POESIA CANTADA

A VIDA NÃO PRESTA

LEO JAIME

LEO JAIME (nome artístico de Leonardo Jaime; nasceu em Goiânia, em 23 de abril de 1960) é um ator, cantor, compositor e jornalista brasileiro.
Participou da formação original do grupo carioca de rockabilly João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, e saiu do grupo para seguir carreira solo. Foi Leo Jaime quem indicou Cazuza à então nascente banda Barão Vermelho, recusando o posto de vocalista.
Leo Jaime fez muito sucesso na década de 80, onde emplacou vários hits nas rádios do Brasil, além de fazer trilhas sonoras para filmes e novelas. Seus principais discos solo são Sessão da Tarde e Phoda C. Lançou Todo Amor em 1995, uma obra de intérprete e Interlúdio, em 2008, com canções inéditas.
Como ator, Léo Jaime atuou na telenovela Bebê a Bordo, de 1988, como Zezinho, e nos filmes O Escorpião Escarlate, Rádio Pirata, Rock Estrela e As Sete Vampiras.
Também escreve para televisão, jornais e revistas.

A VIDA NÃO PRESTA

COMPOSIÇÃO: LEANDRO / LEO JAIME / SELVAGEM BIG ABREU

Você vai de carro prá escola
E eu só vou a pé
Você tem amigos à beça
E eu só tenho o Zé…

Prá consolar
As tardes de domingo
Que eu passo à sofrer
Sonhando em ter
Um carro conversível
Prá você me querer…

Quantas noites
Em claro eu passei
Tentando te esquecer
Quando à noite
Eu consigo dormir
Eu sonho é com você…

A me dizer:
Prá não ter ilusões
Que entre nós não pode ser
E é mesmo assim
Nem mesmo no meu sonho
Eu posso ter você prá mim…

Eu tentei naquela festa
Você fugiu de mim
E eu pensei:
A vida não presta
Ela não gosta de mim…(2x)

Eu pensei:
Ela não gosta de mim
Oh! Oh! Oh! Oh!
Ela não gosta de mim…

Eu pensei:
A vida não presta
Ela não gosta de mim
Oh! Oh! Oh! Oh!…

Eu pensei:
A vida não presta
Ela não gosta de mim
Uh! Uh! Uuuuuuuh!…

OUTROS OLHARES

CADÊ AS SOBRANCELHAS?

A tendência vinha de antes, mas a quarentena abriu espaço para a experimentação. Resultado? Os fios descoloridos conquistaram as mulheres que ditam a moda

Vem de longe o fascínio pelas sobrancelhas. Finíssimas como as de Greta Garbo ou grossas iguais às de Cara Delevingne, elas ajudam a contar capítulos decisivos da história da beleza feminina. No Egito, a homenagem ao Deus Hórus era feita com olhos e sobrancelhas fortemente delineados (quem se esqueceria de Cleópatra?). Na Grécia Antiga acreditava-se que a mulher que nascia com as sobrancelhas emendadas era abençoada pelos deuses. Ao longo dos séculos, sua forma e estilo passaram por muitas alterações, algumas radicais.

É o que ocorre neste 2021, depois de um ano e meio de quarentena e muitas experimentações na parte superior da face, a única de fora por causa das máscaras. Elas exibem agora uma coloração desbotada, quase imperceptível. Recentemente, celebridades como a atriz Maisie Williams, a modelo Haley Bieber, a influencer Kim Kardashian e a cantora Lizzo exibiram supercílios despigmentados no Instagram. As hashtags #bleachedeyebrows e # bleachedbrows (sobrancelhas descoloridas, em tradução livre) somam cerca de 50 milhões de menções no TikTok. De acordo com o mais recente relatório da rede de compartilhamento de fotos Pinterest, as pesquisas para “sobrancelhas descoloridas” cresceram 160%.

Os fios descoloridos desviam a atenção da metade superior do rosto. O efeito? Olhos e cílios em destaque e a face sutilmente equilibrada. O visual pode ser conquistado com maquiagem (corretivo e pós translúcido) ou por meio da descoloração dos fios com produtos químicos.

Nesse caso, é necessário cuidado. “O ideal é que o procedimento seja feito por um profissional especializado, pois há risco de reações alérgicas”, alerta a especialista em nano pigmentação Natalia Martins, CEO do Grupo Natalia Beauty. A inquietude feminina ao longo das décadas é pontuada pelas sobrancelhas. “As sobrancelhas dão expressão e dialogam com as questões estéticas de determinado período”, diz João Braga, professor de história da moda na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo. Hoje, com tanta ebulição e rapidez, é de esperar, portanto, que elas ainda mudem muito.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 31 DE JULHO

CUIDADO COM A ARMADILHA DA SEDUÇÃO

Quem fecha os olhos imagina o mal, e, quando morde os lábios, o executa (Provérbios 16.30).

Os olhos são as janelas da alma. Por eles entram a luz da bondade ou as sombras espessas da maldade. Aqueles que sorriem sedutoramente e piscam os olhos maliciosamente têm más intenções. Muitas aventuras loucas e paixões crepitantes começam com esse tipo de riso maroto, com um piscar de olhos sedutor, e terminam com lágrimas amargas e feridas incuráveis. Muitas jovens inocentes caíram na rede da sedução de conquistadores irresponsáveis, arruinando sua reputação e destruindo seus sonhos. Muitas mulheres destruíram sua vida e reputação porque se encantaram com falsos galanteios de espertalhões aproveitadores. Muitas mulheres casadas jogaram sua honra na lama, traíram seu cônjuge e quebraram a aliança conjugal porque foram apanhadas nessa rede mortal da sedução. Há pessoas que são surpreendidas pela falta, mas há outras que maquinam o mal. Há aqueles que escorregam e caem por falta de vigilância, mas há outros que incubam o mal no coração e buscam ocasião para executá-lo. Precisamos ter os olhos bem abertos e a mente bem aguçada para reconhecer essas armadilhas e fugir. O segredo da vitória contra a sedução não é resistir, mas fugir. Dialogar com o tentador já é o primeiro degrau da queda.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE FAZER EM MEIO A UM ATAQUE DE RANSOMWARE?

Identificação da variante do ataque e localização dos backups estão entre as ações recomendadas pela Fortinet

Os ataques de ransomware estão ada vez mais frequentes. De cordo com o relatório global de ameaças do FortiGuard Labs, da Fortinet, esse crime aumentou sete vezes na última metade de 2020 e se tornou ainda mais extensivo, atingindo quase todos os setores e países do mundo.

Ao mesmo tempo, as táticas dos criminosos mudam constantemente e já não basta possuir as estratégias defensivas corretas, mas avaliar continuamente as políticas de segurança, para garantir que as redes possuam as respostas atualizadas contra esse tipo de ataque.

Com isso em mente, a Fortinet, líder global em soluções de cibersegurança, preparou um checklist para ajudar organizações a lidarem com um ataque de ransomware quando ele acontecer:

EXECUTE O PLANO DE RI: Se disponível, comece a executar seu plano de resposta a incidentes (RI) imediatamente. Se você não tiver um, as etapas abaixo podem ajudar. Em alternativa, contate o seu fornecedor de segurança para obter ajuda ou reporte o incidente à sua companhia de seguros; eles podem já ter uma lista de provedores de segurança especializados que podem ajudá-lo. Considere o potencial impacto que o incidente de segurança pode ter.

ISOLE SEUS SISTEMAS E INTERROMPA A PROPAGAÇÃO: Existem várias técnicas para isolar a ameaça e impedir que ela se espalhe. Primeiro, identifique o alcance do ataque. Se o incidente já for generalizado, implemente bloqueios no nível da rede, como isolar o tráfego no switch ou na borda do firewall, ou considere desligar temporariamente a conexão com a Internet. Se disponível, a tecnologia de detecção e resposta de endpoint (EDR) pode bloquear o ataque no nível do processo, o que seria a melhor opção imediata com o mínimo de interrupção dos negócios. A maioria dos invasores de ransomware encontra uma vulnerabilidade para entrar em sua organização, como RDP exposto e e-mails de phishing.

IDENTIFIQUE A VARIANTE DO RANSOMWARE: Muitas das táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) de cada variante de ransomware estão documentados publicamente. Determinar com qual cepa você está lidando pode dar pistas sobre a localização da ameaça e como ela está se espalhando. Dependendo da variante, algumas ferramentas de descriptografia podem já estar disponíveis para você quebrar a criptografia de seus arquivos.

IDENTIFIQUE O ACESSO INICIAL: Determinar o ponto de acesso inicial, ou o primeiro sistema comprometido, ajudará a identificar e fechar a brecha em sua segurança. Os vetores de acesso inicial comuns são phishing, exploits em seus serviços de borda (como serviços de Área de Trabalho Remota) e o uso não autorizado de credenciais. Determinar o ponto inicial de acesso às vezes é difícil e pode exigir a experiência de equipes forenses digitais e especialistas em RI.

IDENTIFIQUE TODOS OS SISTEMAS E CONTAS INFECTADOS (ESCOPO): Identifique qualquer malware ativo ou sobras persistentes em sistemas que ainda estão se comunicando com o servidor de comando e controle (C2). As técnicas de persistência comuns incluem a criação de novos processos que executam a carga maliciosa, o uso de chaves de registro de execução ou a criação de novas tarefas programadas.

DESCUBRA SE OS DADOS FORAM EXFILTRADOS: Muitas vezes, os ataques de ransomware não apenas criptografam seus arquivos, mas também exfiltram seus dados. Eles farão isso para aumentar as chances de pagamento de resgate, ameaçando postar dados proprietários ou embaraçosos online. Procure por sinais de exfiltração de dados, como grandes transferências de dados em seus dispositivos de borda de firewall. Procure comunicações estranhas de servidores que vão para aplicações de armazenamento em nuvem.

LOCALIZE SEUS BACKUPS E DETERMINE A INTEGRIDADE: Um ataque de ransomware tentará limpar seus backups online e cópias de sombra de volume para diminuir as chances de recuperação de dados. Por isso, certifique-se de que sua tecnologia de backup não foi afetada pelo incidente e ainda está operacional. Os invasores geralmente ficam em sua rede por dias, se não semanas, antes de decidirem criptografar seus arquivos. Isso significa que backups podem conter cargas maliciosas e que não podem ser restaurados para um sistema limpo. Analise seus backups para determinar sua integridade.

LIMPE OS SISTEMAS OU CRIE NOVAS ARQUITETURAS: Se existe confiança na capacidade de identificar todos os malwares ativos e incidentes de persistência em seus sistemas, então talvez não seja necessário reconstrui-los. No entanto, pode ser mais fácil e seguro criar sistemas novos e limpos. Você pode até considerar a construção de um ambiente limpo e totalmente separado para o qual poderá então migrar. Isso não costuma demorar muito em um ambiente virtual. Ao reconstruir ou higienizar sua rede, certifique-se de que os controles de segurança apropriados estejam instalados e de que estejam seguindo as práticas recomendadas para garantir que os dispositivos não sejam infectados novamente.

REPORTE O INCIDENTE: É importante relatar o incidente. É preciso também determinar se o relato às autoridades legais é necessário e obrigatório. Sua equipe jurídica pode ajudar a resolver quaisquer obrigações legais em torno de dados regulamentados. Se o ataque for grave e sua empresa abranger várias regiões geográficas, você pode precisar entrar em contato com os serviços de aplicação da lei nacionais e não locais.

PAGANDO O RESGATE?: As autoridades policiais desaconselham o pagamento do resgate, no entanto, se você estiver pensando em fazê-lo, deverá contratar uma empresa de segurança com habilidades especializadas para ajudá-lo. Além disso, pagar o resgate não corrigirá as vulnerabilidades exploradas pelos invasores, portanto, certifique-se de ter identificado o acesso inicial e fechado as brechas.

CONDUZA UMA REVISÃO PÓS-INCIDENTE: Analise sua resposta ao incidente para entender o que deu certo e para documentar oportunidades de melhoria. Isso garante a melhoria contínua de suas capacidades de resposta e recuperação para o futuro. Considere simular os detalhes técnicos e não técnicos do ataque para que você possa revisar suas opções.

“Quando ocorre um ataque de ransomware, tomar as medidas corretas é essencial para minimizar o impacto sobre a equipe e a organização”, explica Alexandre Bonatti, diretor de Engenharia da Fortinet Brasil. “Depois que um ataque ocorre, o pânico pode se espalhar pela empresa e criar problemas maiores. Os CISOs sabem que sobreviver a um ataque de ransomware requer um plano de resposta a incidentes, mas o desafio está na hora de documentar um plano completo e ter os recursos certos para implementá-lo quando necessário.”

EU ACHO …

A DOR DO PAVÃO E A NOSSA

O que você tem eu não tenho e, como defesa, me agarro ao que parece melhor em mim

A cauda do pavão macho encanta a humanidade há milênios. São tons hipnóticos de verde e de azul brilhante, como se mil olhos abertos nos desafiassem. É um símbolo nacional da Índia. Conduz deuses como Escanda (Kartikeya) na tradição hindu.). Foi gravado em tronos por toda a Asia como símbolo da realeza. Mesmo na variante inteiramente branca, a majestade da ave impressiona. Em versão barroca intensa ou minimalista moderna, o pavão parece ter um impacto estético insuperável.

A beleza do animal, claro, será alvo de detratores. Sempre fomos duros com glórias alheias. Pavão virou símbolo do orgulho e da vaidade. O verbo “pavonear-se” implica ostentação. Pobre ave que não parece mais humilde ou cheia de soberba do que um simples pardal. Os animais são espelhos antropomórficos das nossas dores e anseios. A abelha é trabalhadora, a águia, corajosa, a raposa, astuta e o pavão…orgulhoso. Será?

Várias histórias ilustram bem o processo, quase todas atribuídas a Esopo. O pavão foi ligado à rainha dos deuses na Grécia, Hera (a Juno romana). Ao ouvir o canto mavioso do rouxinol, a ave foi se queixar a sua protetora. Como uma ave pequena tinha uma voz tão extraordinária? A lenda narra que a deusa desconversou: “Não se pode ter tudo!”. Em outra cena, ao reivindicar o título de rei das aves, o pavão teria invocado sua beleza. O corvo indagou se as garras do vaidoso emplumado seriam fortes e suficientes para defenderem o reino do ataque das águias? Ainda outra: ao ver a cauda orgulhosa do pavão aberta, a garça perguntou se suas asas eram fortes para que ele voasse no alto céu. O pavão sabemos, voa como as galinhas: de forma curta e desajeitada. Nas três historietas, a mesma característica. Sim, reconhecemos sua beleza, porém há algo em você que pode ser atacado: a voz, os pés ou a força das asas. Como eu tenho algo em mim que pode lhe ser superior (sou um rouxinol, uma garça ou um águia), reconheço que nós dois temos uma carência: o que você tem eu não tenho e, como defesa, eu me agarro ao que parece melhor em mim. Sem querer, as narrativas tornam-se não apenas fábulas morais (cuidado com a vaidade), porém, igualmente, psicanalíticas (sua crítica pode ser um espelho das suas carências).

Há uma narrativa na qual o pavão não é o único vilão soberbo. Trata de uma gralha que, invejando o brilho do bando colorido, pegou penas caídas e encheu o corpo com elas. Assim disfarçada, foi para o meio que almejava. Descoberta, foi bicada com fúria pelos pavões. Magoada e ferida, voltou ao bando das gralhas que a rejeitou, pois, agora, tinha se mostrado insatisfeita com a origem e incapaz de ascensão.

Quase sempre as narrativas tradicionais indicam a humildade como virtude suprema. Estar resignado com a posição de origem é indicado como preceito de felicidade. Talvez tenham sido compostas para aquietar ambiciosos, calar pessoas insatisfeitas ou invocar uma ordem preestabelecida e imutável. Pior: o desejo de mudança é ruim em si. Quem nasceu gralha assim morrerá! Esopo talvez não endossasse todos os ideais de empreendedorismo.

Sim, a cauda do pavão incomoda. Seria ele orgulhoso? Claro que se trata de uma projeção nossa. O leão não manda nos animais porque teria sido sagrado rei. Ele come animais menores como as zebras e foge dos maiores, como elefantes. A cobra não é traiçoeira nem o hipopótamo “gordo”. São animais bem adaptados a um meio e com os recursos que a evolução lhes conferiu. O ser humano projeta seus medos e anseios para os degraus zoológicos e vegetais que contempla. Lembro-me de um amigo dando um conselho de dieta e insistiu que eu evitasse o modelo do urso. Por quê? Ele come doce (mel), frutas e proteína (peixes), logo, fica obeso. Imaginei se um urso fitness enfrentaria bem o rigoroso inverno ou a hibernação. Fosse Esopo e surgiria a fábula do enterro do urso que teve a vaidade de só tomar uma sopinha leve à noite para manter a forma esbelta.

Há, sim, muitas pessoas vaidosas como o pavão, ou… como imaginamos que o pavão seja. A questão do orgulho alheio é sempre incômoda. Desagradável quem proclama suas virtudes reais ou exageradas em microfones potentes. Porém, entendemos também que mesmo as virtudes de alguém que seja humilde nos incomodam. Uma vez, um amigo, sabendo que sou próximo da atriz Maria Fernanda Cândido, brincou que ela deveria ter um chulé terrível, porque ninguém poderia ser tão perfeita assim. Versão humana da crítica do corvo da lenda? Bem, parece que ela não tem e teremos de conviver com a beleza ou o talento de muita gente que ilumina, com sua luz própria, a nossa sombra. Para minha dor, o pavão que abre e exibe sua potência estética é insuportável. Reconheço que, sendo a cauda belíssima, o pavão que só a ostenta em lugares discretos também incomoda. Por fim, fazendo muita terapia, a simples existência do pavão pode ser causa de um enorme incômodo. O mundo não é justo. Bem, existe muita gente linda, brilhante, rica, agradável e, ainda por cima, carismática. Ao menos a mim, ave pequena, sozinho em meu quarto, esmagado pelo esplendor alheio, restou-me o pífio consolo: “A voz? inferior à do rouxinol”. Melhor nem trazer à tona quem veio sem a plumagem do pavão, a voz do rouxinol, as asas da garça ou sequer a garra da águia. Que espectro político atenderá este ser? Boa semana

***LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras, autor de “O Dilema do Porco-Espinho”, entre outros

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FELICIDADE INTEGRADA – I

Formas de intervenção, como coaching, Psicologia Positiva e TCC, apesar de suas diferenças conceituais, se aproximam na prática, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas

COACHING NA ANTIGUIDADE

Estudo de especialista evidencia que tanto no Ocidente quanto no Oriente existe a ideia do aperfeiçoamento de habilidades, focando principalmente o treinamento físico

Apesar das semelhanças e de reunirem condições de trabalhar de forma integrada, o coaching, a Psicologia Positiva, assim como outras formas de intervenção, guardam diferenças. No entanto, a Psicologia Positiva é relevante no processo de transformação e consolidação do coaching em uma metodologia cientificamente reconhecida. Ao contrário do que se imagina, o coaching deu seus primeiros sinais já na Antiguidade. A coach Vikki Brock, em sua tese de doutorado (2008) e diversos artigos publicados, realizou um estudo sobre as raízes do coaching. Para ela, há indícios de que o processo remonta desta época. Tanto no Ocidente quanto no Oriente existe a ideia do aperfeiçoamento de habilidades, focando principalmente o treinamento físico. No Ocidente, tem-se o atletismo, cujo papel do treinador é evidenciado nos desenhos presentes em ânforas gregas. Por sua vez, no Oriente, essa ideia estará representada nas artes marciais, na figura do mestre. Ela defende ainda que Sócrates atuava como coach, uma vez que encorajava o autoconhecimento. Assim como Confúcio e Buda queriam que as pessoas encontrassem as próprias respostas para suas questões.

Mas modernamente, entre 1930 – 1950, consultores, terapeutas e psicólogos organizacionais iniciaram um trabalho com executivos onde estes eram aconselhados através do uso de práticas semelhantes aos que hoje temos no coaching. O foco era em vendas, em como se tornar um melhor vendedor. A abordagem era motivacional e voltada para aumento de performance e desenvolvimento gerencial.

Nos anos 1960-1970 apareceu o termo “consultor de processo” e criaram-se programas para a liderança, que eram aplicados nas empresas. Havia uma expectativa que o líder empresarial unisse o desenvolvimento da organização ao estudo da Psicologia emergente na época, sobretudo a visão comportamentalista americana.

É publicado, em 1974, o livro de Tim Gallwey, The Inner Game of Tennis. Nessa obra, Gallwey relata o que acontece na mente dos jogadores durante uma partida, levando-os a perder o foco e a atenção. Gallwey desenvolve uma metodologia na qual a mente toma consciência através da observação direta e do não julgamento, aumentando a aprendizagem, o desempenho e o prazer no jogo. Essa metodologia do mundo esportivo é adaptada ao mundo dos negócios e passa a ser chamada de coaching.

Na década seguinte, nos Estados Unidos e Reino Unido, empresas começam a oferecer treinamentos individuais e empresariais em coaching. Outras propostas surgem como a de John Withmore, piloto de corrida, que desenvolve um modelo de coaching com o objetivo de ensinar as pessoas a aprenderem a partir de perguntas abertas que levasse ao aumento da percepção quanto ao seu estado atual e das possibilidades para o futuro.

Em 2000, o movimento da Psicologia conduzido por Martin Seligman é integrado ao coaching. A Psicologia Positiva é o nome guarda-chuva dado ao campo de pesquisa e de aplicação da Psicologia que trabalha com aquilo que funciona no ser humano. Estuda as condições e as experiências que conduzem ao bem-estar e à felicidade.

Em 2005, Seligman propõe um modelo de coaching de Psicologia Positiva chamado Authentic Happiness Coaching, ou Coaching da Felicidade, com o objetivo de oferecer um conjunto de técnicas para estimular a felicidade. Baseia-se na ideia de que a felicidade pode ser alcançada por todos e que as habilidades envolvidas na criação de uma vida mais feliz podem ser aprendidas. Isso inclui o ensino de habilidades para o pensamento otimista; a identificação e utilização dos pontos fortes; e o desenvolvimento de relações positivas.

VISÕES

Coaching e Psicologia Positiva são ramos que podem ter relação direta com a terapia cognitivo­ comportamental (TCC). Os autores Mônica Portella e Maurício Canton Bastos, durante o período que tiveram contato com alunos de diversas origens, interessados na formação em TCC, no Centro de Psicologia Aplicada e Formação em TCC (CPAF-RJ), encontraram muitas visões (crenças) a respeito desse modelo. Alguns consideram que essa é uma terapia superficial, que trata de sintomas, mas não se aprofunda nas reais fontes dos conflitos, de modo a gerar resultados apenas transitórios e paliativos. Outros consideram o modelo como rígido e inflexível, de modo a apenas beneficiar algumas poucas categorias de pacientes. Outros ainda consideram que esse é um modelo baseado na aplicação de princípios estudados em ratos e outros animais e que não fazem justiça à complexa subjetividade do sujeito.

Muitas outras concepções distorcidas são apresentadas, mas vamos destacar essas como estando na base da maioria delas. Além disso, a TCC recentemente vem ampliando o escopo de suas intervenções a partir do que vem sendo conhecido como a terceira onda nas TCCs.

As abordagens de terceira onda incluem a valorização cada vez maior do uso da relação terapêutica como instrumento de mudança, a importância das emoções como estratégias de intervenção e, até mesmo, a inclusão da releitura de estratégias milenares (meditação) como técnica para potencializar o processo terapêutico. O objetivo é apresentar uma visão ampliada da TCC, a partir das descobertas oriundas dos estudos em Psicologia Positiva e sistemas dinâmicos.