EU ACHO …

A NÃO ACEITAÇÃO

Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.

Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que o rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.

Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento… Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

O ENIGMA DOS SUPER-RESISTENTES

Cientistas do Centro do Genoma Humano da USP analisam os genes de cem casais. Querem descobrir porque há indivíduos imunes à Covid-19

Pesquisadores em todo o mundo tentam compreender porque algumas pessoas são simplesmente imunes ao coronavírus ou têm um descomunal poder de defesa. Elas estão entre nós e decifrar esse enigma pode ser o caminho mais curto para encontrar a cura da Covid-19 ou torná-la inócua. Sabe-se já que um número expressivo de indivíduos passa ao largo da doença, embora sofra constantes bombardeios infecciosos no convívio diário com contaminados. Na semana passada, foi revelado o caso do escritor afro-americano John Hollis, de 54 anos. Hollis foi altamente exposto, mas tem anticorpos poderosos, capazes de aniquilar o coronavírus e impedir que chegue perto de suas células. Segundo o estudo de caso, desenvolvido na Universidade George Mason, nos EUA, se diluíssem os anticorpos de Hollis em uma parte para mil, eles ainda matariam 99% dos vírus. Seus recursos imunológicos podem, num futuro não muito distante, ser reproduzidos em laboratório e usados na produção de soro ou de uma nova geração de vacinas — além de permitir um melhor entendimento dos mecanismos da doença.

No Brasil, os esforços para confirmar o fenômeno da super- resistência passam pela genética e visam a descobrir sua incidência na população. O Centro do Genoma Humano, do Instituto de Biociências da USP, desenvolve, desde junho, uma pesquisa com cem casais, nos quais um dos cônjuges pegou a doença, desenvolvendo sintomas, e o outro não teve nada — ou testou PCR positivo, mas não houve manifestações ou até negativando. Foi feito o sequenciamento genético das 200 pessoas do grupo, tanto dos vulneráveis quanto dos resistentes, e a interpretação dos dados está em andamento. Um dos objetivos é entender o que os genes de defesa fazem para impedir a ação do vírus ou, pelo menos, torná-la imperceptível. Também se pretende mostrar se há algum componente étnico na imunidade. “A primeira coisa importante que a gente não sabe é a frequência dessas pessoas super resistentes na população”, diz a bióloga e geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro do Genoma Humano. “Pode ser que um único gene defina a resistência ou pode ser um conjunto, no que se chama herança complexa.”

GENES DE PROTEÇÃO

Na mesma frente de pesquisa, que conta com o suporte da Fapesp e recebe verbas da JBS, o Centro do Genoma Humano estuda um grupo de 13 pessoas centenárias que não desenvolveram a doença ou tiveram sintomas muito leves. A mais velha é uma mulher de 114 anos. “Queremos saber o que torna esses centenários resistentes”, diz Mayana. “E identificar quais os genes de risco e os de proteção.” Nessa faixa etária, o índice de letalidade da Covid-19 está entre 15% e 20%, o que significa que um a cada cinco infectados morre. Além da idade, outra razão da alta letalidade é a existência de doenças pré-existentes, como hipertensão e diabetes. O estudo vai analisar a produção de anticorpos e descobrir se algum dos indivíduos testados têm uma genética especial de proteção. No laboratório, as células adultas desses pacientes, assim como do grupo de casais, serão reprogramadas para voltar ao estágio de células-tronco pluripotentes, capazes de se diferenciar em diferentes linhagens de células. Essas linhagens são expostas ao coronavírus e os cientistas verificam se estão sendo infectadas ou não.

Indivíduos super resistentes a qualquer doença sempre despertam grande interesse científico pelas perspectivas que oferecem. No caso do HIV, os cientistas descobriram que os portadores de uma mutação genética rara, a delta-32, relacionada à produção de uma proteína específica no gene CCR5, torna o indivíduo naturalmente resistente ao vírus. A descoberta foi fundamental para o sucesso de terapias posteriores que curaram pelo menos três pessoas da doença. Ficaram conhecidos os casos do americano Timothy Brown e do venezuelano Adam Castillejo. Eles foram submetidos a transplantes de medulas óssea doadas por portadores da mutação delta-32 e se livraram do vírus. Esse caso demonstra que o segredo da imunidade pode estar num gene raro ou numa mutação, mas existe a possibilidade da causa da super resistência estar associada a um gene mais comum. Seja qual for a solução, a genética abre mais uma porta de esperança para que o coronavírus seja controlado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 06 DE ABRIL

RICOS POBRES E POBRES RICOS

Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos (Provérbios 13.7).

John Rockefeller, o primeiro bilionário do mundo, disse que o homem mais pobre que ele conhecia era aquele que só possuía dinheiro. Na verdade, o problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. Não é carregar dinheiro no bolso, mas no coração. O dinheiro em si mesmo é bom, pois nos permite desfrutar de coisas boas e promover o bem. O problema é amar o dinheiro. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Indivíduos se casam e se divorciam por causa de dinheiro. Pessoas corrompem e são corrompidas por causa do dinheiro. Há quem mate e morra pelo dinheiro. Mas o dinheiro não oferece felicidade nem segurança. Logo, há ricos que são pobres. No entanto, há pobres que são ricos, pois aprenderam a viver contentes em toda e qualquer situação. O contentamento é uma atitude de plena satisfação em Deus. A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui. Podemos ser pobres e ao mesmo tempo ricos. Podemos dizer como o apóstolo Paulo: entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo (2Coríntios 6.10).

GESTÃO E CARREIRA

DOIS EM UM

Cada vez mais as redes de franquias têm permitido que franqueados operem lojas virtuais exclusivas da unidade. Especialistas defendem que isso é perfeitamente possível, desde que padrões e critérios sejam seguidos também no mundo virtual

Tudo está dentro dos “conformes”: ponto de venda escolhido após pesquisas de campo; padrão da unidade seguindo todos os manuais da rede; equipe de colaboradores treinada para atender os clientes; metas lançadas para buscar o crescimento da empresa… Características comuns da maioria das franquias que operam lojas físicas.

Até aí todo mundo sabe como funciona. E agora como operar uma loja virtual dentro de uma rede de franquias? As dúvidas sempre surgem, visto que é preciso compreender como controlar a área de cada franqueado.

Para o sócio-diretor do Grupo Soares Pereira & Papera, Umberto Papera Filho, migrar para o ambiente virtual não prejudica a operação física, pelo contrário. “O varejista não está deixando de ter foco na operação física, mas passa a usar o virtual como promovedor, ou seja, uma ferramenta para promover a imagem e a marca dele como um todo, o que pode levar os clientes a experiências nas lojas físicas”, pontua o especialista.

Por mais que as redes com modelo de loja física priorizem o atendimento “corpo a corpo”, está se tornando rotineiro que as grandes marcas disponibilizem o universo on-line para os franqueados, desde que isso seja feito com muito critério e cuidado para não se tornar algo desorganizado.

Além da loja virtual, existem outras possibilidades: ”Algumas redes estão abrindo redes sociais por loja, sempre com a aprovação da franqueadora. Agora temos lojas abrindo o WhatsApp para vendas diretas, mas com o conteúdo fornecido pela matriz”, complementa Papera Filho.

EM PERFEITA HARMONIA

Na SuperSeg Brasil, franquia especializada em segurança eletrônica, lojas físicas e virtuais operam em perfeita harmonia. Cada unidade da rede possui um e-commerce próprio, com plataforma simples de operar e que possa ser administrada pelo franqueado. Ele consegue controlar o estoque disponível, cadastrar produtos e administrar os pedidos.

De acordo com o sócio- fundador da SuperSeg Brasil, Evandro Machado, a maior estratégia com esse recurso é uma otimização de buscas locais. “Com essa ferramenta conseguimos bons resultados nos sites de busca, como o Google, por exemplo. Com esse resultado nas pesquisas, o perfil de consumo de nossos clientes é pesquisar, encontrar nosso e-commerce, descobrir que temos uma loja em sua região e, como comportamento mais comum, fazer contato ou ir até a loja, além, claro, da possibilidade de comprar por meio da própria loja virtual”, detalha o executivo.

Atualmente, a marca conta com 32 franqueados, com plano de expansão de novas 14 unidades em 2021, tendo como objetivo 150 lojas nos próximos cinco anos. Todas são físicas, mas contam com o complemento do e-commerce. “Assim, tomamos a experiência de compra do consumidor muito mais simples e interessante, dando a opção de compra para receber em seu endereço, compra no balcão da loja, solicitação de visita para comprar instalado direto em seu imóvel e muitas outras possibilidades”, analisa Machado.

O executivo avalia que, dessa forma, a integração entre físico e on-line beneficia, principalmente, o cliente da rede, que tem opção de uma experiência mais ampla. Por outro lado, o franqueado incrementa o faturamento. “O e-commerce de cada franquia é otimizado para sua região específica. Com isso, conseguimos aprimorar o direcionamento da procura e dos acessos, centralizando a grande demanda já para a região do franqueado”, explica o fundador da SuperSeg Brasil.

ANÁLISE DOS GANHOS

Hoje se observa uma grande mudança no perfil de consumo de compras que se iniciam on-line. O cliente já não quer mais esperar longos prazos. Diante disso, os e-commerces vêm observando maior procura pelos fretes full, com entregas no dia seguinte, bem como integração entre e-commerce e loja física para retiradas no local. Por esses e por outros motivos que Machado entende que o modelo on-line é o divisor de águas entre as empresas que têm resultado e as demais. “O modelo híbrido adotado pela rede traz o benefício de branding local para a marca, proximidade com o cliente e maior volume de negócios, graças à possibilidade de falar com esse consumidor”, afirma.

UMA DELÍCIA DE NEGÓCIO

Na rede Casa Bauducco, além das unidades físicas que vendem deliciosos panetones o ano inteiro (deu até vontade de comer uma fatia, não?), os clientes podem usar o mundo virtual para decidir a compra.

A rede desenvolveu um app web cujo funcionamento é automático. Quando o cliente entra e coloca a geolocalização, é direcionado para a loja mais próxima dele. Se existir mais de uma loja por perto, são apresentadas as opções e ele escolhe em qual vai fazer o pedido ou a compra. “Ao navegar pelo aplicativo, ele é direcionado para uma loja específica. Esse franqueado recebe um aviso na tela e o pedido então é feito pelo app, no qual é realizado o pagamento via cartão, tudo como um aplicativo de vendas digitais. A finalização desse processo já é com aquele franqueado específico da loja escolhida pela geolocalização”, explica o diretor da Casa Bauducco, Paulo Cardamone.

O franqueado faz contato com esse cliente e combina a entrega, além de organizar a logística em torno disso. Essa é uma maneira de fazer uma venda 100% digital, mas atrelada ao franqueado e a sua própria loja. Ou seja, o franqueado tem a loja física e o canal virtual.

A rede tem, atualmente, 85 lojas. O executivo da marca diz que, mesmo durante a pandemia, tem notado procura bastante interessante de pessoas que querem abrir uma Casa Bauducco. “Existem muitos franqueados, da própria rede ou novos (e não estavam necessariamente no setor de cafeteria), que perceberam como uma marca forte e uma empresa como a Bauducco – com respaldo financeiro, estrutura e apoio ao franqueado – fez diferença no período de pandemia e faz todo o possível para continuar a operar dentro do setor de varejo”, comenta Cardamone.

Ele acredita que o modelo de negócio se torna atrativo por vários fatores, entre eles, duas datas sazonais fortes, uma linha de empório para levar para casa e eventualmente pedir via digital para receber em casa (modalidade que foi extremamente importante durante a quarentena mais aguda). ”A projeção do Natal, por exemplo, é crescer 15% acima do ano anterior. Isso nos coloca em uma situação bastante interessante. A gente fala que quer vender 15%. da campanha em digital, então esses 15% são totalmente adicionais ao que vendemos nas lojas físicas”, revela.

FIM DE PAPO…

O ambiente virtual oferece a possibilidade de acelerar o negócio, pois permite que o produto chegue mais rápido e em número maior de pessoas. Muitas vezes, são consumidores que não conheciam a marca e que depois buscam a experiência no ponto de venda. “O maior erro é tentar migrar sem a ajuda de uma empresa profissional, ou do setor, para fazer um trabalho mais estruturado e focado em resultado. As marcas acabam se perdendo, gastando muito capital e tempo sem obter êxito por ainda não conhecerem bem esse ambiente”, finaliza Umberto Papera Filho, do GSPP.

9 DIFERENÇAS ENTRE LOJA FÍSICA E LOJA VIRTUAL

RAIO X DA FRANQUIA

CASA BAUDUCCO

• Investimento inicial: a partir de R$500 mil

• Taxa de franquia: R$60 mil

• Capital de giro: não informado pela rede

Royalties: 6%

• Faturamento médio mensal: não informado pela rede

• Lucro médio mensal: não informado pela rede

• Retorno de investimento: 36 meses

SUPERSEG BRASIL

• Investimento inicial: de R$70 mil a R$80 mil

• Taxa de franquia: R$35 mil

• Capital de giro: R$22 mil

Royalties: 3 salários mínimos

• Faturamento médio mensal: R$45 mil

• Lucro médio mensal: de 20% a 25%

• Retorno de investimento: de 14 a 18 meses

DADOS QUE FARÃO DIFERENÇA NO SEU MODELO DE NEGÓCIO

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PREFIRO NÃO FAZER

Uma frase que afirma e nega ao mesmo tempo é o mote do livro Bartleby, o Escriturário: uma História de Wall Street, que traz elementos de antinomias que compõem a nossa psique

A existência pode ser um “prefiro não existir”, quando estamos limitados por um “muro” que nos separa de uma vida criativa, para nos transformar em um instrumento mecânico e assim atender as ambições de outros homens.

Bartleby, o Escriturário: uma História de Wall Street, publicado em 1853, é uma novela do escritor americano Herman Melville, que ficou conhecido pela sua obra Moby Dick. A história é narrada por um advogado, que relata as suas memórias sobre o estranho caso de um dos seus funcionários, chamado Bartleby, uma pessoa do tipo que parece oferecer sua vida em sacrifício para levar o outro a compreender sua própria humanidade. Em seu escritório, localizado na Wall Street, o advogado mantinha dois funcionários encarregados de copiar documentos, além de um office boy de 12 anos. Enquanto um dos seus funcionários era produtivo pela manhã e à tarde se tornava histriônico, com resultados pífios em suas atividades, o outro só conseguia produzir à tarde e também reagia de forma neurótica. Com o aumento da produtividade, o patrão contrata um novo funcionário, o Bartleby, para ser o terceiro copista.

Bartleby deixa seu chefe contente, uma vez que é o primeiro a chegar e o último a sair. Cumpre, de forma metódica e eficiente, o seu trabalho monótono de copiador. Instalado próximo ao patrão, para servi-lo em situações emergenciais, tinha, à sua frente, uma janela que lhe permitia enxergar apenas um muro.

Um dia, Bartleby nega-se a fazer qualquer outra atividade diferente de apenas copiar. E, tempos depois, nem essa tarefa ele quer fazer, mas não abandona o escritório. Sempre questionado pelo patrão sobre a razão desse seu comportamento, apenas repete a frase: “Prefiro não fazer”. A falta de um motivo que atenda a alguma lógica deixa o narrador encabulado, tentando entender o que está oculto. Esse oculto, por sua vez, é a alma de outro ser algo que só se revela por meio da linguagem enigmática das metáforas, ou por meio daquilo que nos afeta. Sobre esse rapaz, o que obteve como informação foi que antes ele trabalhava nos correios, in- cinerando as cartas que não chegavam ao seu destino.

O psiquiatra C. G. Jung, um cientista empírico, aprendeu e nos ensinou sobre a natureza humana observando as manifestações da loucura. Foi assim que ele descreveu de que é feita a matéria dos nossos sonhos. Reduzir a rica história de Bartleby a um diagnóstico psiquiátrico empobreceria a compreensão desse retrato de nós mesmos, pois essa história é uma metáfora sobre a vida.

“Prefiro não fazer”: uma frase que afirma e nega ao mesmo tempo. Ela contém a antinomia que compõe a nossa psique. Essa dimensão em que toda unidade é separada pela consciência, em opostos irreconciliáveis. O muro é um não. Um não à formação tribal dos humanos, que ainda imaginam muros para separar países, ideologias, orientação sexual e outras diferenças dentro de uma só raça. Um muro que separa um homem extraviado da vida, de outro, criativo, capaz de encantar-se com a existência e transcender qualquer limite. “Prefiro não fazer”. Afinal, o que é a vontade livre? Uma personalidade, em seus diversos aspectos, não age sem a intervenção do que lhe é inconsciente. Experiências esquecidas, mas guardadas pelos afetos, funcionam como um cimento, que vai unindo os elementos que se associam por suas similaridades e contiguidades, como um verdadeiro complexo de registro de nossas experiências e suas emoções. Podemos dizer que a vontade humana pode interferir, até certo ponto, no comportamento final das pessoas, mas Jung põe em dúvida a existência dessa vontade livre que pensamos ter.

Bartleby, antes de ser copista, incinerava as cartas que não chegavam ao seu destino. Assim como essas correspondências, também podemos não chegar ao destino que nascemos para cumprir. Nem sempre compreendemos o muro que separa as expressões subjetivas da alma das que são tidas como objetivas pelo nosso eu. Daí a dificuldade em conhecer a si mesmo, testar a realidade e censurar a consciência.

No princípio da humanidade, nenhum muro separava o público do privado. Os deuses estavam por toda parte e tudo o que permanecia em mim se animava lá fora. Com a evolução, o Eu precisou desse muro, que separa o que escondemos do outro, o privado, e criamos uma outra personalidade para ser mostrada do outro lado do muro, o que pode ser público. No lado público, inventamos uma máscara para ocultar, muitas vezes, o que não compreendemos em nós mesmos, como um modo de ser que precisa do nosso respeito, pois talvez seja o que há de melhor em nossa alma. É uma máscara que, como um muro, separa a imagem que temos de nós mesmos daquela que usamos para impressionar até quem não conhecemos. Queremos ser aceitos, alimentamo-nos de likes e não percebemos quando estamos perdendo a noção de nossa singularidade e respeito pelo que verdadeiramente somos.

O “Bartleby” que carregamos pode nos levar a uma vida de insatisfação, pela repetição incessante em transferir mensagens falsas e verdadeiras, sem saber distinguir uma da outra, tornar a realidade subjetiva em realidade objetiva. Nada vai adiantar se apenas o corpo e as aparências são levados em conta. Precisamos olhar mais para nossas imagens internas, em lugar daquelas que olhamos e transferimos aos outros por meio dos nossos celulares. Estes, sim, um muro que, como Bartleby, habituamo-nos a olhar sem perceber que estamos envelhecendo, deixando de enxergar o sorriso dos nossos entes queridos, antes que se tornem fotos de recordação nesses mesmos instrumentos de separação.

CARLOS SÃO PAULO – é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia. carlos@ijba.com.br / www.ijba.com.br

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