A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PERÍCIAS E FIRMAS FALSAS

O perito pode observar a assinatura a fim de surpreender anormalidades gráficas, as chamadas grafopatologias, mas esse não deve ser o único critério

Não é raro pessoas acharem que por meio da observação da assinatura é possível reconhecer traços da personalidade do assinante. Será verdade? Não e sim. Não porque a assinatura, isoladamente, costuma ter poucos elementos de análise, e a maioria das firmas normalmente é estabelecida na adolescência e pouco se modifica ao longo da vida, automatizando-se, ou seja, a pessoa assina automaticamente.

Por outro lado, o exame atento da assinatura e da escrita pode revelar aspectos interessantíssimos para o perito, normalmente quando se trata de perícias póstumas retrospectivas, por exemplo em casos de anulação de testamento, quando o testador falece e os herdeiros descontentes alegam, em juízo, insanidade mental do testador.

O perito deve, nessas horas – além de examinar vários elementos, como o conteúdo do testamento, as causas da morte do testador, possíveis tratamentos psiquiátricos pregressos (quais remédios foram ingeridos etc.) –, observar a assinatura aposta na ata das últimas vontades, a fim de surpreender anormalidades gráficas, as chamadas grafopatologias.

Lembremos que a escrita manual é a impressão de pequenos movimentos psicomotores do indivíduo no papel, o que vale dizer, são gestos gráficos, os quais podem ser devidamente analisados.

Entre os dados que se observam é preciso atentar para o traço, se é forte ou fraco, vigoroso ou trêmulo, hesitante ou resoluto, rápido ou lento, alinhado ou desalinhado, indeciso, oscilante, se apresenta retoques e, o que é muito importante, se é falso ou verdadeiro.

Nesse ponto, os falsários estão cada vez mais aprimorados. Hoje usa-se o computador para a falsificação de firmas, e os métodos são deveras variados. Porém, ainda se veem falsificações manuais, algumas bem-feitas. Existem vários tipos de ardil. Todos exigem uma matriz, ou seja, uma assinatura que tenha sido feita pela vítima. Uma forma simples de copiá-la é colocando essa matriz sobre o documento a ser produzido, inserindo, entre as duas peças, folha de papel carbono, calcando sobre a matriz uma ponta dura e deslizante, a fim de marcar o documento falso. Após, cobre-se o debuxo (papel marcado pelo carbono) com tinta e apagam-se as marcas do carbono com uma borracha macia. Outro método é usar a ponta dura e deslizante sobre a matriz, pressionando-a fortemente. Terminando esse ato, no papel suporte ficará o sulco da firma transferida, que será coberto por tinta.

Há ainda outro tipo, que consiste em colocar a matriz e o papel suporte sobre um vidro e, por baixo do conjunto, uma luz forte. Dessa forma a imagem da firma verdadeira será vista por transparência, permitindo a sua recobertura direta com caneta. E tem a dita imitação livre, ou exercitada, quando o falsário reproduz muitas vezes a firma da vítima, a fim de automatizá-la até ficar satisfeito com o resultado.

Porém, se o perito for experiente e tiver outras assinaturas verdadeiras para analisar e comparar, a farsa sempre vai aparecer. Hoje em dia, com os recursos digitais, em que se tem variadas ferramentas de análise caligráfica, é fácil descobrir a fraude.

GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.