EU ACHO …

CONVERSAS

Um dia acordei às quatro da madrugada. Minutos depois tocou o telefone. Era um compositor de música popular que faz as letras também. Conversamos até seis horas da manhã. Ele sabia tudo a meu respeito. Baiano é assim? E ouviu dizer coisas erradas também. Nem sequer corrigi. Ele estava numa festa e disse que a namorada dele – com quem meses depois se casou – sabendo a quem ele telefonava, só faltava puxar os cabelos de tanto ciúme. Na reunião tinha uma Ana e ele disse que ela era ferina comigo. Convidou-me para uma festa porque todos queriam me conhecer. Não fui.

Em compensação estive uma vez numa festa na casa de Pedro e Miriam Bloch. Foi poucos meses antes da morte de Guimarães Rosa. Guimarães Rosa e Pedro foram comigo para outra sala, na qual pouco depois entrou Ivo Pitanguy. Guimarães Rosa disse que, quando não estava se sentindo bem em matéria de depressão, relia trechos do que já havia escrito. Espantaram-se quando eu disse que detesto reler minhas coisas. Ivo observou que o engraçado é que parece que eu não quero ser escritora. De algum modo é verdade, e não sei explicar por quê. Mas até ser chamada de escritora me encabula. Nessa mesma festa Sérgio Bernardes disse que há anos tinha uma conversa para ter comigo. Mas não tivemos. Pedi uma Coca-Cola, em vez. Ele estava falando com o nosso grupo coisas que eu não entendia e não sei repetir. Então eu disse: adoro ouvir coisas que dão a medida de minha ignorância. E tomei mais um gole de Coca-Cola. Não, não estou fazendo propaganda de Coca-Cola, e nem fui paga para isso.

Guimarães Rosa então me disse uma coisa que jamais esquecerei, tão feliz me senti na hora: disse que me lia, “não para a literatura, mas para a vida”. Citou de cor frases e frases minhas e eu não reconheci nenhuma.

Outra pessoa que me telefonava de madrugada explicara que passava pela minha rua, via a luz acesa, e então me telefonava. No terceiro ou quarto telefonema disse-me que eu não merecia mentiras: na verdade o fundo da casa dele dava para a frente da minha e ele me via todas as noites. Como se tratava de oficial de marinha, perguntei-lhe se tinha binóculo. Ficou em silêncio. Depois me confessou que me via de binóculo. Não gostei. Nem ele se sentiu bem de ter dito a verdade, tanto que avisou que “perdera o jeito” e não me telefonaria mais. Aceitei. Fui então à cozinha esquentar um café. Depois sentei-me no meu canto de tomar café, e tomei-o com toda a solenidade: parecia-me que havia um almirante sentado à minha frente. Felizmente terminei esquecendo que alguém pode estar me observando de binóculo e continuo a viver com naturalidade. Como vocês veem isto não é coluna, é conversa apenas. Como vão vocês? Estão na carência ou na fartura?

*** CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

MEMÓRIA PRESERVADA

Estudo mostra pela primeira vez que os portadores do mal de Alzheimer podem recuperar lembranças recentes graças à molécula ISRIB

A descoberta de uma substância que possibilite que as pessoas portadoras de Alzheimer deixem de perder a memória recente é algo que a comunidade científica busca há muito tempo. Como a doença não tem cura, essa molécula representaria uma conquista importante para melhorar a autonomia e a convivência familiar dos pacientes. Pois esse elemento químico existe: seu nome é ISRIB (Inibidor Integrado de Resposta ao Estresse) e foi descoberto em 2003 por cientistas californianos. A ação positiva da ISRIB na luta contra o mal de Alzheimer, no entanto, foi comprovada apenas agora por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A molécula ainda não existe em forma de medicamento, mas os testes mostraram que ela pode representar um caminho eficiente para o tratamento dessas pessoas. No Brasil. há mais de um milhão de pacientes com Alzheimer e a doença representa 70% dos casos de demência. As conclusões dessa pesquisa inédita foram publicadas no periódico científico internacional “Science Singnaling”.

NO FUTURO

Para que o cérebro possa formar e consolidar a memória é necessário que haja a produção de várias proteínas na região do órgão conhecida como hipocampo. A pesquisa demonstrou em laboratório que a ISRIB tem a capacidade de permitir a síntese dos elementos relacionados ao funcionamento dos neurônios e, por extensão, à formação e consolidação da memória. A produção dessas proteínas em pessoas com Alzheimer fica prejudicada e o paciente perde as recordações mais próximas. Não consegue se lembrar, por exemplo, onde deixou as chaves ou o nome do vizinho com quem acabou de conversar. Segundo Sergio Ferreira, professor dos institutos de Biofísica e Bioquímica Médica da UFRJ, a molécula ISRIB estimula a produção dessas proteínas. “O uso dessa substância ajuda no processo de fixação da memória”, explica. “O que fazemos é proteger o órgão para que ele seja capaz de consolidar as informações na medida em que são aprendidas.”

A pesquisa ainda carece de mais trabalho científico até que se possa transformar a molécula em um medicamento pronto para uso. Isso não deve ser realizado no Brasil, onde a verba para o financiamento científico é escassa. A expectativa é de que companhias de biotecnologia estrangeiras se interessem, uma vez que a última medicação descoberta para combater o mal de Alzheimer, que apenas retarda a projeção da doença, surgiu no início dos anos 2000 – há mais de vinte anos.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 21 DE MARÇO

A VERDADE VIVE MAIS DO QUE A MENTIRA

O lábio veraz permanece para sempre, mas a língua mentirosa, apenas um momento (Provérbios 12.19).

Há um ditado popular que diz: “A mentira tem pernas curtas”. Para sustentar uma mentira, uma pessoa precisa ter boa memória, pois outras mentiras precisarão ser forjadas para não cair em contradição. Consequentemente, a língua mentirosa não dura para sempre. Tem vida curta. A mentira não compensa, pois o pai da mentira é o diabo, e os mentirosos não herdarão o reino de Deus. A Palavra de Deus nos exorta a falar a verdade. Jesus diz que a nossa palavra deve ser: sim, sim; e não, não; pois o que passar disso vem do maligno (Mt 5.37). Uma pessoa mentirosa não tem credibilidade. Sua língua é como a escuridão: deixa as pessoas confusas e errantes. Mas a verdade é luz que aponta o caminho. Quem anda na luz não tropeça. A verdade, mesmo quando amordaçada pela violência, acaba prevalecendo. A verdade, mesmo quando escamoteada nas ruas e oprimida nos tribunais, acaba prevalecendo. Nesse caso é verdadeiro o adágio: “O tempo é o senhor da razão”. Ninguém pode contra a verdade, senão a favor da verdade. O lábio veraz permanece para sempre.

GESTÃO E CARREIRA

A HORA DA EMPATIA

Colocar-se no lugar do outro nas crises é a melhor estratégia para preservar os resultados, inspirar a liderança e fortalecer o engajamento. Saiba como disseminar essa habilidade valorizada pela maioria dos CEOs

No início de março, a Organização Mundial da Saúde declarou uma pandemia global, ocasionada pela disseminação do novo coronavírus. Desde então, surgiram muitas histórias de solidariedade envolvendo pessoas de todo o mundo. Muitos casos de fabricantes de cosméticos suspendendo a operação para produzir álcool em gel, empresas oferecendo abastecimento de materiais e equipamentos gratuitos para profissionais de saúde, e até pessoas de cidades inteiras tocando instrumentos musicais de suas varandas para deixar a quarentena mais leve. A questão é que a empatia, ou a capacidade de se colocar no lugar do outro, nunca esteve tão em alta – seja nas ruas, seja nos corredores dos escritórios. Comum aos psicólogos, há um tempo essa palavra se tornou muito utilizada no vocabulário empresarial.

Um estudo da consultoria Businessolver divulgado em 2019, que ouviu 1.850 trabalhadores, profissionais de RH e executivos dos Estados Unidos, revelou que 79% dos CEOs reconhecem a empatia como chave para o sucesso das companhias. E essa percepção se fortaleceu nos últimos anos. Em 2017, a mesma pesquisa mostrava que 57% dos executivos acreditavam ser importante investir nessa habilidade no ambiente de trabalho. Em 2019, o índice saltou para 79%.

Por que isso acontece? uma das explicações é o fato de que profissionais que compreendem como os outros se sentem criam laços de afetividade com colegas e clientes conseguem resultados melhores. Prova disso é que as dez primeiras empresas no ranking Global Empathy Index de 2016, feito pela consultoria The Empathy Business e que analisou 170 empresas americanas, indianas e europeias em categorias como liderança e cultura organizacional lucravam 50% mais em comparação com as dez piores.

Mas a valorização da empatia pode ter explicações que vão além dos simples indicadores financeiros. “A globalização faz com que tenhamos mais contato com grupos diversos e os profissionais precisam desenvolver um bom relacionamento com pessoas cada vez mais diferentes”, explica Joana Story professora na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp).

É importante não confundir empatia com sociabilidade – as características são muito diferentes. Prova disso é uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Michigan que avaliou o nível de empatia em 63 países perguntando aos entrevistados se eles se importavam com situações que pudessem acontecer aos outros. O estudo ranqueou o Brasil, conhecido por seu calor humano, na 51ª colocação. O campeão foi o Equador: “O fato de sermos uma população comunicativa não significa que sabemos nos colocar no lugar dos outros, e isso explica muito a questão da polarização que vivemos hoje em dia: não conseguimos mais conversar”, afirma Virgínia Planet, sócia da House of Feelings, consultoria que trabalha os sentimentos dentro das companhias.

TRÊS PILARES

Ser empático envolve um processo ele compreensão emocional do outro, tocando suas reais necessidades e sentimentos diante de alguma situação. Daniel Goleman, jornalista especializado em estudos do cérebro e autor do já clássico Inteligência Emocional exemplificou bem o que é a empatia em um artigo escrito para a Harvard Business Review.  Ele disse que os executivos empáticos “são aqueles que encontram um consenso, cujas opiniões têm mais peso e com quem as outras pessoas querem trabalhar. Surgem como líderes naturais, independentemente da hierarquia organizacional ou social”.

Ainda de acordo com ele, essa habilidade é envolta por três pilares. O primeiro é a empatia cognitiva, a capacidade de compreender a perspectiva da outra pessoa e pensar em seus sentimentos. O segundo é a empatia irracional que diz respeito a sentir o que a outra pessoa sente, sem precisar refletir profundamente sobre isso. E o terceiro é a preocupação empática: interpretar e entender de quais formas a outra pessoa precisa de você.

Na teoria é até simples. O desafio é colocar isso na prática. “Quais são as atitudes que eu, como líder, parceiro ou alguém que é liderado, vou ter diante do conhecimento aprofundado de todas essas emoções? Isso é algo que não aprendemos na escola, na faculdade, em lugar nenhum”, explica Eduardo Albuquerque, fundador da Escola Conquer. Mas existe um alento: todos nós somos, em maior ou menor grau, naturalmente empáticos. “A empatia é própria do ser humano, nascemos com ela. A questão é quanto ao longo da vida nós a utilizamos e a desenvolvemos”, diz Regina Giannetti, coach de desenvolvimento pessoal, instrutora de mindfulness e criadora do podcast “Autoconsciente”.

Um dos primeiros passos para ser mais empático – e estimular esse comportamento internamente nas empresas – tem a ver com a diversidade. Isso porque, para entender o diferente, temos de necessariamente, nos colocar no lugar do outro. Grupos de afinidade, por exemplo, ajudam nesse sentido. Além de possibilitarem discussões de vieses inconscientes, eles estimulam a troca entre pessoas de diferentes origens, formações e histórias, o que permite ampliar o olhar de todos.

Também é importante desenvolver a escuta ativa (e atenta), algo fundamental na busca por sensibilidade. O ideal é conseguir formar um ambiente em que todos, independentemente do nível hierárquico, consigam ter disposição para se despir de conceitos preconcebidos e simplesmente se abrir para o que o outro tem a dizer. “É muito fácil você ouvir alguém e julgá-lo segundo suas próprias ideias. Já escutar sem julgar, essa, sim, é a prática que deve ser alimentada nas empresas e em todos os lugares”, diz Regina. Para conquistar isso, apoie-se também em seu lado emocional – importantíssimo para notar expressões corporais, tom de voz e como o outro se sente ao falar sobre determinado assunto (se está animado, apreensivo, estressado, sereno etc.).

SENSIBILIZANDO A LIDERANÇA

Importante saber que, além dos líderes que citamos no início da reportagem, os profissionais também estão mais atentos quando o assunto é empatia: 82% deles considerariam deixar o atual emprego para trabalhar em uma empresa mais empática, segundo o estudo da Businessolver. No entanto, as percepções de chefes e empregados sobre o grau empático da companhia são diferentes. Para 92% dos CEOs, a organização que lideram tem empatia – o índice cai para 72% sob a lente dos trabalhadores. O motivo dessa discrepância talvez esteja revelado em outro dado do levantamento: 58% dos CEOs não se sentem à vontade para criar vínculos. Isso pode ter a ver com o difícil equilíbrio entre a empatia e a cobrança por resultados.

“Em muitas empresas, a empatia só vai até a última semana do mês, quando está chegando a hora de bater as metas. Ainda existe uma dificuldade de falar de emoções e vulnerabilidade no ambiente de trabalho”, explica Lísia Prado, outra sócia da House of Feelings. Ela dizainda que a chefia não sabe lidar com a vulnerabilidade do outro. “Desde criança aprendemos a engolir o choro, ignorar os sentimentos e ir em frente. Fomos ensinados a seguir um padrão que não faz mais sentido hoje. Agora é parte do papel da liderança entender as dificuldades e os problemas dos funcionários é saber como direcioná-los.”

Esse foi um desafio para o RH da ExxonMobil, multinacional americana de petróleo e gás com 1.600 funcionários no Brasil. Em 2019, a pesquisa anual de clima revelou que a liderança não estava sendo tão bem avaliada quanto a companhia gostaria. “Mapeamos chefes que haviam sido apontados como focados em resultados práticos, e não na gestão humana”, diz Samantha Franco, gerente de recursos humanos da ExxonMobil.

Na busca pela solução do problema, a área de gestão de pessoas apostou em treinamentos de habilidades interpessoais e também de empatia. O programa dura três meses e trata temas como diversidade, vulnerabilidade e autoconhecimento – além de trocas de experiências com outras empresas no intuito de ampliar a visão de mundo. “Nossa intenção é criar um ambiente de trabalho psicologicamente seguro em que todos os funcionários se sintam livres para ser quem são e trazer suas dores quando precisarem”, diz Samantha.  Além dos cursos para os chefes, os funcionários também podem participar de dinâmicas sobre empatia. “É uma açãoeducacional voluntária”, diz. O sucesso foi tamanho que há lista de espera para ingressar nas novas turmas – e o feedback positivo de quem já participou chega a 80%. “As pessoas estão mais seguras em ser autênticas e compartilhar suas necessidades. O clima da empresa melhorou muito”.

EM OUTRA REALIDADE

Um dos aspectos cruciais do desenvolvimento da empatia é colocar-se no lugar do outro. Só assim conseguimos compreender, com profundidade quais são as dores e os desejos de quem está ao nosso lado. Mas essa é uma atitude que precisa ser cultivada dia a dia – pois demanda prática e treinamento. Para proporcionar esse olhar em seus futuros líderes, a Votorantim Cimentos criou, há dois anos, uma dinâmica de empatia em seu programa anual de trainees. Durante a seleção dos jovens profissionais, que é feita às cegas, existe uma dinâmica na qual eles trabalham lado a lado com coletores de materiais recicláveis que fazem parte da Pimp My Carroça, instituição que dá apoio a catadores e cooperativas de reciclagem. Os futuros trainees rodam as ruas de São Paulo procurando materiais recicláveis que, no final do dia são doados aos catadores. Além disso, há mentorias – para os postulantes às vagas e para os gestores que compartilham o projeto – com os catadores da organização parceira da Votorantim Cimentos. Cento e quarenta jovens passaram pelo processo.

“Nós começamos essa dinâmica de forma incipiente. Percebemos que a metodologia funciona e já estamos aplicando-a em outras temáticas, como o programa de estágio técnico para mulheres e o programa de liderança. Esse trabalho de empatia estimula a consciência social e humana de nosso público interno e externo”, afirma Aldo Frachia, gerente de diversidade da Votorantim Cimentos. As mudanças no processo seletivo dos trainees permitiram que a empresa ampliasse a presença de grupos minoritários entre os candidatos. Na edição para 2020, dos 80 concorrentes que participaram da dinâmica com os catadores, 62% eram mulheres; 31%, negros; e 15%, LGBT+.

A troca de papéis também é um método utilizado pela Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) da lll Região. Em 2017, foi criado o projeto Vivendo o Trabalho Subalterno, que discute o tema da invisibilidade pública para melhorar a empatia dos juízes. “O juiz passa a matar parte do tempo escutando a narrativa de outras pessoas e tomando decisões. Esse projeto possibilita uma melhor capacidade de escuta”, explica Roberto Fragale Filho, Juiz auxiliar da Escola Judicial do TRT-RJ. Para isso, os juízes trabalham por um dia como garis, caixas de supermercado, auxiliares de limpeza, cobradores de ônibus, entre outras profissões.

Os participantes passam por urna carga horária de 60 horas, que são divididas entre atividades teóricas (aulas sobre relações sociais e metodologia de criação de um diário de campo), práticas (treinamentos para a função que será exercida) e momentos de feedback. Em três anos, 52 juízes já fizeram o curso e o sucesso foi tanto que a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat) chegou a reformular seu ano acadêmico para melhorar as relações que existem entre a sociedade e o judiciário. ‘Isso permite formar juízes mais atentos, capazes de se colocar no lugar dos outros e com a oitiva aguçada”, explica Roberto.

É DANDO QUE SE RECEBE

Outra maneira de demonstrar o alcance empático das companhias é por meio de benefícios que são expandidos para a família dos funcionários. A pesquisa da consultoria americana Businessolver revela que 95% dos profissionais acham que empresas que cuidam dos parentes dos empregados são mais empáticas. Não é à toa que um dos programas mais valorizados pelos funcionários do Banco – RCI Brasil, braço financeiro das montadoras Renault e Nissan é o Programa de Apoio Pessoal Especializado (Pape), que     realiza atendimento sigiloso aos empregados por meio de um telefone 0800. Problemas financeiros, psicológicos, de saúde, inclusive de familiares, podem ser relatados em segredo. “Buscamos atender até mesmo a necessidades específicas em que, por vezes, cobrimos a despes do que foi pedido”, conta Roberta Nascimento, gerente de RH do banco. Casos como cobertura de plano de saúde, ajuda com dívidas e viagens emergenciais se enquadram no projeto, que já atendeu 5% do quadro de 161 trabalhadores.

EXISTEM LIMITES

As empresas podem – e devem – incentivar a prática da empatia, mas importante lembrar que ela tem limites que variam em cada um de nós. “Para qualquer palestra, aula ou ação funcionar, a pessoa tem de estar disposta àquele aprendizado. Ter autoconhecimento para entender os próprios sentimentos e julgamentos internos é fundamental na hora de estender a mão ao outro”, diz Regina. Nenhuma ação é infalível: sempre haverá aquelas pessoas que não conseguem ter empatia com seu próximo ou que não se importam o suficiente para mudar de comportamento ou atitude. Nesses casos, as empresas devem usar uma última abordagem: o hábito. Incentivar diálogos, promover grupos de afinidade, manter a liderança apta para a escuta ativa, são todas ações que se complementam e colocam os funcionários em             contato com a cooperação e a generosidade. “Mesmo que no início o sentimento não seja verdadeiro, o estímulo por meio do ambiente pode internalizá-lo”, diz Regina. O exemplo e a prática farão com que a empatia se espalhe – e é a disseminação de atitudes desse tipo o que precisamos com tanta urgência para enfrentar os grandes desafios do mundo hoje.

O QUE É SER EMPÁTICO?

Como os profissionais enxergam a empatia nos negócios, segundo o relatorio State of Workplace Empathy de 2019, feito pela consultoria Businessolver

EM SINTONIA

Como encorajar a empatia no ambiente de trabalho

1. FALE SOBRE O ASSUNTO:

Explique para os funcionários, independentemente do cargo que ocupam, por que a c0mpetência é importante para melhorar o desempenho das equipes. Leve dados objetivos e exemplos de outras companhias para conseguir convencer a todos.

2.ENSINE HABILIDADES DE ESCUTA:

Para entender os outros e sentir o que eles estão sentindo, precisamos ser bons ouvintes. demonstrar que estamos prestando atenção no que é dito e expressar entendimento sobre as preocupações e os problemas ajudam a aumentar a sensação de respeito.

3. INCENTIVE A DIVERSIDADE:

Cerca de 75% dos funcionários afirmam que empresas são mais empáticas quando têm diversidade em sua liderança, e nove em cada dez profissionais de RH e diretoria concordam, segundo dados da consultoria Businessolver.

4. CULTIVE COMPAIXÃO:

Crie um ambiente para que os gestores possam se preocupar com a forma como a equipe se sente no dia a dia de trabalho. E premie aqueles que se destacarem em promover isso em seus times. Ter uma cultura que proporcione boas relações entre as pessoas ajuda.

5. TREINE A LIDERANÇA:

Realize treinamentos de empatia e de vieses inconscientes com a liderança. A relação deles c0m os liderados é o cerne do clima da empresa. Além disso, se os chefes não derem o exemplo, fica mais difícil ter um time que queira agir com mais empatia na organização.

A TRÍADE DE OURO

Entenda o que são os três tipos de empatia, de acordo com o escritor Daniel Goleman

1. EMPATIA COGNITIVA:

O exercício da empatia cognitiva exige que os líderes racionalizem sobre os sentimentos dos outros. Essa é uma habilidade resultante da autoconsciência. A reflexão sobre nossos próprios pensamentos e o monitoramento dos sentimentos que fluem a partir deles permitem aplicar o mesmo raciocínio à mente de outras pessoas.

2. EMPATIA EMOCIONAL:

O acesso à empatia emocional depende da combinação de dois focos. O primeiro está centrado nas ideias e nos sentimentos da outra pessoa. O segundo se forma pelo rosto, pela voz e por sinais externos de emoção. Ter essa habilidade ajuda em trabalhos em grupo, momentos de feedback e apresentações.

3. PREOCUPAÇÃO EMPÁTICA:

Intimamente relacionada à empatia emocional, essa competência ajuda a compreender as expectativas dos outros em relação a nós. Aqui é importante ponderar até onde podemos ir para satisfazer as necessidades alheias.

PRONTAS PARA O FUTURO

Três características que serão importantes para as companhias acompanharem as transformações do mundo do trabalho, de acordo com Eduardo Albuquerque, fundador da escola Conquer

1. EMPATIA:

Muito além de se colocar no lugar do outro, empatia é a capacidade de tomar decisões com base não somente na perspectiva individual, mas na perspectiva dos demais.

2. COLABORAÇÃO:

Essa característica tem como principal papel acelerar a solução de problemas por meio da união de diferentes competências e habilidades. Esse é um traço essencial de empresas e pessoas que estão adaptadas à revolução digital em curso.

3. VULNERABILIDADE:

Cometer erros tem se mostrado a melhor maneira de aprender mais rápido e criar produtos e serviços. Para incentivar esse comportamento, a liderança precisa mostrar que é vulnerável, que pode falhar e que os deslizes são toleráveis.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DÉJÀ-VU – MOMENTOS REVISITADOS

De repente temos a impressão de já ter vivido algo – e a sensação é, quase sempre, de estranhamento; neurologistas e psicólogos tentam compreender esse misterioso fenômeno de percepção temporal

Você se recosta confortavelmente na cadeira, sobre a mesa à sua frente há uma xícara de café fumegante. Uma mosca aproxima-se da colher na qual estão grudados alguns cristais de açúcar. Você folheia uma revistae para em um artigo sobre déjà-vu. E, de repente, tem a impressão de que já esteve sentado nesse lugar, exatamente nessa cadeira, com esse gosto doce-amargo da bebida na boca; “lembra-se” até da mosca.  Você sabe que já leu antes, com um leve desconcerto, essas mesmas linhas impressas. Mas quando foi isso?  Será possível? Esse tipo de experiência de déjà-vu, a sensação difusa de já ter vivido uma situação exatamente da mesma forma, é comum. A maioria das pessoas pode relatar pelo menos uma experiência desse tipo. Apesar de, durante um déjà-vu, o acontecimento nos faz parecer extremamente conhecido, falta-nos a lembrança concreta de quando a vivenciamos.

Alguns, nesse momento, sentem o próprio corpo e o ambiente ao redor como irreais, uma espécie de sonho. Há os que relatam ter visto tudo como se fosse através de um véu ou que olham a si mesmos pela perspectiva de um observador externo. O sentimento de poder prever com exatidão o que vai acontecer no momento seguinte também não costuma ser raro. E, vez por outra, um lugar é estranhamente reconhecido por uma pessoa, apesar de ela ter certeza de nunca ter estado lá.

Por isso, em diferentes culturas, desde tempos imemoriais os déjà-vus são considerados indícios da existência de vidas passadas e “provas” de reencarnação ou paranormalidade.

NÃO É ALUCINAÇÃO

“O estudo metodológico do fenômeno é difícil de ser estruturado, uma vez que ocorre repentinamente e de forma rara. Assim, os pesquisadores quase sempre têm de confiar na memória dos voluntários que participam de seus experimentos quando eles relatam o fenômeno”, diz o professor Uwe Wolfradt, do Instituto de Psicologia da Universidade Martin, em Halle-Wittemberg, e pesquisador do tema. Segundo ele, é importante diferenciar essa experiência de distúrbios com os quais possa ser confundida. Enquanto as alucinações, por exemplo, são percepções não associadas a estímulos externos, as imagens no déjà-vu são sempre reais. A ilusão consiste no fato de que, por um curto instante, algo desconhecido desencadeia uma sensação de familiaridade. Já o fausse reconnaissance (o falso reconhecimento) – antigamente considerado um sintoma do fenômeno – também não pode ser confundido com ele, mas surge frequentemente durante uma fase esquizofrênica e pode durar horas, enquanto déjà-vus, em geral, duram alguns segundos.

Um caso muito interessante relatado em 2003 por cientistas japoneses apresenta forte semelhança com o déjà-vu: um rapaz com epilepsia do lobo temporal tinha certeza de sempre reviver vários anos de sua vida, até mesmo seu casamento. Angustiado, ele tentou suicídio várias vezes para escapar das repetições infinitas. Segundo os estudiosos, a situação diferencia-se de experiências de déjà-vu em um ponto fundamental: enquanto naquele caso o jovem insistia já ter vivido experiências exatamente iguais, em um déjà-vu a pessoa logo considera a sensação de reconhecimento corno ilusória e insensata.

Uwe Wolfradt coordenou urna pesquisa na qual foram entrevistados 220 estudantes da Universidade de Halle-Wittenberg e constatou que aproximadamente 80% disseram acreditar que, durante um déjà-vu, provavelmente estavam lembrando inconscientemente de um acontecimento do qual se haviam esquecido. Essa noção lembra a ideia de Sigmund Freud (1856-1939) de que déjà-vus resultam do desejo de recapitular eventos reprimidos e elaborá-los – ou seja, aparecem como um mecanismo de defesa contra experiências traumáticas. A psicologia cognitiva também traz à tona processos inconscientes, os processos da memória implícita (ou não declarativa), para explicar o déjà-vu. Essa teoria ressalta que podemos ter a sensação de que uma pessoa, um local, um objeto ou um acontecimento nos são familiares mesmo quando já experimentamos apenas um aspecto determinado deles – como um odor característico – em outro contexto.

“Suponhamos que você veja um velho armário em uma feira de usados e, de repente, toda a situação lhe pareça conhecida, mas você já não se lembra de uma coisa: quando ainda era criança, havia um armário muito parecido na casa dos seus avós”, exemplifica Wolfradt. Esse elemento unitário esquecido – no caso do exemplo, o armário – desencadeia uma sensação mais ampla de familiaridade, que é transferida para toda a “composição”.

VARIAÇÕES DE HUMOR

Por fim, algumas suposições também se baseiam no processamento inconsciente de informações, afirmando que falhas de atenção seriam as responsáveis pelo déjà-vu: ao dirigir um carro, por exemplo, você se concentra no trânsito. Vê uma senhora idosa que está na calçada, mas não a registra conscientemente. Um instante depois tem de parar no semáforo e há tempo para olhar em volta com calma. Nesse momento, a senhora que caminha com dificuldade apoiada em sua bengala lhe parece estranhamente familiar, apesar de você achar que jamais a viu antes. Expresso de forma generalizada, nessa situação, a primeira percepção sob distração é imediatamente seguida de uma segunda com atenção total. A informação pouco antes interiorizada inconscientemente é erroneamente interpretada como lembrança.

Estudos sobre percepção subliminar fornecem suporte empírico para essa hipótese. Em 1989, o psicólogo Lany L. Jacoby, da Universidade de Washington, em St. Louis, mostrou aos participantes da pesquisa que conduzia uma palavra em um monitor durante tempo tão curto que eles mal puderam percebê-la. Mais tarde, porém, declararam com mais frequência, durante uma nova apresentação da mesma palavra, que já a haviam visto antes. O processamento inconsciente de estímulos subliminares faz com que informações posteriores semelhantes sejam processadas mais rapidamente – um procedimento nominado priming (preparação).

Essa e outras hipóteses sobre a atenção impressionam principalmente porque são bastante adequadas às circunstâncias que acompanham o déjà-vu. Já no início do século passado, o holandês Gerhar Heymans, pioneiro da psicologia em seu país, realizou um estudo com 42 estudantes. Ele lhes pediu que, durante seis meses, preenchessem um questionário curto imediatamente após uma experiência de déjà-vu. Assim, descobriu que pessoas que sofrem de variações de humor, enfrentam fases de apatia ou têm um ritmo de trabalho irregular são as mais afetadas por essas ilusões da memória.

Vários autores associam os déjà­vus a um grande volume de viagens, variações de fuso horário, intenso cansaço e stress. Num estudo desenvolvido por Wolfradt, da Universidade de Halle-Wittenberg, no entanto, aproximadamente 46 % dos estudantes se lembravam de estar mais tranquilos na ocasião do fenômeno; cerca de um terço chegou mesmo a descrever seu estado de espírito como alegre. Provavelmente, o déjà-vu não é desencadeado imediatamente no momento da tensão, quando permanecemos extremamente atentos, mas depois, quando estamos cansados – e relaxamos. Porém, também são plausíveis outras circunstâncias nas quais nós, por um curto período, não percebemos mais nosso entorno conscientemente. “Um de nossos estudos com mais de 300 universitários mostrou, por exemplo, que déjà-vus estão fortemente relacionados à capacidade de mergulhar em fantasias e na imaginação. Hoje os déjà-vus estão incluídos entre os distúrbios da memória, mas nada indica que pessoas que os experimentam com frequência sofram de algum distúrbio”, afirma Wolfradt.

O Pesquisador salienta que os fundamentos neuronais do fenômeno ainda são conhecidos apenas de forma fragmentada. Durante muito tempo, foi bastante popular a ideia de que sua causa era a transmissão neural atrasada. Naturalmente, nos mais altos centros de processamento do cérebro, as informações ambientais vindas de diferentes regiões precisam ser fundidas a qualquer momento em uma impressão coerente. Seria, portanto, muito possível que atrasos em um dos caminhos de transmissão provocassem grande confusão – e talvez um déjà-vu.

Em 1963, o pesquisador Robert Efron, à época no Hospital Administrativo dos Veteranos em Boston, Massachusetts, levantou polêmica com a hipótese de que o hemisfério cerebral esquerdo, mais especificamente o lobo temporal, seria responsável pela organização das percepções temporais. Ali, todas as imagens que o cérebro recebe por meio da visão chegariam duas vezes, consecutivamente, com um intervalo de poucos milissegundos uma vez diretamente, e outra com um desvio pelo hemisfério direito. Se a transmissão indireta se atrasasse por algum motivo, então o lobo temporal esquerdo perceberia a diferença interpretando a cena, na segunda vez, como algo que já teria ocorrido.

CONEXÃO COM EPILEPSIA

A ideia básica de Efron da dupla percepção até hoje não foi refutada nem comprovada. O que se sabe é que os lobos temporais têm um papel importante nesse processo. Pacientes com algum dano nessa região relataram frequentes experiências de déjà-vu. O mesmo ocorreu com pessoas que sofriam de epilepsia, e o foco epiléptico encontrava-se no lobo temporal. Desde então, alguns estudiosos supuseram que os déjà-vus fossem nada menos que miniacessos para o cérebro. Quando um grupo de pesquisadores, coordenado pelo neurocirurgião Wilder Penfield (1891-1976), em Montreal, estimulou eletricamente o cérebro aberto de seus pacientes epilépticos durante uma operação, em 1959, alguns deles relataram experiências de déjà-vu. O neurofisiologista Jean Bancaud (1921-1993) e seus colegas do Centro Paul Broca, em Paris, fizeram um relato semelhante em 1994: a estimulação do lobo temporal lateral ou medial desencadeou, ocasionalmente, “estados oníricos”, entre os quais o déjà-vu está incluído.

Apesar de ser questionável o quanto a experiência induzida artificialmente se assemelha às naturais, as descobertas são plausíveis: afinal, o lobo temporal medial participa comprovadamente da memória declarativa e consciente. Fazem parte dele não apenas o hipocampo, que nos ajuda a memorizar eventos episódicos, fazendo com que possamos revivê-los mentalmente mais tarde, como se fosse um filme, mas também o córtex para-hipocampal e o rinal, assim como as amígdalas e o lobo temporal médio.

Há cerca de uma década o pesquisador John D. E. Gabrieli, da Universidade Stanford, apresentou na Science resultados que sugerem que o córtex para-hipocampal e o hipocampo cumprem diferentes funções no processo da memória: enquanto o último permite a lembrança consciente de vivências. o outro poderia distinguir entre estímulo   conhecidos e não conhecidos em obrigatoriamente recorrer a uma lembrança concreta. Com base nesta tese, Josef Spatt, do Instituto Ludwig Boltzmann, em Viena, formulou em 2002 a hipótese de que um déjà-vu surge quando o para-hipocampo desencadeia uma sensação de familiaridade sem que haja participação do hipocampo. Justamente nesse instante, uma cena momentaneamente percebida poderia ser entendida como conhecida, mesmo que não houvesse uma clara referência temporal.

Wolfradt observa que, provavelmente, diversas regiões cerebrais participam do déjà-vu: a intensiva sensação de estranhamento de si mesmo e da realidade, por exemplo, assim como a noção de tempo, às vezes alterada, indicam complexos processos conscientes. “Durante essa experiência, duvidamos da realidade por uma fração de segundo. Por outro lado, essa pequena falha possibilita aos neurocientistas uma olhada nos processos do consciente”, diz o pesquisador. Ele acredita que o aprofundamento das pesquisas sobre o tema ajudem não apenas a explicar como surgem distúrbios de memória, mas também como o cérebro consegue produzir uma imagem contínua da realidade.

MEMÓRIAS FABRICADAS

Ao longo dos séculos, filósofos, psicólogos e até especialistas em paranormalidade formularam teorias para explicar o déjà-vu. A mais recente descoberta científica sobre o fenômeno foi publicada na revista New Scientist, em 2006. A pesquisa realizada por uma equipe de cientistas da Universidade de Leeds, na Inglaterra, tentou provocar, de modo artificial, a sensação de já ter vivido determinada experiência em voluntários. Os cientistas mostraram a eles 24 palavras associadas à cor vermelha, em seguida os induziram a um estado alterado de consciência, semelhante à hipnose, e disseram aos participantes que, quando estivessem diante de uma palavra em uma moldura vermelha, “a sentiriam como sendo familiar, embora não soubessem quando foi a última vez que a viram”. Mas se vissem uma palavra em uma moldura verde, eles pensariam que ela pertencia à lista original de 24 palavras. Em seguida, os voluntários foram tirados do estado de hipnose e expostos a uma série de palavras em molduras de cores variadas. Algumas não pertenciam à lista original de 24 palavras, outras estavam em molduras verdes ou vermelhas. Dez voluntários disseram ter experimentado uma “estranha sensação” quando viram novas palavras em vermelho, e outros cinco afirmaram que a impressão definitivamente se parecia com um déjà-vu. Os resultados sugerem que o fenômeno pode ser provocado de forma independente, sem que haja memória real para acioná-lo. Essa é uma novidade, já que outros estudos enfatizavam a necessidade da existência de lembranças anteriores que pudessem ser “revividas”.

FALHA NA DIVISÃO DE TRABALHO

Segundo hipótese recente, durante um déjà-vu o córtex para-hipocampal desencadeia sensação de familiaridade, apesar de o hipocampo não conseguir fornecer nenhuma lembrança concreta