EU ACHO …

POR QUE SE ACREDITA QUE LIDAR COM PESSOAS COM DEFICIÊNCIA É MAIS DIFÍCIL DO QUE COM AS DEMAIS?

Por que conviver com alguém com deficiência é visto com frequência como um gesto humanitário de algumas pessoas de bom coração e não algo que deveria ser natural para todos?

Existem frases que nós que temos uma deficiência ouvimos o tempo todo sem notar o quanto elas seriam incomuns, na verdade, grosseiras, se dirigidas para outros.

Não me refiro aos questionamentos diários sobre de onde vem nossa deficiência, se foi por doença ou acidente, se a gente não enxerga nadinha de nada mesmo, se sonha de noite ou como sabe se alguém é bonito sem ver.

São inúmeras as perguntas curiosas que, a depender de como e quando são feitas, e também de quem as responde, podem ser entendidas como naturais e saudáveis ou como invasivas e irritantes. Infelizmente não tenho receita ou manual de instruções sobre como conversar com um cego.

Há poucos dias descobri que muito mais significados estão escondidos em uma fala tão frequente quanto as anteriores e que tem como propósito demonstrar empatia, vontade de aprender com o outro e construir laços.

Quantas vezes, caro leitor, alguém lhe disse que irias se esforçar para aprender a lidar com você?

Se você tem uma deficiência, provavelmente uma centena de vezes. Ouviu coisas assim quando foi se matricular em um curso, passou por uma entrevista de emprego, foi a uma agência de viagens, marcou um encontro num aplicativo de namoro. Isso se tiver sorte, pois também há risco de terem dito que não saberiam como agir na situação, sugerindo que procurasse um especialista em pessoas como você. Por outro lado, caso não conviva com uma deficiência, apostaria que nunca escutou nada parecido. Mais do que isso, ficaria muito ofendido se alguém tentasse demonstrar simpatia dessa forma. Dirá, todos precisam me aceitar assim como sou e saber me tratar como um igual não é mais do que a obrigação de qualquer pessoa.

Por que as pessoas com deficiência formam um grupo sobreo qual se pode admitir com tranquilidade que não se sabe lidar enquanto os demais são entendidos como consumidores, profissionais, alunos, amigos, e companheiros em potencial?

A exclusão que as pessoas com deficiência sempre vivenciaram levou a uma situação em que nós e as pessoas mais bem intencionadas, dispostas a iniciar uma relação conosco, nem percebem o quanto é sintomático aceitarmos que ainda estamos tão distantes que, não havendo um esforço para que aprendamos uns com os outros, nossas deficiências serão uma muralha intransponível para que haja alguma troca entre nós.

Há especificidades no modo como nós que temos uma deficiência nos comunicamos, aprendemos, nos locomovemos, nos divertimos. A maioria das pessoas não sabe muito a respeito e realmente pode ser preciso que se aprenda algo no primeiro contato, que haja um aviso de que a forma certa de conduzir é deixando o cego segurar no cotovelo de quem está indicando o caminho. E estamos o tempo todo torcendo para encontrar pessoas receptivas a nosso modo de ser.

Mas por que conviver com alguém com deficiência é visto com frequência como um gesto humanitário de algumas pessoas de bom coração e não algo que deveria ser natural para todos? Penso que seria muito melhor um mundo em que as pessoas conhecessem e abraçassem essas diferenças, se compreendessem e convivessem com naturalidade.

Em vez disso, o cego que chega a um novo espaço costuma ser a novidade que desestabiliza. É a pessoa que ninguém tinha se preparado para receber na festa, para quem vão procurar uma cadeira num em vez de chamar para a pista. Até que um dia vem alguém disposto a aprender a lidar com a lidar com a gente, a ensinar os passos da dança de mãos dadas, e ficamos imensamente gratos por terem se lembrado de nós pelo tempo que dura uma música.

Quando o humor está melhor, olho a questão de cabeça para baixo. Uma vez uma pessoa da família decidiu que iria assumir o milenar trabalho do cupido e encontrar uma namorada para mim. A primeira qualidade que enumerou sobre a pretendente imaginária é que a moça não deveria ter preconceito. Ótimo. Então a deficiência é um repelente natural de gente preconceituosa.

Só me pergunto o motivo de as pessoas que não tem deficiência aceitarem se relacionar com alguém intolerante, que não consegue se imaginar convivendo com o diferente. Acordar de manhã ao lado de quem possui uma visão de mundo tão pobre me parece infinitas vezes mais difícil do que estar com alguém que não enxerga.

Como vocês fazem para lidar com pessoas que se acham superiores às demais?

Como lidamos com a pessoa que está sempre com os sentimentos à flor da pele? E com a pessoa que se desencantou com a vida e só quer ficar em silêncio no seu canto? Quem pode me dar uma ajuda para me relacionar com pessoas muito cultas que intimidam por sua inteligência?

Parece que toda essa turma também veio sem receita ou manual de instrução. Não será fácil, mas prometo me esforçar bastante para aprender a lidar com todos vocês. Tenham paciência e me avisem se eu fizer algo errado. E já antecipo minhas desculpas pela falta de experiência.

*** FILIPE OLIVEIRA

OUTROS OLHARES

EDUCAÇÃO DESIGUAL NA PANDEMIA DIMINUI MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL

Alunos de particulares e com pais escolarizados e ricos tiveram mais atividades presenciais e online

Alunos de escolas privadas, com pai ou responsáveis mais escolarizados e ricos, receberam um total de aulas presenciais na pandemia da Covid-19 significativamente maior do que os mais pobres, estudantes de escolas públicas e dependentes de pessoas menos educadas. A diferença é ainda maior nos alunos do ensino fundamental, o que representará um marcador importante na redução da mobilidade social no país, além de sinalizar um aumento futuro da desigualdade de renda – já extremamente elevada no Brasil. Segundo trabalho do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMOS), a partir de dados da Pnad Covid 19 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as diferenças regionais também são significativas no quesito tarefas escolares, mesmo que online, recebidas pelos alunos.

Estudantes entre 6 a 17 anos do Norte e Nordeste tiveram menos tarefas (75% e 84% deles, respectivamente) do que a média do Brasil (89%).

No caso das aulas presenciais, mesmo que parciais, alunos dessa mesma faixa etária, sob cuidados de responsáveis ricos e com ensino superior completo (ou além), tiveram mais que o dobro de oportunidades de interagir com professores na pandemia.

A diferença chega a quase três vezes levando-se em conta estudantes de escolas públicas e privadas (6% a 16%.

No caso dos alunos do ensino fundamental (6 a 9 anos) a disparidade é ainda maior: só 5% dos estudantes do ensino público tiveram aulas presenciais, ante 19% nas escolas privadas. A pesquisa pode ser acessada no site do IMOS (imdsbrasil.org/).

Há diferenças também a favor de alunos de escolas privadas com responsáveis mais ricos e escolarizados no recebimento de atividades escolares, incluindo tarefas online. Embora as diferenças na disponibilização de tarefas sejam menores no geral, alunos de famílias mais pobres tendem a ter menos supervisão para responder às lições, seja porque os pais continuaram saindo para trabalhar na pandemia ou pela falta de acesso à internet – além da própria limitação dos pais menos escolarizados.

Segundo Sergio Guimarães Ferreira, diretor de Pesquisa do IMDS, quatro medidas deveriam ser priorizadas para reforçar o ensino dos mais afetados na pandemia:

1) Busca ativa por alunos com baixa presença em sala de aula;

2) Programas de tutoria online no contraturno com o apoio de alunos de universidades;

3) Testes para identificar alunos críticos e dar tratamento personalizado a eles; e

4) Na alfabetização, explorar tecnologias para desenvolver a consciência fonológica de alunos de até sete anos.

“A situação geral é bem mais crítica para os alunos do ensino fundamental. Pois, mesmo que tenham tido essa oportunidade, eles não conseguiram absorver o conteúdo de aulas online”, diz Ferreira.

“Os dados mostram ainda que a pandemia aumentou o risco de a baixa escolaridade dos responsáveis acabar transmitida aos filhos, restringindo ainda mais a mobilidade social brasileira”.

No Brasil, apenas 45% das crianças mais pobres tem pai ou mãe que completou o ensino médio. Entre as crianças mais ricas, essa taxa sobe a 97%, segundo estudo do economista Naercio Menezes, do Insper.

Para João Pedro de Azevedo, principal economista na área de prática Global de Educação do Banco Mundial, o estrago causado pela pandemia no aprendizado – e na renda futura – dos estudantes no Brasil e no mundo ainda está longe de ser compreendido.

“Trata-se de uma catástrofe geracional”, afirma. Azevedo considera que os mais afetados no Brasil tendem a ser os estudantes que estavam nos anos finais do ensino fundamental, e que podem vir a engrossar as estatísticas da evasão escolar.

O economista do Banco Mundial afirma que, além do aumento da desigualdade interna nos países, a pandemia acentuará as diferenças entre nações pobres e ricas.

Nesse sentido, a América Latina foi a região do mundo em que as escolas permaneceram fechadas por mais tempo.

Segundo indicador do Banco Mundial e do Instituto de Estatística da Unesco que mede a proporção de crianças em torno de dez anos que não conseguem ler e compreender um texto simples, havia 48% dos alunos nessas condições no Brasil em 2015 (ante média de 51% na América Latina).

Com o fechamento das escolas na pandemia, as simulações no ano passado sugerem um aumento dessa proporção em 11 pontos percentuais.

Uma medida semelhante do Banco Mundial, a partir de dados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), mostra que a proporção de crianças brasileiras que não conseguem ler e compreender um texto simples, mesmo frequentando a escola, havia caído de 72% para 39% entre 2007 e 2019 (antes da pandemia).

Azevedo destaca como boa notícia o fato de o Ministério da Educação ter confirmado a realização do exame do Saeb no final deste ano. “Será a pesquisa mais importante do sistema, pois permitirá entender o tamanho das deficiências e o perfil de quem perdeu mais na pandemia.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 15 DE JULHO

O PERIGO DO DESTEMPERO EMOCIONAL

O furor do rei são uns mensageiros de morte, mas o homem sábio o apazigua (Provérbios 16.14).

Se o furor de uma pessoa é uma fagulha que se alastra e provoca devastação por onde passa, imagine o furor do rei! O furor do rei é mais do que uma fagulha; é um incêndio, um fogaréu que leva morte e destruição em suas asas. É um grande perigo ter domínio sobre os outros sem ter domínio próprio. É ameaçador estar sob a autoridade de alguém que não tem controle emocional, pois esse destempero é como um vulcão que cospe suas lavas de fogo e espalha a morte por todos os lados. A sensatez diz que não devemos jogar lenha na fogueira, mas sim colocar água na fervura. Em vez de provocar a fúria do rei, devemos apaziguá-lo. Não é o homem raivoso e destemperado emocionalmente que prevalece na vida, mas o pacificador. Este herdará a terra. A mansidão não é falta de força nem ausência de poder, mas poder sob controle. O manso é aquele que, embora tenha motivos para reagir com violência, reage com brandura. Em vez de provocar a ira, busca a reconciliação. O homem sábio não é aquele que vive entrando em confusão, travando discussões tolas e comprando brigas desnecessárias, mas aquele que guarda a si mesmo da mágoa e se torna agente da paz.

GESTÃO E CARREIRA

‘APAGÃO’ DE MÃO DE OBRA

Desemprego é recorde, mas empresas não encontram pessoal qualificado

O Brasil vive um paradoxo. Há no país quase 15 milhões de desempregados enquanto empresas reclamam de dificuldades para preencher vagas, inclusive de nível técnico e operacional, num apagão de mão de obra qualificada. Candidatos para vagas de ensino médio na indústria, mas que não conseguem ler um manual ou não tem conhecimentos básicos de matemática, jovens que tentam um posto no setor de serviços, mas têm dificuldades para enviar um e-mail ou mandar sua documentação às empresas de maneira digital, além de não saberem se expressar corretamente na comunicação com os clientes, são alguns dos relatos feitos por executivos e recrutadores.

O impacto da pandemia na educação, particularmente no ensino médio, e o avanço da digitalização nos negócios agravam o que os especialistas apontam como mais um gargalo na economia, mesmo com o país tendo, no momento, o maior contingente de desempregados da sua história.

“Estamos vivendo um apagão de mão de obra, isso é categórico. Apagão é a expressão do momento e também um vaticínio, uma previsão de que, daqui pouco, não vamos conseguir sair dessa situação, permanecendo na armadilha de país de renda média”, diz o economista Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Na multinacional alemã de intralogística Jungheinrich, onde muitos processos requerem conhecimento em automação elétrica e eletrônica, a dificuldade de encontrar profissionais piorou na pandemia, segundo a gerente de RH, Thalyta Haertel: “Sempre houve dificuldade na qualificação de técnicos, mas agora não conseguimos nem contratar quem esteja cursando, pois houve evasão das escolas. Percebemos essa deficiência nos estagiários que ficaram só no EAD (ensino a distância)”.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que, no setor, faltarão 300 mil profissionais nos próximos dois anos. São ocupações de ensino médio, como técnico em eletromecânica, programador de unidades eletrônicas, especialista em telemetria e robotização. Segundo Felipe Morgado, gerente-executivo de Educação Profissional do Senai, a demanda estimada é de 401 mil trabalhadores até 2023, mas a formação só deve alcançar 106 mil.

“Formamos só 11% (dos estudantes) em ensino técnico no Brasil contra 42% na União Europeia. Dos formados no Senai, 72,5% são empregados em até um ano. Em 2021, subiu para 74%. Novas tecnologias digitais estão sendo inseridas na indústria. É uma rotina mais automatizada, que aumenta a necessidade de profissionais mais qualificados”.

Henriques lembra que a parcela de jovens com ensino técnico chega a 70% em alguns países da OCDE (que reúne nações desenvolvidas). “Sem o mesmo aqui, a multinacional francesa de pneus Michelin, viu como solução trabalhar diretamente com escolas técnicas”, diz Feliciano Almeida, CEO da companhia para a América do Sul: “Para fazer um pneu, uma pessoa tem de ser treinada por seis meses. Por vezes, a gente tem dificuldade que as pessoas passem em testes considerados básicos”.

EVASÃO AGRAVA SITUAÇÃO

O problema está também em setores como comércio e serviços. A diretora de Pessoas e Cultura da Qualicorp, Flavia Pontes, conta que há mais candidatos por vaga para estágio e trainee que para a área comercial, mas nem sempre quem tem ensino superior oferece a experiência necessária. A empresa de planos de saúde reavaliou o perfil das vagas anunciadas e tirou exigência da faculdade. Ainda assim, não é fácil preenchê-las.

Carolina Recioli, gerente sênior de Talentos no Mercado Livre, diz que é difícil contratar, dos cargos de base aos gerenciais, principalmente em áreas como tecnologia e logística. Até o fim do ano, a empresa abre cerca de 6 mil vagas nas duas áreas. Por isso, resolveu assumir o treinamento.

“Na logística, a exigência é de ensino médio e sem experiência, mas ainda assim faltam habilidades em português, matemática e digital.  Às vezes, o candidato tem dificuldade de enviar sua documentação digitalmente”, conta Carolina.

Jeyele de Lima Moura, de 22 anos, foi treinada na empresa. Aprendeu o básico de informática, logística e desenvolvimento pessoal. Há dois anos, ela trocou o sertão de Pernambuco pela Bahia na expectativa de trabalhar e fazer faculdade. Mas, com a pandemia e tendo apenas o ensino médio, teve dificuldade de achar emprego.

“Não sabia nem como era uma entrevista”, conta Jeyele, que entrou num programa de capacitação do Mercado Livre para jovens e agora atua como representante de envios.

Dados da plataforma de seleção Gupy mostram que as áreas com maior dificuldade de contratar hoje são operações (37%), finanças e administração (26%) e comercial (19%).

“A maioria das vagas no Brasil é júnior e operacional, mas as pessoas ficam no processo por não terem o básico. Além de TI, há escassez de mão de obra qualificada no varejo, no atendimento, por causa da dificuldade de comunicação, até por não saberem usar e-mail ou não terem empatia com o cliente”, diz Dedila Costa, executiva da Gupy.

‘GERAÇÃO ESTIGMATIZADA’

O economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, diz que o ensino médio deixou de ser uma etapa que diferencia a pessoa para o mercado de trabalho. Em 18 anos, o retorno em salário para quem tem o ensino médio recuou 58%, enquanto que, para aqueles que têm baixa escolaridade ou nível superior, não mudou tanto. E l5% dos jovens de 15 a 17 anos já estavam fora da escola antes da pandemia.

“O Brasil ficou muito relapso em adaptar a educação ao mundo digital. Não tivemos política pública para isso. E criamos uma desigualdade de oportunidade ainda maior”, diz Neri.

Nos últimos dois anos, só houve saldo positivo de contratações para vagas que requerem curso superior ou mais. Foram mais 2 milhões ocupados desde o primeiro trimestre de 2019 contra queda de 8,2 milhões entre os de menor formação. E a pandemia fez regredir a absorção do conteúdo do ensino básico, conforme mostrou estudo do Insper como Instituto Unibanco.

“Do lado da oferta, tem um problema enorme. Quando não está estudando, o jovem perde o que já aprendeu. Em um ano, aprende 15 pontos da escala Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) em matemática e 20 em português. Perdeu dez pontos só em 2020”, diz Laura Muller Machado, professora do lnsper. “Não há referência no Brasil de outro momento de problema de oferta (de mão de obra) tão grande. Pode ser uma geração estigmatizada”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EMOÇÕES QUE AJUDAM A LEMBRAR

As emoções estão relacionadas à memória. Com a ajuda do sistema límbico o cérebro integra os sinais externos e internos, responsáveis pela busca de equilíbrio dinâmico, e ativa a produção das emoções e da memória

Papez foi quem demonstrou esse circuito neuronal relacionado às respostas emocionais e aos impulsos motivacionais, que inclui estruturas como hipotálamo, amígdala, núcleos da base, área pré-frontal, cerebelo e septo, embora outras estruturas do cérebro também se relacionem com o conteúdo emocional. Nas bases neurais das emoções mais primitivas, estudadas por neurofisiologistas em circuitos encefálicos específicos, estão as sensações de recompensa (prazer, satisfação) e de punição (desgosto, aversão).

Ao chegar ao cérebro as informações percorrem um determinado trajeto ao longo do qual são processadas. Depois, direcionam-se para as estruturas límbicas e paralímbicas, pelo circuito de Papez ou por outras vias para assumirem significado emocional. Em seguida, dirigem-se a determinadas regiões do córtex cerebral para que sejam tomadas ações e decisões, que são processos relacionados à autonomia, função observada, geralmente, no córtex frontal ou pré-frontal. Diferentes estímulos (aferentes), tais como: térmicos, táteis, visuais, auditivos, olfatórios e de natureza visceral (como alterações na pressão arterial), ligam-se ao controle motivacional e às emoções. Os estímulos chegam a diferentes partes do sistema nervoso central por vias neurais, através dos nervos receptores e periféricos. Respostas (eferências) adequadas a esses estímulos são programadas em determinadas áreas corticais, exigindo um refinamento funcional e conectando várias regiões no encéfalo, com o córtex subcortical, seus núcleos e estruturas pertencentes ao tronco encefálico e cerebelo.

A partir daí, um estímulo se dirige ao cerebelo e à medula espinhal, sendo distribuído aos segmentos corporais e ao sistema nervoso simpático e parassimpático, numa visão panorâmica da integração biológica entre as emoções e o sistema neurovegetativo.

AMIZADES SEM FIM

A aprendizagem pode ser abordada a partir de muitos aspectos.

Ao se relacionar com a memória, algumas habilidades são essenciais como acontece com a percepção, estreitamente relacionada com todos os caminhos da memória que destacamos como “amigos”.

A percepção é a responsável por captar todas as informações, como uma detetive, ocupando-se de ver, ouvir, sentir, provar e encaminhar absolutamente tudo que estiver ao seu alcance, para posterior análise. Entretanto, a percepção pode ser influenciada por crenças, por distrações e por tendências internas até. Por exemplo, se alguém acredita que não gosta de estudar, irá perceber tudo o que se liga à aprendizagem como desagradável. Em outras situações, há até o estresse do indivíduo se sentir ameaçado, sem que haja perigo real, por conta de uma percepção distorcida de fatos, repleta de emoções e ansiedade. Quando as crenças negativas acometem a percepção, ela trabalha mal. Alguns comportamentos agressivos ou desencontros podem resultar de falhas na percepção. Se a percepção se convence de que “o mundo não presta”, todo comportamento do indivíduo poderá ser influenciado por esses valores negativos.

Assim considerando, é importante destacar outra habilidade importante na aprendizagem: o raciocínio. Como todas as funções cognitivas, o raciocínio também pode ser desenvolvido para auxiliar nas decisões, como um “amigo ” super-herói, realmente apoiando formulações positivas.

Graças ao raciocínio, é possível desenvolver a habilidade de lidar com problemas novos, não usuais. É preciso conhecer seus passos:

1. Busca analisar, por meio da percepção, os detalhes que lhe permitam a solução do problema.

2. Busca organizar conceitualmente, por meio de um trabalho mental sistemático que compare os dados: o que já foi feito, o que está fazendo, o que precisa ser feito.

3. Busca a representação mental da realidade, por meio de uma flexibilidade adaptativa, como se fosse um labirinto secreto que ele conhece e que lhe permite optar pelo caminho que chega ao resultado ideal, não ao acaso, mas pelo conhecimento.

Fique atento e aprenda: As formulações positivas e bem definidas funcionam como energias mágicas na reação inconsciente. Por isso, prefira sempre dizer “eu quero” (em vez de “eu gostaria”) e estabeleça dentro de quanto tempo, para desenvolver uma força construtiva que realiza suas decisões.

O raciocínio utiliza-se de operações lógicas. A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento lógico no qual a pessoa se encontra, pois, para assimilar os conceitos ensinados é preciso que as estruturas mentais tenham alcançado a complexidade dos problemas em questão. Entre outras, são importantes operações lógicas de raciocínio:

1. CLASSIFICAÇÃO: capacidade de agrupar os objetos em classes de acordo com um (ou mais) atributo-critério.

2. SERIAÇÃO:consiste em ordenar os objetos de acordo com sua grandeza crescente ou decrescente.

3. MULTIPLICAÇÃO LÓGICA:estabelece relação entre duas ou mais séries de acontecimentos em processo de mudança.

4. COMPENSAÇÃO:restabelecimento do equilíbrio de um sistema que tenha sido alterado por meio de modificações das variáveis, quer no mesmo sistema, quer em sistema diferente.

5. RAZÃO-PROPORÇÃO OU PROPORCIONALIDADE:construção de relações métricas que descrevem matematicamente mudanças proporcionais nas variáveis.

6. PROBABILIDADE:fundamenta-se no conceito de chance. De acordo com essa operação, o objeto que tem a maior frequência em um grupo é aquele que tem a maior chance de ser escolhido.

7. CORRELAÇÃO:construção de regras e/ ou a indução de leis que relacionam acontecimentos.

8. IDENTIFICAÇÃO: reconhecimento de características que personalizam o objeto, mesmo quando apenas parcialmente evidentes.

9. ANÁLISE:decomposição das partes de um objeto com compreensão.

10. SÍNTESE: capacidade de reunir diversas partes em um todo significativo.

11. CODIFICAÇÃO: representação por um símbolo.

12. DESCODIFICAÇÃO: interpretação do símbolo.

13. PROJEÇÃO DE RELAÇÕES VIRTUAIS:capacidade de estabelecer relações entre objetos abstratos.

14. REPRESENTAÇÃO MENTAL / TRANSFORMAÇÃO MENTAL: abstração do objeto.

15. HIPÓTESE:raciocínio por suposição.

16. SILOGISMO:linguagem conclusiva.

17. ANALOGIA:comparação por características semelhantes.

18. INFERÊNCIA:inclusão de dados que possam explicar o problema.

19. RACIOCÍNIO DIVERGENTE: comparação pelas diferenças.

20. RACIOCÍNIO MATEMÁTICO:levar em conta os conceitos numéricos.

Finalmente, para raciocinar adequadamente, é preciso estar em sintonia com uma liberdade de pensamento, de fluidez solta, leve, como se consegue no relaxamento, ou naturalmente, ao dormir (o sono é um regulador do equilíbrio das funções do organismo). Em vigília, é possível relaxar em estado profundo e também de forma muito saudável, através da meditação.

A meditação se aplica não só no melhor aproveitamento da aprendizagem, mas também no controle da ansiedade e na prevenção de desordens orgânicas, melhorando a qualidade de vida.

Existem diversas sugestões simples para essa prática, mas todas começam a partir de uma posição confortável, sentando-se com a cabeça ereta, para ficar alerta, em um lugar calmo. Os olhos devem ficar fechados em um período de 15 a 60 minutos, determinados com antecedência para que o relógio possa avisá-lo, evitando interrupções tentadoras que normalmente surgem.

COMPETÊNCIAS EFETIVAS

O cérebro está presente no desenvolvimento humano e é capaz de aprender, associar, sentir, criar e surpreender. É fundamental que o aprendizado seja construído para que as potencialidades se transformem em competências efetivas, que não são automáticas. Para construir competências é preciso aprender a identificar e encontrar os conhecimentos pertinentes. Estratégias efetivas acontecem, brincando de aprender. Para crianças, muitas indicações de brincadeiras podem complementar as transformações da atualidade, estimulando o cérebro sem levar em conta alguns aspectos socioemocionais de valores interpessoais, de riqueza ambiental e de tradições. Por isso é recomendável que sejam feitas leituras específicas, especialmente na fase pré-escolar, quando o cérebro está no auge de seu desenvolvimento, e a aprendizagem, planejada e potencializada, ou não, irá ocorrer.

No mais, competência também se aprende. Melhorar nunca é demais! Algumas questões para refletir e exercitar o próprio desempenho. E o melhor mesmo é a possibilidade que a vida oferece de fazer e refazer exercícios e vivências, melhorando do jeito que cada um define como ideal… Sem limites, como o cérebro e a aprendizagem.