GESTÃO E CARREIRA

COMO FALAR SOBRE TRABALHO COM SEUS FILHOS DURANTE A PANDEMIA

Um guia de atividades e discussão.

Para algumas famílias, a covid-19 significou trabalhar, viver e aprender juntos em aposentos apertados durante vários meses. Para outras, significou funcionários saindo de casa para trabalhar em hospitais, supermercados e outros estabelecimentos comerciais da linha de frente da pandemia. Embora a dinâmica de sua família tenha mudado, é provável que seus filhos estejam desenvolvendo novas ideias sobre seu trabalho e mais elementarmente, o que é o trabalho, como ele funciona no mundo atual e o que ele significa para eles.

É por isso que esta é uma boa hora para conversar com seus filhos sobre seu trabalho e mudanças de responsabilidade. Essas conversas podem ajudá-lo a entender melhor suas perspectivas sobre seu emprego, como eles pensam sobre seu futuro na força de trabalho, e qual a melhor forma de apoiá-los hoje. Você também pode aproveitar esse tempo para discutir saudavelmente estratégias de enfrentamento sadias quando o trabalho (e a vida) se tornarem difíceis.

O guia de atividades e discussão a seguir oferece algumas formas de iniciar conversas sobre esses temas. À medida que for lendo as questões, escolha os tópicos que mais se apliquem à sua família. Dependendo do interesse das crianças e da dispersão da atenção, você pode preferir discutir diferentes questões em várias ocasiões. É importante adaptar as questões a serem discutidas ao nível de desenvolvimento, temperamento, estilo de comunicação e outros aspectos de seus filhos. Para aconselhamento individualizado, parentes e cuidadores devem contatar seus próprios provedores.

ATIVIDADE

Comece a conversa com seu filho dizendo alguma coisa como “eu acho que seria interessante conversar sobre as mudanças que você viu na forma como estou trabalhando neste exato momento, e para lhe dar a oportunidade de tirar dúvidas que você pode ter sobre o que eu faço no trabalho”. Depois discuta os tópicos que tem em mente, deixando a conversa ser guiada pela curiosidade de seu filho. Para ter ideias sobre os tópicos, veja o guia de discussão a seguir.

Como crianças menores podem ter mais facilidade de se comunicar brincando, você pode então começar pedindo a seu filho um desenho de você trabalhando ou dele em aulas (remotas ou presenciais). Peça à criança que descreva seu desenho, e faça perguntas adicionais para entendê-lo melhor. Esse exercício é uma boa forma de ouvir as ideias de seus filhos sobre as mudanças em sua vida profissional, na forma como eles estão estudando e na dinâmica familiar.

GUIA DE DISCUSSÃO

A conversa com a criança pode abranger uma grande variedade de assuntos. Aqui estão algumas perguntas que você pode fazer:

— Você sabe o que eu faço no meu trabalho?

— O que você quer me perguntar sobre meu trabalho?

— Você sabe porque o que eu faço é importante para mim e para outros?

— Você sabe como eu passo meu tempo enquanto estou trabalhando?

— Que você faz quando está na escola?

— Quais são suas partes favoritas da escola?

Esta é também uma oportunidade de discutir mudanças no trabalho e na escola. Você pode perguntar:

— Neste momento tivemos de fazer muitas mudanças em nossas rotinas de trabalho e da escola. O que ficou mais difícil ou mais fácil na escola agora? O que ajuda você quando as coisas ficam mais difíceis? De que formas eu posso ajudá-lo quando você está com problemas?

— Você acha que as mudanças durante este período foram positivas para nossa família?

Esta última questão pode ser mais bem respondida por você e seu filho juntos. Por exemplo, talvez vocês se vejam mais ou façam mais refeições juntos durante a semana. Talvez você tenha mais oportunidade de interagir (mesmo que virtualmente) com o resto da família ou com amigos.

Você também pode pedir a seu filho que faça perguntas para saber mais sobre seu trabalho e como ele mudou. Se ele não estiver seguro sobre por onde começar, as sugestões a seguir podem ajudar: você poderia dizer “tenho algumas perguntas aqui que talvez você queira me fazer”. As crianças que já sabem ler podem ver a lista e fazer as perguntas que considerarem mais interessantes. Se seu filho ainda não sabe ler, você pode ler em voz alta aquelas que você acredita serem mais relevantes usando linguagem adequada ao nível de desenvolvimento da criança, e depois respondê-las (obviamente, tente criar um ambiente onde seu filho se sinta à vontade para fazer perguntas que não foram incluídas a seguir).

— Que você faz no seu trabalho?

— Como acabou fazendo esse tipo de trabalho?

— De que você mais gosta no seu trabalho?

— Quando você tinha a minha idade, que queria fazer quando crescesse?

— Que você queria saber na minha idade sobre trabalho e escola?

— Que problema no trabalho que você teve de superar? Como fez isso?

— Que ficou mais difícil no seu trabalho por causa da pandemia? Como você enfrentou os problemas?

— Por que você precisa trabalhar em vez de ficar comigo? (detalhe importante: esta pergunta poderá não ser apresentada se não refletir a experiência da criança).

DICAS PARA SUA CONVERSA

Em conversas com os filhos, é importante deixar claro que você está disponível para conversar ou ajudar quando eles precisarem. Também é importante estar tranquilo e legitimar os sentimentos deles e, ao mesmo tempo, enfatizar que você e outros adultos estão trabalhando muito pra mantê-los em segurança e ajudá-los a aprender durante este período anormal.

Com a pergunta “por que você precisa trabalhar em vez de ficar comigo?” é particularmente importante estar sintonizado com as emoções de seu filho. Você pode responder reforçando seu amor por ele e ao mesmo tempo também reconhecendo suas responsabilidades de trabalho e os motivos porque seu trabalho é importante. Deixe claro que você trabalha não porque não quer ficar com seu filho. Essa discussão também pode levar a oportunidades de marcar um período comum para estar com a família sem discutir nada de trabalho, se possível.

Se você não puder trabalhar em casa, seu filho pode ter preocupações relacionadas à segurança. Éimportante dar espaço para essa conversa e sincera e tranquilamente responder às perguntas de seu filho sem usar linguagem catastrófica. Normalize os sentimentos que seu filho expressa e enfatize que você está seguindo políticas de saúde pública e os protocolos de sua empresa para manter você e sua família seguros. Você também pode explicar a importância de seu cargo, porque ele exige que você continue indo ao escritório, e como seu trabalho ajuda os outros e a comunidade como um todo. Permitir que as crianças saibam que elas sempre podem discutir seus sentimentos com você e fazer perguntas deixa uma porta aberta para conversas futuras e mostra que as pessoas que cuidam delas estão lá se elas precisarem de apoio.

Embora não seja o foco deste guia, é muito importante observar que, além das mudanças no trabalho e na escola, as famílias podem estar vivenciando a perda de entes queridos, doenças, perda de emprego ou insegurança alimentar e doméstica. É importante dar espaço às crianças para que façam perguntas e consigam apoio nesses fatores estressantes. Os pais devem procurar recursos da escola e da comunidade quando seus filhos ou famílias precisarem de mais ajuda.

ESCLARECIMENTO

Este guia foi elaborado para ter natureza informativa e não para fornecer conselhos ou recomendações profissionais. Essas atividades são para consideração geral, mas os cuidadores devem contatar seus provedores em relação a aconselhamento individualizado para suas famílias e filhos. Os pais que perceberem mudanças comportamentais significativas ou mudanças de humor em seus filhos, ou que precisem de outro tipo de apoio, devem entrar em contato com a escola e agências comunitárias para obter orientação e recursos.

JACQUELINE ZELLER – é PhD, psicóloga licenciada, psicóloga escolar e professora de educação infantil. Seus interesses clínicos focam esforços de prevenção e intervenção em escolas, promovendo a resiliência nas crianças e apoiando o bem-estar de educadores e auxiliares. A dra. Zeller faz parte do núcleo pedagógico da faculdade de educação de Harvard. onde ela ministra cursos de pós-graduação relacionados a aconselhamento e consultas, e coordena parcerias escola/universidade.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.