A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ASSÉDIO MORAL

Esse comportamento é o escoamento da integridade psicológica do indivíduo e não pode ser considerado um fenômeno da atualidade, pois ele acontece desde que surgiram as primeiras relações de trabalho

O assédio moral não pode ser considerado um fenômeno da atualidade. Desde que surgiram as primeiras relações de trabalho já podia ser observado o assédio moral. O que pode ser chamado de atual é a forma como as pessoas passaram a reagir diante desse fenômeno; foi a partir da década de 1980 que passou a ser visto como problema social e ato ilícito a ser combatido justamente por suas consequências danosas. Isso mostra que buscar ajuda, informação e denunciar abusos indicam saúde mental e evitam maiores efeitos negativos.

Com todo avanço tecnológico, situações podem ser gravadas e/ou filmadas, e, ainda com a possibilidade de se poder falar a respeito, seja através das mídias ou no próprio ambiente de trabalho, as vítimas se sentem mais encorajadas a comunicar situações de crueldade no ambiente institucional.

Ainda se nota o medo de perder o emprego, ou de denunciar por receio de represálias, ou também que a situação possa ser invertida a favor do agressor, como, por exemplo, criando caminhos para a vítima ser demitida por justa causa.

Uma das situações que podem ocorrer é o desgaste emocional da vítima e, como consequência, a diminuição da capacidade laboral, caminhando assim para o rompimento da relação de trabalho. É fato que situações como essas, lamentavelmente, podem acontecer. E é exatamente por isso que os indivíduos precisam ser informados de que não se trata de algo normal, mas que é infelizmente comum, o fato de serem subjugados e agredidos psicologicamente no ambiente de trabalho.

O assédio moral afronta a dignidade e escoa a integridade psicológica da vítima deixando-a com alto grau de ansiedade e medo; a relação passa a ser permeada pela angústia, o rendimento tende a diminuir e a pessoa fica debilitada devido aos ataques a sua saúde mental. A autoestima é prejudicada e as sucessivas agressões psicológicas podem funcionar como gatilho para diversos distúrbios emocionais e psiquiátricos; aos poucos vai se destruindo sua capacidade de trabalho e resistência psicológica; afetam-se, além do ambiente de trabalho, também as relações sociais e familiares.

Os principais distúrbios emocionais encontrados em vítimas do assédio moral são a depressão, a ansiedade que pode levar a crises de pânico, burnout, distúrbios alimentares e do sono, alcoolismo, e até mesmo, em situações mais graves, o suicídio.

Na prática, o assédio moral se configura por terror psicológico que se manifesta através de sucessivas e frequentes ações de maus-tratos através de atos como humilhações, ofensas verbais, sabotagens, exposição ao constrangimento, hostilidade declarada ou encoberta, intimidação, chantagens e/ou ameaças veladas ou explícitas durante o exercício de sua função no ambiente laboral.

Como o assédio moral afeta o equilíbrio emocional da vítima, a forma de se relacionar com o seu entorno fica prejudicada. O sentimento de impotência, de frustração, de não aceitação, pode fazer emergir com mais facilidade a agressividade contra si próprio ou ao outro.

O agressor/assediador com seu narcisismo e egocentrismo preponderantes intimida, se sente mais forte e mais apto que o outro; e através de sua alta capacidade de observação sobre o comportamento alheio, identifica a vulnerabilidade; é nessas circunstâncias que sente que há espaço para destilar sua agressividade e transformar a vítima em sua presa.

O mais importante a fazer quando se identifica que se está sendo vítima de assédio é buscar criar mecanismos de auto- proteção, já que o agressor vai se utilizar da fragilidade e da vulnerabilidade emocional para se beneficiar.

Desvencilhar-se dessa teia perversa é difícil porque a dinâmica estabelecida aprisiona, mas é possível encontrar a melhor saída. O apoio psicológico é fundamental para que se possa fortalecer a autoestima e não se deixar abater pelos ataques.

Infelizmente, o que se verifica é que a legislação brasileira ainda se mostra insipiente quanto aos critérios que possam configurar o assédio e suas consequências. Alguns dispositivos de repressão podem ser encontrados no funcionalismo público, diferentemente de empresas privadas que ainda não possuem instrumentos claros para coibir o assédio. Em não havendo uma legislação unificada torna-se compreensível o receio das vítimas em denunciar.

É importante que as empresas adotem formas de coibir o assédio, seja por parte dos superiores hierárquicos ou de seus pares, seja por meio de políticas preventivas, campanhas educativas e informativas, a fim de promover bem-estar e saúde ao trabalhador através de um ambiente de trabalho saudável.

Diante das consequências desastrosas do assédio, que podem trazer adoecimento à vítima, a empresa será responsabilizada e poderá ter que arcar com o ônus de um processo judicial, com pagamento indenizatório por danos morais.

É importante lembrar que uma pessoa passa muito tempo em seu local de trabalho ou em função dele; isso significa que o trabalho é um ponto importante na vida de uma pessoa; mas não pode ser considerado o único. As sequelas emocionais causadas pelo assédio moral podem chegar a incapacitar parcialmente ou até plenamente uma pessoa.

Submeter o trabalhador a pressão psicológica não aumentará a produtividade, ao contrário, levará à estafa emocional, diminuindo sua capacidade criativa, funcional e psicológica. Proporcionar um ambiente saudável, com postura mais humana, contribuirá no aumento do bem-estar e poderá ajudar no crescimento da produtividade.

RENATA BENTO – é psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família. Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada à IPA – International Psychoanalytical Association, à Fepal – Federación Psicoanalítica de América Latina e à Febrapsi – Federação Brasileira de Psicanálise. renatabento.psi@gmail.com

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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