EU ACHO …

CRINGE? EU?

Em 20 anos trabalhando com moda, assistindo ao ciclo de tendências cada vez mais ágil e ao comportamento de um público informado diariamente pelas novas tecnologias, ela achava que estava imune a críticas ao seu próprio estilo, seja ele de se vestir ou em relação ao comportamento de um tempo.

Gostava de usar uma frase sobre um tal túnel do tempo de onde algumas pessoas pareciam surgir, sem conseguir enxergar as mudanças que ocorreram ao longo do caminho. Elas simplesmente “saltavam” de um ponto a outro sem terem absorvido as informações que as deixariam com o visual contemporâneo. Era um julgamento feroz, mas necessário quando usado cirurgicamente em ocasiões de consultoria, como um choque de realidade para quem queria e precisava atualizar a imagem. Para ela, pelo menos essa parte da vida parecia estar resolvida. Era uma expert no assunto e assumia a posição com alegria.

Até que, em um sábado de frio e sol na praia, uma amiga próxima surgiu com a filha de 17 anos e disse: “Minha filha é sua fã e quer estudar moda!”. O momento transformou-se em alegria genuína por saber que poderia influenciar uma nova geração nessa área, que é sua vida e paixão. Em poucos minutos, a jovem demonstrou conhecer tudo sobre sua carreira, modo de pensar e até algumas lendas do mercado. “Sei tudo, vejo você nas mídias sociais desde que tenho dez anos e amei o jeito cringe como você escreveu seu livro”. Pronto, um buraco se abriu e a expert em tendências com imunidade comprovada caiu rodopiando pelo túnel do tempo. Cringe? Eu?

Se você, meu caro leitor (será que “caro” é cringe?), não sabe do que estou falando ou se sabe e acredita que não passará por uma situação parecida, pode ter a certeza de que está enganado. Meu livro, um best-seller chamado Moda à Brasileira, se transformou em 2021 em uma mostra do meu comportamento cringe! Isso quer dizer que seu conteúdo está desatualizado? Talvez um pouco, claro, mas não se trata disso. Ele é cringe pela forma, por refletir modismos de um tempo que passou. Por exemplo, segundo a geração Z (de 11 a 26 anos), usar os emojis amarelos que recheiam cada página do livro é Cringe, o que coloca esses símbolos (que particularmente eu amo) em um ícone cringe – e contra essa constatação, nada podemos fazer.

Vamos aprofundar mais. Ter um hábito cringe quer dizer ultrapassado para a próxima geração. E assim descobri que calça skinny é Cringe (ufa, dessa escapei), sapatilha de bico redondo idem (obrigada, geração Z), e, para quem pensa que só os amantes da moda são julgados, saibam que usar Facebook também é considerado um comportamento cringe pela geração Z.

O curto encontro no meu sábado virou uma tarde de consultoria. A expert em moda, que está fora de moda, se debruçou sobre a explanação minuciosa da fã (talvez ela nem seja mais) e a crônica já escrita foi deletada ao entardecer para uma nova e menos cringe narrativa. Conclusão temporária: assumir as opções e comportamentos cringe que fazem já parte da minha identidade, elementos que vieram ao meu lado caminhando lá no túnel do tempo e que continuam a me identificar, em emojis amarelos e noticiários estão na lista. Sem nossas memórias afetivas, quem somos?

Próximo passo, contratar minha ex-fã e consultora da geração Z para um estágio.

*** ALICE FERRAZ – é especialista em marketing de influência e escritora. autora de “Moda à Brasileira

OUTROS OLHARES

EU FIZ, E DAÍ?

Os jovens estão quebrando um antigo tabu: submetem-se a transplante capilar e, em vez de guardar segredo, vão às redes exibir o resultado

Entocados em casa por causa da pandemia, calvos inconformados estão acorrendo às clínicas dermatológicas em busca da única solução definitiva para seu problema: o transplante capilar. A demanda já estava em alta desde que as técnicas se aprimoraram e os preços deram uma caída – no Brasil, custa de 15.000 a 30.000 reais. Mas a regra era manter o procedimento em segredo, como se a súbita cobertura onde antes reinava o deserto fosse obra de um milagre. A novidade agora é a profusão de postagens nas redes sociais de ex-carecas balançando madeixas aos quatro ventos, um movimento de libertação puxado por gente jovem, livre do constrangimento social da relação entre calvície e velhice. O estudante paulista Arthur Malheiros, do alto de seus 20 anos, não esconde que acaba de fazer um transplante. “Sabia que ficaria careca como meu pai e meu avô e resolvi recorrer logo a uma solução definitiva”, diz Malheiros, cliente da clínica que o dermatologista Luciano Lovisi abriu em São Paulo em junho e que, em sua curta existência, já atendeu 270 pacientes. Juventude e Instagram, aliás, são os motores por trás tanto das revelações de transplantes de cabelo quanto da duplicação da demanda nos últimos cinco anos. “Quanto mais as pessoas falam sobre um determinado assunto, mais a sociedade o vê como normal. Inaceitável, agora, é manter uma aparência diferente da desejada”, diz a psicóloga Lídia Aratangy. Entre as técnicas disponíveis, a mais procurada é conhecida como extração de unidades foliculares: no dia da cirurgia, um desenho a caneta delimita a área a ser preenchida, a cabeça é raspada e uma faixa de fios é transplantada da nuca para a região descoberta. Feito o transplante, o paciente precisa ter paciência: a cicatrização leva, em média, seis meses.

Incomodado com as entradas proeminentes, o ator Malvino Salvador, de 45 anos, aderiu ao transplante capilar há um mês. “O cabelo é parte importante da autoestima de qualquer pessoa e comigo não foi diferente”, argumenta Salvador, que recebeu 2.400 folículos em longas nove horas. As redes sociais registram mais de 230.000 fotos acompanhadas da hashtag #transplantecapilar. Tal qual Salvador, os atores Bruno Gagliasso, Sergio Guizé e Paulo Vilhena fizeram e divulgaram –   Vilhena, inclusive, exibiu o antes e depois em 2019. “O procedimento vai além da estética, é uma questão de bem-estar que mudou a forma como eu me relaciono com as pessoas”, afirma ele.

Segundo a Sociedade Internacional de Restauração Capilar, 84% dos pacientes que encaram as espetadelas são homens cada vez mais jovens: 45% dos 735.000 transplantados no ano passado têm entre 26 e 35 anos. O mercado movimenta 25 bilhões de reais e boa parte ficava na Turquia, país que, até se fecharem as fronteiras, era famoso por oferecer um pacote: transplante com estada em hotel e tradutor por 2.000 euros. Sem viagens, os candidatos buscam as clínicas locais. “Faço questão de falar sobrea operação porque temos de fazer o que nos deixa felizes, sem pensar na opinião alheia”, diz o farmacêutico Felipe Ferreira, de 30 anos, que viajou de Curitiba a Porto Alegre para se submeter ao seu transplante. Novos tempos, novo topete, nova atitude.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 05 DE JULHO

OS PLANOS DE DEUS NÃO PODEM SER FRUSTRADOS

O Senhor fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade (Provérbios 16.4).

Deus criou o universo mediante um plano perfeito, eterno e vitorioso. Deus não improvisa. Nada o apanha de surpresa. Ninguém consegue esconder-se de sua presença, pois ele é onisciente. Ninguém pode escapar do seu controle e vigilância, pois ele é onipresente. Ninguém consegue desafiar o seu poder e prevalecer, pois ele é onipotente. O universo não deu origem a si mesmo. A geração espontânea é uma teoria falaciosa. O universo não é produto de uma explosão cósmica. A desordem não pode gerar a ordem, nem o caos pode dar origem ao cosmos. O universo não é fruto de uma evolução de milhões e milhões de anos. Deus criou o universo pela palavra do seu poder. E não apenas fez todas as coisas, mas as fez com um propósito definido. Até mesmo os perversos foram feitos para o dia da calamidade. A rebelião dos perversos não deixa Deus em crise e confuso. Embora eles sejam totalmente responsáveis por sua rebelião, essa mesma rebelião cumpre o propósito de Deus. O apóstolo Pedro disse no dia de Pentecostes acerca de Jesus: sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos (At 2.23). A soberania de Deus não anula a responsabilidade do homem.

GESTÃO E CARREIRA

CRISE NO MUNDO DO TRABALHO ABRE ESPAÇO PARA STARTUPS DE RH

A parceria com empresas inovadoras é estratégica para a competitividade das corporações num mercado em plena transformação

As startups dedicadas ao desenvolvimento de serviços, produtos e outras soluções tecnológicas em Recursos Humanos ganham cada vez mais visibilidade, em tempos de crise do mundo do trabalho gerada pela Covid-19. Do recrutamento ao desligamento dos trabalhadores, passando pela busca de produtividade e melhoria do ambiente organizacional, a parceria com essas empresas inovadoras tem sido estratégica para as corporações em variados setores da economia, em nome da competitividade num mercado em plena transformação.

Não é por menos que as HR Techs (do inglês Human Resources Technology) despertam interesse crescente dos investidores. Estudo da plataforma de inovação Distrito constatou que o segmento foi o terceiro maior em conceituação de capital investido no ano passado, acumulando aportes de US$ 473 milhões desde 2014, em mais de 90 rodadas de investimento. No documento Distrito HR Tech Report Brasil 2020, foram mapeadas 373 empresas, com 11 mil profissionais e presença majoritária (70%) no Sudeste, que abriga grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Otimizar o potencial da força de trabalho nas empresas é um dos focos de HR Techs como a Novidá, que usa recursos de inteligência artificial, Internet das coisas e rastreamento de precisão para mapear a rotina operacional de um trabalhador ou equipamento a fim de melhorar a produtividade. A startup, criada em 2016, acaba de captar R$ 875 mil na plataforma EqSeed, de financiamento coletivo, para aplicar em tecnologia e marketing, numa demonstração de que o mercado segue interessado em apostar no desenvolvimento de inovações a serviço do aumento da eficiência na economia.

CEO da Novidá, Fabio Rodrigues observa que os desafios de produtividade das empresas brasileiras passam pela dificuldade de alocar e gerenciar da melhor forma os empregados operacionais no ‘chão da fábrica’. Com o uso de sensores espalhados no ambiente de trabalho, a startup disponibiliza informações detalhadas sobre as operações de uma seção da empresa parceira, para que sejam detectadas as oportunidades de melhoria da eficiência operacional.

“Fazemos a digitalização inteligente do processo e fornecemos indicadores da operação em tempo real dando ao gestor mais dinamismo para alocar e realocar pessoas”, assinala Rodrigues.

Ele conta o exemplo de uma indústria alimentícia, na qual a reorganização da rotina de produção reduziu em 80% a atividade das empilhadeiras no terceiro turno, eliminando gastos extras com trabalho noturno.

Com mais de 40 empresas atendidas em cinco anos, a Novidá viu a demanda ser reduzida no início da pandemia e vem recuperando a carteira com a retomada gradual da atividade econômica. A start­up tem pacote básico de RS 1.997mensais, para dez pessoas, e conta com 16 contratos anuais, que totalizam 450 trabalhadores acompanhados na plataforma, em vários estados e ramos econômicos, como automotivo, siderúrgico e alimentício.

PREVENÇÃO DE DOENÇAS

A saúde no mundo corporativo é outro campo das HR Techs. Com a análise de informações sobre os trabalhadores de uma empresa, startups como a BTR Benefícios e Seguros se propõem a detectar doenças e outros problemas recorrentes que podem ser prevenidos ou evitados, graças à tecnologia digital. O trabalho, com técnica de big data analytics, gera informações que subsidiam a promoção de campanhas e outras ações otimizando gastos com planos de saúde e melhorando o ambiente organizacional. com consequentes vantagens para a produtividade.

Para diagnosticar os problemas, a startup submete a recursos de business intelligence (BI) dados dos históricos médicos dos empregados, fornecidos pelo plano de saúde nos limites da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LCPD). Lançada em março, com base na experiência dos sócios no mercado de saúde empresarial, a HR Tech mantém em sua plataforma três mil vidas de dez empresas, com devolução (cashback) de parte da fatura para ações do RH de cada organização.

“Com inteligência artificial e avaliação de um médico, conseguimos dizer o que está acontecendo com a população da empresa e que ações podem ser mais efetivas”, comenta o cofundador e diretor operacional da BTR, Eduardo Braga, explicando que a racionalização do uso dos benefícios dos planos impede aumentos do prêmio mensal pago à operadora, resultantes de índice elevado da sinistralidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESPERA TIRA O SONO DOS ANSIOSOS PELA VACINA

De olho nos novos calendários e na falta de doses, eles têm dificuldade de concentrar e pesadelos

“Para que essa ansiedade, essa angústia?”, indagava em dezembro o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pouco antes de a segunda onda da covid-19 deixar o Brasil inteiro sem ar. Ele falava da vacina, que só chegaria em janeiro, em pouca quantidade. De lá para cá, idosos e parte dos adultos foram imunizados, mas a demora para proteger toda a população tira a paz dos mais jovens.

Insônia, ranger de dentes e dificuldades de concentração são os sintomas dos não imunizados. Virou tema na terapia, e a angústia aumenta à medida em que a data prevista para vacinar se aproxima, se surgem problemas de desabastecimento ou quando há mudanças no calendário, como ocorreu em São Paulo. “Não quero vacina para viajar, quero para não morrer”, diz o advogado Nilton Silva, de 46 anos. Ele, que perdeu o pai para a covid, foi atrás da “xepa” e passava duas horas do dia ligando de posto em posto para saber das sobras. A emoção de receber o e-mail com a data para se vacinar foi maior do que quando teve a notícia de que passou na prova da Ordem dos Advogados (OAB). Na semana prevista para a imunização, lágrimas deram lugar à insônia. “Literalmente sem dormir por causa de uma vacina”.

Jozienne Moura, de 22 anos, continua à espera. Quando São Paulo abriu o cadastro da “xepa” para os jovens, ela não pensou duas vezes. O tamanho do bloco de notas da enfermeira com os nomes dos interessados assustou, mas a jovem mantém a esperança. “Quero voltar a viver, buscar emprego”, diz ela, que não vê o pai há dois anos e se fechou em casa desde março de 2020 para se proteger e proteger a mãe. Todos os dias, no fim da tarde, a ansiedade aumenta.

É que a enfermeira do posto de saúde avisou: se sobrar vacina, vão ligar entre 18h e 18h30. A jovem não larga o celular. “E se vejo uma ligação perdida, retorno logo.” Com a chance de conseguir a sobra, ela antecipou até a hora do banho, para não ter o risco de perder a chamada e ficar pronta caso seja convocada. “Não está tão distante, mas parece”, reclama a servidora pública Amanda Guiomarino, de 32 anos. Em Belém, onde mora, a fila até andou há duas semanas. “Agora, chamam a conta gotas e isso tem um efeito que, meu Deus”, diz, sem conseguir completar a frase. “Mexe com a ansiedade. Me vejo rangendo dentes e querendo doce.

Amanda se diz “quase monotemática” de tanta ansiedade: ativou as notificações da prefeitura para saber – em primeira mão – das notícias sobre o calendário na cidade. A cada push no celular, uma emoção. Se as informações são sobre outra coisa que não seja o avanço das faixas etárias, tristeza. “Que tempos são esses em que temos de nos preocupar com vacina?”

As notícias sobre a chegada de aviões com mais doses também são acompanhadas, na lupa. Sempre que vem um carregamento, Amanda faz as contas se o número de doses destinadas para o seu Estado são proporcionais ao tamanho da população. No caso da escritora Ana Paula Martins, de 25 anos, a revolta tomou conta quando o governo de Minas excluiu lactantes do grupo prioritário, segundo conta. Ela estava preparada para a 1ª dose. “Foi frustrante. Tive uma alegria repentina e de repente, um banho de água fria”

A demora da vacina entrou até nas sessões de terapia, onde também trata o luto, vivido “com muita raiva”, pela morte do irmão, de 30 anos, de covid.

A revelação sobre e-mails da Pfizer não respondidos pela gestão Jair Bolsonaro veio após a morte, o que aumentou a revolta. Hoje, ela fica ansiosa quando põe os pés para fora de casa e tem medo de adoecer e não conseguir cuidar do filho, de 1 ano e 9 meses.

Ver o luto de amigos e não poder ajudar também tira a paz de Hugo Ferreira, de 27 anos. Com frequência, Hugo vai ao posto de saúde perto de casa, em São Paulo, para se atualizar sobre os carregamentos de vacina e, como Jozienne, aguarda a ligação da “xepa”, sem desgrudar do celular. Os jovens dizem sonhar, literalmente, que estão se vacinando. Às vezes, vira pesadelo, com cenas de doses insuficientes ou erro de aplicação. “Estamos vivendo em função disso”, diz Jozienne. “Os passos só podem ser dados a partir da vacina”.

CUIDADOS

Essa espera pode agravar quadros ansiosos em quem já tem transtornos e desencadear crises em quem não tinha histórico. “A quantidade de pessoas enlutadas, ansiosas e fóbicas que estamos recebendo é enorme”, diz Leila Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP. Ela coordena um trabalho de atendimento psicológico online e gratuito para cerca de 1,5 mil pessoas.

Meditação, exercícios físicos e encontros virtuais com amigos ajudam a aplacar a ansiedade. “Importante focar atenção em situações criativas, projetos de vida e, ao mesmo tempo, se dedicar a coisas que pode fazer em casa, como leitura, gastronomia, artesanato”, diz ela. Se não épossível controlar os sintomas sozinho ou as crises são graves e frequentes, procure ajuda profissional.