A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TDAH – UM SINTOMA CULTURAL

Comum na infância, o TDAH afeta de 5% a 8% da população e é considerado um distúrbio biopsicossocial, o que signi1ica que não é possível separar causa genética da psicológica e do meio em que se vive

Quem nunca ouviu falar sobre o TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade)? O tema vem sendo veiculado na imprensa, tanto a falada quanto a escrita, além da variedade de abordagens e debates em torno do assunto. O TDAH vem ocupando rodas de conversa em diversos ambientes e principalmente entre pais e professores, além dos consultórios médicos, psicológicos e psicopedagógicos. Algumas dessas ideias são levantadas no livro Cabeça nas Nuvens: Orientando Pais e Professores a Lidar com o TDAH, de Jane Patrícia Haddad (Editora Wak), lançado em 2013 em diversas capitais do Brasil.

Passados oito anos da publicação, Jane chegou à conclusão de que, se fosse reescrevê-lo hoje, consideraria diversos outros olhares e daria maior ênfase ao âmbito familiar dessas crianças e jovens que já são parte de algumas estatísticas, bem como um alerta que parece passar despercebido por muitos.

Ao escrever Cabeça nas Nuvens, ela refletiu sobre o aumento de diagnósticos em crianças e jovens com TDAH e o uso do medicamento, e o que eles estariam nos sinalizando. A leitura do livro teve, na época, o objetivo de provocar e suscitar caminhos ainda não percorridos por pessoas que buscam outra forma de entender o TDAH.

A nomenclatura TDAH {transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) passou a ser usada na década de 80. Antes disso, o transtorno era mais conhecido como DCM (disfunção cerebral mínima). Naquela época, já era tratado com psicoestimulantes. O TDAH é um dos transtornos neurológicos do comportamento mais comuns na infância. A estimativa é de que afeta cerca de 5% a 8% da população. O que vem sendo debatido entre as diversas áreas do saber são as causas do transtorno, entendido até o momento como distúrbio biopsicossocial, ou seja, não se pode separar a causa genética da psicológica e do meio em que se vive.

Os principais sintomas do TDAH têm aparecido na idade escolar, já que, conforme as exigências escolares aumentam, as crianças começam a apresentar falta de atenção, recorrentes esquecimentos, dificuldade em se concentrar, em seguir instruções e combinados e em organizar tarefas por suas prioridades, além de iniciarem várias atividades ao mesmo tempo e quase sempre não as finalizarem. De acordo com a Medicina, as manifestações que hoje caracterizam o transtorno estão classificadas pelo DSM-IV e situam-se em torno de três sintomas básicos: desatenção, hiperatividade e impulsividade. A característica essencial desse transtorno é a persistência de desatenção e/ou hiperatividade.

Iniciei meus estudos sobre o TDAH no ano de 2007. De lá para cá venho proferindo conferências junto à Educação com o intuito de ampliar o debate sobre os diagnósticos e suas conduções. Toda vez que recebo uma criança ou jovem em meu consultório trago o cenário contemporâneo para compor a história de vida daquele sujeito. Crianças e jovens estão imersos em um núcleo familiar muitas vezes tomado pela correria de uma vida que seus pais e familiares (adultos) estão envolvidos. Um mundo, por si só, hiperativo e desatento a questões essenciais, como o tempo de educar, que é incompatível com a pressa.

Independentemente dos sintomas, uma preocupação específica vai na direção de se minimizarem os efeitos comportamentais causados pelo transtorno. Segundo avaliação da psicóloga e pesquisadora Camila Ferreira Vorkapic, uma das propostas está no yoga. “Crianças atentas, relaxadas e com melhor desempenho escolar? Sim, isso é possível. De acordo com novos estudos a resposta está na prática das chamadas técnicas contemplativas, como o yoga”, afirma.

O yoga é uma antiga prática mente-corpo originada na Índia há mais de 2 mil anos e descrita sistematicamente centenas de anos depois (Yoga Sutras de Patanjali, aproximadamente 900 a.C.). Apesar de, segundo as escrituras tradicionais, seu objetivo ser o alcance de um estado unificado de consciência e autorrealização, o yoga tem sido usado para melhorar a saúde geral e o bem-estar. Sua prática envolve técnicas diferentes como posturas físicas (asanas), respiração (pranayama), relaxamento profundo (yoganidra), meditação, entre outras.

CAMILA FERREIRA VORKAPIC – é  doutora em Psicologia pela UFRJ, com pós-doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe e pesquisadora de Desenvolvimento Científico Regional CNPq\Fapitec no Laboratório de Neurofisiologia da Universidade Federal de Sergipe.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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