EU ACHO …

SOMOS CRINGE

Você se classifica como fã da Disney, da saga Harry Potter e da série Friends? Utiliza emojis nas conversas de WhatsApp, e principalmente os emojis de risos? Falando em risada, você ri nas redes sociais com um’rs’? É apaixonado por café? E, como qualquer ser humano, adepto ao café da manhã? Se a maioria de suas respostas for SIM, sinto dizer (talvez não sinta tanto), mas você é considerado cringe para a geração Z.

Não entendeu? Cringe é um termo utilizado pelos mais jovens para designar algo considerado por eles como cafona, mico, defasado, ultrapassado, em desuso. Algo próximo da “vergonha alheia”, ou o que eu carinhosamente chamaria de “uó”. Os adolescentes criadores do termo são da geração Z, que nasceu entre 1995 e 2010 e cresceu com o avanço das tecnologias e redes sociais. É a primeira geração totalmente conectada, que ultrapassa limites e promove cancelamentos e descancelamentos.

Este ex-jovem de 30 anos que vos escreve – e millennial orgulhoso de 1991 – tem a obrigação de informar que o termo cringe invadiu as redes sociais há poucos dias e viralizou até para quem nasceu há três gerações passadas.

Uma guerra virtual se acirrou nesta última semana entre a minha geração (anos 90) e os nascidos até 2010. Tudo porque os mais jovens decidiram expor publicamente as ações e gostos que eles consideram “cringe”. Dividir o cabelo de lado, falar “tomar litrão” em vez de “tomar uma cerveja”, falar ”boletos”, gostar de objetos de cerâmica, usar calça skinny, usar hashtag (#) em fotos e até os viciados em cafés e gatos, tudo isso é considerado ultrapassado. Eu ri.

Eles não têm ideia do que é rebobinar uma VHS, ouvir música num disc man, em um reprodutor de MP3 ou numa fita cassete. Imagina se eu tento explicar internet discada e os disquetes? E se contar que assoprava a fita para jogar Super Mario no Nintendo? Digitei isso e ganhei mais dois fios de cabelo branco.

Assim como minha geração usou e posteriormente debochou da calça cintura baixa, chegou a vez da nova geração condenar os nossos hábitos. Como tudo que vai volta, a própria calça de cintura baixa já é considerada aceitável. E o vinil? O item aqueceu o mercado por volta de 1980 e despencou em vendas com o avanço dos CDs, que perderam a força com a popularização do streaming. Advinha quem voltou a alavancar as vendas de álbuns físicos em 2021, sendo disputado a tapas (ou filas on-line)? Tcha-ram, o vinil

Vivemos uma eterna reciclagem de gostos e costumes. Aposto que até o fim deste texto a geração Z vai achar cringe dizer cringe para o que eles consideram cafona. Sim, eu sei que a minha geração gosta de reclamar e saturar memes em uma semana. Todos temos a mania de achar que seremos cool pro resto de nossas vidas.

Ops, usei um termo em inglês. Eu sou cringe demais – e você também.

*** MURILO BUSOLIN – é jornalista e consome cultura pop desde que se entende por gente.

OUTROS OLHARES

BAIXA DE TESTOSTERONA EM HOMENS PODE SINALIZAR AGRAVAMENTO DA COVID-19

Estudo com 25 mil pessoas mostra que concentração de hormônio é um instrumento de diagnóstico poderoso, que pode salvar vidas

A queda do nível de testosterona em homens com Covid-19 é um alerta de que a doença tende a se agravar, mesmo que outros indicadores não estejam aparentes. Trata-se de um sinal que surge quando ainda há tempo para evitar o agravamento, segundo pesquisa inédita e ainda em curso de cientistas brasileiros.

Já se sabia que homens são mais suscetíveis que as mulheres à Covid. Mas o estudo vai além e sugere que a concentração da testosterona é instrumento de diagnóstico poderoso e pode salvar vidas.

“Tudo indica que homens e mulheres com Covid deveriam ser tratados de forma diferente”, diz a imunologista Cristina Ribeiro de Bastos Cardoso, da Universidade de São Paulo (USP).

Cardoso apresentou dados do estudo que coordena em workshop realizado pela Sociedade Brasileira de Imunologia neste mês.

Os sistemas imunológico e endócrino são conectados e se influenciam mutuamente. Por isso, faz todo sentido entender a Covid-19 investigando hormônios, explica Cardoso.

“Já sabemos que os níveis de testosterona começam a cair em homens com Covid-19 em quadro moderado, principalmente nos acima dos 50 anos. Os médicos devem ligar o sinal vermelho, pois aquele paciente vai agravar”, frisa Cardoso.

A pesquisa foi feita em duas etapas. Primeiro, foram analisados dados de 12 mil homens e 13 mil mulheres com diagnóstico de Covid.

Os cientistas escrutinaram todos os fatores possíveis, e o único ponto em comum de casos graves em homens é a queda drástica da testosterona.

O passo seguinte, ainda em andamento, foi estudar, em culturas de células, as interações entre uma infecção pelo coronavírus e os hormônios.

Homens e mulheres reagem de forma diferente a doenças. Os homens tendem a ser mais suscetíveis a infecções virais, como a gripe. Já as mulheres são mais afetadas por doenças autoimunes, como lúpus, ligadas a uma resposta inflamatória excessiva do próprio corpo.

O hormônio sexual masculino tem ação anti-inflamatória e alivia um ataque do sistema imune ao próprio organismo. Mas pode prejudicar a resposta rápida a infecções virais, pois a inflamação é defesa.

Os cientistas ainda não explicaram a relação da testosterona com a Covid. Uma possibilidade é que ela reduza as defesas iniciais e facilite o espalhamento do vírus pelo corpo.

A testosterona, mais precisamente um derivado dela, o DHT, estimula a produção de uma enzima essencial para que o Sars-CoV-2 entre nas células humanas. A enzima é conhecida pela sigla TMPRSS2.

Cardoso diz que uma hipótese é que a testosterona do homem seja “capturada” pelo vírus para infectar mais células. O grupo dela descobriu que bloquear o DHT em células humanas infectadas em laboratório com o coronavírus impede a replicação viral.

“Acreditamos que a testosterona fica baixa porque está sendo consumida, transformada em DHT e favorecendo o vírus. O hormônio não estaria deixando de ser produzido, mas usado de outra forma. E no homem agravaria mais porque seu hormônio escancararia as portas do organismo para o coronavírus”, diz Cardoso, que alerta que não adianta tomar ou retirar a testosterona no tratamento: ”Tirar a testosterona pode abrir caminho para mais Inflamação e repor os níveis daria mais força ao vírus. Ainda precisamos descobrir qual o ajuste correto e o que realmente ocorre com a testosterona”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 01 DE JULHO

HUMILDADE, O PORTAL DA HONRA

O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra (Provérbios 15.33).

O temor do Senhor não é apenas o princípio da sabedoria, mas também é a instrução da sabedoria. Quem teme a Deus foge dos caminhos convidativos do pecado. Quem teme a Deus não engrossa as fileiras dos pecadores que se vangloriam de sua insensatez, nem se assenta na roda dos escarnecedores que zombam das coisas santas. Quem teme a Deus busca instrução e coloca em prática o que aprende aos pés do Senhor. A evidência de uma pessoa que teme a Deus é a humildade. É impossível temer a Deus e ser ao mesmo tempo soberbo. A arrogância não combina com o temor do Senhor, assim como a humildade não mora na casa do altivo de coração. Se a soberba é a sala de espera da ruína, a humildade é o portal da honra. Deus resiste ao soberbo, mas dá graça aos humildes. Os que se exaltam são humilhados, mas os humildes são exaltados. Os que batem palmas para si mesmos e entoam o hino “Quão grande és tu” diante do espelho serão envergonhados e se cobrirão de opróbrio e vergonha, mas aqueles que choram pelos seus pecados e se humilham sob a poderosa mão de Deus são exaltados. O reino de Deus pertence aos humildes de espírito, e não aos arrogantes de coração. Só os humildes são seguidores daquele que se esvaziou a si mesmo e se tornou servo.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE É ESG, A NOVA ONDA NO MUNDO CORPORATIVO?

Três letras que definem boas práticas ambientais, sociais e de governança transformam o mundo dos negócios e mudam a forma de lucrar no século 21

Na mais nova etapa do capitalismo consciente, a obsessão das empresas pode ser resumida em apenas três letras: ser ESG.

A sigla, em inglês, significa Environmental, Social and corporate Governance, algo como melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Esses são os princípios que norteiam a agenda, e as organizações que abraçam a causa devem adotar boas práticas para cada um deles.

A COMEÇAR PELA PRESERVAÇÃO DO PLANETA

Para ser ESG, uma empresa precisa ter iniciativas para proteger os recursos naturais, reduzir a emissão de poluentes e impactar positivamente o meio ambiente. Também é necessário ser engajada socialmente, o que engloba desde políticas de diversidade para o ambiente de trabalho até projetos para reduzir a desigualdade.

Deve cuidar ainda da lisura dos processos corporativos, garantindo a independência do conselho de administração e impedindo casos de corrupção, discriminação e assédio.

Não é de hoje que as empresas são cobradas a assumir tais compromissos. Também não é novidade que dar visibilidade às boas iniciativas é uma forma de melhorar a imagem.

No entanto, de uns anos para cá, falar em ESG virou febre. A sigla virou um selo que atesta a responsabilidade de empresas e investimentos, segundo o Google Trends, ferramenta que mostra o volume de buscas sobre um termo, o interesse pelo ESG atingiu, em 2021, seu nível mais alto em 16 anos. A procura foi quatro vezes maior que a média do ano passado e 13 vezes superior à de 2019. Geralmente, quando o mundo dos negócios fica obcecado por algo, é porque a bússola do dinheiro está apontada para lá. Quem está impulsionando o movimento ESG nas empresas são os investidores.

A origem do termo remete a isso. A primeira aparição oficialmente foi em 2004, numa publicação chamada ‘Who Cares Wins, algo como “quem se importa, vence”: o documento foi um pedido do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para que instituições financeiras incorporassem princípios sociais, ambientais e de governança em suas análises de investimento.

Onze anos depois, dois eventos fariam o tema da sustentabilidade ganhar ainda mais atração no mercado financeiro: a Agenda 2030 da ONU e o Acordo de Paris.

Contudo o ESG seguia em baixa no dicionário corporativo – até que, em 2020, Larry Fink, diretor-executivo da BlackRock, maior gestora de fundos do mundo, materializou a virada em sua carta anual. Ele anunciou que a sustentabilidade se tornaria critério para decisões de investimento e disse que empresas não comprometidas com o tema estão fadadas a ficar sem capital.

Com mais de R$ 44 trilhões em ativos sob sua gestão (seis vezes o PIB do Brasil em 2020), o que não falta para a Black Rock é cacife para se fazer ouvida. Segundo a Bloomber, fundos que adotam estratégias ESG aumentaram seus ativos em 31% no ano passado. O valor chegou ao recorde de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,07 bilhões) e a tendência é crescer ainda mais.

Um relatório da consultoria PwC mostrou que, até 2025, 57% dos ativos europeus estarão alocados em fundos que têm os três principias como critério. E 77% dos investidores do continente pretendem parar de comprar produtos “não ESG“ em dois anos.

No Brasil, os números ainda são baixos, mas vem crescendo. Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em 2020 havia cerca de R$ 700 milhões em fundos ESG, quase três vezes mais que no ano anterior. “As empresas aumentaram o interesse em boas práticas. Existe a consciência, mas também tem muita pressão dos investidores e das gestoras que alocam recursos”, diz Carlos Tokahashi, coordenador do grupo consultivo de sustentabilidade da Anbima e diretor executivo da BlackRock Brasil. Segundo ele, não seguir princípios sociais, ambientais e de governança entrou no processo de precificação de risco de investimento. “É o fim do resultado a qualquer custo”, afirma.

É o que também pensa Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global. Ele cita como exemplo o impacto da morte de João Alberto Silveira Freitas, após ser espancado por dois seguranças numa unidade do Carrefour em 2020.

“Uma empresa não ter ações relacionadas à diversidade e ao antirracismo, além de um problema é um risco”. A morte do João Alberto custou milhões de reais ao Carrefour. “O investidor não vai querer estar numa empresa dessa, não só pelo impacto financeiro, mas na imagem também”, diz.

A rede de supermercados fechou um acordo de R$ 115 milhões com instituições de justiça, que serão encaminhados a ações de combate ao racismo e deverão ser investidos no prazo de três anos.

Mas quem define se um negócio incorpora ou não princípios ESG? Não há uma entidade que ateste isso, mas existem algumas formas de verificar. Um ca1minho são os sites de avaliação (rating), como o MSCI ESG, o Sustainalytics e o Refinitiv ESG, que dão uma pontuação para as empresas com base em relatórios, notícias da imprensa e ONGs.

Há também os índices de Bolsa, que reúnem empresas com compromissos sociais, ambientais e de governança.

No Brasil, o primeiro indexador dedicado ao ESG foi lançado em agosto de 2020 pela S&P com a B3, a bolsa brasileira. Mas, desde 2005, o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da B3 faz trabalho parecido.

A lista de participantes desses índices, porém, não é, necessariamente uma relação de empresas ESG. O ISE tem ações de 39 companhias, que vão desde a Petrobras – produtora de combustíveis fósseis -, até a Natura e a Renner, cujas iniciativas são consideradas referência no mercado.

Por mais elementares que sejam os pilares, social e de governança, é comum que empresas concentrem suas iniciativas ESG na parte ambiental. Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev, reconhece que temas como a diversidade ainda podem ser melhorados internamente. A empresa criou um programa de estágio para estudantes negros e indicou duas mulheres para o conselho, o que rendeu o selo Women on Board da ONU. Mas, para o executivo, é preciso mais.

“Estamos trabalhando com experts no assunto e comitês internos tanto em relação a questões de gênero quanto racial”, afirma Figueiredo.

Afora as boas iniciativas, o ESG tem um longo caminho a percorrer até provar que não é apenas marketing. O desafio vai ser entender o que é pra valer e o que é greenwashing, a chamada propaganda enganosa verde. Mas, seja por modismo ou pressão, as empresas estão se envolvendo com o tema e, segundo Carlos Pereira, isso já é relevante.

“Estamos na época da hiper transparência, e o espaço para as empresas brincarem com essa agenda é cada vez menor. Quem entrar na roubada de fazer greenwashing vai se dar mal, porque vai ter que gastar mais dinheiro do que se fizesse o compromisso direito”, afirma.

O QUE SIGNIFICA ESG

A sigla abre a as palavras Environmental, Social e Corporate Governance em português, o termo significa boas práticas ambientais, sociais e de governança

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESGASTE PSICOLÓGICO REDUZ ATRATIVIDADE NO HOME OFFICE

Mudança da realidade demanda maior atenção aos níveis de estresse e depressão dos colaboradores

A adoção do home office se divide em quatro etapas, segundo um estudo da startup Orbit Data Science. Primeiro veio o momento pré-impacto, em janeiro e fevereiro de 2020. Na sequência, em março, a fase do impacto. Logo, em abril, a adaptação. A partir de agosto, a consolidação. Com base nas interações de 4.798 pessoas, em redes sociais e portais de notícias, entre janeiro e outubro a empresa identificou de forma clara uma mudança de opinião a respeito do trabalho remoto ao longo dessas diferentes fases.

Ao longo dos dez meses analisados, a avaliação positiva do home office caiu de 71,3% para 51%. Se em março prevaleciam os comentários elogiosos, já em abril começaram a ganhar espaço as queixas, como a dificuldade para se concentrar, as dores nas costas e o aumento da carga horária de trabalho. Curiosamente, na fase de consolidação, os elogios voltaram a ganhar espaço. Sinal de que, apesar de todas as dificuldades, os profissionais em geral estão satisfeitos com a nova rotina.

Mas os problemas persistem. Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) comprovou que os níveis de estresse, ansiedade e depressão aumentaram durante a crise sanitária. A solidão e o excesso de trabalho estão relacionados a essa mudança.

Mesmo num possível modelo híbrido no futuro próximo, o cuidado com o fator psicológico do trabalhador à distância será crucial, e a abordagem precisará ser diferente da que o setor de recursos humanos utilizava na fase pré-pandemia. É diante de todo esse cenário desafiador que a o RH considera importante cuidar do fator psicológico com o home office. Entre outras ações, o atendimento ao colaborador com suporte emocional é considerado fundamental pelas equipes.

“Ao garantir que as equipes tenham tranquilidade para exercer suas atividades profissionais, as organizações fortalecem sua imagem profissional e têm maiores chances de atrair mais profissionais qualificados”, finaliza.