A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A CLÍNICA PSICANALÍTICA E O AMOR

O dia a dia dos consultórios de Psicanálise está recheado de pessoas que os procuram para aplacar seus corações e almas, em função de dores de amor, que apresentam sintomas que o tornam razão de análise

Quando o amor assalta Ele rouba a solidão Para oferecera falta!

Cotidianamente recebemos em nossos consultórios senhores desalmados e seus desejos, não são senhores em suas próprias casas e também são incapazes de fugirem de si mesmos: “Quem muito se evita, se convive”. São senhores que trazem o amor em seus bolsos, rostos e estampado em seus sintomas, fazendo dele, do amor, a demanda de análise com a política do inconsciente.

O amor é uma das cinco palavras-chave pelo qual as cadeias de associações significantes circulam pela análise. Em análise aparecem o amor, a morte, a sexualidade, o dinheiro e a família como alavancas da história de vida. É necessário, na clínica, que o analista fique atento a esses temas no bem dizer do paciente.

Sob pressão, os pacientes desesperam-se frente ao desamparo – despreparo de amor – que parece guiá-los ao insuportável, promovendo erupção na angústia, deixando-os à mercê do destino pulsional. Este que “ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos”, busca o tratamento de um gozo sem limites visíveis, indo além do princípio de prazer nas redondezas das pulsões de morte. Uma perdição. “Viver é um negócio muito perigoso”. Até que, nos encontros e desencontros da vida, descobrem a “cura pela palavra”, uma “limpeza de chaminé”, “a cura pelo amor”; a Psicanálise! A Psicanálise pode ser compreendida neste artigo como a arte de possibilitar, com as palavras do inconsciente, caminhos mais suportáveis de viver! Fazer amor com o desejo.

Palavras e amor são duas invenções humanas necessárias para o laço social e a vida em civilização. A palavra nos convoca à fala e à escuta. O amor nos provoca a caminharmos e considerarmos nossa ímpar existência a par do outro. Eis duas propostas, também feitas por Freud: “Fale!”, “Caminhe!”. Em Freud amor é reencontro! Há reminiscências de fatos, de experiência que ecoa como aparente falta. O amor está fadado ao familiarmente estranho outrora registrado em nosso aparelho psíquico nos traçados pulsionais e nas atmosferas inconscientes.

Lacan já nos apontava que “todo mundo demanda amor”, e que “toda demanda é demanda de amor”, e o amor, ainda, no fundo “demanda amor e mais, ainda”. Com o amor e embaraços das histéricas, que chegavam à clínica, Freud aprendeu a fazer transferência e promoção do tratamento. O preliminar de uma análise é fazer a mutação da demanda de amor para a construção de transferência. O amor possibilita o tratamento, um amor à verdade, dizia Freud.

Em se tratando de transferência, aparece também, em Psicanálise, a resistência. Freud postula como alerta que “não pode haver dúvida de que a irrupção de uma apaixona da exigência de amor é, em grande parte, trabalho da resistência”. O amor em sua face de resistência é de natureza úmida, aponta-nos a lógica lacaniana. “O amor é dar o que não se tem a quem não o quer”, diz Lacan, no Seminário VIII. Se bem olharmos esta é uma das entradas de análise da neurose, entregar seu desejo a quem apenas pode escutá-lo, não o querendo para si, e sim para devolução de um reflexo mais claro das profundezas do inconsciente. Temos algo do amor, há uma entrega que atravessa o narcisismo, o amor é não todo dar o que não se tem a quem não o quer, há algo de si nesse investimento que busca o reencontro com um objeto perdido e ressuscitado nos fantasmas psíquicos. Citado em análise, o amor tem faces impossíveis e insuficientes. De uma espécie de amor que vem com palavras, eis a salvação pela análise!

HISTÓRIAS DE AMOR

Na clínica da Psicanálise escutamos histórias de amor, nem por isso, finais felizes, pois o que escutamos não são os finais, e sim a travessia de uma vida, cuja felicidade se resume em apenas parcelas. O amor em análise é o que possibilita que o inconsciente diga! O amor é suporte, tanto no sentido de base quanto no sentido de suportar. O amor carrega em seu bojo a política do inconsciente. “Falar de amor, com efeito, não se faz outra coisa no discurso analítico”. O amor é a fome do ego! Como volúpia é fabricação de libido. Ponto de análise. Falar de amor, aponta Lacan, é em si mesmo um gozo, e o gozo é aquilo que começa fazendo cócegas até que se promova a fogueira. O amor é fogo!

O amor só pode existir como objeto causa de desejo, política e laços do inconsciente, um paralelo ao lugar do analista, um vazio, um reflexo, uma falta que demanda invenção, encontro e amarração, para poder “transbordar” o fantasma da vida cotidiana. Ele demanda um Mais, Ainda enquanto ainda se respira a ilusão do reencontro com o objeto, algo apontado por Freud no Além do Princípio de Prazer. O amor se não for cuidado cai no mortífero do gozo e perde sua segurança. O amor cuidado é aquele que transparece lugar ao sujeito, sua falta e seu desejo.

Quanto ao lugar do analista frente à causa de desejo do amor, Freud é enfático: “Já deixei claro que a técnica analítica exige do médico que ele negue à paciente que anseia por amor a satisfação que ela exige. O tratamento deve ser levado a cabo na abstinência”. Lacan reforça dizendo que o discurso da demanda é “aquilo que lhe peço não me dê, pois não é isto”. O inconsciente ama aquilo que lhe dá voz. É como se o paciente dissesse nas entrelinhas: Aquele que me ouve, eu o amo. E o psicanalista em “transmissão”, em sua ética de desejo, respondesse: aquilo que ele busca de amor é a mola mestra para o tratamento, não podendo eu, analista, respondê-lo, e sim possibilitá-lo, a partir desse investimento, que ele faça alguma coisa consigo mesmo.

O amor, como romântico, assassina o gozo mortífero e faz nascer uma parceria de sujeito, duas faltas familiarmente estranhas oferecendo-se uma à outra em busca de um saber recíproco sobre o que é ser a si mesmo! O amor é um inédito reencontro. O amor é sentido e não pode ser recalcado. Suas políticas, em contrapartida, isto é, suas ideias que buscam um Outro, estas sobram para todo lado, podendo escorrer nas palavras de um simples recado, rechaço do inconsciente. As políticas do amor são os laços sociais do sujeito.

Em se tratando do simbolismo do amor, o romantismo tem perdido espaço na civilização de nossa época, cujo imediatismo é entrave para construções e preparações suaves das coisas humanas. O amor executa experiências e histórias de vida, deixa espaço para palavras, construções e esperanças. Em encontro com o real, aquilo que não vai bem inclina o amor à beira do gozo. As políticas do amor são semblantes “peri-gozos”!

GOZO E CASTRAÇÃO

A ausência de amor é o gozo avassalador, acesso ao objeto sem lugar de sujeito e desejo, sem ponto de falta, sem busca. Abstinência de amor é uma das causas das neuroses. É a solidão de um corpo abandonado aos bel-prazeres do ordenamento do super eu, e é ali que o amor com sua loucura é um aro de cura! O renascimento da condição faltante, desejante, falante, inaugural de sujeito com possibilidades de promoções e invenções que lhes são próprias para novas buscas. É o resgate de um ego para que assuma sua responsabilidade naquilo que se queixa. Lidar com a falta sem assassinar o desejo é fazer desdobrar o Eros que nos movimenta. Suportar o amor é não para qualquer um.

O amor é ambivalente, eis mais um dos apontamentos de Freud: “A história das origens e relações do amor nos permite compreender como é que o amor com tanta frequência se manifesta como ‘ambivalente’, isto é, ensinar o filho a amar é uma das possíveis tarefas dos pais trabalhadas por Freud em 1905.

Ainda com Freud temos a notícia de que “muito antes da puberdade já está completamente desenvolvida na criança a capacidade de amar.

“SELF” SOB AS ÁGUAS

Por vezes busca-se o narcísico do amor, só pelo narcisismo é que podemos amar, pelos seus destinos. Das formas de amar, podemos pensar que aventurado foi Narciso, que tirou “self ” sob as águas (tão narciso que nem precisou de máquina fotográfica), se perdeu no império da própria imagem e morreu afogado no encontro com o real pelo simbólico que nunca disse! Do Narciso das águas veio ao Narciso do império das imagens, morrendo em aquisições ao discurso do mestre e leitos de hospitais. Dos amores narcísicos temos ainda, como exemplo, aquele que diz “eu te amo” para apenas escutar o “eu também”!

O ato analítico é um destino possível ao apalavrar do amor! É lá que “grandes pedras do fundo do chão vêm à flor”.

No apetitoso prazer da memória o inconsciente em transferência escapa nas falas e se manifesta em lembranças encobridoras:

“A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada acompanhado de impulsos de ódio contra o mesmo objeto”. Devido ao núcleo do amor ser um vazio de registro e não um objeto, ele é também habitado pela pulsão de morte que se inclina silenciosamente à reação de destruição em suas castrações, em seus términos com o objeto eleito como destino do verbo, ato e linguagem, de amar. Não é incomum, por exemplo, vermos destruições após o rompimento de um relacionamento. Aqui é preciso algum saber fazer com a pulsão de morte, já que o término de amor pode acarretar em um a finidade de sujeito. Entretanto, ele também atua na promoção de sublimação, com Eros e outras políticas de viver, causas de desejos! Não é incomum, também, vermos o término de um suposto amor ser a salvação. Abertura de novas saídas, outras invenções, renascimento de Édipo.

Enquanto ainda não se sente, sendo um núcleo faltoso da própria natureza, ele, o amor, está próximo do desejo que do gesto da mistura se entrelaça, porém nos instintos da pulsão com a ordenação de um superego que no amor soa como um beijo podendo gritar na solidão. O amor, nesse ponto, oferece a segurança para a perdição narcísica do mesmo jeito. O amor é o ponto sublime que questiona o gozo acompanhado de impulsos de ódio contra o mesmo objeto”. Devido ao núcleo do amor ser um vazio de registro e não um objeto, ele é também habitado pela pulsão de morte que se inclina silenciosamente à reação de destruição em suas castrações, em seus términos com o objeto eleito como destino do verbo, ato e linguagem, de amar. Não é incomum, por exemplo, vermos destruições após o rompimento de um relacionamento. Aqui é preciso algum saber fazer com a pulsão de morte, já que o término de amor pode acarretar em uma finidade de sujeito. Entretanto, ele também atua na promoção de sublimação, com Eros e outras políticas de viver, causas de desejos! Não é incomum, também, vermos o término de um suposto amor ser a salvação. Abertura de novas saídas, outras invenções, renascimento de Édipo.

Enquanto ainda não sofreu o corte, sendo um núcleo faltoso pela própria natureza, ele, o amor, está mais próximo do desejo que do gozo. Sua mistura se entrelaça, porém, nos destinos da pulsão com o ordenamento de um superego que no amor se cala no beijo podendo gritar na solidão! O amor, nesse ponto, oferece a segurança para a perdição narcísica do sujeito. O amor é o ponto sublime que questiona o gozo.

AMORES DO EGO

Ego, instância psíquica trabalhada por Freud para designar aquilo que o sujeito sabe e é de si mesmo para ele mesmo em cunho consciente e inconsciente.

O ego não é senhor em sua própria casa, pois tem a árdua tarefa de servir, mediar e organizar as exigências dos seus três amores: do isso. do super eu e do mundo externo, sertão de grande Outro, restando a si mecanismos de defesas para suportar e seguir. O ego recai ao corpo e ao nome do sujeito. Em sua face real é o eterno enigma do “quem sou eu?’, mistério gozoso de cada um. Na vertente imaginária é um ideal de eu que se encontra e se perde em imagens advindas de um contato com o Outro. Em posição simbólica o ego é um eu ideal que encontra-se com as palavras. Em análise perpetua resistências no âmbito do recalque. do ganho secundário proveniente do adoecimento e da transferência. A clivagem do eu é um recurso possível em que falha a formação de compromisso. O ego padece de amores, seus tentáculos buscam existir nos olhares de seus senhores.

NEUROSE! NO TEU NOME HÁ AMOR

A neurose pode ser definida como a primavera dos nervos que entre ódio e amor aflora o infantil como organização singular do universo pulsional. É um efeito colateral partido pelo corte cirúrgico do recalque. O recalque é uma operação constante que mutila o império do prazer, dando-lhe um basta e apresentando o princípio de realidade, que origina um nascimento psíquico enquanto sujeito na cesárea simbólica. Neurose é um animado modo de dizer por linhas tortas que é impossível todo amor e que é insuficiente servir-se como senhor de amor aos impérios gozosos que lhe exigem mediações do desejo com o Outro em amostras nada grátis do desempenho social e sexual. As neuroses buscam um amor que seja guia e lhe dê segurança. O amor lhe dá, na ilusão que lhe é própria, certa certeza de que eu existo. Amo e sou amado, logo existo! No amor um lugar é encontrado, a neurose se aloja. A neurose ama, inclusive, seu sintoma, busca, ao passo que quer refazê-lo, salvar algo dele. O amor da neurose se entrelaça ao ódio, seu protótipo desdobrável. O amor permite certa autonomia à neurose, o sujeito se autonomeia.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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