EU ACHO …

COMER, COMER

Não sei como são as outras casas de família. Na minha casa todos falam em comida. “Esse queijo é seu?” “Não, é de todos.” “A canjica está boa?” “Está ótima.” “Mamãe, pede à cozinheira para fazer coquetel de camarão, eu ensino.” “Como é que você sabe?” “Eu comi e aprendi pelo gosto.” “Quero hoje comer somente sopa de ervilhas e sardinha.” “Essa carne ficou salgada demais.” “Estou sem fome, mas se você comprar pimenta eu como.” “Não, mamãe, ir comer no restaurante sai muito caro, e eu prefiro comida de casa.” “Que é que tem no jantar para comer?”

Não, minha casa não é metafísica. Ninguém é gordo aqui, mas mal se perdoa uma comida malfeita. Quanto a mim, vou abrindo e fechando a bolsa para tirar dinheiro para compras. “Vou jantar fora, mamãe, mas guarde um pouco do jantar para mim.” E quanto a mim, acho certo que num lar se mantenha aceso o fogo para o que der e vier. Uma casa de família é aquela que, além de nela se manter o fogo sagrado do amor bem aceso, mantenham-se as panelas no fogo. O fato é simplesmente que nós gostamos de comer. E sou com orgulho a mãe da casa de comidas. Além de comer conversamos muito sobre o que acontece no Brasil e no mundo, conversamos sobre que roupa é adequada para determinadas ocasiões. Nós somos um lar.

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

A COR DO PRECONCEITO

Asiáticas e asiáticos interpretados por ocidentais, latinos substituídos por europeus e norte-americanos, atrizes e atores brancos pintados de preto mostram que Whitewashing e Blackface são dois lados da mesma moeda da discriminação

Duras críticas a todas e quaisquer manifestações de preconceito étnico, racial e de gênero tornam-se, acertadamente, cada vez mais um marco civilizatório em todo o mundo. É bom que isso ocorra, também, como reforço à democracia social. Essa ficha parece não ter caído, no entanto, para uma parcela da indústria cultural, de entretenimento e produção artística. O assunto veio à baila nos últimos dias após o lançamento da série “Fate: A Saga Winx”, da Netflix. Os assinantes da plataforma começaram a acusar os produtores de discriminação pelo fato de eles privilegiarem atrizes e atores norte-americanos e britânicos, independentemente da etnia que alguns personagens têm de representar. “O que vemos nessa série é a afirmação de um padrão”, diz o sociólogo da Universidade Mackenzie, Rogério Baptistini. “Forma o imaginário de como deveria se constituir o ser humano perfeito”. Para quem não é familiarizado com o mundo das fadas, vale retomar a origem e inspiração da série. A “Saga Winx” chamava-se “Clube das Winx” e tratava-se de um desenho animado no qual oito meninas se matriculam em uma Escola de Fadas para lapidar os seus dons sobrenaturais. O enredo da história, obviamente, nada tem a ver com preconceito racial. Ele, o preconceito, começa quando o desenho ganha atrizes de carne e osso e vira uma live-action. É nesse momento, na escolha de quem vai atuar, que começa o processo de Whitewashing – leia-se embranquecimento, termo empregado para apontar produções culturais que substituem negros, pardos, asiáticos e latinos por pessoas brancas.

PERVERSO ESTEREÓTIPO

De volta à série, exemplo disso é a personagem Flora, que foi excluída e substituída pela fada Terra. Flora interpretava uma latina de Porto Rico. Terra é branca e de olhos extremamente claros. Outro exemplo é o da fada Musa, inspirada na atriz Lucy Liu, filha de chineses. Apesar dos traços orientais, ela é vivida na série por Elisha Applebaum: inglesa e branca. “Recentemente, Kamala Harris sofreu Whitewashing na capa de uma revista”, diz a professora da Unicamp e presidente da Comissão de Diversidade Étnico-Racial, Debora Jaffrey. Kamala, recém-eleita vice-presidente dos EUA, teve seu tom de pele esbranquiçado na capa da revista Vogue. Ela, escolhida por Biden justamente por ser uma mulher negra, tornou-se branca no ensaio fotográfico. “É uma ação racista e uma ligação direta com o racismo estrutural e institucional”, explica Debora. Equivoca-se quem julga que a saga das bruxas é exceção. No filme “A vigilante do amanhã”, de 2017, baseado em um mangá e passado no Japão, a protagonista, quem diria, é a atriz norte-americana Scarlett Johansson. E há até o absurdo do que se pode chamar de “Yellowface”: na novela Geração Brasil, o ator Rodrigo Pandolfo valeu-se de fitas transparentes e barbante para estereotipar olhos puxados.

A origem do embranquecimento, ou seja, dessa trucagem absurda e preconceituosa, está lá no início do século passado e, ironicamente, em um procedimento contrário, batizado de Blackface: atores negros eram banidos das produções, e brancos eram pintados de preto. Em 1927, é isso a que se assiste no primeiro registro sonoro do cinema: “O cantor de jazz”, protagonizado pelo ator branco Al Jolson. Nesse e em outros brancos pintados de preto, os traços da etnia negra são intencionalmente exagerados, em um perverso estereótipo. Quem ama cinema, viu Othelo, de William Shakespeare, vivido pelo britânico Laurence Olivier (1965). Othelo, na obra shakesperiana, é negro. A produção preferiu pintar Olivier. Cabe a pergunta: não havia nenhum ator negro capaz de fazer o papel? Claro que sim. Na televisão brasileira, e bem recentemente, essa mesma estereotipagem de traços forçados foi um padrão seguido no programa humorístico “Zorra Total”, com a personagem Adelaide. Quem a fazia não era uma mulher, mas, sim, um homem tingido de preto. Com todos os casos citados, fica claro, assim, que o Whitewashing e o Blackface são dois lados da mesma moeda da discriminação.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 29 DE MARÇO

PREGUIÇA, CAUSA DE MUITAS PERDAS

O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente (Provérbios 12.27).

O preguiçoso dá alguns passos importantes na vida, mas cessa o seu trabalho antes de concluir seu propósito. Ele sai ao campo para caçar, mas quando apanha a sua caça, não tem disposição para assá-la. Ele passa fome e perde o resultado do seu trabalho porque a preguiça não o deixa concluir aquilo que começou. Quantas perdas na vida por causa da preguiça! Quantos casamentos acabados por causa da preguiça! Quanto dinheiro perdido por causa da preguiça! O preguiçoso não usufrui o fruto do seu trabalho. Não tem perseverança. É acomodado. Prefere a indolência, o conforto, o sono, a cama, e a pobreza ao trabalho. Porém, o bem precioso do homem é ser diligente. O homem diligente encontra um tesouro no trabalho, e não apenas no resultado do trabalho. Deleita-se no trabalho, e não apenas nos seus frutos. Para o diligente, a própria semeadura é uma tarefa encantadora, pois o trabalho em si é uma das mais preciosas recompensas do labor. Não ter nada para fazer ou não fazer nada é uma maldição, mas ocupar-se com o trabalho é uma recompensa que desemboca em muitos outros ganhos. Quem não trabalha dá trabalho; mas quem trabalha amealha riquezas e desfruta de grandes alegrias.

GESTÃO E CARREIRA

NA MIRA DO PÚBLICO

Cuidar da imagem digital se tornou uma questão delicada para as companhias que são cada vez mais pressionadas a se posicionar sobre causas polêmicas

Uma campanha para incentivar as empresas a parar de anunciar no Facebook nos Estados Unidos ganhou os holofotes no início de julho. Os organizadores fizeram isso para chamar a atenção para os discursos de ódio veiculados na rede por meio de textos ou de fake news que negam o holocausto e incitam a violência contra ativistas antirracistas. O apelo deu certo. Até o momento, já são mais de 200 empresas signatárias do movimento global batizado de Stop Hate for Profit, entre elas Colgate-Palmolive, Diageo, Ford, SAP e Unilever.

No Brasil, o perfil no Twitter Sleeping Giants, que atua anonimamente e pressiona companhias a retirar anúncios de sites que veiculam notícias falsas, surgiu em maio e já conta com mais de 378.000 seguidores. Inspirado em um perfil homônimo americano criado em 2016, o objetivo dos idealizadores é mostrar que, quando compram alguns tipos de publicidade no Google, as empresas podem acabar financiando páginas questionáveis – já que os anúncios são veiculados randomicamente de acordo com filtros preestabelecidos, mas sem muito controle. “Estamos aqui para tentar criar uma consciência do ‘monstro’ criado a partir da negligência de grandes plataformas, empresas e pessoas”, disse por e-mail o porta-voz do movimento, que não revela a identidade para não sofrer represálias. “Esperamos que as empresas repensem a responsabilidade que têm.” Para ele, a resposta das companhias brasileiras tem sido positiva: já foram mais de 400 que responderam ao apelo.

PRESSÃO DE TODOS OS LADOS

Essas iniciativas vêm na esteira ele uma pressão cada vez maior sobre as empresas em relação a como elas assumem sua responsabilidade frente a questões sociais – o que conta, e muito, para a reputação corporativa. “Estamos em uma verdadeira crise global e é nítido que o setor privado tem um papel predominante para dar conta dos problemas”, diz Victor Cremasco, sócio da Mandalah, consultoria de negócios e inovação. Por isso, a mentalidade predatória, de lucrar a qualquer custo, começa a perder forças: o público engole cada vez menos esse discurso. “Se compro um produto, quero que ele esteja alinhado com minha visão”, diz Fábio Milnitzky, CEO da iN, consultoria de gestão de marcas. Afinal, para muitos consumidores, usar determinado rótulo é uma forma de expressar a identidade. “E o ambiente das redes sociais pressiona para que pessoas e marcas assumam posições”, diz Fábio. As companhias que não tiverem capacidade de responder poderão ficar para trás, pois os cidadãos descobriram o poder de cobrar e vigiar as atitudes das empresas. E é bom lembrar que isso ocorre não só com o público externo. Os próprios funcionários estão de olhos abertos para essas questões – especialmente os mais jovens. “A nova geração que chega ao mercado de trabalho cobra muito mais das empresas a responsabilidade social”, diz Ana Paula Montanha, diretora da HW Human Capital, consultoria global de recrutamento. “Os talentos vão escolher as empresas na medida em que se identificarem ou não com os valores, com a forma como a organização age e se comporta.” Tudo isso coloca as empregadoras em uma posição delicada: precisam se posicionar e tomar frente em assuntos relevantes para a sociedade, mas devem fazer isso com cuidando da preservação da imagem. Para dar conta de acompanhar as conversas em sites, redes sociais e imprensa, as empresas são obrigadas a monitorar, de forma constante, sua presença online. Esse cuidado, aliás, é o que permite reagir a tempo.

PRONTAS PARA REAGIR

Para Ana Paula, da HW Human Capital, uma das primeiras ações na manutenção da reputação é a criação de um comitê de crise, formado por diretores (entre eles o de RH) e o presidente. “Mapeie os problemas e, uma vez identificados, veja se são causados por falta de alinhamento com os valores”, diz. É só a partir dai que um plano de ação pode ser desenhando. “Quando acontece um erro, o melhor é falar – e, em primeiro lugar, para os próprios funcionários.” Isso é importante porque são eles os embaixadores da marca. Ter esses valores alinhados também ajuda a nortear as auditorias internas e externas, a escolha de fornecedores e até mesmo o recrutamento.

Outro desafio são as questões de publicidade online. Muitos anúncios são feitos de forma automatizada por algoritmos, o que pode significar que não se sabe onde exatamente sua marca vai parar – e o risco de cair num site completamente desalinhado com a ética e os valores da companhia é grande. “Mesmo em se tratando ela publicidade automatizada, o ideal seria que as empresas alertassem seus departamentos de marketing para criar uma black list com sites suspeitos e/ou identificados como disseminadores de conteúdo falso ou de ódio”, orienta o porta-voz do Sleeping Giants.

DISCURSO E ATITUDES ALINHADAS

“Crises de imagem nunca nascem da noite para o dia”, diz Emerson Couto, consultor de imagem e reputação da Curado & Associados, consultoria que presta serviços de monitoramento de reputação. Os problemas sempre têm origem na falta de alinhamento entre o discurso e as atitudes da empresa – o famoso ”faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Segundo Emerson, identificar os pequenos focos de fogo e eliminá-los rapidamente é o que salva as companhias de incêndios de grandes proporções. Para isso, a consultoria criou o Índice de Valor, Gestão e Relacionamento (IVGR), uma ferramenta que monitora a reputação de empresas com base em dados coletados automaticamente na internet. Ela faz uma varredura de tudo o que é publicado sobre a organização e checa a coerência entre os valores da empresa e sua imagem.

A convergência entre fala e ações é o que faz a diferença e dá tranquilidade para que as companhias adotem, inclusive, atitude corajosas e que podem parecer arriscadas à primeira vista. O Burger King, gigante de fast-food, é um desses que não têm medo de encarar posicionamentos complexos. “Entendemos que funcionamos como antena da sociedade, com um papel maior como marca, e buscamos entrar em assuntos que fazem parte do dia a dia”, diz Thais Nicolau, diretora de comunicação e inovação do BK Brasil. Um dos exemplos mais recentes é a campanha Quem Lacra não Lucra. A frase vem de uma hashtag usada por pessoas contrárias a manifestações em defesa de grupos minoritários e utilizada contra o Burger King quando a marca se posicionava em questões LGBT+. Com isso em mente, a companhia resolveu não lucrar em 28 de junho, o Dia do Orgulho LGBT+ , revertendo o lucro líquido das vendas de sanduíches para ONGs da comunidade LGBT+. “Pegamos o discurso de ódio e o transformamos numa mensagem de amor”, explica Thais. A ação foi bem recebida e teve mais de 15 milhões de comentários (81% positivos ou neutros) e mais de 5.000 menções espontâneas nas redes sociais.

O Burger King acompanha suas métricas em um painel on­line que registra diariamente as reações, as visualizações e os comentários negativos e positivos. Além disso, a empresa segue discussões nas redes para ver como sua participação pode ser relevante ou não. Para Thais, além do propósito claro, o fato de ter autonomia e um processo pouco burocrático ajuda a dar velocidade às respostas. Além de engajar os consumidores, a estratégia tem impacto internamente. Várias das campanhas contam com a participação dos próprios funcionários, que são convidados a dar depoimentos. “Em processos seletivos, nosso público-alvo menciona que tem vontade de trabalhar conosco por causa do posicionamento da marca”, explica a executiva.

QUANDO ENTRAR EM UMA CONVERSA

Com a pressão intensa para que as marcas se posicionem, o risco é participar de discussões de forma atropelada. ”Muitas querem tomar um atalho e gerar percepção positiva, sem ver se aquilo faz sentido”, diz Fábio, da iN. Por isso, um dos pontos cruciais para a boa gestão de reputação da empresa é entender por que ela quer ou não se pronunciar sobre um assunto que está sendo comentado. ”É preciso olhar para dentro e ver de que causa você vai participar”, diz. Nesse raciocínio, vale avaliar se existem ações internas para dar conta daquele problema, se o diálogo já foi aberto com os funcionários e quanto a empresa já avançou na questão. Aspalavras-chave para isso são consistência e transparência. “Não adianta fazer um post de ‘vidas negras importam’ e não ter as políticas necessárias nem assumir o que precisa ser feito”, diz Victor, da Mandalah.

Na Pfizer, farmacêutica de origem americana, uma das principais bandeiras é o combate às fake news que falem sobre vacinas ou doenças. “Uma de nossas estratégias alinhadas ao propósito é Liderar o diálogo: queremos estar à frente das discussões sobre saúde e cuidado ao paciente”, diz Cristiane Santos, diretora de comunicação e assuntos corporativos da Pfizer Brasil. “Também queremos ter os melhores profissionais, e para isso é importante termos essa imagem positiva e confiável.” A Pfizer mantém um processo rígido para aprovar qualquer informação divulgada em seus canais. “São aprovações periódicas de todo conteúdo que postamos, inclusive do que já publicamos no passado, para revisar se necessário”, diz. Para Cristiane, esse cuidado ajuda a manter a reputação e reforça a responsabilidade com as informações. Além disso, são avaliadas as reações do público para entender quais temas ele espera que a Pfizer aborde. “Esse trabalho nos guia no ambiente digital.” Foi por isso que, além do combate às desinformações sobre vacinação, a empresa decidiu falar sobre assuntos como suicídio e câncer. “Vimos a importância de trabalhar tabus e certos preconceitos”, diz.

Com a covid-19, a Pfizer tomou a frente ao tirar dúvidas do público, fazer lives com médicos e discutir questões de saúde mental. O desafio é conseguir reagir rapidamente e zelar para que a comunicação seja adaptada para cada canal – como Instagram, LinkedIn ou Facebook

– sem perder a coerência. “Apesar das linguagens diferentes, é preciso que seja a mesma persona, com os mesmos valores”, diz Cristiane.

CONSTRUÇÃO DE IMAGEM

Esse cuidado não vale só para empresas que já estão na mira do público. Um trabalho de posicionamento bem-feito pode ajudar a atrair o olhar para as novatas, como é o caso da BRK Ambiental, que presta serviços de saneamento básico. Com três anos de mercado, ela atende cerca de 15 milhões de habitantes em 13 cidades, e tem como desafio atrair mão de obra qualificada, como engenheiros e administradores. “Temos feito um trabalho intenso para reforçar a relevância dos nossos serviços e também entrar nas pautas relacionadas ao cuidado com a água”, diz Juliana Calsa, responsável pela comunicação da BRK Ambiental. A ideia é reforçar o propósito da companhia (transformar a vida das pessoas por meio da água) ao mesmo tempo em que conscientiza em relação ao tema.

Na pandemia, Juliana foi surpreendida por dúvidas sobre o uso da máscara de pano e os cuidados para a prevenção ao coronavírus. “Nesse momento, entendemos que precisávamos ter um olhar mais empático com as pessoas e com os clientes.” Isso a levou a criar novos canais de atendimento para facilitar o acesso no isolamento, além de não cortar água por inadimplência nos últimos três meses. “Não faria sentido falar coisas que não se conectam com o que fazemos. As pessoas percebem quando estamos forçando a barra”, diz Juliana.

Desde janeiro do ano passado, a BRK monitora o NGR e notou uma melhora de 34% de março a junho deste ano. E nos últimos três meses, a empresa aumentou em 25% o número de seguidores no LinkedIn. Para Juliana, isso é um reflexo do posicionamento ativo nesse período. “Como estamos em um mercado em expansão, ter talentos olhando para nós é fundamental”, diz. Outro índice que teve melhora no mesmo período foi o de atributo de empresa responsável – que subiu 162% no último ano.

O índice avalia quanto as pessoas entendem que a empresa assume sua responsabilidade para além daquilo que entrega como serviço essencial. “Sairemos da crise com as pessoas confiando mais em nós.”

5 PASSOS PARA CUIDAR DA IMAGEM

Entenda quais atitudes são fundamentais para manter a reputação protegida

1. TER TRANSPARÊNCIA

Ser claro sobre a condução dos negócios é importante para fortalecer a reputação. Para isso, é preciso conversar sobre os pontos de melhoria. Nenhuma empresa é perfeita, e é sempre melhor falar sobre o que ainda pode ser desenvolvido do que tentar passar uma imagem irretocável.

2. SER COERENTE

Uma pessoa que se comporta de maneiras diferentes dependendo da situação gera desconfiança. E o mesmo vale para as companhias. Embora exista a necessidade de adaptar o discurso para diferentes públicos, os posicionamentos adotados devem ser sempre os mesmos e convergir para os mesmos objetivos e valores. Isso envolve não cair no oportunismo: a escolha das pautas discutidas tem que ter a ver com o que já é feito pela companhia.

3. OUVIR O PÚBLICO

Os ajustes finos na forma de se expressar e se posicionar envolvem saber escutar o que o público – tanto interno quanto externo – está dizendo a respeito dos temas. Isso ajuda, inclusive, entender o que precisa ser trabalhado ainda dentro de casa. Avaliar os assuntos nas pesquisas de clima é uma ótima oportunidade para ter um feedback real e concreto.

4. CUIDAR DO ENGAJAMENTO

No processo de construção de marca, o primeiro público é sempre o interno. Se a empresa não tiver, por exemplo, uma boa política de diversidade e inclusão e abordar o assunto nas redes sociais, correrá o risco de que a dissonância entre o que fala e o que faz apareça. Funcionários ou ex­ funcionários poderão argumentar que a companhia só está pregando aquilo da boca para fora.

5. CONDUZIR PROCESSOS DE AUDITORIA

A preocupação ética deve estar presente em todos os processos de uma empresa desde a divulgação de conteúdo até a contratação de fornecedores e parceiros. Esse, aliás, é um ponto importante, pois em muitos casos os problemas de reputação acontecem devido ao mau comportamento de terceiros.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MODELO MENTAL

Muito se questiona sobre qual o melhor perfil comportamental para gerar resultados positivos. O cuidado com o gerenciamento do que se pensa irá refletir em emoções mais adequadas à produtividade

Seja no ambiente profissional ou pessoal, todos desejam ter sucesso no que fazem, mas nem sempre é isso que ocorre. Falhas, erros e fracassos podem ser associados a uma imensa gama de variáveis, que vão desde o ambiente externo (mercado, condições econômicas, necessidades dos clientes) até a atmosfera psicológica que envolve os agentes que praticam as ações.

Sabemos que as palavras que ecoam em nossas cabeças, o famoso self talk, são responsáveis pelo estado de ânimo. O monólogo interno é resultado de muitos fatores, como: memórias marcantes, conteúdo absorvido, interpretação dos estímulos externos e reações a sintomas endógenos. Ou seja: também estamos à mercê de muitas possibilidades sobre as quais não temos, de fato, muito controle.

Podemos destacar alguns aspectos e como trabalhar – de dentro para fora – a busca pela excelência no nivelamento emocional. Não é fácil, mas pode se tornar natural com o passar do tempo. A experiência de vida, seja ela qual for, e como foi interpretada, é o maior provedor de estruturas frasais que ficam ricocheteando na mente de todos nós. As trocas que fazemos com o grupo com que nos comunicamos é a segunda variável mais importante: o que ouvimos e como respondemos. Com isso já podemos destacar dois perfis de pensamento recorrente e como isso pode refletir negativamente ou não no dia a dia: abundância e escassez.

Quem teve experiência de vida dentro de uma base econômica estável pode estabelecer com facilidade um pensamento voltado para a abundância. Os recursos e custos podem ser calculados com meses de antecedência sem muitas surpresas, o que gera uma maior tranquilidade para o planejamento a longo prazo e etapas para a realização dos projetos.

Quem está ou esteve submerso em uma economia instável com histórico de bruscas mudanças no cenário pode desenvolver um perfil voltado para a escassez, tornando difícil um planejamento sólido e tranquilo para longo prazo, criando o imediatismo nas ações em busca de retorno rápido.

O detalhe importante é que isso pode ser alterado de acordo com a vontade e esforço de cada um. No entanto, quem está dentro de um estado de ânimo por muito tempo – em qualquer perfil possível – muitas vezes pensa que “é assim” ao invés de ter a consciência de que “está assim”. Somos capazes de mudar e nos adaptar diante das demandas cotidianas e com o gerenciamento interno podemos ir além. Basta, inicialmente, reconhecer se existe essa necessidade.

Qualquer um que esteja no modelo da escassez pode pensar que isso é uma perda de tempo, afinal ele exige resultados rápidos. Já os que estão modelados na abundância podem aceitar com facilidade a inclusão de algumas práticas em sua vida, como investimento na lapidação e sua excelência.

Podemos apresentar algumas dicas de como direcionar o pensamento para o gerenciamento emocional. Qualquer modelo existente pode ser melhorado e, uma vez que se descubra como isso possibilita melhores resultados, provavelmente as práticas serão incorporadas no dia a dia como parte das atividades essenciais: Meditação: os melhores operadores do mercado financeiro possuem uma rotina quase religiosa de acordar muito cedo para meia hora de meditação. Trata-se de um alinhamento emocional antes de começar a atuar no ambiente de rápidas mudanças, onde a percepção deve ser muito apurada.  Mantra pessoal: método criado pelo psicólogo francês Émile Coué e aprimorado nos últimos anos. Absolutamente simples! Monte, de forma assertiva, um pequeno texto de incentivo. Grave no seu próprio celular e escute várias vezes ao dia. O mantra criado pelo Coué, para ter como exemplo, é esse: “Todos os dias, sob todos os aspectos, eu vou cada vez melhor!”. Palavras de controle: busque, todos os dias, novas palavras que possam estar ligadas ao seu propósito profissional ou pessoal. No mínimo dez novas palavras por dia, anote e incorpore em suas frases essas novas palavras. Vá juntando as palavras ao longo dos dias e no final de semana revise tudo, palavra a palavra, e o significado de cada uma para você. Caso tenha dificuldade, faça uma busca na internet pelo processo Vitatransformatio, pode ajudar. Neuróbica: exercícios de neuróbica já são mais do que conhecidos. Caso isso seja uma novidade para você basta fazer uma pequena busca na internet que, com certeza, irá encontrar uma centena de textos e livros com exemplos de atividades para o cérebro.

São apenas dicas para começar um trabalho que, com certeza, não terá fim. Não existe um modelo ou nível melhor que o outro, pois depende de cada momento na vida e do ambiente onde estamos inseridos. No entanto, todos os modelos podem ser aprimorados. Se está pensando em começar a se trabalhar, o momento é agora: não espere pelo próximo minuto. Descubra como a abundância e a escassez podem fazer toda a diferença nos resultados de vida profissional e também pessoal.

O PROF. DR. JOÃO OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções!; Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida; e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).