A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSIEDADE POTENCIALIZADA

Várias patologias relacionadas ao estresse, fobia e ansiedade tornam-se perigosamente comuns ao nosso cotidiano. O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) afeta pessoas de todas as idades e pode passar despercebido por décadas

Há uma crescente demanda de pacientes que sofrem de sintomas de estresse, ansiedade e fobias, que são diagnosticados com transtorno de ansiedade generalizada, uma patologia ainda recente e que começou a ser difundida há pouco tempo. Existe dificuldade em fazer o seu diagnóstico, até porque pode estar associado a outras síndromes como a do pânico e gerar interferência na qualidade de vida e no comportamento.

O fato é que a ansiedade e o medo são elementos emocionais muito atribuídos à vida moderna e são de grande valor adaptativo, mesmo sendo experimentados como desconfortáveis na maior parte das vezes. Estas são condições que podem ser interpretadas como benéficas e necessárias no dia a dia, pois existe uma relação direta entre seus níveis de manifestação e os resultados, desempenho e eficiência das atividades que executamos em nossas vidas normais. Porém, quando esses níveis ultrapassam um determinado limiar, ocorrem prejuízos no funcionamento social, o que caracteriza um transtorno.

A novidade nesse campo são os estudos sobre o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) em que sua principal característica é a preocupação excessiva. É normal nos sentirmos preocupados em determinados momentos, porém, nesses casos, a ansiedade funciona como um sinal que prepara a pessoa para enfrentar o desafio e, mesmo que ele não seja superado, favorece sua adaptação às novas condições devida.

MODELOS BIOLÓGICOS

Os principais modelos biológicos para o TAG são baseados na hipótese de que a ansiedade faz parte de um conjunto de comportamentos de defesa ligados à reação a ameaças externas e internas, mecanismos os quais estão presentes em outras espécies animais e preservados ao longo do processo evolutivo. Dessa forma, quando a ansiedade é intensa, persistente e desproporcional às possíveis causas aparentes, interferindo de maneira bem significativa no funcionamento do indivíduo, ela passa a ser considerada como uma patologia e deverá ser alvo de intervenção terapêutica.

A preocupação sentida pelas pessoas que sofrem de transtorno de ansiedade generalizada encontra-se claramente fora de proporção em relação à probabilidade real ou impacto do evento temido. Independentemente do foco da preocupação, esse sentimento temeroso muitas vezes é acompanhado por sintomas, tais como: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular, dores de cabeça, micção frequente, dificuldade em deglutir, sensação de “nó na garganta” e distúrbios do sono. Pessoas que apresentam diagnóstico de TAG procuram, como consequência, esquivar-se das situações.

TRATAMENTO

O tratamento do TAG inclui o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sempre com orientação médica, e a terapia comportamental cognitiva. O tratamento farmacológico geralmente precisa ser mantido por pelo menos 24 semanas após o desaparecimento dos sintomas e deve ser descontinuado em doses decrescentes, quando necessário. Costumam-se obter bons resultados com os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) – escitalopram, fluvoxamina, sertralina, paroxetina – e os inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina ou duais (IRSN) – venlafaxina, duloxetina – na abordagem da remissão dos sintomas do TAG. Benzodiazepínicos – bromazepam, alprazolam, lorazepam, clonazepam, diazepam – são frequentemente utilizados no tratamento dos transtornos ansiosos, e estudos demonstram melhora dos sintomas do TAG, principalmente em situações de desempenho, porém o risco de abuso e dependência, bem como os efeitos colaterais dos BZD, impede seu uso prolongado (fase de manutenção).

ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS

A síndrome do pânico pode ser uma das consequências do TAG, pois essa síndrome é um tipo de transtorno de ansiedade, na qual ocorrem episódios inesperados de desespero e medo intenso de que algo ruim possa vir a acontecer, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente. Ocorre uma desregulação química na transmissão de receptores químicos neuronais, havendo falha na interpretação das sensações do próprio corpo, quando são percebidos erroneamente como sinais de grande perigo.

Os ataques de pânico são períodos de medo, apreensão ou desconforto intensos que surgem inesperadamente, característicos da síndrome, e geralmente ocorrem de repente, sem aviso prévio, em qualquer período do dia ou em qualquer situação, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo compras no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo. Por apresentar muitos sintomas somáticos, a maioria dos pacientes que sofrem da síndrome do pânico acaba passando por atendimentos médicos de diversas especialidades antes de chegar ao psiquiatra.

O transtorno do pânico constitui problema de saúde pública. É incapacitante, levando ao comprometimento da capacidade laborativa e à redução da qualidade de vida. Pacientes portadores da síndrome, devido ao desespero extremo, correm grande risco de cometerem suicídio.

SÍNDROMES ASSOCIADAS

Com o TAG instaurado no paciente, muitos sintomas são apresentados e um deles pode estar relacionado à síndrome do pânico, mas para que ela seja caracterizada, é necessário que os ataques sejam frequentes ao indivíduo e não ocorram apenas de forma isolada. O pico das crises de pânico geralmente dura cerca de 10 a 20 minutos, mas pode variar, dependendo da pessoa e da intensidade do ataque. Além disso, alguns sintomas podem continuar por uma hora ou mais. Diversas vezes um ataque de pânico pode ser confundido com um ataque cardíaco pelas pessoas que apresentam tais sensações. Sensação de sufocamento e dificuldade de respirar que surgem sem motivo aparente também são características típicas da síndrome, assim como náuseas, parestesias (anestesia ou sensações de formigamento).

O tratamento da síndrome do pânico consiste em reduzir o número de crises, bem como sua intensidade. As duas principais formas de tratamento envolvem psicoterapia e medicamentos. Ambas têm se mostrado bastante eficientes, sendo que a combinação dos dois tipos de tratamento parece ser ainda mais eficaz do que um ou outro operando isoladamente. O tratamento à base de medicamentos inclui antidepressivos, como os inibido res seletivos da recaptação da serotonina, como a paroxetina, sertralina, fluvoxamina, escitalopram ou citalopram. Benzodiazepínicos também podem ser prescritos pelos médicos, por um período limitado, devido ao risco de desenvolver sintomas de dependência. Com essa classe medicamentosa, o efeito ansiolítico começa quase imediatamente após a ingestão oral. A terapia cognitivo-comportamental para o transtorno do pânico engloba componentes de psico-educação, reestruturação cognitiva e intervenções comportamentais.

COMPLEXO PROGNÓSTICO

É notória a dificuldade de distinção entre um possível cansaço e uma patologia instalada. Por conta da falta de informação e conhecimento por parte da população a respeito do TAG, a maioria dos pacientes chega ao tratamento sem conseguir identificar o momento em que os sintomas começaram e acredita conviver com eles durante toda a vida. A grande preocupação é que a ansiedade é comum para a maioria das pessoas que lida com estresses e fadiga todos os dias. O acúmulo de informações, tarefas e atividades é potencial causador de ansiedade, mas ela só é considerada como um distúrbio patológico quando tem extrema intensidade e duração, diminuindo a qualidade de vida e interferindo nas atividades diárias. A complexidade do prognóstico deve-se ao fato de que, geralmente, os sintomas só são percebidos quando já estão em estado patológico e trazendo sérios prejuízos sociais ao sujeito. A relação com outras patologias associadas também dificulta o diagnóstico claro. Este artigo teve como objetivo esclarecer alguns fatores e alertar para a necessidade de um olhar humanista para a qualidade de vida da sociedade moderna para que não sejamos representantes de uma população doente.

ATINGE A TODOS

Em relação à frequência do TAG na população, estudos apontam que parece não existir prevalência entre os gêneros, diferentemente de outros transtornos de ansiedade, como fobias específicas, mais frequentes em mulheres. Sobre as características, ambos os sexos se preocupam excessivamente com circunstâncias cotidianas e rotineiras, tais como responsabilidades no trabalho, finanças, saúde e segurança dos membros da família ou questões menores, como tarefas domésticas, consertos no automóvel ou atrasos a compromissos. Também podem apresentar medo acentuado e persistente de situações sociais nas quais possam ser expostos a possíveis avaliações por parte de outras pessoas. Essas situações incluem comer, falar ou escrever na frente dos outros e conversar com estranhos ou autoridades. Crianças com TAG tendem a exibir preocupação excessiva com sua competência, a qualidade de seu desempenho ou possibilidade de sofrerem bullying (podendo ser verbal ou físico) e julgamento de colegas de seu convívio diário.

COMO IDENTIFICAR?

A principal diferença entre uma simples ansiedade (normal) e uma ansiedade patológica encontra- se nos seguintes fatores:

  • Intensidade e duração das manifestações;
  • Grau de limitação provocado;
  • Proporcionalidade entre o evento desencadeante e a reação do indivíduo.

CARACTERÍSTICAS DO ATAQUE DE PÂNICO

  • Falta de ar e/ou sensação de asfixia e sufocamento;
  • Vertigem. sensação de desmaio ou instabilidade em manter-se numa mesma posição;
  • Palpitações/taquicardia;
  • Tremores musculares. suor excessivo. ondas de calor ou frio;
  • Medo de morrer;
  • Medo de enlouquecer e perder o controle;
  • Desrealização (sensação de que o ambiente familiar está estranho);
  • Despersonalização (sensação de estranheza quanto a si mesmo).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.