A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESFERAS DE INFLUÊNCIA

Coaching de vida pode ajudar a preencher as lacunas em nossos planos mestres e esclarecer o caminho de onde estamos e para onde queremos ir. Não é para os fracos de coração

É possível treinar a vida? É útil ter alguém para dizer como viver a vida? Eu não sou capaz de buscar o melhor caminho sozinho? Essas são perguntas que muitas pessoas fazem a si mesmas quando se questionam a respeito da utilidade ou da importância de fazerem coaching, o que faz sentido, dada a incompreensão geral do que é o coaching de vida e, também, de como acontece esse processo que capacita os clientes a criarem uma vida mais satisfatória.

Segundo John Wooden, o sucesso vem de saber que você fez o melhor para se tornar o melhor que é capaz de ser. O coaching não é terapia ou aconselhamento, que associa um profissional de saúde mental a um cliente que busca orientação sobre o bem-estar. Não é mentoria nem treinamento, em que um profissional é acompanhado por um profissional mais experiente. É uma parceria entre o coach e o cliente, projetada para ajudar o segundo a explorar suas opções, focar em seus objetivos e criar um plano de ação personalizado.

Coaches não dão aos seus clientes uma lista de opções para escolher ou um rigoroso conjunto de passos a seguir, em vez disso eles pretendem ajudar seus clientes a descobrirem seus próprios motivos e objetivos e auxiliá-los a encontrar o melhor caminho para cada um. É um plano de ação que permite que você use suas habilidades para fazer as melhores escolhas, facilitando o crescimento pessoal e profissional.

Existem diversos temas e questões através dos quais precisamos transitar para fortalecer nossas escolhas e facilitar o alcance de nossas metas. Uma questão essencial para que direcionemos nossa vida de forma mais clara e precisa é refletirmos sobre uma das muitas ameaças que tendem a nos desviar do curso e está relacionada às nossas “esferas de influência”. A ideia por trás das esferas de influência é que existem três possibilidades distintas que podemos atravessar nas idas e vindas da vida: coisas que podemos controlar, coisas que podemos influenciar e coisas que não podemos influenciar, agora ou nunca.

Embora saibamos que não há nada sob nosso absoluto controle, muitas vezes há pelo menos uma variável sobre a qual ainda temos controle direto – nossas atitudes e comportamentos. Mesmo quando sob enorme pressão ou quando nos sentimos presos, sempre temos escolha. Essa escolha passa pela consciência sobre nossas crenças, que filtram a forma como percebemos a realidade. A nossa crença em espíritos, por exemplo, filtra a maneira como vemos e compreendemos certos acontecimentos. Estarmos conscientes disso e buscarmos outras oportunidades de leitura e interpretação nos oferecem maior possibilidade de controle sobre nossas atitudes. O preço dessa liberdade de escolha reside no desapego da necessidade de estarmos sempre certos. Não ter medo de encarar nossa falibilidade é libertador porque nos permite mudar de perspectiva ao analisar uma situação ou acontecimento, o que flexibiliza nosso olhar para a realidade e nos permite ter maior controle de nosso comportamento.

A segunda possibilidade que enfrentamos em nossa esfera de influência é a capacidade de influenciar certos fatores que podemos direcionar para nossos interesses, mesmo quando não podemos alterá-los completamente. Por exemplo, embora não possamos controlar as atitudes ou o comportamento dos outros, podemos oferecer-lhes conselhos e orientações ou fornecer provas para ajudá-los a tomar decisões de nosso interesse. Abre-se, aqui, a necessidade de refletirmos sobre o ato de influenciar.

Todos nós influenciamos e somos influenciados em função de nossa natureza gregária. Somos animais sociais e, como tais, não temos autonomia existencial. Existimos em função de outros e precisamos legitimar nossas crenças e atitudes dentro da teia social, sob pena de sermos colocados à margem. As influências externas nos ajudam a construir a noção da realidade, e esta é dinâmica, tem um movimento que resulta, inclusive, de alguns estágios de contradição ou de oposição de crenças. Segundo Hegel, grande filósofo alemão do século XIX, a realidade é construída por três “seres”: o ser em -si, o ser fora-de-si e o ser para-si. Na metodologia científica, esses três seres costumam ser chamados de tese, antítese e síntese. Hegel criou a ideia da dialética da vida, um movimento permanente. Dizia que uma semente deve morrer para nascer a planta, da mesma forma que um conceito velho precisa morrer para dar lugar a um novo.

A terceira e mais inquietante possibilidade colocada pela vida é o conjunto de coisas sobre o qual não temos nenhum controle ou influência. Essa é a maior dimensão que temos que encarar na vida, uma vez que a maior parte do que acontece não está sob nosso controle direto. O papel do coaching, nesse caso, é ajudar a reconhecer e aceitar que há muito que nós não podemos controlar e como concentrar a energia naquilo que podemos, ao menos, influenciar.

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.