POESIA CANTADA

FLOR DE IR EMBORA

FÁTIMA GUEDES

Maria de FATIMA GUEDES nasceu numa terça-feira, dia 6 de maio de 1958, na rua Dr. Satamini, Tijuca, no coração do Rio de Janeiro. Foi neste bairro que cursou o primário no Instituto de Educação e na Escola Azevedo Sodré. Mudou-se aos 8 anos para o Rio Comprido onde passou a juventude lendo muito e ouvindo música: clássicos por influência do padrasto, hits românticos por influência da moda, e MPB por influência da mãe, professora de literatura, que a introduziu no mundo das palavras. Foi ela que a presenteou com o LP “Chico Buarque Volume 4”, quando Fatima tinha apenas 11 anos.

Começou a compor aos 15 anos e aos 18 já tinha uma linguagem amadurecida em letras e melodias. Inscreveu-se no festival do Colégio Hélio Alonso, onde estudava, e ganhou os prêmios de melhor composição e melhor letra com a canção “Passional”. No júri do festival estavam, entre outros, Maria Bethânia, o produtor Mariozinho Rocha, o poeta e letrista Paulo César Pinheiro e o jornalista Roberto Moura. Este último foi responsável por apresentar Fatima às pessoas do meio musical da época. Numa reunião na casa do músico João de Aquino, ela conheceu Renato Corrêa, cantor, compositor e na época produtor da gravadora Odeon, que a convidou para gravar seu primeiro disco. Nesse mesmo ano conheceu a cantora Elis Regina que a apresentou em seu especial de fim de ano da TV Bandeirantes.

No início da década de 1990 foi morar em Los Angeles onde fez apresentações em casas de jazz, voltando ao Brasil um ano depois.

Aprimorou seu canto buscando tonalidades mais graves e tornou-se também professora, ministrando aulas e cursos.

Foi gravada por quase todos os grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia, Nana Caymmi, Simone, Alcione, Leny Andrade, Beth Carvalho, Ney Matogrosso, Alaide Costa, Jane Duboc, entre outros.

Costuma compor sozinha, mas atualmente seus parceiros vão se tornando cada vez mais numerosos, e entre eles estão artistas como Djavan, Ivan Lins, Joyce, Sueli Costa, Jorge Vercilo e Adriana Calcanhoto.

Amante da natureza, Fatima reside em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro. É casada com o baixista e engenheiro de som Zeca Winicki com quem tem uma filha, Beatriz.

FLOR DE IR EMBORA

COMPOSIÇÃO: FÁTIMA GUEDES

Flor de ir embora
É uma flor que se alimenta do que a gente chora
Rompe a terra decidida
Flor do meu desejo de correr o mundo afora
Flor de sentimento
Amadurecendo aos poucos a minha partida
Quando a flor abrir inteira
Muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu
E lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
Agora esse mundo é meu

Une Fleur

OUTROS OLHARES

XÍCARAS SAUDÁVEIS

Uma leva de novas pesquisas deixa de lado o vaivém científico de décadas e confirma: tomar café faz bem ao organismo e evita uma série de doenças

O poeta gaúcho Mario Quintana (1906-1994), que sabia das boas coisas da vida, mas também das pequenas e grandes agruras do cotidiano, escreveu algumas linhas definitivas em torno de um de seus hábitos: “O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas na manteiga que alguém pediu na mesa próxima”. Todos os anos, cada um dos brasileiros como Quintana bebe, em média, de três a quatro xícaras diárias. A relação com a bebida quentinha começa aos 18 anos, mas é a partir dos 40 que o consumo se torna mais intenso. Muito já se disse em torno do líquido feito a partir do grão torrado, que faz mal ao organismo, atalho para insônia e que anularia os efeitos positivos da vitamina E e do cálcio. E então renovadas pesquisas indicavam o contrário, reafirmando as qualidades da semente do cafeeiro. Até que, ufa, novos estudos apontassem o oposto, em um ciclo infinito. É gangorra que está com os dias contados – e, tal qual já aconteceu com o ovo (ora feito vilão, ora transformado em mocinho, mas que foi definitivamente reabilitado), pode-se dizer que o café faz bem.

Uma coleção de novos estudos realizados em todo o mundo revela que a ingestão de quatro a cinco xícaras de café diariamente (ou cerca de 400 miligramas de cafeína) estaria associada a taxas de mortalidade reduzidas. A mais recente evidência veio dos laboratórios das universidades de Southampton e Edimburgo, no Reino Unido. A partir do acompanhamento de cerca de 500.000 pessoas durante onze anos, verificou-se que o consumo regular de café – moído, instantâneo e até descafeinado – tem potencial para reduzir o risco de doenças hepáticas em 20%. “No geral, apesar de várias preocupações que surgiram ao longo dos anos, o café é extremamente seguro e tem uma série de benefícios relevantes”, diz o clínico geral e endocrinologista Fabiano Serfaty.

Não há um único e salvador composto responsável pelo efeito protetor. Os benefícios são deflagrados por uma combinação de substâncias. Não é só a cafeína. “Existem outros elementos, como os polifenóis, que parecem favorecer esse processo de proteção, em todos os níveis,” diz Antônio Carlos do Nascimento, doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os polifenóis atuam como um potente antioxidante, combatendo os radicais livres, atalho para o envelhecimento do corpo e a formação de placas de gordura nas artérias.




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Ressalve-se, porém, que café não é remédio. No entanto, um relatório da Escola de Saúde Pública de Harvard recomendou o consumo com moderação como “parte de um estilo de vida saudável”. É o avesso do que indicou a Organização Mundial da Saúde em 1991, ao informar que a cafeína tinha efeito cancerígeno. A conclusão foi revista, com a constatação de que fumar, e não beber café (os dois frequentemente andam de mãos dadas), era o responsável pelo perigo alegado.
Convém sempre ficar atento também aos danos reais. A cafeína pode prejudicar o sono, causar arritmia e gastrite. Na gestação, pode haver risco de aborto e parto prematuro. “O consumo da bebida com grandes quantidades de açúcares e gordura pode comprometer seus efeitos positivos”, diz o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração. “A melhor forma de desfrutar o café é de maneira equilibrada e com moderação.”
Tomando em prestado o conhecido verso do Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes, de um amor que seja infinito enquanto dure, posto que é chama, em relação ao café é possível dizer que a relação sentimental agora pode ser incondicional, irrecorrível, embora sem exageros – é o que diz a ciência da alimentação. E o que autoriza os fãs de Brigitte Bardot, hoje com 86 anos, terem ido ao Instagram, em 1º de outubro do ano passado, para exibi-la ainda jovem, com uma xícara em mãos, para celebrar o Dia Internacional do Café – que pode ser todo santo dia, sem dor na consciência.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 30 DE JULHO

CUIDADO COM O HOMEM VIOLENTO

O homem violento alicia o seu companheiro e guia-o por um caminho que não é bom (Provérbios 16.29).

O homem violento tem forte poder de sedução e imensa capacidade de aliciar as pessoas. Viver em sua companhia é um risco. Cultivar amizade com gente desse jaez é colocar os pés numa estrada perigosa e navegar por mares revoltos. A atitude mais sensata é desviar-se do caminho do homem violento. Não é possível andar com uma pessoa com esse perfil sem receber os respingos de suas atitudes perigosas. Ser conduzido por um homem violento é ser guiado por um mau caminho. É envolver-se em encrencas perigosas. É flertar com o perigo e comprometer-se com tragédias mortais. A Palavra de Deus é assaz oportuna quando alerta: Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Se disserem: Vem conosco, embosquemo-nos para derramar sangue, espreitemos, ainda que sem motivo, os inocentes; traguemo-los vivos, como o abismo, e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda sorte de bens preciosos; encheremos de despojos a nossa casa; lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa. Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal e se apressam a derramar sangue (Provérbios 1.10-16).

GESTÃO E CARREIRA

COMO TROCAR DE EMPREGO EM MEIO À PANDEMIA?

Apesar das dificuldades impostas pela Covid-19, muitos profissionais ainda desejam fazer mudanças em suas carreiras, seja em outra área ou em uma nova empresa. Mesmo com a necessidade de adaptações, a troca de emprego é bastante possível nesse momento.

Inclusive, o trabalho remoto criou novas oportunidades, antes inimagináveis. A maior delas é o fato de um profissional poder trabalhar de qualquer lugar do mundo. A mesma vantagem vale para as empresas, que não precisam mais ficar limitadas aos profissionais que moram nas suas cidades de atuação. Com tantas possibilidades, o mais importante é não ter medo da mudança.

Abraçar os novos modelos de processos seletivos e de integração nas empresas pode ser o melhor a fazer, dependendo do seu momento de carreira. Por isso, listei aqui cinco dicas para te ajudar a conquistar e ter sucesso em um novo emprego em meio à pandemia:

1. SEJA VISTO: o mundo está mais digital do que nunca. E, se existe algo bom nisso, é a possibilidade de se fazer presente em vários locais ao mesmo tempo. Quem deseja conquistar o emprego dos sonhos precisa ser visto. Para isso, é imprescindível marcar presença em redes sociais profissionais como o LinkedIn, além de espaços mais ligados à comunidade da sua área de atuação, como fóruns, meetups, hackatons, lives, entre outros.

Fica aqui mais uma dica: é importante ser ativo e contribuir com os grupos a fim de se manter em uma posição de destaque.

2. PROCURE UM HEADHUNTER: você sabia que atualmente boa parte das oportunidades profissionais nem chegam a ser divulgadas? Por isso, é muito importante investir em um networking de qualidade, principalmente com headhunters. São esses profissionais que conhecem as necessidades das empresas e partem em busca dos candidatos ideais.

Invista na criação de um relacionamento cordial com eles para que você seja lembrado quando surgir uma vaga com o seu perfil.

3. PREPARE-SE PARA O RECRUTAMENTO REMOTO: praticamente todos os processos seletivos migraram instantaneamente para o online desde o início da pandemia. Isso quer dizer que o cordial aperto de mãos ficou para trás, dando espaço a novos formatos de seleção, que vão muito além da entrevista. Atualmente, é comum o candidato não somente ser entrevistado, mas também trabalhar em algum case, apresentá-lo e ser bastante questionado online pelos contratantes.

Na prática, isso representa uma ótima oportunidade para o profissional apresentar suas habilidades e mostrar o seu estilo de trabalho.

4. ESTEJA PRONTO PARA A INTEGRAÇÃO A DISTÂNCIA: uma vez conquistada a vaga, o próximo desafio é passar pelo momento de integração na empresa, porém agora de forma totalmente remota. Descobrir as suas tarefas e criar a sua nova rotina vai demandar a utilização de uma série de tecnologias.

Felizmente, há várias ferramentas que facilitam esse processo, como o WhatsApp, o Slack e o Trello, que ajudam a organizar as atividades e até a criar um fluxo para a realização de cada uma delas. Esteja aberto para mudanças!

5. CONECTE-SE COM AS PESSOAS: provavelmente ainda vai demorar um pouco mais para conhecer seus novos colegas em um almoço ou em um happy hour, mas isso não quer dizer que o contato deva ser exclusivamente profissional. É muito importante suavizar as relações por meio de videoconferências que não visem apenas a deliberação das tarefas.

Alguns minutos de conversa sobre assuntos gerais, visando conhecer a pessoa além do profissional, pode ajudar muito no estreitamente das relações. É preciso conhecer os colegas e se fazer conhecido por eles. Esse tipo de aproximação pessoal ajuda muito no dia a dia de trabalho.

Estando adaptado à nova rotina, é importante buscar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Como não temos mais o deslocamento até a empresa, muitas pessoas têm dificuldade de se desligar dos afazeres e acabam trabalhando muito mais do que deveriam. Por isso, é preciso estipular os horários e cumprir as tarefas dentro deles, evitando o excesso de trabalho. A saúde física e mental também impacta no bom desempenho profissional. Ainda mais quando se é novo na empresa.

*** IGOR TRISUZZI – É formado em Administração de Empresas pela FEA/USP, é Consultor Sênior da Yoctoo, com certificação internacional em Coaching pela SLAC

 www.yoctoo.com  

EU ACHO …

ALÉM DO VALE

Que tal rompermos com o complexo de vira-lata e referenciarmos exemplos nacionais, femininos e não brancos?

Minha pulguinha atrás da orelha tem me feito reparar, cada vez mais, em citações de livros, exposições e apresentações: quantas das referências são brasileiras? Quantas são mulheres? Quantas são indígenas ou negras? Formada em Publicidade e Marketing, comecei a perceber desde a faculdade e, sobretudo, após o mestrado que, entre os considerados cânones da área, figuravam nomes como Phillip Kotler, Peter Drucker, Tom Peters, Alex Osterwalder e outros, com os quais aprendi muito.

Mas, pouco a pouco, fui entendendo que eles tinham algo em comum: eram em sua maioria homens, brancos, da América do Norte ou europeus. Pense na maior referência em música clássica, filosofia ou ainda da matemática que você conhece. Provavelmente, a resposta te dará perfis de pessoas semelhantes, em termos de raça, gênero e origem.

O mesmo acontece quando vemos vitrines virtuais ou físicas estampando capas de livros de autoajuda ou bestsellers, por exemplo, que, em geral, contam histórias de personagens não brasileiros ou de business que retratam modelos de negócios de empresas baseadas no Vale do Silício, na Califórnia, berço da tecnologia.

E isso também influencia nas metodologias que aprendemos, padrões estéticos, exemplos dados do que consideramos o modelo certo a ser seguido, ou mais válido e popular. E o que é diferente disso, portanto errado, arcaico e inadequado.

Isso inclusive se desdobra em tantas outras frentes, como no nosso padrão de consumo, por exemplo. Valorizamos mais o que vem de fora em relação a um fornecedor local, não somente pela qualidade, mas pela crença de que por ser de fora é melhor.

Quando cito esses episódios com criticidade não é que desacredite que a solução seja deixarmos de aprender ou conviver com exemplos que “vêm de fora”, tampouco acho que isso seria possível. Creio que, com nossos bilhões de neurônios, somos capazes de criar conexões com situações nem tão semelhantes às nossas e, a partir daí, ter uma série de ideias e sinapses adaptadas aos nossos contextos. Mas também entendo que deixamos de aprender muita coisa por só beber de fontes importadas.

Quando queremos aprender sobre modelos de gestão, democracia participativa ou arquitetura e urbanismo, porque, ao invés de usarmos cases da Califórnia, Suécia ou Noruega, não fazemos imersões e trocas com cânones dos povos quilombolas, ribeirinhos e guaranis?

Fica aqui uma proposta de reflexão: que tal rompermos com o complexo de vira-lata e referenciarmos mais exemplos nacionais, femininos e não brancos?

Não estou evocando um nacionalismo equivocado tão na moda atualmente, mas, sim, a valorização de saberes, trocas e aprendizados produzidos a partir de vivências que, apesar de teoricamente próximas, não estamos acessando. E o quanto isso também diz sobre nossa autoestima.

Em conversa recente com um professor e alguns colegas, ele apontava que poucos de nós, brasileiros, fomos indicados ao Nobel. Uma das minhas colegas disse ter ido estudar fora do Brasil e aprender exemplos de inovação a partir de um case de tecnobrega. Ficou surpresa ao ter mais contato com referências brasileiras quando saiu do país do que nos cursos realizados aqui. Já está na hora de nos enxergarmos como potências na academia, na cultura, na moda e na vida.

A sabedoria vai para além do Vale do Silício.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdadercial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INDIVIDUAL OU EM GRUPO?

Em ambos os formatos de supervisão, o trabalho do supervisor deve sintetizar na sua condução do processo, muitos dos pressupostos da TCC

O desenvolvimento das habilidades clínicas em terapia cognitivo-comportamental (TCC) dependem de uma formação robusta baseada em sólidos conhecimentos teóricos e extensiva prática supervisionada. Nesse sentido, cada vez fica mais ratificada a importância de estudos que explicitem os métodos mais eficientes para o ensino da psicoterapia, tanto em aulas quanto nos momentos de supervisão.

Algumas organizações profissionais (como Academia de Terapia Cognitiva, Sociedade Internacional de Terapia do Esquema e, no Brasil, a Federação Brasileira de Terapias Cognitivas), ao  perceber que a grande maioria dos programas de treinamento em TCC ocorre em institutos privados, buscaram definir alguns parâmetros fundamentais que devem ser contemplados no ensino e supervisão dos terapeutas em formação, tais como: a estruturação do tratamento e das sessões; os conhecimentos de psicopatologia ateórica e teórica para o estabelecimento de hipóteses diagnósticas; os domínios sobre os formulários de conceitualização cognitiva de casos, que leva o aprendiz a ter um entendimento dinâmico e coerente de todos os dados da história de cada um de seus pacientes; o conhecimento das habilidades técnicas básicas das TCCs, como, por exemplo, da descoberta guiada e do Diálogo Socrático.

Já no que diz respeito à parte prática, a maioria das diretrizes indicam a necessidade de exercícios práticos (para o treinamento de habilidades de entrevista e intervenções) e da supervisão sistemática de casos.

Considera-se que um terapeuta cognitivo realmente qualificado tenha passado por extensiva prática supervisionada, podendo ter seu aperfeiçoamento como terapeuta monitorado e lapidado por supervisor experiente.

Os objetivos que a vivência dos atendimentos supervisionados deve alcançar junto aos terapeutas em formação são:

1) aprendizado de como estabelecer e manejar a aliança terapêutica;

2) habilidade em realizar conceitualizações de caso que permitam a elaboração de um plano de tratamento objetivo, gradual, consistente e viável à realidade do paciente;

3) favorecer a identificação pelo terapeuta de seus próprios esquemas mentais desadaptativos, em especial aqueles comumente ativados no trabalho com seus pacientes, minimizando os efeitos destes na psicoterapia;

4) aperfeiçoar as estratégias terapêuticas, bem como treinar algumas técnicas a serem utilizadas em cada caso supervisionado, permitindo assim respeitosos feedbacks positivos e negativos sobre a implementação das intervenções do supervisionando.

Os formatos das supervisões podem ser individuais ou em pequenos grupos. As supervisões individuais estão usualmente presentes nos programas de treinamento mundo afora. Isso porque, historicamente, esse foi o primeiro formato adotado. Ele é quase sempre exigido, em alguma proporção, para a certificação avançada de terapeutas, pois tem a vantagem de fornecer mais tempo para que o supervisionando traga detalhadamente cada um dos casos que está atendendo, e que, com a ajuda do supervisor, possa ver as influências de seus esquemas desadaptativos sobre o tratamento; aspecto este tão enviesador dos resultados da psicoterapia.

No contexto da supervisão individual, a relação supervisor-supervisionando acaba por reproduzir posturas empáticas e de fortalecimento de relações estáveis e interativas, terminando por gerar um momento propício a um aprendizado que vai muito além do verbal ou daquilo que pode ser lido; ou seja, de aspectos sutis de sua personalidade e de seus estilos de enfrentamento.

O formato em pequenos grupos traz como principal vantagem a possibilidade dos supervisionados aprenderem com os casos dos seus colegas de grupo. Também permite que haja o aprendizado de diferentes técnicas de uma forma mais dinâmica e prática, por meio de simulações (role playings) de situações de cada um dos casos em discussão. Outro aspecto interessante da prática grupal é que, pelo tempo mais exíguo para a supervisão de cada caso, algumas regras tendem a ser implementadas na apresentação dos casos, como, por exemplo, a limitação de tempo (2 a 3 minutos) para as informações sobre o paciente. Aprender a discernir os dados realmente mais relevantes de cada caso não é fácil (principalmente para os iniciantes), mas, ao fim e ao cabo, mostra-se um meio para o aperfeiçoamento da habilidade de entendimento mais profundo dos clientes.

Em verdade, os estudos de eficiência no ensino de psicoterapia têm demonstrado que a possibilidade de implementação de ambos os formatos de supervisão, em proporções adequadas, é o que resulta em padrões mais avançados, tanto de entendimento teórico, quanto de intervenções clínicas em Terapia Cognitiva.

RICARDO WAINER – é doutor em Psicologia, especialista em Terapia do Esquema, com treinamento avançado pelo New York Schema lnstitute, e supervisor credenciado pela lnternational Society of Schema Therapy. Pesquisador em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental em Ciências Cognitivas. Professor titular da Faculdade de Psicologia da PUC-RS. Diretor da Wainer Psicologia Cognitiva.