EU ACHO …

CONTRATOS DE CONCUPISCÊNCIA

Natureza humana tende à corrupção pelas mãos do poder, do dinheiro e do sexo

Concupiscência significa uma atração irresistível pelo vício. Termo comumente usado por Santo Agostinho (354-430) para se referir à nossa natureza humana. Contrato de concupiscência, neste sentido, seria o contrato social mediado pelas variadas formas de vícios que compõem o tecido humano e suas instituições. A corrupção, diretamente ligada à concupiscência, habita a estrutura profunda da realidade. Está em toda parte, mas em algumas ela faz maior estrago porque as instituições são mais frágeis, e, portanto, a corrupção salta aos olhos.

Onde houver dinheiro, poder e sexo, a corrupção estará. Você conhece algum lugar em que esse tripé, que move o mundo, não esteja contemplado do cotidiano comum às profundezas institucionais?

A instituição que melhor entende do assunto é a Igreja Católica: 2.000 anos no mercado. Toda e qualquer instituição religiosa ou não, navega por águas tempestuosas quando se trata do caráter humano. O Ministério da Saúde é sabidamente um dos maiores “clusters”- aglomerados – de corrupção em Brasília. Lida com o essencial: vida e morte. Importação de medicamentos, tecnologia, enfim, a peste só poderia ser uma imensa janela de oportunidades. A rede de corrupção, portanto, se pôs a funcionar. E todo mundo sabe disso. E por que ninguém faz nada? Simples: a corrupção faz parte do jogo, em maior ou menor grau.

Estamos diante de umagramática do poder: aqui a virtude é que atrapalha. Quando vivemos num contrato de vícios, a economia moral é da mesma natureza.

A natureza humana tende à corrupção e, portanto, como diz o filósofo e historiador do pensamento conservador anglo-americano Russel Kirk, no seu magnifico The Conservative Mind, traduzido no Brasil pela É Realizações (A Mentalidade Conservadora”), o problema é moral, antes de político. Casos como esses podem ser encontrados em grandes empresas que emplacam um branding politicamente correto, mas molham a mão de quem for necessário paro agilizar negócios de bem.

Em se tratando dos três Poderes da república, você pode fazer carreira pregando o combate à desigualdade social e estar envolvido em todo tipo de corrupção, como vimos na recente história de partidos à esquerda no Brasil. Bolsonaro está corrompendo as polícias com uma política de acesso à casa própria na nossa cara.

Você pode ver figuras do Legislativo pedindo a cabeça do Poder Executivo federal – com razão – pela morte de milhares de brasileiros pela Covid-19, que, todos suspeitam, estão historicamente envolvidos com trilhas de corrupção em grande escala, em seus domínios de poder. A ideia de que o Judiciário esteja à parte dessa contaminação é parainiciantes ou para mentirosos que morrem de medo do poder da toga.

O Estado brasileiro é inteiramente rasgado pela corrupção. Sem ela, ele não onda. O problema vai dos fiscais ao rei, claro, com honrosas exceções que, provavelmente, não terão grande sucesso na carreira, como policiais pobres.

A corrupção pode funcionar no nível da microfísica do poder, alimentada pela vaidade que busca a relevância pública, aprovação em concursos, promoções profissionais, indicação para cargos de confiança – denominação irônica, não? Neste caso, a expressão uma mão lava a outra é conceito e não ditado popular. Se não envolver dinheiro, envolve poder ou sexo.

Ninguém pode denunciar de modo radical esse nível da corrupção porque, se o fizer; perde amigos, trabalho, futuro e o casamento – ficará pobre facilmente.

Você pode fazer carreira combatendo institucionalmente a corrupção em busca de sucesso, dinheiro, poder e sexo, e quando estes elementos estão presentes, a corrupção pode vir pelas mãos da beleza, da doçura e da amizade. Pessoas bem-educadas não perdem a compostura diante dos vícios alheios porque elas têm os seus próprios.

A vida é frágil, bruta e breve, logo, aberta a qualquer esquema que a torne mais forte, suave e longa. Quando a cidade é corrupta, melhor se abrigar da tempestade de água e areia que a devasta, e viver à distância do poder; disse Platão na “República”.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ – é escritor, ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e “Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP.

OUTROS OLHARES

PANDEMIA IMPULSIONA TELEMEDICINA, MAS REGULAÇÃO DIVIDE CLASSE MÉDICA

CFM entende que primeira consulta deva ser presencial, e AMB defende autonomia profissional

A regulamentação da telemedicina, que hoje funciona em caráter provisório, tem provocado novo embate na classe médica opondo, mais uma vez, duas das principais entidades da categoria do país, o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a AMB (Associação Médica Brasileira).

Ao longo da pandemia de Covid-19, ambas divergiram em relação ao tratamento precoce com medicamentos sem eficácia para a Covid. A AMB foi contra o uso, e o CFM deixou a critério dos médicos.

Agora, as divergências dizem respeito a uma operação central discutida tanto na elaboração de uma nova resolução do CFM sobre telemedicina, quanto em projetos de lei na Câmara dos Deputados sobre o tema: a obrigatoriedade de que a primeira consulta por telemedicina seja presencial.

Em debates virtuais sobre o assunto, o vice-presidente do CFM, Donizete Giamberardino Filho, tem defendido que a primeira consulta por telemedicina seja presencial. Em nota, porém, a entidade disse que ainda analisa o assunto. Já a AMB entende que essa decisão deve ser do médico e do paciente.

Há discussões também em torno da chamada territorialidade. Médicos poderiam fazer telemedicina em todo o país ou apenas nos estados onde possuam registro profissional? Hoje, além do certificado no estado onde atua predominantemente, o médico pode ter outros locais onde também atende.

A questão é que agora, com a telemedicina, ele pode atender, em tese, pacientes em qualquer lugar do país. A AMB defende que o profissional tenha autonomia para isso.

Giamberardino Filho, do CFM tem opinado que se a primeira consulta for presencial, o acompanhamento depois poderia ser virtual, em qualquer lugar. Em nota, o CFM diz que ainda estuda o assunto.

“Essas ferramentas [de telemedicina) existem para beneficiar o paciente. Ainda temos limitações. Há situações em que eu, como médico, não vou conseguir resolver tudo (virtualmente). Vou precisar do paciente presencialmente”, afirma o ginecologista César Fernandes, presidente da AMB. Segundo ele, é o médico que, na primeira consulta virtual, deve arbitrar se vai precisar ou não de uma consulta presencial. ”É decisão do médico, autonomia do médico, ele se aventurar a fazer uma proposição terapêutica sem ter todos os elementos necessários, ele será responsabilizado por isso. Não atenua a responsabilidade do médico se ele atender presencialmente ou por teleconsulta.”

Pesquisa feita pela AMB com uma amostra de 980 médicos mostra que 66% consideram que o profissional deve ter autonomia para decidir pela consulta virtual ou não e 62% dizem que ela não deve se restringir ao estado onde o médico tenha registro profissional. Para Fernandes, o fato de parte da categoria defender que a telemedicina só seja exercida no estado de registro pode ser pelo fato de que há médicos em locais que não têm recursos tecnológicos para concorrer em condições iguais com outros de centros mais avançados.

“Talvez imaginem que vão ter prejuízo. Mas é um direito do paciente de querer passar onde quiser e com quem quiser. Senão daqui a pouco o médico vai ter que ter 27 CRMs para poder atender por telemedicina no país?”, questiona.

O pediatra Clóvis Constantino, professor de ética médica e bioética da Unisa (Universidade Santo Amaro), lembra que uma questão que precisa ficar clara é que, para algumas especialidades médicas, a telemedicina funciona muito bem, mas para outras, não.

Ele sugeriu ao CFM que as 54 especialidades aprovassem a forma como a telemedicina poderia ser usada (ou não) em suas respectivas áreas. “Na psiquiatria, por exemplo, há mais segurança de uma primeira consulta virtual. Mas, em outras, o exame físico é muito importante.”

Sob uma legislação provisória aprovada no início da pandemia e com validade até o fim da crise sanitária, a telemedicina já está sendo amplamente usada tanto em plataformas estruturadas, que obedecem a regras do sigilo e proteção de dados, quanto por meios informais, como aplicativos de mensagens.

Segundo dados da Saúde Digital Brasil, uma associação que representa os principais operadores de telemedicina do país, em 2020 e 2021, mais de7,5 milhões de atendimentos virtuais foram feitos por mais de 52,2 mil médicos. A maioria (87%) foi das chamadas primeiras consultas.

Para Eduardo Cordioli, presidente da entidade, mais importante do que aval dos atendimentos a distância é o alto índice de resolutividade: 91% nas consultas avulsas de pronto-atendimento.

Na pesquisa da AMB, 56% dos médicos dizem que já estão atendendo a distância e 59% pretendem continuar após a pandemia. Uma outra pesquisa, da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), também mostra ampla utilização da telemedicina pelas empresas de assistência médica e odontológica. Em debate virtual recente promovido pela Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados, um dos pontos abordados foi a sobrea Lei Geral de Proteção de Dados, que deveria ser seguida à risca pelos profissionais que fazem consultas virtuais.

“É muito importante estabelecer regras, princípios éticos para que essa implantação seja dentro do que imaginamos como adequada”, disse Giovanni Cerri presidente do conselho do Instituto de Radiologia do HC da USP.

“É preciso entender que consulta por WhatsApp não é telemedicina”, disse Giambernardino, do CFM. Ele afirma que o conselho estuda formas de proporcionar aos médicos meios de prescrição e assinatura digital seguros, já inclusos na mensalidade.

Outra questão é a capacidade dos médicos. Segundo Chao Lung Wen, chefe de disciplina de telemedicina da USP, apenas 12 das 340 universidades com curso de medicina no Brasil possuem aulas voltadas para a telemedicina.

Uma preocupação levantada pelos participantes é que a modalidade não deve ser usada pelos gestores públicos e privados de saúde como forma de reduzir custos.

Para os locais remotos, ele defende uma combinação de unidades móveis de deslocamento e telemedicina. Nessas regiões distantes, em que não há médico, Giamberardino diz que a primeira consulta poderia ser virtual. Mas deve ser a exceção, não a regra.

Em nota, o CFM disse que questões como a exigência de uma primeira consulta presencial (ou não) ou a definição de territorialidade estão sendo avaliados, com rigor e critérios, a partir de considerações feitas por todos os setores envolvidos.

O órgão destaca que tem procurado ouvir os conselhos regionais de medicina, as sociedades médicas e especialistas renomados para construir um normativo que atenda aos interesses dos pacientes e dos profissionais. Sugestões encaminhadas por meio de consulta pública também estão sendo analisadas, diz o CFM.

É preciso lembrar que a telemedicina não vem para substituir a presença do médico, mas para melhorar a qualidade do serviço prestado, bem como o seu acesso. Entre os princípios abordados na revisão está a autonomia do médico e do paciente. A valorização dessa relação é fundamental para o estabelecimento da confiança interpessoal diz o conselho. O CFM entende que todo ato médico deve ser registrado em prontuário do paciente, para conferir mais segurança na assistência prestada.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 13 DE JULHO

A JUSTIÇA ENALTECE O TRONO

A prática da impiedade é abominável para os reis, porque com justiça se estabelece o trono (Provérbios 16.12).

Uma nação não pode ser forte se seus cidadãos estão rendidos ao pecado. O pecado é o opróbrio e a vergonha das nações. Promover o pecado é a mais consumada loucura, porque o pecado é como um câncer que destrói as entranhas da nação. Jamais um povo se manteve de pé e nunca um rei estabeleceu seu trono lançando mão da impiedade. O que torna forte um governo é a justiça, e não a iniquidade. O que enaltece o trono é a santidade, e não a prática da impiedade. O que fortalece um povo é a integridade, e não a promoção da imoralidade. O rei Belsazar perdeu a vida e o reino porque se entregou à devassidão e conduziu seu reino por esse sinuoso caminho. O império romano caiu nas mãos dos bárbaros porque já estava podre por dentro. As nações que beberam o leite da piedade e cresceram governadas pelas balizas da honestidade progrediram econômica, social, política e espiritualmente. Tornaram-se prósperas e ocuparam uma posição de vanguarda e liderança no mundo. As nações que se renderam aos vícios, à desconstrução dos valores morais e conspiraram contra a família, porém, amargaram pobreza e opróbrio, pois um governo só se estabelece com justiça.

GESTÃO E CARREIRA

O CARTEL DO RH

Acordos entre departamentos de recursos humanos de empresas mancomunadas podem deixar você em uma sinuca de bico: com salário estagnado e sem ter como trocar de emprego. Entenda essa armadilha kafkiana.

Chega aquele dia. Você está ok com o seu trabalho, mas sente que sua carreira empacou. Sabe que, na empresa onde está, a chance de promoção ou de aumento é quase nula, por mais que elogiem os resultados que você entrega.

Hora de explorar o mercado de trabalho e procurar um lugar melhor.

E opa: uma empresa bacana está com vagas abertas, justamente na sua área. Currículo daqui, entrevista de lá… Tudo indica que você se encaixa no cargo e que o entrevistador gostou do seu perfil. Até que vem a notícia: não rolou. “Muito obrigado, você foi excelente no processo seletivo. Mas decidimos por outra pessoa.” Vida que segue. Até que um dia vem o plot twist: você descobre que não conseguiu a vaga porque sua empresa atual bloqueou a contratação por debaixo dos panos. E se sente o próprio Josef K, o personagem de Franz Kafka acuado por uma teia torturante de intrigas, no livro O Processo.

Parece absurdo. É absurdo. Mas aconteceu algo parecido com Fernando*. Ele atua na área de tecnologia e trabalhou em uma mesma companhia por mais de 15 anos. “Eu já estava há sete anos lá. Vi que um dos nossos fornecedores abriu uma vaga, no escritório que eles têm nos EUA. Gostei e me inscrevi. Mas logo depois o meu gestor me chamou e perguntou por que eu enviei o meu currículo.”

Foi quando ele descobriu que havia um “acordo de cavalheiros” entre as duas empresas, de jamais contratar funcionários uma da outra. Isso não estava no contrato de trabalho, claro. “Um ex-colega já tinha saído da companhia um ano antes, e também não conseguiu ser contratado”, relembra.

Bom, “acordo de cavalheiros” é um eufemismo. O que temos aí é um caso de formação de cartel – um mecanismo ilegal que barra a concorrência. Cartéis de formação de preços lesam o consumidor. É o que acontece quando postos de gasolina de um bairro combinam na surdina o valor que vão cobrar pelo combustível. Cartéis de retenção de funcionários, como o que pode ter barrado Fernando, lesam o trabalhador.

Não se trata de um caso isolado, atípico. Tanto que há uma investigação sobre o assunto em andamento no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o órgão público que tem por missão proteger a livre concorrência e combater a formação de cartéis e monopólios.

Em março, a instituição abriu um processo contra 37 empresas do setor de saúde. Entre as envolvidas estão algumas gigantes, como Abbott, Bayer, Johnson & Johnson, Novartis e Roche. A acusação: suposta troca de informações sensíveis dos trabalhadores – como condições de contratação, remunerações, reajustes salariais. E pior: fixação de salários (wagefixing, no jargão internacional) e o tal acordo de não recrutar profissionais umas das outras (no- poach). Nenhuma empresa é uma ilha. Todas estudam ferozmente o mercado em que atuam para saber o quanto devem pagar aos seus funcionários e quais vantagens extras devem oferecer para retê-los. Disponibilizar carro da empresa para gerentes, por exemplo, pode ser um prejuízo desnecessário ao empregador se esse benefício já estiver em extinção no mercado. No jargão corporativo, trata- se de formar um benchmarking – um ponto de referência a partir do qual a empresa estipula os salários e benefícios que vai oferecer.

Como todas as companhias fazem esse tipo de estudo, é natural que troquem informações diretamente entre elas. É o chamado “benchmarking colaborativo”. A lei antitruste brasileira, que serve para garantir a concorrência leal, determina que o benchmarking deve ser usado para incentivar o aumento da eficiência, da segurança do trabalho e para reduzir custos.

Certo. Mas existe um limite para a camaradagem. É proibido trocar informações sensíveis. Tradicionalmente, a lei entende que “informações sensíveis” são preços futuros de produtos, custos de produção e políticas de desconto. A parte trabalhista, porém, é novidade nessa seara – o processo em tramitação no Cade é o primeiro do tipo no Brasil, e envolve uma reinterpretação das leis.

O ELO MAIS FRACO

Nas leis que regem a concorrência, a força de trabalho é considerada um insumo, um item necessário para que a empresa funcione. Na prática, os departamentos de recursos humanos são os responsáveis pela compra dessa “matéria-prima”.

A formação de cartel para a venda é a mais conhecida e melhor abraçada pela lei, já que tem um impacto direto no consumidor, na economia como um todo. Mas e se o acordo for para a compra de um insumo?

Vamos supor que várias empresas se unissem para ganhar escala e comprar alguma matéria-prima que todas usem. Isso reduziria os custos e poderia refletir na redução do preço. Bom para o consumidor, bom para a economia. Mas é aí que a porca torce o rabo: um funcionário, obviamente, não é um insumo inerte. Ele também é um agente econômico. Se o salário dessa pessoa, se as oportunidades de crescimento profissional dessa pessoa forem tolhidas, não é nada bom para a economia. Isso amplia a desigualdade: a pessoa deixa de receber sua remuneração justa, aquela que teria num ambiente de livre concorrência.

A diferença entre o salário real e o salário justo fica com os donos das empresas. Não é algo apenas imoral. Também é ruim para a economia. Dinheiro que iria para a compra de um imóvel, por exemplo, pode simplesmente ficar dormindo nas contas bancárias dos acionistas. Não gera emprego. Não gera nada. Sim, este é um exemplo exagerado. Uma empresa que gaste menos com salários pode vender produtos mais baratos, como tantas realmente fazem – mas, sim, o que dissemos aqui faz parte da realidade.

Trata-se de uma vantagem exagerada para o empregador, enfim. Se ele recusar um pedido de aumento de salário, sabe que não precisará se preocupar com a possibilidade de um concorrente atrair seu funcionário com uma remuneração mais alta. Pior: os salários de um setor cartelizado tendem a ficar menores que os de setores onde impera a livre concorrência. Mais uma injustiça econômica.

Como o Cade zela por toda a economia, então, é natural que ele também deva garantir a livre concorrência salarial. “Essa é uma nova visão que o Cade tem: a de que a interferência na movimentação de profissionais e limitações salariais é uma forma de controle de mercado”, diz Felipe Rabelo, advogado trabalhista e sócio no escritório TPC Advogados. Entramos em contato com o Cade. A instituição não quis dar entrevista sobre o caso, mas informou que os dados da ação estão disponíveis para consulta pública e que não há prazo legal para a conclusão do processo.

LÁ FORA FUNCIONA

A investigação do Cade pode ser a primeira desse tipo no Brasil. Mas isso já é comum em países desenvolvidos. Um dos casos mais famosos aconteceu em 2010. Na época, funcionários de empresas do Vale do Silício iniciaram uma ação pública para processar Apple, Google, Intel, Adobe e lntuit, além do estúdio Pixar e da produtora Lucasfilm, por manterem um acordo de não recrutar profissionais umas das outras e combinar tetos salariais.

O Ministério da Justiça dos EUA identificou o seguinte: os conluios entre as empresas tinham começado em 2005, com dois acordos: um entre a Apple e a Adobe; outro entre Pixar e Lucas film. Os pactos acabaram se juntando em 2007, quando outras companhias já estavam envolvidas.

O fundador da Apple, Steve Jobs, chegou a ser acusado de ameaçar outras empresas que tentavam “roubar” os empregados da dona do iPhone. Em 2007, Jobs enviou um e-mail a Edward Colligan, ex-CEO da Palm (antiga fabricante dos palmtops), afirmando que, se ela continuasse a contratar funcionários da Apple, ele começaria uma guerra de patentes – quando uma empresa processa a outra alegando violação de propriedade intelectual (algo que tende a se tornar um labirinto jurídico sem fim).

Ou seja: mesmo o empresário mais canonizado da história, e que de fato era tão ambicioso quanto genial, não abria mão das vantagens que só a cartelização proporciona.

Para evitar situações desse tipo, países como EUA e Japão desenvolveram guias antitruste para os departamentos de recursos humanos. Os documentos deixam claras quais práticas de RH são consideradas ilícitas e quais não. Estão proibidas as trocas de informações sobre composição salarial, fixação de remuneração e de benefícios com outras empresas, além de acordos de não contratação.

Esses guias antitruste são importantes porque o Cade pode se basear neles para tomar uma decisão sobre o cartel dos RHs. “Em média, um processo normal do Cade leva cinco anos para ser concluído. Esse dos RHs, por ser novidade e ter muitas empresas envolvidas, deve demorar ainda mais. Durante esse período, a instituição deve entender como os outros países estão fazendo”, diz Ademir Pereira Jr., especialista em direito da concorrência e sócio do escritório de advocacia José Del Chiara.

Se condenadas por formação de cartel, as companhias envolvidas no processo do Cade terão de pagar uma multa de até 20% do valor do seu faturamento anual.

Mas, como Ademir lembrou, ainda tem chão. Se você acha que a empresa onde você trabalha tem acordos sinistros com os pares dela, e que isso está travando sua carreira, terá de mover alguns pauzinhos.

Fernanda Garcez, advogada trabalhista e sócia no escritório Abe Giovanini Advogados, orienta o seguinte: você pode denunciar para o Ministério Público do Trabalho ou então acionar o sindicato para entrar com uma ação coletiva. “Se você tiver algo concreto, como uma lista com o nome dos funcionários que estão barrados, dá para entrar com um processo trabalhista pedindo danos morais e até materiais.”

No cabo de guerra entre empresas e funcionários, essa pode parecer uma causa perdida – seja na dificuldade de conseguir provas ou na demora do processo. Mas Fernanda é enfática: “O livre exercício profissional é um direito constitucional. Qualquer empresa que impedir isso vai impactar o mercado de trabalho e precisa ser punida.” Sem dúvida.

JOGO DENTRO DAS REGRAS

Mas nem todo acordo que envolva o limite do livre exercício é ilegal, ou imoral. Algo comum é a cláusula de “não competição” (non compete no jargão internacional). Ela pode entrar no contrato de trabalho e determinar que o funcionário não pode ir para uma concorrente logo após deixar a empresa.

O objetivo aí é proteger segredos comerciais. Dependendo do seu cargo, você tem acesso a decisões estratégicas que não podem vazar para o mercado. Ao mudar de emprego, acaba levando todo esse conhecimento para outra organização. É natural, então, que uma empresa garanta que não vai entregar tudo de bandeja a cada gerente ou diretor que se mude para a concorrência.

Mas vale ressaltar: esse é um acordo entre empregador e funcionário. A companhia tem o direito de evitar que seus empregados sejam recrutados por fornecedores ou clientes, mas ele não pode negociar diretamente com outras companhias.

Existem algumas regras para o cumprimento dessa cláusula, de acordo com a Justiça do Trabalho. Primeiro: ela não vale para todos os funcionários. A cláusula existe para proteger segredos comerciais. Isso significa que só deve ser aplicada a empregados com acesso a informações confidenciais. Aplicá-la a todos seria um abuso.

E o funcionário não sai de mãos vazias. É obrigatório que a companhia ofereça uma compensação financeira. “Tem que assegurar ao profissional estabilidade financeira durante o período em que a cláusula está valendo. Ele não precisa receber o salário integral, mas a jurisprudência tem fixado esse valor entre 40% e 50% da remuneração que ele tinha”, explica Felipe Rabelo. A cláusula de non compete também não pode valer por tempo indeterminado. Indica-se um período de seis meses a dois anos.

O mais comum é as empresas listarem as concorrentes que estão proibidas. Foi o que aconteceu com o Fernando depois que saiu da companhia onde estava. “Na minha empresa atual, existe a cláusula de confidencialidade e a regra é clara: se eu sair hoje da organização, pelo próximo ano, não posso trabalhar nas concorrentes x, y, z.” Jogo jogado.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MUNDO VIRTUAL E PSIQUIATRIA

A telemedicina é uma realidade e o atendimento chega ao paciente em locais e situações nas quais há carência de atendimento presencial

Essa modalidade tem um lado bom e outro ruim. A parte positiva é o fato de que situações e dados clínicos podem ser transmitidos instantaneamente, facilitando consultas e até cirurgias robóticas   a distância. Porém, quando o assunto envolve a mente humana, a história é bem outra. Com efeito, psiquismo é res cogitans (coisas da consciência) e a telemedicina funciona quando o “material” é físico, ou seja, res corporea (coisas do corpo).  Por exemplo, na ortopedia, dermatologia ou cirurgia lida-se com o físico, e os algoritmos podem dizer o que é propor soluções para o profissional, principalmente àquele dotado de pouca especialização.

Já para a Psiquiatria/Psicologia, os algoritmos ficam em segundo plano, pois quando entra a consciência começa o imponderável, que exige habilidade, arte, intuição, percepção, pensamento e sentimento do examinador. É claro que a telemedicina/ telepsicologia está entrando na Psiquiatria/ Psicologia com muita rapidez, considerando as características do século XXI, que não são as de aprofundar o conhecimento, mas alargar o mercado, tal qual já ocorre, por exemplo, na música, que começou com a velha bolacha de 78 rpm, passando pelo vinil long-play e pelo acrílico do CD. Agora vive nas nuvens. Ou seja, não é preciso ir às lojas para comprar. Basta pagar 10 reais a instituições, que não se sabe onde ficam, e, ao simples toque de um botão, em um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforo (celular), tem-se à disposição milhares de músicas.

Assim também será com a terapia e com a administração de remédios. Para que consultório de psicólogo e de psiquiatra se existem aplicativos cujos algoritmos dirão o que temos e que droga (psicofármaco) tomar? Chegará o dia em que, ao assinalarmos apenas a idade, o programa estará apto a responder, na velocidade da luz, de que mal padecemos. Se menor de 18 anos, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade; entre 19 e 64, transtorno bipolar; de 65 em diante; doença de Alzheimer. A bem ver, pensar em algo mais talentoso do que o ser humano, com a sua net de bilhões de neurônios, todos plugados a um só tempo é imbecilidade, por falta do apoio (bastão, bacilum) do bom senso.

Para ser bom psiquiatra / psicólogo, todos sabemos que é preciso conhecer antropologia, história, filosofia, sociologia, teologia etc. Como conciliar esses saberes com os avanços tecnológicos? É muito simples: examine-se o paciente “ao vivo”, percebendo os seus sinais, intuindo as suas omissões inconscientes, valorando as angústias manifestas e pensando nas múltiplas saídas. A partir daí, os algoritmos robóticos serão apenas subsídios que podem ou não ser aceitos, a complementar o entendimento, visando o bem do paciente.

GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

Chihuz Eats

COOKING AND BAKING.

JaZzArt en València

Faith saved us from the savages that we were, losing faith makes us savages again

erkekler soruyor

umutlar bir vadiye mahkum ...

YOUNGREBEL

Blog about life, positivity, selfcare, food and beauty.

Big Dreams

Quotes, Stories and life tips by Author Ceco

tlcof

True love cast out fear

pflkwy

Blog sobre notícias e política com um viés de esquerda, onde os bravos nunca ousaram percorrer e que não espere deste o obsequioso silêncio dos covardes, amortecendo consciências, desarmando resistências que só no fátuo da retórica da ideia, da moral e da ética é que se venera seu oponente evitando a sedição!

When The Soul Writes

A Place For Readers

Mila Detti

"Antes y después el mundo se ha hecho pedazos y hay que nombrarlo de nuevo, dedo por dedo, labio por labio, sombra por sombra." Julio Cortazar.

Chica de Campo

Your country girl living the country life!

Infinitividades

Alguns Pedaços de Eternidade

Realismo Antimágico

Los propios dioses

Marketing

Bem vindo ao mundo dos negócios.onde você poderá transforma sua vida com alguns click,e o mais importante diretamente do aconchego do seu lar