EU ACHO …

FORMA E CONTEÚDO

Fala-se da dificuldade entre a forma e o conteúdo, em matéria de escrever; até se diz: o conteúdo é bom, mas a forma não etc. Mas, por Deus, o problema é que não há de um lado um conteúdo, e de outro a forma. Assim seria fácil: seria como relatar através de uma forma o que já existisse livre, o conteúdo. Mas a luta entre a forma e o conteúdo está no próprio pensamento: o conteúdo luta por se formar. Para falar a verdade, não se pode pensar num conteúdo sem sua forma. Só a intuição toca na verdade sem precisar nem de conteúdo nem de forma. A intuição é a funda reflexão inconsciente que prescinde de forma enquanto ela própria, antes de subir à tona, se trabalha. Parece-me que a forma já aparece quando o ser todo está com um conteúdo maduro, já que se quer dividir o pensar ou escrever em duas fases. A dificuldade de forma está no próprio constituir-se do conteúdo, no próprio pensar ou sentir, que não saberiam existir sem sua forma adequada e às vezes única.

***CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

PULSO INTELIGENTE

Nova geração de smartwatches traz recursos inovadores tão avançados quanto os de celulares e computadores e até ajuda a salvar vidas

Quando o primeiro relógio inteligente da Apple foi lançado, em 2015, os fanáticos por novas tecnologias torceram o nariz. Eles não viam sentido em um aparelho que trazia praticamente os mesmos recursos oferecidos por um smartphone, mas com a desvantagem evidente de ficar preso no pulso – algo que, segundo os especialistas, soaria anacrônico para os jovens. O Apple Watch não só foi massacrado pela crítica da época como acabou condenado à extinção: os analistas cravaram que não resistiria à competição com celulares cada vez mais sofisticados. Erraram feio. Cinco anos depois, a empresa da maçã não é a única a faturar com as vendas crescentes de smartwatches. Outros gigantes do mercado de smartphones, como Samsung e Qualcomm, além da própria indústria tradicional de relógios, enxergaram nos modelos de pulso altamente tecnológicos uma oportunidade para fazer dinheiro. Com recursos tão avançados quanto os de computadores e smartphones, eles se consolidaram como símbolos da inovação, numa reviravolta surpreendente para um produto que, dizia-se, estava envelhecido e acabado.

Os números confirmam a ascensão dos smartwatches. O modelo de estreia da Apple entregou no seu primeiro ano cerca de 4,2 milhões de unidades, um resultado nada animador. Em 2019, com o best-seller Watch Series 5, saíram dos estoques 30,7 milhões de aparelhos e a expectativa é encerrar 2020 com 37 milhões relógios vendidos, o que irá garantir à Apple a liderança folgada desse mercado, com 55%de participação. Em 2021, o otimismo continua, com a previsão de 50milhões de itens negociados. O setor vive uma onda inovadora. No início do mês, a Qualcomm lançou seus novos processadores para relógios inteligentes. Os chips prometem desempenho e economia de energia 85% maiores em relação aos modelos mais antigos, que desde 2018 não tinham um upgrade. Segundo a empresa, as melhorias se devem à adição de tecnologias usadas em celulares.

Com esses recursos, as marcas poderão avançar sobre o reinado da Apple. É o que a sul-coreana Samsung planeja com o lançamento do modelo Active 3, que terá acabamento de aço inoxidável e titânio e suporte para sensores de eletrocardiograma e pressão arterial, além dos atributos típicos dos relógios inteligentes, como giroscópio, acelerômetro e barômetro. O preço, em torno de 300 dólares, equivale aos valores médios cobrados pela Apple em seus relógios inteligentes. Em junho, o gigante americano de tecnologia Garmin juntou-se à briga pelo pulso dos clientes com a apresentação dos modelos Tactix Delta, Fenix 6S e 6SPro.

Eles contam com um diferencial: usam a energia do sol para carregar a bateria. Nesse caso, a competição não se dá no preço, já que o aparelho custa, em média, 1.300 dólares.

De uns tempos para cá, os relógios inteligentes demonstraram uma louvável vocação: a capacidade de salvar vidas. A maioria deles conta com sistemas que ajudam no monitoramento cardíaco, na mediação do stress e até na checagem do nível de oxigenação do sangue. Há relatos de aparelhos que fizeram muito mais. Nos Estados Unidos, um homem desmaiou ao praticar exercícios, e o relógio da Apple, dotado de inteligência artificial, telefonou para os serviços de emergência ao perceber que seu dono tinha sofrido uma queda brusca. Nessas ocasiões, os relógios contam com uma vantagem inquestionável em relação aos smartphones: eles ficam presos no pulso e não se espatifam no chão se houver um acidente. Considerados até pouco tempo atrás quase aposentados, os relógios de pulso provaram que, em se tratando de novas tecnologias, o tempo não para nunca.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 03 DE MAIO

QUEM ZOMBA DO PECADO É LOUCO

Os loucos zombam do pecado, mas entre os retos há boa vontade (Provérbios 14.9).

O pecado é um embuste. É uma isca apetitosa, mas esconde a fisga da morte. Promete o maior dos prazeres e paga com a maior das desventuras. É o maior de todos os males. É pior do que a pobreza, a solidão, a doença e a própria morte. Todos esses males, embora tão graves, não podem afastar uma pessoa de Deus, mas o pecado nos afasta de Deus agora e por toda a eternidade. O pecado é maligníssimo. Seu salário é a morte. Por isso, só uma pessoa louca zomba do pecado. Só os tolos pecam e não se importam. Só os insensatos zombam da ideia de reparar o pecado cometido. Entre os retos, porém, há coração quebrantado, arrependimento e boa vontade. Os retos são aqueles que reconhecem, confessam e abandonam seus pecados. Sentem tristeza pelo pecado, e não apenas pelas consequências. Os retos são aqueles que encontram o favor de Deus, recebem seu perdão e ficam livres da culpa. Os retos abominam as coisas que Deus abomina, afastam-se daquilo que Deus repudia e buscam o que Deus ama. Os retos fogem do pecado para Deus, enquanto os tolos fogem de Deus para o pecado.

GESTÃO E CARREIRA

PAIS, EM CASA E NO TRABALHO, ESTEJAM SEMPRE COMPROMETIDOS COM SUA FAMÍLIA

Os homens querem avançar. Sugerimos quatro lugares para começar.

Em Salt Lake City, Utah, Richard, representante de distribuição de alimentos, começou a guardar uma revista em seu celular para se lembrar dos breves momentos que ele passou com os filhos desde que começou a trabalhar remotamente enquanto sua esposa, Melissa, trabalhava como enfermeira em uma unidade de covid-19.

Lloyd, desenvolvedor de software e fundador de startup, casado com uma médica de pronto-socorro e professora, afirma que uma das principais coisas que aprendeu com a crise atual é a importância da família. “Manter vínculos com os filhos – não só levá-los à escola – e apoiar emocionalmente minha companheira super-herói depois de suas longas jornadas é algo que comecei a valorizar”.

Tanta coisa mudou para as famílias nos Estados Unidos nos últimos meses. Alguns pais agora trabalham em casa, enquanto outros bravamente atuam em serviços essenciais. Empresas que oferecem babás estão fechando, escolas oscilam entre a opção remota, presencial ou híbrida, e benefícios emergenciais como licença remunerada estão expirando. Ao contrário de seus colegas de outros países ricos, os pais americanos enfrentam a pandemia com uma rede de segurança social esfarrapada, sem Infraestrutura federal para assistir as crianças, e sem licença temporária ou licença médica remunerada obrigatória para ajudá-los a superar a pandemia. Um índice recente classificou os EUA em penúltimo lugar em termos de apoio para constituir família. O trabalho invisível, difícil e importante de cuidar dos filhos e das tarefas domésticas tomou-se agora mais visível que nunca, o que se reflete no nosso próprio lar.

A pandemia do coronavírus reacende uma tendência que começou há décadas: os pais nos Estados Unidos estão reconhecendo cada vez mais a importância de participar do trabalho cotidiano de cuidar dos filhos, ensiná-los criá-los. Mas não se muda uma dinâmica social que persiste há anos do dia para a noite ou sem esforço consciente. Até agora, mulheres e principalmente as mães que trabalham foram as mais atingidas pela recessão econômica, tanto porque exercem seu ofício nas empresas mais afetadas, como varejo e hospitalidade, como porque, muitas vezes, precisam escolher entre permanecer no emprego ou cuidar dos filhos. Isso deveria começar com uma avaliação honesta de onde o progresso está acontecendo e onde estagnou.

ONDE OS PAIS ESTÃO CONTRIBUINDO – E ONDE NÃO ESTÃO

Um estudo anterior à pandemia mostrou que os pais já valorizavam mais seu papel familiar como nunca fizeram antes. O estudo, que incluiu um levantamento com representatividade nacional de homens e mulheres de todos os Estados Unidos e cinco focus groups online, tinha por objetivo determinar os aspectos da criação dos filhos considerados “muito importantes” pelos pais e mães – e as respostas surpreenderam. Embora tivesse prevalecido a ideia tradicional de que os pais são os provedores financeiros e esta é sua principal contribuição aos filhos, tal prioridade foi parar no fim da lista. Em primeiro lugar figurava “demonstrar amor e afeição” e “dar lições de vida a eles”. Em sua grande maioria, os pais relataram estar envolvidos em uma série de tarefas diárias relativas aos filhos, desde preparar refeições, ocupar-se de certos afazeres domésticos e até transportá-los, acalmá-los e alimentá-los. Outra pesquisa mostrou que, desde os anos1970, os pais triplicaram o tempo que permanecem em casa dedicando-se a esta atividade não remunerada que é cuidar de seus filhos.

Embora já seja certamente um avanço, em média os pais ainda fazem apenas metade do trabalho doméstico não remunerado que as mães executam. No estudo do Better Life Lab, apesar de tanto os pais como as mães terem dito quase na mesma proporção brincavam com os filhos diariamente, a probabilidade maior foi de as mães assumirem todas as demais tarefas cotidianas.

A menos que os pais assumam parcela mais equitativa desse trabalho – principalmente durante a pandemia – , as mães continuarão a se esfalfar na dupla “jornada dupla” de trabalho remunerado e trabalho não remunerado que tanto mantém a desigualdade de gênero como cria angústia e desgaste psicológico.

Então, onde os pais precisam avançar? Os maiores gaps entre o que as mães e os pais dizem que fazem para os filhos está no apoio às tarefas escolares, organização de horários e outras atividades. Essa descoberta reflete algo que os pesquisadores observam há muito tempo: algumas atividades na criação dos filhos são um tanto invisíveis e acompanhadas de uma “carga mental” mais pesada que outras, e a probabilidade de as mães serem responsáveis por elas é bem maior. Num estudo recente elas relataram realizar o “trabalho cognitivo” para a família – como suprir necessidades (exames físicos anuais dos filhos), monitorar o progresso (foram bem nas provas!), identificar opções (em que dia estão livres para a consulta com o pediatra) e tomar decisões (vamos marcar a consulta para sexta-feira da semana que vem). Esse trabalho toma tempo e é cansativo. Pior, os pais relatam ter pouca consciência desse trabalho, o que pode ter efeitos prejudiciais no relacionamento conjugal e no trabalho remunerado das mães. À medida que 2020 chega ao fim – com muitas famílias ainda sem trabalhar em tempo integral, sem assistência e educação presencial dos filhos em virtude da pandemia -, o problema se agrava.

SOLUÇÕES PARA AS FAMÍLIAS

Que será preciso fazer para envolver mais os homens nas tarefas domésticas visíveis e invisíveis, agora e depois que a pandemia acabar? Primeiro, eles precisam reconhecer o que nãoestão fazendo e passar a fazê-lo. Apresentamos algumas ações que os pais podem assumir para ajudar a si próprios e à família:

RECONHECER O GAP ENTRE ASPIRAÇÃO E EXECUÇÃO.

Embora a maioria dos pais acredite que está dividindo equitativamente o trabalho não remunerado em casa, as evidências mostram o contrário. Comece uma conversa franca com seu companheiro sobre quem faz o que, e quanto tempo leva. De acordo com uma pesquisa em Fair Play, livro escrito por um de nossos coautores, Eve Rodsky, o maior obstáculo para esse tipo de conversa é hesitar em convidar o companheiro para conversar por medo de ser “rejeitada”, “dispensada”, ou “mal compreendida”. Usar uma ferramenta lúdica para o convite pode trazer leveza e eliminar as emoções da conversa.

FOQUE NA EQUIDADE, E NÃO EM DIVISÃO MEIO A MEIO.

Eve também argumenta que o foco deve estar na pessoa da relação “que assumiu”‘ uma série de responsabilidades domésticas – desde a concepção e planejamento até a execução. Discuta e entre em acordo prévio sobre o valor de cada tarefa. Depois decida quem deve fazer o que dependendo da disponibilidade, capacidade e compreensão de que fazer o trabalho doméstico que demanda tempo e assistência às crianças tradicionalmente atribuída às mulheres não deve ser prisão perpétua de uma só pessoa nem ser determinada por uma função de gênero. Isso resultará em divisão justa e não em divisão ainda maior – e estudos mostram que a percepção de divisão justa pelas duas partes é mais forte indicador de união saudável que a divisão propriamente dita do trabalho doméstico.

Em termos práticos, que significa isso? Apropriar-se por completo das responsabilidades familiares é vital para a equidade na relação. Se cuidar dos esportes extracurriculares dos filhos é tarefa do pai, então não basta ele aparecer todos os sábados nos treinos. Ele precisa também preencher formulários médicos, pegar os uniformes, pedir as chuteiras (e devolvê-las quando já não servirem), lembrar-se de colocar filtro solar e água na mochila e conseguir carona solidária para os treinos.

PARTICIPE PREVIAMENTE COM SEU COMPANHEIRO DAS TOMADAS DE DECISÃO DE CURTO E LONGO PRAZO.

Escolhas consensuais e programadas de “quem faz o quê” diminuem a fadiga das decisões diárias e fortalecem a relação. Especificamente, acordos entre casais podem ser utilizados para definir expectativas. Há uma mágica que transforma a vida nesse tipo de pensamento de curto e de longo prazo. A vida se torna muito mais fácil quando se sabe quem vai pôr a mesa do jantar antes que qualquer um sinta fome.

APOIE INCONDICIONALMENTE A CARREIRA DE SEU COMPANHEIRO.

A pesquisa mostra que, no longo prazo, casais em que cada um tem sua carreira fazem concessões ao priorizar a carreira de um em favor da do outro ao longo da vida profissional de ambos. Particularmente, em relacionamentos heterossexuais cisgêneros o cônjuge masculino acostumado aos papéis e roteiros de gênero mais tradicionais pode iniciar a conversa sobre como se planejar para mostrar apoio às exigências e responsabilidades profissionais da companheira. Se você acha que as exigências da carreira de seu cônjuge são maiores, ajuste sua própria carreira e apoie-o incondicionalmente.

FALE NO TRABALHO.

Manter-se preso a visões ultrapassadas de igualdade pode resultar em conversas profissionais difíceis. Apesar do estigma associado aos homens que aproveitam a licença- paternidade, licença por doença na família e arranjos flexíveis no trabalho, agora é a hora de eles começarem a tratar com os chefes e gestores do acesso a esses benefícios.

Se você não sabe se está pronto para advogar em causa própria, forme uma coalizão de pais em sua organização para criar um consenso e falar coletivamente. Fale com seus colegas. Segundo Josh Levs, autor de All in, para os homens é muito útil conversarem com mulheres ou com outros homens na empresa nestes termos: “Oi, não consigo descobrir como levar meu filho à escola antes de vir trabalhar. Como você faz?”. E se você decidir falar com seu chefe, conheça antes as políticas da empresa, tenha um plano e seja realista ao expor limites e expectativas.

SOLUÇÕES PARA AS ORGANIZAÇÕES

Ações individuais podem ajudar muito, mas não são suficientes. O apoio dos líderes da organização é igualmente importante. As empresas precisam reconhecer que, para o bem-estar individual e saúde de nossa sociedade, uma hora segurando a mão de uma criança no consultório do pediatra deve ter o mesmo valor que uma hora passada na sala de reuniões. Aqui estão algumas formas dos chefes poderem ajudar os pais que trabalham a serem aliados em casa:

NÃO PRESUMA QUE OS PAIS TÊM UM COMPANHEIRO OU COMPANHEIRA QUE FICA EM CASA.

Muitos homens são pais solteiros ou têm uma companheira que trabalha em tempo integral. Muitos gestores põem em prática uma norma antiquada segundo a qual os pais modernos não assumem responsabilidades familiares. Estes, consequentemente, se sentem obrigados a priorizar o trabalho remunerado e tendem a não dar importância à sua vida familiar. Os gestores compreensivos terão maior probabilidade de estabelecer limites claros sobre as responsabilidades profissionais para que os funcionários não precisem fazer escolhas desse tipo.

Um exemplo é especificar períodos em que as reuniões podem ser marcadas, assim, os pais que trabalham têm a flexibilidade de se envolver na assistência às crianças e nas tarefas escolares em casa. Também é importante entender e explicar quando e porque um serviço é realmente urgente – se ele tiver consequências graves para a empresa, por exemplo – e quando um prazo final flexível pode ser aceitável.

QUE SIGNIFICA UM MODELO DE COMPORTAMENTO DOS PAIS.

Reconheça que o que você diz e faz como líder impacta os outros. Quando você elogia as pessoas que trabalham até tarde da noite, por longas horas e fins de semana, está passando uma mensagem clara do que você espera.

No livro Goodguys (escrito por dois de nossos coautores, David G. Smith e W. Brad Johnson), lideres seniores homens considerados bons exemplos a ser seguidos nas empresas falaram abertamente da própria família. Eles mantinham sobrea mesa de trabalho fotos da esposa e dos filhos. Alexis Ohanian, fundador da Reddit e CEO da lnitialized Capital, fala aberta e orgulhosamente de seu papel como marido da estrela do tênis Serena Williams e como pai de Olympia. Quando ela nasceu, ele tirou 16 semanas de licença – paternidade remunerada.

Esses homens não escondem suas prioridades, responsabilidades e compromissos na criação dos filhos. Ao contrário, quando tiram folga, fazem questão de anunciá-la como exemplo a ser seguido.

OS MELHORES ARRANJOS DO TRABALHO FLEXÍVEL OFERECEM GENEROSAS LICENÇAS MÉDICAS E LICENÇAS DE ASSISTÊNCIA AOS FILHOS E À FAMÍLIA.

Se sua empresa já oferece esses benefícios e programas, estimule os líderes homens a aproveitá-los, uma vez que eles costumam pensar que se aplicam somente às mulheres (muitas vezes sendo prejudicados no processo), o que estigmatiza os homens.

Depois, dê mais um passo: acompanhe a frequência com que esses benefícios são usufruídos. Você pode descobrir que alguns gestores não permitem que seus funcionários os utilizem, apesar da política da empresa. Desde que você saiba onde a política está sendo ignorada ou subutilizada, é mais fácil perceber onde as mudanças precisam ser feitas. “Se a política da empresa é permitir arranjos flexíveis, mas seu gestor diz não, voluntarie-se para liderar um novo arranjo por alguns meses; é importante acompanhar e, se necessário, fazer alguns ajustes finos”, observa Joan Williams, coautora de What worksfor women at work.” Em geral, isso é suficiente para mostrar a um gestor recalcitrante que o que você está sugerindo funciona bem.”

APOIE OPÇÕES DE ACESSO À ASSISTÊNCIA ÀS CRIANÇAS A PREÇOS RAZOÁVEIS.

Principalmente na atual crise da covid-19, as opções de assistência acessível e disponível às crianças são críticas para as empresas. Seja um defensor enfático dos esforços de sua empresa para encontrar soluções que funcionem para pais e mães. Isso se tomará mais importante ao longo do tempo, à medida que o acesso à assistência às crianças for necessária para recrutar a geração mais jovem de funcionários. Resultados de pesquisas da Nex100 e Gen Forward mostram que assistência de alto padrão e a preço acessível é a principal prioridade dos millennials e da geração Z.

Quais seriam as possíveis soluções? Desde maio, por exemplo, a Cleo, empresa de benefícios a pais de família, colaborou com a Urban Sitter para, trabalhando direto com os empregadores, ajudar os funcionários a encontrar cuidadores qualificados ou cooperativas para os filhos. Além disso, empresas como a Apple e Microsoft estão subsidiando apoio assistencial aos filhos de alguns funcionários ou até reembolsando-os pelo pagamento feito aos cuidadores.

Além disso, se sua empresa tem contatos com os legisladores das esferas de governo federal ou estadual, peça aos líderes seniores que defendam seus interesses em programas de assistência às crianças que possam ajudar maior número de pais a voltar ao trabalho. Em junho, por exemplo, 41 Câmaras de Comércio locais e estaduais escreveram ao Congresso pedindo auxílio financeiro para os provedores de assistência infantil do país – cerca de metade deles afirmou que podem ser obrigados a fechar permanentemente.

Essas questões destacam apenas alguns dos terríveis desafios que as famílias enfrentam à medida que 2021 se aproxima rapidamente do fim. As mulheres não devem arcar com o peso de atravessar a pandemia sozinhas.

Na ausência de uma infraestrutura pública robusta para ajudá-las a resistir à tempestade, ou a cutucar os homens para que assumam papéis mais ativos em casa, os pais que trabalham e os empregadores nos EUA têm a oportunidade única de eles mesmos promoverem a mudança. Os pais afirmam que estão prontos para se envolver mais em casa, e a pandemia criou uma necessidade urgente de fazer com que homens e mulheres se envolvam igualmente. A hora de agir é agora: igualdade de gênero não pode esperar pelo fim da pandemia.

AS MÃES MOSTRAM MAIOR PROBABILIDADE QUE OS PAIS DE ASSUMIR TAREFAS DOMÉSTICAS

Se os pais não assumirem parcela mais equitativa dessas tarefas – principalmente durante a pandemia -, as mães continuarão a se esfalfar na “jornada dupla” de trabalho remunerado e trabalho não remunerado que tanto mantém a desigualdade de gênero como cria angústia e desgaste psicológico.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TDAH – O FANTASMA DOS MEDICAMENTOS

O uso crescente da Ritalina, droga utilizada no combate ao transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, quebra recordes no Brasil e preocupa pelo fato de o estimulante estar sendo usado de forma indiscriminada

A questão da prescrição de medicamentos deve ser tratada com cautela. Em 2012, fui uma das participantes de uma seleção de reportagens no jornal O Estado de Minas, cujo título era “Dispara em BH o uso de remédios contra a hiperatividade”. Belo Horizonte foi considerada a segunda capital que mais consumia a Ritalina. Alguns dados da Anvisa, além de informações em diversos sites e fontes, me inquietaram ainda mais.

Eu me vi perplexa, e continuo até o momento, mediante o aumento (ainda mais) da utilização desses e outros medicamentos por crianças, jovens e também adultos, sendo eles muitas vezes pessoas bem informadas, que fazem uso de tais estimulantes apenas para conseguir produzir mais ou mesmo ter “um barato diferente”, uma sensação boa e também não tão boa, na qual já escutei em meu consultório, conforme mostro abaixo:

“Sinto-me uma máquina quando tomo Ritalina. É muito bom. Você já experimentou? Tenho tomado para as baladas e quando saio já tomo logo duas” (A. L., 17 anos). “Outro dia, eu vendi a Ritalina para alguns colegas, íamos fazer provas a tarde toda. Eles adoraram e ficaram pilhados” (R., 15 anos). “Quando tomo a Ritalina, eu me sinto bem mais atento. Mas quando o efeito vai acabando eu sinto uma raiva e não consigo me controlar, acabo gritando com meus colegas…” (A. M., 11 anos). “Ontem eu não pude fazer a prova, pois minha mãe esqueceu de me dar o remédio. Aí, você sabe como é, né? Não lembro de nada…” (I., 9 a nos). “Tomando a Ritalina me sinto inteligente e com certeza vou conseguir o sucesso que meus pais tanto esperam de mim” (A., 17 anos). Desconfio das fórmulas mágicas, do tudo ou nada. O que defendo é um reposicionamento do sujeito que sofre. Quando o sujeito está fragilizado, desenraizado, dificilmente ele consegue lutar pelos seus sonhos e, com isso, vai sendo submetido aos sonhos dos outros. Os recortes acima assinalam nossa responsabilidade como adultos frente a essa geração que se “esconde” ou “aparece” em suas insatisfações, obstruindo com os remédios qualquer possibilidade de sofrimento. Existe um temor por parte de alguns pais de como conseguir que seus filhos se tornem responsáveis pelas suas vidas e, com certeza, não será dessa forma apresentada acima. Estão mais para, com o tempo, justificar suas mazelas ao uso do medicamento.

Refletir sobre transtornos e doenças mentais solicita de todos nós, profissionais Psi, outro olhar, um olhar que ultrapasse o “parece ser”, um olhar que entenda que uma “febre” é um sintoma do que aquele sujeito pode estar carregando: pode ser uma garganta inflamada; pode ser uma virose; pode ser uma infecção urinária; pode ser uma carência afetiva… podem ser muitas coisas, a febre é apenas um sintoma. E o TDAH pode ser um sintoma do mundo contemporâneo? Um mundo que corre contra o tempo cronológico, em que pessoas vão de lá para cá, sem imaginar onde desejam chegar, um mundo em que o único sentido que crianças e jovens enxergam em suas escolas e universidades é passar de ano. Esses são alguns dos tantos impasses da civilização, que retomarei mais à frente. É assim que sigo minhas questões acerca do TDAH, tendo como ponto de partida o sujeito que sofre “aprisionado” em seu não saber.

O que me mantém esperançosa é não ter uma única resposta. Hoje, passados dois anos da publicação de meu livro, retomo minhas “inconclusões” acerca do TDAH como um sintoma social. Algo está sendo sinalizado por crianças e jovens e que, muitas vezes, não pode ser colocado em palavras. Acredito ser necessária uma escuta mais atenta e desvinculada de respostas rápidas e sem sentido. O momento contemporâneo não deve ser descartado de tantos “novos” sintomas. A educação, em alguns (muitos) momentos, vem se perdendo entre a vida (interessante) e o mercado. Com isso, muitas crianças e jovens podem estar sendo confundidos entre uma “marca” e outra “marca”, fato é que essas marcas estão cravadas em suas histórias de vida e lá permanecerão até que eles possam ser escutados.

Fico me perguntando como pensar o TDAH fora da sua relação com o saber; o desejo de saber baseado nos estudos do francês Bernard Charlot, “o saber implica o desejo: não há relação com o saber se não a de um sujeito. E só há sujeito ” desejante”, e esse desejo é desejo do outro, desejo do mundo, desejo de si próprio; e o desejo de saber (ou de aprender) não é senão uma de suas formas, que advém quando o sujeito experimenta o prazer de aprender e saber”. Dito de outra forma, não há aprendizagem, mobilização intelectual, sem que haja desejo. “Desejo do mundo, do outro e de si mesmo é que se torna desejo de aprender.” No sentido estrito, a relação com o saber é o próprio sujeito, na medida em que deve aprender, apropriar-se do mundo, construir-se. O sujeito é a relação com o saber. Diante dessa rápida explanação da relação com o saber é que fico pensando: crianças e jovens têm desejo em aprender nas escolas? Podem descobrir sobre o seu “não saber”?

Certa vez li um texto do psicanalista Contardo Calligaris, em que ele escrevia que: “Mais do que buscar permanentemente felicidade máxima, um arrebatamento mágico, deveríamos nos preocupar em tornar interessante nossa vida de todo dia”.

Como estamos tornando nossas vidas interessantes? E a dos nossos filhos? Nossos desejos de pais nem sempre são os desejos de nossos filhos. Eu como aluna tive o privilégio de encontrar uma senhora que chamarei aqui de Tia Benedita e que, por algum motivo, ela conseguiu tornar minha vida interessante. Apresentarei esse breve texto que escrevi em sua homenagem:

“Uma vida interessante, muitas vezes, acontece no encontro com outro, aquele que coloca uma ponte entre o Não Saber e o Saber. Um encontro em que algo dos desencontros é possível de ser falado e também escutado. Foi nesse encontro que, hoje reconheço, encontrei a Tia Benedita”. Estudei minha vida toda em escolas particulares e religiosas e agradeço muito por ter tido esse privilégio. Foi a maior herança que minha família me deixou, mesmo que naquela época eu não acreditasse em tal fato e demonstrasse o contrário. Confesso que hoje imagino o que se passava na cabeça dos meus pais: “Essa menina não vai dar em nada na vida”. Confesso que não dei, talvez, o que eles quisessem de mim. Mas sou uma professora-educadora com brilho nos olhos, que ama o que faz e busca aprender todos os dias! Embora ainda hoje eu encontre “mestres” que tentam me convencer do contrário, começando pelas suas próprias posturas.

Eu sempre fui uma menina diferente do dito “normal”, detestava brincar de boneca, adorava jogar bola, colecionava estilingues, trocava figurinhas de futebol, tinha várias chuteiras e camisetas de times. Nem por isso sofri bullying, fui perseguida ou me senti diferente, até porque eu não dava ouvidos ao que não me interessava. Creio que por isso eu vivia sendo colocada para fora da sala de aula: não escutava o que não me interessava e, com isso, fui rotulada: TDAH.

Passei sete anos da minha vida escolar cumprindo castigos fora da sala de aula, já que, pelo menos duas vezes por semana, eu era gentilmente encaminhada para a biblioteca da escola (lugar de cumprir meu castigo). Ao meu lado, uma disciplinadora me conduzia por aquele longo corredor, sem poder correr… (rs.). Minutos depois, a disciplinadora me entregava à querida Tia Benedita (a bibliotecária), que me recebia com um sorriso cuidadoso, que deixou marcas positivas até hoje.

Desde aquela tenra idade, meus professores não davam conta de mim, digo desde, pois até hoje não dão. Segundo ainda escuto hoje, sou “rebelde”, questionadora, indisciplinada e, quem sabe, “burra”, já que fujo de uma forma. Boa parte dos meus castigos na infância era ler, escrever e tocar triângulo na aula de música, ou mesmo fazer argila como técnica para acalmar.

Revisitando minha memória afetiva, hoje me inquieto com crianças e jovens que recebo e, por algum motivo, não encontram em suas escolas Tia(s) Benedita(s). Quem irá acolher os alunos ditos “anormais”?

Eu me recordo, como se fosse hoje, toda vez que eu chegava na porta daquela enorme biblioteca da minha escola, eu olhava para tia Benedita, que com seu sorriso fazia eu me sentir a pessoa mais importante e amada. Benedita era linda, moça, pele negra, um lindo sorriso e muito inteligente, aquilo me deixava nas nuvens!

Ela já dizia: Entra, Paty, e nada de tristeza, venha ver o livro que separei, ele é um sonho… e assim foi, ano a ano; a cada “castigo” um novo livro, uma nova história, um novo sonho; uma porta que se abria quando todas as janelas escolares pareciam se fechar. Tia Benedita me abria o mundo e nem sei se ela soube disso.

Hoje, sou uma leitora voraz, curiosa em descobrir o mundo em cada página, inquieta como sempre, meio ” fora da casinha”. Não sou do tipo padrão intelectual, mas, apesar de tantos castigos e rótulos, sobrevivi e adoro estudar, aprender e compartilhar.

Só tenho a agradecer, sempre tive possibilidades, mesmo que difíceis. Aprendi naquela época que eu teria que decidir quem eu queria ser ou deixaria que os outros determinassem quem eu seria. E foi ali, com a Tia Benedita, que aprendi e decidi que eu seria incompleta (sempre), ou seja, jamais estaria pronta e fechada: “já aprendi tudo o que eu deveria”. Jamais! A educação mudou; a família mudou; o mundo mudou, girou, transformou, andou, voltou… Alunos e professores continuam em salas de aula, bonzinhos – silenciados, ou quando barulhentos logo são encaminhados. A questão é a qual (ais) Beneditas (s)?

Hoje, tarde de domingo, após 42 anos, aqui estou eu, lendo e escrevendo… lembrando da Tia Benedita. Hoje, ninguém mais me coloca de castigo, mas confesso que a Tia Benedita fez a diferença em meus “castigos”. Seu sorriso, seu cuidado, seu carinho, sua condução verdadeira estão em cada linha que leio e escrevo: uma mestra que me ensinou a arte de rever minhas dificuldades e lidar com elas.

TIA BENEDITA

Hoje, passados 51 anos, venho refletir sobre o TDAH, trazendo, na bagagem, minhas escolhas. Por 23 anos trabalhei diretamente na Educação, em sala de aula e coordenação, além de carregar em minha própria história uma marca de que “eu não daria em nada”. Felizmente, na época (hoje estou com 59 anos), meu tratamento foi todo conduzido junto a uma ludoterapeuta, além de uma orientação familiar e escolar (naquela época os diversos saberes conversavam bem mais do que hoje e não havia tanto acesso tecnológico, portanto o tema não era tão divulgado).

Enquanto estudante, sempre tive minhas dificuldades e as tenho até hoje. Porém, por um desejo meu consegui encontrar sentido no que fazia e faço, sempre me mobilizo intelectualmente por algum tema, sou muito envolvida com tudo que faço e consigo persistir até o término. Minha história pessoal reflete diretamente minhas escolhas profissionais e, hoje, entendo por que busquei primeiro uma formação na Educação e em seguida na Psicanálise, lugares aos quais permaneço (de forma diferente) até hoje.

FRAGMENTOS

Formei-me em Pedagogia e logo descobri que a teoria que eu via na universidade estava bem distante da minha prática vivida e sentida dentro da sala de aula. Ali eu não recebia apenas bons alunos, que se desenvolviam linearmente, de acordo com suas faixas etárias. Aos poucos, fui vendo que a criança era algo bem mais complexo do que eu imaginava, e foi aí que me encontrei pela primeira vez com a Psicanálise e comecei a estudá-la, com o intuito de abrir minha mente para poder conhecer a mente daquelas crianças e jovens. Comecei a dar a palavra às crianças e jovens, aos poucos, fui percebendo que eles não eram meros encaixes nas teorias que eu estudava, reconheci que algo me escapava. Então, revisitei o meu não saber e os diversos saberes, todos temporários e imprecisos. De lá para cá não abandonei mais minha análise pessoal e minha formação permanente em Psicanálise, hoje no Círculo Psicanalítico de Minas Gerais.

Aos poucos, reconheci que as coisas não eram tão simples como pareciam, e hoje, passados oito anos da publicação do Cabeça nas Nuvens, reconheço que alguns enigmas ainda continuam fechados na educação. Aspectos urgentes precisam ser escutados como o reflexo das nossas palavras para as crianças. Na verdade, elas acreditam, internalizam aquilo que falamos (vejam a Tia Benedita) e é assim que venho escutando crianças e jovens que carregam seus rótulos, dentre eles o tão divulgado TDAH.

Ao concluir, mesmo que provisoriamente, que o TDAH é um sintoma social em uma “cultura do escape”, defendo o que Freud havia falado, chamando nossa atenção no sentido de que os sujeitos não se encontram na cultura de qualquer forma. Existe sempre um conflito, um mal-estar, algo que não para, e na educação contemporânea o mal-estar é visível, seja na família ou na escola. O mal-estar é inerente à existência humana. Quando entendermos ou aceitarmos tal fato talvez possamos parar de buscar tantas respostas e passemos a aprender a conviver com as diferenças.

“NÃO” PODE DESEJAR?

O sujeito inconsciente em suas manifestações sintomáticas, que afetam o corpo, promovendo agitação, perda de interesse por objetos do mundo e deflação de desejo em relação ao saber e conhecimento. Seriam esses boa parte dos nossos alunos “com” TDAH?

Quando paro para escutar alguns desses sujeitos em sua dor de existir e a palavra pode entrar em movimento, eles falam de seus desejos, daquilo que está guardado em suas “desatenções”. Crianças e jovens reconhecem em suas falas que, geralmente, não conseguem ser o que seus pais e professores esperam que eles sejam. Como vimos acima, o saber não é isento como muitos educadores e médicos acreditam e defendem.

O que venho constatando é que muitas crianças e jovens estão internalizando seus diagnósticos como verdadeiras “marcas”, e lá na sua dor de existir ficam “aprisionados” como desatentos e hiperativos. Eles não se desenvolvem em estágios como queríamos, ou, melhor, como aprendem os. Nossos “desatentos e hiperativos” estão nos mostrando, desde que possamos ver e escutar, que eles estão tentando marcar sua posição subjetiva.

Não será possível passarmos despercebidos por esse momento em que crianças e jovens pensam e sentem de formas diferentes de seus pais e professores, conforme nos mostra Bauman em seu livro Educação e Juventude (2013, p. 7): “… a crise da educação contemporânea é muito peculiar, porque, provavelmente pela primeira vez na história moderna, estamos percebendo que as diferenças entre os seres humanos e a falta de um modelo universal vieram para ficar”.

É nessa breve reflexão que faço um convite a todos. Porém, cada um em sua subjetividade. Reflita sobre sua própria experiência de existir e como vem tentando tornar sua vida mais interessante. Os sintomas contemporâneos são necessários para que o sujeito sobreviva ao que querem fazer dele, sem que ele o deseje. Será que deixar ou manter nossas crianças e jovens mais ligados será o caminho?

Outro dia perguntei a uma criança de 12 anos que chegava a meu consultório com uma latinha de “energético” na mão. Pra que isso? Rapidamente vem a resposta: “Para eu conseguir ficar ligado”. E eu pergunto novamente: “Por que você quer ficar ligado?”. E ele me responde: “Sei lá… me disseram que é bom!”.

É nesse caminho e cenário que somos convocados a rever nossa educação, ultrapassando os discursos pessimistas de “fim da história”, de “o mundo acabou”, não existe mais família”. Tais queixas ou lamentações não nos levarão a nenhuma efetiva mudança.

Sim, estamos diante de uma transição, o tempo que passou não volta mais, ele permanece apenas em nossas lembranças. O que temos hoje são diversas possibilidades e muitos convites abertos. Cabe nos perguntarmos: “Para onde caminha a educação?”. Tal desafio, dentre outros, é que nos impulsiona a ir além da mera constatação e da prescrição estreita, que de alguma forma continuamos fazendo da educação atual. Meu convite é dar um passo à frente; adentrar os subterrâneos de nossas instituições educacionais, bem como estabelecer bases e articulações para propor as relações reflexivas sobre si mesmo e sobre o outro, que possam ultrapassar alguns diagnósticos equivocados.

Quando lia contos de fadas, eu imaginava que aquelas coisas nunca aconteciam, e agora cá estou no meio de uma! Deveria haver um livro escrito sobre mim. Ah, isso deveria! E quando for grande, vou escrever um.

JANE PATRÍCIA HADDAD – é mestre em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná, com formação em Psicanálise, docência do Ensino Superior, Teoria Psicanalítica e Psicopedagogia. Graduada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atuou por mais de 22 anos em escolas como professora, coordenadora pedagógica e diretora.