agentes de morte, e não embaixadores da vida. Há amigos utilitaristas que só se aproximam de você para conseguir algum proveito pessoal. Há amigos de boteco que apenas alugam seus ouvidos para conversas tolas e indecorosas. O verdadeiro amigo é aquele que está ao lado na hora mais escura da sua vida. É aquele que chega quando todos já foram embora. O amigo ama sempre e na desventura se torna um irmão. Uma das declarações mais lindas de amor que encontramos na Bíblia é a de Rute para Noemi, ou seja, de uma nora para sua sogra, sendo esta viúva, estrangeira, pobre, idosa e sem condição de oferecer nenhuma retribuição. Jesus é o nosso exemplo mais excelente acerca da verdadeira amizade. Ele já não nos chama servos, mas nos trata como amigos. Ele não apenas nos falou sobre sua amizade, mas nos demonstrou seu amor, dando sua vida por nós.

GESTÃO E CARREIRA

OS QUATRO MAIORES MITOS SOBRE COMPUTAÇÃO EM NUVEM NA ATUALIDADE

Muitas empresas se deparam com a necessidade de expandir seu parque de TI, mas esbarram na limitação do data center, que só é escalável até certo ponto.

É nesse cenário que tem se tornado uma tendência global que companhias dos mais variados setores rodem suas aplicações na nuvem.

De acordo com pesquisas da Gartner, somente os investimentos globais com serviços de nuvem pública devem aumentar 18% em 2021 e atingir US$ 304,9 bilhões. A estimativa é que a computação em nuvem deve representar 14,2% do mercado de tecnologia da informação até 2024.

A tecnologia em nuvem vem sendo aderida por empresas devido à sua solução que possibilita o uso de recursos da computação por meio da internet, excluindo a necessidade de que sejam instalado aplicativos em dispositivos para usufruir de serviços online. Mas ainda é cercada por diversas dúvidas das companhias, e até dos profissionais de T.I…

“Apesar de ser um tipo de investimento já bastante difundido entre as empresas, a tecnologia em nuvem ainda é um ponto de dúvida e principalmente de muitos mitos, que podem até gerar prejuízos, como por exemplo pontos voltados para custos e segurança”, pontua Diogo Santos, CTO da Claranet Technology S/A. Pensando nisso, o executivo separou alguns dos principais mitos envolvendo a tecnologia em nuvem. Confira!

1. – INVESTIR EM NUVEM NÃO É TÃO BARATO

MITO. A estrutura da nuvem é extremamente flexível e permite que a empresa pague apenas pela capacidade utilizada, o chamado pay as you go. Isso ajuda companhias com mudanças drásticas no volume de tráfego devido a sazonalidade de campanhas a otimizar os custos com nuvem.

Um e-commerce durante o período de Natal, por exemplo, vai precisar de mais espaço na nuvem para coletar e armazenar os dados de compra de seus clientes. Passado este período de pico, a empresa volta a usar e pagar apenas pela estrutura menor de tráfego de que precisa, pois a estrutura de cloud é bastante escalável.

2. – O AMBIENTE DA NUVEM NÃO É SEGURO

MITO. O ambiente da nuvem é muito mais seguro que o de servidores tradicionais em data centers. Isso porque a nuvem está baseada em redundância, o que significa que o mesmo dado fica registrado em ambientes distintos para evitar falhas e perdas, o que é conhecido como “disaster recovery”.

Além disso, os provedores de nuvem (como Amazon, Google e Microsoft) usam criptografia avançada e firewalls para identificar possíveis invasores e preservar todos os dados hospedados no ambiente. Esses provedores ainda contam com os profissionais mais qualificados para garantir a segurança da nuvem.

3. – OS PROVEDORES DE NUVEM VASCULHAM OS DADOS

MITO. Ainda existe um mal entendido muito grande sobre esta questão, e é comum que as empresas imaginem que o provedor de nuvem tenha acesso a seus dados, o que na verdade não acontece.

Players reconhecidos em todo o mundo por seu profissionalismo, como Google, Amazon e Microsoft tem uma longa atuação no mercado e oferecem um serviço exclusivamente de segurança na nuvem, ao invés de “investigar” ou até vasculham os dados de seus clientes. Ainda assim, a prática do mercado é que as empresas contratantes e os respectivos provedores assinem contratos de confidencialidade.

4. – A SEGURANÇA DA NUVEM É RESPONSABILIDADE DO PROVEDOR

MITO. Para entender de quem é a incumbência por garantir a segurança da nuvem, é essencial ter em mente que o mercado trabalha com o modelo de “Responsabilidade Compartilhada”. Isso equivale a dizer que segurança e conformidade são atribuições compartilhadas entre o provedor e o cliente, que roda suas aplicações na nuvem.

Segundo esse modelo, o provedor é responsável por proteger a infraestrutura que executa todos os serviços oferecidos na nuvem. Essa infraestrutura é composta por hardware, software, redes e instalações que executam os serviços da provedora.

Por sua vez, o cliente tem a responsabilidade determinada pelos serviços de nuvem que ele mesmo selecionou. Isso inclui a quantidade de operações de configuração que ele deverá executar como parte de suas responsabilidades de segurança.

“É importante ter um parceiro para sustentação do seu ambiente em nuvem para que sejam seguidas as melhores práticas de compliance, além de gerir de forma inteligente e segura todas as soluções fornecidas”, finaliza o executivo.

FONTE E OUTRAS INFORMAÇÕES: https://br.claranet.com/.

EU ACHO …

SEGUNDO TEMPO

Ela vinha se sentindo cansada e cansada. A falta de ânimo era constante até para o que mais gostava. Achou que era depressão e, de médico em médico, ouvia diagnósticos parecidos, algumas vitaminas e menos trabalho. “É natural na sua idade”, diziam. Se aquietou por algum tempo, mas sua personalidade não a deixaria se conformar. “Natural na minha idade? Que idade é essa, afinal, que nos faz querer ficar deitada sem fazer nada? Isso não é idade de vida, é idade de morte.” Voltou a procurar os médicos, voltou a ouvir a mesma resposta, voltou a imaginar uma saída.

A questão é que se seu corpo dizia uma coisa, a cabeça e a alma diziam outra. A falta de concentração para seu trabalho mental vinha acompanhada de planos de crescimento profissional. A exaustão que a fazia dormir 12 horas tirava o tempo para execução de sonhos que permaneciam, mesmo assim, em combustão constante só aguardando a força física para entrar em operação. Não era possível desejar fazer tanto e poder fazer tão pouco. A vida ainda pulsava dentro dela. Faltava algo, isso estava claro, A questão era: o quê? E com a ideia fixa na descoberta para o que era o “natural para a mulher na sua idade” refletiu que seus médicos, todos homens, podiam ter estudado, mas não conheciam, por experiência, o que era exatamente ser uma “mulher naquela idade”.

Resolveu, então, ligar para mulheres na tal idade. A cada ligação, um véu era retirado. Ouvia de mulheres conscientes da luta para não se deixar conformar com o tal diagnóstico. Na primeira conversa, ouviu de cara, pela primeira vez que poderia estar entrando no climatério – período em que a mulher passa da fase reprodutiva para menopausa – e a palavra lhe deu um calafrio. Todas as ligações a levaram a constatação do difícil, único e solitário caminho para a menopausa vivido pelo sexo feminino.

Ouviu durante dias experiências diferentes, mas com denominadores comuns: cansaço, dificuldade de concentração, tristeza, falta de informação e vergonha de se expor ao parceiro, tanto em mulheres no auge de suas carreiras profissionais com vidas ativas e cheias de sonhos como em mulheres com uma vida mais tranquila. Além das conversas fundamentais com suas iguais, foi ler sobre o assunto. Procurou uma médica mulher para poder abrir o coração e falar sobre suas incertezas e também certezas. Encontrou amparo e informação nos novos estudos sobre o tema, hormônios, vitaminas, exercícios, livros. Entendeu que a ciência trabalhou a favor das mulheres nos últimos 50 anos e que hoje teria opções para reconstruir seu caminho de volta à vitalidade física.

Há um mês, tem colocado em prática seu plano e essa semana, aos 51, concluiu a primeira etapa com louvor. Como tem mania de fazer promessas, cumpre aqui a primeira: falar sobre a menopausa abertamente para normatizar o assunto, criar pontes de conhecimento para mulheres dessa e das próximas gerações se sentirem seguras quando seu momento chegar e acabar com a ideia de que a menopausa é o começo do fim. Na verdade, pode ser considerado o primeiro minuto do segundo tempo. Momento em que jogos são virados e vencidos usando a experiência do primeiro tempo, aliada ao vigor pulsante do meio do jogo.

*** ALICE FERRAZ – é especialista em Marketing de Influência e escritora. Autora de “Moda à Brasileira”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DA EMOÇÃO À AGRESSÃO

A manifestação de raiva infantil é considerada normal e é expressa por intermédio da agressividade. O problema é quando ocorre a perda da inocência da criança em função de consequências desse comportamento

A raiva é um sentimento que faz parte da natureza humana e a agressividade é um comportamento emocional. A agressividade seria a manifestação da raiva. A agressividade é algo inerente ao ser humano, vem dos instintos básicos, sendo necessária para a sobrevivência do ser humano.

A manifestação da raiva é normal na infância e deve ser vivida pela criança, sendo que essa sente raiva e a expressa através de ataques de agressividade, como choros compulsivos, reações de negação aos limites impostos, birras, teimosia, agressão física e verbal. A raiva é um sentimento de protesto, insegurança ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado. Segundo James Holis, “a raiva é uma legítima reação da alma ao seu ferimento”.

O papel dos pais é ensinar os filhos a lidarem com a raiva e com a agressividade, reconhecendo as emoções deles e assim orientando-os a transformar a raiva, o medo e a ira em algo produtivo e criativo e não em agressão ou violência. O conceito de agressividade, do latim ad (para frente) mais gradior (movimento), significa “movimento para frente”. O que caracteriza a palavra é a ação humana que pode ser usada para algo construtivo ou destrutivo.

Os pais devem estar atentos aos seus próprios comportamentos agressivos, pois as crianças aprendem a partir das referências familiares e repetem o modelo aprendido na escola, nos relacionamentos e na vida. O comportamento agressivo pode se manifestar como reflexo de um ambiente familiar deficiente, conturbado e ameaçador. A família é o referencial da criança e do adolescente. Se a criança nasce num ambiente em condições satisfatórias, saberá usar a agressividade de forma dosada e equilibrada para a sua defesa e sobrevivência.

Portanto, a saúde emocional da criança é consequência das vivências afetivas e estabelecidas no ambiente familiar e de como são atendidas suas necessidades básicas no decorrer da vida. Por meio dos laços familiares os indivíduos aprendem a viver em grupo. Portanto, a família desempenha papel fundamental no âmbito social e é responsável pela transmissão dos costumes e dos valores humanos.

Valores humanos são valores perenes e universais que enfatizam o amor, a verdade, a ação correta, a paz e a não violência. Cada um deles desdobra-se em valores relativos como a tolerância, o respeito às diferenças, a compaixão, a responsabilidade, a honestidade, a generosidade, a paciência, a igualdade, o autocontrole, a amizade e a simpatia, entre outros.

É de suma importância que haja uma conscientização da importância do resgate dos valores humanos pelos pais, para que possam ser transmitidos para seus filhos, a fim de proporcionar-lhes uma vida futura baseada na essência do bem, do amor e da alma. Esses valores também devem ser resgatados na escola, no contexto educacional, onde professores, através da missão de ensinar, têm a capacidade de transmitir aos seus alunos a necessidade de se vivenciar os valores na escola, nos relacionamentos com os amigos e com os pais e na relação com o mundo.

É fundamental que os pais ensinem a importância do limite, do respeito a si e ao outro, da responsabilidade e do conhecimento dos direitos e deveres. O limite estabelece o que é permitido e o que é proibido. O desenvolvimento emocional saudável da criança requer o estabelecimento de limites para que o jovem possa se integrar na sociedade de forma adequada. A falta de limites, muitas vezes, é sentida pela criança como desinteresse, falta de proteção e de amor. As crianças e os adolescentes aceitam a autoridade e a colocação de limites, desde que o estabelecimento de regras seja feito com clareza e coerência. Quando há uma relação de confiança e afeto entre eles e a figura de autoridade.

Se os pais falham nessa função, seus filhos tendem a não lidar com as frustrações e não respeitarem as outras pessoas e a se tornarem adolescentes e adultos. incapazes de regular seus impulsos destrutivos, tornando-se indivíduos intolerantes, agressivos, imediatistas, imaturos e impacientes.

O diálogo do “sentir” é fundamental para a promoção de uma boa educação e um bom vínculo entre filhos e pais. Esse diálogo promove a conexão com as emoções e a leitura daquilo sentido pelos filhos e pelos pais. Os filhos precisam respeitar seus pais. Respeito e confiança são fundamentais na construção de uma boa educação.

Os pais devem ter cuidado no excesso de cobrança, pois as crianças podem desencadear sentimento de impotência ao realizar as diversas tarefas e funções exigidas pelos pais. Caso tenham dificuldades, podem se tornar agressivas devido ao medo do erro.

A expressão de afeto e carinho ajuda as crianças a desenvolverem uma boa autoestima, sentindo-se confiantes e seguras na vida. Pais que não expressam os sentimentos, geralmente, têm dificuldades em lidar com as próprias emoções. Quando há pouca afetividade na relação familiar e quando os pais agem de forma extremamente racional e lógica, acabam criando uma relação sem troca afetiva, sem entrega e sem diálogo. Com isso, as crianças e os adolescentes reprimem suas emoções e vivências, tendo dificuldades em lidar com elas de forma saudável.

A raiva, quando reprimida e não transformada, pode se tornar sombria, com conteúdos sombrios que ficam parcialmente inconscientes, podendo eclodir de forma exacerbada, se manifestando através de comportamentos agressivos e destrutivos, como atos de violência contra si mesmo ou contra o outro.

SOMBRA

Na Psicologia Analítica é fundamental entrar em contato com a sombra, tomando consciência de tudo o que se considera ruim e não aceitável em nós mesmos, ou seja, a parte obscura da psique. A partir da consciência desses aspectos sombrios podem-se retirar as projeções no outro.

A agressão contra si mesmo pode se manifestar através da depressão, de pensamentos e atitudes destrutivas, de vícios e até levar ao suicídio. A agressão direcionada ao outro pode se manifestar na agressão física e verbal, na transgressão das leis e regras e na criminalidade.

Crianças nascidas num ambiente hostil, frio, indiferente e rígido tenderão a desenvolver a agressividade, muitas vezes destrutiva. Sendo assim, em quase todas as manifestações de patologias infantis se encontram a agressividade destrutiva e a violência. Uma criança marcada por traumas emocionais sérios poderá desenvolver uma agressividade destrutiva e violenta.

Crianças vítimas de violência física e psicológica, negligência, falta de atenção, rejeição, abandono, abusos, maus-tratos e humilhação tendem a ser agressivas. Há um acúmulo grande de tensão, de ansiedade, de angústia e de estresse, que, em algum momento, inevitavelmente será descarregado e a criança agredirá o mundo e as pessoas, transformando a agressão em patologia.

É lamentável que um dos maiores índices de agressão física e psicológica ocorra no cerne das famílias. A falta de afeto, de respeito, de amor, de compaixão traz sentimentos profundos de abandono, desamparo e rejeição. Toda criança quando nasce deveria vir ao mundo com a certeza de ser feliz, ser amada e amar a si e ao próximo. Precisa ser acolhida e protegida para que mais tarde possa caminhar na sua estrada com segurança, confiança e respeito, em busca dos seus sonhos e ideais. Mas algumas vezes esse script de vida feliz não ocorre, e o caminho passa a ter obstáculos que a desviam do bem.

Onde se perdeu o olhar ingênuo de algumas crianças? Onde estão os sonhos não vividos e a esperança perdida? É assim que algumas crianças se sentem e se expressam no mundo.

“Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo.” (Leonardo Da Vinci)

O olhar sem vida, sem alma, sem emoção! Onde estão o amor, a alegria, o respeito pelo próximo e o amor próprio? Através do olhar das crianças, podemos constatar a sua alegria, tristeza, medo e raiva. Seus olhos podem espelhar a dor da alma e da descrença do mundo num futuro melhor.

CONTEXTO

No contexto social, é comum falar-se em violência. A agressividade é um fator preocupante, sua dimensão parece não ter fim. Na agressividade desorientada há a ignorância às leis e a falta de uma consciência ética e moral. A violência seria o polo destrutivo da agressividade humana. A violência vem, dia a dia, invadindo as nossas vidas. São assaltos, assassinatos, sequestros, balas perdidas, crianças que roubam e matam, abandonos, estupros, desemprego, drogas, tráfico, corrupção, descaso com a educação e com a saúde, mães que abandonam seus filhos, pais ausentes. A falta de cidadania, o desrespeito, a fome, a miséria e a indignidade estão por toda parte.

Na nossa sociedade, onde a competitividade, o poder, o preconceito, a desigualdade e a necessidade de acúmulos de bens estão presentes, esses fatores acabam sendo estímulos para a agressão, desencadeando comportamentos agressivos relacionados à inveja, à raiva, ao ódio, ao medo e à frustração. Vivemos em uma sociedade orientada pela visão materialista de mundo e de homem, onde os valores correspondentes adotados são o “ter” no lugar do “ser”. O que é valorizado é a posse de bens de consumo, o sucesso econômico, o poder e o status social. A violência como consequência da desigualdade social, do preconceito e da miséria.

Numa sociedade ameaçadora e angustiante, as crianças e os adolescentes podem se tornar agressivos e violentos devido ao desespero, ao descuido, ao abandono e à descrença. Muitas crianças e jovens se sentem desamparadas pela família e pela sociedade.

Segundo Irene Fonseca, “muitas crianças e adolescentes fogem da tortura física e emocional e mergulham na tortura da alma, em uma vida sem dignidade, uma página sem história, vivendo em prol da delinquência”.

Algumas crianças e adolescentes infratores são vítimas da violência no próprio lar, do abandono, da falta de escola, educação e de lazer. Desamparados, se entregam às tentações do álcool e das drogas. Iniciam-se, assim, na criminalidade, praticando pequenas infrações. O perfil desses adolescentes quase sempre envolve a vida nas ruas, falta de estrutura familiar, miséria, drogas. O indivíduo com um mundo interno conturbado e conflitante tende a projetar as suas angústias através da agressividade no outro e no mundo externo. Esse mundo externo passa a ser visto como hostil e o indivíduo sente-se perseguido e ameaçado, reagindo com muita agressividade.

Na visão de Lisboa, A. M.J., a violência é uma doença psicossocial. Não é causa, e sim, na maioria das vezes, consequência da ação de indivíduos portadores de sérios distúrbios comportamentais, derivados, principalmente, de transtornos afetivos graves com suas raízes na primeira infância. A semente da violência é implantada na criança em seus primeiros anos de vida. Lisboa acredita na priorização das ações preventivas sobre as corretivas. A prevenção dos distúrbios de conduta que levam à violência é atribuição da família, dos educadores, dos pediatras, dos psicólogos, dos assistentes sociais e da sociedade como um todo.

TRANSFORMAÇÃO

Partindo dessa reflexão, nos deparamos com a necessidade emergente de uma transformação social, cultural e educacional. A família, a educação, a sociedade e a política precisam se unir para que essas crianças e adolescentes possam aprender a lidar com o sentimento da raiva de maneira construtiva, sendo orientados, cuidados e afastados da agressão e da violência.

É necessária uma mudança de atitudes em relação à questão da infância que nos remete a um mundo complexo que interage fatores psicológicos, ambientais, sociais e políticos.

Toda criança merece ser amada, respeitada e protegida. Merece ser orientada pelos pais, pela escola e protegida pela sociedade.

Infelizmente, algumas crianças e adolescentes se perdem do caminho do bem; desorientados, falham e cometem pequenos ou grandes delitos. Vivemos em tempos em que não há como negar as consequências de uma desordem social, da falta de uma estrutura de apoio necessária. A violência que assola o país é o sintoma de um sistema político ineficiente e incapaz de regular, orientar e cuidar das questões psicológicas, sociais e educacionais da infância e da adolescência.

Abandoná-las? Puni-las? Ou educá-las? Cabe à família, à sociedade e aos políticos refletirem sobre as diretrizes eficientes a serem tomadas. Prevenir a violência é uma questão de cidadania, que começa com o respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes.

BATER NOS FILHOS

Em pleno século XXI, a prática de bater nos filhos ainda é mais frequente do que se pode imaginar. Isso ocorre mesmo se sabendo que o hábito comprovadamente aumenta a agressividade e prejudica a saúde da criança a longo prazo. Uma pesquisa recente desenvolvida pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, concluiu que quase 30% dos bebês com até 15 meses apanharam dos pais no mês anterior ao estudo. Os cientistas acompanharam quase 3 mil famílias, que participavam de um trabalho sobre nascimentos em áreas urbanas e estavam ligadas ao serviço de proteção à criança. Para os idealizadores do estudo, as consultas no pós-parto e as visitas aos bebês foram a chance para médicos conscientizarem os pais sobre os malefícios de agredir os filhos. Mais uma pesquisa, esta elaborada pela Southern Methodist University, surpreendeu até mesmo o autor do trabalho, o professor de Psicologia George Holden. Ele conduzia um estudo a respeito de pais que gritam com os filhos e, a partir disso, descobriu que, além de berrar, os pais batem nas crianças com frequência. Holden distribuiu gravadores para 37 famílias de classes sociais diferentes. A análise de 36 horas de áudio gravadas em seis dias de cada família totalizou nada menos do que 41 agressões.

POESIA CANTADA

ACONTECIMENTOS

MARINA LIMA

ACONTECIMENTOS

COMPOSIÇÃO: ANTÔNIO CÍCERO / MARINA LIMA.

Eu espero
Um acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento

Todo amor
Vale o quanto brilha

E o meu brilhava
Brilho de joia e de fantasia

O que que há com nós
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

Era fácil
Nem dá pra esquecer
Aí e eu nem sabia
Como era feliz de ter você

Como pôde
Queimar nosso filme
Um longe um do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes

O que que há com nós, o que há com nós dois amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

OUTROS OLHARES

ADEUS AOS PAUS DE SELFIE

Vem aí a era dos mini drones fotográficos, afeitos a tirar retratos inusitados e de altíssima qualidade. O desafio: a miniaturização dos aparelhos

Como tantas outras tecnologias, os drones foram gestados no ventre militar para espionagem e vigilância. No início, eles só funcionavam por controle remoto, até que a revolução dos softwares lhes conferiu autonomia, dispensando supervisão humana. Segundo o banco Goldman Sachs, o mercado de veículos aéreos não tripulados hoje é de 100 bilhões de dólares, sendo que 70% dele está nas Forças Armadas. Conforme a miniaturização avança, porém, a balança vai pendendo para o lado civil. Assim como o celular deixou de ser apenas telefone para se tornar máquina fotográfica, os mini drones estão destinados a se tornar acessório fundamental para quem gosta de tirar foto de si mesmo ou junto da família e amigos, sem o inconveniente de pedir ajuda a estranhos, esticar o braço ou usar os horrorosos paus de selfie, bastões que acabam sendo abandonados ou esquecidos em casa.

Há drones dos mais diversos tipos à venda, mas, a menos que se trate de um fotógrafo profissional, ninguém anda por aí carregando equipamentos frágeis e caros que, por menores que sejam, não cabem no bolso. Por esse motivo, a fabricante chinesa Vivo entrou com um curioso pedido de patente na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi): um smartphone com mini drone fotográfico embutido. A patente causou alvoroço quando o designer indiano Sarang Sheth, de posse das especificações da Ompi, criou uma imagem tridimensional do que seria o novo aparelho, equipado com um mini drone de quatro hélices, que, uma vez acionado, voa em torno do usuário, tirando fotos de ângulos inusitados.

A imagem renderizada no entanto, escamoteia obstáculos difíceis de ser superados. Um smartphone X60, da própria Vivo, tem 16 centímetros de comprimento, 7,5 de largura e apenas 7 milímetros de espessura. Assumindo que, definitivamente, o consumidor não aceitará trambolhos, os chineses teriam de chegar a um nível de miniaturização sem precedente, criando um drone não muito maior que uma caixa de fio dental. Por outro lado, a Vivo tem a seu favor o fato de ser uma das maiores fabricantes de celulares do planeta e de ter firmado parceria em pesquisa e desenvolvimento com a Zeiss, centenária empresa alemã de sistemas ópticos.

Nesse interim, enquanto o produto sino-alemão flutua no impasse, uma startup londrina, batizada como intuitivo nome de Air Selfie e impulsionada por uma milionária campanha de crowdfunding (financiamento coletivo), já entregou a 36.000 clientes aquele que é alardeado como o menor drone fotográfico do mundo, com 10 centímetros de comprimento, 8,5 de largura e apenas 1,3 de espessura. Lançado em 2017, o aparelho já está na terceira geração, agora chamada de Air Pix. Apesar de não vir embutido em celular, ele merece o epíteto de pocket drone, pois cabe no bolso. É impressionante como os engenheiros conseguiram embutir câmera de imagem e vídeo de alta resolução em um minúsculo dispositivo que ainda tem cartão de memória e bateria que o sustenta no ar por seis minutos. O Air Pix pode ser pilotado por meio de aplicativo ou colocado no modo autônomo, no qual fica tirando fotos ou gravando. Se o usuário quiser, poderá até dispensar o celular, já que sensores atendem a comandos de aproximação e afastamento por gestos.

Apesar de o dispositivo ter chegado neste ano a um preço acessível de venda (119 dólares no site da empresa), a Air Selfie enfrenta queixas dos financiadores que ainda não receberam seu produto. A fabricante, no entanto, garante que todos terão seu drone e que, assim que a produção ganhar escala, ele estará à venda em todo lugar, inclusive no Brasil. Por enquanto, o único jeito de ter um é importando, com taxas de frete e impostos que dobram o custo – isto se o produto estiver disponível. Aparentemente, o pau de selfie, que custa menos de 20 reais no varejo, continuará sendo útil, até que a tecnologia o faça desaparecer no ar.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE AGOSTO

DINHEIRO NAS MÃOS DE UM TOLO

De que serviria o dinheiro na mão do insensato para comprar a sabedoria, visto que não tem entendimento? (Provérbios 17.16).

Uma pessoa insensata pode até ter dinheiro, mas não fará dele o melhor uso. O tolo não consegue investir seu dinheiro naquilo que é proveitoso. Ao contrário, gasta-o no que é fútil. O insensato desperdiça sua riqueza em prazeres desta vida e não faz nenhum investimento para o futuro. Para ele, a vida é apenas o aqui e o agora. Não semeia em sua vida espiritual. Não adquire a sabedoria. Rende-se apenas aos caprichos de sua vontade hedonista. Jesus contou a parábola do filho pródigo. Esse jovem pediu antecipadamente sua parte da herança. Não respeitou seu pai nem valorizou sua companhia. Queria os bolsos cheios para gastar numa terra distante, longe de qualquer controle. Ali dissipou todos os seus bens vivendo dissolutamente. Em vez de investir em sabedoria, fazendo multiplicar sua herança, gastou-a com prostitutas e rodas de amigos. Embriagou-se com os prazeres da vida. Entregou-se às paixões da mocidade. Bebeu todas as taças que o banquete do mundo lhe ofereceu. Curtiu a vida rodeado de muitas aventuras. Como só tinha dinheiro, mas nenhuma sabedoria, desperdiçou todos os seus bens e ficou reduzido à extrema pobreza. Como não aprendeu com a vida, sofreu as dolorosas consequências de sua insensatez. De que maneira você tem usado seu dinheiro? A Bíblia nos ensina a não gastar o dinheiro naquilo que não satisfaz.

GESTÃO E CARREIRA

CINCO GATILHOS PARA VENDER MAIS NAS REDES SOCIAIS

Muitas das decisões que tomamos no dia a dia não são previamente pensadas, executamos ações cotidianas no piloto automático

Esse efeito é ocasionado por nosso subconsciente de forma involuntária, na qual não precisamos pensar muito para fazer. É para quebrar esses padrões de pensamentos que existem os gatilhos mentais. Ou seja, frases e palavras que ativam este lado “impulsivo” e utilizam os agentes internos do cérebro causando uma reação e nos tirando da zona de conforto. Essa técnica é bastante utilizada nas estratégias de marketing digital como forma de persuasão e para gerar resultados. Cerca de 74% dos brasileiros utilizam as redes sociais para comprar, o que eleva ainda mais a eficácia dos gatilhos mentais. Marília Dovigues, head de marketing da Etus, empresa de gestão de redes sociais e unidade de negócio do Grupo Locaweb, separou abaixo alguns gatilhos e dicas para ajudar o PME. Confira.

• PROVA SOCIAL – Sabe aquela pessoa que ainda não consome o seu produto? Essa técnica pode ser utilizada com ela, trazendo opiniões de quem já adquiriu e está usando o serviço. Isso é feito por meio de depoimentos, vídeos, prints, menções, etc.

Um outro sentimento que pode ser provocado pela prova social é o de pertencimento, ou seja,

deixar a pessoa de fora para que ela fique com vontade de ser de um determinado grupo que já usa ou tem esse item. O ser humano tem necessidade de fazer parte, por isso, essa estratégia tem muita eficácia.

• ESCASSEZ – “Compre agora ou fique sem”, “Unidades Limitadas”, “Restam poucas vagas”, essas frases de efeito são muito utilizadas para indicar escassez de algum produto ou serviço. Para um usuário que ainda não está totalmente convencido em comprar determinado produto, ao ver a possibilidade de ficar sem, o receio pode ter um impacto de ação imediata. Aqui vale o cuidado para não usar com muita frequência. Se você aplicar por qualquer motivo, pode dar a entender que seu produto não tem tanto valor assim.

• AUTORIDADE – Quando o público enxerga que uma determinada marca ou pessoa é muito influente em um tema, fica mais fácil convencer e reverter a compra. Se tornar relevante dentro do ambiente digital é resultado de um bom conteúdo e trabalho a longo prazo. Vale o investimento e cuidado extra na produção do seu conteúdo.

• URGÊNCIA – Bem semelhante à escassez, porém tende a ser mais agressivo. Um bom exemplo desta prática são os sites antigos de compra coletiva na qual as promoções eram limitadas por pessoas e horas. O gatilho da urgência tem como principal objetivo impulsionar a compra imediata, na qual o consumidor resolve adquirir algo, assim que ele olha a oferta. A ideia é decidir sem pensar, um ato que vem a partir do sentimento de pressa para adquirir algo. Para aplicar a técnica, basta usar frases como: “últimas horas”, “é agora ou nunca mais”, “você precisa decidir agora”.

• DOR – Por fim, o gatilho que parte da ideia de que todo ser humano deseja evitar a ‘’dor’’, ou seja, um desconforto mental ou uma situação que precisa ser resolvida. A narrativa (ou storytelling) deve abordar uma determinada situação do seu público, trazendo dicas para solucioná-la, ofertando o seu serviço ou produto. Isso gera uma identificação e, após ler o conteúdo, o consumidor se sentirá seguro e confiante de que aquilo resolverá o seu problema. Para que esse insight funcione, é fundamental conhecer a sua persona.

 FONTE E OUTRAS INFORMAÇÕES: https://etus.com.br.

EU ACHO …

‘THE UNDERGROUND RAILROAD’

Vários sentimentos me atravessaram durante os episódios da série

Foram vários os sentimentos que me atravessaram durante os dez episódios da excelente série “The Underground Railroad”, disponível na plataforma de vídeos da Amazon. Fui procurar depois que David Wilson, um querido irmão, me indicou. Não fosse sua indicação, provavelmente não o veria, pois criações cinematográficas da escravidão exploram uma violência por si só, exibem negros e negras sofrendo como foco central.

Trata-se de uma política internacional, porém, no Brasil, país da romantização da escravidão, assistir a enredos dessa natureza nos tornou, vamos dizer assim, traumatizados com tanta produção sem respeito à resistência e aos saberes das populações negras. Imagina o tanto de história neste país que merece ser contada devidamente, da capoeira ao samba, das revoltas ao candomblé. Infelizmente, exceção feita aqui e acolá, estamos muito aquém do que poderíamos, por motivos que sabemos muito bem, mas que não vem ao caso neste texto.

Isso porque, quando uma produção é excepcional, ela precisa ser exaltada. No enredo está a história de Cora, vivida pela atriz sul-africana Thuso Mbedu. Ao ver uma cena em que brancos faziam uma ceia sob música e risos ao lado de um homem negro brutalizado, ela decide fugir com seu companheiro Caesar, vivido pelo ator Aaron Pierre.

Na fuga da monocultura do estado da Georgia, Cora e Caesar chegam à Underground Railroad, uma ficção que traz um trem subterrâneo que os leva de estado a outro com dignidade. Para entrar no trem, o “preço” da entrada é contar a história em um grande livro. A cena me fez refletir sobre a importância de pessoas negras contarem suas próprias histórias, pois o sistema colonial e pós-colonial funcionam por meio da invisibilidade desses grupos. A invisibilidade é uma morte em vida, como já nos disse Azoilda Trindade, e se duplica no fim da vida.

É chegando a cada estado que Cora vai se deparar com as mais variadas formas de dinâmicas sociais do racismo. Um olhar mais atento vai perceber que não se trata de uma série de época tão somente, mas que recria relações que pessoas negras experienciam na contemporaneidade. Na primeira cidade, há um cenário mais humanizado, e as pessoas negras “até têm certos direitos”, desde que não reclamem muito ou queiram ocupar lugares que não são seus.

Já em outra, pessoas negras são proibidas de existir e aquelas que são encontradas são mortas em um altar. Cora encontra um homem branco decente que a leva para ficar escondida em um porão com uma criança negra, a quem se afeiçoa. Uma de suas algozes naquele episódio, além de toda a comunidade “sangue branco puro” é a empregada doméstica de origem irlandesa, que não é branca como os patrões brancos, posto que imigrante, mas é branca suficiente para servir no lugar da população negra perseguida. O ódio da empregada branca às meninas negras nos leva a reflexões sobre a construção da subjetividade das pessoas pertencentes a esses grupos sociais.

Na trilha da escravizada está o caçador de escravos Ridgeway, um homem branco que anda na companhia de Homer, uma criança negra retinta que o segue fielmente em qualquer circunstância. Imagino que a criança negra vá despertar mais inconformidade do que qualquer outro, uma vez que, por ser negra, logo deveria ser parceira daquela mulher perseguida pelo sistema escravocrata.

Porém, como já disse algumas vezes, pessoas negras são múltiplas. Existem algumas que tem a consciência racial formada em prol do fortalecimento da comunidade negra, existem outras que vivem suas vidas sem ser militantes, como existem também quem viva para servir a sistemas voltados à destruição e subordinação de seus pares, além de infinitas possibilidades. A diversidade não é um atributo exclusivo da branquitude, tanto que existem os brancos feitores, como também aqueles que se indignam e “traem” a sua raça.

Estou pincelando apenas alguma cena ou outra, porque há muito mais a ser dito. Em uma outra cidade, em uma comunidade negra, somos levados a refletir sobre como a liderança negra confiante irrita a comunidade branca, que prefere prejudicar a si mesma e a seus negócios, a aceitar que a comunidade negra decida seus rumos. A situação leva a um discurso final poderoso que merece ser visto e revisto.

A narrativa negra ancestral permeia toda a série, aquela ancestralidade que vem de muito longe e que, mesmo em condições mais adversais, se mostra presente nos segurando na mão e abrindo a porta quando todas parecem fechadas, como é o exemplo da última cena.

Não sei se Barry Jenkins, diretor da série, que também assinou trabalhos monumentais como a obra-prima “Moonlight“ conhece Ogum, mas há muito do orixá que, como diz Rodney William, abre caminhos onde não há caminhos, nessa série que retrata de maneira brilhante a resistência do povo negro.

DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ÓRFÃOS DA PANDEMIA

Por que estamos aqui? Onde está a minha avó? O que aconteceu com ela? Essas foram as primeiras perguntas sussurradas entre lágrimas por Maria, 4, e sua irmã Camila, 7, quando perceberam que a única pessoa que cuidava delas, a avó, “havia desaparecido”. A idosa não resistiu à Covid-19 e as meninas, cujos nomes são fictícios, vivem atualmente em um lar abrigo, a Casa Lar das Aldeias Infantis SOS, em São Paulo, em acolhimento provisório

O caso dessas duas meninas é o mesmo de 1,5 milhão de crianças e adolescentes em todo o mundo. No Brasil, o coronavírus também matou os principais personagens de diversas famílias, pai, mãe ou avós e, de uma hora para outra, 130 mil menores ficaram órfãos. A pesquisa que calculou a quantidade de órfãos da pandemia foi um trabalho internacional de acadêmicos dos EUA, África do Sul, Dinamarca e do Reino Unido. O método utilizado foi o mesmo desenvolvido pelo grupo de estimativas e projeções do programa da Organização das Nações Unidas para o combate à AIDS (Unaids). Os números da mortalidade de adultos pela Covid-19 embasaram a pesquisa em 21 países que somam 77% do total de óbitos globalmente e o período observado foi entre março de 2020 e abril de 2021

No momento, o que se pode afirmar é que o coronavírus ocasionou situações tocantes e de vulnerabilidade como as de Maria e Camila. E, se não fosse o auxílio da Casa Lar das Aldeias, teriam destino incerto. Há um mês, as meninas dividem a casa que comporta até 10 menores, com outros 5 irmãos sociais de 0 a 18 anos, que também perderam pessoas que representavam o alicerce familiar ou que passaram por uma situação de violação de direito. “As outras crianças que vivem aqui passaram por um contexto de desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente” diz Adriana Barros Pereira, Coordenadora do Acolhimento em Aldeias Infantis SOS no Brasil. A intenção não é transformar o local no lar definitivo das irmãs, explica, mas, por enquanto, elas terão os cuidados necessários para superar esse momento traumático. Pereira conta ainda que, a comunicativa Camila demonstra preocupação com a tímida Maria e ajuda a mais nova a compreender o que aconteceu. “É um trabalho de formiguinha”. Desde que chegaram ao novo lar, aos poucos, as meninas se adequaram à nova condição.

Tami López, especialista em Programação Neurolinguística da Vertta Desenvolvimento Humano, afirma que em uma conjuntura como essa imposta pela pandemia, o impacto não é o mesmo em todas as crianças e a forma como os pequenos vão lidar com a perda de uma pessoa que era um referencial, vai depender de como os adultos ao seu redor vão encarar o luto e lhe transmitir o fato. “A morte faz parte da vida, mas para a criança, o assunto deve ser suavizado”, afirma. A especialista pontua que a infância é permeada por aspectos lúdicos e, então, essa é a melhor forma de dar um significado para essa nova realidade. Elucidar a morte de alguém tão querido as crianças realmente é algo difícil, ainda mais quando a perda também envolve a dependência financeira e a perspectiva de um futuro confortável muda. “Ele era o provedor da família”, diz Eliana Cardoso Reis, 39, que perdeu o marido, o caminhoneiro Marcelino José de Sousa há três meses para a Covid-19. “Ele faria aniversário em 23 de julho”, conta. Mesmo não sendo pai biológico dos três filhos de Eliana (Estefhanny, Jhennyfer e Arthur), o afeto era mútuo. “Perdemos o nosso último pai”, afirmou desolado Arthur, ao saber do falecimento de Marcelino.

O drama tem grande relevância no mundo. Segundo o estudo da The Lancet, a nação que teve o maior número de órfãos foi o Peru, onde uma a cada 100 crianças perdeu um responsável direto, logo depois, a África do Sul, com cinco órfãos a cada um mil crianças ou adolescentes, e, no México, três a cada um mil jovem perdeu pelo menos um desses parentes. Como o estudo é recente, não foi, por enquanto, incorporado pelo sistema nacional de contagem de órfãos nestes países. Porém, deve ser levado em consideração a partir de um fato concreto, a mortandade causada pela pandemia. A pesquisadora-chefe, Susan Hillis, que estuda enfermidades infecciosas no Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos disse, em entrevista recente, que se uma pessoa contar até 12, é tempo suficiente para que surja um novo órfão no mundo.

POESIA CANTADA

ESPUMAS AO VENTO

FAGNER

Espumas ao Vento foi gravada inicialmente por Flávio José em ritmo de forró e depois por Fagner, que a imortalizou para todo o país, em ritmo mais lento! Essa canção também fez parte da trilha do filme Lisbela e o prisioneiro, com Elza Soares.
Gosto muito da letra que representa um amor escancarado e ao mesmo tempo com uma sensibilidade impressionante como podemos ver em “…Coração na mão, desejo pegando fogo…” e em “Meu olhar vai dar uma festa, amor, na hora que você chegar…” respectivamente! É daquelas letras pra ficar entre as melhores no repertório de qualquer intérprete e na lembrança de qualquer apaixonado!

ESPUMAS AO VENTO

COMPOSIÇÃO: ACCIOLY NETO.

Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento
Não é coisa de momento, raiva passageira
Mania que dá e passa, feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
E sem saber direito a hora, nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Ai, se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento
Não é coisa de momento, raiva passageira
Mania que dá e passa, feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
E sem saber direito a hora, nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Ai, se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
E sem saber direito a hora, nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Ai, se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar
E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

Sei de errei, tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo
E sem saber direito a hora, nem o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Ah! Se eu fosse você eu voltava pra mim de novo

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar
E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

E que uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

OUTROS OLHARES

SETE EM DEZ OFTALMOLOGISTAS RELATAM ALTA DE MIOPIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Médicos de todo o País ouvidos pelo Conselho Brasileiro ele Oftalmologia atribuem o aumento de diagnósticos nos últimos meses ao confinamento imposto pela covid-19. Para lazer e estudo, jovens passaram mais tempo na frente de TVs, computadores e smartphones.

O número de diagnósticos de crianças e adolescentes com miopia aumentou durante a crise sanitária, revela estudo inédito do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). No levantamento, 72% dos profissionais entrevistados relatam maior detecção do problema na faixa etária de zero a 19 anos. Para a maioria dos especialistas ouvidos, a principal razão do problema é a maior exposição dos jovens às telas de aparelhos eletrônicos no ensino remoto e em lazer no confinamento.

Isoladas em casa, as crianças têm aula pelo computador e, nas horas livres, assistem TV e jogam no tablet ou no celular. Assim, prejudicam a visão. O estudo do CBO reúne a percepção de oftalmologistas que trabalham com o público mais jovem – foram ouvidos, entre abril e junho, 295 profissionais em todo o País. Os médicos também relatam agravamento acelerado dos casos que já tinham esse problema de visão.

Para 76% dos entrevistados, a principal causa do problema é a super exposição dos menores a televisão, smartphones, tablets e computadores. Praticamente todos os especialistas (99%) defendem a redução do chamado tempo de tela e o aumento das atividades ao ar livre.

No exterior, relatos dos consultórios também são confirmados por estudos científicos. Pesquisa publicada em março no Journal of the American Medical Association (Jama) já havia mostrado aumento de até quatro vezes, em comparação com anos anteriores, no número de diagnósticos durante o confinamento. A pesquisa dos chineses abrangeu mais de 120 mil crianças de 6 a 8 anos. Embora os asiáticos tenham a tendência genética maior à miopia, a alta de casos é mundial.

A miopia é provocada quando o diâmetro do globo ocular é aumentado, ainda que ligeiramente. Por causa desse aumento, há um erro na refração da luz, e a imagem acaba se formando antes da retina.

O sintoma mais frequente é a visão embaçada, que impede de enxergar claramente o que está mais distante. A principal causa da miopia é a herança genética, mas a exposição excessiva às telas e a redução do tempo passado ao ar livre interfere em sua manifestação.

“A miopia ocorre devido ao aumento, mesmo que milimétrico, do diâmetro anteroposterior do olho. Isso ocorre mais em crianças, adolescentes e adultos jovens. O principal fator é genético, mas alguns hábitos podem influenciar e aumentar a sua manifestação”, explicou o presidente da CBO, José Beniz Neto. “A concentração em telas promove a liberação de agentes químicos no interior do olho, que pode levar a esse aumento do globo ocular e consequente acréscimo na miopia”, acrescenta.

Esse aumento no diâmetro do olho não provoca só a miopia. É um indicador importante da fragilidade da córnea que pode apresentar problemas mais graves, como descolamento de retina, catarata e glaucoma.

“Já está comprovado em vários trabalhos científicos que a redução desse tempo de tela previne o problema”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, Fábio Ejzembaum.

“Mas não apenas isso: o aumento do tempo ao ar livre também é importante”. Os estudos mostram que, passar pelo menos duas horas em ambientes externos pode reduzir em até 40% a progressão da doença. Isso acontece porque o sol induz a liberação do neurotransmissores que provocam uma redução do aumento do olho”, diz ele.

HÁBITOS

Na avaliação de 43% dos entrevistados pelo CBO, os jovens precisam ficar ao menos duas horas por dia longe totalmente dos aparelhos eletrônicos. Para outros 31% só uma hora seria suficiente.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente. Na faixa entre dois e cinco anos, a recomendação é de no máximo uma hora diária de tela e, entre seis e dez anos, duas horas diárias. A entidade alerta para não usar telas na hora das refeições nem nas duas horas anteriores ao sono.

Os especialistas concordam que as crianças e adolescentes precisam ficar um tempo do dia offline para prevenção da miopia. E precisam manter atividades ao ar livre.

Trata-se de uma opção ainda mais complicada durante a pandemia. Com a disseminação da Covid-19, a maior parte das escolas passou a oferecer aulas online. Houve ainda a recomendação para que as pessoas ficassem o mais isoladas quanto fosse possível. O objetivo era (e ainda é) reduzir ou evitar o espalhamento do vírus.

A relações públicas Erica Kinuta, de 42 anos, afirma que já esperava que o filho Felipe, de seis, tivesse miopia, por questões hereditárias. “Mas a questão da pandemia foi um acelerador por conta do uso dos eletrônicos”, conta. A criança manifestou o problema pela primeira vez ainda em 2020, quando começou a usar óculos.

“Além das aulas no computador, ele brinca com o tablet, com o celular. O que a gente faz é tentar limitar o uso, mas durante a pandemia isso é ainda mais complicado”, diz Erica, cuja família ficou confinada para prevenir a transmissão.

Do ano passado até agora, Felipe teve agravamento do problema visual. “Se nada disso estivesse acontecendo, as crianças estariam fora de casa, na escola, brincando, fazendo outras atividades externas. Mas dentro de casa, a gente fica ainda mais limitado, e o uso dos eletrônicos acaba sendo uma consequência”, acrescenta Erika.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo são míopes – 59 milhões delas vivem no Brasil. A projeção é que até 2050 metade da população mundial seja afetada pelo problema em função do aumento da exposição às telas. Mas este porcentual pode ser até maior, se incorporarmos alguns hábitos desenvolvidos na pandemia.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 18 DE AGOSTO

CUIDADO COM A INVERSÃO DE VALORES

O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor (Provérbios 17.15).

Emmanuel Kant, em seu livro A crítica da razão pura revolucionou a história do pensamento humano, quando disse que não há verdade absoluta. Esse conceito filosófico entrou no campo da teologia e da ética. Hoje, muitos não creem em verdades absolutas nem defendem uma conduta que preceitua a clara distinção entre o certo e o errado. Na verdade, a sociedade contemporânea desceu mais um degrau nesse processo rumo ao relativismo moral. Chegamos ao nível mais baixo da degradação humana. Hoje testemunhamos uma inversão de valores no campo da vida moral. Chamamos luz de trevas e trevas de luz. Chamamos o doce de amargo e o amargo de doce. Temos visto nossa sociedade justificando o perverso e condenando o justo. A ética cristã, porém, não pode tolerar esse comportamento que afronta a verdade, escarnece da virtude e conspira contra a lei de Deus. Se não podemos ser neutros diante do mal, quanto mais aplaudi-lo. Se não podemos sonegar o direito do justo, quanto mais condená-lo. Essas práticas vergonhosas podem até passar despercebidas para a sociedade, mas são abomináveis para Deus. O homem, na sua loucura, pode até botar de ponta-cabeça os princípios que devem reger a família e a sociedade, mas não pode fugir das consequências inevitáveis de suas escolhas insensatas.

GESTÃO E CARREIRA

NEUROESTRATÉGIA: A NOVA TENDÊNCIA NO POSICIONAMENTO DAS MARCAS

Quando pensamos em comprar algo, é natural irmos atrás do melhor custo-benefício na aquisição. Mas esse processo é consciente? De acordo com a Neurociência não, na grande maioria dos casos.

Essa disciplina, inclusive, afirma que mais de 95% das decisões humanas são eminentemente subconscientes. Na busca por um celular, por exemplo, a subconsciência comprou uma experiência de usuário, um design, uma exclusividade e isso faz com que tenhamos a falsa sensação de que a decisão foi consciente.

Mas afinal, o que é a neurociência? É a ciência que estuda o sistema nervoso central a partir de todas as suas perspectivas: funcional, fisiológica, química etc.

Ao longo dos anos, essa doutrina passou a ser desenvolvida e, quando somada à tecnologia e se aplicou a estratégia empresarial, a Kernel Business Consulting, partner da Minsait, criou a neuroestratégia, uma metodologia que se tornou fundamental para as empresas serem ainda mais competitivas.

A adoção da neuroestratégia se enquadra em toda a empresa, em maior ou menor grau. Ela pode ser aplicada em uma boa parte dos processos em todas as áreas: Comercial, Marketing, P&D, Inovação, Inteligência de Mercado, TI e RH, variando diante de cada desafio e integrando tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data.

No Brasil, a neuroestratégia tem sido aplicada em disciplinas mais táticas e de escopo mais específico, em setores que estão fundamentalmente dentro do grande consumo e do varejo. Apesar da sua pluralidade, a neuroestratégia tem participação direta na maneira das marcas se posicionarem no mercado.

Quando as companhias precisam saber o que o seu público deseja, normalmente os clientes são questionados por meio de pesquisas e grupos de foco. A experiência em si tem muito pouco a ver com o modo como eles se comportam.

O método pode ser um aliado na evolução ou reformulação de uma proposta de valor da empresa, de uma unidade de negócios ou de um produto, além de ser um grande aliado no desenho da experiência do cliente junto à empresa, através de um serviço ou conjunto de canais. Dessa forma, a neuroestratégia ajuda a entender o que o cliente realmente quer (mesmo que ele não saiba) e a traduzir esse novo conhecimento em valor para o próprio cliente, a empresa e a sociedade.

Encontramos no mercado a aplicação da neuroestratégia através de tecnologias de medições biométricas, como a decodificação facial. Neste caso de uso, basicamente o cliente é submetido a um estímulo visual como uma pesquisa, um vídeo, ou mesmo telas de um aplicativo e, conforme vai avançando neste estímulo, suas microvariações faciais são capturadas por meio da câmera, podendo ser de um notebook, celular ou webcam.

Estas medições biométricas são cruzadas, através do próprio desenho dos estímulos, com um grande banco de dados, analisadas utilizando Inteligência Artificial e calibrando um complexo modelo neurocientífico que permite entender os “o quês” e “por- quês” da percepção de valor e tomada de decisões subconscientes com um alto nível de detalhe.

Essa é uma ferramenta poderosa para a revisão da proposta de valor de um deter- minado produto, ou mesmo alterar a jornada do cliente em um canal como o aplicativo. A obtenção desse novo entendimento do cliente pode resultar em aumentos significativos de vendas, redução de tempo nos processos de inovação, ganhos na eficiência, na satisfação e na fidelização dos consumidores.

Empresas de diversos setores já constataram os benefícios da utilização desta nova ferramenta. Grandes instituições financeiras, por exemplo, reformularam sua proposta de valor para segmentos de mercado estratégicos, reinventaram canais críticos para seus negócios e compreenderam quais são as alavancas e freios de seus produtos para gerar valor diferencial para seus clientes.

No ramo farmacêutico, players repensaram suas atuações nos negócios B2B, reorganizaram a experiência de seus pacientes nas linhas terapêuticas e redesenharam sua intranet. Marcas de bens de consumo redirecionaram a estratégia de negócio para linhas de produtos prioritárias, transformaram sua linha de inovação e desenvolveram canais digitais.

Para explorar todo o potencial da neuroestratégia é importante que empresas identifiquem as vulnerabilidades em seus negócios. Quanto mais desafiador for, mais útil será o uso da metodologia, e aplicá-la com a ajuda de especialistas poderá resultar em benefícios tangíveis para a empresa, clientes e sociedade.

EU ACHO …

O PARQUE DE DIVERSÕES      

Este é um momento decisivo da humanidade que pouco se esforçou para conhecer o significado da vida e sua finalidade principal

Por isso, agora entrou num labirinto onde não encontra a saída. Mas quantos querem realmente achar a saída? Quantos só pensam em um regresso à forma frouxa de viver, só buscando comida, bebida e prazeres, como se a vida não fosse nada mais que um passeio num parque de diversões. O ser humano não é como os animais sem livre-arbítrio; embora seu corpo seja de origem animal com órgãos reprodutores, é espírito.

No pós-guerra surgiram as grandes instituições criando esperanças de um mundo mais humano, mas as guerras prosseguiram, os países se endividaram, a especulação tomou conta, fecharam as fábricas e foram produzir na China, pagando uma fração do salário do ocidente e pro- movendo a precarização geral. Cada indivíduo tem de se tornar um verdadeiro ser humano, pois sem isso o caos nos aguarda.

É preciso verificar a realidade. Para o lobo homem, geralmente em pele de cordeiro, o que vale é obter o que ele cobiça. Em décadas de desfaçatez, engessaram o gigante. O Brasil tem de dar uma guinada através do querer, da força de vontade e ações de seu povo e governantes. É preciso encontrar a fórmula de produzir mais, empregar mais, educar mais; sem isso a pobreza só aumentará. Reis e sacerdotes falharam na condução dos seres humanos, e veio a república que foi contaminada pela corrupção e cobiça de poder.

Na falta de estadistas sérios, empenhados na melhora das condições gerais de vida no planeta e no bom preparo das novas gerações para a vida, o Estado cai na mão dos corruptos que arruínam tudo, ou na dos tiranos que acabam com a liberdade e a força de vontade da nação, e tudo vai estagnando pela falta do movimento voltado para o bem geral, para um viver sadio e alegre, em atividades construtivas e beneficiadoras.

Uma questão que tem mobilizado a opinião pública é a aprovação do fundo eleitoral elevado pelo Congresso para R$5,7 bilhões para financiamento da campanha eleitoral de 2022. Seria isso a busca de compensação pelas perdas havidas com o crescente cerceamento de negociatas nos ministérios e nas estatais?

Se o governo vai fechando as torneiras do dinheiro fácil na administração do país, logo surgem outras de larga vazão do dinheiro público, para benefício da casta que se aboleta no poder para obter o máximo de vantagens, deixando de cumprir seu dever para com o Brasil e sua população. A natureza é o mais belo presente que a humanidade recebeu. Dela obtém-se a água que a tudo sustenta e os alimentos para conservação do nosso corpo. Com inteligência e capacidade de transformação, conseguimos grandes avanços, mas a um custo muito grande para o planeta.

A forma como exploramos as riquezas naturais, a falta de consideração para com o semelhante, e a quantidade de lixo que geramos chegaram a um limite perigoso, ameaçando não apenas as várias espécies animais e vegetais, como também a nossa própria sobrevivência. Os homens no poder e a humanidade em geral têm subestimado a força da natureza, julgando-se superiores, sem atentarem para as leis naturais.

A natureza está enviando seus recados em forma de catástrofes. De todas as formas chegam os sinais de que o viver na Terra seguiu por caminhos errados. Acontecimentos drásticos apontam para a necessidade de reconhecimento e mudanças.

As leis naturais ou leis cósmicas do Criador, que a tudo regem, trazem de volta a colheita do uso do livre-arbítrio e dos talentos inerentes ao espírito humano, destinados ao aprimora- mento da espécie humana. São o balanço contábil; a verificação do resultado das ações, e assim, naturalmente, as leis do Criador recebem um reforço, e tudo vai acontecendo cada vez mais aceleradamente.

O espírito foi encaminhado para a matéria grosseira para reconhecer a sua origem e se tornar forte, mas tinha de domesticar a vontade egocêntrica que se forma em seu cérebro, pois se não fizer isso se torna fraco e dominado, cego e surdo, para que não procure seriamente a Verdade e o reconhecimento do Criador e suas leis e, fatalmente, caminhará para ruína por vontade própria em vez de alcançar um viver abençoado.

BENEDICTO ISMAEL CAMARGO DUTRA – Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites  www.vidaeaprendizado.com.br e  www.library.com.br.  E-mail: bicdutra@library.com.br.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UM QUARTO DOS JOVENS TEM SINTOMAS DE DEPRESSÃO

Estudo sobre impacto da pandemia foi publicado em revista internacional de pediatria e agregou 29 pesquisas, com amostra de 80 mil crianças e adolescentes em todo o mundo; ansiedade atinge um quinto desse público

Uma em cada quatro crianças e adolescentes do mundo possui sintomas clínicos de depressão, e uma em cada cinco apresenta sinais de ansiedade, indica uma pesquisa que agregou 29 estudos numa amostra de 80 mil crianças no planeta todo. O trabalho, liderado por cientistas do Canadá, sugere que a prevalência de problemas mentais dobrou nesse grupo de jovens, em relação ao período anterior ao da pandemia de Covid-19.

O resultado foi publicado na revista JAMA Pediatrics, da Associação Médica Americana. Liderados pela psicóloga Sheri Madigan, da Universidade de Calgary, no Canadá, os autores do artigo afirmam que os serviços de atendimento à saúde mental infanto juvenil precisam ser ampliados para lidar com o problema, mesmo em países mais ricos.

“Muitas pessoas no mundo, em todas as faixas etárias, estão enfrentando problemas de saúde mental, mas os estudos que olharam para esses grupos separadamente mostram que o problema tende a ser maior com três grupos: em mães e pais; em estudantes universitários; e em crianças e adolescentes, que foi o recorte que estudamos”, disse a psicóloga Madigan.

ATENÇÃO MAIOR

De acordo com a pesquisadora, os números de alta prevalência em sintomas que apontam para transtornos mentais nos menores de idade devem servir de alerta para que governos e instituições deem mais atenção à questão.

Um dos motivos que levaram a essa epidemia infanto juvenil de depressão e ansiedade paralela à pandemia da Covid-19 é que, sem escola, muitas crianças tiveram de ficar em casa, privadas de interação social, de atividade física e outros fatores importantes para o desenvolvimento.

Nos casos mais problemáticos, algumas crianças ficaram até sem acesso a ensino, por não poder acompanhar aulas on-line, e em casas onde os pais não conseguiam dar atenção necessária a elas.

Quando o problema surgiu, dizem os cientistas, a maior parte dos países não estava preparada para ele.

“Cerca de 80% do atendimento de saúde mental para crianças e adolescentes no mundo é oferecido no ambiente escolar e, como muitas escolas fecharam durante a pandemia, muitos jovens ficaram sem acesso a esses serviços por muito tempo”, afirmou a psicóloga Madigan.

Segundo a pesquisadora, há coisas que famílias também podem fazer para minimizar o impacto sobre os jovens, como reduzir o tempo em que os menores de idade ficam à frente de telefones celulares, TVs e computadores.

“O que os pais podem fazer, na medida do possível, é tentar restabelecer um pouco da rotina e criar um ambiente com mais previsibilidade para as crianças, com sono e alimentação regulados e tempo de tela controlado”, explica a pesquisadora de Calgary.

Madigan diz que os responsáveis podem tentar compensar as atividades que os filhos perderam:

“Como as crianças ficaram em casa boa parte do ano, fizeram menos atividade extracurricular, menos atividade física e tiveram menos interações com colegas. Os pais podem tentar compensar um pouco isso”, afirmou.

Dentre os 29 estudos relacionados na pesquisa de revisão da psicóloga, 16 foram conduzidos na Asia, quatro na Europa, seis na América do Norte, dois na América Latina e um no Oriente Médio. Os pesquisadores não notaram muita diferença entre países de baixa e alta renda per capita, mas reconheceram que o estudo não foi desenhado para esse fim.

PESQUISA DA UNESP

O único estudo brasileiro incluído na análise foi realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP). Liderado pela enfermeira e sanitarista Maria Garcia de Avila, professora da Faculdade de Medicina, o trabalho usou um questionário para avaliar sintomas de ansiedade em crianças de seis a 12 anos durante o auge da pandemia, em 2020.

O formulário foi respondido por 289 crianças junto de seus pais em cidades de todo o Brasil. A prevalência estimada de sintomas clínicos de transtornos de ansiedade nesse grupo foi de 19,4%, taxa similar à média mundial verificada pelo estudo de Sheri Madigan.

Essa estimativa, no entanto, cresceu ao longo da pandemia do coronavírus, conforme Avila concluiu ao enviar o questionário para mais crianças.

“Passado um ano, em março de 2021, a gente coletou novamente esses dados, ampliando a amostragem”, afirmou Avila, que prosseguiu: “Tivemos 906 crianças que participaram com os pais ou responsáveis, e vimos que a parcela delas com os sintomas de ansiedade cresceu, para cerca de 25%.

No Brasil, renda e escolaridade pesaram muito na incidência infanto juvenil de ansiedade, segundo a pesquisa de Avila.

“As crianças que relataram ter pai e mãe em home office tiveram menor “score”, nota de ansiedade, e ocorreu o contrário com pais mais jovens em condições socioeconômicas mais baixas”, afirma a pesquisadora da Unesp.

CASAS CHEIAS

As altas concentrações de pessoas em uma mesma residência também pode estar ligada a casos de ansiedade, segundo a enfermeira:

“Ter muitas pessoas morando na mesma casa também foi um fator associado como causador de ansiedade nas crianças, e as crianças deficientes ou com comorbidade são as que mais sofreram”, afirmou ela.

Em adolescentes, Madigan afirma que muitos sofreram pela falta de interação afetiva e social. A ausência de rituais importantes de amadurecimento, como festas de formatura e competições esportivas, causaram muita frustração nessa faixa etária.

Resta saber, diz a pesquisadora canadense, se esses problemas vão persistir depois que as restrições impostas pela pandemia deixarem de existir.

“O retorno da taxa de prevalência desses sintomas para os níveis pré-pandemia vai depender das políticas e práticas que implementamos agora, porque em alguns casos eles podem se estender por prazos maiores”, diz Madigan.

POESIA CANTADA

ANDANÇA

ELIS REGINA

Andança foi uma canção composta em 1968 por três jovens músicos: Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós. Caymmi foi o responsável pela melodia da primeira parte e também pela usada em contracanto, uma das marcas registradas da canção. Edmundo compôs a segunda parte e a letra, por fim, ficou para Tapajós.

A composição aconteceu de maneira espontânea: os rapazes visitavam a jovem Beth Carvalho em seu apartamento no Leblon quando a canção ganhou vida. Beth, que acompanhou todo o processo, se apaixonou pelo resultado.

Os jovens músicos, que estavam no início de suas carreiras, não imaginavam o impacto que aquela composição teria na carreira de todos eles. 

Assim como acontece com grandes hits no mundo da música, Andança estava sempre tocando nas rádios, em festas, bares e restaurantes. O sucesso da canção acabou atraindo a atenção de outros intérpretes, que resolveram gravar suas próprias versões. 

Uma das primeiras regravações foi feita por ELIS REGINA, em 1972, para a trilha sonora da novela A Revolta dos Anjos. A versão de Elis fez bastante sucesso e, devido à proximidade ao lançamento da canção, acabou atraindo mais atenção para ela, o que contribuiu para sua ascensão nas paradas.

ANDANÇA

COMPOSIÇÃO: PAULINHO TAPAJÓS / EDMUNDO SOUTO / DANILO CAYMMI

Vim tanta areia andei
Da lua cheia eu sei, uma saudade imensa
Vagando em verso eu vim vestido de cetim
Na mão direita rosas
Vou levar
Vou levar

Me dá a mão
Amor
Me leva, amor
Por onde for, quero ser seu par
Me dá a mão
Amor
Me leva, amor
Por onde for quero ser seu par

Rodei na roda andei, dança da moda eu sei
Cansei de ser sozinha
Verso encantado usei, meu namorado é rei
Nas lendas do caminho
Onde andei
Onde andei

Me dá a mão
Amor
Me leva, amor
Por onde for, quero ser seu par
Me dá a mão
Amor
Me leva, amor
Por onde for quero ser seu par

OUTROS OLHARES

MATRÍCULAS EM TEMPO INTEGRAL CAÍRAM 31% EM CINCO ANOS

Estratégia é fundamental para contornar as perdas de aprendizado na pandemia, mostra especialista do Todos Pela Educação

Estratégia essencial para a recuperação de aprendizagem perdida na pandemia, o tempo integral (quando os alunos ficam pelo menos sete horas diárias na escola) tem diminuído no Brasil. A queda vai na direção contrária do que determina o Plano Nacional de Educação (PNE), lei que prevê como meta o país ter 25% das matriculas nesse modelo a partir de 2024. Em 2020, o país teve 12,9% de matriculas na educação básica com pelo menos sete horas de aulas diárias, modelo considerado padrão nos países com educação de ponta. Em números absolutos, são 31% menos alunos no tempo integral do que em 2015.

Os dados são do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2021, publicação de monitoramento da ONG Todos Pela Educação, lançada ontem em parceria com a Editora Moderna. O documento acompanha todas as etapas, modalidades e especificidades da educação brasileira, da educação infantil à pós-graduação.

Ainda de acordo com a publicação, a diminuição do número de matriculas está concentrada no ensino fundamental. Desde 2015, a etapa perdeu 63% de alunos estudando mais de sete horas por dia entre os 1º e 5º anos e 55% entre o 6º e o 9º anos. Já a educação infantil cresceu 13%, e, no ensino médio, a taxa dobrou, atingindo 103%.

“Isso aconteceu por causa do encolhimento do Mais Educação (programa do governo federal que ajudava a pagar parte dos custos domodelo integral) e da priorização do ensino médio nos últimos anos”, diz Priscila Cruz, presidente executiva do Todos Pela Educação.

PERNAMBUCO É REFERÊNCIA

Referência em tempo integral no país, a rede estadual de Pernambuco, no ensino médio chegou a 54% das matrículas nesse modelo, segundo dados do Anuário, e passará a 70% em 2022. Com alunos mais tempo na escola, conseguiu construir estratégias para atingir, entre as redes estaduais, o terceiro melhor Ideb do país, a menor distância de aprendizagem entre alunos de alto e baixo níveis socioeconômicos e as menores taxas de evasão.

“Mas não basta só ter tempo. Indiscutivelmente, o aumento da jornada contribui para a aprendizagem dos estudantes. Mas é preciso ampliar o olhar e garantir uma formação integral dos jovens, trazendo o aluno e o projeto de vida dele para o centro das práticas educativas”, afirma Maria Medeiros, secretária-executiva de Educação Integral e Profissional de Pernambuco.

Na avaliação de Priscila Cruz, o avanço das matrículas em tempo integral já era uma estratégia fundamental para melhorar a qualidade da educação antes da Covid-19, mas se torna imperativa para recuperar as perdas da pandemia.

O Anuário aponta ainda que as despesas empenhadas pelos governos estaduais em educação caíram 9% de 2019 para 2020, em termos reais, uma diminuição de R$ 11,4 bilhões.

Nos municípios, a retração foi de 6%, ou R$10,4 bilhões.

“As redes gastaram menos com despesas de manutenção, e deveriam ter usado esse dinheiro para outros desafios, como estruturar as escolas para a reabertura”, diz Cruz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 17 DE AGOSTO

BRIGAR É PERDA NA CERTA

Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas (Provérbios 17.14).

A discussão é o portal de entrada para uma briga, e uma briga é o campo aceso de batalha do qual todos saem feridos e com o sabor amargo da derrota. O simples fato de você entrar numa contenda já é derrota na certa. Entrar numa confusão é arranjar encrencas para sua própria vida. É provocar em si mesmo muitos desgastes. É usar o azorrague nas próprias costas. O começo de uma contenda é como a primeira rachadura de uma represa. Se essa rachadura não for tratada devidamente, pode provocar o rompimento da represa e desencadear uma avassaladora inundação. A atitude mais sensata é desistir da contenda antes que ela se torne uma rixa. Muitas inimizades desembocaram em tragédias e mortes. Muitas brigas resultaram em derramamento de sangue. Muitas discussões acabaram em verdadeiras guerras, e o saldo final desse embate é um desgaste enorme, com mágoas profundas e perdas para todos. Não vale a pena entrar em confusão. Brigar não compensa. Uma pessoa de bom senso põe um ponto final na discussão antes que as coisas piorem. Devemos ser pacificadores, em vez de promotores de contendas. Devemos perdoar, no lugar de guardar mágoa. Devemos tapar brechas, em vez de cavar abismos nos relacionamentos.

GESTÃO E CARREIRA

COBIÇADAS NA PANDEMIA, BIKES VOLTAM ÀS LOJAS

Fabricantes de bicicletas ainda sofrem com falta de componentes, mas aceleram a produção em mais de 40% neste ano e também aumentam a importação para evitar as filas de até dois meses registradas no ano passado

O setor de bicicletas no Brasil viveu um paradoxo em 2020, primeiro ano da pandemia. Assim como toda a indústria brasileira, o segmento sofreu com falta de peças importadas da China e de outros países asiáticos por conta das restrições impostas às cadeias de logística e de produção. Ao mesmo tempo, as vendas, que vinham em queda nos anos anteriores, dispararam. Foram 6 milhões de unidades vendidas no país no ano passado, incluindo importadas e usadas, 50% mais que em 2019. Em 2021, embora a falta de componentes continue, produção e importação foram incrementadas para dar conta de vendas que devem se manter em alta e não deixar faltar bike, promete quem atua no setor.

Não se vendeu mais bicicleta no ano passado porque faltaram exemplares nas lojas, que tiveram fila de espera de ao menos dois meses por uma bike novinha em folha. Para quem fazia questão de modelo ou cor específicos, o tempo de espera era ainda maior.

Em 2020. quando muita gente buscou bikes para substituir academias e transporte público, os fabricantes concentrados no polo industrial de Manaus produziram 665.186 unidades, 27,7% menos que em 2019. Na primeira metade deste ano, foram 355.717 unidades, alta de 42,6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Abraciclo, associação que representa os produtores. A previsão é que o total chegue a 750 mil unidades até dezembro.

80% DE PEÇAS IMPORTADAS

As bikes produzidas no país usam cerca de 80% dos componentes importados. A importação de bicicletas já montadas, que caiu 24% em 2020, também já se recupera. A movimentação do comércio exterior do setor (entre exportação e importação de produtos e peças) cresceu 122% entre os meses de janeiro e junho deste ano em relação ao mesmo período de 2020. Foram quase RS 200 milhões movimentados, o maior volume para o período na série histórica desde 2010.

“A falta de peças provocou um impacto global no setor. No Brasil, a maior procura por bicicletas começou a ser sentida no fim de abril do ano passado. Em julho, as vendas atingiram seu pico e cresceram 118% em relação a 2019, mas os estoques se esgotaram”, lembra Daniel Guth, diretor executivo da Aliança Bike, associação que também representa o setor, e um estudioso de mobilidade urbana.

AÇO FICOU MAIS CARO

Guth avalia que, sem a escassez de peças, as vendas poderiam ter aumentado 100% no ano passado. E os preços também não teriam subido tanto quanto os mais de 20% vistos nas lojas. Além da demanda acima da oferta, colaborou para isso a alta do dólar e de até cinco vezes no preço do frete internacional. O aço, principal matéria-prima, subiu cerca de 30%, ele estima.

Mesmo com a perspectiva de uma redução dos casos de Covld-19 com o avanço da vacinação, o mercado de bicicletas deve se mantar aquecido, avaliam os representantes do setor. Com o interesse por mobilidade sustentável crescendo nas grandes cidades brasileiras e o aumento do números de ciclovias, os fabricantes avaliam que vender bike será um bom negócio mesmo depois que a oferta se normalizar, o que só deve acontecer em 2022. Há ainda o crescimento do número de informais que atuam com bicicletas, como entregadores de aplicativos.

Outro estímulo à demanda é a ideia de associar locomoção e exercício físico, em busca de uma vida mais saudável. Pesquisa do Mercado Livre na América Latina, mostrou esse interesse em comum nas populações de Argentina, México, Colômbia, Uruguai e Chile.

“As pesquisas que acompanho, nos últimos dez anos, mostram que a facilidade de se locomover de um ponto a outro, a preocupação com a saúde e a economia financeira são os principais motivos da busca pela bicicleta”, avalia Guth.

A nutricionista com abordagem ayurvédica Márcia Blekaitis, de São Paulo, voltou a pedalar no ano passado, de duas a três vezes por semana, por causa da saúde. Com o fechamento de academias, a bike foi a alternativa encontrada para se exercitar. Ela já tinha uma, mas neste mês comprou uma nova, mais equipada, para fazer trilhas.

“Nem tudo o que você escolhe tem na loja. Percebi certo desabastecimento e dificuldade de encontrar o produto. Por exemplo, não tem todos os tamanhos e cores”, conta Blekaitis.

INVESTIMENTOS E VAGAS

Kleber Cincea, diretor executivo da KSW, fabricante nacional de quadros de alumínio para bicicletas avalia que a demanda par seus produtos na pandemia chegou a subir 100%. Este ano, está 50% acima do usual. A empresa passou a exportar para Argentina, Paraguai e Colômbia e acabou estimulada a investir na compra de mais dez máquinas e no aumento de 80% do quadro de funcionários.

“A falta de peças está estimulando também a produção nacional de itens que hoje são importados. O segmento está aquecido, a expectativa é de crescimento nos próximos anos com geração de empregos”, avalia Cincea.

EU ACHO …

RESSENTIDOS

O ressentimento macera, curte, degusta até a acidez do seu sofrimento

Talvez seja uma das molas da vida. E uma mágoa distinta do ódio simples. O ressentimento macera, curte, degusta até a acidez do seu sofrimento. É um sentimento que não espuma. Envenena mais do que explode. Rasteja nos recantos menos iluminados da alma edialoga com certo orgulho: o mundo deveria ter me dado mais do que eu tenho. E um impulso doloroso de comparação com aquilo que os outros são ou o que eu imagino que sejam. Confraterniza com a inveja e a cobiça, porém possui quarto próprio no nosso interior.

Eça de Queiroz lançou O Crime do Padre Amaro em 1875. A cena ocorre no Concelho de Leiria. Quando eu li o texto na adolescência, parecia ser um panfleto contra a Igreja lusitana. Também é. Todavia, o escritor fala da hipocrisia social em geral e, acima de tudo, do ressentimento. Amaro Vieira é pobre e viveu de favores na casa de uma aristocrata. Foi encaminhado ao seminário pela protetora, atendendo mais ao desejo dela do que de um vivo interesse do menino. Ordenado, foi nomeado para uma paróquia pobre e fria. Buscando a família protetora antiga e seus laços políticos, conseguiu ser transferido para uma cidade maior. Lá é recebido como hóspede em uma casa de família e vem a se apaixonar pela jovem Amélia. A “rapariga” está destinada a um rapaz da região, João Eduardo. A inimizade entre os dois homens é inevitável. Evitarei dar spoiler de um romance com quase 150 anos.

O ressentimento existe em todos de Leiria: liberais, padres, senhoras beatas, autoridades e jovens críticos do capitalismo. Quando o padre Amaro entende que não poderá ter sua amada, elabora um pensamento forte no final do capítulo oito. Suspira pelo poder de outrora da Igreja. Típico do ressentido, atribui ao mundo atual sua fraqueza. Não inclui suas escolhas, culpa Portugal e o século 19.

O trecho é extraordinário. Reflete o pároco: “Abominava então todo o mundo secular – por lhe ter perdido para sempre os privilégios: e como o sacerdócio o excluía da participação nos prazeres humanos e sociais, refugiava-se, em compensação, na ideia da superioridade espiritual que lhe dava sobre os homens. Aquele miserável escrevente podia casar e possuir a rapariga – mas quem era ele em comparação dum pároco a quem Deus conferia o poder supremo de distribuir o Céu e o Inferno?…”. Percebe que é uma grande autoridade dentro da igreja, porém, mal saía da Sé e já era um cidadão fraco na praça. Necessitava que jovens como João Eduardo e Amélia tremessem como outrora os leigos o faziam, respeitando, com isso, a batina. Amaro, o padre, é tomado pela ambição que Eça diz existir em todo religioso, um desejo de “dominação universal”. Pode ser um subdiácono ou um abade, todos trazem, dentro de si, os “indistintos restos dum Torquemada”.

Quero poder e o mundo me nega. Culpados? Os liberais, o mundo laico, o espírito do tempo que me castram, podam, limitam e reduzem. Os outros recebem mais do que eu da vida, ainda que eu suponha ter mais direitos. Atenção: o ressentimento é muito envergonhado. Assume ares de justiça social ou de moralização do mundo. Não mostra a dor do indivíduo: alega que quer melhorar a sociedade. Precisa potencializar sua força, por isso atrai pessoas para instituições que contenham hierarquias e tradição. As igrejas, a política, os sindicatos, as universidades, as redes sociais trazem ressentidos sempre em altos postos. Estão lá, lutando por grandes causas, inclusive como o citado Torquemada que pretendia uma Espanha pura e fiel à Igreja.

As devotas de Leiria e os padres vivem uma vida de aparências. A fé é a da conveniência. Fofocam com furor. Julgam sem caridade. Encarnam mais o fariseu bíblico do que o bom samaritano. Lamentam não terem toda a força. Invocam a moral e a ordem. Os liberais? Atacam os padres por não possuírem o poder que imaginam na Igreja. O mundo é da sotaina para eles e os tonsurados dizem que o inundo pertence aos secularistas. Todos se sentem impotentes e garantem que, se tivessem todo o poder, instaurariam o reino da felicidade total. Quantos projetos sociais e políticos teriam sido mais bem debatidos em um divã psicanalítico do que em um jornal…O ressentimento pode suspirar por Deus ou pelo império da Razão, porém, continua sendo o que é. Claro, eu ressentido, não falo da minha impotência: busco o bem de todos e, humildemente, imagino que um mundo feito a minha imagem e semelhança seria muito melhor do que o atual. Alguns reformadores transformam sua deficiência em projeto.

Machado de Assis não gostou do livro de Eça. Outros acusaram de ser plágio do enredo de um livro de Zola (La Faute del’abbéMouret). As datas não permitem pensar em inspiração ou plágio. Reli O Crime do Padre Amaro 40 anos depois da primeira leitura. Continua com trechos fascinantes e descrições hilárias.

O autor de Póvoa do Varzim parece mostrar que a vida social portuguesa era uma espécie de live, onde cada ator mostra o viés que acha conveniente. Eça revela e, assim, denuncia. Incomoda porque analisa cada imperfeição moral e ambiguidade humana. Qual teria sido o grande ressentimento de Eça? Ler ajuda a iluminar nossa esperança.

*** LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras, autor de ‘A Coragem da Esperança”, entre outros

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A EMOÇÃO E O SALTO

O que faz um atleta pular grandes alturas sem medo enquanto outros hesitam? Simone Biles, a melhor ginasta do mundo, disse sofrer por não saber como irá aterrissar. Já a brasileira Rebeca Andrade, após passar por três cirurgias, encontrou a paz e a vitória

O Brasil mostra seu melhor desempenho em uma Olimpíada no exterior até agora. Perdeu o medo de ganhar medalhas e seus atletas passaram a saltar como nunca. Coragem, superação e força de vontade são as palavras geralmente associadas não só aos vencedores, mas também àqueles que conseguiram ir até o Japão participar dos Jogos. E, diante das nossas conquistas, é impossível não fazer uma comparação entre as ginastas Rebeca Andrade e Simone Biles. A brasileira e a norte-americana possuem histórias de vida similares, de triunfo sobre condições adversas e na hora da competição apresentaram comportamentos exemplares, embora diferentes. Simone, considerada a melhor do mundo, se deprimiu e decidiu ficar no banco de reservas. O medo da lesão e da queda, resultado de seus “twisties” — a perda da noção de onde se está no ar e a partir disso não saber como cair — foi decisivo. O risco é grande, os movimentos da modalidade ocorrem em grandes alturas e exigem exímia coordenação motora. Muito além de um braço quebrado, há o risco de paralisia e até de morte. Já Rebeca conseguiu superar as dificuldades com alegria e deixou o mundo boquiaberto com seus saltos mortais e com o ouro e a prata olímpicos.

A psicóloga do Esporte e professora da PUC-SP Juliana Camilo explica que essa situação também é comum em outros esportes. “Já atendi um nadador de alto rendimento que tinha medo de morrer afogado na piscina. Mesmo sabendo nadar desde criança, a possibilidade era real para ele”, explica. O esporte, como um todo, lida com a dualidade da coragem e do medo, algo que leva corpo e mente ao limite. “A questão psicológica é muito atual e do nosso tempo, no passado nem sempre foi assim. A psicologia voltada ao esporte tem muitas frentes além do medo: o alto rendimento, o racismo, a aceitação LGBTQIA+. Não é uma área que molda o atleta para ser assim ou assado”, diz. Já a coragem vem desde a infância.

A professora e árbitra de ginástica olímpica Mônica Barroso dos Anjos, profissional que primeiro avaliou Rebeca Andrade aos cinco anos, explica que a idade ideal para começar na modalidade é entre os cinco e oito anos. “A criança não tem medo, vê como uma brincadeira. Cai e logo quer fazer de novo”, diz. O início precoce também é responsável pelo desenvolvimento motor da criança. Segundo Mônica, que treina jovens promessas no agora famoso Ginásio de Ginástica Bonifácio Cardoso, em Guarulhos, é muito difícil, apesar de não totalmente impossível, ver um atleta de alto rendimento começar com 12 anos. “O corpo já tem uma composição, as principais habilidades motoras já estão lá, o trabalho tanto da criança como do professor é muito mais difícil”, diz. Uma das habilidades que um treinador precisa ter é saber como segurar a criança diante dos tombos iniciais. Quanto mais pesada for, maior o medo e menor a segurança nos braços do profissional.

O RISCO DE LESÕES

Treinos, saltos, quedas em meio a competições de alto nível colocaram o corpo da ginasta brasileira de 22 anos e 1,54 metro de altura à prova. Isso porque Rebeca triunfou na Olimpíada de Tóquio após passar por três cirurgias no joelho. Na primeira, em 2015, a atleta rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito durante um treino para os Jogos Pan-Americanos de Toronto. Dois anos mais tarde, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito. A terceira cirurgia aconteceu em junho de 2019, após a atleta torcer o joelho operado. Dessa vez o ligamento precisou ser reconstruído. A vontade de desistir foi enorme. E teria razões de sobra para isso. O ortopedista e médico do Esporte Roberto Ranzini diz que a ginástica “exige muito dos joelhos em termos de estabilidade e capacidade de absorver os impactos dos saltos. Especialmente no caso das mulheres existe uma maior tendência a lesões ligamentares, como a da Rebeca”, explica. Os riscos de complicações pós-cirúrgicas são enormes e cada cirurgia exige um tempo maior de recuperação. “É mais do que surpreendente ela ter conseguido se recuperar depois de duas reoperações’”, explica.

Por isso, a coragem de Rebeca é tão comentada. Quando voltou a treinar, seu atual treinador, Francisco Porath, a carregou como uma criança recém-iniciada na modalidade. O olhar decidido da atleta antes de começar o solo ao ritmo combinado de Johann Sebastian Bach e MC João — na versão emocionante de “Baile de Favela” — mostrou ao mundo que a vontade de saltar foi maior que a vontade de desistir. As medalhas de prata e ouro, inéditas para o Brasil e para uma mulher negra brasileira, são gigantes. A influência que seu nome exerce agora é incontestável. O funcionário administrativo do ginásio onde Rebeca começou a treinar, Marcelo de Carvalho, se surpreendeu com a ligação da ISTOÉ: “Achei que era mais uma mãe buscando informações para matricular a filha”, disse rindo. “No dia que ela levou a prata, não consegui almoçar. Não saí do telefone”, disse.

A provação da atleta brasileira é comum para esportistas de ponta. O atleta Thomas Van der Plaetsen, da Bélgica, sofreu um grande tombo no salto a distância e permaneceu imóvel na areia. Saiu da prova em uma cadeira de rodas, sua perna direita parecia se curvar quando ele disparou para a tentativa do salto olímpico. O belga acabou sofrendo uma ruptura no tendão da coxa, uma contusão no joelho e uma ruptura nos ligamentos do pé direito, de acordo com um comunicado do Comitê Olímpico da Bélgica. A recuperação deve durar vários meses. Já a brasileira Ingrid Oliveira, que fez sua estreia olímpica no salto ornamental na altura de dez metros, também foi desafiada no pulo. Após ficar na 24ª posição, saiu da competição. Pular uma altura dessas, no entanto, é para poucos e o aprendizado de uma Olimpíada pode definir o futuro da carreira de Ingrid no esporte. Se no Brasil a torcida celebra esse feito, o país de Simone Biles não soube levar na esportiva. A imprensa americana pegou pesado com o desempenho corajoso, mas sem ouro, da atleta.

No Brasil, a performance de Rebeca inspira novos talentos. É o caso da jovem ginasta Manuela Kriegel, 11 anos, que treina quatro horas por dia, cinco dias por semana para um dia participar de grandes campeonatos. “Na pandemia, os treinos foram reduzidos, mas não vejo a hora de voltar com tudo”, disse. Quando começou, também em Guarulhos, aos 8 anos, já foi colocada entre as atletas que treinam para competir. “Eu tenho medo de cair, mas é muito legal ver as outras meninas conseguindo. Você quer fazer também”, diz. Ela afirma que seria um sonho participar de uma Olimpíada. “Quando eu tiver uns 16 anos ou mais, eu vou”, diz com confiança e alegria. “E vou para ganhar.”

POESIA CANTADA

CORAÇÃO DE ESTUDANTE

MILTON NASCIMENTO

Antes de falar dos sentidos que a música traz, vale a pena uma explicação rápida sobre a história dela: o músico Wagner Tiso criou sua melodia para o documentário Jango, que narra a trajetória política de João Goulart até ser deposto pelo golpe militar.

Após o lançamento do filme, Milton escreveu a letra inspirado pelas lembranças do velório do estudante Edson de Lima, morto pelos militares em 1968.

Rapidamente, a música foi abraçada pelos jovens que lutavam pelo fim da ditadura e era cantada em coro nas manifestações dos anos 80.

Logo em seu início, Coração de Estudante deixa claro que há um sentimento de agonia, de prisão, de algo que precisa ser liberado. 

Esse desejo demonstrado está claramente ligado ao contexto político vivenciado na época, em que as pessoas não tinham o direito de ir e vir, muito menos de se expressar. 

A procura pela liberdade marca cada verso, uma vez que ela pode estar em qualquer lugar, mesmo que silenciada naquele momento. Aqui já vemos como Milton usa as figuras de linguagem na letra, mostrando que a resistência pode estar dentro do peito ou pairando no ar. 

Os recursos como as metáforas e analogias, bastante usados pelos músicos da época, permitiam diferentes interpretações do mesmo trecho. Assim, a canção permitia vários significados e escapava da censura. 

Em 1983, ano em que a música foi composta, o governo militar já mostrava sinais de fraqueza.

Embora a mudança parecesse distante para muitos, ela podia ser vista em alguns lugares. O povo começava a despertar para a luta por dias melhores e isso trazia força e expectativa para dias melhores. 

É justamente a essa fé que o cantor se refere ao mencionar folha da juventude. O que se via nas ruas eram os jovens lutando por um futuro mais justo e livre, portanto muitos depositavam neles a esperança da transformação. 

Também conseguimos notar que, quando Milton fala do amor, ele inclui outras aspirações positivas que fluíam dos manifestantes, como a coragem, o respeito e a cultura. Por meio deles seria possível romper as barreiras da repressão e alcançar os tão sonhados direitos sociais. 

CORAÇÃO DE ESTUDANTE

COMPOSIÇÃO: MILTON NASCIMENTO / WAGNER TISO.

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor, flor e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração
Juventude e fé

OUTROS OLHARES

COM VACINAÇÃO, VOLTA DISPUTA POR DATAS PARA CASAMENTOS

Pandemia faz casais remarcarem os eventos com lista menor de convidados

O momento do “sim” foi um dos diversos afetados pela pandemia da Covid-19. Agora, o avanço da vacinação reacendeu a chama de casais que aguardam ansiosamente por essa oportunidade.

Com cada vez mais imunizados, saem de cena as remarcações e voltam as disputas por datas para as festas de casamento.

Em uma segunda-feira de novembro, a gerente comercial Gisele Brito, 39 pretende dizer um certeiro “sim” ao empresário Diogo Pereira, 41. O que em outros tempos seria conhecido como amor de Carnaval hoje é chamado de amor de pandemia.

Eles se conheceram em um aplicativo de encontros e, por causa das restrições do início de 2020, só se viram pessoalmente após um mês e meio e noites inteiras de conversa. O pedido de casamento veio em três meses. Em julho, bateram o martelo para a festa no fim de 2021.

O que motivou a escolha por uma segunda-feira foi a agenda concorrida. “Muitos estavam remarcando os casamentos do ano passado para agora. Ou a gente conseguia essa data ou ficava para 2022”, diz Gisele.

De acordo com ela, cerca de 90% dos convidados têm mais de 30 anos, o que deve garantir a vacinação completa até a cerimônia. A Covid, porém, deixou suas marcas. Ela perdeu o sogro e o pai.

O analista de negócios Guilherme Sisti e a vendedora Gabriela Duarte, ambos de 29 anos, também marcaram a boda. Eles se conheceram em janeiro de 2020 e agendaram a festa para agosto deste ano.

Os dois cogitaram alterar a data à medida que o número de mortos cresceu. “Para mudar, seria coisa de um ano, e para a gente iria ficar muito longe”, afirma Guilherme.

Durante a pandemia, eles entraram em divergência com as assessoras de casamento, que exigiram procedimentos como distanciamento social e o uso de máscara.

“A gente vai seguir os protocolos, mas não terá nenhum tipo de fiscalização. Vai ser pelo “feeling” de cada um.”

Para o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto Emilio Ribas, quem organiza um evento grande precisa entender que ainda não é possível controlar tudo, já que novas variantes, como a delta, e restrições estaduais podem surgir e obrigar casais a reorganizar a agenda.

“Nossa expectativa é de que a vacina possa alcançar o objetivo dela e reduzir a transmissibilidade dentro da comunidade de tal forma que as aglomerações em grandes eventos possam ser retomadas”, diz.

Para ele, o importante é estar imunizado. “Se você vai convidar pessoas que não querem tomar vacina, saiba que o risco é muito alto. Não é para ter pessoas desse grupo.”

O monitoramento da imunização alheia é feito com rigor pelo publicitário Caike Bueno e por seu noivo, o nutricionista Edson Oliveira, ambos de 26 anos. “Quem toma a primeira dose a gente anota, e quando algum convidado recebe a segunda já é marcado como imunizado”, explica o publicitário.

Sem ver a luz no fim do túnel, eles quase desistiram da festa de casamento. A data original era novembro de 2020 e foi adiada para o mês seguinte.

“Cancelar ia contra nosso sonho, ainda mais por sermos um casal homoafetivo e termos um carinho enorme da família. Muita gente aguardou esse casamento”, conta Caike, que namora Edson desde 2013. Recobrada a esperança, partiram para as remarcações e reduções na lista.

O “casamento real” deles virou uma cerimônia menor, marcada para dezembro deste ano, com 150 convidados.

A ideia era casar em um sábado, mas a remarcação exigiu jogo de cintura com os fornecedores. A prioridade foi a agenda do reverendo.

“Para casamento homoafetivo é um pouco mais difícil você conseguir a celebração religiosa. Geralmente é um celebrante ou cerimonialista, e a gente conseguiu um reverendo da Igreja Anglicana. Foi o match perfeito”.

Com o matrimônio agendado dede o fim de 2019, o advogado Marlon Monteiro, 29, e a esteticista Baltira Velasco, 36, acompanharam de perto a propagação do coronavírus no país, ainda mais quando Mato Grosso do Sul chegou a ficar com UTIs lotadas por semanas.

“Em março de 2020 começou a soar o alerta. A gente pensava que tinha um ano ainda pela frente e que daria tempo de todo mundo estar vacinado, diz Marlon, que se casou em julho, antes de ser imunizado.

A pandemia também afetou a data do casamento. Por causa das restrições em Campo Grande, eles adiaram a festa de sexta para domingo, a fim de fazer a celebração em horário mais cedo.

Juntos desde 2010 e atuantes na Igreja Apostólica da Santa Vó Rosa, o casal teve trabalho para adaptar o número de convidados aos tempos pandêmicos e cortar nomes do círculo religioso.

“Infelizmente, tivemos que tirar algumas pessoas que morreram por Covid”, explica. Dias antes do casório, pessoas cancelaram a presença e, no fim, cerca de 250 foram ver o “sim” dos pombinhos.

Após uma redução na procura por casamentos durante a pandemia. Victor Luz, presidente do grupo Calzone, diz que o avanço da vacinação fez crescer 60% a busca nos últimos três meses.

De olho nessa demanda represada, a rede abriu mais um espaço na capital paulista., já se adequando às demandas pandêmicas.

Para o Buffet Evento Perfeito, a procura cresceu cerca de 30%, diz a design de interiores Dori Baltokoski. Por ter 14 espaços, a rede conseguiu acolher casais que viram falir suas escolhas originais de salão. Como os locais comportam centenas de pessoas, a redução da capacidade imposta pelo governo não afetou os casamentos, que têm recebido até 200 convidados.

Já Miriam Catib, do Espaço Fiorello, viu a demanda crescer não para agora, mas para o ano que vem, inclusive de pessoas que planejavam se casar ainda em 2021.

“Estamos na terceira fase de remarcação de festas. Por nosso espaço ser fechado, eles têm um receio a mais de fazer”, afirma ela.

Tanto é que, nos últimos 15 meses, o local recebeu apenas um casório, para 130 pessoas.

A coordenadora de atendimento Rafaela Blacutt, 30, e o gerente de franquias Jorimar Lorenzi, 35, fazem parte do grupo que mudou a data duas vezes.

“Inicialmente, o “sim” seria dito em outubro do ano passado. A pandemia fez com que adiassem a festa para o fim deste ano; em junho, fizeram novo adiamento e remarcaram o casamento para outubro de 2022.

Muitos convidados têm de 30 a 35 anos e, como vivem em Santa Catarina, ainda não foram vacinados. E não lhes agrada a ideia de uma proteção parcial até o casório.

“A gente não quer colocar ninguém em risco e jamais iria se perdoar caso acontecesse alguma coisa com alguém no nosso casamento”, afirma a noiva.

A expectativa dos dois é que, até outubro de 2022, tudo melhore no país e no mundo.

“Esperamos que esteja numa normalidade 100% segura”, diz Jorimar. “A gente quer fazer uma festa do jeito que é para ser, sem pandemia”, completa Rafaela. Nós também.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 16 DE AGOSTO

NÃO PAGUE O BEM COM O MAL

Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa (Provérbios 17.13).

Alguém já disse que pagar o bem com o mal é demoníaco, pagar o bem com o bem é humano, mas pagar o mal com o bem é divino. Salomão não está falando aqui de ação, mas de reação. Não se trata de iniciar uma ação na direção de alguém, mas de reagir a uma ação direcionada a nós. O caso é que alguém pensou em nós, planejou o melhor para nós e fez o máximo bem a nós. Como retribuiremos tanta bondade? Como reagiremos a essa ação tão generosa? A atitude que todos esperam de nós é pagarmos o bem com o bem. No entanto, alguns indivíduos, mesmo sendo alvos do bem, retribuem com o mal. Mesmo abraçados, respondem com pontapés. Mesmo abençoados, reagem com injúrias e maldições. Jesus andou por toda a parte fazendo o bem. Curou os enfermos, levantou os paralíticos, purificou os leprosos, ressuscitou os mortos e anunciou o reino de Deus aos pobres. Como a multidão retribuiu tanta generosidade? Clamaram por seu sangue. Gritaram com sede de sangue diante de Pilatos: Crucifica-o, crucifica-o. Aqueles que pagam o bem com o mal receberão o mal sobre si mesmos. Aqueles que promovem a violência serão vítimas da violência. Aqueles que transtornam a casa dos outros verão sua casa transtornada.

GESTÃO E CARREIRA

OPEN BANKING ENTRA NA FASE DE COMPARTILHAMENTO DE DADOS

Clientes poderão permitir acesso de instituições a suas informações bancárias

Os clientes de grandes bancos e fintechs já começaram a perceberem seu dia a dia os efeitos do Open Banking. Sexta-feira (13), teve início o processo em que as pessoas poderão escolher se e com que instituição financeira vão compartilhar seus dados cadastrais, além de informações sobre transações em sua conta e histórico de crédito.

A ideia é que, com essas informações em mãos, as instituições financeiras possam oferecer produtos personalizados e mais baratos. Outra mudança poderá ser sentida no momento de abrir conta em um banco ou fintech. Com o compartilhamento de dados cadastrais, o processo deve ficar mais simples e rápido.

A promessa é que esse compartilhamento de dados estimule a competição, o que deve levar à redução das taxas cobradas pelos bancos, inclusive de juros.

Por exemplo, se uma fintech obtiver acesso a um histórico de crédito de 15 anos de um cliente de um grande banco, ela poderá oferecer produtos mais baratos e personalizados para essa pessoa. Além disso, futuramente, uma empresa pode lançar um agregador de ofertas de crédito e, usando o histórico de crédito de um cliente, apresentar aquelas mais baratas e com melhores condições.

“O Open Bank acirra a competitividade, você consegue colocar instituições entrantes que trazem nos processos custos menos onerosos que instituições mais tradicionais. Quem ganha com isso, no fim, é o consumidor”, afirma Luciana Simões Rebello Horta, advogada do escritório Baptista Luz Advogados.

A primeira fase deveria ter começado em 15 de julho, mas foi adiada pelo Banco Central (BC) a pedido das instituições financeiras, que queriam mais tempo para preparar seus sistemas. Na primeira fase, as instituições abriram informações básicas, como canais de atendimento e serviços oferecidos.

O BC ressalta que nenhum compartilhamento de dados será feito sem a autorização prévia. O prazo de compartilhamento tem limite de 12meses e pode ser revogado a qualquer momento pelo cliente. Ao fazer a operação, bancos e fintechs deverão descrever todas as informações a serem compartilhadas.

EM QUATRO ETAPAS

O advogado Guilherme Guimarães, sócio fundador do Guilherme Guimarães Advogados, lembra que o cliente deve avaliar se as instituições financeiras estão prestando informações claras sobre o uso dos dados:

“O cliente deve ficar atento sobre quais as medidas de segurança serão utilizadas pelas instituições financeiras na proteção dos seus dados, especialmente no caso de as operações ocorrerem com parceiros e correspondentes.

A segunda fase será implementada em quatro etapas, que se estenderão até 24 de outubro. Mas a terceira fase do Open Banking está marcada para começar em 30 de agosto. Nela, será possível fazer um pagamento usando o saldo da conta de uma instituição a partir do aplicativo de outra.

Já na fase 4, prevista para 15 de dezembro, o Open Banking se expande para além dos bancos. Dados de operação de câmbio, investimentos, seguro, previdência complementar aberta e contas-salário também poderão ser compartilhados com várias instituições”.

EU ACHO …

OS ASTROS E A PANDEMIA

É preciso fingir acreditar em astrologia se quiser ter sexo, saúde e paz

Todo mundo deve ter escutado alguém do seu círculo de relações dizer frases idiotas como “não acredito em vacinas”. Entre os idiotas há até médicos e pessoas que você sempre considerou bem informadas.

Há também aqueles que leram supostos artigos científicos que afirmam que quem não come carne não pega Covid, quem tem histórico de atividades físicas tem casos apenas leves de Covid – e, atenção, não me refiro ao idiota de Brasília, mas a pessoas que você classificaria como bem informadas. Há mais: quem tem sangue O+ não pega Covid, quem está com a vitamina D alta e, portanto, toma sol não pega Covid. A imbecilidade abunda sempre nas mentes. Por que você achou por um segundo que, na pandemia seria diferente?

Há aqueles que postam nas redes sociais supostos vídeos de supostas autoridades declarando secretamente dados secretos sobre pesquisas secretas que provam que vacina X, Y e Z não devem ser aplicadas porque causarão mis mau do que bem. Enfim, existem seres humanos que confiam mais em chás do que em vacinas.

Você já ouviu pérolas do tipo. ”Minha prima teve Covid, eu estive com ela e não fui infectado porque sou imune ao coronavírus: “. Eu sei o que vem à sua mente nessa hora: eu tenho mesmo que dividir o mundo com esse idiota?

Pois bem, e se alguma suposta pesquisa supostamente científica, comentada mesmo por gente com suposta credibilidade, tivesse provado que há um viés importante na relação entre os signos, os astros e a Covid? Você duvida que algumas dessas pessoas fofas e idiotas que você conhece acreditariam nessa bobagem?

É claro que hoje em dia, você precisa dizer que acredita em astrologia se tiver intenções de comer alguma novinha. Melhor concordar: Aliás, não há nada de errado nisso – se quiserem ter sexo, saúde e paz na vida, os homens sempre souberam que devem concordar com tudo o que as mulheres dizem. Nada mudou, aliás neste aspecto. Possivelmente, piorou.

Preste atenção! Há indícios que arianos são imunes ao coronavírus. Reconhecidamente, pessoas más, os arianos assustam até o coronavírus, quem tem medo de se meter com eles?

Escorpianos são outros que são imunes ao coronavírus devido ao alto índice de veneno no seu sangue, o que normalmente e causa altos níveis de rancor – mas, ao entrar em contato com o coronavírus, esse veneno se transforma em resistência natural. Aquarianos também são imunes, porque vivem à frente do nosso tempo, portanto, como mentes avançadas que naturalmente são, já estão na época em que a Covid-19 desapareceu do mundo.

Cancerianos são os que mais morrem de Covid, porque são pessoas muito sensíveis. Taurinos tendem a perder o paladar e a perder a libido e ficam mais deprimidos do que os outros signos quando se infectam, já que normalmente comem e transam o tempo todo.

Piscianos, que já são chapados por natureza, costumam ter mais sequelas cognitivas no pós Covid. Os librianos também apresentam altos índices de sequelas cognitivas, pois já apresentam uma mente confusa no dia a dia. Sagitarianos, que costumam estar bêbados metade do tempo em que estão acordados, juram que não pegaram Covid até agora porque o álcool aumenta a imunidade.

Capricornianos apresentam baixas taxas de complicações, porque são pessoas muito organizadas, disciplinadas e, por isso mesmo, quando contaminadas, montam toda uma agenda para derrotar o coronavírus em tempo recorde.

Outro signo que não sofre muito é o de virgem, já que essas pessoas acreditam piamente na força de uma mente disciplinada e limpa de qualquer energia contraproducente.

Os leoninos até se contaminam, mas ficam mais bonitos, com mais energia atingem uma autoestima ainda maior e respiram melhor, o que fez dele, objeto de muita pesquisa científica nos últimos meses. Geminianos conversam muito com o vírus e creem vence-lo pelo diálogo, jamais sincero.

Enfim, passe adiante essas informações confiáveis e combata o coronavírus com aquilo que você tem de mais seu – os astros conspirando a seu favor no universo. Gratidão acima de tudo e muito suco verde. E, para os miseráveis céticos, que continuem a comer carne e a morrer.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ – é escritor e ensaísta, autor de “Notas sobre a Esperança e o Desespero” e “Política no Cotidiano”. É doutor em filosofia pela USP.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O FIM DA GORDOFOBIA NOS CONSULTÓRIOS MÉDICOS

A obesidade deixa de ser encarada pelos profissionais de saúde como fruto de preguiça, descuido ou apenas um fator comportamental: para especialistas, compreender a doença de maneira mais ampla permite aliviar a pressão sobre o paciente

Assim que saiu da consulta com a endocrinologista, a enfermeira Carolina Salerna, de 36 anos, digitou uma mensagem no celular à médica dizendo que era a primeira vez que não se sentia julgada no consultório. Por conta de seu peso, Carolina normalmente era responsabilizada por especialistas diante dos números exibidos na balança, e pior, ouvia que era obrigada a dar “exemplo” por ser uma profissional da saúde. Mas desta vez ouviu sugestões mais amigáveis, como melhorar hábitos diários e ter uma alimentação melhor, pensando na saúde, em vez da ordem taxativa: “emagreça!”.

“Qualquer queixa que eu tivesse, mesmo que fosse uma dor de estômago, eu ouvia que precisava emagrecer. Muitas vezes isso é dito sem olhar na cara do paciente, sem tentar entender as razões da obesidade”, afirma Carolina.

A abordagem mais cooperativa, festejada por ela, passou a ser adotada em consultórios médicos das mais diversas especialidades, nos últimos anos. Trata-se de um reflexo do que se vê nos desfiles de moda e nas redes sociais, onde a aceitação de diversos tipos de corpos tornam-se um assunto de primeira hora e alta relevância. Os especialistas, porém, não se tornaram ávidos defensores do descontrole na balança. Em unanimidade, eles mantêm o posicionamento de que há uma série de fatores de risco à saúde atrelados à obesidade e ao sobrepeso, mas garantem que a conversa com os pacientes deve ficar na ala da saúde e do bem-estar e nunca descambar para orientações sobre visual e estética.

“Temos que combater a gordofobia. Mas se há um diagnóstico de obesidade, temos que propor um tratamento. A mudança do estilo de vida reduz o risco (de complicações de ordem) cardiovascular. É uma questão de saúde”, explica a endocrinologista do Hospital Vila Nova Star, Evelin Cavalcante.

COM AUTORIZAÇÃO

Os médicos dizem lutar contra um entendimento ultrapassado de que a obesidade seria fruto de preguiça, descuido. O excesso de peso pode ser causado por uma série de fatores hormonais, comportamentais e sociais. O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, Fabio Viegas explica que compreender a doença de maneira mais ampla permite aliviar a pressão sobre o paciente, que não pode controlar – absolutamente todos os fatores que envolvem seu aumento de peso.

Nesse sentido, saem de cena as tradicionais cobranças do tipo meta de quilos para se perder até a próxima consulta. E entram orientações mais brandas e focadas na melhora da saúde global, a exemplo de inserção da atividade física, quando o paciente não faz, ou ajustes na alimentação, além de rastrear fatores que possam estar comprometendo a saúde como um todo, como crises de ansiedade, problemas para dormir ou desordens metabólicas.

No consultório do endocrinologista especializado em obesidade Paulo Rosenbaum, do Hospital Israelita Albert Einstein, a conversa sobreo peso só é iniciada diante da autorização do paciente. Antes de fazer qualquer orientação, o médico pergunta se a pessoa está interessada em falar sobre o tema.

“O médico tenta ser parceiro do paciente. É alguém que vai colaborar com o tratamento, ajudar, mas levando em conta as necessidades e dificuldades de quem é atendido. Antigamente o médico era mais duro, impositivo. Hoje a tendência, com o acesso à informação, no Google, é que o médico fique como um tutor, orientador”, afirma Rosenbaum.

SOCIEDADE MODERNA

Nesse cenário, o termo obesidade mórbida, por exemplo, está caindo em desuso. A categorização mais adequada, dizem os especialistas, é por graus de 1 a 3. Em alguns consultórios também se evita o termo “gordo”, pois poderia incomodar parte dos pacientes.

 Não se trata de uma discussão secundária no âmbito da saúde. De acordo com dados de 2019 da Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis do Ministério da Saúde, 55% dos brasileiros estavam com excesso de peso e 20% com obesidade. O nutricionista Antônio Lancha Jr. da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, explica que as altas nas taxas de pessoas com excesso de peso é fruto também da organização da sociedade moderna que, entre outras questões, levou a população a ter menos esforços físicos na vida pessoal e profissional.

Diante do crescimento de relatos de intolerância em consultórios médicos, as psicólogas de São Paulo Lais Sellmer e Gabi Menezes criaram, em 2019, o grupo Saúde sem Gordofobia, que reúne o contato de cerca de 750 profissionais de diversas áreas que se classificam como “não gordofóbicos”. Antes de integrar o grupo, esses especialistas da área da saúde devem ser indicados por pacientes ou, quando se candidatam, têm as redes sociais averiguadas para checar se não há por ali indicativos de dietas milagrosas, por exemplo.

ESTILO DE VIDA

O grupo desenvolveu, recentemente, um curso voltado a profissionais da saúde em que orienta a abordagem correta aos pacientes, para não reforçar estigmas que acabam distanciando pessoas acima do peso de consultas de rotina, por exemplo.

“O médico não pode vir com prejulgamento (sobre o peso), ele precisa saber qual o objetivo da consulta, qual o estilo de vida do paciente e pedir os exames. Só depois falar sobre os tratamentos recomendados”, diz Lais Sellmer.

Embora haja avanços, o comportamento nos hospitais, dizem alguns especialistas, ainda precisa de mudanças mais profundas para que os pacientes acima do peso se sintam efetivamente aceitos e acolhidos.

“O estigma das pessoas com obesidade é uma realidade. Agora temos um pouco mais de consciência (do impacto da gordofobia nos consultórios médicos), mas ainda acontece. O objetivo tem que ser, sempre, ganhar saúde e não mudar o formato do corpo”, diz Cintia Cercato, endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

POESIA CANTADA

RELICÁRIO

CÁSSIA ELLER

Lançada em 2000, Relicário é uma das músicas do Nando Reis que as pessoas mais amam ouvir na voz de sua amiga e melhor intérprete, Cássia Eller.

Nando já disse se recordar do dia exato em que escreveu Relicário: 17 de agosto, dia do aniversário de sua mãe, Cecília.

O motivo do título da música envolve uma questão bastante sentimental: é um agrado à sua mãe que gostava de um bolero com o título Relicar

Carinhosamente, Nando diz que as lembranças que tem de sua mãe são muito preciosas para ele, e isso também tem relação com o nome da música: relicário é um local onde guardamos relíquias 

Mas essa letras tem muitas outras referências e significados, e é isso que vamos explicar hoje:

Nando já explicou sobre o contexto de Relicário: duas pessoas apaixonadas se encontram num fim de tarde, na hora do crepúsculo, e sabem que ficarão juntas apenas naquela noite. 

Então, a escolha de palavras de Nando para a letra faz uma relação entre o ambiente, os sentimentos, as cores, as emoções e o tempo, que é finito.

Dá play nessa versão de Relicário para ouvir essa preciosidade:

RELICÁRIO

COMPOSIÇÃO: NANDO REIS

É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o “A” de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso desse amor

Corre a lua, porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrário, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente, dura o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor
O que você está dizendo?
Um relicário imenso desse amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Porque que está fazendo assim?
Está fazendo assim!

OUTROS OLHARES

NA PANDEMIA, ALUNOS POBRES E PRETOS SÃO MAIS AFETADOS EMOCIONALMENTE

Meninas têm sentido com maior intensidade impactos como tristeza e medo.

A interrupção de aula na pandemia da Covid-19 afetou emocionalmente praticamente todas as crianças e os jovens de escolas públicas, mas o efeito foi maior entre os mais pobres e pretos. Asmeninas também têm sentido os impactos com maior intensidade.

Os dados estão em uma nova pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Lemann e Instituto Natura. O foco da rodada foi saber onde e como estão as crianças e os adolescentes enquanto as escolas ficam fechadas.

Para entender se a distância da escola tem afetado a saúde mental e comportamentos das crianças e adolescentes, os pesquisadores perguntaram se os estudantes ficaram mais nervosos, tristes, agitados ou com mais medo, entre outros pontos.

A lista foi elaborada a partir da consulta com especialistas e as metodologias consagradas sobre o tema.

Nas famílias com menor renda, 95% tiveram pelo menos algum dos sintomas. O índice foi menor nas famílias com maior renda, de 83%. Foram ouvidos 1.315 responsáveis, representando 2.151 crianças e jovens de 4 a 18 anos matriculados na rede pública ou fora da escola. Também foram consultados 218 jovens entre 10 e 15 anos.

As entrevistas ocorreram de 16 de junho a 7 de julho e os resultados têm abrangência nacional (com margem de erro que varia de 2 a 7 pontos percentuais para mais ou menos).

Mais da metade dos estudantes ouvidos ganharam peso, 45% ficaram mais agitados, 44% mais tristes e 40% mais nervosos.

As meninas enfrentaram mais problemas na pandemia da Covid-19: ganharam mais peso, dormem mais, ficaram mais tristes, quietas, nervosas e com mais medo do que os meninos.

O único quesito em que os meninos superam as meninas é na perda de interesse pela escola. No geral, mais de um terço dos estudantes perderam esse interesse: chega a 38% para os meninos e fica em 30% para as meninas.

Os responsáveis pela pesquisa interpretam os dados específicos como uma associação ao momento atual do ensino, preponderantemente de forma remota, uma vez que 75% das crianças de 10 a 15 anos dizem sentir falta de estudar e de aulas específicas e 60%, do convívio social e dos amigos.

Entre estudantes pretos, quase todos os indicadores são superiores (com exceção do ganho de peso). A maior diferença entre pretos e brancos é no nervosismo e na dificuldade de dormir.

Enquanto 36% dos estudantes brancos indicam estarem mais nervosos, o índice é de 46% entre pretos. Dois em cada três estudantes brancos relatam maior dificuldade para dormir, proporção que chega a três a cada dez entre os pretos.

Todos os indicadores de saúde mental e comportamento são desfavoráveis para os mais pobres.

Na pergunta sobre se crianças e adolescentes ficaram mais quietos, responderam afirmativamente 27% das famílias com renda de mais de 5 salários mínimos. O percentual bate 45% no grupo com ganhos de até 2 salários.

Segundo a diretora de projetos da Fundação Lemann, Daniela Caldeirinha, os dados chamam atenção para as desigualdades, mas também demonstram como os impactos têm sido vividos de modo genérico.

“As famílias que estão em escola pública não são um grupo heterogêneo, mas as questões ligadas ao comportamento estão presentes em toda amostra”, diz.

“O que vai fazer mais diferença no retorno será o acolhimento. Será um grande desafio porque os gestores e professores são pessoas que também viveram dramas grandes na pandemia”, afirma Caldeirinha.

O psicólogo Rubens Bias coordenador do Projeto de Escuta e Acolhimento no Distrito Federal, um coletivo de profissionais que atua desde 2018 e, na pandemia, tem se mobilizado com maior intensidade no diálogo com as escolas. Segundo ele, a pandemia reforçou como os aspectos sociais influenciam a saúde mental e a necessidade de políticas públicas direcionadas.

“Chama atenção o quanto pobres e negros sentiram um impacto maior, o que tem a ver com o quanto que as pessoas com dinheiro conseguem estruturar suas redes de cuidado e proteção”, diz. “É fundamental que a sociedade exija investimentos, com fortalecimento de centros de atendimento e ações nas escolas”. A pandemia e a interrupção de aulas impactaram a perspectiva futura das crianças e jovens: 66% afirmam que terão o futuro pouco ou muito prejudicado por causa dos efeitos da crise sanitária.

Somente 3% não estão matriculados. Quase 7 em cada 10 dos matriculados convivem com escolas fechadas e, entre os 34% que relatam a reabertura, menos de um terço teve apenas aulas presenciais – os estudantes que acompanham aulas online ficam em média 2h53 conectados.

Rodada anterior da pesquisa Datafolha, de junho, mostrou que a proporção de alunos pobres que tiveram acesso à reabertura de escolas era menor que a metade da registrada entre aqueles com maior renda.

Esse levantamento foi encomendado pela Lemann, Itaú Social e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). As escolas começaram a fechar em março de 2020 e o ano letivo avançou com apostas no ensino remoto, prejudicado por problemas de conectividade. A maioria dos estados planeja o retorno presencial para agosto, mesmo que de forma escalonada, como mostramos na semana passada.

Com a necessidade de ficar em casa, cerca de quatro em cada dez estudantes passaram a ver TV ou jogar videogame com mais frequência após a pandemia. Os dados mostram que 74% ajudam nas tarefas de casa e 6% trabalham.

Garantir a alimentação saudável durante o fechamento das escolas foi uma das maiores preocupações entre especialistas. A pesquisa mostra que 34% das famílias afirmam que a quantidade de comida para sua família foi menos do que a suficiente.

Esse percentual chega a 46% no Nordeste e entre pretos. “Sabemos que o ganho de peso, que aparece na pesquisa, tem relação com a qualidade da alimentação”, diz caldeirinha.

A merenda escolar, que conta com cuidados nutricionais, é essencial para muitas famílias. Segundo pesquisa, 41% receberam ajuda do governo ou da escola na compra de alimentos.

Uma das perguntas foi sobre qual era o sonho das crianças e jovens. Mesmo sem alternativas estipuladas, 17% das crianças e jovens relataram um sonho simples: que a pandemia acabe.

ONDE E COMO ESTÃO OS ESTUDANTES

Pesquisa investiga situação de crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 15 DE AGOSTO

UM HOMEM TOLO É MUITO PERIGOSO

Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos do que o insensato na sua estultícia (Provérbios 17.12).

Uma ursa, quando é roubada de seus filhos, fica muito violenta. Aproximar-se dela é colocar a vida em risco. A ursa é brava, forte, rápida e violenta. Não é sensato tentar medir força com ela, nem é seguro enfrentá-la cara a cara. Pois o sábio diz que lidar com uma ursa roubada dos filhos é melhor do que se encontrar com um homem sem juízo, ocupado em sua estultícia. O homem tolo é um laço de morte. Ele é assaz perigoso. Suas palavras são como uma armadilha. Suas atitudes são néscias e comprometedoras. Sua reação é intempestiva e violenta. Não é prudente lidar com pessoas irresponsáveis. Não é sensato conviver com aqueles que vivem dissolutamente. O primeiro degrau da felicidade é não darmos guarida aos conselhos perversos dos ímpios, afastarmos nossos pés do caminho dos pecadores e não nos envolvermos nos esquemas dos escarnecedores. O apóstolo Pedro abandonou Jesus no Getsêmani, seguiu-o de longe até o pátio do sumo sacerdote, mas, quando se misturou com os escarnecedores, negou-o três vezes, e isso de forma vergonhosa. O filho pródigo, enquanto vivia na casa do pai, estava protegido da dissolução, mas, ao rumar para um país distante, envolveu-se em muitas aventuras e gastou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Não ande com os tolos. Não se ponha a caminho com os insensatos.

GESTÃO E CARREIRA

COMO SE PROTEGER DOS GOLPES DE SMISHING

Nos últimos tempos, as formas de golpes e ataques cibernéticos vêm se tornando mais elaboradas e convincentes, agravando o risco de furto de dados pessoais e financeiros

Nessa categoria de crime encontra-se o Smishing, combinação de “SMS” e “phishing”, golpe no qual os criminosos virtuais enviam links e anexos com malware para roubar dados, sendo a isca, neste caso, uma mensagem de texto. Os criminosos enviam um SMS com conteúdo de urgência para a vítima, solicitando uma ação, como ligar para um número ou acessar um link malicioso.

Quando a pessoa clica, é baixado um vírus no celular, que concede acesso a dados pessoais e a tudo o que está no aparelho. De acordo com Oscar Zuccarelli, gerente de Segurança da Informação da CertiSign e especialista em proteção de dados e prevenção a fraudes, esse tipo de golpe está cada vez mais comum e os criminosos se aproveitam de situações cotidianas para mudar o chamariz e fazer mais vítimas.

“Se é uma época próxima de datas comerciais, eles usam promoções para chamar a atenção, por exemplo. Se estamos em meio uma campanha de vacinação, eles usam o argumento do agendamento. E assim por diante”.

O Brasil tem sido alvo constante desse tipo de cibercrime, principalmente durante o período da pandemia da Covid­19, em que o acesso à web tornou-se mais frequente, com a utilização de internet banking, aumento das compras online e potencialização de trabalho remoto.

Para Zuccarelli, existem cuidados simples que podem ser tomados para evitar cair nesse tipo de ataque:

• Não acessar links de mensagens de números ou remetentes desconhecidos.

• Não fornecer dados pessoais via mensagens de texto.

• Caso tenha dúvidas se o SMS que recebeu é realmente do seu banco, entre em contato diretamente com a agência.

• Recebeu mensagem sobre agendamentos, cobranças? Antes de clicar diretamente no link do SMS, acesse o site da empresa e veja se a informação procede.

Na checagem no site, também é preciso ter atenção. Faz parte do phishing produzir páginas falsas idênticas às verdadeiras para enganar o internauta. Para verificar se o site é verdadeiro, basta confirmar se ele está protegido por um certificado SSL emitido para o endereço em que você está. Para isso, clique no cadeado no navegador e confirme as informações.

Por fim, o especialista alerta: “Geralmente, criminosos utilizam gatilhos emocionais, como medo e confiança, o que pode ser ainda mais agravado com o fato de geralmente usarmos o smartphone em qualquer lugar ou momento, nos deixando mais propensos a ser pegos desprevenidos e clicarmos no link sem pensar. É importante prestar atenção em todas as mensagens que recebemos e, caso seja algo suspeito, não clicar e, até mesmo, bloquear, para evitar futuras complicações”, finaliza.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: www.certisign.com.br.