EU ACHO …

A BOA ONDA DO ESG DEVE SER APERFEIÇOADA

Ações nas áreas ambiental, social e de governança precisam ser seguidas om transparência

O GoogleTrends, ferramenta que mostra os termos mais pesquisados no buscador do Google, exibe de forma incontestável a recente escalada da sigla em inglês ESG, ou ASG em português -Ambiental, Social eGovernança. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o termo foi pouco procurado ao longo de toda a primeira década deste século e da segunda. Até que começou a subir sem parara a partir de 2019. No Brasil, o aumento agudo das buscas aconteceu um ano depois.

O mercado financeiro foi o precursor do fenômeno. Em dezembro de 2018, sustentabilidade/governança da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), que reúne instituições como bancos e corretoras, tinha as siglas ESG ou ASG no nome. Dois anos de outra, a sigla ESG parece estar em tudo quanto élugar. Na rede social LinkedIn, surgiu uma quantidade de profissionais de diferentes áreas, como consultorias e relações públicas.

A mudança é um novo e positivo capítulo da onda de responsabilidade social corporativa do início do século. Seus protagonistas estão cada vez mais preocupados com a preservação do meio ambiente, com o combate aos preconceitos de cor, gênero e religião e com a defesa de políticas de governança responsáveis. Seguindo essa toada, empresas vêm tentando mostrar o que já fazem nessas áreas, criam novas metas e tratam de evitar eventuais danos de reputação historicamente associados a elas.

É como se o economista Milton Friedman tivesse errado numa de suas conclusões mais célebres. Ele dizia que a maior responsabilidade social das empresas era gerar lucro, e seus executivos deveriam dar prioridade aos interesses dos acionistas. Na verdade, Friedman não previu o universo corporativo atual, sujeito a boicotes e cancelamentos disparam na velocidade das redes sociais, em que o próprio lucro passa a depender da reputação e das políticas adotadas nas áreas ambiental, social e de governança.

Embora o movimento ESG deva ser incentivado, uma questão merece atenção: quais empresas fazem um trabalho exemplar de fato e quais só estão preocupadas em polir a própria imagem? Chegar à resposta é determinante para ajudar consumidores a escolher de quem querem comprar, trabalhadores a definir onde querem buscar empregos e aplicadores a decidir onde colocar o dinheiro.

O mercado financeiro promove iniciativas para descobrir. Grandes investidores que, juntos, detêm USS17 trilhões em ativos e estão espalhados por 28 países – Brasil, inclusive -, formaram uma coalizão e pediram mais transparência a 1.320 empresas. Organizados sob o guarda-chuva da CDP, uma ONG, eles querem informações sobre os riscos climáticos de cada uma. Os alvos incluem Amazon, Facebook e Tesla. Entre as 16 brasileiras, estão a Even Construtora e a Totvs.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado de capitais também está atenta ao uso indiscriminado de “ESG” e ”ASG”. É esperada para breve a publicação de normas para definir pré-requisitos aos fundos que queiram colocar a sigla no nome e para exigir informações mais detalhadas nos balanços das companhias abertas. Transparência é o caminho.

OUTROS OLHARES

A BELEZA DOS 90

Pesquisa com nonagenários ativos e saudáveis mostra que a longevidade tem tudo a ver com otimismo, senso de propósito e a eterna curiosidade

Até pouco tempo atrás, chegar aos 90 anos era um feito para poucos, e quem alcançava essa idade mal se levantava da poltrona ou da cama. Com os avanços da medicina e da qualidade de vida nas últimas décadas, porém, os nonagenários não só deixaram de ser raridade, como vêm demonstrando que podem, sim, levar uma vida ativa e prazerosa. Empenhada em desvendar a trilha para uma vida boa aos 90, a antropóloga Mirian Goldenberg acompanhou durante seis anos o cotidiano de 100 pessoas lépidas e fagueiras nessa faixa etária e listou as características comuns da turma: independência, curiosidade, informação, capacidade de escolha e uma dose elevada de alto-astral. Todos se exercitam, levam vida regrada, gostam de rotina, desenvolvem algum projeto e desfrutam com avidez o momento presente. A fórmula não é nova, mas surpreende que ela se aplique a uma fase que costuma ser associada a decadência e dependência. “Eles representam a nova e possível velhice, que é chegar à idade avançada de forma autônoma, saudável e com propósito”, diz Mirian.

Distantes da imagem do velhinho que não dá um passo sozinho e vive na dependência de filhos e netos, os superidosos, como são chamados, nunca param de aprender e estão conectados a todo tipo de novidade, inclusive as tecnológicas. O cirurgião Nobolo Mori lembra que nos anos 1960, quando dizia aos amigos e à família que viveria até os 120 anos, era levado na brincadeira – naquela época, a expectativa média de vida do brasileiro não superava os 52 anos. Hoje, no auge de seus 97, sente-se disposto e animado. Até o início da pandemia, ainda atendia vinte pacientes todos os dias em seu consultório em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. As consultas foram suspensas, mas continua a jogar três horas de golfe de segunda a segunda e a ler regularmente livros de medicina e filosofia, a maioria em japonês, sua segunda língua. Há três anos passou 24 horas dentro do avião para ir a um casamento no Japão. “Se tiver chance, quero viajar de novo. Ainda sou muito jovem”, afirma.

Diversas pesquisas comprovam a relação da longevidade com uma vida plena, produtiva e positiva. Um estudo das faculdades de medicina da Universidade Boston e Harvard com 71.000 pessoas ao longo de trinta anos mostrou que os otimistas têm vida 11% a 15% mais longa do que os pessimistas e chance 50% a 70% maior de chegar aos 85 anos. Outro levantamento, este da University College de Londres, revela que as pessoas que conseguem preencher bem seu tempo ganham, em média, dois anos de vida em comparação com quem leva uma existência vazia. A funcionária pública Nalva Nóbrega, de 93 anos, se casou jovem, teve cinco filhos, fez três faculdades e, aposentada do Tribunal de Contas da União, em Natal, não para de se reinventar. Tem dois livros publicados (o terceiro está no forno), já gravou seis discos e, desde o ano passado, protagoniza lives tocando piano em seu canal no YouTube. Ufa. “A gente não pode se abandonar só por causa da idade. É preciso renovar o entusiasmo todos os dias”, ensina. As lições embutidas no cotidiano dos nonagenários pesquisados embasam o novo livro de Mirian, A Invenção de uma Bela Velhice, lançado pela editora Record.

Envelhecer, de fato, ganhou outro significado nos últimos tempos. Levantamento recente divulgado nos Estados Unidos projeta que metade das crianças nascidas no país no ano passado chegará aos 105 anos. Na última década, o número de nonagenários no mundo praticamente dobrou, uma tendência que se replica no Brasil, onde eles representam 0,40% da população e devem chegar a 2,2%, ou 5 milhões, em 2060 (veja o quadro abaixo).”O Brasil está envelhecendo rapidamente. Vivemos a chamada transição demográfica, com taxas de mortalidade e de fecundidade em franca queda,” explica o demógrafo José Eustáquio Alves. No universo dos que passaram dos 90, a ciência qualifica como superidoso aquele que apresenta desempenho intelectual igual ou superior ao de pessoas de 50 a 60 anos em testes de memória, autoconhecimento e raciocínio lógico. “Minha família diz que meu cérebro tem de ser investigado, porque me lembro absolutamente de tudo”, brinca a enxutíssima Nalva.

Soma-se à acuidade mental um histórico de idoso saudável, que não sofre de doenças crônicas e não faz uso de medicação contínua. “Fiz um check-up há poucos meses e não acusou nada”, orgulha-se Mori. Em comum, os nonagenários bem-dispostos acompanhados por Mirian levam uma vida regrada há décadas. A pesquisa, no entanto, ressalta que não existe um modelo único para aproveitar a idade avançada. “A beleza da velhice está na possibilidade de ela ser inventada por cada um de nós. Os meus entrevistados são felizes fazendo o que gostam”, observa a antropóloga. A bióloga Neuza Guerreiro de Carvalho, de 91 anos, que mora sozinha, dedica-se a acumular conhecimentos sobre temas variados – e tem os certificados para provar. Depois de se aposentar e ficar viúva, há duas décadas, ela voltou às salas de aula da USP, onde se formou em 1951, e já concluiu meia centena de cursos semestrais. “Não quero ficar parada no tempo. Tenho um blog onde escrevo um diário, faço reuniões virtuais e compro tudo pela internet”, conta Neuza.

Em contraposição à “velhofobia” – o medo de ficar velho, somado à discriminação contra quem já chegou lá -, idosos bem resolvidos costumam esbanjar “velhoeuforia”, esmerando-se em dispensar a opinião alheia, aventurar-se a fazer o que realmente quere aprender a dizer não. Bom humor e fé religiosa também são apontados como ingredientes de uma velhice mais saudável. O psiquiatra americano Gene Cohen (1944-2009), pioneiro na saúde mental geriátrica, ressaltou ainda em seus livros a importância da criatividade, que, em qualquer idade, ajuda a pessoa a renovar paixões e se reinventar. “É preciso aceitar a passagem do tempo, viver o hoje e parar de achar que quando jovens a vida era melhor”, frisa o artista plástico niteroiense David da Costa, de 92 anos. A medicina comprova que a genética é responsável por 30% da vida longa. Os outros 70% dependem da forma como cada um escolhe como vai envelhecer. Em tempo: todos os +90 ouvidos para esta reportagem foram vacinados contra a Covid-19.

VIDA LONGA

O número de nonagenários quase dobrou na última década, tanto no Brasil quanto no planeta, e seguirá aumentando em ritmo acelerado

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 02 DE JULHO

É DEUS QUEM TEM A ÚLTIMA PALAVRA

O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor (Provérbios 16.1).

Antes de construirmos uma casa, fazemos o projeto. Antes de iniciarmos uma viagem, traçamos o roteiro. Antes de começarmos um empreendimento, estabelecemos planos e metas. Nem sempre o que planejamos acontece. Somos contingentes, limitados e não conseguimos discernir todos os acontecimentos que se escondem nas dobras do futuro. Alguns pensam que nossa vida segue um curso inflexível. Acreditam num determinismo cego e radical. Outros pensam que a história está dando voltas sem jamais avançar para uma consumação. Nós, porém, cremos que Deus está no controle do universo. Ele é o Senhor da história e segura as rédeas dos acontecimentos em suas mãos. Nosso coração faz muitos planos, porém não é a nossa vontade que prevalece, mas o propósito de Deus. Não é a nossa palavra que permanece de pé, mas a resposta certa que vem dos lábios do Senhor. Deus conhece o futuro em seu eterno agora. Deus vê o que se esconde nos corredores escuros do futuro. Para ele, não há diferença entre claro e escuro. Nada escapa ao seu conhecimento. Ele domina sobre tudo e sobre todos. O controle remoto do universo está em suas onipotentes mãos. Deus é quem tem a última palavra.

GESTÃO E CARREIRA

MAIS EMPRESAS ENTRAM NO NICHO DO BEM-ESTAR SEXUAL

Com valorização do autocuidado na pandemia, área de ‘sexual wellness’ ganha mercado

Autoconhecimento, naturalidade e autocuidado. Esses são os conceitos atrelados ao mercado de ‘sexual wellness’, ou bem-estar sexual, que está em alta e ganha novos adeptos a cada dia. Após a varejista de moda Amaro ter entrado no nicho, agora a marca de cosméticos Simple Organic também lançou novos produtos.

”Sexual care é o novo skincare” é o slogan utilizado pela Simple Organic, empresa de cosméticos orgânicos, veganos, naturais, cruelty-free e sem gênero, que aproveitou a época do Dia dos Namorados para lançar o seu segmento de sexual care. A empresa investiu em um lubrificante íntimo natural e orgânico, batizado de Enjoy.

A fundadora e CEO da marca, Patrícia Lima, traça uma comparação entre o sexual care e o skincare (cuidados com a pele). “Cada vez mais as pessoas têm se permitido descobrir a si e o que está relacionado com o seu prazer. Assim como o skincare é algo rotineiro, o prazer e a saúde sexual também deveriam ser. Afinal, são tão importantes quanto o bem-estar físico e emocional.”

O kit da campanha de lançamento da linha de bem-estar sexual inclui velas aromáticas estimulantes e um baralho Kama Sutra inclusivo e a gênero. De acordo com Patrícia, no dia do lançamento, o primeiro lote dos kits esgotou e as vendas representaram 36% do faturamento do mês de maio. Os resultados mostram o vigor do segmento. A consultoria internacional KBV Researth estima que o mercado de bem-estar sexual deve movimentar globalmente US$ 125 bilhões até 2026.

Para Tatyannah King, pós-graduanda em terapia sexual na Universidade de Widener (EUA), há uma relação da alta do setor como aumento do autoconhecimento, com a naturalização do debate coletivo sobre saúde sexual e cuidados. “O bem-estar sexual é uma mistura do bem-estar físico, mental e social em relação à sexualidade. É a certeza de estar confortável consigo mesma, com o parceiro e com as decisões que está tomando em relação à sua vida sexual”, destaca King.

LIBERDADE ALÉM DA MODA.

”Tudo é político” é a frase estampada em uma das blusas da marca Fredericas. Roupas com personalidade, que permitam movimentos e promovam a sensação de liberdade, são o mote do empreendimento cearense. Com peças de tamanho 36 ao 50, podendo chegar aos 54, a loja encarou de frente o desafio de levar também a liberdade sexual para as suas clientes.

Desde março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a marca passou a vender produtos que promovem o bem-estar sexual. “A minha ideia é trazer profissionais, psicólogas e sexólogas para discutir essa questão dentro da rede, antes de ampliar os produtos. O que eu percebi é que o nosso público ainda é muito cru nesse sentido. A gente atende mulheres de 25 a 60 anos, e as mulheres mais velhas têm relatado tanto curiosidade como inexperiência com o próprio corpo”, diz a sócia-fundadora da Fredericas, a publicitária Mariana Figueira.

Negócios como a Fredericas, porém, além de enfrentar os tabus da sociedade, precisam ultrapassar outra barreira: o algoritmo das redes sociais. “O Instagram não entrega conteúdos que falam sobre sexualidade. A gente tem dificuldade na divulgação dos produtos, em usar termos como erótico, sexual, vibrador. Nenhuma dessas palavras é bem-vista pelo Instagram e simplesmente a gente entra em um shadowban (banimento temporário)”, diz Mariana.

Segundo ela, com isso o alcance aos clientes cai bastante, mesmo no formato stories. Para driblar esse problema, a marca apostou em comunicar sobre novidades no catálogo por meio de mensagem de WhatsApp para as clientes.

NATIVA

A Lubs, empresa de sexual care que tem como protagonistas os lubrificantes com ingredientes naturais, já nasceu em 2020 com a ideia de normalizar o prazer e também dialogar sobre a sexualidade com as pessoas de forma leve, sem gênero e inclusiva.

Após um período de estudos nos Estados Unidos, Chiara Sandri, presidente da marca, percebeu um mercado em potencial no Brasil. “Não encontrava produtos de qualidade, com ingredientes naturais, embalagens sofisticadas e uma comunicação mais ampla, sem ser apelativa”, destaca.

“Acreditamos que cuidar da sexualidade é também uma forma de autocuidado. Parece óbvio, mas acabamos esquecendo do tanto que fomos reprimidos e que o assunto se tornou um tabu”, diz Chiara. A marca defende a cultura dos corpos livres, se define como uma marca sem gênero, para que todos se sintam representados, busca trazer a diversidade e deixar o tabu de lado, sintetiza a executiva.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS FILHOS DAS BABÁS DE VIDRO

Crianças nascidas a partir de 2010 estão sendo expostas a estímulos constantes de dispositivos que podem atrasar o desenvolvimento e causar danos

Não é fácil para ninguém se reconhecer como membro de uma geração. Ainda assim, ao longo do século XX os sociólogos e estudiosos do comportamento humano se empenharam em dividir a história em gomos, a fim de associar os nascimentos aos valores e hábitos de um período específico. Houve os baby boomers, do pós-guerra, assim nomeados pela primeira vez em 1977; houve a turma do rock’ n’roll, que curtia a juventude no fim dos anos 1950. Havia a denominação de um grupo aqui, outro ali, mas foi apenas nos anos 1990 que o abecedário completo (“X,””Y”,”Z”…) já parecia insuficiente para as nomeações. Dois livros, ambos lançados em 1991 –  Generations, dos americanos Neil Howe e William Strauss, sem edição em português, e Geração X: Contos para uma Cultura Acelerada, do canadense Douglas Coupland -, inauguraram a lista de sopa de letras que proliferariam sem cessar até chegar ao termo que define as crianças nascidas a partir de 2010, ano de lançamento do iPad, de Steve Jobs: a geração alfa, também chamada de glass (vidro, em inglês, em evidente referência às telas.)

O termo alfa foi cunhado pelo australiano Mark McCrindle para definir a primeira geração formada só por gente nascida neste século, sem conexão com integrantes dos anos 1900, como é o caso da geração Z, que engloba a turma de 1995 a 2009. Segundo McCrindle, psicólogo e pesquisador demográfico, os alfas, quando adultos, terão desafios e oportunidades não maiores nem menores que os nascidos em gerações anteriores, apenas diferentes. Eles são, em sua maioria, filhos dos millennials (1980-1994). Supõe-se que, devido à globalização irrefreável, trocarão de endereço e de emprego mais vezes ao longo da vida, que será majoritariamente urbana. Os alfas, segundo McCrindle, demorarão mais tempo para sair da casa dos pais e começarão a trabalhar tarde.

A denominação “glass” é adequada. Eles vivem grudados nas telas quando estão em casa e levam consigo seus tablets e smartphones quando saem à rua – os pais usam o YouTube e os aplicativos como babás. O vidro, interface com a qual interagem, estará nos visores, relógios, painéis de restaurantes, trens e automóveis que usarão quando adultos. Não há separação entre universo físico e virtual para os alfas. O mais velho da geração tem hoje de 10 para 11 anos e vive em um mundo com 17,8 bilhões de habitantes, no qual a maior população é a da China e a maior economia, a dos Estados Unidos.

Em 2050, aos 40 anos, o contingente terá saltado para 9,8 bilhões de pessoas. A maior população será a da Índia e o país mais rico, a China. Um em cada dois alfas concluirá o ensino superior e será, de forma geral, inteligente, próspero e feliz. Será mesmo? As dores de crescimento parecem impor desafios inescapáveis a essa turma, no avesso da imagem idílica desenhada pelo criador do termo.

O neurocientista francês Michel Desmurget, autor do livro A Fábrica de Cretinos Digitais, entende que os millennials, fascinados pela tecnologia, estão involuntariamente destruindo a vida de seus filhos, criando seres humanos com Q.I. (quociente de inteligência) menor do que o das gerações anteriores. O cérebro do Homo sapiens está na melhor fase da plasticidade na infância, uma janela que não fica aberta para a vida toda. Portanto, esse é o momento em que ele deve ser submetido a estímulos externos a fim de se desenvolver: música, literatura, teatro, esportes, estudo e lição de casa. A vida como ela é, enfim.

“Estamos formando indivíduos incapazes de compreender o mundo e agir como cidadãos cultos”, dizo neurocientista Desmurget. “Os pais podem estar moldando profissionais destinados ao subemprego – adultos que nem mesmo com o computador saberão lidar. “Há algum exagero, uma dose de aversão à tecnologia, mas convém sempre o olhar crítico aos exageros. Estudos recentes revelam que crianças com 8 anos de idade estão sendo submetidas a mais de cinco horas de tempo de tela, independentemente do poder aquisitivo, dada a expansão da tecnologia. “O fenômeno atinge todas as classes sociais”, diz a psicopedagoga Raquel Rabelo, especialista no tema. “Há crianças deixadas sozinhas em favelas na companhia de celulares e TVs, porque os pais precisam sair para trabalhar.” Mas nem sempre o problema é a falta de dinheiro – o entretenimento e a educação são transferidos para as telas porque é mais cômodo para quem cuida.

Há solução? Sim. A forma de evitar danos ao desenvolvimento infantil é ampliar o leque de experiências, que podem ser jogos, leitura ou um passeio à praça, simples assim. Cada geração tem suas particularidades, mas todas têm algo em comum: uma geração mais velha para olhar por ela. Não deveria ser diferente com os alfas.

GERAÇÕES: A QUAL VOCÊ PERTENCE?

Apesar de haver discordância quanto a algumas datas, este é o painel mais aceito pelos pesquisadores demográficos