EU ACHO …

CHARLATÕES

Um amigo meu diz que em todos nós existe o charlatão. Concordei. Sinto em mim a charlatã me espreitando. Só não vence, primeiro porque não é realmente verdade, segundo porque minha honestidade básica até me enjoa. Há outra coisa que me espreita e que me faz sorrir: o mau gosto. Ah, a vontade que tenho de ceder ao mau gosto. Em quê? Ora, o campo é ilimitado, simplesmente ilimitado. Vai desde o instante em que se pode dizer a palavra errada exatamente quando ela cairia pior – até o instante em que se diriam palavras de grande beleza e verdade quando o interlocutor está desprevenido e levaria um susto de constrangimento, e haveria o silêncio depois. Em que mais? Em se vestir, por exemplo. Não necessariamente o óbvio do equivalente a plumas. Não sei descrever, mas saberia usar um mau gosto perfeito. E em escrever? A tentação é grande, pois a linha divisória é quase invisível entre o mau gosto e a verdade. E mesmo porque, pior que o mau gosto em matéria de escrever, é um certo tipo horrível de bom gosto. Às vezes, de puro prazer, de pura pesquisa simples, ando sobre linha bamba.

Como é que eu seria charlatã? Eu fui, e com toda a sinceridade, pensando que acertava. Sou, por exemplo, formada em direito, e com isso enganei a mim e aos outros. Não, mais a mim que a todos. No entanto, como eu era sincera: fui estudar direito porque desejava reformar as penitenciárias no Brasil.

O charlatão é um contrabandista de si mesmo. Que é mesmo o que estou dizendo? Era uma coisa, mas já me escapou. O charlatão se prejudica? Não sei, mas sei que às vezes a charlatanice dói e muito. Imiscui-se nos momentos mais graves. Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força. Não posso infelizmente me alongar mais nesse assunto.

Disseram-me que um crítico teria escrito que Guimarães Rosa e eu éramos dois embustes, o que vale dizer charlatões. Esse crítico não vai entender nada do que estou dizendo aqui. É outra coisa. Estou falando de algo muito profundo, embora não pareça, embora eu mesma esteja um pouco tristemente brincando com o assunto.

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

A EXPANSÃO DO SABER

A mais do que centenária Academia Brasileira de Letras faz um movimento louvável ao divulgar semanalmente vocábulos que brotam das ruas (e dos celulares)

Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989), o lexicógrafo cujo nome virou sinônimo de dicionário no Brasil, tinha uma bela definição de seu ofício: “um caçador de borboletas a correr com uma rede em busca das palavras que voavam”. Pouco lhe importava pegar borboletas multicoloridas, como se tivessem sido desenhadas a mão, referenda das por especialistas, ou disformes, irregulares, nascidas da boca do povo. Palavras são palavras, tenham o carimbo da academia ou o apreço do público. É sempre inglória a briga para afastar dos dicionários, dos registros oficiais, as expressões populares, as invencionices, os anglicismos, como se fossem areia movediça afeita a fazer ruir o edifício oficial. O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) deu o exato tom da prosa, em um verso que Aurélio usou como epígrafe no Aurélio: “Lutar com as palavras / é a luta mais vã/. Entanto lutamos / mal rompe a manhã.”

Numa demonstração evidente de que a luta continua, a venerada e por vezes engessada Academia Brasileira de Letras (ABL) acaba de lançar um projeto virtual para compartilhar novas palavras garimpadas semanalmente por especialistas da casa. Esses tempos farão parte da sexta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), a ser lançado no segundo semestre de 2021.

A publicação funciona como um catálogo de vocábulos e de sua respectiva ortografia. Na atualização, haverá a inclusão de pelo menos 1.000 novos verbetes em comparação ao volume lançado em 2009, que tem 381.000 termos (veja o quadro abaixo). “É um trabalho de formiguinha que não acaba nunca, o de encontrar novas palavras”, diz o acadêmico e professor Evanildo Bechara, responsável pela coordenação do projeto de desbravar novas expressões para o Volp.

O Volp é uma das bases dos dicionários, que dele bebem, para então ir longe, bem longe – e é extraordinário que os “imortais” abracem a voz das ruas. Os dicionários se ancoram na catalogação da ABL, o da grafia exata, e fazem desse apoio uma mola de propulsão. E, para além do modo correto de escrever, estabelecem os significados, os sinônimos, a etimologia e ouso em frases cotidianas, além, é claro, da descoberta de novas expressões. O Grande Dicionário Houaiss, que completa vinte anos em 2021, tem em sua versão digital (o volume em papel não é mais lançado) mais de 236.000 palavras. “Antes, algumas expressões ficavam anos na geladeira, até ser escolhidas”, diz o filólogo Mauro Villar, coautor do livrão desde a primeira edição e sobrinho de Antônio Houaiss (1915-1999). Hoje, não há limites e alguns brotam da noite para o dia. Exemplo: lockdown, em inglês mesmo.

O processo de enriquecimento vocabular tem uma mãozinha de programas de computador que detectam a frequência em que novas palavras foram usadas em publicações disponíveis on-line e cruzam informações com bancos de dados de outros dicionários já existentes. Ressalte-se, porém, que apesar da aceleração imposta pela tecnologia, a fila de espera para entrar nos dicionários ainda existe. O Oxford English Dictionary, com 600.00 palavras catalogadas, utiliza uma sofisticada rede – que inclui grupos de leitores e colaboração de voluntários – para avaliar as novidades do idioma inglês. Muitas vezes há demora para que o simples calão dê as mãos para a norma culta.

É uma bela aventura. Desde a antiga Mesopotâmia, em 2600 a.C., a civilização achou preciso catalogar vocábulos, registrados, naquele tempo, em uma pequena lasca de pedra. A primeira publicação em português de um dicionário é do século XVIII e comprova a boa ginástica que a língua faz com o passar dos anos – e a grandiosidade histórica do conhecimento registrado. Naquela publicação, o substantivo açúcar é também escrito como “assucar”.”Muitas das palavras disponíveis num dicionário antigo já não são mais usadas, e, no entanto, foram perpetuadas por esse registro na história da língua portuguesa”, diz Sérgio Rodrigues, autor do livro Viva a Língua Brasileira.

Acompanhar a movimentação de um idioma, e entendê-lo como um ser vivo, em eterna mutação, portanto, talvez seja o modo mais fascinante de acompanhar a crônica das sociedades. Em 1906, o filólogo francês Antoine Meillet (1866-1936), o mais celebrado de sua geração, escreveu um pequeno ensaio que serviria de guia incontornável para os amantes da relação entre o que se vive e o que se fala. “Salvo algum acidente histórico, os limites das diversas línguas tendem a coincidir com os limites dos agrupamentos sociais a que chamamos nações”, afirmou Meillet.”A ausência da unidade da língua é o sinal de um Estado recente, como na Bélgica, ou artificialmente construído, como na Áustria. A linguagem é, portanto, eminentemente um fato social”.

NA PONTA DA LINGUA

Uma pequena seleção de novos vocábulos listados pela Academia Brasileira de Letras

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 05 DE ABRIL

VALE A PENA SER ÍNTEGRO

A justiça guarda ao que anda em integridade, mas a malícia subverte ao pecador (Provérbios 13.6).

O maior seguro que podemos fazer contra as tragédias da vida é viver de forma íntegra. A honestidade nos protege mais do que carros blindados e coletes à prova de bala. A justiça guarda quem é correto em seu caminho. A retidão protege o homem íntegro. Mesmo que os íntegros sejam injustiçados nos tribunais e lançados nas prisões, eles têm a proteção da consciência e a proteção divina. É melhor sofrer como justo do que ser promovido como culpado. José do Egito preferiu ir para a cadeia como inocente a viver em liberdade, mas prisioneiro do pecado. João Batista preferiu a prisão e a morte a ser conivente com o pecado do rei Herodes. Daniel preferiu ir para a cova dos leões a pecar contra o seu Deus. Mesmo que Deus não nos livre da morte por causa de nossa integridade, ele nos livrará na morte. É melhor morrer como justo do que viver como ímpio. Quando o justo morre, entra imediatamente no gozo eterno; mas a perversidade transtorna o pecador, e sua condenação é eterna. A integridade em si mesma já é uma grande recompensa. Os íntegros têm paz de consciência aqui e bem-aventurança por toda a eternidade.

GESTÃO E CARREIRA

SALVE-SE QUEM PUDER

A perda de receitas e o aperto orçamentário imposto pela Covid-19 têm estimulado empresas a procurar serviços especializados em recuperação de créditos previdenciários

Na teoria, toda empresa que possui folha salarial e não está enquadrada no Simples Nacional é candidata em potencial a solicitar a recuperação de créditos por meio da compensação de pagamento futuro de tributos relacionados à previdência.

As empresas com alto índice de turnover, especialmente, tendem a ter mais verbas passíveis de recuperação, como avalia o diretor do Grupo Atai – especializado em soluções contábeis completas e inovadoras-, Edmilson Ataíde. “Muitas vezes, estes créditos são valores pagos indevidamente para compensação de contribuições à previdência. Essa não é uma prática pioneira, mas pode receber maior atenção das empresas neste momento, em que o reforço de caixa é a palavra de ordem”, explica.

O diretor avalia também que empresas com postos de trabalho ocupados majoritariamente por mulheres podem ter potencial de recuperação dessas verbas, em função do salário-maternidade pago às colaboradoras. “O ideal é identificar créditos que possibilitam a recuperação na esfera administrativa. Uma vez apurado e validado o crédito, podemos lançar mão da compensação imediata ou solicitar a restituição e aguardar”, diz Ataíde.

Na luta pela sobrevivência dos negócios, os empresários precisam ganhar fôlego – e essas revisões trazem um fluxo positivo de caixa neste cenário crítico -, conforme alerta a sócia da BMS Projetos & Consultoria e especialista na Área Previdenciária, Compliance de folha de pagamento e e-Social, Luciana Vasconcellos. Segundo ela, a BMS atendeu mais de 500 empresas em 2019 e conseguiu recuperar R$1,1 bilhão de créditos previdenciários.

Para este ano, a BMS prevê crescimento de 110% na demanda pelos serviços de recuperação de créditos previdenciários. “As empresas têm essa ferramenta em mãos, que pode gerar ótimos resultados. Elas estão fazendo o possível para ajustar o seu fluxo de caixa a essa inesperada realidade”, acrescenta Luciana.

MUDANÇAS

Além do cenário de incertezas, há um clima de apreensão causado pelas Portarias 139 e 150/2020, do Ministério da Economia, que adiaram o prazo para recolhimento das obrigações tributárias de 20% sobre a folha de salários e de outras incidências. As contribuições previdenciárias relativas às competências de março, abril e junho tiveram o prazo de pagamento postergado para julho, setembro e outubro, respectivamente. Como se não bastasse, há o pagamento da parcela do 13° salário em novembro.

Segundo Luciana, o ideal é que as empresas auditem seus recolhimentos com frequência. “Desde o levantamento até o efetivo aproveitamento do crédito no âmbito administrativo, o prazo de trabalho gira em torno de 30 dias. Como ainda não sabemos os desdobramentos da crise econômica, quem começar a avaliar esse fluxo mais cedo certamente sairá ganhando”, conclui.

Primeiramente é preciso realizar um levantamento de tudo aquilo que foi recolhido pela empresa nos últimos cinco anos, prazo limite da prescrição. “Nesse levantamento são analisados os registros das folhas de pagamento e o cadastro de funcionários (ativos, afastados e desligados) dos últimos 60 meses”, explica a gestora contábil da Contábil Bandeirantes, bacharela em Ciências Econômicas pela Fundação Santo André e bacharela em Ciências Contábeis pela USCS com MBA em gestão de pessoas pela Fundação Getúlio Vargas, autora do livro Processos de administração de pessoal SENAC, Juliana Gomes.

PASSO A PASSO PARA SOLICITAR

O processo administrativo da empresa deve relacionar de forma minuciosa as verbas trabalhistas, seus respectivos valores e quais anos serão compensados, realizando a compensação diretamente na GFIP mensal ou através de PER/ DCOMP, procedimento simples realizado por qualquer assessoria contábil.

O objetivo desse processo de recuperação é ajudar no aumento do fluxo de caixa do negócio, o que beneficia a empresa pequena, que na maioria das vezes não tem fluxo de caixa nem auxílio contábil.

Segundo Juliana Gomes, o auxílio contábil e o jurídico devem andar juntos nesse processo para garantir que o procedimento seja feito dentro das determinações legais e para que ao mesmo tempo esse “retorno financeiro” seja orientado por meio da gestão contábil e direcionado para a decisão mais assertiva, pensando não só no pequeno, mas principalmente no médio e longo prazo. Dessa forma você garante o direito, mas não cria outro problema para resolver futuramente.

LINHAS DE ATUAÇÃO

O diretor do Grupo Atai explica que são três as principais linhas de atuação para recuperação de créditos sobre verbas previdenciárias, de forma administrativa, com recuperação imediata:

CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS: a contribuição deve incidir sobre a renda do trabalhador, sendo afastada de verbas de caráter indenizatório. “Neste contexto, estamos avaliando as contribuições previdenciárias pagas sobre verbas indenizatórias cuja incidência não se encontra pacificada, como férias e aviso prévio, que são indenizados em rescisões de forma administrativa. Já outras têm ganhado força nos tribunais, como adicionais e salário-maternidade, por exemplo”, afuma.

LIMITE DE 20 SALÁRIOS PARA AS CONTRIBUIÇÕES CONHECIDAS COMO “TERCEIROS”: o diretor também explica que está sendo pacificado o entendimento de que as contribuições cobradas na folha salarial e repassadas para o conhecido Sistema S (Senai, Sesc, Sebrae, Sest etc.) têm teto de incidência de até 20 salários mínimos. “O que se tributou a maior pode ser objeto de contestação”, analisa Ataíde.

RAT / FAT: é possível buscar a avaliação e o reenquadramento para o RAT (Risco de Acidente de Trabalho) e o FAP (Fator Acidentário de Prevenção). Em muitos casos, está sendo demonstrado que as empresas estavam utilizando taxas acima do devido. “De maneira geral, as alíquotas são mais elevadas para atividades com alto risco e podem ter o percentual da atividade majorado ou reduzido, dependendo de a empresa se situar acima ou abaixo da média do setor. Um exemplo: uma indústria de material inflamável provavelmente contribui pela alíquota máxima. Porém, se tiver um escritório administrativo em outro local, deve reenquadrar seu RAT para essa unidade. É muito comum os percentuais serem unificados e a recuperação neste caso é imediata e feita administrativamente”, explica Edmilson Ataíde.

Além dessas opções requeridas de forma administrativa, há outras possibilidades envolvendo a esfera judicial, como verbas de insalubridade e periculosidade, por exemplo. “Nesta questão, que envolve a atuação par­ ceira de advogados, alguns temas já têm jurisprudência formada, o que facilita o julgamento”, conclui.

O QUE PODE SER RESTITUÍDO

•   Salário-maternidade e paternidade

•   1/3 das férias utilizadas

•   1/12 de 13Q salário indenizado sobre o aviso prévio

•   15 dias que antecedem o auxílio doença

•   Aviso prévio, quando indenizado

•   Salário-família

•   Auxílio-alimentação

•   Auxílio-creche

QUEM PODE SOLICITAR

•   Qualquer empresa tributada pelos regimes de lucro real ou presumido, exceto as empresas optantes pelo Simples Nacional e MEI podem ter direito à recuperação dos créditos previdenciários.

COMO SOLICITAR

•   Por meio de medidas judiciais ou administrativas. O processo depende de quais verbas serão recuperadas.

•   No caso de verbas solicitadas de forma administrativa cabem aqui as de caráter indenizatório.

•   Já no caso de solicitações através de medidas judiciais temos as verbas que estão sub judice.

•   Para solicitar você deve por meio de sua assessoria jurídica identificar as verbas passíveis de compensação administrativa ou judicial respeitando a regra da prescrição quinquenal.

DICAS E CUIDADOS

•   A Recuperação de Créditos Previdenciários, através da compensação administrativa, constitui uma alternativa segura e rápida de gerar receita, evitando a morosidade do Judiciário.

•   No entanto, é importante ter cautela ao contratar os serviços de uma consultoria. Deve-se atentar à expertise necessária para executar o trabalho de forma assertiva, observando os cuidados que o procedimento exige.

•    Uma consultoria eficiente deverá conciliar a aplicação das diversas leis vigentes, além das consultas relacionadas à Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal (COSIT) e às Instruções Normativas e Dispensas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

•   Também são necessários o correto procedimento de cálculo e o cumprimento das obrigações acessórias, de modo a fornecer à empresa toda a documentação probatória e book de cálculos que comprovem a tomada dos créditos apurados.

•    A compensação administrativa de tributos pagos indevidamente, a maior ou em período decaído está prevista no Artigo 74, caput da Lei 9.430/ 1996:

“O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.

•   Com o advento do eSocial, existe a possibilidade de compensação cruzada entre todos os impostos administrados pela Receita, sejam eles fazendários (PIS, Cofins, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, CSLL) ou previdenciários (INSS, SAT, Outras Entidades etc.).

•   As empresas que recorrem a este serviço devem buscar consultorias sólidas, observando o benchmark já atendido. A compensação de tributos feita sem a perícia necessária gera diversos riscos.

•   Entre os maiores riscos para o contribuinte estão a complexidade no preenchimento do PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), os riscos de glosa, multas, autuações e até mesmo a imputação de crimes contra a ordem tributária, sonegação e fraude.

•   Portanto, é ideal que, entre os serviços oferecidos pela consultoria, estejam previstas em contrato as eventuais defesas administrativas ou judiciais decorrentes do crédito compensado, por até cinco anos. Esse é o período de que a Receita dispõe para homologar a compensação.

•   A depender do tema objeto da compensação administrativa, os valores recuperados poderão ainda ser incluídos no ativo circulante das empresas de capital aberto, frequentemente auditadas. Isso porque um ativo – conjunto de bens, direitos e outros recursos que gerem caixa – é reconhecido quando o seu custo é confiável e existe a convicção dos benefícios econômicos, estruturados em ordem crescente de liquidez.

•   A rapidez será transformada em moeda corrente. Nesse caso, a liquidez é imediata, visto que a compensação administrativa resulta na emissão de uma DARF a menor.

FIQUE ATENTO!

PRÓS

Oxigenação do fluxo de caixa, economia futura, mapeamento e regulamentação dos processos internos, apontamentos e acompanhamento dos pontos de melhorias no processo interno para atendimento da legislação em vigor.

CONTRAS

Resistência na mudança da cultura interna, esforço por parte da empresa e de seus pares para realização dos ajustes em um prazo curto, possibilidade de recebimento de intimações para ajustes/ esclarecimentos e até mesmo um processo de fiscalização.

CUIDADOS

Buscar especialistas para que a empresa passe por todo o processo com a maior segurança possível, manter um histórico completo do trabalho realizado, contendo todos os dados e obrigações acessórias que originaram os créditos, com notas explicativas e pontos importantes detectados durante o trabalho, para apresentação ao Fisco, a qualquer tempo, caso seja questionado.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESCOLA: ESCOLHA FUNDAMENTAL

Da pré-escola à universidade, para alcançar o sucesso profissional não basta um diploma na parede como nos tempos de nossos avós. Hoje é preciso renovar constantemente conhecimentos e práticas

Em meio ao segundo semestre do ano, são abertas as matrículas para o próximo ano letivo em praticamente todas as escolas. Seja porque procuram uma nova opção educacional, ou porque está na hora da sua criança ingressar na pré-escola, muitos pais buscam, nesta época do ano, orientações para fazer a opção de escola que melhor se adapte à educação acadêmica que desejam para seus filhos.

Nos dias de hoje, frente a um mundo globalizado e dependente da tecnologia, a formação acadêmica de qualidade é um fator decisivo para o acesso bem-sucedido às oportunidades profissionais, pessoais e sociais das crianças e jovens adultos. Como a constante atualização também é indispensável para atender as exigências do mercado de trabalho, uma boa formação acadêmica desde o início da escolarização torna-se indispensável para iniciar e fundamentar todo esse importante percurso.

Inegavelmente há um valor enorme colocado na educação e que não é apenas financeiro. Envolvendo essa questão, pesam as aspirações paternas, a pressão social, a responsabilidade na formação das crianças, que influenciam na hora de tomar uma decisão de tal porte. Uma seleção como essa exige muita reflexão da família antes da tomada de uma decisão que certamente terá sérios reflexos no futuro da criança e na dinâmica familiar.

A escolha em geral se inicia pelas indicações de parentes, de outros pais e de amigos que já passaram por essa fase tão importante para as famílias, mas nada substitui uma visita – e até mais de uma – a algumas boas opções, seja se tratando de ensino infantil ou de escolas de ensino médio. Afinal, a escola é onde as crianças e os jovens vão viver boa parte de seu dia e, além da formação pedagógica de qualidade, é lá que a educação de valores será continuada em consonância com a que a família iniciou. E nesse ambiente a criança conquistará seu primeiro grupo de amigos, e as experiências do dia a dia terão grande influência na sua personalidade em formação. Ao visitarem as escolas, muitas informações serão passadas aos pais, mas é importante que estes já tenham em mente alguns pontos a investigar, que consideramos importantes, até a para poderem posteriormente comparar e escolher mais adequadamente. As informações devem ser inicialmente voltadas para a formação exigida dos profissionais, como professores, coordenadores, entre outros.

É importante saber que tipo de apoio e incentivo cada escola oferece para incrementar a modernização do corpo docente e dos demais funcionários. Perguntar sobre as normas disciplinares e o tipo de avaliação que será usada ao longo do ano letivo pode evitar grandes e desagradáveis surpresas, pois escola e casa devem ter muitos pontos em comum no quesito disciplina.

Uma escola situada em um local iluminado, arejado, arborizado e silencioso pode ser um aspecto muito favorável na hora da seleção, mas não é o mais importante, pois, com o passar dos anos, essas características frequentemente se modificam e também há influência relativa no aproveitamento pedagógico.

Essas visitas à nova escola devem preferencialmente ser feitas em horários diferentes para se poder observar os alunos na entrada e na saída: essa é uma forma de saber como se sentem naquele ambiente.

Conversar com outros pais, com alguns funcionários e procurar conhecer pessoalmente as professoras tranquiliza a maioria dos familiares ansiosos, especialmente no caso de crianças pequenas, pois nesse contato poderão estabelecer um vínculo com os adultos que olharão pelas crianças enquanto estiverem longe delas.

Uma vez feita a primeira seleção, é importante que as crianças visitem o local, também, não para decidir onde vão estudar, pois essa é uma responsabilidade que está longe de ser delas, mas para que seus pais observem como se sentem no novo ambiente e depois possam trocar ideias com os filhos sobre isso.

Outra ordem prática deve ser levada em conta: o valor das mensalidades e a distância de casa. Pode parecer pouco para quem nunca manteve um filho na escola, mas o custo mensal total ultrapassa o da mensalidade, pois há o uniforme, os livros, as despesas com passeios, entre outras coisas. Nem sempre as famílias conseguem dar conta de tantas despesas, e mudar a criança de escola em meio ao ano letivo pode ser um desgaste muito grande, em vários aspectos.

Para finalizar, é fundamental que os pais procurem conversar entre si sobre essa importante opção, de modo que seja do agrado de ambos, ou ao menos muito próximo daquilo que desejam para seu filho.

Uma postura de segurança e firmeza em relação a essa escolha fará com que a criança se sinta muito mais confiante e se adapte melhor à escola. Vale ainda lembrar que é o aluno que deve se adaptar à escola, pois, como na sociedade e no trabalho, há normas que todos precisam aprender a respeitar e que, diferentemente do que ocorre na família, não se permitem exceções.

Assim, educar ganha a perspectiva de formação de cidadãos que, usufruindo de boa educação acadêmica, se preparam permanentemente para ser profissionais de sucesso em qualquer área que venham a escolher.

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br