A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EDUCAÇÃO POSITIVA

Se fosse implementada, a educação positiva traria profundas mudanças nos papéis tanto da escola quanto do professor

Símbolo de status, sacerdócio, missão. Muito já se falou sobre a profissão do professor que, ao longo dos últimos cinquenta anos, tem sofrido grandes transformações. Filha de professora, consegui testemunhar um pouco do prestígio que cercava a profissão quando eu, ainda criança, ouvia meu pai dizer como se sentiu importante ao namorar uma então “normalista”. Sim, esse era o nome que se dava às mocinhas que na época de mamãe faziam o curso Normal, que lhes conferia o cobiçado título de professoras. Papai também brincava que sua intenção teria sido a de “dar o golpe do baú”. Isso porque naquela época professores ganhavam bem. Além disso – e talvez justamente por isso -, eram também respeitados. Ou seria o contrário, em que a remuneração seria a consequência do respeito? Creio que ambos. O fato é que a própria educação foi se transformando. Seus meios, seus objetivos, sua importância. Quando aos 17 anos tornei-me, também eu, professora, cabia a esse profissional formar o caráter do aluno. Não em detrimento da família, é claro, mas como um importante agente formador. Sempre me espanto quando vejo a reação de meus alunos de MBA diante de uma cena de filme que utilizo como recurso didático para ilustrar um determinado tema. Nela um professor idealista se dirige ao pai de um aluno problemático e diz ser sua função “moldar o caráter do menino”. Na cena o pai fica revoltado, dizendo ser apenas dele (pai) essa função. Fico perplexa ao observar que nessa cena a grande maioria de meus alunos se identifica com o pai, achando que, de fato, a formação do caráter não seria papel da escola.

Quando vi essa cena pela primeira vez, imediatamente me identifiquei com o professor, na medida em que penso exatamente como ele. Mas não podemos ser ingênuos. Com o passar dos anos, no entanto, o papel do professor foi se tornando cada vez mais conteudista. Valores e caráter foram sendo esquecidos no caminho tortuoso do vestibular e de um processo educacional cada vez mais voltado para o ter. E cada vez mais distante do ser.

Passamos a educar nossas crianças para que entrem em boas faculdades pura e simplesmente porque, ao cursá-las, elas teriam mais chances de conseguir um bom emprego (leia-se um bom salário) num processo educacional completo e exclusivamente voltado para que se tenha mais, se compre mais e se distancie mais do que poderíamos chamar de nossa essência humana.

Hoje percebo, com tristeza, que o ofício de ensinar tem formado indivíduos desconhecidos de si mesmos. O que me leva a refletir sobre qual seria o papel do professor no que poderíamos chamar de Educação Positiva, ou seja, numa educação que se fundamentasse exclusivamente nos preceitos da Psicologia Positiva.

Em primeiro lugar, seria uma educação para a felicidade, na qual a educação das emoções seria tão importante quanto o estudo das letras. Contudo, a coisa não seria tão simples. Urna educação baseada na Psicologia Positiva deveria promover o florescimento humano, ou seja, o desenvolvimento da criança em todo o seu potencial. E é aí que a mágica aconteceria. A promoção de uma educação voltada ao florescimento exige autoconsciência. Uma autoconsciência que permitisse, antes de tudo, o conhecimento da criança em relação a tudo o que de melhor ela teria a oferecer ao mundo. Nesse cenário, o papel do professor, mero depositante numa educação bancária, se transformaria radicalmente, passando a ser o de um provocador que, por fazer as perguntas certas, por olhar para o fundo da alma de cada criança, seria capaz de reconduzi-la em direção à sua própria essência.

A Educação Positiva promoveria também as virtudes, ocupando-se da capital importância da formação do caráter. Nesse mundo talvez o professor recuperasse seu valor, seu status e talvez, até, quem sabe, seu verdadeiro propósito.

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clinico. consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapostiiva.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.