A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INDIVIDUAL OU EM GRUPO?

Em ambos os formatos de supervisão, o trabalho do supervisor deve sintetizar na sua condução do processo, muitos dos pressupostos da TCC

O desenvolvimento das habilidades clínicas em terapia cognitivo-comportamental (TCC) dependem de uma formação robusta baseada em sólidos conhecimentos teóricos e extensiva prática supervisionada. Nesse sentido, cada vez fica mais ratificada a importância de estudos que explicitem os métodos mais eficientes para o ensino da psicoterapia, tanto em aulas quanto nos momentos de supervisão.

Algumas organizações profissionais (como Academia de Terapia Cognitiva, Sociedade Internacional de Terapia do Esquema e, no Brasil, a Federação Brasileira de Terapias Cognitivas), ao  perceber que a grande maioria dos programas de treinamento em TCC ocorre em institutos privados, buscaram definir alguns parâmetros fundamentais que devem ser contemplados no ensino e supervisão dos terapeutas em formação, tais como: a estruturação do tratamento e das sessões; os conhecimentos de psicopatologia ateórica e teórica para o estabelecimento de hipóteses diagnósticas; os domínios sobre os formulários de conceitualização cognitiva de casos, que leva o aprendiz a ter um entendimento dinâmico e coerente de todos os dados da história de cada um de seus pacientes; o conhecimento das habilidades técnicas básicas das TCCs, como, por exemplo, da descoberta guiada e do Diálogo Socrático.

Já no que diz respeito à parte prática, a maioria das diretrizes indicam a necessidade de exercícios práticos (para o treinamento de habilidades de entrevista e intervenções) e da supervisão sistemática de casos.

Considera-se que um terapeuta cognitivo realmente qualificado tenha passado por extensiva prática supervisionada, podendo ter seu aperfeiçoamento como terapeuta monitorado e lapidado por supervisor experiente.

Os objetivos que a vivência dos atendimentos supervisionados deve alcançar junto aos terapeutas em formação são:

1) aprendizado de como estabelecer e manejar a aliança terapêutica;

2) habilidade em realizar conceitualizações de caso que permitam a elaboração de um plano de tratamento objetivo, gradual, consistente e viável à realidade do paciente;

3) favorecer a identificação pelo terapeuta de seus próprios esquemas mentais desadaptativos, em especial aqueles comumente ativados no trabalho com seus pacientes, minimizando os efeitos destes na psicoterapia;

4) aperfeiçoar as estratégias terapêuticas, bem como treinar algumas técnicas a serem utilizadas em cada caso supervisionado, permitindo assim respeitosos feedbacks positivos e negativos sobre a implementação das intervenções do supervisionando.

Os formatos das supervisões podem ser individuais ou em pequenos grupos. As supervisões individuais estão usualmente presentes nos programas de treinamento mundo afora. Isso porque, historicamente, esse foi o primeiro formato adotado. Ele é quase sempre exigido, em alguma proporção, para a certificação avançada de terapeutas, pois tem a vantagem de fornecer mais tempo para que o supervisionando traga detalhadamente cada um dos casos que está atendendo, e que, com a ajuda do supervisor, possa ver as influências de seus esquemas desadaptativos sobre o tratamento; aspecto este tão enviesador dos resultados da psicoterapia.

No contexto da supervisão individual, a relação supervisor-supervisionando acaba por reproduzir posturas empáticas e de fortalecimento de relações estáveis e interativas, terminando por gerar um momento propício a um aprendizado que vai muito além do verbal ou daquilo que pode ser lido; ou seja, de aspectos sutis de sua personalidade e de seus estilos de enfrentamento.

O formato em pequenos grupos traz como principal vantagem a possibilidade dos supervisionados aprenderem com os casos dos seus colegas de grupo. Também permite que haja o aprendizado de diferentes técnicas de uma forma mais dinâmica e prática, por meio de simulações (role playings) de situações de cada um dos casos em discussão. Outro aspecto interessante da prática grupal é que, pelo tempo mais exíguo para a supervisão de cada caso, algumas regras tendem a ser implementadas na apresentação dos casos, como, por exemplo, a limitação de tempo (2 a 3 minutos) para as informações sobre o paciente. Aprender a discernir os dados realmente mais relevantes de cada caso não é fácil (principalmente para os iniciantes), mas, ao fim e ao cabo, mostra-se um meio para o aperfeiçoamento da habilidade de entendimento mais profundo dos clientes.

Em verdade, os estudos de eficiência no ensino de psicoterapia têm demonstrado que a possibilidade de implementação de ambos os formatos de supervisão, em proporções adequadas, é o que resulta em padrões mais avançados, tanto de entendimento teórico, quanto de intervenções clínicas em Terapia Cognitiva.

RICARDO WAINER – é doutor em Psicologia, especialista em Terapia do Esquema, com treinamento avançado pelo New York Schema lnstitute, e supervisor credenciado pela lnternational Society of Schema Therapy. Pesquisador em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental em Ciências Cognitivas. Professor titular da Faculdade de Psicologia da PUC-RS. Diretor da Wainer Psicologia Cognitiva.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.