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MEMÓRIA PRESERVADA

Estudo mostra pela primeira vez que os portadores do mal de Alzheimer podem recuperar lembranças recentes graças à molécula ISRIB

A descoberta de uma substância que possibilite que as pessoas portadoras de Alzheimer deixem de perder a memória recente é algo que a comunidade científica busca há muito tempo. Como a doença não tem cura, essa molécula representaria uma conquista importante para melhorar a autonomia e a convivência familiar dos pacientes. Pois esse elemento químico existe: seu nome é ISRIB (Inibidor Integrado de Resposta ao Estresse) e foi descoberto em 2003 por cientistas californianos. A ação positiva da ISRIB na luta contra o mal de Alzheimer, no entanto, foi comprovada apenas agora por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A molécula ainda não existe em forma de medicamento, mas os testes mostraram que ela pode representar um caminho eficiente para o tratamento dessas pessoas. No Brasil. há mais de um milhão de pacientes com Alzheimer e a doença representa 70% dos casos de demência. As conclusões dessa pesquisa inédita foram publicadas no periódico científico internacional “Science Singnaling”.

NO FUTURO

Para que o cérebro possa formar e consolidar a memória é necessário que haja a produção de várias proteínas na região do órgão conhecida como hipocampo. A pesquisa demonstrou em laboratório que a ISRIB tem a capacidade de permitir a síntese dos elementos relacionados ao funcionamento dos neurônios e, por extensão, à formação e consolidação da memória. A produção dessas proteínas em pessoas com Alzheimer fica prejudicada e o paciente perde as recordações mais próximas. Não consegue se lembrar, por exemplo, onde deixou as chaves ou o nome do vizinho com quem acabou de conversar. Segundo Sergio Ferreira, professor dos institutos de Biofísica e Bioquímica Médica da UFRJ, a molécula ISRIB estimula a produção dessas proteínas. “O uso dessa substância ajuda no processo de fixação da memória”, explica. “O que fazemos é proteger o órgão para que ele seja capaz de consolidar as informações na medida em que são aprendidas.”

A pesquisa ainda carece de mais trabalho científico até que se possa transformar a molécula em um medicamento pronto para uso. Isso não deve ser realizado no Brasil, onde a verba para o financiamento científico é escassa. A expectativa é de que companhias de biotecnologia estrangeiras se interessem, uma vez que a última medicação descoberta para combater o mal de Alzheimer, que apenas retarda a projeção da doença, surgiu no início dos anos 2000 – há mais de vinte anos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.