POESIA CANTADA

VITORIOSA

IVAN LINS

IVAN Guimarães LINS nasceu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 16 de junho de 1945. Filho do militar Geraldo Lins, foi muito influenciado por diversos gêneros musicais como jazz, bossa nova e soul e tem como principal instrumento o piano, que toca desde os dezoito anos. Formou-se em engenharia química no final dos anos 60, quando iniciou a carreira musical em festivais. A canção O Amor É O Meu País, erroneamente taxada de ufanista, foi classificada em segundo lugar consecutivo no V Festival Internacional da Canção. O primeiro sucesso como compositor foi com Madalena, gravada por Elis Regina. No entanto, Simone é, de forma unânime, considerada a maior intérprete.

Contratado pela gravadora Forma/Philips (que posteriormente transformou-se em Polygram até chegar ao nome atual Universal Music) pelo então produtor, o compositor Maurício Tapajós, grava três discos pelo selo: Agora, Deixa o trem seguir e Quem sou eu?. Nesse período, compôs músicas com Ronaldo Monteiro de Souza, mas depois teve em Vítor Martins o mais freqüente parceiro. A primeira composição entre ambos se deu quando do lançamento do quarto LP, Modo livre, pela RCA (depois BMG e hoje Sony BMG), gravadora esta que lançaria também o álbum subseqüente, Chama acesa. Nessa mesma década lançou alguns discos que o projetaram nacionalmente.

Teve inúmeros sucessos como cantor como Abre Alas, Somos todos iguais nesta noite e Começar de novo – todas em parceria com Vítor Martins. Começar de novo foi gravada por Simone no mesmo ano em que foi composta. Na voz de Simone, Começar de novo foi tocada como tema oficial de abertura do seriado Malu Mulher, tonando-se um grande sucesso da época e um marco na história da MPB.

Lançou inúmeros discos, muitos deles de inúmero sucesso, tendo trocado de gravadoras por diversas vezes. No decorrer dos anos 70, a obra ganha grande temática política. A partir da segunda metade dos anos 80, começa a enfatizar a carreira internacional, principalmente nos EUA, onde foi regravado por inúmeros astros da música internacional, como Quincy Jones, George Benson, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Carmen MacRae e Barbra Streisand.

Foi destacado compositor, tendo músicas gravadas por nomes consagrados como Elis Regina (Cartomante, Madalena, Aos Nossos Filhos), Simone (Começar de Novo), Quarteto Em Cy (Abre Alas), Gal Costa (Roda Baiana) e Emílio Santiago (Velas Içadas). Comandou um programa televisivo na Rede Globo ao lado de Gonzaguinha e Aldir Blanc, o Som Livre Exportação. Foi casado com a cantora e atriz Lucinha Lins, com quem teve um filho que também é ator.

VITORIOSA

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS

 Quero sua risada mais gostosa
 Esse seu jeito de achar
 Que a vida pode ser maravilhosa
 Quero sua alegria escandalosa
 Vitoriosa por não ter
 Vergonha de aprender como se goza

 Quero toda sua boca castidade
 Quero toda sua louca liberdade
 Quero toda essa vontade
 De passar dos seus limites
 E ir além, e ir além

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa…

OUTROS OLHARES

TOQUE DE RETIRADA

Cresce o número de mulheres que, arrependidas de prótese de silicone, harmonização facial e lentes de contato nos dentes, fazem procedimentos inversos para assumir ‘imperfeições’

A empresária Nevilla Palmieri, de 34 anos, sempre foi considerada uma mulher bonita. Aos 18, representou Goiás no Miss Brasil, o concurso mais antigo e tradicional de beleza do país. No ano passado, cismou que as olheiras estavam mais fundas e que algumas ruguinhas de expressão marcavam demais o rosto. No impulso, entrou no consultório de uma dentista que fazia parte do seu círculo ele amizades para fazer uma harmonização facial, técnica dermatológica que usa o ácido hialurônico para dar volume, reestruturar ou corrigir pequenas “imperfeições” na face. Quando levantou da cadeira, levou um susto. “A profissional aplicou tanto produto nas minhas bochechas que fiquei parecendo o Fofão”, lembra.

Nevilla achou que o volume na face fosse, na verdade, um inchaço e que, em poucos dias, tudo voltaria ao normal. Só que o tempo passou e ela viu que o resultado era aquele mesmo.

“Tenho uma loja de roupas e preciso postar imagens nas redes sociais. Como ia tirar foto se estava me sentindo horrorosa? Foram meses usando muito filtro e tirando mais de 30 retratos para escolher o menos pior. Só queria voltar a me reconhecer no espelho”, conta. Ela, então, procurou um dermatologista que, aos poucos, está aplicando uma enzima que dissolve o ácido hialurônico da pele.

Assim como Nevilla, nos últimos tempos, outras brasileiras passaram a buscar profissionais qualificados para tentar desfazer procedimentos estéticos. Ainda tímido, o movimento veio para transformar em #tbta tendência dos rostos artificialmente simétricos, seios fartos e sorrisos “mentex”. A moda agora é libertar-se dos padrões de beleza. “Aceitar a nossa aparência natural não me parece ser uma tendência passageira porque tem a ver com a conexão que as pessoas estão fazendo com elas mesmas. Isso não quer dizer que não possamos fazer procedimento estético algum. O importante é termos um olhar crítico sobre o quanto a nossa sociedade estimula um padrão que favorece a mulher branca e magra, excluindo uma diversidade de corpos”, afirma a psicóloga Grazielle Bonfim, autora de uma revisão sobre o Transtorno Dismórfico Corporal, caracterizado pela observação de defeitos que não existem de fato diante do espelho.

Os vilões são os aplicativos de retoques de fotos usados sem moderação nas redes sociais. “O uso da tecnologia distorce a realidade e produz padrões de beleza inalcançáveis. Quem não se lembra dos bumbuns perfeitos das revistas masculinas? Hoje, sabemos que eles só existiam graças ao photoshop”, lembra Luiza Loyola, consultora da WGSN, agência inglesa de coleta de tendências e análise de consumo. “Com o tempo, os recursos de retoques de imagens ficaram acessíveis para todo o mundo. Aí veio a pandemia e a vida ficou mais on-line. Passamos a nos comparar mais com os outros. E, finalmente, caiu a ficha do que é real e do que é idealizado. As pessoas descobriram que estão iguais! E agora querem algo que as diferencie.”

Autora do livro “Pare de se odiar” e fundadora do Movimento Corpo Livre, a escritora Alexandra Gurgel há anos levanta a bandeira das discussões fundamentais sobre como lidar melhor com o próprio corpo. “Fico muito feliz que a moda agora seja ser fora do padrão. Acho que, finalmente, as pessoas sacaram que precisam se aceitar como são e ter mais amor pelo próprio corpo, seja ele do jeito que for”, diz ela.

Alexandra passou a vida fazendo dietas mirabolantes para emagrecer. Quando viu que estava submetendo o próprio corpo a uma espécie de tortura, parou de lutar contra a natureza. Resultado: acabou perdendo peso naturalmente. Há quase dez anos, “caiu na cilada” de fazer uma lipoescultura e um implante de silicone de pouco mais de 200 mililitros. Agora, não vê a hora de se livrar das próteses. “Eu achava só iria ser feliz depois de ter o corpo ‘perfeito’. Fiz a cirurgia e fiquei satisfeita só por três meses. Depois, fiquei mal. Cheguei a tentar tirar a minha vida porque não estava feliz! As pessoas me achavam bonita e tal, mas eu não entendia porque estava infeliz. Os problemas não se resolvem quando a gente decide enfrentar o bisturi. Por isso, defendo a ideia de cuidar da saúde mental, de fazer terapia antes de entrar no centro cirúrgico.”

Modelo da Aerie, marca de lingerie concorrente da Victoria’s Secret, Cintia Dicker, de 34 anos, também se arrepende das próteses de silicone que colocou há dez anos. “Achava os meus seios um pouco caídos e acreditei que, com o implante, eles iam ficar empinados. Só que o resultado não foi o esperado. E ainda ficaram maiores. Era muito imatura, se fosse hoje, não faria. Vou só esperar ter filho para fazer o explante”, conta ela. “Não vou perder trabalho ficando com um visual mais enxuto. Pelo contrário. Hoje, as marcas querem algo mais natural. Levo bronca quando pinto as sobrancelhas porque as minhas são muito claras”, diz ela.

O implante de silicone ainda é a cirurgia plástica mais procurada pelas brasileiras, à frente da lipoaspiração e da abdominoplastia, segundo dados de 2018 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Entretanto, se comparada a 2014, a busca caiu de 22,5% para 18,8%. Nos Estados Unidos, país ao lado do Brasil quando o assunto é operações estéticas, a retirada de próteses de silicone cresce a cada ano e, antes da pandemia, estava em 15%.

Outro procedimento ainda bastante procurado no Brasil são as chamadas lentes de contato dentárias, pequenas peças confeccionadas artesanalmente ou por meio de impressoras 3D, que custam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, cada uma. Elas têm de 0,2 a 0,5 milímetros de espessura e são colocadas sobre o esmalte com cola especial, dente por dente. O procedimento teve seu boom há cinco anos, quando os consultórios de alguns dentistas registraram o aumento de 300% nos atendimentos, segundo a Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE).

Agora, o movimento para livrar-se da técnica vem crescendo. “A cada 10 pacientes que atendo, três querem tirar as lentes porque acham que o sorriso está branco demais e muito artificial”, conta o dentista Daniel Sene. “Ninguém quer que os outros saibam que o riso é fake. Os dentes naturais têm um degradê. O sorriso perfeito também não é perfeitamente alinhado. Os dentes laterais precisam ser um pouco tortinhos”, explica ele.

A influenciadora Gabriela Pugliesi, de 35 anos, virou um dos assuntos mais comentados no mês passado ao trocar as lentes de contatos dos seus dentes milimetricamente brancas por outras para deixá-los “mais imperfeitos e pontudos”, nas palavras dela. “Coloquei lentes há dez anos. Na época, confesso, fui muito influenciada pelo padrão estético. Hoje, com mais maturidade e personalidade, vi que esse visual não combina comigo. Sempre gostei da beleza mais natural. E vi que meu sorriso estava igual ao de todo mundo. Isso estava me incomodando. Acho lindo quem é diferente”, diz ela.

Na maioria dos casos, voltar atrás no resultado de um procedimento custa tão caro quanto fazê-lo. Uma cirurgia de explante não sai por menos de R$ 15 mil. Para retirar as facetas o tratamento fica entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, por dente. Já as aplicações de hialuronidase, a enzima que dissolve o ácido hialurônico, não saem por menos de R$ 8 mil. “Hoje, 20% das pacientes que atendo querem tirar o preenchimento feito por outro colega”, diz o dermatologista Alessandro Alarcão. “É preciso avaliar cada caso porque nem sempre é possível reverter, já que, tirando toda a substância, a pele pode ficar flácida.”

O psiquiatra Táki Cordás, coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e autor de vários livros sobre a relação corpo e mente, acha importante que movimentos de aceitação do próprio corpo estejam entrando na moda.

“O padrão de beleza no Brasil é cruel. Nas classes altas, a exigência é ser extremamente magra. Nas outras, uma silhueta mais curvilínea. Não é fácil para ninguém”, acredita o médico. “É um movimento necessário, mas temos de ser realistas e saber que vai demorar décadas para mudarmos isso. Por enquanto, é importante a consciência de que modelos e blogueiras têm uma grande influência sobre meninas e mulheres com autoestima baixa. São de extrema importância para que as mulheres não julguem umas às outras”. Palavra de especialista.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 27 DE JULHO

A FOME NOS MOVE AO TRABALHO

A fome do trabalhador o faz trabalhar, porque a sua boca a isso o incita (Provérbios 16.26).

O conforto e a fartura podem gerar indolência e preguiça. Uma pessoa que não sabe o que é necessidade faz corpo mole e não adestra as mãos para o trabalho. A fome do trabalhador, no entanto, o faz trabalhar. Viktor Frankl, pai da logoterapia, sofreu como judeu as agruras de um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial e escapou. Ele diz, em seu livro Em busca de sentido, que aqueles que se empenharam em trabalhar para salvar outros salvaram a si mesmos. Muitas pessoas também prestavam serviços humilhantes, e até com extremo sacrifício, apenas para conseguir no dia seguinte mais uma concha de sopa rala de lentilhas. A fome nos leva a grandes desafios. Em tempos de escassez e fome, as pessoas perdem a vaidade. Abrem mão de seus títulos e se dispõem a fazer os trabalhos mais simples e mais humildes para conseguir pão. Há uma enorme diferença entre vontade de comer e fome. Uma coisa é você sentir fome e ter a geladeira cheia. Outra coisa é sentir fome e não ter nenhum dinheiro e nenhuma provisão. Nessa circunstância você aceita o trabalho mais humilde e come o alimento mais simples, porque a fome do trabalhador o faz trabalhar.

GESTÃO E CARREIRA

VISÃO DA GRAVIDEZ COMEÇA A MUDAR NAS EMPRESAS

Anna Cecília Sales, de 22 anos, teve receio e preferiu omitir sua gravidez num processo seletivo recente para uma vaga de atendimento ao cliente, na Nestlé. Não contava ouvir: “está contratada”.

“Quando o recrutador me ligou para dizer que eu tinha sido aceita, fiquei só ouvindo. Ao falar dos benefícios, perguntou se eu tinha filhos. Então contei que estava grávida. Silêncio por alguns segundos, uma eternidade para mim. Achei que estava desclassifica da. Mas ele disse que nada mudaria”, conta a mãe de Isabella, que nasce em16 semanas.

A vaga para a qual ela se candidatou é remota, o que vai permitir trabalhar em casa, em Curitiba, após a licença-maternidade. Ao compartilhar sua história em uma rede social, Anna causou surpresa devido à discriminação que sempre houve em relação à admissão de grávidas. Mulheres comentaram contando como já foram excluídas de processos seletivos por terem filhos ou estarem à espera de um.

Sofia Esteves, presidente do Conselho do Grupo Cia. de Talentos / Bettha.com, observa que a maternidade começa a deixar de ser tabu nas empresas, mas reconhece que isso ainda é restrito a multinacionais e cargos executivos. Para ela. as empresas estão percebendo que os meses de licença não são nada perto dos resultados que essas mulheres podem entregar.

A dificuldade de achar mão de obra altamente qualificada abre espaço para executivas grávidas. Foi o que aconteceu com Amanda Montenegro e Tatiana Patrícia Gigante, ambas contratadas durante a gestação. Reter o talento falou mais alto.

Amanda, de 40 anos, virou gerente jurídica sênior da GSK Consumer Healthcare Brasil grávida de seis meses do Antônio, em 2020. Ela lembra que ficou na dúvida sobre como falaria da gravidez no processo:

“Algumas mulheres me disseram que era loucura trocar de emprego durante a maternidade. Já homens perguntavam se tinha contado à empresa. Eu li que não deveria falar, mas na minha cabeça era inconcebível. Acho que tem a ver com nosso medo geracional. Passei por muitas transformações no mundo corporativo, isso acaba enraizado”.

Andressa Tomasulo, gerente sênior de RH da GSK, diz que Amanda foi escolhida com um olhar no longo prazo:

“Entendemos que era a melhor candidata, com o detalhe de que entraria e sairia logo em seguida de licença, mas não estávamos contratando por um ano. O custo-benefício do que ela pode agregar é muito maior do que meses fora”.

A situação foi similar à da mãe de Gustavo, Tatiana, de 44 anos. Ela foi contratada grávida em 2020 como secretária executiva de uma diretoria da Vale em Carajás, no Pará. Sua experiência, e o fato de já ter morado naquele estado antes foram cruciais para torná-la a candidata perfeita:

“Soube da gravidez no Dia das Mães, durante o processo. Falei logo. Achei que tinha perdido a chance, mas me escolheram. Com a gravidez, ficou decidido que ficaria em home office até o nascimento do bebê. Depois, até dezembro deste ano. Devo ir para o Pará depois, com ele”.

Marina Quental, vice-presidente executiva de Pessoas da Vale, precisa de poucas palavras para explicar a escolha: “Tatiana foi a melhor candidata”.

A economista carioca Thaíssa Braz, de 35 anos, sentia que tinha de escolher entre a maternidade e a carreira no mercado financeiro. Quando ficou grávida, teve vontade de sair do banco em que trabalhava e arriscou. Foi aceita na corretora XP.

“Tinha certeza de que não iria conseguir outro emprego por causa da gravidez, mas vi uma vaga na XP que achei a minha cara. Quando eles entraram em contato, não falei nada. Tive medo. Contei na última entrevista porque tive que remarcar. Foi o dia do parto”, recorda-se a mãe de José. Ao fim da licença de quatro meses, estava com a vaga garantida em uma área bem específica, a de gestão de fortunas, na qual tem experiência.

“Ela nos atendeu na parte técnica e de alinhamento à XP”, diz Patrícia Claro, do RH da empresa, que tem como meta alcançar 50% de mão de obra feminina em 2025, o que passa por ver a maternidade de forma nova. Ainda há muito estigma de que temos que escolher carreira ou maternidade, e isso se acentua com o relógio biológico, principalmente no Brasil. Masestamos num ponto de curva de mudanças”.

Camila Loff, de 31 anos, tinha acabado de começar a trabalhar no RH da Astellas Farma em julho de 2020 quando, em três semanas, descobriu que esperava Maria Luíza.

“Quando deu positivo, minha primeira reação foi chorar, de alegria e de tristeza. Poderiam achar que eu já sabia. Nessas horas, vêm todas as paranoias”.

A gestora dela esperou a gestação completar três meses para contar ao presidente

da empresa, que manteve a contratação de Camila, que está de licença-maternidade.

“Maternidade não pode ser impedimento. A mulher precisa ter segurança de que, se é boa, não vai ficar desempregada, ainda mais com a escassez de talentos que temos hoje”, diz Sofia Esteves.

EU ACHO …

MORTE DO TESÃO E SEQUELAS DA PANDEMIA

Pesquisas em todo o mundo indicam drástica diminuição na atividade sexual dos casais

Como mostrei em uma coluna recente, mais de 60% dos casais que tenho pesquisado afirmaram que o tesão desapareceu ou diminuiu drasticamente durante a pandemia; cerca de 30% disseram que a pandemia não afetou a vida sexual; e só 10%, que a frequência sexual está maior e até mesmo melhor do que antes.

Encontrei três tipos de discursos entre os 60% que perderam o tesão.

O primeiro é “a morte do tesão”. São casais que transavam muito, mas que hoje encontram prazer em outras atividades. Para muitos, o sexo foi bom no passado, mas não é mais uma prioridade. Para outros, o sexo era ruim, só uma obrigação que precisavam cumprir. É um discurso mais comum entre as mulheres que percebem a aposentadoria do sexo não como uma falta, mas como uma libertação.

Um exemplo famoso é o de Rita Lee, que afirmou, aos 72 anos, que “velho não quer trepar”. Ela, que trepou a vida inteira; hoje tem mais vontade de ler, aprender coisas novas, pintar, cuidar da casa. E o de Jane Fonda que, aos 82, disse que não faz mais sexo: “Não tenho tempo e já fiz muito sexo. Eu não preciso disso agora porque estou muito ocupada. Não tenho mais interesse. Tenho uma vida bem completa, com filhos, netos e amigos. Não quero mais saber de romances”. É o grupo do “hão quero nem preciso mais de sexo para ser feliz”. Um dado curioso é que nenhum homem disse que está aposentado do sexo. Para eles, as mulheres são as culpadas pela falta de sexo, reforçando a ideia de que o homem está sempre disponível para transar, inclusive nas circunstâncias mais dramáticas.

O segundo é “não dá para ter tesão no meio de uma pandemia”. São casais que sempre tiveram vida sexual ativa e que acham natural o tesão ter diminuído. Alguns já sonham com uma explosão sexual pós-pandemia. É o grupo do “o tesão está vivo, mas agora não dá para transar. O tesão vai voltar:

“Estamos estressados, exaustos, preocupados e sobrecarregados porque trabalhamos muito e cuidamos de muita gente. Não temos tempo, disposição e energia para transar. Preferimos dormir e relaxar quando temos algum tempo livre. Mas o amor, o carinho e a intimidade aumentaram com a convivência intensa. Beijos, abraços, massagens e toques fazem parte da rotina. Todos os dias dizemos: ‘Eu te amo. Você é o amor da minha vida’. O tesão pode ter desaparecido momentaneamente, mas o amor, a amizade e o companheirismo cresceram.

O terceiro é “será que o tesão vai voltar?” São casais que tinham vida sexual ativa antes da pandemia e pararam de transar devido ao pesadelo que estamos vivendo. Estão inseguros e com medo de que o sexo não volte ao normal. É o grupo do “tenho medo de nunca mais ter tesão”.

“Desde o início da pandemia tentamos transar uma ou duas vezes, mas foi um fracasso. Não estamos sentindo falta de sexo, mas temos medo de que a ausência de tesão destrua o amor. São mais de 538 mil mortes e 20 milhões de casos no Brasil, sendo que oito em cada dez pessoas que têm Covid ficam com sequelas. Mas ninguém fala das sequelas sexuais, amorosas e psicológicas que essa tragédia está provocando nos brasileiros. Meus amigos têm vergonha de confessar que estão brochas, impotentes e assexuados. Somos uma geração de sequelados sexuais”.

Como a morte do tesão impactará a vida amorosa e sexual no mundo pós-pandemia?

*** MIRIAN GOLDENBERG – é antropóloga, professora da UFRJ e autora de ‘A invenção de uma bela velhice’

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CABEÇA FEITA

Startup americana desenvolve capacetes capazes de “ler” mentes. Para especialistas. a tecnologia portátil pode revolucionar a neurociência

O aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo”, cravado na rachada do Templo de Apolo, em Delfos, na Grécia Antiga, muitas vezes atribuído aos filósofos Sócrates e Platão, foi a inspiração para a mais nova empreitada no ramo da neurociência. Com o objetivo de compreender o funcionamento do cérebro, o órgão que melhor nos define, a startup californiana Kernel lançou dois capacetes que prometem decifrar os labirintos da mente. Os equipamentos não captam literalmente o que alguém está pensando – uma cor, um nome, uma frase, por exemplo -, mas detectam conceitos gerais, como nível de concentração, excitação ou cansaço. A leitura dos dados pode ser usada para estudar o envelhecimento do cérebro e possíveis tratamentos de doenças e distúrbios mentais, como o Alzheimer. Segundo os cientistas da Kernel, os capacetes buscam, em suma, entender o comportamento e as fraquezas humanas por meio da atividade dos neurônios.

O projeto nasceu de um drama vivido pelo americano Bryan Johnson, acometido por uma depressão profunda e pensamentos suicidas, anos atrás. Ao buscar ajuda dos mais diversos especialistas, ele notou que os diagnósticos sobre saúde mental ainda carecem de técnicas mais precisas. Recuperado, não tirou o assunto da cabeça e decidiu fundar a Kernel, em 2016. No início, seu objetivo era mais ousado: desenvolver pequenos chips para implantes cirúrgicos que fossem capazes de enviar informações de humanos a computadores e vice-versa – é mais ou menos o que Elon Musk busca, ainda longe do êxito, em uma de suas empresas, a Neuralink. Diante das dificuldades, a Kernel preferiu adotar o método não invasivo. Em entrevista à agência Bloomberg, Johnson diz ter investido 110 milhões de dólares, metade de seu próprio bolso, no desenvolvimento dos capacetes.

O sonho de desvendar a mente é antigo e já foi retratado em filmes de ficção científica, como De Volta para o Futuro (1985). No clássico de Steven Spielberg, o Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) inventa uma máquina do tempo, na verdade um automóvel que passeia pelo passado e pelo futuro, mas falha em sua tentativa de criar um capacete para ler pensamentos. A Kernel encontrou o caminho nas técnicas de eletroencefalografia (EEG) e magnetoencefalografia (MEG). O capacete Flow detecta padrões ligados à resolução de problemas e controle emocional por meio de mudanças nos níveis de oxigenação do sangue. Já o modelo Flux mede a atividade eletromagnética com sensores, em busca de sinais de excitação, acionamento da memória e aprendizagem. O conceito de ler mentes pode soar um tanto perverso, pois poderia ser usado para fins duvidosos por governos e até empresas. A Kernel, porém, ressalta a busca pelo autoconhecimento. O objetivo, ainda pouco factível, é que até 2030 os capacetes custem o equivalente a um smartphone e funcionem como uma espécie de coach cerebral. Uma simulação mostra o CEO Johnson recebendo avisos do capacete como “distrações detectadas, experimente desligar o celular” ou “engajamento cerebral baixo, talvez seja hora de mudar de atividade ou descansar”.

A portabilidade é o fator que mais entusiasma os pesquisadores, pois possibilitaria a realização de estudos em tempo real e em circunstâncias mais dinâmicas, fora do ambiente hospitalar. “Há situações de comportamento emocional difíceis de reproduzir em laboratório, como a fobia de viajar de avião”, aponta Leandro Valiengo, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O futuro chegou e, por certo, a humanidade está mais próxima de seguir as lições dos gregos.

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