EU ACHO …

UMA EXPERIÊNCIA

Talvez seja uma das experiências humanas e animais mais importantes. A de pedir socorro e, por pura bondade e compreensão do outro, o socorro ser dado. Talvez valha a pena ter nascido para que um dia mudamente se implore e mudamente se receba. Eu já pedi socorro. E não me foi negado.

Senti-me então como se eu fosse um tigre perigoso com uma flecha cravada na carne, e que estivesse rondando devagar as pessoas medrosas para descobrir quem lhe tiraria a dor. E então uma pessoa tivesse sentido que um tigre ferido é apenas tão perigoso como uma criança. E aproximando-se da fera, sem medo de tocá-la, tivesse arrancado com cuidado a flecha fincada.

E o tigre? Não, certas coisas nem pessoas nem animais podem agradecer. Então eu, o tigre, dei umas voltas vagarosas em frente à pessoa, hesitei, lambi uma das patas e depois, como não é a palavra o que tem importância, afastei-me silenciosamente.

***CLARICE LISPECTOR

OUTROS OLHARES

O NOVO MUNDO DO 5G

Carros autônomos e cirurgias a distância estão cada vez mais perto com a tecnologia que promete revolucionar a conectividade das pessoas e dos mais diversos serviços

Aos poucos, o mundo se dá conta da revolução que a tecnologia 5G vai provocar, e não apenas nos celulares. Algumas experiências já mostram que o 5G será determinante para os avanços em múltiplas áreas, daí já ser apelidado de Revolução Industrial 4.0. Essa corrida é liderada pelas empresas que estão na linha de frente da implantação das redes, como a chinesa Huawei, a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson, que disputam o monopólio da tecnologia em meio às tensões geopolíticas entre os EUA, a União Europeia e a China.

O foco já não está mais em conectar pessoas, mas equipamentos. É a trinfo da “tecnologia das coisas” (IoT, em inglês). “A chegada do 5G é comparável à descoberta da energia elétrica. É uma grandiosidade que ainda não conseguimos mapear por inteiro”, afirma Célio Hiratuka, professor livre-docente do Instituto de Economia da Unicamp e especialista em economia da Indústria e da Inovação.

O consumidor terá uma nova experiência nesse futuro cada vez mais próximo. Na indústria automobilística, gigantes como BMW, Honda e Nissan trabalham para o aperfeiçoamento do carro autônomo. No início de janeiro, a Microsoft despejou US$ 2 bilhões na Cruise, startup de veículos autônomos da GM, para participar do projeto na empresa americana. Como o 5G permite uma conexão até 40 vezes mais rápida do que o 4G, é possível confiar que os veículos respondam de forma quase imediata aos comandos externos. Com essa nova perspectiva, gigantes como a Tesla já veem seu valor de mercado decolar e superar as montadoras “analógicas”.

Na agricultura, tratores automatizados serão responsáveis pela colheita e drones inteligentes terão a capacidade de diagnosticar pragas. A companhia britânica RuralFisrt já utiliza microchips para receber atualizações diárias dos animais em suas fazendas. “Mais do que mudar o que já existe, o 5G cria situações inimagináveis até pouco tempo atrás”, diz.

CIRURGIAS A DISTÂNCIA

Na indústria do entretenimento, a ultra velocidade de download possibilita que filmes sejam baixados em segundos. Em um teste realizado na cidade de Chicago, há dois anos, a americana Verizon baixou oito episódios de uma série em 38 segundos utilizando a conexão 5G. Ao repetir o teste em um celular com velocidade 4G, o mesmo procedimento demorou 1 hora e 16 minutos. Entre os gamers, a expectativa também é grande. O 5G possibilita que jogos possam ser executados nos celulares com a mesma qualidade exibida na TV. Além disso, vai facilitar a performance, diminuindo o que os gamers chamam de “lag”, que é a demora na resposta entre o ato de apertar o botão do controle e a ação do personagem.

Na saúde, as inovações englobam a utilização de inteligência artificial, intervenções a distância, realidade aumentada e telemedicina. Unidades móveis de atendimento, como ambulâncias, poderão se comunicar em tempo real com profissionais de saúde nos hospitais. A menor latência do 5G (o tempo entre o comando dado e a resposta do equipamento) finalmente dará segurança para a realização de operações remotas, que exigem precisão. Um especialista poderá realizar uma operação em um paciente que está do outro lado do mundo, por exemplo. Também a telemedicina, que disparou na pandemia, será intensificada, facilitando o acesso a avaliações médicas. “Há uma infinidade de possibilidades permitidas pelo 5G”, afirma Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Enquanto o 5G já é uma realidade em países como China, Inglaterra, Coréia do Sul e EUA, a tecnologia engatinha no Brasil. Aqui, as empresas de telefonia celular têm feito projetos-piloto para testar o 5G. Desde 2019, a TIM desenvolveu projetos em Campina Grande (PB) e Florianópolis (SC), com demonstrações de realidade virtual e compartilhamento de dados. Em dezembro do ano passado, a Claro firmou parceria com o governo de Goiás para instalar o 5G no município de Rio Verde. O projeto-piloto, com a instalação de duas torres e duração de um ano foi autorizado pela Anatel. O objetivo é testar a tecnologia e a inteligência artificial no agronegócio. Mas o uso comercial depende do futuro leilão das linhas de frequência, que a Anatel tem adiado desde o início do governo Bolsonaro. A expectativa é que o certame aconteça em junho. “Nesse ritmo, o Brasil ficará ainda mais defasado no que diz respeito à competitividade industrial”, lamenta Hiratuka.

OS BENEFÍCIOS DO 5G

VELOCIDADE

O sistema 5G promete velocidade de aproximadamente 10 Gb/s. Atualmente, o 4G tem capacidade teórica de 300 Mb/s. Com isso, o sistema 5G será aproximadamente 40 vezes
mais rápido

LATÊNCIA

São os segundos de atraso em uma chamada de vídeo. Na rede 4G, a latência é de 50 milissegundos. O 5G deve praticamente acabar com o problema, reduzindo a latência para 1 milissegundo

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 11 DE MARÇO

VOCÊ NÃO É O QUE FALA, MAS O QUE FAZ

Melhor é o que se estima em pouco e faz o seu trabalho do que o vanglorioso que tem falta de pão (Provérbios 12.9).

O mundo está cheio de gente que fala muito e faz pouco, propagandeia seus feitos, mas não os apresenta; gente cujas obras negam suas palavras. O falastrão e vanglorioso é aquele que comenta aos quatro ventos que está construindo um arranha-céu, mas na verdade está levantando apenas um galinheiro. Ele superdimensiona sua imagem e faz propaganda enganosa de si mesmo e das suas obras. Gasta seu tempo falando de façanhas que nunca realizou, de planos que nunca concretizou, de fortunas que nunca granjeou, de influências que nunca exerceu. Aqueles que habitam na casa da ilusão e vivem no reino da mentira enfrentarão a dura realidade da pobreza extrema. A sabedoria mostra que é melhor falar pouco e dar conta do recado do que falar muito e nada fazer. É melhor ser humilde e realizar o seu trabalho. É melhor fazer do que falar, pois o homem não é aquilo que fala, mas aquilo que faz. O fim da linha da vanglória é o desprezo, mas a reta de chegada da humildade é a honra. Quem fala e não faz é alcançado pela pobreza, mas quem se estima em pouco e realiza o seu trabalho alcança a prosperidade.

GESTÃO E CARREIRA

TALENTOS À VENDA

Conhecida como acqui – hiring, a prática de comprar companhias para adquirir seus funcionários se populariza no Brasil – mas isso requer muitos cuidados

Não é de hoje que os executivos de recursos humanos se veem às voltas para resolver o problema de processos de recrutamento demorados, custosos – e que muitas vezes dão errado. Quando o desafio é montar uma equipe de tecnologia, então, a disputa por desenvolvedores, arquitetos de nuvem, especialistas em dados e outros profissionais de TI se torna quase uma batalha. E, como em muitos casos uma boa oferta de empregos, benefícios e salários polpudos não basta, para algumas companhias a melhor solução se torna comprar uma empresa inteira.

A prática é uma velha conhecida no Vale do Silício e tem até nome: acqui-hiring. Ela consiste na aquisição de uma companhia visando não sua carteira de clientes, seu produto ou suas inovações, mas os talentos que ela emprega. Nos Estados Unidos, o auge de transações como essa aconteceu entre 2013 e 2015, mas agora a prática começa a se popularizar no Brasil. Apenas no último ano, startups milionárias como iFood, Loggi e Nubank fizeram processos de acqui-hiring.

A Loft, plataforma de compra, reforma e venda de imóveis, que conta com 510 funcionários, engrossou essa lista no início de 2020. Em fevereiro, um mês após se tornar o mais recente unicórnio brasileiro (as companhias avaliadas em 1 bilhão de dólares), a empresa, fundada em 2018, adquiriu a Spry, startup de inteligência de mercado que empregava 15 pessoas. “Eu e meu sócio fomos investidores-anjos da Spry e conhecíamos o fundador, Florian Hagenbuch de longa data, o que ajudou nas negociações.

Reconhecíamos a compatibilidade entre as culturas e havia uma relação de confiança”, diz Mate Pencz, cofundador da Loft.

COMPRA UM, LEVA DOIS

Para suavizar o processo de integração da empresa, concluído em março, a Loft abriu um escritório em São José dos Campos, no interior de São Paulo, região da antiga sede da Spry, e distribuiu ações para os recém-chegados – atualmente apenas 100 funcionários da Loft possuem o benefício. “É preciso criar um ambiente para os novatos se sentirem em casa”, afirma Mate.

Embora o objetivo central da aquisição tenha sido incorporar o time de engenheiros da Spry, Mate admite que a Loft também estava de olhona tecnologia da empresa.     

Fundada em 2015, a startup de tendências de mercado havia se tornado conhecida por realizar pesquisas bastante abrangentes, por meio de um sistema desenvolvido internamente. Entre seus clientes estavam Ambev, 99 e Deloitte, além da própria Loft. “Agora esse tin1e e essa tecnologia seráde extrema importância para fazermos pesquisas em larga escala, em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, além de permitir ingressar em mercados que ainda não atuamos, como Belo Horizonte e Curitiba”, afirma Mate.

A mistura de interesses entre o time e os produtos e serviços da companhia comprada é algo comum nas operações de acqui­hiring. “O potencial de inovação, novos negócios e transformações obviamente está nas pessoas, mas os projetos desenvolvidos pela equipe também interessam”. Às vezes, é até difícil distinguir qual é o ponto central da aquisição”, diz André Barrence, diretor do Google For Startups, coworking e incubadora de novos negócios.

FALTA TALENTO

Não é por acaso que operações desse tipo se tornaram mais frequentes pela área de tecnologia. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2024 haverá uma demanda anual de 70.000 profissionais no setor. Por outro lado, segundo o Censo da Educação Superior do Ministério da Educação, em 2018 existiam apena 53.000 formandos na área. “Diante desse cenário, o acqui-hiring deve cresce no Brasil. Com essa lacuna resta às empresas buscar startups consolidadas, e com times prontos para acelerar projetos ou produtos”, afirma André.

A prática também é comum em outros setores – e já existia bem antes de ser conhecida pela terminologia em inglês. “Quando uma clínica médica adquire outra, ela está essencialmente interessada em seus especialistas. O mesmo ocorre com escritórios de direito”, afirma Luís Motta, líder de fusões e aquisições da KPMG no Brasil. “A evolução tecnológica e o surgimento do ecossistema de startups evidentemente levaram essa estratégia a outro patamar”, completa Luciana Lima, professora nos cursos de graduação e pós graduação do lnsper.

A escolha entre comprar equipes inteiras ou desenvolver os talentos desde a base irá variar de acordo com a necessidade de cada companhia. As indústrias, geralmente são da escola de criar pratas da casa, porque dependem mais do controle de custos para lucrar. “Já as empresas que querem se diferenciar nos mercados competitivos, se antecipar à concorrência ou ingressar em um nicho novo tendem a comprar equipes”, diz Luciana.

Com a rapidez das transformações, mesmo as companhias mais tradicionais se veem à frente desse dilema. Em 2019 segundo uma pesquisa da consultoria PwC com 3.500 CEOs 79% deles se preocupavam com a falta de profissionais no mercado. Há oito anos, o índice era de 53%.  O acqui-hiring exige um grande esforço para reter os talentos, o que afastam muitas empresas, mas diante do contexto atual todas as estratégias passam a ser válidas, pondera Silvia Martins, responsável pela área de pessoas e organizações da PwC Brasil.           

CHOQUE CULTURAL

Para fazer uma compra de talentos bem-sucedida é preciso entender a cultura e o estilo de liderança da companhia que será adquirida. Uma das dicas é levantar, durante o processo de due dilligence, os indicadores de gestão de pessoas, como pesquisas de clima e avaliações de desempenho.

Porém, por mais completo que seja o mapeamento, isso não é garantia de que os funcionários terão o mesmo desempenho quando migrarem para a outra empresa. O desafio aparece especialmente quando há diferenças marcantes nos processos e na maneira como as equipes e os líderes se relacionam. “Sorna-se a isso o fato de que os profissionais ‘adquiridos’ podem sair da companhia caso não se adaptem. Todos esses fatores tornam as transações de acqui-hiring bastante complexas”, afirma Luciana, do Insper.

E, mesmo nos casos de fundadores e diretores executivos, nos quais amarras jurídicas podem mantê-los na operação por um, tempo, a garantia de permanência é frágil. “Todo empreendedor valoriza autonomia e poder de decisão. Se não há engajamento e identificação, passado o período de contrato, eles saem da empresa – assim como os outros funcionários”, alerta André, do Gooogle for Startups.

Embora os processos de fusão e aquisição sejam velhos conhecidos da Cogna Educação (antiga Kroton Educacional), o grupo teve de se reinventar após a compra, entre 2016 e 2019, de quatro startups de ensino: Studiare, Eligis, Stoodi e AppProva. ”Nos preocupamos com a eventualidade de um choque cultural, tendo em vista as diferenças de porte e estrutura”, afirma Gabriela Diuna, diretora de gente, cultura e inovação da Cogna.

Então, mais do que incorporá-las à estrutura do grande conglomerado, a Cogna decidiu mudar a própria cultura. Desde 2017, a empresa extinguiu o dress code, implementou o home office para todos os 28.000 funcionários e reformou os escritórios de São Paulo, Valinhos (SP) e Londrina (PR), colocando paredes abaixo e criando espaços de convivência e descompressão. “Éramos muito tradicionais, com escritórios de madeira maciça e pessoas de terno e gravata. Nas startups, o pessoal usava bermuda e camiseta. Tínhamos de criar um ambiente em que eles se sentissem livres”, afirma Gabriela.

A empresa também mudou sua estrutura e passou a organizar alguns departamentos em squads, além de adotar metodologias ágeis. “O processo de adaptação não é fácil, mas precisamos agir rápido. Manter os talentos que traziam um mindset digital e a capacidade de resolver problemas, era nosso principal objetivo”, diz Gabriela. A estratégia parece ter dado certo: de todos os funcionários adquiridos, apenas um se demitiu. “O time tem de ficar. Só assim o acqui-hiring faz sentido”, finaliza a executiva.

OFERTA X DEMANDA

A relação entre vagas abertas no setor de tecnologia e o número de profissionais formados nas carreiras ligadas ao segmento

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO A MÁGICA ILUDE O CÉREBRO

Há séculos, ilusionistas exploram os limites da cognição e da atenção dos espectadores. Agora, neurocientistas começam a estudar como o cérebro acompanha e se surpreende com os truques

O refletor se acende sobre a assistente, uma jovem de vestido branco curtíssimo irradia beleza do palco para o público. O Grande Tomsoni anuncia que irá transformar a cor da roupa, fazendo-a ficar vermelha. Tensos, os espectadores se concentram na mulher, gravando a imagem dela em suas retinas. Tomsoni bate palmas e os holofotes se apagam rapidamente, antes de criarem uma atmosfera vermelha. A mulher agora está inundada pela luz vermelha que vem dos projetores.

Mudar a cor com um holofote não era exatamente o que o público tinha em mente. Mas temos de concordar: o vestido ficou vermelho – junto com todo o resto. Ele brinca com o público, faz piadas sobre mágicos. Então, pede que o público o perdoe e preste atenção mais uma vez em sua bela assistente enquanto o ilusionista acende a luz para o próximo truque. Ele bate palmas e o palco é coberto por uma imensidão de branco. Surpresa! O vestido realmente ficou vermelho. O Grande Tomsoni conseguiu – mais uma vez!

O truque e a explicação dada por John Thompson (conhecido como o Grande Tomsoni) revelam um profundo conhecimento intuitivo dos processos que acontecem no cérebro dos espectadores – um tipo de entendimento que nós, neurocientistas, podemos usar. O truque funciona assim: quando Thompson apresenta sua assistente, o vestido branco e justo dela, silenciosamente, leva os espectadores a acreditar que nada poderia estar escondido sob as vestes brancas. Essa suposição razoável, é claro, está errada. A moça atraente em seu vestido apertado também ajuda a atrair a atenção das pessoas para onde Thompson quer – o corpo da mulher. Quanto mais olham para ela, menos percebem os dispositivos dissimulados no chão, e mais adaptados se tornam seus neurônios retinais à brancura da luz e à cor que percebem.

Durante a rápida fala de Thompson depois da pequena “piada”, o sistema visual de cada espectador passa por um processo cerebral chamado adaptação neural. A reação de um sistema neural a um estímulo constante diminui com o tempo. É como se os neurônios ignorassem efetivamente um estímulo constante para guardar energia e sinalizar que algo está mudando. Quando cessa o estímulo, os neurônios adaptados disparam uma resposta “de ricochete”, conhecida como pós-descarga.

Surge então o estímulo de adaptação, que nesse caso é o vestido iluminado de vermelho. E Thompson sabe que os neurônios retinais dos espectadores irão ricochetear por uma fração de segundo antes de as luzes se apagarem. O público continuará vendo uma imagem residual vermelha na forma da mulher. Em menos de um segundo, um alçapão se abre no palco, e o vestido branco, preso levemente ao corpo com velcro e amarrado a cabos invisíveis sob o palco, é retirado rapidamente do corpo dela. Depois, as luzes se acendem.

Dois outros fatores fazem o truque funcionar. Primeiro, a luz é tão intensa antes de o vestido ser retirado que, quando apagada, o espectador não consegue perceber os movimentos dos cabos e o vestido branco desaparecendo sob o palco. A mesma cegueira temporária pode nos dominar quando saímos de uma rua ensolarada e entramos em uma loja mal iluminada. Segundo, Thompson faz o truque verdadeiro só depois de o público pensar que já acabou. Com isso ele ganha uma vantagem cognitiva importante – os espectadores não estão procurando um truque naquele momento crítico, e por isso relaxam brevemente a atenção.

NEUROMÁGICA NA CARTOLA

O truque de Thompson ilustra muito bem a essência da mágica de palco. Os mágicos são, acima de tudo, artistas da atenção e da consciência. Eles manipulam o foco e a intensidade da nossa consciência. Isso é feito em parte pelo uso de combinações desconcertantes de ilusões visuais (como as imagens residuais), ilusões ópticas (fumaça e espelhos), efeitos especiais (explosões, tiros falsos, controles de iluminação regulados com precisão), prestidigitação, recursos secretos e artefatos mecânicos.

Mas o instrumento mais versátil na bagagem dos truques é a capacidade de criar ilusões cognitivas. Assim como ilusões visuais elas mascaram a percepção da realidade física, mas sua natureza não é sensorial, requer funções de alto nível como atenção, memória e inferência causal. Com todas essas ferramentas à disposição, mágicos experientes tornam praticamente impossível a percepção dos processos que realmente estão acontecendo – dando a impressão de que a única explicação para os acontecimentos é a mágica.

Obviamente os objetivos da neurociência são diferentes das intenções ilusionistas; os pesquisadores querem entender o cérebro e as bases neurais das funções cognitivas, enquanto os mágicos têm o objetivo de explorar as fraquezas cognitivas. Contudo, as técnicas desenvolvidas por eles ao longo de séculos também podem ser instrumentos preciosos nas mãos dos neurocientistas. Estudos feitos até agora sobre mágica confirmam o que se conhece sobre a cognição e a atenção com base em trabalhos anteriores na psicologia experimental.

Cientistas acreditam que as pesquisas podem levar a diagnósticos e métodos de tratamento para pacientes que sofrem de deficiências cognitivas – como déficits de atenção resultantes de traumatismo cerebral, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e Alzheimer. Os métodos da mágica também podem ser colocados em prática para “induzir” pacientes a se concentrarem nas partes mais importantes de sua terapia, evitando distrações que provocam confusão e desorientação.

Os mágicos usam o termo geral “despiste” (misdirection) para se referir à prática de afastar a atenção do espectador de uma ação secreta. Essa técnica leva a atenção do público para o “efeito”, do segredo por trás do efeito, afastando-o do “método”. Tomando alguns termos da psicologia cognitiva, classificamos o despiste como “patente” e “encoberto”. É patente se o mágico direciona o olhar do espectador para longe do método – talvez pedindo apenas que o público se volte para determinado objeto. Quando o Grande Tomsoni apresenta sua adorável assistente, por exemplo, ele garante que todos os olhares estejam sobre ela. Mas também é o “encoberto” quando o mágico afasta o foco de atenção do espectador – ou foco de suspeita – do método, sem necessariam ente redirecionar o seu olhar. Sob essa influência, os espectadores podem olhar diretamente para o método por trás do truque sem nenhuma consciência dele.

A neurociência cognitiva já reconhece pelo menos dois tipos de despiste encoberto. No chamado de cegueira para a mudança, as pessoas não conseguem perceber que alguma coisa em relação à cena é diferente de como era antes. A alteração pode ser esperada ou não, mas o traço principal é que os observadores não a percebem olhando para a cena a qualquer momento no tempo. Em vez disso, o observador deve comparar o estado pós-mudança com o estado pré-mudança.

Muitos estudos mostraram que as alterações não precisam ser sutis para produzir essa cegueira. Até mesmo alterações extremas em uma cena visual passam despercebidas se ocorrem durante uma interrupção passageira como uma piscada, um movimento rápido dos olhos (em que o olho ligeiramente salta de um ponto para outro) ou uma cintilação da cena. O vídeo do “truque das cartas que mudam de cor” (color-changing card trick), feito pelo psicólogo e mágico Richard Wiseman da Universidade, de Hertfordshire, na Inglaterra, é um excelente exemplo do fenômeno. Na demonstração de Wiseman, os espectadores não percebem mudanças de cor que acontecem fora da área delimitada pela câmara. Vale notar que, apesar do nome, o vídeo do truque das cartas não usa mágica para provar o que quer.

A cegueira por desatenção difere da cegueira para a mudança, visto que não há necessidade de comparar a cena presente com uma cena lembrada. Em vez disso, as pessoas não percebem um objeto inesperado que está completamente visível bem na frente delas. O psicólogo Daniel J. Simons inventou um exemplo clássico do gênero. Simons e o psicólogo Christopher F Chabris, ambos da Universidade Harvard, pediram que observadores contassem quantas vezes um time de jogadores de basquete passava a bola um para o outro, enquanto ignoravam os passes feitos por três outros jogadores. Quando se concentraram na contagem, metade dos observadores não conseguiu perceber que uma pessoa vestindo uma fantasia de gorila passou pela cena (o gorila até para um pouco no centro da cena e bate no peito). Para criar o efeito, não foi necessário nenhuma interrupção abrupta ou distração; a tarefa de contagem era tão absorvente que muitos observadores que olhavam diretamente mira o gorila sequer o perceberam.

Os mágicos consideram a forma oculta do despiste mais elegante que a patente. Mas os neurocientistas querem saber que tipo de mecanismos neurais e cerebrais permitem que um truque funcione. Se o talento artístico dos mágicos deve ser adaptado pela neurociência, os pesquisadores querem entender que tipos de processos cognitivos são explorados por esse talento.

CIGARRO QUE DESAPARECE

Talvez o primeiro estudo a relacionar a percepção mágica com a medição fisiológica tenha sido publicado em 2005 pelos psicólogos Gustav Kuhn, da Universidade Durham, na Inglaterra, e Benjamin W Tatler, da Universidade de Dundee, na Escócia. Os dois pesquisadores mediram os movimentos dos olhos de observadores, enquanto Kuhn, que também é mágico, fazia um cigarro “desaparecer” jogando-o debaixo de uma mesa. Um de seus objetivos era determinar se os observadores não percebiam o truque porque não estavam olhando na direção certa, no tempo certo, ou porque não prestaram atenção, não importa a direção para onde olhassem. Os resultados foram claros: não fazia diferença para onde olhavam.

Um estudo semelhante com outro o truque de mágica, a “ilusão da bola es que desaparece”, traz indícios de que o mágico está manipulando a atenção dos espectadores em um alto nível cognitivo; a direção do olhar não é crucial para o efeito. Na ilusão da bola (o que desaparece, o mágico começa jogando uma bola para cima e pegando-a, diversas vezes sem maiores problemas. Depois, na última jogada, ele só tem a intenção de arremessar a bola. A cabeça e os olhos dele seguem a trajetória ascendente de uma bola imaginária, mas, em vez de jogar a bola, ele a esconde na mão secretamente. O que a maioria dos espectadores percebe, no entanto, é que a bola (não lançada) sobe – e depois desaparece no ar.

No ano posterior à sua pesquisa com Tarler, Kuhn e o neurologista Michael F. Land, da Universidade de Sussex, na Inglaterra, descobriram que o olhar dos espectadores não aponta para onde eles próprios afirmam ter visto a bola sumir. A descoberta sugere que a ilusão não engana os sistemas cerebrais responsáveis pelos movimentos dos olhos dos espectadores. Kuhn e Land concluíram que, ao contrário, os movimentos dos olhos e da cabeça do mágico foram cruciais para a ilusão, porque secretamente redirecionam o foco de atenção dos espectadores (em vez do olhar) para a posição prevista da bola. Os neurônios que responderam ao movimento implícito da bola sugerido pelos movimentos dos olhos e da cabeça do mágico encontram-se nas mesmas áreas visuais do cérebro que os neurônios sensíveis ao movimento real. Se o movimento implícito e o real ativam circuitos neurais semelhantes, talvez não seja surpresa que a ilusão pareça tão real.

Kuhn e Land criaram a hipótese de que a bola que desaparece deve ser um exemplo do “momentum representacional”. A posição final de um objeto em movimento que desaparece é percebida mais distante ao longo de seu trajeto do que sua real posição final – como se a posição prevista tivesse extrapolado a partir do movimento que acabou de acontecer.

Muitas vezes os espectadores tentam reconstruir truques de mágica para entender o que aconteceu durante o espetáculo – afinal, quanto mais o observador tenta (e não consegue) entender o truque, mais parece que foi “mágica”. Por sua vez, os mágicos costumam desafiar o público a descobrir seus métodos, por exemplo, “provando” que um chapéu está vazio ou que o vestido da assistente é apertado demais para esconder outro vestido por baixo. Praticamente tudo o que ocorre é feito para que a reconstrução seja o mais difícil possível, por meio do despiste.

COÇAR A CABEÇA

Mas, as cegueiras para a mudança por desatenção não são os dois únicos tipos de ilusões cognitivas que os mágicos tiram do chapéu. Suponha que um mágico precise levantar a mão para fazer um truque. Teller, integrante do grupo de ilusionismo conhecido como Penn & Teller, explica que, se ele ergue a mão sem nenhum motivo aparente, é mais provável que levante suspeitas do que se fizesse um gesto com a mão – como arrumar os óculos ou coçar a cabeça – que pareça natural ou espontâneo. Para os mágicos, esses gestos são conhecidos como “comunicando o movimento”.

Suposições não ditas e informações implícitas também são importantes tanto para a percepção de um truque quanto para sua reconstrução. O mágico James Randi (“the Amazing Randi”) observa que é mais fácil convencer os espectadores a aceitar sugestões e informações implícitas que asserções diretas. Por essa razão, o espectador deve lembrar, na reconstrução, das sugestões implícitas como se fossem provas diretas. Os psicólogos Petter Johansson e Lars Hall, ambos da Universidade de Lund, na Suécia, e seus colegas aplicaram essa e outras técnicas de mágica no desenvolvimento de uma forma completamente nova de abordar questões neurocientíficas. Eles apresentaram pares de figuras de rostos femininos para novatos em experimentos e pediram que escolhessem o mais atraente. Em algumas tentativas, eles tinham de descrever as razões da escolha. Algumas vezes os pesquisadores usavam uma técnica de prestidigitação, desconhecida para os sujeitos, aprendida com um mágico profissional chamado Peter Rosengren, para trocar um rosto pelo outro – depois de os sujeitos terem feito sua escolha. Assim, para os pares que foram manipulados secretamente, o resultado da escolha do sujeito se tomava oposto à intenção que ele tinha anteriormente. Estranhamente, os sujeitos perceberam a mudança em apenas 26% de todos os pares manuseados. Mais surpreendente ainda, quando as pessoas tinham de dizer as razões de suas escolhas em um reste manipulado, confabulavam para justificar o resultado – que era o oposto de sua escolha verdadeira. Johansson e seus colegas chamaram o fenômeno de “cegueira para a escolha.” Sugerindo tacitamente, mas de maneira firme, que os sujeitos já tinham feito uma escolha, os investigadores foram capazes de justificar as escolhas – até mesmo escolhas que não tinham feito.

Técnicas para desviar a atenção também podem ser apreendidas a partir das habilidades dos batedores de carteira. Esses ladrões, que geralmente agem em lugares públicos abarrotados, confiam amplamente no desvio de atenção baseado em aspectos sociais – contato pelo olhar, contato corporal e invasão do espaço pessoal da vítima, ou “alvo”. Batedores de carteira também movem suas mãos de forma distinta, dependendo do propósito existente.

Eles podem completar um caminho curvo com as mãos se quiserem atrair a atenção do alvo para toda a trajetória do movimento, ou podem fazer um caminho rápido e linear se querem tirar a atenção do trajeto e rapidamente mudar a atenção do alvo para a posição final.

As bases neurocientíficas dessas manobras são desconhecidas, mas nosso colaborador Apollo Robbins, batedor de carteiras profissional, ressaltou que dois tipos de movimentos são essenciais para desviar a atenção do alvo de modo eficaz. Assim foram propostas diversas explicações possíveis e passíveis de teste.

Uma proposta é que os movimentos curvos e retos da mão ativam dois sistemas de controle distintos no cérebro para mover os olhos. O sistema “de busca” controla os olhos quando eles seguem objetos que se movimentam suavemente, enquanto o sistema “sacádico” controla os olhos por meio do sistema de busca do alvo, e os movimentos rápidos e retilíneos podem levar o sistema rápido dos olhos a assumir o controle.

Assim, se o sistema de busca do alvo é fixado na trajetória curva da mão do batedor de carteiras, o centro da visão do alvo pode ser desviado do lugar onde se esconde o ladrão. E se os movimentos rápidos e retilíneos ativam o sistema sacádico do alvo, o batedor tem a vantagem de a visão do alvo ser suprimida enquanto o olho salta de um ponto ao outro. (0 fenômeno é bem conhecido nas ciências da visão como supressão sacádica).

Outra explicação possível para os deslocamentos distintos das mãos é que os movimentos curvos podem ser perceptivelmente mais visíveis que os lineares, e por isso chamam mais a atenção. Se for verdade, somente o sistema de atenção do cérebro – e não qualquer sistema de controle para os movimentos dos olhos – é afetado pelo desvio de atenção manual do batedor de carteiras.

CONSCIÊNCIA CONDICIONADA

Nossos estudos anteriores mostram que as curvas e os cantos dos objetos são mais salientes e geram uma atividade cerebral mais intensa que extremidades retas. É possível que isso se deva ao fato de curvas e cantos acentuados serem menos previsíveis e redundantes (e, portanto, mais curiosos e informativos) que extremidades retas. Pelo mesmo padrão, trajetórias curvas são menos redundantes, e por isso mais salientes que as retilíneas.

As possibilidades de usar a mágica como fonte de ilusão cognitiva no isolamento de circuitos neurais responsáveis por funções cognitivas específicas parecem intermináveis.

Neurocientistas recentemente se apropriaram de uma técnica da mágica que faz com que voluntários associem dois eventos como causa e efeito enquanto imagens de seu cérebro eram gravadas. Quando o evento A precede o evento B, geralmente concluímos que, de um jeito certo ou errado, A causa B. O mágico habilidoso aproveita-se dessa predisposição ao certificar-se de que o evento A (digamos, derramar água em uma bola) sempre precede o evento B (a bola desaparecer). Na verdade, A não causa B, mas sua aparência anterior ajuda o mágico a fazer com que seja dessa forma. Psicólogos cognitivos chamam esse tipo de efeito de correlação ilusória.

Em um estudo feito em 2006 por Kuhn e pelos neurocientistas cognitivos Bem A Parris e Tom L. Hodgson, ambos da University of Exeter, na Inglaterra, foram exibidos vídeos de truques de mágica que envolviam violações aparentes de causa e efeito para sujeitos submetidos a ressonância magnética. As imagens do cérebro dessas pessoas foram comparadas com as de um grupo de controle: pessoas que assistiram a vídeos sem violação de causa aparente. Os pesquisadores descobriram uma ativação maior no córtex cingulado anterior entre os sujeitos que assistiram truques de mágica que entre os controles. A descoberta sugere que essa área do cérebro pode ser importante para interpretar as relações causais.

O trabalho de Kuhn e de seus colegas só dá os primeiros indícios do poder das técnicas de mágica para manipular a atenção e a consciência durante o estudo da psicologia cerebral. Se os cientistas aprenderem a usar os métodos da mágica com a mesma habilidade dos mágicos profissionais, também serão capazes de controlar a consciência de modo preciso e em tempo real. Se relacionarem o conteúdo dessa consciência com o funcionamento dos neurônios, terão os meios para explorar alguns mistérios da própria consciência.

ENGANO DO OLHO OU DA MENTE

Uma ilusão baseada na pintura Enigma, do artista francês lsia Léviant, costuma induzir à falsa sensação de movimento em fluxo nos anéis concêntricos (fixe o olhar no ponto central da figura). Mas a origem dessa ilusão está na mente ou no olho? A evidência era contraditória até que os autores e seus colegas mostraram que o movimento ilusório é causado por microssacadas – movimentos mínimos e involuntários do olho – que ocorrem durante uma fixação visual. É essencial conhecer as funções do olho e da mente antes de usar as ilusões da mágica nas ferramentas experimentais da neurociência.

VAMOS LER SEUS PENSAMENTOS!

Você consegue explicar os fantásticos resultados do seguinte experimento de leitura mental feito por Clifford Pickover, prolífico autor de livros populares sobre ciência e matemática? Faça um teste de Pickover aqui. Usando o sistema de Percepção Extrassensorial (PES) é possível predizer o resultado correto de sua escolha com 98% de precisão. Para começar, escolha uma das seis cartas acima e memorize-a.

Diga em voz alta o nome da carta várias vezes para não esquecê-la. Quando tiver certeza de que a memorizou, circule um dos olhos na fileira abaixo.

Agora, vá para a figura abaixo.

 NÓS LEMOS SUA MENTE

Retiramos sua carta!

Adivinhamos a carta que você escolheu na sequência acima? Se sim, o sistema PES de Pickover explica nossa resposta correta, ou há alguma explicação parecida? Não siga adiante a não ser que queira saber a resposta.

Desistiu? Olhe mais uma vez as cartas na sequência acima.

BRINCANDO COM A COGNIÇÃO

Neurocientistas estudam as formas usadas pelos mágicos para explorar lapsos mentais. Entre elas:

CEGUEIRA PARA A MUDANÇA: O observador não percebe mudanças feitas durante uma breve interrupção. Ex.: A cor dos acessórios é modificada entre as cenas.

CEGUEIRA POR DESATENÇÃO: O espectador não percebe fatos que estão totalmente à vista. Ex.: Uma pessoa vestida de gorila transita em uma cena e passa despercebida.

CEGUEIRA PARA A ESCOLHA: O espectador explica as razões para a tomada da decisão. Ex.: Um homem não percebe quando uma fotografia que escolheu é trocada por outra, em segredo, e explica sua “preferência” pela última.

CORRELAÇÃO ILUSÓRIA: Parece haver relação de causa e efeito entre dois eventos independentes. Ex.: O mágico balança a varinha e um coelho aparece.

NEURÔNIOS POR TRAS DAS ILUSÕES VISUAIS

Nem toda mágica é cognitiva. Explorar as propriedades bem conhecidas do sistema visual também pode levar a efeitos incomuns, entre eles:

COLHER TORTA: o mágico balança uma colher de modo que o cabo pareça flexível.

POR QUE FUNCIONA: Os neurônios do córtex visual sensíveis tanto ao movimento quanto a extremidades de uma linha respondem às oscilações de modo diferente que outros neurônios visuais. O resultado é uma aparente discrepância entre as extremidades de um estímulo e seu centro; um objeto sólido parece dobrar no meio.

RETENÇÃO DO DESAPARECIMENTO VISUAL: O mágico remove um objeto do campo visual, mas ele ainda fica visível durante determinado tempo.

POR QUE FUNCIONA: A pós-descarga neural produz imagens residuais por cerca de 100 milissegundos depois que um estímulo termina.

ESPIRAIS ROTATIVOS DE JERRY ANDRUS: Os espectadores olham para um disco rodando com três zonas de movimento em expansão e contração. Depois, quando olham para um objeto fixo, este também parece se expandir e contrair.

POR QUE FUNCIONA: Neurônios se adaptam de modo diferente aos movimentos nas três zonas do campo visual.

INDUZINDO NARRATIVAS FALSAS

Em um experimento foram mostrados pares de fotografias para os sujeitos (o) e pedido que escolhessem a imagem mais atraente (b). Depois de cada escolha os pesquisadores viravam as imagens para baixo (e) e usaram a prestidigitação para trocar algumas das imagens escolhidas pelas rejeitadas. A ” es colha”, então, era virada para cima e os sujeitos tinham de explicar a preferência. Mesmo quando a escolha mostrada era na verdade a imagem rejeitada (d), muitos sujeitos “explicavam” sua escolha. A ânsia das pessoas em ajustar o que falsamente pensam ser suas escolhas em uma narrativa internamente consistente pode, dessa forma, substituir a lembrança de suas verdadeiras escolhas.

COMO LIDAMOS COM O “IMPOSSÍVEL”

Durante um experimento, vídeos de truques de mágica que parecem retratar relações causais impossíveis, como fazer uma bola desaparecer (primeira fileira de fotos) foram exibidos para alguns sujeitos, enquanto eram submetidos a ressonância magnética cerebral. Um grupo de controle viu vídeos bem parecidos, com a exceção de que nenhum truque de mágica foi usado (fileira de baixo). As áreas demarcadas do cérebro (direita) mostram onde a atividade neural adicional aconteceu quando os sujeitos viam os vídeos de mágica em vez dos vídeos de controle.

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