POESIA CANTADA

NA HORA DO ALMOÇO

LETRA E MÚSICA: BELCHIOR

Antônio Carlos Gomes Belchior nasceu em 26 de outubro de 1946, na cidade de Sobral, no Ceará. Sua vida sempre esteve atrelada à música: a mãe Dolores cantava no coral da igreja e logo cedo ele foi apresentado às músicas de artistas como Ângela Maria e Cauby Peixoto.

Estudante do Colégio Sobralense, teve aulas de música, canto gregoriano, línguas e filosofia na escola. Durante a infância, estudou coral e piano com Acácio Halley e se apresentou em feiras como cantor e poeta repentista.

Em 1962, Belchior se mudou para Fortaleza, onde deu seus primeiros passos como artista profissional: entre 1965 e 1970 ele participou de inúmeros festivais de música, shows amadores e programas de rádio e TV, dividindo o palco com colegas como Fagner e Ednardo.

Ao mesmo tempo, o cantor concluiu seus estudos em um colégio de padres, onde estudou filosofia. Durante um breve período, ele hospedou-se no mosteiro Guaramiranga, vivendo com os frades italianos e estudando latim, canto gregoriano e italiano.

De volta a Fortaleza, Belchior ingressou no curso de medicina da Faculdade Federal do Ceará em 1968, mas não teve jeito: abandonou o curso em 1971 para dedicar-se integralmente à sua carreira.

Na capital cearense, o músico se uniu a outros artistas de sua geração como Fagner, Ednardo, Amelinha, Teti, Cirino, Jorge Mello, Rodger Rogério, entre outros. Embora com projetos artísticos diferentes, o grupo ficou conhecido como Pessoal do Ceará.

Após deixar a universidade, Belchior decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. Ele participou do IV Festival Universitário da MPB e conquistou o primeiro lugar com a música Na Hora do Almoço.

No centro da sala, diante da mesa
No fundo do prato, comida e tristeza
A gente se olha, se toca e se cala
E se desentende no instante em que fala

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo
A sua mão fechada, a sua boca aberta
O seu peito deserto, sua mão parada
Lacrada e selada
E molhada de medo

Pai na cabeceira: É hora do almoço
Minha mãe me chama: É hora do almoço
Minha irmã mais nova, negra cabeleira
Minha avó me reclama: É hora do almoço!

Ei, moço!
E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisas, cuidemos da vida
Senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida

Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida

https://music.youtube.com/watch?v=Qp8yezODmI0&feature=share

EU ACHO …

COMO SE VENDE A ALMA

O que a gente entrega e o que recebe em troca quando nós vendemos nossa alma? Quem vende a alma, pensamos logo de cara, deve ter feito por dinheiro. Mas o que exatamente deu?

Esse processo pode ser muito mais sutil do que imaginamos – em vez de cenários sombrios ou pactos faustianos macabramente urdidos, ele pode ter lugar em decisões que tomamos no dia a dia e que, sem percebermos, vão esvaziando nossa vida. Nada espalhafatoso, nada escuso. Mas, ainda assim, fatal.

Deixe-me exemplificar com uma história prosaica. Como já falei em mais de uma ocasião por aqui, uma das coisas que aprendi nestes últimos quase dois anos foi a prestar atenção nas aves. Da incidental curiosidade despertada por um pássaro que cruzou meu caminho, passei a ativamente observar a avifauna onde quer que estivesse. Isso acabou virando um hobby que tem me ajudado a lidar com o estresse dessa pandemia. Comprei guias de observação, tirei meus binóculos do fundo do armário e mandei arrumar uma máquina fotográfica há muito tempo encostada. Meu prazer era localizar um pássaro, observá-lo, tentar identificar a espécie pela forma tamanho, cores, prestar atenção nos diferentes cantos. Passei então a fotografá-los para ajudar na identificação posterior, sempre um desafio para diletantes neófitos como eu. Algumas fotos ficaram boas, e se tornaram parte do hobby.

Até que um dia, estava sem a máquina fotográfica e ouvi alguém bicando perto de mim. Era uma árvore pequena, com galhos finos, não imaginava quem pudesse ser. Procura daqui, olha dali, eis que vejo um pica-pau-anão pela primeira vez. ‘Que azar”, pensei, “bem quando não estou com minha máquina”. Mas como não poderia fotografá-lo, prestei o máximo de atenção possível aos detalhes, chegando a falar em voz alta para mim mesmo o que estava vendo, para depois identificá-lo de memória com ajuda do guia. Tratava-se de um pica-pau-anão-barrado (Picumus arratus), enem preciso dizer que aquela observação acabou se tornando muito prazerosa, e a identificação, uma grande recompensa.

E o que isso tem a ver com a venda da alma? Tudo. Porque o registro fotográfico, que era inicialmente apenas a consequência da observação, foi se transformando num objetivo a ser alcançado, roubando a essência da atividade. A ponto de eu achar que era um azar encontrar um pássaro novo – alegria de qualquer observador de aves – só porque não tinha a máquina em mãos.

É assim que se vende uma alma. Na vida, nós fazemos muitas coisas porque elas são importantes ou porque gostamos delas e que geram alguma consequência: nosso trabalho contribui com a sociedade, e consequentemente somos pagos. Nossas palavras consolam as pessoas, atraindo gente para perto de nós. Nossos posts são interessantes, gerando likes. E insidiosamente essas recompensas podem se tornar sedutoras, nos levando a fazer as coisas não mais para contribuir, consolar, ajudar, mas para ganhar dinheiro, atenção, likes.

É bom estar atento. Pois quando as consequências de nossas ações se tornam o objetivo principal da vida, nós esquecemos os propósitos originais e perdemos a essência do que fazemos. Risco que pode estar mais perto do que parece.

*** DANIEL MARTINS DE BARROS – é psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. autor de “O Lado Bom do Lado Ruim”

OUTROS OLHARES

CONFINAMENTO FAZ AUMENTAR CASOS DE MIOPIA EM CRIANÇAS

Mais tempo dentro de casa, diante de telas pequenas e sem luz natural, está entre causas apontadas por especialistas

As crianças, especialmente aquelas com idades entre 6 e 8 anos, estão ficando mais míopes na pandemia. Segundo oftalmologistas, os períodos mais longos dentro de casa, longe da luz natural e encarando telas pequenas sem descanso, são os principais responsáveis pelo aumento de casos do distúrbio nessa faixa etária.

Em um artigo publicado em janeiro deste ano na revista científica Jama Ophthalmology, pesquisadores da China relatam que, em 2020, o número de casos de miopia nas crianças com idades entre 6 e 8 anos cresceu até três vezes em comparação com os cinco anos anteriores.

Os resultados vêm de um estudo que contou com a participação de mais de 120 mil crianças. Elas foram examinadas com a técnica do photoscreening, um tipo de exame que usa uma câmera para analisar os olhos sem dilatação.

As crianças de seis anos foram as mais afetadas. A prevalência da miopia em 2020 nesse grupo foi de 21,5%, enquanto no período de 2015 a 2019 a prevalência mais alta registrada havia sido de 5,7%.”No artigo, os pesquisadores afirmam que para crianças de idades entre 9 e 13 anos não houve mudanças significativas.

No Brasil, a situação é semelhante. Com as aulas regulares interrompidas há mais de um ano e as medidas restritivas para diminuir a circulação de pessoas e evitar a transmissão da Covid-19, os mais jovens passaram muito mais tempo dentro de casa no ano de 2020. As consequências já são percebidas nos consultórios médicos.

“Temos observado um aumento significativo de miopia nas crianças no último ano. Elas se queixam mais da dificuldade para ver coisas que estão longe”, afirma Christiane Rolim de Moura, oftalmologista no Sabará Hospital Infantil.

Segundo o oftalmologista Emerson Castro, do Hospital Sírio-Libanês, o esperado era que os atendimentos diminuíssem durante a pandemia, mas isso não aconteceu: “Estou atendendo mais pacientes agora. O olho é a nossa comunicação com o mundo e todos o estão usando ainda mais neste período, crianças e adultos”, diz.

A miopia é a dificuldade para enxergar coisas que estão mais longe. O distúrbio visual surge quando o olho cresce mais do que deveria, e isso dificulta ver com clareza coisas mais distantes. Existe um fator genético para o surgimento da miopia – filhos de pais míopes têm mais chances de ficarem míopes -, mas há fatores ambientais que podem causar o distúrbio.

No caso dos mais jovens, os médicos apontam alguns motivos para o aumento da miopia. O primeiro seria o uso de telas, principal distração durante o confinamento.

Moura explica que quando precisamos enxergar algo muito próximo (a menos de 33 centímetros), ativamos uma musculatura que, se não recebe descanso, causa o crescimento do olho, o que pode levar à miopia.

“A falta de atividades ao ar livre e a ausência da luz natural também estão associadas ao surgimento do distúrbio”, completa Castro. “O sono irregular é outro fator que interfere na qualidade da visão”, acrescenta o médico.

Mas por que os mais jovens são os mais afetados? Segundo Moura, o olho das crianças é mais elástico e, portanto, mais suscetível ao crescimento do globo ocular.

De acordo com Castro, são necessárias políticas públicas para lidar com a pandemia de miopia que segue a do coronavírus. “Não é só colocar o óculos que resolve, há outros problemas associados, como a maior chance de aparecer outras doenças, como o descolamento da retina ou o glaucoma”, diz.

“Em países mais pobres, onde é mais difícil corrigir o problema da miopia, há dificuldades no desenvolvimento escolar dessas crianças”, afirma Castro.

Para evitar que o problema apareça, os especialistas sugerem descansos periódicos a cada 30 minutos ou uma hora de uso contínuo de tela. Essas pausas devem durar alguns segundos ou minutos com os olhos observando objetos mais distantes para relaxar a musculatura. Olhar pela janela, lavar a louça, cozinhar e varrer o chão são algumas das atividades que podem aliviar os olhos.

Os médicos alertam ainda que telas muito pequenas, como as de telefones e tablets, são as mais prejudiciais. Computadores e televisões geralmente ficam mais distantes dos olhos e fazem menos mal.

Atividades ao ar livre, quando forem seguras, são recomendadas.

O papel dos adultos é fundamental para a saúde dos olhos dos mais novos. ”Quando a criança se aproxima muito de algo para enxergar, é sinal de que está na hora de visitar o oftalmologista”, afirmam os médicos.

Mas é importante não esperar até que o problema se agrave. “A sugestão é que a criança passe por exames no primeiro ano de vida e, novamente, por volta dos cinco anos para que seja feita a detecção precoce”, diz Moura.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 17 DE JULHO

UM TESOURO MAIS PRECIOSO DO QUE OURO

Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata! (Provérbios 16.16).

Há muitas coisas melhores do que a riqueza: a paz interior, um bom nome e um casamento feliz. Agora, Salomão diz que a sabedoria e a prudência são bens mais duráveis e mais preciosos do que ouro e prata. Investir em sabedoria tem rendimento mais garantido do que comprar ouro. Alcançar a prudência é mais vantajoso do que acumular prata. Os bens materiais podem ser saqueados e roubados, mas a sabedoria e a prudência não podem. A sabedoria não é um substituto da riqueza, mas a sua principal causa. Salomão não pediu a Deus riqueza, mas sabedoria, e no pacote da sabedoria veio a riqueza. É possível que uma pessoa seja rica, mas tola. É possível que um indivíduo esteja com o bolso cheio de dinheiro, mas com a cabeça vazia de prudência. É possível que alguém granjeie muito dinheiro, mas esteja totalmente desprovido de sabedoria. John Rockefeller, que costumo citar como exemplo, foi o primeiro bilionário do mundo. Ele disse que o homem mais pobre que ele conhecia era aquele que só possuía dinheiro. Adquirir ouro sem possuir sabedoria pode ser um completo fracasso. A sabedoria não é algo inato, com o qual nascemos. Precisa ser procurada e adquirida. Esse é um processo que exige empenho, esforço e perseverança. O resultado, porém, é extremamente compensador. É melhor ser sábio do que ser rico, pois a própria sabedoria é melhor do que o ouro.

GESTÃO E CARREIRA

‘CLIQUE DJÁ’ PARA COMPRAR

Varejistas aderem ao ‘livestream shopping’

Sucesso nos anos 1990, os canais de TV exclusivos para vendas ganharam uma nova roupagem na pandemia e foram parar dentro dos celulares. Com o apelo de compras por impulso e a humanização do e-commerce, o livestream shopping se consolida no Brasil, atraindo investimento de marcas que abraçam o formato de aproximação com clientes no digital.

O modelo é um fenômeno na China, onde surgiu, com status de superprodução e movimenta bilhões. Por aqui, esta opção ao varejo que mistura vendas e entretenimento ao vivo já está no calendário de marcas como Renner, Americanas, Riachuelo, Arezzo; Hope, entre outras.

Também chamada de live shopping ou live commerce, a proposta é muito parecida com o formato que ficou marcado por Walter Mercado e seu bordão “ligue djá”, convidando as clientes a telefonarem para comprar. Agora, a ligação virou um clique. A estrutura está mais enxuta. No lugar de um estúdio e equipes de áudio e vídeos, apenas um celular com tripé e iluminação, e talvez mais duas ou três pessoas para ajudar a organizar os produtos e responder em tempo real.

A essência, porém, é a mesma. Recorre aos gatilhos usados nos anos 1990 para incentivar a compra como oferecer descontos ou produtos exclusivos aos participantes, entregas grátis e brindes.

Segundo as empresas, a compra em tempo real quebra a barreirada imagem estática de uma peça no site da empresa e minimiza a desconfiança em compras on-line. Nas lives, os clientes podem ver todos os ângulos, olhar de perto, visualizar como fica em modelos com corpos diferentes e ainda tirar dúvidas na hora.

“A live commerce é uma opção para a venda instantânea porque traz a sensação de urgência. O termo ‘é só agora’ gera uma angústia e na pandemia as pessoas estão mais vulneráveis. Elas economizaram, estão em casa e pensam’ já que estou nesta situação horrível, mereço’. A compra por impulso, nesse caso, alia hedonismo, urgência e autoindulgência”, diz Rafael Nascimento, professor de Marketing da ESPM e diretor da Explore.

CEM LIVES POR DIA

As taxas de conversa o em vendas em uma hora de live chegam a ser sete vezes as do site ou até mesmo o equivalente a um dia de vendas na loja física. A plataforma digital B2W – detentora das marcas Americanas, Submarino, Shoptime e Sou Barato – firmou em maio uma parceria com a chinesa OOOOO, plataforma especializada neste novo formato do varejo, para escalonar lives. A B2W já fez cem e quer que este seja o número de lives por dia.

Além da bagagem da OOOOO, o objetivo do acordo é lançar um aplicativo para vendas nas redes sociais que vai conectar empresas, criadores de conteúdo e compradores, especialmente os mais jovens, através de vídeos interativos. O acordo prevê a formação de uma joint-venture (parceria) entre elas para desenvolvimento das operações no país.

“Eles conhecem a tecnologia da China, que é referência nestas lives, e têm mecanismos de gamificação que podem ajudar a engajar o público. Para nós, é uma oportunidade de unir entretenimento com compra em um único lugar”, diz Leonardo Rocha, diretor de Marketing da B2W. Lançada em 2020, a startup brasileira Mimo nasceu quando a publicitária Monique Lima viu o potencial deste nicho.

Ela saiu do emprego em uma agência e buscou duas sócias na área de tecnologia, Etienne Du Jardin e Angelica Vasconcelos. A empresa atraiu investidores de peso e tem mais de 400 clientes.

Elas oferecem consultoria e suporte operacional para lives e acesso a uma plataforma para que a cliente possa comprar durante o ao vivo, sistema que muitas lojas não têm.

A Mimo recebe de 10% a 20% de comissão do que é vendido na live e a conversão média geral de vendas é em torno de 10%. Dependendo do segmento, como bebidas e moda, pode chegar a 15%, segundo Monique.

“O diferencial é tirar as dúvidas ao vivo. O e-commerce é mais solitário. Na live, a pessoa pergunta, o apresentador responde na hora, chamando o cliente pelo nome, e a venda é convertida na hora”.

Um de seus clientes é a LoftyStyle, que tem 16 lojas físicas em São Paulo.

“Com a pandemia e o fechamento das unidades, tudo virou estoque, então investimos pesado no digital. Fotografamos as peças, contratamos consultoria digital para treinar a equipe, abrimos conta na rede social de cada loja e criamos conteúdo”, diz a sócia, Camila Ortiz.

Em agosto, a Lofty fez o primeiro desfile pela internet. Para Camila, o ideal é ter duas pessoas apresentando para não ficar monótono, uma para repassar perguntas que entram ao vivo e duas para organizar as roupas nos bastidores.

ENTRETENIMENTO É A RECEITA

Já para as grandes redes, o entretenimento é a cereja do bolo. Na China, a Alibaba, gigante do e-commerce faz espetáculos em datas como o Dia dos Solteiros. No Brasil, cada empresa tem sua estratégia. A da Riachuelo é a regionalização. A marca entrou no universo de liveshopping ano passado com apresentações de gancho em datas comemorativas, como a do Dia dos Pais de 2020, com o cantor Mumuzinho e o apresentador Otaviano Costa, e das cantoras Simone e Simaria.

Em abril, passaram a dar dicas de looks e, agora, as lives serão a partir das lojas. Já fizeram dois testes: uma na Casa Riachuelo do shopping Eldorado, em São Paulo, e outra numa loja em Juazeiro do Norte, no Ceará.

“Cada unidade conhece o perfil do público e oferece o que ele precisa. A equipe da loja faz a live com as peças do estoque local”, explica Elio Silva, diretor executivo de Canais e Marketing da Riachuelo.

Já na Renner, que também se inspirou na tendência chinesa e foi uma das pioneiras no país, a estratégia é inserir conteúdo nas apresentações.

“Temos trabalhado com conteúdo relevante e algum entretenimento e buscamos sempre apresentadores que estejam alinhados à marca, seja um influenciador ou uma atriz ou outro convidado”, conta a diretora de Marketing Corporativo, Maria Cristina Merçon.

A executiva diz que um desafio é treinar a equipe à distância. Do time de marketing e vendas nos bastidores aos convidados para apresentar a live, todos estão em casa.

“Também precisamos do suporte da tecnologia para garantir que a live não vai cair ou ter falhas e de uma equipe para mandar os looks para a casa de quem apresenta. É tudo novo, vamos adaptando. Começamos com ao vivos mais longos e hoje eles duram, em média, 40 minutos.

Outra ramificação são os desfiles. Na China, a Xangai Fashion Week, foi totalmente digital ano passado. Neste ano, com a pandemia sob controle (lá), o modelo adotado foi o híbrido.

“O desfile de coleção é geralmente para convidados, mas tivemos que ressignificar. Pela live, este momento é democratizado”, avalia a executiva da Renner, que já realizou dois lançamentos com desfile. A Arezzo embarcou na ideia da vitrine ao vivo e dos desfiles. Em março, lançou a nova coleção da linha Nina em uma live, um dia antes da data oficial, e planeja a divulgação via internet da coleção Arezzo 2022 depois do lançamento físico.

Ad vendas de uma live chegam a representar o volume de um dia comercial de grande relevância, como Natal e Dia das Mães, em uma loja da Arezzo.

Para dar conta de mais de cem lives até agora, a diretora da Arezzo, Luciana Wodzik, explica que foram feitos treinamentos com os times de marketing e comercial: “Em março, com o fechamento parcial do comércio, liberamos e capacitamos as lojas para fazerem suas lives via Instagram e abrimos nova e importante frente de vendas”.

A marca de roupas íntimas Hope fez, em setembro, um festival de lives para novas coleções. A apresentação teve a presença de famosos, como Carolina Ferraz, Rafa Brites, Lelê e show da Anitta.

Já a Hope Fashion Week, no início do ano, lançou novos produtos, mas com um foco mais comercial e unindo os canais on-line ao off-line, com cashback e descontos nas próximas compras.

A diretora de Estilo e Marketing da Hope, Sandra Chayo, atribui o êxito do varejo ao vivo à capilaridade, que supera a de um evento presencial. Segundo Sandra, na Hope Fashion Week, o crescimento foi de 65% nas vendas de produtos e coleções em comparação com a edição em setembro.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

JOGO DE SENSAÇÕES

A música desenvolve e provoca respostas emocionais porque algumas regiões do cérebro impactadas por ela estão situadas muito próximas daquelas necessárias durante a percepção de cheiros que despertam memórias

A música provoca sensações peculiares pela sua capacidade de causar feitos em termos racionais e afetivos, mas as pessoas percebem a música de modo singular. Alguns músicos, por exemplo, demonstram virtuosismo ao executar sons através de um instrumento, porém sem transmitir emoções, pois concentram suas energias e direcionam foco aos aspectos racionais da música, tais como ritmo, intensidade e contagem do tempo de cada compasso. Nestes casos, a música deixa de mobilizar afetos em função da separação que se faz entre razão e emoção quando se executa algum instrumento musical ou quando uma canção é entoada.

Alguns ritmos exigem mais precisão e concentração do músico. Todavia, muitos estilos e ritmos permitem a expressão racional e afetiva do músico, refletindo nas sensações experimentadas pelo ouvinte. Para que a música seja completa e capaz de atingir os ouvintes de modo pleno, espera-se que o músico alcance equilíbrio entre razão e emoção. Assim, ouvintes podem ser agraciados e afetados de modo intenso pela reunião de sons estruturados em consonância com a intensidade e a expressividade que se esperam de uma música de qualidade.

Algumas pessoas não demonstram facilidade para tocar qualquer instrumento musical, mas conseguem perceber os menores intervalos entre diferentes tons. Muitos músicos são exímios instrumentistas, mas demonstram indiferença diante de expressões musicais intensas e excitantes do ponto de vista emocional. A indiferença poderia estar relacionada ao retraimento emocional ou poderia decorrer de algum trauma ocasionado por acidentes, tal como Sacks (2007) menciona em uma passagem de seu livro. Muitos, por sua vez, sofrem de amusia.

Além de acidentes físicos, como uma queda de bicicleta, apenas para citar um exemplo, algumas lesões podem decorrer da prática excessiva da execução de instrumentos musicais, conforme se observa entre muitos músicos profissionais. Galvão (2006) discorreu sobre problemas neurológicos muito comuns em músicos profissionais que se dedicam ao estudo e à prática musical de modo intenso. Os problemas variam de lesões físicas, causadas pelo desgaste vinculado à intensidade das práticas, chegando ao adoecimento psíquico e à perda de motivação para a música.

A indiferença emocional à música também pode estar relacionada à síndrome de Asperger (transtorno do espectro autista), conforme salienta Sacks (2007), o que se justifica pela existência de indícios sobre provável subdesenvolvimento em partes mediais do cérebro de indivíduos portadores da síndrome, sendo as referidas partes responsáveis diretas pela afetação emocional de pessoas expostas aos sons e melodias com potencial para suscitar emoções. Todavia, vale salientar o fato de muitos psicólogos e musico terapeutas recorrerem à música para tratar pessoas com desordens relacionadas ao espectro autista. Nestes casos, a música favorece o contato entre terapeuta e paciente, já que a ausência de verbalização encontrada em pacientes com Asperger pode levar profissionais à utilização da música com o objetivo de estabelecer um canal de comunicação eficiente e favorável ao tratamento. Em síntese, a música pode servir como canal de comunicação entre terapeuta e paciente.

MUSICOTERAPIA

De acordo com a American Music Therapy Association (AMTA), a musicoterapia constitui-se a partir de estudos e de intervenções baseadas no uso da música com a finalidade de estabelecer uma relação terapêutica na perspectiva individual ou coletiva. Trata-se de uma ciência voltada à promoção de saúde, bem-estar e desenvolvimento humano. A prática musico terapêutica é exercida por profissionais especializados, capazes de acessar potencialidades e limitações daqueles que buscam tratamento. As intervenções ocorrem de modo sistemático, a partir de planejamentos específicos para cada caso. Os tratamentos podem incluir criação, composição, canto, dança e audição de músicas nos mais variados estilos. Tanto o repertório quanto a modalidade da intervenção são voltadas para a necessidade do cliente.

O enfoque da musicoterapia é lançado sobre aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais relacionados com indivíduos de todas as faixas etárias. Crianças, adolescentes, adultos e idosos podem são beneficiados pela prática terapêutica. Os atendimentos são direcionados ao tratamento de dificuldades de diversas ordens, tais como: depressão, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, dependência química, transtorno mental, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), lesões cerebrais, lesões físicas, dores agudas e crônicas. A musicoterapia também pode ser aplicada em pessoas interessadas em aprimorar habilidades de comunicação e expressão.

Em um artigo, intitulado, Música e Mente, Antunha (2010) discorreu sobre a importância no uso da música para fins psicoterapêuticos. Segundo a autora, os elementos musicais propiciam experiências significativas aos indivíduos. Dentre as contribuições do artigo mencionado, destacam-se as considerações feitas pela autora acerca do uso da música no tratamento de pacientes com depressão, cujos efeitos podem resultar na retirada de pacientes do estado depressivo. Um repertório de músicas clássicas, todas elas favoráveis ao enfrentamento da depressão, está exposto no quadro abaixo.

Sacks entende que um dos maiores poderes da música reside no fato de se obter sucesso ao tentar provocar reações emocionais por meio da música. O autor afirma que a música desenvolve e provoca respostas emocionais porque algumas regiões do cérebro impactadas por ela estão situadas muito próximas daquelas vinculadas às emoções, necessárias durante a percepção de cheiros responsáveis pelo despertar de memórias. Todavia, Sacks (2007) ressalva a falta de clareza em torno da compreensão sobre o modo pelo qual as referidas respostas emocionais ocorrem.

Na atualidade, profissionais exercem a musicoterapia em hospitais, centros de reabilitação física e mental, hospitais psiquiátricos, centros de repouso, escolas, clínicas psiquiátricas, clínicas especializadas em tratamento de dependentes químicos, centros de referência para o tratamento de portadores do vírus HIV, dentre outros locais destinados ao atendimento de pessoas que demandam cuidados terapêuticos.

O alcance e a efetividade da musicoterapia se justificam pelos efeitos causados pelos elementos sonoro-rítmicos musicais, os quais agem sobre ritmo respiratório, pulsação e pressão sanguínea, percepção sensorial, funções endócrinas, energia e tônus muscular, funções cognitivas, habilidades vinculadas à comunicação e à expressão emocional e corporal.

De acordo com dados fornecidos pela AMTA, a musicoterapia pode ser indicada ao tratamento específico de pessoas com inúmeras necessidades. Algumas necessidades mencionadas no site da referida associação estão expostas a seguir.

Situações traumáticas: a musicoterapia pode estimular o aprendizado e o uso de formas de enfrentamento de crises em crianças e adultos, por meio da viabilização de canais para expressão de sentimentos e de emoções, com potencial de promover ressignificação de experiências traumáticas, relaxamento e autodesenvolvimento. O uso de terapias com música para esse fim é comum em pessoas afetadas por fatores estressores do cotidiano, assim como desemprego, competitividade no ambiente de trabalho, perda de um ente querido, dentre outras situações geradoras de crises. Os resultados mais comuns são: redução de estresse, mudanças positivas no modo de declarar emoções e aumento de confiança.

COMBATE À DOR: um levantamento bibliográfico conduzido por pesquisadores da AMTA corrobora com afirmações acerca da importância da musicoterapia no enfrentamento da dor. Pesquisas evidenciam diminuição de indicadores de ansiedade e redução da necessidade de sedação e administração de analgésicos em pacientes submetidos à colonoscopia. Pacientes acometidos por câncer também são beneficiados pela modalidade terapêutica, uma vez que a música reduz a ansiedade provocada nas sessões de quimioterapia e de radioterapia e diminui a frequência de náuseas e vômitos. Outros estudos comprovam que a musicoterapia atenua indicadores de estresse em pacientes durante estágio pré-operatório. Profissionais musicoterapeutas podem sugerir programas terapêuticos com músicas eficazes para a potencialização de efeitos analgésicos, diminuição da dor e desenvolvimento de autoconfiança em pacientes acometidos por dores decorrentes de doenças e de cuidados médicos necessários ao tratamento. Além dos efeitos psicológicos da musicoterapia, observam-se mudanças fisiológicas em decorrência do método musicoterapêutico, a saber: respiração adequada, baixa pressão arterial, redução de frequência cardíaca e relaxamento da tensão muscular.

SAÚDE MENTAL: esta modalidade terapêutica mostra-se eficaz na promoção de saúde mental, justamente pelo seu alcance junto às necessidades cognitivas, afetivas e psicossociais. Muitas vezes, a musicoterapia é utilizada como alternativa para o tratamento de pessoas que resistem diante de abordagens tradicionais. Utiliza-se canto e música em uma combinação destinada à criação de um canal de comunicação e de expressão aos pacientes que não conseguem pôr em palavras aquilo que deve ser ressignificado. As atividades consistem em produção de músicas, escuta e discussão sobre temas abordados em canções, além de relatos sobre sensações experimentadas durante a atividade. Nessa perspectiva, a musicoterapia mostra seu potencial organizador da subjetividade humana. O repertório de atividades e de músicas deve estar de acordo com a necessidade e com o gosto musical de cada paciente. Não adianta propor uma seleção musical que não faça conexão com o paciente.

O trabalho realizado com pacientes que sofrem com algum transtorno mental é quase sempre realizado em equipes multidisciplinares. As etapas e o tempo de tratamento variam, pois dependem da evolução de cada paciente. As intervenções são individuais ou grupais. A musicoterapia pode levar pacientes que sofrem de transtornos mentais a um estado favorável para a elevação da autoestima, além de possibilitar mudanças positivas no estado de humor.

PORTADORES DE AUTISMO: pesquisas mostram a importância da musicoterapia no tratamento do autismo, tendo em vista a gama de experiências e de sensações geradas em pacientes, resultando em mudança de comportamento e no desenvolvimento de habilidades. Uma revisão de literatura acerca de pesquisas sobre o uso da musicoterapia em indivíduos com autismo permitiu a indicação das principais justificativas para o emprego desta modalidade no público mencionado. O uso da musicoterapia em indivíduos com autismo é justificável, porque esta modalidade terapêutica

1. promove integração e comunicação entre indivíduos inseridos em um mesmo contexto, motiva e ajuda na manutenção da atenção;

2. estimula o uso de respostas comportamentais apropriadas e melhores aceitas do ponto de vista social;

3. permite que pessoas incapacitadas de se comunicar verbalmente se comuniquem de forma não-verbal, assim como auxilia o desenvolvimento de comunicação verbal e de linguagem;

4. promove estimulação auditiva, visual e tátil;

5. proporciona senso de segurança e familiaridade com o ambiente terapêutico;

6. canaliza energia que pode ser utilizada de acordo com a necessidade de cada indivíduo;

7. concede oportunidade de desenvolvimento da musicalidade aos indivíduos com autismo que possuam habilidades musicais.