A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AÇÕES VIRTUOSAS E FILANTROPIA

Como diversas formas de contribuição social são capazes de pavimentar um caminho poderoso de florescimento do indivíduo e da sua comunidade

Para alcançarmos uma vida mais feliz em sociedade, diversos estudos psicológicos examinaram como ajudar o próximo é capaz de afetar o nosso bem-estar. Existe uma correlação entre os benefícios aproveitados por quem recebe ações filantrópicas e, de modo correspondente, aqueles recebidos por quem age de modo generoso e altruísta.

A origem etimológica da palavra “filantropia” é o termo grego philantropia, que significa “amor à humanidade”. Esse comportamento faz parte da história humana, uma vez que a cooperação social em larga escala foi o que permitiu que os grupos humanos prosperassem e chegássemos ao estágio evolutivo atual.

Nesse contexto, a motivação para o altruísmo e a filantropia são as chamadas “ações virtuosas”, que, à luz da filosofia aristotélica, podem ser sucintamente explicadas como atividades conscientes e voluntárias que visam um bem maior e que expressam a excelência humana. Ações virtuosas são comumente definidas pela literatura da Psicologia Positiva como gratificações, excelências ou atividades de flow (fluxo), aquelas que envolvem você completamente, aproveitam suas forças e permitem que você perca a autoconsciência e mergulhe no que está fazendo.

Nos tempos presentes, os motivos principais para o envolvimento em ações filantrópicas são a proteção e a crença na necessidade de tomar responsabilidade social pelo bem-estar comunitário da sociedade. Esse tipo de ação social, portanto, representa uma ponte entre preocupações individuais e coletivas. É um caminho para que as pessoas conectem seus interesses aos dos outros, liguem-se a suas comunidades e envolvam-se com a sociedade em maior escala, sempre por meio de iniciativas de indivíduos e grupos para os quais esse envolvimento não é obrigatório.

Alinhado a isso, o modelo de ação e bem-estar da Psicologia Positiva apresenta implicações ricas para a teoria filantrópica. O dr. Martin Seligman, “pai” da Psicologia Positiva, invoca essas conexões com frequência, a ponto de definir a sua área de estudos como uma tentativa de mover a Psicologia do egocêntrico para o filantrópico.

Essa é a essência da contribuição que define os objetivos altruístas – cujos benefícios se estendem, também, a toda uma cadeia de pessoas, e que, por isso mesmo, são capazes de elevar os nossos níveis habituais de felicidade, saúde e bem-estar. Para tanto, diversos tipos de doação são possíveis – tempo, trabalho, atenção, conhecimento e, claro, recursos materiais.

Em um trabalho intitulado “Gastos pró-sociais e felicidade”, as psicólogas Elizabeth Dunn e Lara Aknin, juntamente com Michael Norton, da Harvard Business School, encontraram uma relação positiva consistente entre os chamados gastos “pró-sociais” e o bem-estar. Realizada em 136 países, com níveis de riqueza e contextos culturais diversos, a pesquisa revelou que indivíduos que recentemente haviam feito doações a instituições de caridade relataram maior bem-estar subjetivo, mesmo considerando diferenças individuais de renda.

No nível psicológico, os pesquisadores pontuam que a doação voluntária de recursos financeiros tem ligação com a teoria da autodeterminação, desenvolvida por Edward L. Deci e Richard M. Ryan. Segundo essa teoria, o bem-estar humano depende da satisfação de três necessidades básicas: relacionamento, competência e autonomia, as quais emergem quando as pessoas se conectam com os outros por meio dos gastos pró-sociais, veem como suas ações generosas são capazes de fazer a diferença e sentem que suas ações de caridade são escolhidas livremente.

Por trás disso está também a ideia de que o bem-estar de um indivíduo depende intrinsecamente do bem-estar dos seus relacionamentos e da comunidade em que ele reside. Para o dr. Isaac Prilleltensky, da Universidade de Miami, a própria definição de bem-estar engloba um estado positivo de relações, nutrido pela satisfação simultânea e equilibrada de diversas necessidades nas esferas pessoal, relacional e coletiva da vida de uma pessoa. Dessa forma, ele propõe em seu trabalho uma mudança de paradigma que dê às abordagens baseadas em forças, prevenção, empoderamento e comunidade mais destaque, visando impactar positivamente áreas como saúde e justiça social. O enfoque é fazer avançar e progredir os indivíduos e suas comunidades.

De muitas maneiras, trabalhando isolada ou coletivamente, as pessoas são capazes de atuar em prol da humanidade. Mas como você pode colocar isso em prática? Os caminhos são vários. O envolvimento filantrópico pode assumir a forma de participação em trabalho voluntário, grupos comunitários e organizações de bairro, ativismo social e movimentos políticos, tendo como objetivo maior o bem-estar conjunto e cidadão.

Atividades como essas são oportunidades de abordar e agir sobre problemas locais e globais, considerando que o poder da mudança e do florescimento está em cada um de nós.

FLORA VICTORIA – é presidente da SBCoaching Training, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, especialista em Psicologia Positiva aplicada ao coaching. Autora de obras acadêmicas de referência, ganhou o título de embaixadora oficial da Felicidade no Brasil por Martin Seligman. É fundadora da SBCoaching Social.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.