EU ACHO …

FUTURO IMPROVÁVEL

Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada, mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto – serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de “dois e dois são quatro” é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto…

CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

MENOS É SEMPRE MAIS

Cresce no mundo, e também no Brasil, uma ideia de organização doméstica chamada de “armário-cápsula”, que consiste em manter pouquíssimas roupas em casa

“As lojas sempre têm um cheirinho bom e despertam o desejo por coisas que você nem sabia que precisava”, disse uma querida personagem do cinema e da TV, Rebecca Bloomwood, a Becky Bloom, vivida pela australiana Isla Fisher na comédia Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009). Becky é uma jovem definitivamente falida em busca do equilíbrio entre estilo e saúde financeira, mas ladeada de um guarda-roupa abarrotado de peças de grife pouco ou nada usadas. A relação de Becky com seu armário é retrato de nosso tempo, um tempo em que muitas mulheres olham para seus cabides e pensam, quando não dizem em voz alta mesmo: Não tenho nada para vestir”. Os humores de hoje, contudo, acelerados pelo encasulamento da pandemia, exigem uma vida minimalista, sem exageros.

Há uma onda que cresce, um método de organização doméstico chamado de “armário-cápsula”. Trata-se de passar um longo período de tempo – como uma estação do ano ou mais até – com cerca de três dezenas de roupas que combinem entre si, e só. Para que o esquema funcione, é preciso atenção redobrada ao comprar peças novas e ao selecionar o que já está em casa.

“Pode parecer um sacrifício, mas não é”, diz a especialista em estilo Luciana Ulrich, dona da Studio lmmagine, escola de moda em São Paulo que criou um workshop on-line sobre o tema. “Com doze itens é possível montar aproximadamente cinquenta looks.” A modéstia no consumo, digamos assim, resultou na procura por armários pequenos, os chamados closets modulados – as vendas aumentaram 40% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020, em lojas de móveis do Brasil.

A ideia de ter pouco para vestir, agora redescoberta, nasceu aos anos 1980, com a estilista americana Donna Karan. Ela lançou uma coleção de sete peças curingas que transitavam bem da noite ao dia, do trabalho à festa. A novidade sacudiu as passarelas, as revistas de moda e as ruas. “Aos poucos, descobriu-se que as coisas podiam ser mais simples, mais confortáveis e mais duráveis”, diz Mareio Banfi, estilista e professor de moda na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. Até que a humanidade, afeita a consumir, foi perdendo o gosto pela simplicidade. Mas, como sempre, os movimentos pendulares mudam comportamentos, e a sociedade parece ter retornado à boa estrada. É o que fez a professora de inglês Jéssica Fioravante, 30 anos, do Rio de Janeiro, que reduziu seu acervo de 300 peças para uma seleção com apenas 10% desse montante. “Percebo que sou mais criativa nas composições”, diz. “Nunca me falta nada e, se for pensar bem, às vezes até sobra.” E se sobra, para que ter? Ou, como ensinou o arquiteto modernista alemão Mies van der Rohe (1886-1969) numa de suas máximas mais celebradas: “Menos é mais”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 08 DE MAIO

A LEI DA SEMEADURA E DA COLHEITA

O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem (Provérbios 14.14).

A lei da semeadura e da colheita é universal. O homem colhe o que planta. Os maus terão o que merecem, mas o homem de bem será recompensado pelo que faz. Os infiéis receberão a retribuição de sua conduta, mas o homem bom receberá galardão até de um copo de água fria que der a alguém em nome de Jesus. Em outras palavras, o que o homem semeia, é isso mesmo o que ele colhe. Quem espalha sementes de bondade colherá bondade. Quem semeia a maldade ceifará maldade. O infiel de coração não só colhe o mal que semeou, mas faz uma colheita tão abundante a ponto de fartar-se. Ele semeia apenas vento, mas sua colheita é tempestade. O mal que ele intentou no coração encurrala sua vida por todos os lados. Aquilo que ele ambicionou em secreto transborda publicamente para todas as direções. O mal que ele desejou para os outros recai sobre sua própria cabeça. Totalmente diferente é o homem de bem, que é recompensado pelo seu proceder. Seu coração é generoso, suas mãos são prestativas, e sua vida é uma inspiração. Mesmo que as pessoas lhe façam mal, ele paga com o bem. Mesmo que sofra injustiças, perdoa. Mesmo que lhe firam o rosto, volta a outra face. O homem de bem é um abençoador. Sua recompensa não vem da terra, mas do céu; não vem dos homens, mas de Deus.

GESTÃO E CARREIRA

COMO FALAR SOBRE TRABALHO COM SEUS FILHOS DURANTE A PANDEMIA

Um guia de atividades e discussão.

Para algumas famílias, a covid-19 significou trabalhar, viver e aprender juntos em aposentos apertados durante vários meses. Para outras, significou funcionários saindo de casa para trabalhar em hospitais, supermercados e outros estabelecimentos comerciais da linha de frente da pandemia. Embora a dinâmica de sua família tenha mudado, é provável que seus filhos estejam desenvolvendo novas ideias sobre seu trabalho e mais elementarmente, o que é o trabalho, como ele funciona no mundo atual e o que ele significa para eles.

É por isso que esta é uma boa hora para conversar com seus filhos sobre seu trabalho e mudanças de responsabilidade. Essas conversas podem ajudá-lo a entender melhor suas perspectivas sobre seu emprego, como eles pensam sobre seu futuro na força de trabalho, e qual a melhor forma de apoiá-los hoje. Você também pode aproveitar esse tempo para discutir saudavelmente estratégias de enfrentamento sadias quando o trabalho (e a vida) se tornarem difíceis.

O guia de atividades e discussão a seguir oferece algumas formas de iniciar conversas sobre esses temas. À medida que for lendo as questões, escolha os tópicos que mais se apliquem à sua família. Dependendo do interesse das crianças e da dispersão da atenção, você pode preferir discutir diferentes questões em várias ocasiões. É importante adaptar as questões a serem discutidas ao nível de desenvolvimento, temperamento, estilo de comunicação e outros aspectos de seus filhos. Para aconselhamento individualizado, parentes e cuidadores devem contatar seus próprios provedores.

ATIVIDADE

Comece a conversa com seu filho dizendo alguma coisa como “eu acho que seria interessante conversar sobre as mudanças que você viu na forma como estou trabalhando neste exato momento, e para lhe dar a oportunidade de tirar dúvidas que você pode ter sobre o que eu faço no trabalho”. Depois discuta os tópicos que tem em mente, deixando a conversa ser guiada pela curiosidade de seu filho. Para ter ideias sobre os tópicos, veja o guia de discussão a seguir.

Como crianças menores podem ter mais facilidade de se comunicar brincando, você pode então começar pedindo a seu filho um desenho de você trabalhando ou dele em aulas (remotas ou presenciais). Peça à criança que descreva seu desenho, e faça perguntas adicionais para entendê-lo melhor. Esse exercício é uma boa forma de ouvir as ideias de seus filhos sobre as mudanças em sua vida profissional, na forma como eles estão estudando e na dinâmica familiar.

GUIA DE DISCUSSÃO

A conversa com a criança pode abranger uma grande variedade de assuntos. Aqui estão algumas perguntas que você pode fazer:

– Você sabe o que eu faço no meu trabalho?

– O que você quer me perguntar sobre meu trabalho?

– Você sabe porque o que eu faço é importante para mim e para outros?

– Você sabe como eu passo meu tempo enquanto estou trabalhando?

– Que você faz quando está na escola?

– Quais são suas partes favoritas da escola?

Esta é também uma oportunidade de discutir mudanças no trabalho e na escola. Você pode perguntar:

– Neste momento tivemos de fazer muitas mudanças em nossas rotinas de trabalho e da escola. O que ficou mais difícil ou mais fácil na escola agora? O que ajuda você quando as coisas ficam mais difíceis? De que formas eu posso ajudá-lo quando você está com problemas?

– Você acha que as mudanças durante este período foram positivas para nossa família?

Esta última questão pode ser mais bem respondida por você e seu filho juntos. Por exemplo, talvez vocês se vejam mais ou façam mais refeições juntos durante a semana. Talvez você tenha mais oportunidade de interagir (mesmo que virtualmente) com o resto da família ou com amigos.

Você também pode pedir a seu filho que faça perguntas para saber mais sobre seu trabalho e como ele mudou. Se ele não estiver seguro sobre por onde começar, as sugestões a seguir podem ajudar: você poderia dizer “tenho algumas perguntas aqui que talvez você queira me fazer”. As crianças que já sabem ler podem ver a lista e fazer as perguntas que considerarem mais interessantes. Se seu filho ainda não sabe ler, você pode ler em voz alta aquelas que você acredita serem mais relevantes usando linguagem adequada ao nível de desenvolvimento da criança, e depois respondê-las (obviamente, tente criar um ambiente onde seu filho se sinta à vontade para fazer perguntas que não foram incluídas a seguir).

– Que você faz no seu trabalho?

– Como acabou fazendo esse tipo de trabalho?

– De que você mais gosta no seu trabalho?

– Quando você tinha a minha idade, que queria fazer quando crescesse?

– Que você queria saber na minha idade sobre trabalho e escola?

– Que problema no trabalho que você teve de superar? Como fez isso?

– Que ficou mais difícil no seu trabalho por causa da pandemia? Como você enfrentou os problemas?

–Por que você precisa trabalhar em vez de ficar comigo? (detalhe importante: esta pergunta poderá não ser apresentada se não refletir a experiência da criança).

DICAS PARA SUA CONVERSA

Em conversas com os filhos, é importante deixar claro que você está disponível para conversar ou ajudar quando eles precisarem. Também é importante estar tranquilo e legitimar os sentimentos deles e, ao mesmo tempo, enfatizar que você e outros adultos estão trabalhando muito pra mantê-los em segurança e ajudá-los a aprender durante este período anormal.

Com a pergunta “por que você precisa trabalhar em vez de ficar comigo?” é particularmente importante estar sintonizado com as emoções de seu filho. Você pode responder reforçando seu amor por ele e ao mesmo tempo também reconhecendo suas responsabilidades de trabalho e os motivos porque seu trabalho é importante. Deixe claro que você trabalha não porque não quer ficar com seu filho. Essa discussão também pode levar a oportunidades de marcar um período comum para estar com a família sem discutir nada de trabalho, se possível.

Se você não puder trabalhar em casa, seu filho pode ter preocupações relacionadas à segurança. Éimportante dar espaço para essa conversa e sincera e tranquilamente responder às perguntas de seu filho sem usar linguagem catastrófica. Normalize os sentimentos que seu filho expressa e enfatize que você está seguindo políticas de saúde pública e os protocolos de sua empresa para manter você e sua família seguros. Você também pode explicar a importância de seu cargo, porque ele exige que você continue indo ao escritório, e como seu trabalho ajuda os outros e a comunidade como um todo. Permitir que as crianças saibam que elas sempre podem discutir seus sentimentos com você e fazer perguntas deixa uma porta aberta para conversas futuras e mostra que as pessoas que cuidam delas estão lá se elas precisarem de apoio.

Embora não seja o foco deste guia, é muito importante observar que, além das mudanças no trabalho e na escola, as famílias podem estar vivenciando a perda de entes queridos, doenças, perda de emprego ou insegurança alimentar e doméstica. É importante dar espaço às crianças para que façam perguntas e consigam apoio nesses fatores estressantes. Os pais devem procurar recursos da escola e da comunidade quando seus filhos ou famílias precisarem de mais ajuda.

ESCLARECIMENTO

Este guia foi elaborado para ter natureza informativa e não para fornecer conselhos ou recomendações profissionais. Essas atividades são para consideração geral, mas os cuidadores devem contatar seus provedores em relação a aconselhamento individualizado para suas famílias e filhos. Os pais que perceberem mudanças comportamentais significativas ou mudanças de humor em seus filhos, ou que precisem de outro tipo de apoio, devem entrar em contato com a escola e agências comunitárias para obter orientação e recursos.

JACQUELINE ZELLER – é PhD, psicóloga licenciada, psicóloga escolar e professora de educação infantil. Seus interesses clínicos focam esforços de prevenção e intervenção em escolas, promovendo a resiliência nas crianças e apoiando o bem-estar de educadores e auxiliares. A dra. Zeller faz parte do núcleo pedagógico da faculdade de educação de Harvard. onde ela ministra cursos de pós-graduação relacionados a aconselhamento e consultas, e coordena parcerias escola/universidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

JOVENS PRECISAM DORMIR MAIS

Atenta à saúde dos estudantes, a Associação Americana de Pediatria passou a recomendar que escolas iniciem somente após as 8h30, como possível prevenção ao risco de depressão na adolescência

Novo estudo feito por uma equipe de pesquisadores da Universidade do Texas sugere que a privação do sono pode estar entre os principais fatores de risco de depressão entre adolescentes. De acordo com a pesquisa, publicada no Jornal Sleep, da Sociedade de Pesquisa do Sono, os jovens que dormem seis horas ou menos têm três vezes mais chances de ter depressão que aqueles que garantem o mínimo de nove horas diárias de sono. A pesquisa, liderada pelo médico e professor de Ciências Comportamentais Robert Roberts, investigou os hábitos de 4.175 adolescentes durante um mês e acompanhou seu comportamento quatro anos depois. Esse foi o primeiro estudo a mostrar que existe um efeito recíproco resultante da relação entre a quantidade de horas dormidas e a depressão.

Se a questão é tão significativa quanto sugerem os pesquisadores, a incidência de depressão deve ser inversamente proporcional ao número de horas que se dorme. E tudo indica que isso está acontecendo. De acordo com pesquisa realizada por uma equipe da Universidade Columbia e publicada no Jornal Oficial da Sociedade Americana de Pediatria, o tempo de sono entre adolescentes foi reduzido no período entre 1991 e 2012. A análise de dados de 270 mil jovens americanos mostrou que o grupo que afirma dormir menos de sete horas aumentou de forma contínua nesse período de 20 anos. A maior diferença foi observada entre jovens de 15 anos: em 2012, 37% reportaram dormir menos de sete horas por noite, contra 28% em 1991.

Com isso é possível concluir que mais de um terço dos adolescentes dorme no mínimo duas horas menos que o recomendado para a idade. No Brasil, a realidade não parece muito diferente. No início desse ano, o Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente apontou que 88% dos 1.830 entrevistados não consideram seu sono satisfatório. Tanto os brasileiros quanto os americanos concluíram que os aparelhos eletrônicos estão entre os grandes vilões do sono. Os pesquisadores do Texas frisaram que o uso de mídias sociais e o aumento da demanda de estudos e da quantidade de atividades extracurriculares também podem contribuir para a queda na quantidade de horas dormidas.

Atenta à necessidade de garantir as nove ou mais horas de sono entre adolescentes, a Sociedade Americana de Pediatria publicou um novo estatuto, no ano passado, recomendando que as escolas iniciem as aulas sempre depois das 8 h30. De acordo com a entidade, dessa forma os horários acadêmicos são alinhados ao ritmo circadiano do sono dos adolescentes. Portanto, não apenas compromissos e eletrônicos mantêm os adolescentes acordados: seu ciclo biológico é diferente do de crianças pequenas, sendo muito mais difícil, nessa fase, dormir e acordar cedo.

No entanto, o sistema escolar brasileiro está longe de reconhecer a importância da causa que os pediatras americanos defendem. Aqui, crianças pequenas são privadas do importante soninho da tarde, enquanto pré-adolescentes são arrancados da cama geralmente por volta das seis da manhã. Vão à escola sonolentos e no período em que deveriam estar estudando ficam livres para passear em shoppings e brincar no celular. Se nosso sistema educacional considerasse a saúde e o ritmo biológico dos estudantes como fatores que superam em importância a praticidade que os horários atuais representam para muitos pais e escolas, iria garantir mais disposição física e mental dos adolescentes, reduzindo as chances de depressão. Mais que isso: poderia provocar uma melhora no rendimento acadêmico dos alunos.

Hoje sabemos que uma boa noite de sono é fundamental para a consolidação da memória e, como consequência, para o sucesso na aprendizagem. A cada ano surgem novas pesquisas reafirmando a importância do sono para o bom desenvolvimento cognitivo. Recentemente, neurocientistas da Universidade de Nova York (NYU) comprovaram, em estudos com ratos, que durante o sono profundo, ou ciclo de ondas lentas (slow wage sleep), as habilidades aprendidas durante o dia são “ensaiadas” repetidamente. Essa neuro representação das memórias em replay é fundamental para o fortalecimento das conexões sinápticas e, assim, para a consolidação da aprendizagem. Existem muitas evidências de que o sono é vital para a formação de vários tipos de memória. De acordo com Penelope Lewis, autora de The Secret World of Sleep (O Mundo Secreto do Sono), habilidades motoras tendem a se aprimorar em até 20% em uma única noite de sono.

Assim como é importante lembrar, é necessário esquecer. Não queremos saturar o cérebro com informações sem importância e é enquanto dormimos, mais especificamente no estágio de ondas lentas, que ocorre essa “limpeza” de dados processados durante o dia. Ao enfraquecer as conexões não significativas, o sono mantém a capacidade de armazenamento do cérebro, fundamental para as funções cognitivas.

Enquanto o sistema educacional brasileiro não considera uma adaptação de horários, o que podemos fazer é evitar, à noite, os estímulos que comprovadamente afastam os adolescentes da cama. Somente uma reorganização da rotina familiar pode garantir o mínimo de sono necessário para um melhor desenvolvimento cognitivo e social nessa fase em que a saúde mental é tão frequentemente abalada.

MICHELE MULLER – é jornalista com especialização em Neurociência Cognitiva e autora do blog http://neurociencaisesaude.blogspot.com.br