A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TODO PODEROSO

O que a ciência diz sobre o inconsciente, uma parte da nossa mente a que não temos acesso

Seus sentidos captam as informações do ambiente a todo momento, mesmo que você não se dê conta disso. Mas, assim como outras “máquinas” por aí, temos um sistema de armazenamento que preserva nossas memórias e conhecimentos aprendido. O acesso a todas estas informações não é tão fácil, entretanto, o que está guardado em nosso inconsciente pode surgir a qualquer momento e influenciar várias ações. E, caso duvide de sua existência, saiba que ele está presente na sua vida muito mais do que você é capaz de perceber!

UM IMENSO BAÚ

Imagine que todos os seus processos mentais vivenciados desde o período em que estava no útero de sua mãe (nessa fase já existem sensações) foram guardados em um grande arquivo. É assim que nossa mente funciona, de acordo com as teorias da psicologia. Segundo a psicóloga Carolina Careta, o inconsciente, em termos gerais, “é tudo aquilo que recebemos por meio dos sentidos, mas que não temos consciência no momento.” Ou seja, é tudo o que se faz, mas não está pensando naquele instante; uma ação de que a mente se recorda que, contudo, realizamos involuntariamente.

Ainda segundo a psicóloga, a mente humana pode ser comparada a uma espécie de biblioteca com um acervo de livros muito grande. “Alguns tão bem guardados que se tornam, na maior parte do tempo, ‘esquecidos’ e outros novinhos em folha para ilustrar o local e chamar a atenção dos leitores. Embora saibamos que o que a torna valiosa são os títulos antigos e, quanto mais antigos, mais importantes! Assim, é nosso inconsciente”, explica a psicóloga.

RÁPIDO DEMAIS

A sua profissão, o lugar para viajar nas férias, o que vai comer no almoço e até com quem você vai se relacionar: essas questões e muitas outras podem ser determinadas pela ação do seu inconsciente. “Estudos mostraram que a tomada de decisão no cérebro ocorre antes que ela tome forma consciente. Isso significa que uma parte muito pequena da atividade mental pode se dizer totalmente consciente”, afirma o neurologista Fabio Sawada Shiba. Além disso, algumas ações consideradas “automáticas”, como andar de bicicleta e dirigir, sequer passam pelo consciente.

O neurocientista britânico Chris Firth, do Univerity College, em Londres, na Inglaterra, e autor do livro Making Up the Mind: How the Brain Creates Our Mental World (em tradução livre, Desvendando a mente: como o cérebro cria o mundo da nossa mente), estima que mais de 90% do que nosso cérebro faz nunca chega à consciência.

O pesquisador cita experimentos que indicam partes do cérebro que são acionadas sem nos darmos conta. Um exemplo é a exposição de imagens que geram sensações. Em um primeiro momento, é apresentada a uma pessoa uma imagem de um rosto calmo por um curtíssimo espaço de tempo (30 milissegundos); depois é mostrada outra imagem: a pessoa não terá consciência de ter visto o rosto. Em outro momento, é apresentado um rosto com muito medo (também por 30 milissegundos), imediatamente seguido por uma expressão neutra. A pessoa também não estará ciente de ter visto esse rosto medroso. Contudo, por meio de exames, é detectado que a região da amígdala no cérebro responde a essa expressão, gerando reações de medo. Ou seja, sem a pessoa ter a consciência do que causou isso.

EM SUAS ESCOLHAS

No entanto, a maneira como o inconsciente interfere em cada indivíduo é relativo, já que leva em consideração a história de vivência de cada um, isto é, experiências pessoais e coletivas. É como se todas as informações captadas ficassem armazenadas em algum lugar no cérebro que, um dia, serão usadas. “Elas interferem diretamente no seu dia a dia. Como a escolha do parceiro ou parceira: quando falamos que o homem procura inconscientemente uma mãe na parceira ou a mulher um pai no parceiro. É muito comum nos depararmos com essa situação no consultório, sendo necessário tornar o paciente consciente dessas questões e trabalhar, por meio da psicoterapia, formas de resolver-se com essas figuras de pai e mãe e iniciar uma vida mais madura com o cônjuge, cada um desempenhando seu papel”, explica a psicóloga Carolina Careta.

Sendo o inconsciente tão atuante no nosso modo de pensar e agir, ele também interfere no processamento de lembranças. De acordo com Carolina, a forma como as memórias serão arquivadas, isto é, se de forma positiva ou negativa, irá depender de diversos aspectos individuais, como visão de mundo, grau de maturidade e crenças. “Ou seja, a forma como encara a própria vida, suas relações e seu posicionamento frente a elas”, complementa a psicóloga.

À FLOR DA PELE

O poder do inconsciente é tão grande que pode até exteriorizar, isto é, se manifestar por nosso organismo sem que nos demos conta de que se trata da ação dele. “Quando carregamos traços de justiça e valorização inconscientemente, sentimentos de raiva ou decepções podem causar somatizações e transtornos de ordem depressiva ou ansiosa, por não conseguir lidar com essas questões”, exemplifica a psicóloga.

Tal dificuldade em assimilar esses sentimentos e sensações tem como consequência o desenvolvimento de distúrbios, como afirma Carolina: “vão desde dores de cabeça e de estômago, manchas na pele, alergias e infecções, distúrbios do sono e na alimentação, etc. Pode evoluir para quadros mais graves de doenças e transtornos psicológicos, como ansiedade, síndrome do pânico, depressões em diversos níveis, entre outros”.

APÓS O BOA NOITE

Objetos estranhos, situações inusitadas, sensações inexplicáveis… Os sonhos são uma espécie de lugar onde tudo é possível. Se 90% de nossa mente é controlada pelo inconsciente, nada mais óbvio que também nossos pensamentos “off-line” sejam dominados por ele. “Por meio dos sonhos, podem ser manifestadas figuras e situações, na maioria dos casos, de forma simbólica. O próprio sonhador tem dificuldades em decifrar, e muitos acreditam que sejam bobagens. Mas, quando enfrentadas com o auxílio de um profissional, podemos descobrir grandes questões e ter o entendimento e respostas de muitos processos inconscientes”, afirma a psicóloga.

No entanto, estímulos do ambiente externo, isto é, da vivência do indivíduo, também podem interferir no conteúdo dos sonhos.

ABRINDO AS PORTAS

Apesar de todas as pesquisas recentes, o inconsciente ainda é uma área da mente muito complexa e de difícil acesso, como se fosse um cofre com senha. De acordo com a psicóloga Carolina Careta, “a melhor forma de explorar esses processos é com o auxílio de um profissional qualificado. Mesmo porque, muitas dessas questões são dolorosas e é preciso ‘elaborar’, ou seja, transformá-las em algo produtivo, que irá contribuir sempre com este indivíduo, para melhorar sua qualidade de vida, de pensamentos e sentimentos”.

O inconsciente também se expressa no dia a dia. Para o psicanalista austríaco Sigmund Freud, os atos falhos são uma representação disso, por exemplo, quando trocamos os nomes de duas pessoas. Contudo, obter o acesso só seria possível por meio de insights provocados pela análise, experiências psicoterapêuticas ou sonhos, que Freud pensava serem a estrada para esse universo quase secreto. Segundo Carolina, “os sonhos são uma importante ferramenta para o acesso ao inconsciente. Através deles, podem ser manifestadas figuras e situações, na maioria dos casos, de forma simbólica, já que nem todos possuem certezas sobre aquilo que está em sua mente”. Nesses casos, a ajuda profissional pode contribuir para um melhor entendimento sobre as dúvidas que permeiam esse mundo.

Mas há quem discorde da teoria e prove que sonhos nem sempre têm um simbolismo ou são organizados. Assim, um alto nível de concentração seria necessário (e possivelmente alcançado por terapias) para desenvolver consciência sobre aquilo que está no inconsciente e, então, tentar superar alguns comportamentos. Além desses fatos, é preciso lidar com os costumes que aprendemos na infância e repetimos ao longo dos anos, sem nos darmos conta.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.