GESTÃO E CARREIRA

VISÃO DA GRAVIDEZ COMEÇA A MUDAR NAS EMPRESAS

Anna Cecília Sales, de 22 anos, teve receio e preferiu omitir sua gravidez num processo seletivo recente para uma vaga de atendimento ao cliente, na Nestlé. Não contava ouvir: “está contratada”.

“Quando o recrutador me ligou para dizer que eu tinha sido aceita, fiquei só ouvindo. Ao falar dos benefícios, perguntou se eu tinha filhos. Então contei que estava grávida. Silêncio por alguns segundos, uma eternidade para mim. Achei que estava desclassifica da. Mas ele disse que nada mudaria”, conta a mãe de Isabella, que nasce em16 semanas.

A vaga para a qual ela se candidatou é remota, o que vai permitir trabalhar em casa, em Curitiba, após a licença-maternidade. Ao compartilhar sua história em uma rede social, Anna causou surpresa devido à discriminação que sempre houve em relação à admissão de grávidas. Mulheres comentaram contando como já foram excluídas de processos seletivos por terem filhos ou estarem à espera de um.

Sofia Esteves, presidente do Conselho do Grupo Cia. de Talentos / Bettha.com, observa que a maternidade começa a deixar de ser tabu nas empresas, mas reconhece que isso ainda é restrito a multinacionais e cargos executivos. Para ela. as empresas estão percebendo que os meses de licença não são nada perto dos resultados que essas mulheres podem entregar.

A dificuldade de achar mão de obra altamente qualificada abre espaço para executivas grávidas. Foi o que aconteceu com Amanda Montenegro e Tatiana Patrícia Gigante, ambas contratadas durante a gestação. Reter o talento falou mais alto.

Amanda, de 40 anos, virou gerente jurídica sênior da GSK Consumer Healthcare Brasil grávida de seis meses do Antônio, em 2020. Ela lembra que ficou na dúvida sobre como falaria da gravidez no processo:

“Algumas mulheres me disseram que era loucura trocar de emprego durante a maternidade. Já homens perguntavam se tinha contado à empresa. Eu li que não deveria falar, mas na minha cabeça era inconcebível. Acho que tem a ver com nosso medo geracional. Passei por muitas transformações no mundo corporativo, isso acaba enraizado”.

Andressa Tomasulo, gerente sênior de RH da GSK, diz que Amanda foi escolhida com um olhar no longo prazo:

“Entendemos que era a melhor candidata, com o detalhe de que entraria e sairia logo em seguida de licença, mas não estávamos contratando por um ano. O custo-benefício do que ela pode agregar é muito maior do que meses fora”.

A situação foi similar à da mãe de Gustavo, Tatiana, de 44 anos. Ela foi contratada grávida em 2020 como secretária executiva de uma diretoria da Vale em Carajás, no Pará. Sua experiência, e o fato de já ter morado naquele estado antes foram cruciais para torná-la a candidata perfeita:

“Soube da gravidez no Dia das Mães, durante o processo. Falei logo. Achei que tinha perdido a chance, mas me escolheram. Com a gravidez, ficou decidido que ficaria em home office até o nascimento do bebê. Depois, até dezembro deste ano. Devo ir para o Pará depois, com ele”.

Marina Quental, vice-presidente executiva de Pessoas da Vale, precisa de poucas palavras para explicar a escolha: “Tatiana foi a melhor candidata”.

A economista carioca Thaíssa Braz, de 35 anos, sentia que tinha de escolher entre a maternidade e a carreira no mercado financeiro. Quando ficou grávida, teve vontade de sair do banco em que trabalhava e arriscou. Foi aceita na corretora XP.

“Tinha certeza de que não iria conseguir outro emprego por causa da gravidez, mas vi uma vaga na XP que achei a minha cara. Quando eles entraram em contato, não falei nada. Tive medo. Contei na última entrevista porque tive que remarcar. Foi o dia do parto”, recorda-se a mãe de José. Ao fim da licença de quatro meses, estava com a vaga garantida em uma área bem específica, a de gestão de fortunas, na qual tem experiência.

“Ela nos atendeu na parte técnica e de alinhamento à XP”, diz Patrícia Claro, do RH da empresa, que tem como meta alcançar 50% de mão de obra feminina em 2025, o que passa por ver a maternidade de forma nova. Ainda há muito estigma de que temos que escolher carreira ou maternidade, e isso se acentua com o relógio biológico, principalmente no Brasil. Masestamos num ponto de curva de mudanças”.

Camila Loff, de 31 anos, tinha acabado de começar a trabalhar no RH da Astellas Farma em julho de 2020 quando, em três semanas, descobriu que esperava Maria Luíza.

“Quando deu positivo, minha primeira reação foi chorar, de alegria e de tristeza. Poderiam achar que eu já sabia. Nessas horas, vêm todas as paranoias”.

A gestora dela esperou a gestação completar três meses para contar ao presidente

da empresa, que manteve a contratação de Camila, que está de licença-maternidade.

“Maternidade não pode ser impedimento. A mulher precisa ter segurança de que, se é boa, não vai ficar desempregada, ainda mais com a escassez de talentos que temos hoje”, diz Sofia Esteves.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.