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UNIVERSITÁRIOS: REFÉNS DA PANDEMIA

A retomada das universidades privadas, duplamente afetadas pela Covid, depende do ritmo da vacinação

O movimento em pinça – a união do polegar com o indicador – é a base do processo de escrita. Na estratégia militar, é a manobra em que um exército envolve outro pelos flancos. Para a educação privada, particularmente o ensino superior, a pandemia de Covid-19 foi um verdadeiro ataque pelos flancos: houve queda brutal no ingresso de alunos e aumento exponencial da inadimplência e da evasão. A dupla perda drenou as receitas de um setor no qual a inovação tecnológica estava ainda em fase de testes.

Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades Mantenedoras do Ensino Superior divulgada recentemente mostra que essa batalha só terminará se e quando a vacinação progredir em velocidade superior àquela verificada até este momento. Segundo o levantamento realizado pela empresa de pesquisas educacionais Educa Insights, entre os jovens que ainda não foram vacinados e participaram da pesquisa, apenas 16% responderam ter a intenção de começar seus cursos em agosto, enquanto 43% vão aguardar o próximo ano letivo. Os não imunizados representam o público mais inseguro: 29% não se decidiram quando vão se matricular. Entre os vacinados, o porcentual é de 9%.

As perspectivas de início da graduação apresentam ligeira alta: os estudantes que decidiram se matricular imediatamente, ou seja, no próximo semestre, representam 19%, variação de 4% em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre as razões para essa baixa adesão imediata figuram a conjuntura econômica desfavorável, o aumento no número de casos de contaminação do Coronavírus, com o início da terceira onda, e o anúncio do calendário de vacinação para a faixa etária mais jovem concentrado no segundo semestre na maior parte do País. Mesmo assim, a sondagem aponta redução do adiamento da decisão para quando houver normalização. Há um ano, 43% dos entrevistados iriam aguardar para definir sobre a matrícula e, agora, esse grupo corresponde a 26%. Aqueles que decidiram aguardar um pouco mais e só começar no início de 2022 são 43%, uma elevação em relação aos 38% registrados em março. Por fim, 12% têm a intenção de investir no ensino superior apenas daqui a 12 meses.

“Vimos esse resultado com leve otimismo”, avalia o diretor-presidente da Ames, Celso Niskier, pois, se a pesquisa sinaliza início de retomada, também indica que parte considerável dos alunos prefere aguardar o ano que vem, até o processo de vacinação se completar.”  Isso nos preocupa porque, quanto mais tempo levarmos para a retomada do acesso ao ensino superior, maior o risco de um futuro apagão da mão de obra, na medida em que o País vai precisar de profissionais de alta qualificação para a retomada do crescimento econômico, como vem sendo sentido em vários setores, entre eles o de Tecnologia da Informação”, pondera Niskier. As instituições de ensino superior particulares, afirma, fizeram alto investimento em transformação digital, adaptaram-se para o modelo de aulas remotas e ainda aguardam, “com muita expectativa”, a normalização pós-pandemia para voltar a crescer.

“Poucos setores sofreram tanto o impacto da pandemia como a educação”, assegura o analista Rafael Rehder, da Genial Investimentos. As medidas de isolamento e distanciamento social e a suspensão das atividades não essenciais obrigaram as entidades a fazer seus processos de admissão totalmente online, situação para a qual muitas não estavam preparadas, observa Rehder. O consultor Ricardo de Jesus, mestre em Administração de Empresas pela EAESP/FGV com tese sobre Gestão de Fluxo de Caixa em Escolas Particulares, reforça que os processos de back office, baseados na relação presencial de contratação e atendimento e sem plataformas digitais de contratação de serviços, tiveram impacto negativo nos índices de matrícula, rematrícula e provocaram o aumento da evasão nestes segmentos, dada a necessidade de mudança do formato presencial para online feito às pressas em 2020. O resultado foi um ponderável impacto na captação de novos estudantes, além dos números históricos de inadimplência e evasão, devido à crise, com efeito imediato sobre a receita das instituições.

“Podemos observar de perto esse impacto quando olhamos para a rentabilidade das empresas do setor de educação neste último ano. De janeiro do ano passado a abril de 2021, as empresas de educação tiveram a maior redução em seus lucros de todos os setores da Bolsa, com queda de 81,4%. A revisão também se refletiu na performance das ações, que obtiveram o pior desempenho no mesmo período, com desvalorização média de, aproximadamente, 50%”, detalha o analista da Genial.

O desempenho na Bolsa diz pouco, no entanto, a respeito da devastação causada pela pandemia no ensino privado, pois se circunscreve às empresas abertas com ações negociadas na BM&F Bovespa, justamente as capitalizadas, mais bem estruturadas, com gestão profissionalizada e abertas à inovação, elenca um investidor do setor que prefere não ser identificado. As instituições mais tradicionais em geral tiveram de se adaptar praticamente do nada – e isso apesar de, às vésperas da pandemia, em 2019, o Ministério da Educação e Cultura haver finalmente permitido dobrar a participação do EAD, o ensino a distância, nos cursos superiores, de 20% para 40%, exceto nas áreas da Saúde e Engenharia.

É consenso que a chave virou e tanto alunos quanto professores passaram a enfrentar a realidade de aulas 100% online. “A pandemia serviu como catalisador para o EAD, modalidade que vinha ganhando espaço no setor de educação há algum tempo”, diz Rehder, da Genial, lembrando que, entre 2014 e 2019, a adesão ao modelo de ensino a distância se acelerou, tato no número de ingressantes quanto na quantidade de cursos oferecidos: enquanto o total de novos alunos nas aulas presenciais apresentava redução de 14%, o EAD registrava crescimento de 119%, passando assim a representar 44% do total de novas matrículas, ante os 23% em 2014, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas. A pesquisa divulgada pela ABMES confirma que a preferência pelos cursos online só aumentou com a pandemia. “O EAD vem se confirmando como tendência e as empresas que se estagnarem ao segmento presencial terão dificuldades para se manter competitivas”, acrescenta o analista.

Francisco Scarfoni Filho, diretor-administrativo da Fundação FAT, testemunha: os programas passaram a ser mediados pela tecnologia, atendendo os alunos dos cursos técnicos pelas plataformas de conferência digital (Google Meet, Zoom, Teams), com horário marcado, e atividades corrigidas por WhatsApp. “Enviando mensagens para os alunos, mantendo o curso ativado, conseguimos controlar a evasão. Usamos todas as tecnologias e plataformas, assim fomos testando e não paramos de jeito nenhum. A participação tem sido muito boa e a desistência menor, inferior a 7%, contra a média de 30% do mercado.” Segundo Scarfoni, mesmo quando a vacinação estiver completa, os estudantes tendem a continuar a recusar aulas 100% presenciais e optar por cursos híbridos. Por isso, garante, “campi lotados, como no Mackenzie, na Anhembi Morumbi e outras, nunca mais”.

Ricardo Jesus ressalva que a educação superior ainda precisa trabalhar melhor os conteúdos no EAD, pois só a utilização das plataformas tecnológicas não é suficiente para proporcionar o crescimento no setor. “Os preços de mensalidades foram destruídos pela competição brutal pós-suspensão do Fies, como estratégia de alavancagem do ensino superior. O desafio das empresas é recriar o negócio educacional em bases mais sólidas que as atuais.”

O segredo, aponta Scarfoni, é a verticalização: captar o aluno a partir do ensino médio e mantê-lo fiel até a universidade. O executivo cita o caso recente da aquisição do Centro Universitário União das Américas, em Foz do Iguaçu, pelo Grupo Descomplica, que vai investir 1 bilhão de reais em três anos, e aumentar a sinergia com o curso preparatório para o Enem que tem 3 milhões de inscritos por ano. “Se montarem uma faculdade boa, acessível, e conquistar 5% desses 3 milhões, seriam 150 mil de alunos, número significativo”, diz. “Os grandes grupos de ensino superior vão se voltar para os cursos de educação básica. Os movimentos que as grandes instituições estão fazendo são esses: a Yduqs comprou um grupo do Enem porque sabe que o cara que está fazendo a prova almeja o ensino superior e é uma forma de captá-lo também para a faculdade.”

RETOMADA COM EAD

Estudantes consolidam a preferência pelo online

INTENÇÃO DE MATRÍCULA VS. ESTÁGIO DE IMUNIZAÇÃO/VACINAÇÃO

Aumento da vacinação incentiva estudantes a cursar faculdade

Autor: Vocacionados

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