EU ACHO …

AO CORRER DA MÁQUINA

Meu Deus, como o mundo sempre foi vasto e como eu vou morrer um dia. E até morrer vou viver apenas momentos? Não, dai-me mais do que momentos. Não porque momentos sejam poucos, mas porque momentos raros matam de amor pela raridade. Será que eu vos amo, momentos? Responde, a vida que me mata aos poucos: eu vos amo, momentos? Sim? Ou não? Quero que os outros compreendam o que jamais entenderei. Quero que me deem isto: não a explicação, mas a compreensão. Será que vou ter que viver a vida inteira à espera de que o domingo passe? E ela, a faxineira, que mora na Raiz da Serra e acorda às quatro da madrugada para começar o trabalho da manhã na Zona Sul, de onde volta tarde para a Raiz da Serra, a tempo de dormir para acordar às quatro da manhã e começar o trabalho na Zona Sul, de onde. – Eu vou te dar o meu segredo mortal: viver não é uma arte. Mentiram os que disseram isso. Ah! existem feriados em que tudo se torna tão perigoso. Mas a máquina corre antes que meus dedos corram. A máquina escreve em mim. E eu não tenho segredos, senão exatamente os mortais. Apenas aqueles que me bastam para me fazer ser uma criatura com os meus olhos e um dia morrer. Que direi disso que agora me ocorreu? Pois ocorreu-me que tudo se paga – e que se paga tão caro a vida que até se morre. Passear pelos campos com uma criancinha-fantasma é estar de mãos dadas com o que se perdeu, e os campos ilimitados com sua beleza não ajudam: as mãos se prendem como garras que não querem se perder. Adiantaria matar a criancinha-fantasma e ficar livre? Mas o que fariam os grandes campos onde não se teve a previdência de plantar nenhuma flor senão a de um fantasminha cruel? Cruel por ser criancinha e exigente. Ah! sou realista demais: só ando com os meus fantasmas.

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

NASCE UM NOVO HOMEM

Pais modernos, sociedade mais aberta e os rigores da pandemia, sempre ela, estão levando os jovens a rejeitar o machismo e a abraçar a sensibilidade e o companheirismo

Vinha do berço. Antes mesmo de falar ou entender o mundo ao seu redor, bebês do sexo masculino são expostos a brincadeiras físicas e expressões relacionadas a força e competição, como “garotão do papai” e “campeão”, enquanto às meninas são reservadas manifestações de delicadeza- “florzinha”, “bonequinha”- e aberta afetividade. Esse tipo de comportamento, comum e até automático, tem reflexos prolongados e foi capaz de imobilizar durante séculos os homens e as mulheres dentro de compartimentos impenetráveis e imutáveis. Por serem relegadas a um papel de inferioridade na hierarquia doméstica, as mulheres foram as primeiras a se rebelar, chutar a porta e dar voz a suas demandas. Os homens seguiram impávidos na posição social que ocupam desde o raiar da humanidade: fortões, durões, provedores do sustento e do bem-estar da família.

Em movimento que não para de se expandir, as novas gerações começam a se afastar, talvez definitivamente, do modelo ancestral de masculinidade. É uma extraordinária novidade. É um fenômeno empurrado por pais e mães que questionam estereótipos, por um nítido avanço da sociedade na aceitação da diversidade e, como não podia deixar de ser, pelos hábitos da pandemia – o grande transformador universal. A revolução se inicia dentro de casa (e casa ganhou nova qualificação em tempos de isolamento social), onde meninos vão sendo acostumados a lavar a louça, arrumar a própria cama e guardar suas roupas, enquanto veem a mãe trabalhar tanto ou mais do que o pai. Segue no ambiente corporativo, no qual assédio se tornou uma espada sobre a cabeça deles e pensa-se três vezes antes de fazer alguma piadinha. Aos poucos, foi-se estabelecendo no jovem universo masculino uma espécie de revolução silenciosa, que com frequência deságua em estranhamentos e conflitos de gerações.

“Passei a questionar por que não tinha com meu pai e meu irmão a mesma relação franca e carinhosa que estabeleci com pessoas do sexo feminino na minha família”, diz o advogado Rodrigo Mota, 24 anos, que hoje distribui bem mais amplamente os abraços e os “eu te amo” que já chegou a represar. “Durante séculos fomos educados para acreditar que o certo é ser machista. Entender que outros modelos de masculinidade são possíveis é libertador”, afirma Luciano Ramos, consultor de programas da Promundo, uma organização que trabalha com jovens pais.

Como em tudo no mundo atual, a presença de celebridades expondo nas redes sociais sua cruzada antimachista contribuiu para dar visibilidade ao movimento. O ator Lázaro Ramos foi dos primeiros a condenar publicamente a “masculinidade tóxica”. Mais recentemente, Rodrigo Simas declarou que “todos os dias tento desconstruir o machismo na minha relação, nos meus julgamentos e nos meus pensamentos”. “Os homens têm muito a ganhar se aprenderem a ser mais, digamos, femininos”, afirma o ator carioca Marcello Melo Jr., 33 anos. A nova atitude dos jovens em relação à própria masculinidade está expressa em uma vasta pesquisa conduzida pela empresa Survey Monkey com homens nos Estados Unidos, na qual ficou evidente que o típico macho alfa, viril, durão e impermeável aos sentimentos, está em baixa.

Em seu lugar, começa a surgir um homem disposto a externar afeto com parentes e amigos, a dividir as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos e a tratar as colegas de trabalho sem nenhuma distinção de gênero. Para 46% dos entrevistados, ser visto pelas pessoas à sua volta como “masculino” é ” nada” ou “não tão importante”. A maioria – 63% – disse que abraça e os amigos do mesmo sexo e faz carinho neles. E, sinal mais nítido dos novos tempos, 45% admitiram que choram com alguma frequência. Os participantes do levantamento se mostraram desconfortáveis com o peso do machismo sobre seus ombros: 60% consideram que a pressão imposta pela sociedade não é saudável (nas faixas ainda mais novas, o número sobe para 70%).”Há uma percepção da masculinidade nunca observada antes. Os jovens estão tendo liberdade e oportunidade inéditas de falar e refletir sobre o assunto”, ressalta Tony Porter, um dos maiores especialistas no tema, CEO da A Call To Men, organização americana que atua para desenvolver masculinidade saudável entre garotos.

Na pesquisa, o pai é apontado por 64% dos entrevistados como responsável por ensinar “o que é ser um bom homem”, motivo de angústia para quem vai viver o desafio de criar uma criança –   tanto que as buscas com a frase “como ser um bom pai” no Google aumentaram 50% no ano passado em relação a 2019. O militar Matheus Mendonça,19 anos, diz que não foi fácil aprender a ser pai da menina Ariel, hoje com 2 anos. “Minha criação se deu em um ambiente muito masculino. O relacionamento com uma feminista me fez entender o impacto do machismo na sociedade e quero que a minha filha saiba se defender de tudo isso”, diz.

A paternidade, ainda mais inesperada, foi igualmente o divisor de águas que fez o consultor de viagens Yuri Siqueira, 30 anos, repensar posturas que lhe foram inculcadas ao longo da vida. Uma ex-namorada descobriu que estava grávida uma semana depois de terminarem o relacionamento e, no convívio com o filho, Siqueira procura adotar atitudes diferentes das de sua infância. “Fui descobrindo diversos aspectos machistas que, para mim, eram coisa normal, como classificar as brincadeiras em para menino e para menina. Quis mudar para não perpetuar preconceitos, porque eu sou um espelho para meu filho”, enfatiza o pai de Lorenzo, hoje com 5 anos, com quem convive quinze dias por mês, no regime de guarda compartilhada.

Na seara dos relacionamentos amorosos e da sexualidade, a falta de diálogo e as regras preestabelecidas são constantes das quais muitos jovens estão lutando para se libertar. “Nunca me senti à vontade para falar sobre isso e acabava fazendo coisas que não queria. Às vezes não estava com vontade de transar, mas tinha aquela obrigação, por causa da norma de que o homem tem de ser o pegador”, diz o estudante Victor Rugiero, de 24 anos. Na opinião dessa turma que quer mudança, uma das causas do atraso na busca da nova masculinidade são as performances ensaiadas dos filmes pornô e, em geral, a imagem vendida pela indústria do sexo, disponível à vontade na internet. “Meninos com 9, 10, 11 anos têm acesso fácil à pornografia e aprendem que precisam ser dominantes e agressivos”, alerta Claudio Serva, fundador do Prazerele, um instituto que organiza workshops e rodas de conversas sobre o tema.” Historicamente, a sexualidade masculina está relacionada à ideia de potência”, analisa Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo. “Hoje, porém, cada vez mais homens percebem que a chave para um relacionamento bem-sucedido está na capacidade de sentir e proporcionar prazer à parceira.”

No campo das relações domésticas, a pandemia fez com que muitos homens, pela primeira vez na vida, prestassem atenção à rotina feminina de misturar carreira com tarefas da casa e cuidados com os filhos – e dessem passos para compartilhar o trabalho. Em pesquisa de 2020 encomendada pelo Instituto Rede Nossa São Paulo, 52% dos homens afirmam agora dividir os perrengues do dia a dia com as companheiras e trocaram o “dar uma mãozinha” por participação de fato. Na questão filhos, 37% dizem que repartem a responsabilidade, contra 12% dois anos antes (se bem que, verdade seja dita, outros estudos mostram que, nesses pontos, a visão deles e delas difere). “Não cabe mais no mundo contemporâneo o antiquado comportamento patriarcal”, lembra o consultor Luciano Ramos, da organização Promundo. Se tudo der certo, os homens das novas gerações não precisarão de alguém que lhes chame a atenção para seu papel dentro- e fora – de casa.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 23 DE ABRIL

DISCIPLINA, UM ATO DE AMOR

O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina (Provérbios 13.24).

Disciplina não é punição nem castigo, mas um ato responsável de amor. Os filhos precisam de limites. Precisam saber o que é certo e o que é errado. Precisam de balizas claras e princípios firmes. Os pais não podem premiar a desobediência nem ser coniventes com o pecado dos filhos. Os pais não podem ser omissos diante da rebeldia dos filhos. Quem se nega a disciplinar seu filho não o ama. O pai que ama o filho com responsabilidade não hesita em discipliná-lo. A disciplina também precisa ser aplicada no tempo certo. Uma planta tenra pode ser facilmente envergada, mas, após crescer, engrossar o caule e tornar-se árvore frondosa, é impossível dobrá-la. Precisamos corrigir nossos filhos desde a mais tenra idade. Precisamos inculcar neles a verdade de Deus desde a meninice. Precisamos ensinar a nossos filhos não o caminho em que eles querem andar nem o caminho em que precisam andar. A ordem de Deus é ensiná-los enquanto caminhamos juntos, servindo-lhes de exemplo. A ausência de disciplina desemboca em insubmissão, mas a disciplina aplicada com amor e integridade produz os frutos pacíficos da justiça.

GESTÃO E CARREIRA

COMO FISGAR A “GERAÇÃO Z”

Empresas inovam no processo seletivo ao adotar métodos mais interativos e inclusivos que atraem e motivam os estagiários

Um jovem de 20 anos assume a responsabilidade de um fazendeiro. Há uma praga infestando a plantação – e ele deve tomar decisões rápidas para não ver o negócio destruído. Qual produto usar para combater o problema? É melhor utilizar um defensivo agrícola ou sacrificar a safra e começar outra do zero com sementes de alta produtividade? Esse foi um dos desafios que a Monsanto, gigante do segmento de agricultura e biotecnologia (comprada pela Bayer por 63 bilhões de dólares), impôs a 2.000 pretendentes à vaga de estágio. A charada aconteceu num jogo, dentro do ambiente virtual.

Há quatro anos, a companhia resolveu olhar de maneira criteriosa sua principal porta de entrada: o estágio. Percebeu que boa parte dos estudantes que se aplicavam a uma vaga desconhecia as atividades da Monsanto. Resolveu, então, mexer na metodologia. E havia um bom motivo para fazer isso: a multinacional americana mudou seu foco, voltado agora para a agricultura digital. ”Nosso objetivo era criar desafios que testassem competência, iniciativa, curiosidade, relacionamento e busca por soluções diferentes de um jeito inovador e divertido. Decidimos que a melhor forma de conseguir isso seria com game”, diz Aline Cintra, gerente de aquisição de talentos da Monsanto para a América do Sul

Em janeiro de 2018, 130 estagiários selecionados no novo esquema começaram a trabalhar na empresa. “Para ter uma ideia, enquanto a média de desistência durante a disputa pela vaga está entre 25% e 30% no mercado, no programa de estágio em agronegócio da Monsanto ela ficou em 1,5% na etapa final”, diz Aline. A última fase da seleção foi presencial. E está sendo reformulada para a próxima edição do programa. Segundo a gerente, desta vez as conversas serão feitas às cegas, sem saber gênero, nome, escola ou idade de quem está sendo entrevistado.

Seduzir a geração Z, os nascidos a partir de 1995, e retê-los na corporação é um ponto crítico para recursos humanos. Exigentes, esses profissionais não se conformam com o antigo estado das coisas – buscam diversidade, autonomia, liberdade. Pesquisas mostram que são questionadores, fazem escolhas conscientes e almejam equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Tempo livre e relação familiar são pontos até mais importantes do que dinheiro e ascensão social. Para essa juventude, salário alto e poder não bastam. “Eles demonstram interesse em assumir posições de liderança, mas não sob o modelo que conhecemos”, afirma Milie Haji, gerente de projetos da Cia de Talentos, especializada em programas de estágio e trainee.

Num relatório intitulado Creative, authentic, mobile: the characteristics of Generation Z, a consultoria PwC diz que a interação com os nativos digitais é diferente daquelas com qualquer outro público que os antecedeu e requer um esforço criativo. “A autenticidade é fundamental para fisgar esse grupo”, diz o estudo.

Não é à toa, portanto, que as empresas estejam se desdobrando para fugir da tradicional fórmula do teste online seguido por dinâmicas de grupo e entrevistas. Os processos hoje necessitam ser mais abrangentes e trazer vivências prazerosas, que agreguem conhecimento. Pesquisa realizada neste ano pela consultoria Cia de Talentos, que ouviu 69.565 jovens em nove países da América do Sul, constatou que estudantes e recém-formados demandam experiências corporativas mais inclusivas. Apenas 31% dos ouvidos disse, por exemplo, que seu empregador os estimula a testar suas ideias e experimentar novas formas de resolver problemas.

No estudo lançado em junho pela consultoria, 79% deles acreditam que as corporações precisam trocar modelos hierárquicos e pouco participativos por uma gestão horizontal e colaborativa. “Essa é uma das razões para a necessidade de inovar, inclusive no recrutamento”, afirma Milie.

Mas não é a única. Quem oferece testes instigantes antes colhe frutos depois. De acordo com a

Accenture, consultoria global de gestão, novatos expostos a um ambiente de trabalho desafiador são 2,5 vezes mais propensos a se comprometer com o empregador por mais de cinco anos. “É essencial despertar a paixão deles pela marca”, afirma Luana Gabriela, da Eureca, consultoria voltada para jovens. Além de trabalhar por propósito, a geração Z busca fazer a diferença e ser um agente ativo nas mudanças – sejam elas corporativas, sociais ou econômicas.

Nesse sentido, a Stefanini Latam, provedora brasileira de soluções em TI com presença em 40 países, deixa claro durante seu recrutamento que jovens serão de suma importância na renovação (e na inovação) da empresa. O objetivo é mostrar que eles protagonizarão o futuro dos negócios.

Durante a disputa pela vaga de estágio, os selecionados participam de dois testes presenciais, nos quais a companhia de tecnologia apresenta projetes reais e ouve deles o que gostariam de acrescentar. Os que avançam vão ainda para uma conversa com a direção de RH e um representante do conselho. Escutá-los, segundo Cintia Bortotto, diretora de RH da Stefanini é uma forma de engajá-los. “Ao final, abrimos para comentários e os candidatos sempre dizem que se sentiram respeitados e desafiados, o que de certa forma garante o comprometimento desses estagiários conosco”, afirma.

Outro fator essencial para os sucessores dos millennials é a relação com o tempo. Executivos de recursos humanos são unânimes em relatar que, quanto mais longa a triagem para vagas de estágio, maior o número de desistências.

De acordo com um levantamento da empresa de pesquisa Kantar, três quartos dos centennials (como os mais novos também são chamados, em referência ao fato de terem nascido próximos à virada do século) afirmam que “sempre tentam se divertir o máximo possível”, independentemente da situação. Isso leva a crer que um método moroso, com muitas etapas, afugente esse pessoal, que busca obter satisfação até nas entrevistas de emprego.

Percebendo isso, a varejista francesa Decathlon tornou sua seleção mais ligeira. Hoje, a disputa leva um diaexato, Dinâmicas em grupo são alternadas com prática esportiva e brincadeiras dentro da própria loja. ”A ideia é que os jovens vivenciem o esporte e saibam o que vivemos cotidianamente na empresa. Essa opção trouxe vantagens para o candidato, pela rapidez do feedback, e também para a Decathlon, que reduziu gastos”, diz Andreia Marques, responsável pelo recrutamento da multinacional no Brasil.

No intuito de minimizar os riscos da escolha expressa, a companhia inclui funcionários de diferentes níveis hierárquicos no processo seletivo, tomando a decisão da contratação um ato coletivo e consensual.

GERAÇÃO MOBILE

Entre os nascidos da segunda metade dos anos 90 para cá, o celular é uma dasprincipais maneiras de interagir com o mundo. Estudo da PwC diz que quase três quartos dos post-millennials nos Estados Unidos cresceram convivendo com o universo online. Não sem motivo, são mais conectados do que quaisquer profissionais. Quase três quintos deles usam o aparelho para acessar entretenimento, 58% para jogar e 36% até para fazer tarefas domésticas.

Na Nestlé, gigante suíça do setor de alimentos, participar do programa de estagiários exigiu tirar o smartphone da mochila. É que a empresa desenvolveu um aplicativo próprio para a seleção. ”A plataforma traz elementos que fazem parte do cotidiano deles, como a gamificação”, diz Marco Custódio, vice-presidente de RH da Nestlé. No celular, o jovem recebe missões associadas às marcas da multinacional e é desafiado, entre outras coisas, a pensar sobre campanhas de produtos e a tomar decisões comerciais sobre qual mercado distribuir determinado item. Os candidatos interagem ainda com gestores e colaboradores fictícios por chat bois.

O objetivo da Nestlé com o dispositivo móvel é avaliar habilidades técnicas e comportamentais observando como os participantes responderiam às situações. Os aprovados no desafio mobile são convocados a participar de um hackathon, maratona de programação em que criam soluções de forma colaborativa. Segundo Custódio, os dois sistemas, juntos, melhoraram em 30% a assertividade dos perfis selecionados.

De fato, atrair essa moçada exigente que está chegando ao mercado de trabalho tem feito os profissionais de RH quebrarem a cabeça para que a seleção seja uma experiência da qual o jovem leve algum aprendizado, mesmo não sendo selecionado. “O candidato tem de sair do processo enriquecido. Por isso, é importante dar feedback sobre seu desempenho e, se possível, direcioná-lo”, diz Mille, da Cia de Talentos. Pelo visto, a era do ”venha a nós o Vosso reino” ficou para trás. Se o objetivo é conquistar talentos do amanhã, será preciso fazer mais do que testes de lógica e entrevistas unilaterais.

O QUE PENSAM OS JOVENS

Seleções assertivas precisam contemplar as principais demandas dos mais novos. Veja o que eles acham de seus empregadores:

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INTOLERÂNCIA: O PODER DA ANTECIPAÇÃO

Estar com pessoas semelhantes a nós nos leva a acreditar que temos todos as mesmas informações e compartilhamos pontos de vista idênticos; essa perspectiva inibe o surgimento de novas ideias e nos faz menos cuidadosos

Adicionar olhares variados a um grupo faz com que as pessoas acreditem que pode haver diferenças de perspectivas entre elas – e essa convicção as leva a mudanças de comportamento. Membros de um grupo homogêneo estão relativamente convictos de que concordarão entre si: que entenderão suas perspectivas e convicções mutuamente; e que serão capazes de chegar facilmente a um consenso. Mas quando os integrantes percebem que são socialmente diferentes uns dos outros, mudam suas expectativas, antecipam diferenças de opinião e perspectiva – e presumem que terão de trabalhar mais arduamente para chegar a um acordo. Essa lógica ajuda a explicar tanto as vantagens quanto as desvantagens da diversidade social: as pessoas saem de sua área de conforto e tendem a se empenhar mais cognitiva e socialmente em ambientes diversificados. E esse esforço pode levar a resultados melhores, além de favorecer a autoestima.

Em um estudo sobre o processo de tomada de decisão de júris, o psicólogo social Samuel Sommers, pesquisador da Universidade Tufts, propôs um experimento: reunidos em equipes, voluntários deveriam deliberar sobre um caso de ataque sexual. O pesquisador observou que grupos etnicamente diversos trocaram um leque bem mais amplo de informações durante a discussão do que grupos formados exclusivamente por brancos. Em colaboração com juízes e encarregados de júris em um tribunal de Michigan, Sommers conduziu julgamentos simulados com jurados previamente selecionados. Embora os participantes soubessem que o júri simulado era um experimento patrocinado pelo tribunal, eles não tinham conhecimento de que o verdadeiro objetivo da pesquisa era estudar o impacto da diversidade racial na tomada de decisão dos jurados.

Sommers compôs os júris de seis pessoas somente com jurados brancos, ou com quatro jurados brancos e dois negros. Como seria de esperar, os júris diversificados se saíram melhor na consideração dos fatos do caso, cometeram menos erros ao recordar informações relevantes e exibiram maior abertura para discutir o papel da etnia/raça no caso. Esses avanços não ocorreram necessariamente porque os jurados negros levaram novas informações ao grupo; aconteceram porque os participantes brancos mudaram seu comportamento na presença dos negros. Diante da diversidade, foram mais cuidadosos e menos preconceituosos.

Agora considere o seguinte cenário: você está redigindo um trecho de um artigo que será em breve apresentado em uma conferência e está antecipando algumas divergências e potenciais dificuldades de comunicação porque você é brasileiro e a pessoa com que fará o debate no dia da apresentação é chinesa. Devido a uma distinção social, você talvez se concentre em outras diferenças entre vocês, como a cultura, educação e experiências dele ou dela – aspectos que você não esperaria de um colega do mesmo país. Como você se prepara para o evento? É bem provável que se dedique mais a explicar seu raciocínio e antecipar alternativas do que faria em outras circunstâncias.

Pois bem, é assim que a diversidade funciona: a criatividade estimula a consideração de alternativas antes mesmo que ocorra qualquer interação interpessoal. O desconforto associado ao que é diferente pode ser imaginado como a dor resultante de exercícios físicos. Para desenvolver seus músculos, você tem de se esforçar. Como diz o velho ditado, “sem esforço não há recompensa”. Da mesma maneira, precisamos de diversidade em equipes, organizações e na sociedade em geral se quisermos mudar, evoluir e inovar.

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