GESTÃO E CARREIRA

DOZE MANDAMENTOS

Para melhorar os índices de engajamento e diminuir os acidentes de trabalho, a EDP Brasil fez uma grande revisão de seus valores – com direito até a músicas que refletem os novos princípios da companhia

Presente em 14 países, a multinacional portuguesa do setor elétrico EDP faz anualmente uma pesquisa global de clima para aferir o nível de engajamento de seus funcionários ao redor do mundo. Em 2011, a subsidiária brasileira ficou numa posição desconfortável: obteve o pior índice no ranking. Uma das principais razões para o péssimo desempenho vinha da falta de identidade entre as companhias adquiridas no país pela EDP, como a Bandeirantes e a Escelsa, concessionárias de energia em São Paulo e no Espírito Santo. “Nosso valor de mercado saltou de 3 bilhões de reais em 2005 para 6 bilhões de reais em 2014, tínhamos resultado financeiro com o pior clima no mundo”, diz Luís Gouveia, diretor de transformação organizacional.

Ele explica que, embora em 2005 a corporação tenha reunido todas as unidades numa holding, não houve nenhum esforço para falar sobre cultura. “Como resultado, as empresas atuavam em feudos, cada uma por si. E isso trazia inúmeros problemas. Não havia, por exemplo, um perfil homogêneo de liderança.” Ao mesmo tempo que a moral do time andava baixa, o número de acidentes fatais (contando empregados diretos e terceirizados} só aumentava. De 2005 a 2015, a EDP Brasil ostentou a triste média de 3,7 mortes por ano. A estratégia para melhorar os índices passava pela revisão da cultura corporativa. Só assim todos agiriam com os mesmos objetivos.

A SOLUÇÃO

A EDP tinha uma lista de valores corporativos, mas eles haviam sido implantados unilateralmente pela diretoria. Em 2015, isso começou a mudar por meio do programa “Cultura: visando um ambiente corporativo mais humano, colaborativo e conectado”, no qual a empresa convidou os empregados para rediscutir seus princípios. Cerca de 1.700 funcionários participaram de reuniões para definir os pontos que consideravam fundamentais para a companhia. Nas discussões, ficou claro que a questão mais importante era diminuir os acidentes de trabalho. Por isso, o primeiro dos 12 novos valores da EDP passou a ser “a vida em primeiro lugar”.

Concluída essa etapa, o desafio era fazer com que a nova cultura fosse absorvida pelo time. “Eu temia que os valores ficassem restritos à parede”, diz Gouveia. A saída foi treinar voluntários que tinham a responsabilidade de multiplicar a nova cultura na operação. Cerca de 160 pessoas se candidataram e ficaram 6 horas em sala de aula para encarar a missão. “Importante ressaltar que 95% desse grupo era formado por não gestores, ou seja, eram subordinados ensinando seus líderes”, afirma Gouveia, que, em paralelo, mudou o sistema de metas para os líderes. Os chefes, que antes só tinham objetivos financeiros, passaram a ser avaliados em outras cinco dimensões: pessoas, clientes, parceiros de negócios, ativos de operação, comunidade e ambiente.

O RESULTAOO

A estratégia de disseminação da cultura por meio de um time de voluntários deu tão certo que a empresa passou a treinar também alguns funcionários de seus fornecedores de serviços. Desde 2015, 280 pessoas já replicaram os valores da companhia para 3.459 empregados diretos e 4.559 terceirizados no país. Os frutos começaram a aparecer no final de 2015, na pesquisa de clima global na qual a EDP Brasil ficou no topo do ranking mundial, com 79% de engajamento.

O feito se repetiu em 2016, com índice de 81%, e em 2017, com 84%, ante a média de 75% do grupo. O programa “Cultura” foi incluído na integração de novos funcionários e, para reforçar os princípios com os antigos, Gouveia, que é músico nas horas vagas, compôs canções de sensibilização.

Ao lado de outros quatro colegas e três músicos profissionais, ele formou a banda Cultura EDP. “Foram sete meses de ensaios, gravação de DVD e turnê pelas unidades da empresa, com público de 1.200 trabalhadores”, diz. A taxa de acidentes fatais, conectada ao primeiro princípio da companhia, caiu 56% entre os funcionários diretos e 60% entre os terceirizados, na comparação de 2013 a 2017. A melhora nos índices tem a ver também com a contratação de uma consultoria da Dupont, uma das companhias mais respeitadas quando o assunto é segurança. Tudo isso fez com que a EDP alcançasse a 27ª posição entre as mais amadas no país, de acordo com o site Love Mondays, tendo sua cultura como o item mais bem avaliado pelos empregados.

EDP

NEGÓCIO: Geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica

PAÍSES EM QUE ESTÁ PRESENTE: 14

NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS DIRETOS NO BRASIL: 2.941

SEDE NO BRASIL: São Paulo (SP)

ATIVOS EM GERAÇÃO NO BRASIL: 15 unidades de geração hidrelétrica e uma termelétrica

CLIENTES ATENDIDOS NO BRASIL: 3,4 milhões entre São Paulo e Espírito Santo

FATURAMENTO: 11,7 milhões de reais

PROJETO: Construção e disseminação da cultura organizacional da empresa

PRINCIPAIS RESULTADOS: De 2011 para 2015, a EDP Brasil subiu do último para o primeiro lugar em engajamento, de acordo com pesquisa global realizada pelo grupo nos 14 países nos quais atua; e reduziu os acidentes de trabalho

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.