EU ACHO …

O “VERDADEIRO” ROMANCE

Bem sei o que é o chamado verdadeiro romance. No entanto, ao lê-lo, com suas tramas de fatos e descrições, sinto-me apenas aborrecida. E quando escrevo não é o clássico romance. No entanto é romance mesmo. Só que o que me guia ao escrevê-lo é sempre um senso de pesquisa e de descoberta. Não, não de sintaxe pela sintaxe em si, mas de sintaxe o mais possível se aproximando e me aproximando do que estou pensando na hora de escrever. Aliás, pensando melhor, nunca escolhi linguagem. O que eu fiz, apenas, foi ir me obedecendo.

Ir me obedecendo – é na verdade o que faço quando escrevo, e agora mesmo está sendo assim. Vou me seguindo, mesmo sem saber ao que me levará. Às vezes ir me seguindo é tão difícil – por estar seguindo em mim o que ainda não passa de uma nebulosa – que termino desistindo.

E os romances que escrevo que não passam do título? Porque seria muito difícil escrevê-los ou porque, já tendo uma ideia precisa do desenrolar-se da história, perco a curiosidade de escrevê-la. Embora representando grande risco, só é bom escrever quando ainda não se sabe o que acontecerá. Agora mesmo, neste próprio instante, ou melhor, há alguns instantes em que interrompi para atender o telefone, nasceu-me um título do que seria um conto ou um romance: O montanhês. O título é sem graça, bem sei. E sei o que seria: não se trataria de um homem das montanhas, mas da subida gradual de um homem através da vida até chegar a um cume simbólico, ou não simbólico de uma montanha, de onde ele veria o seu passado e também o que lhe restava ainda a subir, isto é, um pouco mais de futuro.

E o que ele via não era bonito, nem bom, nem ruim, nem feio, era o que fatalmente a vida fizera dele e sobretudo o que fatalmente ele fizera da vida. E aí vem o problema: até que ponto fora fatal o que ele fizera na vida e esta dele? Até que ponto houvera escolha? Estou me confundindo toda com esta história que jamais escreverei.

E eu, que já viajei bastante e não quero mais viajar, como é que nunca me ocorreu nem ocorrerá jamais escrever um livro de viagens? Com perdão da palavra, sou um mistério para mim. E, ainda fazendo parte desse mistério, por que leio tão pouco? O que era de se esperar é que eu tivesse verdadeira fome de leituras. Também para ver o que os outros fazem. No entanto só consigo ler coisas que, se possível, caminhem direto ao que querem dizer. Não, positivamente não me entendo. Bem, mas o fato é que mesmo não me entendendo, vou lentamente me encaminhando – e também para o quê, não sei. De um modo geral, para mais amor por tudo. É vago “mais amor por tudo”? Inclusive mais amor inclui uma alerteza maior para achar bonito o que nem mesmo bonito é. E, embora a palavra humano me arrepie um pouco, de tão carregada de sentidos variados e vazios essa palavra foi ficando, sinto que me encaminho para o mais humano. Ao mesmo tempo as coisas do mundo – os objetos – estão se tornando cada vez mais importantes para mim. Vejo os objetos sem quase me misturar com eles, vendo-os por eles mesmos. Então às vezes se tornam fantásticos e livres, como se fossem coisa nascida e não feita por pessoas. Se eu for me encaminhando para o mais humano não quer dizer que eu precise perder essa qualidade que tenho às vezes de enxergar a coisa pela coisa. Porque – e aí vou eu entrando com sofisma só para me defender – se sendo gente eu consigo ir, por que haveria de perder essa capacidade ao me tornar mais gente? Ah, Deus, sinto que é puro sofisma. Aliás o sofisma como forma de raciocínio sempre me atraiu um pouco, passou a ser um de meus defeitos. Explicável porque sempre tive que me defender muito, e com sofismas se consegue. Talvez, quem sabe, eu que agora me defendo menos, largue pelo caminho o raciocínio-sofisma. Talvez eu não precise mais ganhar para me defender. O sofisma faz ganhar muito em discussões – há anos que não discuto – e em explicação para si mesma das próprias ações inexplicáveis etc. De agora em diante eu gostaria de me defender assim: é porque eu quero. E que isso bastasse.

Bem, fui escrevendo ao correr do pensamento e vejo agora ter me afastado tanto do começo que o título desta coluna já não tem nada a ver com o que escrevi. Paciência.

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

RÓTULOS EXAGERADOS

As celebridades adoram colar seu nome a safras de vinho – algumas são excelentes, mas quase sempre a jogada é de marketing

Famoso que é famoso, hoje em dia, precisa apresentar duas credenciais: popularidade no Instagram e ter um rótulo de vinho para chamar de seu. Há algum exagero, sim, na segunda condição – mas não está muito longe da realidade. Brotam, como uvas em parreiras, garrafas com a marca de gente celebrada. Brad Pitt e Angelina Jolie têm um rosé particular, o Muse de Miraval, produzido por uma família do Ródano francês que aprendeu o métier em Châteauneuf-du-Pape. A mais recente sócia do clube é a cantora pop australiana Kylie Minogue. Ela acaba de anunciar sua “grande paixão”, um rosé – sempre um rosé, um tanto na moda, suave, boa companhia para carnes magras, massas leves e verduras gratinadas – que leva seu nome, vendido pelo equivalente a 75 reais. Tudo muito bem, e os artistas têm o legítimo direito de lançar vinhos como quem assina perfumes, mas há um truque fácil de ser desmascarado. Costuma ser marketing, ainda que algumas safras sejam aplaudidas. Compra-se a grife. “Nem sempre a qualidade combina com o preço”, resume Alexandra Corvo, sócia e professora do Ciclo das Vinhas – Escola de Vinho, de São Paulo. No caso de Kylie, lê-se, em letras pequenas, “vin de France”, porque é realmente francês, produzido na Provença, mas não é um DOC, a denominação de origem controlada que assegura a localização geográfica, única e insubstituível, de uma produção vinícola.

Há, claro, exceções de qualidade, como os respeitadíssimos chardonnay de Francis Ford Coppola do Napa Valley californiano e, sim, o Anima, varietal de merlot da Bueno Wines, do locutor esportivo Galvão Bueno, extraído na Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Mas a regra é a inflação do paladar quando os vinhos estão atrelados a gente conhecida. Note-se, por exemplo, que o Miraval do ex-casal “Brangelina” chegou a ser vendido, em leilão beneficente, pelo equivalente a nada suaves 12.000 reais. O veredicto, segundo Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano, de São Paulo: “Já provei vinhos deles e chegam a ser maravilhosos, mas não dá para pagar tão caro por um rosé”. É exagerado mesmo – e, em se tratando dos sutis prazeres de Baco, convém lembrar de um batido e útil ditado do tempo de nossos avós: “Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 26 DE MAIO

A ESPERANÇA DO JUSTO NÃO MORRE

Pela sua malícia é derribado o perverso, mas o justo, ainda morrendo, tem esperança (Provérbios 14.32).

O perverso é o homem que professa o nome de Deus nos lábios e o nega com a vida. Diz conhecer a Deus, mas vive como se Deus não existisse. É o ateu prático, que professa uma coisa e vive outra. Há um abismo entre sua crença e sua conduta. O perverso é aquele que empurra Deus para a lateral da vida e se rende à maldade. A maldade, porém, leva os maus à desgraça. Quando chega a calamidade, esses ímpios são derrubados. Aquilo que eles desejaram e fizeram contra os outros cai sobre sua própria cabeça. A lança venenosa que atiram contra os outros volta-se contra a sua vida. Eles recebem a paga com suas próprias obras perversas. O justo não é assim. Sua âncora está firmada numa rocha que não se abala. Sua esperança não é um devaneio incerto. Mesmo atravessando todos os desertos tórridos, mesmo cruzando os vales mais escuros, mesmo gemendo sob o látego da dor, mesmo descendo à tumba, mesmo surrado pela doença mais atroz, o justo não perde a esperança, pois ela não está apenas nesta vida. Sua esperança está em Deus. O justo tem uma viva esperança. Ele sabe que o seu redentor vive. Caminha para uma eternidade de glória, na qual receberá um corpo de glória e será coroado com uma coroa de glória. A esperança do justo jamais morre!

GESTÃO E CARREIRA

BRINCADEIRA TEM LIMITE?

Quanto menor a empresa, maior a proximidade com os colaboradores e, consequentemente, a intimidade. Mas quais os limites das brincadeiras e do contato físico e como separar o pessoal do profissional?

A prática do assédio moral não é uma questão exclusivamente brasileira. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em pesquisa realizada em 1996, detectou que 12 milhões de trabalhadores na União Europeia já viveram situações humilhantes no trabalho que acarretaram distúrbios de saúde mental. Outro levantamento, desta vez da consultoria de recursos humanos Gartner, mostra que 40% dos profissionais europeus disseram ter enfrentado essa situação. Nos Estados Unidos, o índice chega a 25%.

No Brasil, a pesquisa pioneira realizada pela médica do trabalho Margarida Barreto, em sua dissertação de mestrado, em 2003, constatou que 42% dos trabalhadores entrevistados foram vítimas de assédio moral nas empresas. Um número extremamente expressivo e que pode ter subido pelo menos 10% nos últimos dez anos, segundo o Ministério do Trabalho.

A psicanalista Andréa Ladislau explica que é considerado assédio toda e qualquer conduta abusiva de gestos, palavras, escritos, comportamentos e atitudes que de forma intencional e frequente venha a ferir a dignidade e integridade física e psíquica de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho, seja de forma direta (por meio de insultos, acusações, gritos, humilhações públicas e exposição do outro ao ridículo), ou mesmo de forma indireta (por meio de isolamentos, fofocas, propagação de boatos, recusa na comunicação, exclusão social, acuamento sexual, propostas indecentes).

Nem sempre é brincadeira, ou melhor, na maioria das vezes não é. Por isso podemos começar diferenciando brincadeira de assédio, mas sabendo que a linha que separa uma coisa da outra é tênue. “Quando a brincadeira é desrespeitosa ou até humilhante e constrangedora, gerando incômodo, de forma repetitiva e prolongada, no exercício de suas funções, vira assédio. A vítima se torna o centro das atenções de maneira negativa. E o cunho preconceituoso é uma constante nessas situações”, explica a advogada trabalhista Cátia Vita.

Por esse motivo, é sempre aconselhado deixar às claras os limites e apontar de maneira delicada quando forem ultrapassados. “Se depois de uma conversa, o problema não se resolver, é o caso de recorrer aos mecanismos da empresa, como a área de recursos humanos e a ouvidoria, tendo em vista que esses departamentos devem ser um elemento neutro no julgamento dos casos”, conclui Cátia.

TIPOS DE ASSÉDIO

A master of Science in Business Administration in Neurornarketing na Florida Christian University e autora do livro Liderança Tóxica, Alessandra Assad, explica que o assédio pode ser moral, sexual, verbal, de abuso de poder, dano existencial ou danos morais. Importante frisar que os assédios podem se dar tanto do líder para seu subordinado, como do subordinado para seu superior, ainda entre os colegas de trabalho, ou podem ser mistos, isto é, entre superiores, colegas ou subordinados. “Muitas vezes a própria organização incentiva ou tolera a prática por motivos que são convenientes, em grande parte dos casos, em função de metas e resultados. E isso acontece mais do que se imagina, como pude confirmar na minha pesquisa de campo”, conta.

As vítimas de assédio moral não são necessariamente pessoas frágeis ou que apresentam qualquer transtorno. Algumas vezes elas têm características percebidas pelo agressor como ameaçadoras ao seu poder. Por exemplo, podem ser pessoas que reagem ao autoritarismo do líder ou que se recusam a submeter-se a ele. Frequentemente acontece com grupos que já sofrem discriminação social, como mulheres, portadores de necessidades especiais, idosos, negros, homossexuais etc.

Por ser uma forma de violência, as consequências do assédio para quem o sofre podem ser graves, provocando desde queda de autoestima, sensações e sentimentos desagradáveis, até doenças das mais diversas naturezas.

O PAPEL DA EMPRESA

Para a sócia do escritório Securato e Abdul Ahad Advogados, Claudia Securato, ao falar de assédio no ambiente corporativo, seja ele moral, seja sexual, é importante ressaltar que é obrigação do empregador manter um ambiente de trabalho saudável a todos os seus empregados, esforçando-se, portanto, para que situações de assédio não ocorram em seu negócio. “Diante disso, é importante que a empresa estabeleça códigos de conduta e ética de funcionários e que crie mecanismos de denúncia a serem utilizados, nos quais os trabalhadores vítimas de assédio – ou que presenciem situações de assédio – sintam-se à vontade para se queixar antes de tomar uma medida como o pedido de demissão ou a propositura de uma reclamatória trabalhista”, detalha.

A empresa deve adotar política interna de incentivo à denúncia, bem como punir devidamente casos de assédio comprovados, demonstrando-se completamente impiedosa em relação aos assediadores. Para tanto, é dever da empresa demitir o assediador. “Por fim, sugere-se que as empresas orientem seus funcionários, promovam palestras explicativas sobre assédios no ambiente de trabalho, preferencialmente por profissionais especializados no assunto (como médicos, psicólogos e advogados), de forma a alertá-los sobre as consequências jurídicas, físicas e psicológicas capazes de atingir a vítima de situações envolvendo assédio, seja ele moral, seja sexual”, conclui a advogada Claudia.

Já as pessoas que se sentem assediadas devem buscar algum interlocutor na empresa com quem possam tratar esta questão. Às vezes é o líder, às vezes a área de Recursos Humanos ou algum canal de comunicação existente na organização. “O assédio é sempre um fenômeno grave e não pode ser entendido como algo normal ou que faz parte da cultura da organização”, afirma a doutora em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, que atua como docente na área de Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional e coordena os Cursos de Graduação Tecnológicos EaD do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Miriam Rodrigues.

POR DENTRO DA LEI

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4742/01, que tipifica, no Código Penal, o crime de assédio moral no ambiente de trabalho, com previsão de pena de detenção de um a dois anos e multa. Sem prejuízo da pena correspondente à violência, se houver. Foi aprovado na Câmara dos Deputados em março deste ano e agora aguarda decisão do Senado.

No âmbito internacional, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) possui várias convenções que dispõem sobre a proteção da integridade física e psíquica do trabalhador, a exemplo da Convenção nº 155, de 1981.

O advogado, sócio da área trabalhista da Benício Advogados Associados, graduado pela USP e com MBA pela FGV, Marcos Lemos, explica que a Constituição Federal, por exemplo, tem como fundamento a dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho, além de prever o direito de reparação por dano moral, material e a imagem. E que essa determinação da constituição garante direitos ao trabalhador.

O art. 154 da CLT, por sua vez, determina que as empresas tenham o dever de cumprir qualquer norma que verse sobre saúde e meio ambiente do trabalho, inserindo-se neste conceito, por óbvio, a obrigação da empresa em manter um ambiente livre do assédio.

Os artigos 186 e 927 do Código Civil preveem a obrigação, por parte do ofensor, de reparar o dano causado a outrem. “Em paralelo a estas normas temos, também, o art. 482 da CLT, que possibilita a demissão por justa causa do assediador. Há, ainda, o art. 483 da CLT, que possibilita que o assediado entre com um pedido de rescisão indireta. Nesta hipótese, o empregado assediado poderia ‘despedir’ o seu empregador”, completa Lemos.

Portanto, à vista de todo este conjunto de normas, é muito importante que o ofendido procure os seus direitos, denunciando os atos de assédio, e não apenas para obtenção de uma indenização, mas, sobretudo, para evitar sua reincidência por parte do agressor e estimular empresas eventualmente omissas no tratamento do tema a adotarem uma postura de conscientização e enfrentamento do problema.

Igualmente importante é que as empresas deem a atenção necessária ao tema, criando regras, qualificando funcionários, fiscalizando e punindo com rigor os ofensores.

A advogada trabalhista do escritório Solon Tepedino Advogados, Luana C. Godinho Bicalho, explica que o assediador pode ser responsabilizado nas esferas administrativa, através da apuração de infração disciplinar, na esfera trabalhista, conforme previsão nos artigos 482 e 483 da CCT, na esfera civil, mediante ações indenizatórias de cunho moral e material, e ainda na esfera criminal, caso o assédio moral caracterize em lesão corporal, crimes contra a honra, racismo e outros. “O Direito do Trabalho assegura à vítima do assédio a possibilidade de requerer a rescisão indireta do contrato de trabalho, por meio da qual o trabalhador recebe todas as indenizações previstas em lei, como multa de 40% sobre o FGTS, projeção de aviso prévio, 13° salário e férias, sem prejuízo de ingressar com ação trabalhista pleiteando danos morais e materiais sofridos em virtude do assédio”, completa Luana.

SAIBA A DIFERENÇA

ASSÉDIO MORAL: o assédio moral é a exposição à situação humilhante e constrangedora, de forma repetitiva ou não, que visa humilhar, coagir e denegrir o indivíduo.

ASSÉDIO SEXUAL: o assédio sexual é todo comportamento indesejado de caráter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.

BULLYING: é a prática de atos violentos, intencionais e repetidos para causar danos à vítima.

STALKING: é a perseguição decorrente de uma obsessão que invade a intimidade da vítima, incluindo contato insistente pelo telefone e pela internet.

Fonte: SABRINA FERRER, psicóloga-chefe do Fala Freud, o primeiro app de terapia on-line do Brasil.

TECNOLOGIA CONTRA O ASSÉDIO

O PCI – Portal Confidencial Independente, idealizado pelo CEO da SP Auditores, João Vieira Uchôa Filho, que pode ser acessado de qualquer lugar e a qualquer hora, atende tanto o público interno quanto o externo de qualquer empresa. Entre suas funcionalidades, a plataforma apura casos de assédio sexual nas empresas.

A pessoa cria um usuário e senha e descreve a denúncia. Eles garantem a privacidade e anonimato estimulando assim que mais pessoas denunciem. “Essa privacidade incentiva que mais pessoas tomem coragem e denunciem, sem medo de represálias ou sansões”, acredita Uchôa Filho.

A empresa responsável pela novidade no mercado brasileiro é a SP Auditores, que cuida de toda gestão do processo de denúncia, do início ao fim, e nem presidente, acionista ou investidor estão imunes à investigação. É feita pela plataforma gestão, averiguação e acompanhamento de cada caso.

FIQUE ATENTO

Ao sentir-se constrangido:

1.  DEMONSTRE QUE AQUELA SITUAÇÃO NÃO É ADEQUADA PARA VOCÊ: é extremamente necessário que a vítima do assédio deixe CLARO que não está contente com a situação, sob pena até de descaracterizar o assédio. Logo, fale não. Fale “não gostei”. Peça “por favor, pode não fazer mais esse tipo de brincadeira/elogio?”. A negativa, por parte da vítima, é essencial como uma primeira tentativa prática de cessar novos assédios.

2.  TRANSPARÊNCIA: não se cale jamais diante de uma situação de assédio. É dever da empresa garantir um ambiente corporativo saudável aos seus empregados. Assim, caso a negativa não tenha sido suficiente para frear as atitudes impróprias do assediador, RELATE a situação de assédio internamente na empresa, requerendo que alguma providência seja tomada.

3.  NÃO PEGUE A EMPRESA DE SURPRESA: antes de tentar resolver o incidente por vias externas (inclusive judiciais), tente resolver o ocorrido “dentro de casa”.

4.  DIÁLOGO ABERTO COM A EMPRESA: o auxílio que você precisa às vezes está mais próximo do que você imagina. Relate, denuncie internamente, dialogue.

5.  PROCURE SEUS DIREITOS PERANTE O JUDICIÁRIO: se após sanadas todas as tentativas de dialogar e resolver o problema do assédio dentro da empresa, a situação permanecer, ou a empresa não tomar nenhuma atitude perante o assediador, procure seus direitos na Justiça do Trabalho ou mesmo na Esfera Criminal.

Fonte: CLAUDIA SECURATO, sócia do escritório Securato e Abdul Ahad Advogados.

O QUE DIZ A CQNSTITUIÇÃO SOBRE CASOS DE ASSEDIO NO TRABALHO?

Segundo Marcos Lemos, advogado, sócio da área trabalhista da Benício Advogados Associados, graduado pela USP e com MBA pela FGV, a Constituição Federal tem como fundamento a dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho, além de prever o direito de reparação por dano moral, material e a imagem. E que essa determinação da constituição garante direitos ao trabalhador.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DIZ-ME ONDE ANDAS QUE TE DIREI COMO TE ENCONTRAR

Será que o fenômeno de utilizar o serviço de geolocalização nas redes sociais, além de perigoso, pode indicar algum tipo de adoecimento psicológico?

Todos os dias milhões de pessoas geram um aumento significativo nos bancos de dados utilizando o serviço de geolocalização de seus aparelhos celulares. Esse fenômeno traz novas oportunidades para pesquisas nos sistemas sócio- técnicos. De acordo com os autores a geolocalização permite a identificação de quando e onde uma pessoa interagiu com algum tipo de ferramenta tecnológica, tornando possível estudar o comportamento humano e sua mobilidade. Um exemplo de aplicativo, mundialmente utilizado, que facilita na procura de lugares de lazer, como estabelecimentos gastronômicos, é o Foursquare. Com esse recurso o usuário encontra e descobre locais pela recomendação de terceiros que também utilizam essa ferramenta. Dessa forma, caso você vá a um restaurante X você pode publicar onde esteve e em que momento (igualmente ao Instagram). Porém, será que esse “GPS pessoal” é útil apenas para esse fim ou pode, em paralelo, facilitar crimes, como o sequestro, por meio do rastreamento dos hábitos de um determinado usuário?

Apesar da escassez de manuscritos que revelem os riscos da divulgação da geolocalização para amigos e estranhos, diversos portais de notícias internacionais revelaram momentos de terror de indivíduos que tiveram sua localização descoberta por estranhos e passaram a sentir um grande medo em continuar a utilizar o Foursquare. Em um dos relatos uma mulher recebe uma ligação quando estava em um restaurante (no local em que ela havia marcado sua localização no aplicativo), e o sujeito, do outro lado da linha, menciona que ela deve ter bastante cuidado, pois ele sabe onde ela mora e onde está devido ao uso desse recurso tecnológico. Longe de ser uma lenda urbana, esse tipo de fenômeno revela duas facetas: a primeira delas a falta de cautela do usuário em restringir algumas informações apenas para um grupo seleto de conhecidos; o segundo, as novas formas de crimes que surgem em paralelo aos novos modelos tecnológicos.

Existem estratégias para evitar que finais trágicos ocorram:

a) a recomendação é não fazer check-in nos lugares em que a pessoa costuma ir com frequência. Esse tipo de ação informa a desconhecidos que, além do grande apreço que o indivíduo tem por aquela localização (o trabalho ou mesmo um restaurante), ele indica facilmente um hábito rotineiro, facilitando uma possível ação como sequestro ou assalto;

b) é preciso alertar sobre os perfis fakes (falsos) que aparecem em aplicativos no modelo de redes sociais, o indicado é aceitar sujeitos que conhecemos pessoalmente ou que tenha amigos em comum com nosso perfil;

c) o Foursquare permite a utilização de cartões de crédito, dessa forma o usuário obtém descontos especiais, por exemplo. Porém, é necessário certo cuidado com a liberação de informações de cartões na Internet, já que o aplicativo obterá informações sobre dados pessoais, a lista de amigos e antigos check-ins.

Um website intitulado Please Rob Me (Por favor, me roube) alerta para outro problema do Foursquare. Apesar de o aplicativo gerar recompensas pela publicação de localizações (um funcionamento incluído no campo da gamificação), talvez um ponto que poucos de nós tenhamos refletido é: se estamos divulgando nossa localização em algum local, então definitivamente não estamos em casa. Dessa forma, em momentos de festividade ou de férias. Assim, permitir que terceiros saibam esses tipos de informações, como locais e horários de nossa rotina, pode facilitar a invasão de nossa residência, por exemplo.

Outro aspecto negativo é a necessidade de divulgar, como uma espécie de diário, todos os locais que o usuário frequenta. Será que, além das “conquistas” que o aplicativo oferece, o uso problemático do Foursquare pode estar indicando algum tipo de adoecimento psicológico? Outra pergunta: será que todas as localizações que são divulgadas são importantes? Exemplos são cemitérios, motéis e hospitais (relatos que já presenciei diversas vezes na minha escuta no consultório).

A missão deste artigo não é suscitar medo, mas um maior cuidado com aquilo que é oferecido, sobre nós mesmo, ao público. Contemporaneamente existem diversos estudos, que serão abordados em momentos futuros nesta coluna, sobre a relação de publicar sobre si em excesso e o narcisismo, assim como a necessidade de ser aceito na internet pelos conteúdos que são publicados, dentre outros. O que isso significa? Que apesar de diversos aplicativos oferecem benefícios de inúmeros tipos ainda é possível observar que existe um uso inadequado desses recursos. É possível perceber uma grande necessidade de sermos ouvidos, visualizados e “curtidos” atualmente. Porém, você já parou para pensar, por alguns minutos, por qual razão esse hábito se tornou parte do seu cotidiano? Sua localização, opinião e imagens devem ser constantemente divulgadas? Se sim, por qual motivo? Traga o campo da ciberpsicologia para suas reflexões.

IGOR LINS LEMOS – é doutorando em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas.

E-mail: igorlemos87@hotmail.com