A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EFEITOS PSICOLÓGICOS DA NUTRIÇÃO

Estudo de longa duração acompanha efeitos psicológicos subjetivos dos hábitos nutricionais

Recente pesquisa realizada na Inglaterra e Escócia apontou claramente que o consumo de mais frutas e vegetais está ligado a um menor risco de depressão e de ansiedade, que são de longe os transtornos mentais que mais afligem a humanidade atualmente.

Essa pesquisa foi realizada todos os anos desde 2001 e abrangeu mais de 7 mil pessoas, que foram questionadas sobre sua dieta e estilo de vida. O estudo concluiu que existe uma relação inversa entre a probabilidade de uma pessoa ser diagnosticada com problemas de saúde mental e o consumo de frutas e verduras. Por exemplo, quanto mais frutas e verduras as pessoas comiam, menos tinham depressão.

Os investigadores procuraram estabelecer conexões entre os padrões alimentares e o impacto de eventos de vida na saúde. A ideia era testar a hipótese de que os alimentos podem compensar o impacto de grandes eventos da vida, como divórcio e desemprego, por exemplo.

Nesse estudo, foi descoberto que quatro porções de frutas e legumes extras por dia podem compensar o impacto de grandes eventos da vida, como ficar sem emprego ou passar por uma separação. Essa porção extra de mais frutas e vegetais poderia neutralizar metade da dor de se divorciar ou um quarto do efeito negativo do desemprego. Quando os pesquisadores testaram o impacto sobre o bem-estar mental de comer oito porções por dia comparado a nenhuma, o resultado foi muito mais intenso.

Esses benefícios psicológicos se somam aos já bem conhecidos efeitos protetores dos alimentos saudáveis contra o câncer e as doenças cardíacas. O efeito psicológico de mudanças nutricionais é muito mais rápido do que as melhoras físicas que ocorrem em uma dieta saudável. Segundo os investigadores, os ganhos mentais ocorrem em 24 meses, enquanto os ganhos físicos não ocorrem até os 60 anos.

Um possível mecanismo pelo qual frutas e vegetais podem afetar o nível de felicidade é através de seus efeitos antioxidantes. O estudo apontou uma conexão entre o consumo de alimentos ricos em antioxidantes e o traço psicológico do otimismo, que é extremamente protetor na saúde mental. A depressão e a ansiedade se ampliam quando está instalada a desesperança e uma visão negativa do futuro, e são combatidas pela esperança e otimismo.

Segundo os pesquisadores, a introdução de um consumo de cerca de sete ou oito porções de frutas e vegetais por dia causa um aumento do bem-estar mental da mesma magnitude que eventos negativos, como um divórcio, só que este funciona empurrando as pessoas para o outro lado, para um estado depressivo. Em outras palavras, o efeito positivo das oito porções de frutas e vegetais diários pode contrabalançar eventos estressores, como o estresse produzido pela experiência de uma separação na balança do humor.

Outro evento psicologicamente negativo estudado foi a condição de estar desempregado, que tem um efeito bastante ruim e significativo na saúde mental das pessoas, aumentando muito o risco de depressão e ansiedade. Nesse estudo foi descoberto que comer sete ou oito porções de frutas e vegetais por dia pode reduzir pela metade o risco de quadros depressivos ou transtornos ansiosos.

O aumento da ingestão diária de frutas e legumes de zero para oito torna os sujeitos significativamente menos propensos a sofrer de depressão ou ansiedade nos próximos dois anos. O efeito de um empurrão para cima no aumento do bem-estar é comparável ao efeito de empurrão para baixo na redução do humor causado pela experiência de grandes eventos negativos da vida.

As medidas de bem-estar mental e do bem-estar subjetivo (satisfação com a vida) respondem aumentando de forma proporcional à ampliação tanto da frequência como da quantidade de frutas e verduras consumidas, de forma dose-dependente.

O mais interessante nessa investigação é a comparação entre efeitos positivos e negativos, tanto em nível biológico como psicológico, mostrando o quanto nossa vida mental subjetiva está associada ao funcionamento do organismo. As fronteiras entre o biológico, psicológico e social são meramente didáticas, pois na prática temos o cérebro humano lidando com o funcionamento biológico do corpo, com seus estados mentais e mundo subjetivo, e, por outro lado, com os estímulos e interações sociais de forma integrada. De fato, as evidências científicas apontam a sabedoria da famosa citação do poeta romano Juvenal: “Mens sana in corpore sano”.

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.