A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

APRISIONADO PELOS PRÓPRIOS PENSAMENTOS

O transtorno obsessivo-compulsivo, conhecido como TOC, é mais comum do que se pode imaginar e, segundo estudos, acomete entre três e quatro milhões de pessoas somente no Brasil

Quando se ouve falar em TOC parece que se fala de algo bem distante. Porém, o transtorno obsessivo-compulsivo é bastante comum e encontrado na população em geral, hoje em dia. Esse distúrbio existe e se manifesta há muitos anos. No entanto, só passou a ser estudado e divulgado a partir da década de 80. Atualmente, é um problema que tem se mostrado comum, sendo estimado que, no Brasil, existam cerca de três a quatro milhões de indivíduos com o transtorno.

Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH – National Institute of Mental Health), departamento oficial que financia pesquisas sobre cérebro, doenças mentais e saúde mental, em nível nacional naquele país, demonstra que esse transtorno afeta cerca de 2% da população. Através desse trabalho, pode-se dizer que o TOC é mais comum do que a esquizofrenia e outras doenças mentais graves. Trata-se do quarto diagnóstico psiquiátrico mais comum e décima maior causa de incapacidade por anos vividos.

Mesmo assim, apenas uma pequena quantidade de pessoas que sofrem da doença procura ajuda. Geralmente, porque elas sentem extrema vergonha de seus sintomas e acabam escondendo esses comportamentos. Não entendem que essas características fazem parte de um transtorno que pode ser tratado.

O QUE É

O TOC é um distúrbio psiquiátrico ou transtorno de ansiedade, caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos, no qual o indivíduo é levado a realizar comportamentos que são considerados estranhos para a sociedade ou para ele mesmo.

Essas ideias invadem a mente do indivíduo de forma compulsiva e recorrente, produzindo alto nível de ansiedade. O indivíduo, então, é levado a realizar comportamentos específicos para tentar amenizar a ansiedade. Essas ações se tornam rituais incontroláveis e são elaboradas, também, de forma repetitiva.

Mas que ideias e pensamentos são esses? Geralmente, são ideias exageradas e irracionais relacionadas à saúde, higiene, organização, simetria e perfeição, que podem se tornar rituais e manias das mais diferentes formas.

Alguns exemplos com uns desses comportamentos podem ser lavar as mãos repetidamente; limpar a casa de maneira específica, usando objetos específicos que não podem ser trocados; organizar objetos por cor ou tamanho, não aceitando que eles fiquem fora de ordem; fechar o trinco da porta um determinado número de vezes, e muitos outros. Eis alguns casos:

Perturbada por pensamentos repetitivos de que pode ter se contaminado ao tocar maçanetas e outros objetos “sujos”, uma mulher de meia-idade passa horas todos os dias lavando as mãos. Suas mãos estão vermelhas e doloridas, descascando, e sobra pouco tempo para suas atividades sociais.

Um adolescente é atormentado pela ideia de que pode ferir outras pessoas por negligência. Não consegue sair de casa sem antes passar por um longo ritual de verificação, quando se certifica diversas vezes de que as torneiras e os bicos de gás do fogão estão fechados.

Mãe de dois filhos pequenos, uma mulher não consegue dormir antes de guardar e reposicionar milimetricamente os brinquedos dos filhos. Ela está cansada e irritada, porém, atormentada pela ideia de ser boa mãe, não consegue pegar no sono antes de organizar tudo.

Como descrito em exemplos acima, se o TOC se tornar grave, pode comprometer seriamente as atividades de uma pessoa em casa, no trabalho ou na escola.

CAUSAS

Apesar de ter sido descrito há mais de um século, e de haver vários estudos publicados a respeito, até o momento o transtorno obsessivo-compulsivo ainda é considerado um “enigma”. Não se sabe ao certo o que desencadeia o distúrbio.

O que se sabe é que ele é resultado da interação entre origem genética e fatores ambientais. Ou seja, pessoas com o histórico do transtorno na família têm maior tendência a desenvolvê-lo. Porém, isso não significa que a doença irá se manifestar.

Como muitos outros transtornos mentais, isso também vai depender do ambiente em que a pessoa está inserida e de fatores emocionais. É preciso identificar se o ambiente é mais hostil ou mais acolhedor, se possui regras e limites claros e com certa flexibilidade, ou se esses aspectos são rígidos demais. Que tipo de relacionamento prevalece com os pais ou responsáveis? Existe afeto ou é mais frio e distante? Como a pessoa lida com expectativas e frustrações? Esses são apenas alguns fatores que podem influenciar no desenvolvimento da doença. O fato de que alguns pacientes com TOC respondem bem a medicamentos específicos sugere que o transtorno tenha uma base neurobiológica. Por essa razão, não se atribui mais o TOC a comportamentos aprendidos na infância – por exemplo, ênfase excessiva em limpeza ou a crença de que certos pensamentos sejam perigosos ou inaceitáveis. Ao contrário, a pesquisa das causas atualmente se concentra primordialmente na interação entre fatores neurobiológicos e influências ambientais.

Acredita-se também que pessoas que desenvolvem TOC tenham uma predisposição biológica a reagir de forma acentuada ao estresse. Tal reação se manifesta sob a forma de pensamentos intrusivos e desagradáveis, que gerem mais ansiedade e estresse, criando, por fim, um círculo vicioso, do qual a pessoa não consegue sair sem ajuda.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é clínico, ou seja, de acordo com os sintomas apresentados, e deve ser feito por um médico.

PET – Positron Emission Tomography – Com o propósito de identificar fatores biológicos específicos, que possam ser importantes para o início ou a persistência do TOC, pesquisadores financiados pelo NIMH têm utilizado uma técnica denominada tomografia por emissão de pósitrons (PET – Positron Emission Tomography) para estudar o cérebro de pacientes com TOC.

Vários grupos de pesquisadores obtiveram informações, com o uso do PET, que sugerem que pacientes com TOC apresentam um padrão de atividade cerebral diferente do de outras pessoas sem doença mental ou com alguma outra doença mental.

Estudos com imagens cerebrais de pacientes com TOC demonstram atividade neuroquímica anormal em áreas do cérebro, com participação reconhecida em certos distúrbios neurológicos. Entre eles incluem-se a síndrome de Tourette, uma condição que se desenvolve em determinadas famílias, caracterizada por movimentos (tiques motores) e vocalizações (tiques vocais) abruptos, involuntários e repetitivos. Estudos genéticos de TOC e de outras condições relacionadas poderão algum dia possibilitar, aos especialistas, definir com precisão a base molecular desses transtornos.

SÍNDROME DE TOURETTE

O TOC também é encontrado em pelo menos 50% dos pacientes que têm a síndrome de Tourette (transtorno neurológico caracterizado por tiques motores e vocais ao mesmo tempo). Além disso, está relacionado ao mesmo gene responsável pela expressão dos tiques, tais como: movimentos motores ou vocalizações súbitas, rápidas, recorrentes, estereotipadas e não rítmicas, em resposta a sensações subjetivas de desconforto, segundo Rolak.

Estudos recentes mostraram que entre pacientes que apresentam TOC até 15% têm síndrome de Tourette, e entre pacientes que apresentam essa síndrome, de 20 % a 60 % têm sintomas obsessivos e compulsivos, sendo esta uma das comorbidades mais comuns em todas as faixas etárias.

As características clínicas mais frequentemente encontradas em pacientes com TOC, associado a tiques e/ ou síndrome de Tourette são: predominância do sexo masculino; início mais precoce dos sintomas obsessivo-compulsivos; maior frequência de fenômenos sensoriais; obsessões com temas sexuais e de agressão, colecionamento, rituais de contagem e simetria; maior frequência de compulsões do tipo tic-like; maior carga genética; maior número e variedade de sintomas obsessivo-compulsivos; maior comorbidade com tricotilomania, transtorno dismórfico corporal, transtorno bipolar, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, fobia social e abuso de substâncias.

PREVALÊNCIA

Os estudos de prevalência no Brasil ainda são insuficientes e pouco representativos. O sexo masculino estaria mais associado ao início mais precoce dos sintomas e à presença de tiques. E esse número aumenta no sexo feminino com a entrada da adolescência, chegando a uma proporção de 1:1 na idade adulta. Estima-se que cerca de 50% dos adultos com transtorno obsessivo-compulsivo tenha apresentado o início do TOC na infância.

Assim sendo, de acordo com esses dados, o transtorno obsessivo-compulsivo representa um distúrbio de extrema importância para a saúde pública. Além de bastante frequente, o TOC apresenta altas taxas de comorbidade com outros transtornos psiquiátricos.

COMO IDENTIFICAR

Considera-se que uma pessoa tenha TOC quando seus comportamentos obsessivos e compulsivos atingem gravidade suficiente para interferir em sua vida cotidiana. Na linguagem popular, muitas pessoas são chamadas de “compulsivas” por apresentarem um elevado padrão de desempenho em seu trabalho e, até mesmo, em alguma atividade de lazer. Essas pessoas não devem ser confundidas com pessoas que apresentam TOC.

Vulgarmente, algumas pessoas falam em “mania de perfeição”, “mania de limpeza”, “mania de organização”. Esse tipo de comportamento “compulsivo” ou “mania” geralmente funciona para a pessoa e contribui para a autoestima do indivíduo e seu sucesso no trabalho e na sua vida. Esse não traz nenhum sofrimento, não prejudica seu cotidiano e, assim, pode-se diferenciá-lo de obsessões e rituais.

SINTOMAS

Os principais são: pensamentos obsessivos – pensamentos repetitivos que interferem na vida do indivíduo; compulsões – comportamentos baseados nesses comportamentos, que se tornam rituais. É possível amenizar e controlar os sintomas. Porém, esses podem se intensificar ou não, dependendo da fase em que a pessoa está, podendo haver longos intervalos de sintomas.

O TOC aflige pessoas de todos os grupos étnicos. Tanto homens como mulheres são afetados e os prejuízos na relação com a sociedade e a família são muitos, principalmente de cunho social.

A família do portador sofre com as constantes alterações de rotina para se adaptar aos sintomas do portador. Os portadores do transtorno, normalmente, podem chegar a obrigar os demais membros da família a fazer o mesmo que eles, chegando a impedir o uso de sofás, camas, roupas, toalhas, louças e talheres, bem como o acesso a determinados locais da casa. Discussões e atritos são provocados por cuidados excessivos. Exigências e medos exagerados nem sempre são compreendidos ou tolerados pelos demais.

Prejuízos no trabalho, na carreira e no poder aquisitivo do portador e de sua família também são encontrados. Esses indivíduos acabam não conseguindo mais funcionar da forma esperada no trabalho, e demissões do emprego podem ocorrer.

Assim como separações conjugais, brigas e conflitos em família e até muita resistência em sair de casa. Dependendo da intensidade dos sintomas, algumas pessoas perdem a crítica sobre si mesmas e não buscam ajuda.

Como a doença é crônica, muitas vezes as famílias vão se adaptando a esses sintomas e exigências do portador para evitar conflitos no dia a dia. Porém, isso prejudica ainda mais a vida do portador e de sua família, pois os comportamentos são, assim, reforçados. A família ou pessoas de seu convívio devem tentar não reforçar os comportamentos compulsivos, não incentivando os mesmos. A busca de ajuda especializada é de extrema importância.

TRATAMENTO

Este pode ser medicamentoso, mas é principalmente terapêutico. A Psicoterapia Cognitivo-comportamental é a mais indicada.

TRATAMENTO COM MEDICAMENTOS – Não existe um medicamento específico para TOC. E essa parte será usada apenas para aliviar sintomas, visto que a doença não tem cura, e sim controle. Os antidepressivos se mostraram eficazes, pois aumentam a capacidade de o cérebro utilizar a serotonina.

TERAPIA COMPORTAMENTAL – Uma terapia tradicional, na maioria das vezes, não dá conta dos sintomas apresentados. Uma abordagem terapêutica comportamental, em que o paciente é deliberadamente exposto ao objeto ou à ideia temidos, tanto diretamente quanto pela imaginação, mostra-se bastante eficaz.

Por exemplo, uma pessoa que lave as mãos compulsivamente pode ser estimulada a tocar um objeto supostamente contaminado e, depois, evitar que lave as mãos durante horas. Essa técnica faz com que o paciente, gradualmente, diminua os pensamentos obsessivos, conseguindo permanecer sem atitudes compulsivas por períodos cada vez mais prolongados.

COMORBIDADES

É comum encontrarmos outros transtornos associados, como os transtornos do humor (depressão), o abuso e dependência de substâncias e os transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia. As comorbidades prejudicam o curso e a qualidade de vida de quem tem o transtorno. Além disso, interferem na evolução, no prognóstico e também na procura por atendimento especializado.

Transtornos de ansiedade e fobias também podem aparecer em indivíduos que apresentam TOC. Entretanto, geralmente o TOC é desencadeado após esses distúrbios. Em casos de transtorno de humor, esses podem ocorrer simultaneamente ao TOC, e a dependência química também relacionada pode ocorrer após o TOC.

PRIMEIRO RELATO SURGIU EM 1838

Apesar de muito frequente nos dias de hoje, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um distúrbio que teve suas ocorrências iniciais em 1838.

Os primeiros relatos da doença foram desenvolvidos pelo médico psiquiatra francês Jean Étienne Dominique Esquirol (1772-1840). Ele detectou o caso de um jovem que se sentia extremamente aflito quando tinha de visitar sua tia. A senhora demonstrava angústia, porque pensava o tempo todo que o sobrinho queria roubá-la. Portanto, esse comportamento compulsivo da tia do jovem teve seu primeiro registro, mostrando que ela havia se transformado em refém do próprio pensamento. O psiquiatra francês estudou e foi discípulo de Philippe Pinel. Ao lado de seus colaboradores, entre os quais J. P. Falret, trabalhou na preparação da lei de 30 de junho de 1838. considerada modelo para muitos países, que previa a criação de instituições públicas para tratar de pessoas insanas. Ainda em 1838, publicou o estudo “Des maladies mentales considerées sous les rapponts medical, hygienique et medico-legal”. No tratado, definiu inúmeros fenômenos psicopatológicos, tais como a idiotia, demência, alucinações, termos usados até hoje.

TIC-LIKE

São muitas as reações tisicas provenientes de transtornos do tipo TOC ou de Tourette. As chamadas compulsões tic-like são semelhantes a tiques. porém realizadas com o objetivo principal de minimizar a ansiedade, o desconforto, o medo ou a preocupação, que são causados geralmente por uma obsessão. Alguns exemplos de compulsões tic-like são: tocar, esfregar, dar pancadinhas, piscar os olhos ou olhar fixamente.

CELEBRIDADES

Embora a síndrome de Tourette possa causar inúmeras dificuldades no que se refere ao convívio social, várias pessoas famosas e talentosas foram diagnosticadas com o distúrbio. Entre elas os escritores Hans Christian Andersen e André Maulraux. Napoleão Bonaparte, na imagem acima (líder político), Howard Hughes (industrial), Amadeus Mozart {músico), além dos Jogadores de futebol Tim Howard {goleiro da seleção dos EUA) e David Beckham (inglês).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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