EU ACHO …

NOSSA TRUCULÊNCIA

Quando penso na alegria voraz com que comemos galinha ao molho pardo, dou- me conta de nossa truculência. Eu, que seria incapaz de matar uma galinha, tanto gosto delas vivas mexendo o pescoço feio e procurando minhocas. Deveríamos não comê-la e ao seu sangue? Nunca. Nós somos canibais, é preciso não esquecer. É respeitar a violência que temos. E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo, comeríamos gente com seu sangue. Minha falta de coragem de matar uma galinha e, no entanto, comê-la morta me confunde, espanta-me, mas aceito. A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também.

***CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

UM UP NA LIBIDO FEMININA

A FDA, agência americana que regula alimentos e remédios, deu sinal verde recentemente para uma nova droga, a bremelanotida, do laboratório AMAG Pharmaceuticals.

Já à venda nos Estados Unidos e ainda sem previsão de lançamento aqui, ela é indicada para mulheres na pré-menopausa e que estejam com o desejo sexual em baixa.

Os médicos classificam esse quadro como transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH). “É a incapacidade de se engajar sexualmente de forma satisfatória”, explica a ginecologista, obstetra e sexóloga Aline Ambrósio, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

A mulher tem de estar há pelo menos seis meses com essa queixa. Em outras palavras, não tem vontade de transar, muito menos de fantasiar eroticamente.

“Por definição, dizemos que essa paciente precisa sentir um certo sofrimento, deve ser algo que a incomoda.”

COMO A DROGA ATUA

As disfunções relacionadas ao sexo podem ocorrer entre 35% e 50% das representantes do sexo feminino. O TDSH responde por 40% dos casos.

A bremelanotida atua nos receptores de melanocortina, hormônio que induz os melanócitos, as células responsáveis pela produção do pigmento que colore a pele, a melanina. Mas o que isso tem a ver com tesão?

“O remédio foi pesquisado nos anos 1960 e 1970 para questões dermatológicas”, explica Aline Ambrósio. Mais especificamente para bronzeamento e prevenção de câncer de pele.

No entanto, os cientistas perceberam nos estudos experimentais que, nos roedores machos, aumentava-se a ereção e, nas fêmeas, o excitamento.

“Hoje sabemos que os receptores de melanocortina são estimulantes do desejo, assim como o neurotransmissor dopamina”, explica a especialista.

De acordo com a FDA, ainda é desconhecido o mecanismo pelo qual a bremelanotida melhora o desejo sexual. A droga é administrada por meio de uma injeção no abdômen ou na coxa pelo menos 45 minutos antes da relação sexual.

Não se deve usar mais de uma dose em 24 horas ou mais de oito por mês. O medicamento precisa ser descontinuado se não houver progresso no tratamento depois de oito semanas.

EFEITOS COLATERAIS

O remédio foi avaliado em um estudo de 24 semanas com 1.247 mulheres que ainda não estavam na menopausa. Todas tinham o transtorno do desejo sexual hipoativo.

Metade tomou a bremelanotida, e a outra parte, uma substância inócua (placebo). Cerca de 25% das participantes do grupo à base da droga apresentou aumento na libido comparadas a 17% das que não a usaram.

Além disso, 35% das voluntárias que tomaram o medicamento relataram menos estresse relacionado à libido baixa – nas demais, isso chegou a 31%.

Os efeitos colaterais mais comuns foram náusea, vômito, rubor facial, reações no local da injeção e dor de cabeça. No caso de náusea, 40% das pacientes sentiram o sintoma na primeira aplicação, sendo que 13% precisaram recorrer a um fármaco para tratá-lo. Além disso, houve aumento da pressão arterial por 12 horas.

Assim, a droga não é indicada para quem tem hipertensão não controlada ou outra doença cardiovascular, além de risco elevado para esse tipo de problema.

Trata-se da segunda opção farmacológica para mulheres com disfunção sexual. A primeira, a flibanserina, também conhecida como pílula rosa, foi lançada há quatro anos.

“Ela foi desenvolvida para o tratamento de depressão. Como esse antidepressivo também mexe com receptores de serotonina, acabou melhorando a resposta sexual”, lembra Aline Ambrósio.

Foi um fracasso comercial. Isso porque a ação nas consumidoras foi aquém do esperado. E seus efeitos só começam a aparecer depois de quase oitos semanas de uso.

A flibanserina não pode ser consumida com álcool porque a interação causa queda brusca da pressão arterial. Outras adversidades incluem tontura, náusea e cansaço.

Por falar em antidepressivos, as opções mais antigas, como os tricíclicos, tinham a queda da libido como um dos principais efeitos colaterais.

Os mais usados hoje em dia, caso dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, a exemplo da fluoxetina, e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina apresentam esse tipo de reação adversa menos pronunciada.

DESEJO FEMININO

Será que a bremelanotida basta para dar cabo de vez de vontade sexual adormecida? “O remédio vai funcionar às vezes para tirar a paciente daquela angústia de não sentir desejo”, fala Aline Ambrósio.

“Ele também melhora um pouco a qualidade da sensação no relacionamento sexual. Mas se não tratar o entorno, não vai adiantar.” De fato, a sexualidade feminina é bem mais complexa do que a masculina.

“O homem olha o objetivo de amor e já fica com desejo. Não importa se está contrariado no trabalho ou se discutiu na noite anterior”, explica a especialista.

“A mulher só tem esse desejo espontaneamente, ao lembrar-se da parceria e se sentir engajada para o ato sexo sexual”, explica.

Esse movimento ocorre principalmente nos três primeiros meses de relacionamento. “Depois ela apresenta um desejo que é responsivo a estímulos.” Para a ala feminina, a autoimagem, por exemplo, é muito importante.

Se não gosta do que está vendo no espelho, vai ter dificuldade de tirar a roupa. “No pós-parto, quando a mulher fica com uma barriga que não é de grávida e não é a sua de antes, também cai o desejo.” Além das questões hormonais aí envolvidas.

TESTOSTERONA BAIXA

“Por que a mulher é um ser sexual?”, indaga Aline Ambrósio. A especialista continua: “Ela faz sexo porque está querendo ter um bebê ou para agradar o parceiro? O quanto o parceiro estimula a fantasia? E o quanto essa mulher propõe as suas? Masturba-se para entender como funciona seu corpo e sua sexualidade?”, questiona?

Na verdade, são muitas questões envolvidas, incluindo a monotonia sexual. “Às vezes é um dos fatores que faz a vontade de transar despencar”, afirma Aline. Aí nem é caso de níveis menores de testosterona, que atua no cérebro aumentando a libido – sim, o hormônio responsável pelas características masculinas também está envolvido no mecanismo do desejo.

“Quando você tem uma paciente com testosterona baixa, muda o script, conversa com o marido, ensina uma massagem diferente, resolve. A mulher é muito complexa.” Por isso que, em determinados casos, a droga isolada não vai fazer efeito.

Segundo Aline Ambrósio, o trabalho que avaliou a bremelanotida foi liberado sem levar muito em conta o número de relações sexuais. “Se a mulher está mais engajada, ela também vai ter mais vontade.

Não vai continuar transando só duas vezes por mês”, aponta. A pesquisa levou em conta somente a qualidade das relações, não a quantidade.

“Não dá para fazer um tratamento em sexualidade com somente um especialista, o que prescreve o medicamento. A psicoterapia é importante para ressignificar as angústias que estão envolvidas na situação.”

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 01 DE MAIO

O PERIGO DAS MÁS COMPANHIAS

Foge da presença do homem insensato, porque nele não divisarás lábios de conhecimento (Provérbios 14.7).

Quem anda com o tolo, tolo se torna. Quem anda com os sábios, porém, aprende a sabedoria e encontra a felicidade. Assim como não podemos colher figos de espinheiros nem bons frutos de uma árvore má, também não podemos encontrar conhecimento na presença do homem insensato. A orientação de Deus não é para nos fiarmos naquilo que o tolo fala em busca de algo bom, mas para fugirmos de sua presença. A única forma de nos livrarmos da influência maléfica das palavras do tolo é permanecendo longe dele. O primeiro degrau da felicidade é nos afastarmos do conselho dos ímpios, do caminho dos pecadores e da roda dos escarnecedores. Só então encontraremos deleite na meditação da Palavra de Deus. Não podemos permanecer em más companhias e ao mesmo tempo deleitar-nos na presença de Deus. Não podemos viver no pecado e ao mesmo tempo ter prazer na leitura da Bíblia. D. L. Moody certa feita disse a seus ouvintes: “A Bíblia afastará vocês do pecado, ou o pecado afastará vocês da Bíblia”.

GESTÃO E CARREIRA

SEU LOCAL DE TRABALHO PÓS-PANDEMIA

O modelo de trabalho híbrido, com colaboradores intercalando entre presença física e virtual, vai moldar o visual dos novos escritórios

O retorno ao modo presencial nos escritórios é alvo de discussão constante desde o início da pandemia. Se em certo momento, as baias individuais separadas por vidros e a grande quantidade de sinalizações sobre segurança se tornaram imperativos para a volta, agora, com a expectativa cada vez maior de imunização, novas tendências começam a surgir. 

Atento às novidades, o periódico The New York Times conversou com especialistas e reuniu uma série de aspectos que devem dominar os escritórios do futuro. A aposta principal é na popularização do estilo híbrido de trabalho, com colaboradores intercalando entre presença física e virtual, dite as adaptações. A seguir, confira as três tendências elencadas:

ESPAÇOS MENOS INDIVIDUALIZADOS

As áreas comuns e compartilhadas serão prioridade nesse novo modelo de escritório. A previsão é a de que os móveis sejam soltos, de modo a adaptar o ambiente às necessidades de cada evento, e as hot desks (grandes mesas compartilhadas) se tornem o padrão. Devido às medidas sanitárias herdadas do momento atual, é possível que essas mesas sejam introduzidas com um sistema de agendamento, sendo necessário reservar seu lugar com algum tempo de antecedência para que ele possa ser higienizado.

Diretora do escritório de arquitetura NBBJ, Andrea Vanecko, diz que, até pouco tempo, muitos trabalhadores resistiriam a ideia de perder suas mesas pessoais, mas esse comportamento foi alterado pela possibilidade de passar poucos dias da semana no escritório. Com o número de funcionários presenciais reduzidos, a opção pelo compartilhamento otimiza a área disponível e abre espaço para escritórios cada vez menores.

TELAS CONTINUAM EM ALTA

Com a manutenção de parte da equipe à distância, a integração entre os times continua sendo prioridade. Há até quem especule sobre o uso de representações holográficas dos funcionários em home office. Enquanto isso não acontece, as telas continuam em destaque.

As salas de reunião devem receber grandes monitores centrais, melhorando a interatividade e sensação de presença durante as videoconferências. Os laptops também terão presença marcada nas reuniões, garantindo que todos possam ser vistos, segundo aponta o diretor de estratégia, Peter Knutson, executivo do escritório de design A+I.

Dispositivos com câmeras de 360 graus, microfone e alto-falantes também se tornarão comuns, na visão da diretora da Perkins + Will, Meena Krenek. A executiva da empresa de arquitetura acredita que as salas de reunião serão extensões das salas de videoconferência. Para possibilitar que os funcionários em casa vejam o que está sendo escrito em tempo real, os quadros brancos digitais são outra ferramenta que será popularizada.

Almejando uma experiência completa, nem os cafés irão escapar. Pequenos dispositivos devem ser instalados nas áreas de descontração, como as copas, para possibilitar encontros mesmo a distância.

MENOR CONTATO COM AS SUPERFÍCIES

Nem todas as proteções criadas contra o coronavírus irão continuar, mas algumas serão mantidas. As indicações de espaço no chão devem desaparecer com o tempo, até que as pessoas os assumam como hábito.

O uso de aplicativos ou sensores de voz e movimento para evitar o contato intenso com superfícies devem continuar. O recurso se mostrou útil para abrir catracas e portas. O mesmo ocorre com os pedais para chamar elevadores e os botões, nas cabines de banheiros, que podem ser ativados com o cotovelo.

Durante a pandemia, a qualidade do ar virou uma pauta primordial. Com isso, os espaços ao ar livre passaram a ser valorizados, a tendência é a de que isso continue, com empresas apostando em mobiliário para terraços e pátios.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMPORTAMENTO E PERFORMANCE

Ser bem-sucedido implica ter pais dedicados

Treinar, estudar e o que mais? O que é preciso para ser bem-sucedido?

Um estudo da Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos, conduzido pelo psicólogo educacional Kenneth Kiewra e três ex-alunos de pós-graduação, revela que a atitude dos pais também influencia o sucesso dos filhos. Segundo a pesquisa, há vários comportamentos dos genitores que são fundamentais para desenvolver o potencial das crianças, fazendo com que estas se destaquem, no futuro, em alguma área de atuação. Trata-se de um aprimoramento daquilo que é herança genética (talento), favorecido por uma dedicação incansável da família.

No trabalho de Kiewra e ex-alunos, foram entrevistados e acompanhados pais de 24 jovens norte-americanos que são destaques nacionais ou internacionais em suas carreiras. O grupo incluía patinadores de gelo com medalhas olímpicas, campeões de xadrez, campeões de vôlei, músicos premiados, um autor pré-adolescente e um campeão de concurso de soletração nacional. Os pais desses garotos tinham suas casas hipotecadas ou desistiram de seus empregos, entre outros sacrifícios, para nutrir talentos de seus filhos.

A pesquisa se diferenciou de outras no sentido de acompanhar pais ainda nessa fase de investimento nos filhos, não se baseou em relatos de acontecimentos passados. Também foi singular ao centrar-se no depoimento desses pais e não dos mentores de seus filhos ou dos próprios jovens. Uma limitação do estudo foi ter ouvido apenas pais norte-americanos, brancos, de classe média alta, amostra que os próprios cientistas sugerem que deve ser ampliada, no escopo da multiculturalidade e diversidade socio econômica.

Alguns aspectos identificados como fundamentais no desempenho dos jovens, a partir desse estudo:

  • A descoberta precoce dos talentos das crianças e a atenção dada ao seu desenvolvimento desde cedo;
  • Organização da família em função das atividades dos filhos (competições, estudos etc.);
  • Esforço dos pais na motivação constante dos filhos;
  • A contratação de um técnico / professor, quando necessário, e esforço de investimento em todo e qualquer recurso necessário.