OUTROS OLHARES

FORA DA VITRINE

A pandemia reduz o movimento dos shoppings, provoca o fechamento de lojas e obriga o setor a se reinventar, com aposta no comércio eletrônico

Mesmo com controle de temperatura, álcool em gel e limitação de acesso, o brasileiro está longe de retomar o velho hábito das compras em shopping. Uma combinação de temor de contágio após a quarentena prolongada, renda mais curta em razão da crise e mudança de cultura com o consumo on-line no período de isolamento social reduziu o apelo destes templos de comércio, segundo especialistas.

No início da reabertura, não parecia ser esse o cenário. Um shopping em Botucatu, São Paulo, chegou a fazer drive-thru nos corredores para atender quem ainda se sentia desconfortável em sair do carro, mas não perdia o afã pelas compras. A multiplicação de regras produziu outra cena curiosa no interior de São Paulo. Um shopping localizado entre Sorocaba e Votorantim teve autorização para abrir só parte das lojas: as outras permaneceram fechadas em razão das regras de isolamento vigentes em cada município.

Mas, passado um mês, lojistas não veem motivo para comemorar. As vendas em junho ficaram até 80% menores do que em igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). De outro lado, a pandemia teve efeito mais brando sobre o comércio de rua, que registrou queda de 42% no mês passado do movimento de clientes, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Há clara preocupação das pessoas em evitar shoppings, pelo medo da contaminação em lugar fechado”, disse Fabio Bentes, economista sénior da CNC. “Na rua, com custos menores, é mais fácil dar descontos, o que atrai os consumidores.”

O comportamento do consumidor levanta a dúvida sobre qual será o futuro dos shoppings e de seu modelo de negócios. Ao fim da quarentena, pelo menos 13 mil lojas instaladas nesses centros comerciais não deverão reabrir as portas, previu Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. É como se, dos 577 centros de compras no país, entre 45 e 65 deles encerrassem as atividades.

Mesmo com medidas de alívio na pandemia, como suspensão de aluguéis ou redução de taxas das administradoras, alguns lojistas começam a rever a estratégia e centram esforços nas vendas on-line, por meio de sites ou redes sociais. “A indústria do shopping se expandiu numa época em que vendíamos muito e a conta fechava. Os aluguéis são indexados ao IGP-M, e as vendas não acompanham. E ainda tem as taxas. A gente não aguenta mais esse custo”, afirmou Sergio Zeitunlian, dono da rede de roupas Handbook, com 41 lojas em sete shoppings do país. “Para fechar uma loja, a multa varia de dez a 20 aluguéis, o que representa algo que pode chegar a R$ 400 mil.”

Já em 2019, a Handbook passou a investir em comércio eletrônico, com vendas pelo site e pelas redes sociais. De março a junho, com o isolamento social, o e-commerce da marca cresceu 200%. De lá para cá, Zeitunlian demitiu 218 dos 698empregados, entre vendedores e funcionários da fábrica, que fica no interior de São Paulo. Sete lojas foram fechadas em shoppings de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. “As pessoas gostam de sair, de serem vistas. Isso não acaba. A loja presencial continua, mas o modelo de negócio dos shoppings tem de evoluir”, disse Zeitunlian.

Antonio Yezeguielian, dono da rede Tennis Station, com 47 lojas, afirmou que o custo de manter lojas em shopping se tornou proibitivo com a queda de vendas na pandemia. “Há dias em que acordo com vontade de fechar a metade delas. Estou esperando para não tomar uma atitude precipitada”, disse o empresário, que, por enquanto, fechou apenas duas unidades e se queixa da estrutura cara dos centros comerciais. “Tem shopping em que minha loja paga R$ 3 mil de ar condicionado por mês, é o valor do condomínio do apartamento onde moro.”

O professor Samuel Barros, coordenador do curso de administração do Ibmec- RJ, acredita que a pandemia acelerou o processo do consumidor rumo ao digital. “O que ia levar dez anos, vai ocorrer agora. O consumidor descobriu a comodidade da compra digital. Ele tem possibilidade maior de escolha, de verificar o preço entre lojas e até de customização de cor e desenho. Na loja física, só tem o que está na arara”, disse Barros.

Com a sacola em dois cliques, Barros avaliou que alguns segmentos vão migrar para o digital mais rapidamente, como ocorre no resto do mundo. Eletrônicos e celulares já são exemplo dessa migração. No mercado de vestuário, a tendência é que roupas do dia a dia sejam compradas pela internet, e as mais elegantes e de festa em lojas físicas. “O shopping não acabou nem vai acabar. O brasileiro gosta de tocar, é sinestésico por essência. Mas as lojas vão ter de se acostumar a vender digitalmente o mesmo volume ou até mais do que nas lojas físicas”, afirmou.

Barros lembrou que, até 2010, os shoppings eram ambientes exclusivamente de compras. Depois disso, passaram a oferecer outros chamarizes, como cinemas, teatros e lazer infantil. Na prática, tomaram-se um ponto de encontro. O professor acredita que o novo cenário obriga os shoppings a se reinventar novamente, oferecendo mais entretenimento e novas experiências de consumo. Uma delas será a realidade aumentada, em que o consumidor experimenta roupas e acessórios virtualmente, como os aplicativos que hoje permitem testar vários cortes de cabelo. “Varejo por varejo, o shopping vai ser um elefante branco na mão de muitas administradoras”, resumiu.

Em meio à pandemia, a rede brMalls, com 32 shoppings espalhados por 12 estados e 23 cidades, criou uma diretoria de Estratégia, Tecnologia e Novos Negócios. Leonardo Cid Ferreira, que fez carreira com negócios digitais, ocupa o posto. “A briga não é entre o físico e o digital. A briga é pela multicanalidade”, disse o executivo. Ferreira afirmou que o modelo de negócios dos shoppings é muito resiliente e,com a reabertura, muitos deles registraram até mesmo aumento no tempo de permanência de pessoas em seus corredores. Segundo ele, as pessoas vão aos shoppings para se entreter, almoçar, comparar preços e também comprar. O passo agora é incorporá­los na vida desses consumidores do lado de fora. “Temos de levar o shopping para a casa das pessoas”, afirmou.

Shoppings como Tijuca, no Rio de Janeiro, e Villa Lobos, em São Paulo, que fazem parte da rede brMalls, já estão na palma das mãos dos clientes, em aplicativos. A novidade é que, quando ele faz a compra, o produto chega no mesmo dia. No e-commerce tradicional, dificilmente a entrega é tão rápida. A maior parte das grandes redes, campeãs em negócios digitais, têm centros de distribuição no interior de São Paulo, o que faz a mercadoria demorar mais tempo e chegar mais cara ao cliente. “Vamos servir o comércio eletrônico com o estoque que está nas lojas, com custo muito mais baixo. Uma caixa com três pares de tênis pode custar até R$ 50 para ser enviada, mas, se o produto está no shopping mais próximo, sairá mais barato”, afirmou.

Tornar as lojas de shoppings distribuidoras de produtos para o e-commerce é também o modelo de negócio do Delivery Center, que tem três administradoras de shoppings entre seus acionistas – a própria brMalls, a Multiplan (Barra e Morumbi shoppings) e a CPP (Metropolitano Barra e Cidade de São Paulo, entre outros). A startup conecta lojistas de shoppings aos pedidos do comércio eletrônico. O volume de entregas triplicou depois da escalada da pandemia de Covid-19 no país. Até o fim do ano, a plataforma planeja ter centros de distribuição em 35 cidades de 20 estados.

Mas engana-se quem pensa que o maior rival dos shoppings é a vitrine virtual. O Brasil é grande, e cada canto do país tem suas peculiaridades. Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, estima que 30% dos lojistas poderão sair dos centros de compra em direção a pontos de venda de rua. Em sua avaliação, num momento em que o preço dos aluguéis comerciais está mais baixo, é mais fácil negociar esse valor direto com o proprietário de uma loja de rua que com uma rede de shoppings. E esse movimento, se for bem aproveitado, poderá ajudar na revitalização de bairros e vias comerciais por parte das prefeituras. “Há uma revalorização da rua. Antes as pessoas iam para os shoppings por medo da violência. Agora, vão para a rua por medo do vírus”, disse o executivo.

Ainda assim, Silva reconhece nos shoppings brasileiros alguns atrativos que não se repetem, por exemplo, em shoppings americanos, estes sim experimentando já um profundo esvaziamento. Se nos Estados Unidos eles são majoritariamente instalados em locais isolados, aqui viraram centros de referência das cidades. E, em muitos casos, único local de lazer e de vida social dos municípios. “Há até fatores climáticos: em muitas cidades do interior do país, em regiões quentes, o shopping é o único lugar climatizado ao alcance das pessoas”, afirmou Theo Keiserman de Abreu, sócio do Campos Mello Advogados, especialista em varejo.

A pandemia do novo coronavírus fez o consumidor que ainda não tinha entrado na onda do consumo digital perder o medo de se aventurar nesse novo mundo. Se a crise sanitária se arrastar por mais tempo e o brasileiro chegar até as proximidades do Natal ainda em reclusão, o clique é certo. Nas contas do professor Barros, cinco meses é o prazo máximo que as pessoas comuns conseguem ficar sem comprar nada. Depois disso, seja na rua, no shopping ou pelo computador, as vendas vão voltar.

EU ACHO …

LEMBRANÇA DE FILHO PEQUENO

Mas que sentir de filho? Se de algum modo fico toda sem um único sentimento reconhecível. Que sentir? Vejo sua cara queimada de sol, cara inteiramente inconsciente da expressão que tem, toda concentrada que está como um bicho bonito, delicado e feroz – nas lambidas de seu sorvete.

O sorvete é de chocolate. O filho lambe-o. Às vezes se torna lento demais para o seu prazer, e ele então morde-o, e faz uma careta que é inteiramente inconsciente da felicidade incômoda que dá o pedaço gelado enchendo a boca quente. Essa, a boca, é muito bonita. Olho o filho toda compacta, mas ele está habituado à burrice de meu olhar concentrado de amor. Ele não me olha, e não se incomoda de ser observado nesse seu ato íntimo, vital e delicado: e continua a lamber o sorvete com a língua vermelha e atenta. Não sinto nada, senão que sou inteira, pesada de material de primeira, boa madeira. Como mãe, não tenho finura. Sou grossa e silenciosa. Olho com a rudeza de meu silêncio, com meu olho vazio aquela cara que também é rude, filho meu. Não sinto nada porque isso deve ser amor pesado e indivisível. Ali estou, recuada. Recuada diante de tanto. O indevassável me deixa com uma espécie de obstinação áspera; impenetrabilidade é o meu nome; estou ali, endomingada pela natureza. Minha cara deve estar com um ar teimoso, com olho de estrangeira que não fala a língua do país. Parece um torpor. Não me comunico com pessoa alguma. Meu coração é pesado, obstinado, inexpressivo, fechado a sugestões.

Estou ali, e vejo: o rosto do menino tornou-se por um instante ávido – é que deve ter encontrado algum pedaço de sorvete com mais chocolate que o resto, e que a língua esperta captou. Ninguém diria que sou magra: estou gorda, pesada, grande, com as mãos calejadas não por mim mas pelos meus ancestrais. Sou uma desconfiada que está em trégua. O filho come agora a casca do sorvete. Sou uma imigrante que se enraizou em terra nova. Meu olho é vazio, áspero, olha bem. E vê: um filho de cara concentrada que come.

*** CLARICE LISPECTOR

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 01 DE ABRIL

LUCRO CERTO DAS BOAS PALAVRAS

Do fruto da boca o homem comerá o bem, mas o desejo dos pérfidos é a violência (Provérbios 13.2).

Nossas palavras nunca são neutras. São bênção ou maldição. Produzem frutos doces ou amargos. São canais de vida ou instrumentos de morte. Balsamizam ou ferem. Curam ou matam. Aqueles que cultivam uma comunicação saudável dentro de casa semeiam amizade, fortalecem o companheirismo e colhem os abundantes frutos do amor. Porém, aqueles que semeiam contendas, desandam a boca para espalhar boatarias e se entregam à maledicência cultivam espinheiros que vão ferir seus pés e amargar sua alma. As palavras boas têm lucro certo. Produzem dividendos benditos, promovem causas nobres, encorajam os fracos, levantam os abatidos e curam os enfermos. O apetite dos infiéis, contudo, alimenta-se da violência. Os pérfidos cultivam o mal no coração e o destilam com a boca. O homem mau corre pelas ruas, percorre os campos e destrói vidas por onde passa. Mas os lábios daqueles cujo coração foi transformado pela graça de Deus destilam mel, mel que alimenta e deleita. Que tipo de fruto você tem colhido com a semeadura de suas palavras? Do fruto da sua boca você tem comido o bem?

GESTÃO E CARREIRA

E SE O CLIENTE NÃO QUISER OBEDECER?

Clientes que se recusam a seguir os novos protocolos impostos pela pandemia podem ter atendimento negado, e estabelecimentos apostam em treinamento de colaboradores para lidar com quem desrespeita as regras

Com a flexibilização da quarentena e o avanço de diversas cidades brasileiras à fase verde (que permite, entre outras medidas, a extensão do horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais para até 12 horas e aumento da capacidade de ocupação para 60%), novas regras de atendimento precisaram ser adotadas.

O uso de máscaras, a disponibilização de álcool em gel e o distanciamento social de, pelo menos, um metro e meio tornaram-se obrigatórios, e tanto consumidores quanto estabelecimentos tiveram de se adaptar. No entanto, casos de clientes que se recusam a cumprir os novos protocolos foram registrados em supermercados, sorveterias e hotéis Brasil afora nos últimos meses. Além da troca de ofensas, em algumas situações, clientes partiram para violência física contra recepcionistas e atendentes. Contudo, a regra para a maioria dos estabelecimentos é uma só: evitar ao máximo qualquer desentendimento e sempre conceder o benefício da dúvida. E se o cliente realmente esqueceu alguma das recomendações?

O diretor de marketing da rede Casa de Bolos, Rafael Ramos, conta que é assim que tem orientado seus franqueados desde que a pandemia começou. “Pelo nosso enquadramento ser de serviço essencial, não ficamos fechados, então nossa preparação foi rápida e constante, conforme as medidas de segurança iam sendo adotadas pelas determinações dos estados e municípios. Ao longo dos primeiros meses tivemos comunicados diários à nossa rede, visando orientar como proceder e quais medidas seriam necessárias, como distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel. Não tivemos nenhum caso específico que tenha gerado atrito. Por vezes, pode ocorrer que na correria do dia a dia o cliente esqueça a máscara no carro, mas ele é orientado sempre, concedendo-lhe o benefício da dúvida, ou seja, se de fato esqueceu de colocá-la, para que se lembre da importância da utilização para sua própria segurança e dos nossos colaboradores”.

Em casos em que se nota o uso incorreto da máscara, Ramos afirma que os colaboradores são orientados a corrigir o cliente educadamente e podem se recusar a fazer o atendimento. “Não disponibilizamos máscaras, uma vez que o uso já tem sido amplamente difundido em todos os estados do Brasil. Reforçamos a obrigatoriedade do uso em diversos materiais de comunicação dispostos pela loja. Não tivemos, até o momento, clientes que foram à loja sem máscaras por livre vontade, mas visando ao respeito às legislações estaduais e à segurança de nossos funcionários, o atendimento somente é feito respeitando todas as normas”.

MEDIDAS PREVENTIVAS

O sócio e diretor de novos negócios do Grupo São Benedito – que atua em diversos setores, incluindo rede de academias e restaurantes -, Amir Maluf, revela que entre as regras adotadas para a reabertura está a disponibilização de máscaras caso os clientes não a estejam utilizando. ”São poucos os casos em que isso acontece, mas existe essa reserva. Se o cliente estiver usando a máscara de forma errada, ele é advertido sem problema nenhum. É muito raro ter a recusa de utilização de máscara, mas quando isso acontece, o cliente é convidado a não adentrar o estabelecimento”. Durante todo o tempo de atendimento, segundo Maluf, os colaboradores também devem estar usando máscara e, em alguns casos, capacete de proteção e luvas. “Na cozinha, todos usam máscara de proteção com acrílico na frente. No restaurante foi necessário adesivar toda a parte da entrada para que, quando haja fila, tenha espaçamento entre as pessoas. Na parte interna do salão houve redução de 50% das mesas e cadeiras para não manter a proximidade de pessoas. Colocamos álcool em gel por toda parte dos restaurantes e começamos a utilizar cardápio somente com QR Code, e algumas máquinas de cartão funcionam por proximidade, para se ter o menor contato possível entre colaborador e cliente”, explica.

Nas academias, houve ainda a criação de regras para manter o distanciamento social e foram colocados adesivos no chão para as pessoas manterem distância enquanto estão se exercitando, além de agendamento prévio, com média de quatro alunos por metro quadrado. Ele ressalta que situações de recusa em seguir os protocolos são raras de acontecer, mas confessa que o grupo chegou a registrar casos pontuais. “Quando ocorreu, foi tranquilo, um caso ou outro. Não houve problema de precisar ser duro com o cliente, ter de chamar a força policial ou qualquer coisa do tipo”.

Acionar a polícia, segundo os estabelecimentos ouvidos pela reportagem, sempre será a última opção. Mas, de acordo com o advogado Marcello Badaró, o funcionário pode, sim, recorrer a esse caminho. “Se a situação não se resolver de forma amigável e permanecer o impasse, é possível acionar a polícia militar ou a guarda municipal, que devem, por prerrogativa legal, impor a ordem, inclusive em defesa dos cidadãos, que, obviamente, incluem tanto empregadores quanto seus colaboradores e clientes em geral”.

O EXTREMO É NECESSÁRIO?

Na rede de hotéis Accor Brasil, colaboradores são orientados a acionar as autoridades sempre que considerarem necessário. Mas antes disso, no entanto, um profissional mais experiente é enviado para falar com o cliente em caso de insistência em não seguir o protocolo, principalmente quando o assunto é o uso correto de máscaras. “Os hotéis estão preparados para disponibilizar máscaras para clientes que não a usam. Este é um item obrigatório por lei e a população deve usar a máscara sempre que transitar em locais públicos, como corredores, lobbies, restaurantes, eventos e bares. Caso os hóspedes não estejam utilizando a máscara adequadamente, nossos colaboradores são orientados a contatá-los solicitando que ela seja colocada. Não se trata de uma advertência, mas sim de recomendação”, explica o diretor regional de Operações Midscale e Econômico Accor Brasil, Carlos Bernardo.

No tempo que ficou fechada por causa da pandemia, a rede criou um guia de recomendações de Biossegurança, levando em consideração as recomendações da própria Accor, da OMS (Organização Mundial da Saúde) e de órgãos Municipais, Estaduais e Federais, além de 20 módulos de treinamentos on-line por meio de vídeos direcionados aos setores operacionais dos hotéis, para que pudessem responder às demandas dos hóspedes em todo o País. O período foi suficiente para preparar os colaboradores para situações adversas. “O processo de reabertura foi feito acompanhando o retorno do mercado para ver a viabilidade financeira e, principalmente, garantir as condições de segurança a fim de receber os hóspedes. Hoje, temos cerca de 90% dos nossos hotéis abertos na América do Sul. Nossa recomendação é que os hotéis utilizem 60% dos apartamentos disponíveis para venda, assim conseguimos fazer uma higienização mais segura para colaboradores e hóspedes, além de garantir certo tempo de quarentena no uso do apartamento entre um cliente e outro”, revela Bernardo.

Para Badaró, as empresas acertam em oferecer treinamento às equipes, principalmente quando o beneficiado não é apenas o cliente. “Os colaboradores têm de ser orientados sob a ótica de obrigações previstas na legislação vigente (CLT e normas regulamentadoras) para preservação da higiene, segurança e medicina do trabalho, pois, além de colaboradores, são cidadãos que podem sofrer contaminação. Por isso, a precaução e as medidas de proteção são importantíssimas sob todos os aspectos. Treinamento e orientação específica são bem-vindos, devem ser sempre estimulados e, também, fiscalizados”.

O especialista em gestão de negócios da SIS Consultoria, Eber Feltrim, concorda: “A empresa deve oferecer treinamento e, se porventura um cliente ou outro recusar o protocolo, a equipe tem de estar treinada a dizer que isso é uma regulamentação do poder público, de órgãos competentes, que a empresa precisa se enquadrar nisso, que tanto cliente quanto empresa têm responsabilidade social e o objetivo de todo mundo é minimizar os impactos da pandemia, da transmissão”.

Em casos de recusa a seguir as normas do estabelecimento, colaboradores têm direito de barrar ou impedir o acesso do cliente, pontua Badaró. “É sempre recomendável posição de equilíbrio para que se evite o confronto. A questão toda, além da saúde, envolve o bom senso dos cidadãos, uma vez que ninguém quer ser contaminado ou difundir a Covid-19. Ainda é muito cedo para sabermos, de forma conclusiva, o alcance e as consequências da doença”.

DENTRO DA LEI

Do mesmo jeito que estabelecimentos podem sofrer punições ao não seguir as regras impostas para a reabertura, clientes também precisam andar dentro da lei. De acordo com a Lei n° 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, todo cidadão é obrigado a manter boca e nariz cobertos por máscara de proteção individual. E isso vale para veículos de transporte remunerado privado individual (Uber ou táxi), ônibus, aeronaves ou embarcações de uso coletivo fretados, estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas. O descumprimento da obrigação, segundo Marcello Badaró, pode acabar em multa.

VAI RECUSAR?

O advogado Marcello Badaró listou cinco dicas de como os estabelecimentos devem lidar com clientes que se recusam a respeitar as normas preestabelecidas. Confira!

O diálogo é o melhor caminho. Vale sempre conversar e pedir para que os clientes sigam as orientações sanitárias para prevenção à Covid -19.

As regras impostas pela legislação federal, estadual e municipal devem ser observadas, inclusive com avisos em letras e registros visuais suficientes para orientar o consumidor/ cliente.

Uma dica é deixar algumas máscaras descartáveis no estabelecimento e orientar seus funcionários para que, se identificarem alguém sem máscara, ofereçam uma gentilmente e peçam para que ela seja colocada.

Seja o bom exemplo. Sempre oriente todos que trabalham no estabelecimento para que usem máscara e álcool em gel na frente dos clientes, a fim de que notem a conduta do estabelecimento. Vale atenção também para que não façam o uso errado da máscara, deixando-a no queixo ou retirando-a toda hora.

Caso a pessoa se recuse a utilizar a máscara, vale pedir-lhe que se retire do estabelecimento para preservar os demais que estão seguindo as normas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

É POSSÍVEL NÃO TER EXPECTATIVAS?

Criar altas expectativas sem levar em conta outros cenários possíveis proporcionados pela vida ajudaria as pessoas a modificar mais rapidamente estratégias de ação e a superar frustração e desilusão

Não criar expectativas é um conselho comumente oferecido, sobretudo para quem está começando um relacionamento afetivo ou iniciando a vida profissional

Isso é possível? Não! Mas é possível tomar consciência dessas expectativas e ajustá-las, observando o que a vida e os outros na realidade podem nos oferecer.

As expectativas brotam de nossos desejos e necessidades e colocam nosso olhar no futuro. A imaginação dá corpo às expectativas: há pessoas que mergulham em devaneios, imaginando em detalhes o futuro sonhado, compartilhando a vida com uma pessoa maravilhosa ou tendo uma carreira de grande sucesso profissional. Nossos desejos criam um roteiro de “como a vida deveria ser” ou “o que os outros deveriam fazer”. Mas nem sempre a vida e as outras pessoas seguem esse roteiro sonhado.

Quanto mais altas as expectativas, maior o risco de tudo terminar em frustração, desilusão, decepção, raiva e revolta. Há pessoas que brigam com a vida e até com Deus: “Eu não mereço isso”, “Por que nada dá certo comigo?”, “Nada do que eu espero acontece”. As altas expectativas são inatingíveis, são construídas com uma nuvem de esperança e de ilusão, de pensamentos mágicos, sem raízes na realidade prática.

Ouvi de uma mulher amargurada com o fim do relacionamento: “Eu esperava que ele fosse tudo para mim: marido, irmão, amigo, companheiro de todas as horas”. Dá para algum ser humano preencher tantos buracos de carência afetiva? Querer que os outros ajam como gostaríamos é esperar mais dos outros do que de nós mesmos. Frustração na certa!

A REALIDADE

Já conheci pessoas que viveram o chamado “amor à primeira vista”, que, na verdade, é a paixão. Tipicamente, a paixão nos invade por completo: mal conseguimos nos concentrar no trabalho ou no estudo. Lembranças dos encontros recentes, imaginação vívida de cenas futuras, mergulho no estado de total encantamento, tudo gira ao redor do desejo de estar juntos. Há pessoas que se viciam na paixão, sem conseguir sair dessa etapa, que não costuma durar muito tempo, pois não resiste aos testes da realidade. No entra e sai dos relacionamentos apaixonados, sucedem-se ciclos de entusiasmo e decepção, e um grande vazio de amor.

Há casos de “amor à primeira vista” que resultam em relacionamentos duradouros e felizes. Mas, para isso, é preciso evoluir do estado de paixão para construir o amor. Muitos relacionamentos não se sustentam porque, ao vestir o outro com as nossas fantasias, mal conseguimos percebê-lo como realmente é. Ao projetar no outro a esperança de que vá satisfazer nossas necessidades de amor e proteção, não percebemos quando a pessoa não pode ou não está disposta a oferecer tudo o que desejamos. Como diz a letra de Coração Leviano, de Paulinho da Viola: “Ah, coração, teu engano foi esperar por um bem de um coração leviano que nunca será de ninguém”.

As expectativas irreais nutrem o autoengano e podem resultar em caminhos perigosos, como acontece nos casos de relacionamentos abusivos, em que a pessoa se agarra à crença de que seu amor e dedicação poderão mudar o outro. “Ele tem um temperamento forte, mas é ótima pessoa”, “quando a gente se casar ele vai ficar mais calmo”. Com isso, os comportamentos violentos nos momentos de destempero emocional são tolerados e perdoados, na esperança de que haja uma mudança no futuro próximo. No entanto, é preciso ter muito cuidado com nossas escolhas: é fácil a gente se iludir, achando que podemos transformar quem não quer se modificar.

E quando a desilusão é muito intensa ou as decepções se sucedem, o sofrimento é profundo e até desalentador. Em Modinha, Tom Jobim confessa: “Ai, não pode mais meu coração viver assim dilacerado, acorrentado a uma ilusão que é só desilusão”. Desse modo, há quem se feche na solidão, descrente da possibilidade de construir uma boa parceria.

Mas a vida flui e, muitas vezes, nos surpreende. Como descreve Johnny Alf em Céu e Mar: “Minha vida é uma ilha pequenina flutuando no oceano na aventura de viver”. Modulando as expectativas e abrindo os canais da intuição e da percepção sutil podemos acolher melhor o que a vida nos apresenta e deixar, ainda nas palavras desse compositor, “que o inesperado faça uma surpresa”.

HISTÓRIAS VIVIDAS

Tiago, 8 anos, esperava ansiosamente a visita de Miguel. Queria propor uma brincadeira nova que ele havia criado e imaginou que o amigo ficaria entusiasmado. Porém, Miguel não se interessou. Frustrado e aborrecido, Tiago cruzou os braços, sentou-se no canto do sofá e anunciou que não queria brincar de coisa alguma.

Na gravidez do primeiro filho, Ana desejava muito ter um parto normal. Para isso, preparou-se com cuidado, buscou informações, frequentou um grupo de gestantes, treinou respiração e relaxamento, escolheu um obstetra adepto do parto humanizado, contratou uma doula para acompanhá-la no processo. No entanto, o trabalho de parto não evoluiu bem e foi preciso fazer uma cesárea. O bebê nasceu bem, mas Ana ficou desapontada e desabafou com a melhor amiga: “Saiu tudo errado, começou mal”.

Tensa com a expectativa do primeiro encontro com Renato, com quem trocava mensagens por um aplicativo de relacionamentos, Inês experimentou vários vestidos antes de se decidir pelo azul. Havia terminado um longo namoro há quatro meses e ansiava por encontrar um homem carinhoso, atencioso e trabalhador com quem pudesse construir um relacionamento sério. Pelas conversas on-line, Renato parecia preencher todos os requisitos. Inês estava empolgada, descobrindo várias afinidades entre eles. O primeiro encontro foi maravilhoso, mas não houve uma segunda vez. Renato não voltou a ligar para Inês nem respondeu as mensagens que ela enviou.

Pedro enviou seu currículo para mais de dez empresas, na expectativa de conseguir um novo emprego, após o fechamento do escritório de contabilidade no qual trabalhava. Como era muito apreciado por seu chefe, criou a expectativa de que conseguiria se recolocar no mercado de trabalho facilmente. A cada nova recusa, sentia-se frustrado e desencorajado de continuar tentando.

O que há de comum entre Tiago, Ana, Inês e Pedro?

Eles criaram altas expectativas sem levar em conta outros cenários possíveis, o que os ajudaria a modificar mais rapidamente suas estratégias de ação e a superar a frustração e a desilusão.

OBSERVAÇÕES REALISTAS

O que eles podem fazer para equilibrar as expectativas com observações realistas e planejamento eficaz de suas ações?

Tiago: ao aprender a lidar melhor com a frustração, não ficará estacionado no sofrimento, que torna difícil pensar em alternativas. Mesmo desapontado, pensará: “E agora, o que posso fazer de melhor?”. Ficará aberto às sugestões de Miguel, aceitará suas ideias de brincadeiras, o que, provavelmente, tornará o amigo mais receptivo às suas sugestões. Com mais “jogo de cintura”, aproveitará melhor as oportunidades dos encontros com os amigos.

Ana: o sonho que alimentou a expectativa de ter um parto normal a ajudou a se preparar para concretizar seu desejo. Fez uma boa preparação, escolheu os profissionais que poderiam lhe prestar uma ótima assistência. Porém, não deu a devida importância à realidade de que o trabalho de parto, como muitas coisas que acontecem na vida de todos nós, é imprevisível. Não há como saber ao certo como irá se desenrolar. O mais importante é que o bebê nasça bem e que a mãe se recupere da melhor forma possível. Se valorizasse o parto possível como o melhor que poderia acontecer, celebraria o nascimento sem a sensação de que “deu tudo errado”.

Inês: ao renovar a esperança de encontrar um novo amor, em vez de mergulhar fundo nos devaneios românticos, procurará observar com mais cuidado o comportamento dos pretendentes para avaliar melhor os sinais de interesse ou desinteresse, e as contradições entre o que é dito e o que é feito. Afinal, de que adianta ouvir coisas do tipo “você é uma mulher especial” se ele não liga, não marca um novo encontro e ignora as mensagens enviadas? Prestará atenção aos pilares básicos da comunicação: palavra, expressão facial/corporal e ação. Quando esses pilares se desencontram, a palavra perde o valor.

Pedro: ao decidir analisar mais a fundo o cenário econômico e os elevados índices de desemprego no país, perceberá que precisa ampliar e diversificar suas estratégias para se recolocar no mercado de trabalho, incluindo a possibilidade de buscar emprego em outra cidade. Diante da dificuldade de conseguir emprego, poderá criar algum tipo de trabalho como, por exemplo, oferecer consultoria contábil presencial ou on-line para quem está abrindo uma micro- empresa. Se tiver outro tipo de habilidade como, por exemplo, recorrer às receitas da avó para fazer doces artesanais, poderá atuar como autônomo para gerar renda.

A partir de nossas experiências com nossos pais, construímos expectativas de como agiremos com nossos filhos: “Não quero ser tão rígido e autoritário como meu pai”; “Minha mãe não tinha a menor paciência com a gente, gritava e batia, não vou fazer isso com meus filhos!”. Na realidade: “Eu me pego gritando com eles do mesmo jeito que eu odiava em minha mãe!”.

NO CASO DOS FILHOS

No dia a dia com os filhos, muitas expectativas simplesmente se evaporam. O vínculo com cada filho é único, manejos que funcionam com um não dão certo com o outro. Criar a expectativa de que ler muitos textos, ver vídeos de profissionais e participar de grupos on-line sobre como criar filhos vão garantir que sempre saberemos o que fazer resulta, no mínimo, em profunda perplexidade. Na realidade, muitas vezes não saberemos como agir e nada garante que o modo como criamos nossos filhos vai “dar certo”. Até porque os pais não são as únicas influências importantes: outros adultos podem ser escolhidos como figuras de referência, há os amigos, o ambiente escolar e inúmeros “influenciadores digitais” que também contribuem (para o bem ou para o mal) para a formação de crianças e adolescentes. Como psicoterapeuta de famílias já vi muitas situações em que os pais fizeram “tudo certinho” e isso não impediu escolhas desastradas de adolescentes. Por exemplo, na família sempre houve uma conversa aberta sobre sexualidade, percepção de risco e autoproteção nas redes sociais, mas, apesar disso, a adolescente permitiu que o namorado filmasse a transa e, em seguida, compartilhasse nas redes sociais. Por outro lado, conheci crianças que se desenvolveram bem, apesar de manejos inadequados dos pais, como, por exemplo, críticas demolidoras, castigos pesados ou condutas de negligência.

Na gestação, o desejo de ter um “bebê perfeito” vem junto com o medo de que isso não aconteça. A quebra de expectativas quando a criança nasce antes do tempo previsto ou apresenta dificuldades especiais é enorme. O luto pela perda do bebê idealizado diante do filho real é um processo doloroso para muitas mães e pais. É preciso aceitar a realidade e buscar os recursos necessários para lidar com a situação de estimular o melhor desenvolvimento possível para a criança com síndrome de Down, microcefalia decorrente do vírus zika, paralisia cerebral, ou a que se encontra no espectro autista, entre outras questões.

Há pais que criam altas expectativas em relação à vida dos filhos adolescentes e jovens adultos e até tentam influenciar suas escolhas sobre profissão e namorados/as. A maioria dos filhos não toma suas decisões de acordo com as expectativas dos pais: “Meu pai queria que eu trabalhasse com ele no escritório de advocacia, mas isso não tem nada a ver comigo, quero trabalhar com produção de vídeos”; “O sonho da minha mãe é ser avó, mas eu não quero ter filhos”. Criar expectativas que não envolvem nossas próprias ações é caminho certo para a frustração: ter netos depende de decisões dos filhos quererem (ou não) ter filhos.

O PODER DA ESCOLHA

Quando a escolha da profissão, a orientação sexual e a decisão de continuar um relacionamento amoroso não correspondem às expectativas dos pais, o desapontamento e a decepção predominam e até culminam em rompimento: “Eu proibi minha filha de trazer o namorado aqui em casa. Nós não aceitamos essa relação de jeito nenhum, mas ela é adulta, não podemos obrigá-la a romper com esse sujeito. Ela ficou tão magoada que deixou de falar com a gente”.

Na medida em que os filhos crescem, os pais perdem progressivamente o poder de influenciar suas escolhas. Eles são responsáveis pelos caminhos que decidem trilhar e arcarão com as consequências de escolhas ruins. Os pais que aprendem a respeitar essas decisões e demonstram curiosidade para entender melhor o que motiva os filhos a fazerem suas escolhas poderão preservar um relacionamento de melhor qualidade, sem tanta construção de sofrimento por conta de terem “falhado” na criação dos filhos (sim, muitos pais se sentem culpados, além de decepcionados, quando os filhos escolhem caminhos de vida muito diferentes do que sonharam para eles).

ANSIEDADE NA VIDA

Faltavam três anos para Suzana se aposentar. Alfredo, seu marido, já estava aposentado, e eles haviam conseguido fazer uma reserva financeira confortável para concretizar seus planos de viajar pelo mundo. No entanto, Alfredo apresentou sinais da doença de Alzheimer, que evoluiu rapidamente. O futuro sonhado não se concretizou, e o planejamento da vida dos dois precisou ser refeito.

Após muitos anos trabalhando em horário integral e nem sempre em empregos satisfatórios, muitos contam os dias para se aposentar, sonhando em ter tempo livre de obrigações. Mas, para quem não construiu outro projeto de vida, a expectativa de se sentir feliz com o tempo livre pode resultar em tédio, por não saber o que fazer com tanta liberdade.

Ocasionalmente, somos surpreendidos quando acontece algo que “superou nossas expectativas”: “Depois de amargar três anos desempregada, nunca sonhei que eu pudesse ganhar tanto dinheiro trabalhando com produtos digitais!”. Isso nos mostra como é importante manter a mente aberta e alerta para acolher o que a vida oferece, prestar atenção às oportunidades que surgem e se dispor a aprender coisas novas que possam abrir caminhos promissores, mesmo quando, no início, seja preciso superar muitos.

Essencial também é aprimorar a capacidade de observar o contexto em que estamos e a realidade das outras pessoas. Além disso, é preciso cultivar a paciência para entender a lentidão de alguns processos para desenvolver habilidades que poderão nos conduzir a áreas atraentes de trabalho. Érico, um adolescente de 16 anos, queria montar um grupo musical de sucesso, e criou a expectativa de que poderia ser um ótimo guitarrista em pouco tempo. Esperar resultados rápidos é frustração na certa! Aprender a tocar um instrumento, falar fluentemente outros idiomas e muitas outras coisas dependem de tempo, dedicação e persistência para não desanimar diante das dificuldades que encontramos.

“O que posso fazer de melhor com o que a vida me apresenta?” é a pergunta-bússola que poderá nos guiar na construção do equilíbrio entre expectativas, observação do cenário e das pessoas, sonhos, metas e planos de ação.