A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A TRADIÇÃO SECRETA DE FREUD

Nas origens da psicanálise é possível identificar influências do misticismo heterodoxo judaico; a despeito das perspectivas contrárias à religião tradicional, obras como Totem e tabu abordam temas de espiritualidade

Muito mais profunda e abrangente do que em geral se acredita foi a influência da religião, em seus diversos modos e dimensões, na vida e na obra de Sigmund Schlomo Freud – nascido em uma família judia asquenazita em 6 de maio de 1856, em Freiberg, Áustria (hoje território da República Tcheca) e falecido em Londres, em 23 de setembro de 1939, aos 83 anos. A ideia de que o fundador da psicanálise foi um intelectual completamente fechado na cultura cientificista e secularizada não guarda correspondência com os fatos. Em sua autobiografia, por exemplo, ele fala da familiaridade com as histórias da Bíblia antes mesmo de ter aprendido a escrever e do quanto este conhecimento teve um efeito duradouro sobre seus interesses. Ainda mais importante, a religião foi objeto de uma grande parte de seus artigos, ensaios e cartas. Entre os livros, três de suas obras mais importantes tratam diretamente do tema: Totem e tabu (1913); O futuro de uma ilusão (1927); e Moisés e o monoteísmo (1939).

Em Totem e tabu, sustentou a controvertida e petulante tese de que toda religião não passa de uma forma coletiva de neurose – ou de culpa pelo homicídio da figura paterna. Em O futuro de uma ilusão, escreve que a religião deriva de desejos humanos. Não haveria nela, portanto, elementos transcendentes ou revelados, e Deus representaria apenas um anseio infantil pela figura paterna. Em suma, expunha uma visão negativa da natureza e do papel da religião: ou era uma ilusão ou uma expressão coletiva de neurose.

Finalmente, em Moisés e o monoteísmo, leva ao paroxismo sua fixação no tema do homicídio do pai ao apresentar o profeta e revelador da tradição judaica, Moisés, como um gói (não-judeu) – no caso, um egípcio! O homem que revelou a Torá e trouxe as Tábuas da Lei – código de conduta depois ‘universalizado” ao ser incorporado tanto pelo cristianismo como pelo islamismo -, o mesmo Moisés que libertou seu povo do faraó, cerca de 1.300 anos antes de Cristo, não seria um judeu. Além disso, segundo a visão altamente idiossincrática de Freud, ele foi morto pelos próprios israelitas, supostamente revoltados com a imposição da circuncisão! Ao matar tal “pai” e, depois, para fazer frente ao sentimento de culpa resultante, os judeus passam a seguir a religião de Moisés como forma de expiação de sua culpa. Nesta desconstrução iconoclasta da figura do pai por excelência da tradição judaica, Freud pretende pôr em xeque, por meio de uma simples “canetada”, uma tradição milenar.

ANTIPATIAS

Neste momento é importante ressaltar a pouco conhecida relação de Freud com o misticismo heterodoxo, que dá conta do intenso intercâmbio do inventor da psicanálise com formas dissidentes da cabala, especialmente com o legado das escolas sabataístas (século XVII) e frankista (século XVIII), que agitaram profundamente as comunidades judaicas na Europa e no Oriente Próximo. Ou seja, se Freud de fato nutria uma visceral antipatia e implicância em relação a religiões tradicionais – sobretudo a ortodoxia mosaica -, por outro lado tinha conhecimentos abrangentes e interesse por toda forma de heterodoxia e de movimentos de rebeldia religiosa. Esse fato é atestado por seu grande apreço por técnicas cabalistas como a de interpretação dos sonhos e sua imensa coleção de ídolos e estátuas de divindades diversas, que atulhavam seu escritório e seu consultório em Viena em oposição, diga-se, ao primeiro mandamento da lei mosaica, que diz: “Não terás outros deuses além de Mim; não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma. (…) Não adorarás tais coisas” (Êxodo, 20:3-7).

A vida de Freud pode ser dividida em dois períodos principais. O conhecimento que temos do segundo abarcando o século XX – é bastante extenso. Caracterizam-no palavras-chave como neurologia, psiquiatria ou ciência. Quanto ao período inicial, abrangendo o século XIX, há muito pouca informação disponível. Tal período pode ser simbolizado por palavras-chave como diáspora judaica, gueto, cabala e, inevitavelmente, anti-semitismo. Foi nesse ambiente que ele nasceu e cresceu, e do qual recebeu influências que marcariam todo o seu posterior percurso existencial e intelectual.

Um exemplo dessa influência duradoura é o prefácio que escreveu para a edição hebraica de Totem e tabu, publicada em Jerusalém, em 1939, ano de sua morte. “Eu me encontro tão distanciado da religião paterna como de toda outra religião, mas nunca reneguei a conexão com meu povo. Se alguém, contudo, me perguntasse o que ainda há de judeu em mim, dado que renunciei a tantos elementos comuns, eu responderia: ainda muitas coisas, talvez todo o principal.”

Essas palavras foram compostas, provavelmente, para prevenir possíveis reações contrárias, dadas as críticas violentas aos “elementos comuns aos quais ele renunciou” – referência ao seu abandono da tradição de seus pais – , mas também para indicar que, por trás da rejeição à ortodoxia mosaica, havia ainda uma ligação com correntes subterrâneas do misticismo judaico.

ARQUIVOS DESTRUÍDOS

Pouco se sabe desse período inicial, entre outras razões porque o próprio Freud destruiu seu arquivo de documentos pessoais pelo menos duas vezes, em 1885 e em 1907. Alguns eruditos perguntam qual a razão para isso. A resposta mais óbvia é que a ação visava resguardar tanto informações puramente pessoais como também, inevitavelmente, documentos que poderiam indicar visões diferentes da oficial que se queria propagar. Além disso, os documentos posteriores a esta data têm permanecido rigorosamente guardados nos Arquivos Freud e só têm se tornado disponíveis a um círculo restrito de psicanalistas “ortodoxos”.

Seja como for, uma inovação tão revolucionária como a psicanálise, que ademais transmitiu sua influência para diversos e variados domínios da cultura contemporânea, cujos conceitos e práticas se infiltraram em praticamente todo tipo de atividade, não poderia ser obra exclusiva de uma única mente, como observou o autor americano Whitall Peny em Challenges to the secular society (EUA, 1996). Em Moisés e o monoteísmo, o próprio Freud notou que “tudo o que existe hoje deriva de alguma corrente do passado”. Esta corrente, subjacente às origens da psicanálise, refere-se à própria tradição judaica, sobretudo ao seu ramo místico, a cabala. E, mais particularmente ainda, suas correntes heterodoxas ou antitradicionais.

As origens familiares de Freud eram hassídicas, escola mística estabelecida no leste europeu no século XVIII. Sua maior figura é o Baal Shem Tov (1 700-1760), o “mestre do nome sagrado”, fascinante “homem santo” que renovou o judaísmo com seu fervor místico e sua ênfase na oração, na música e na dança como suportes contemplativos. O hassidismo, contudo, como apontou Gershom Scholem em O nome de Deus (1999), não ficou imune às teses subversivas de escolas heterodoxas como o sabataísmo e o frankismo.

Sabatai Zevi (1626-1676), originário de Esmirna (atual Turquia), declarou-se o “messias” e causou uma torrente de entusiasmo entre as comunidades judaicas da Europa e do Oriente Médio. Costumava assinar suas cartas com um prosaico “o Senhor, seu Deus. Sabatai Zevi”. A despeito da excomunhão que sofreu por parte do rabinato de Jerusalém, contou com o apoio entusiástico das massas e entrou em Istambul, capital do então poder o Império Otomano, com o propósito de converter o sultão ao seu tipo especial de judaísmo. Pagou caro, contudo, por sua ousadia e irrealismo: foi ele quem teve de trocar de lado, apostatando para o Islã sob o nome de Mehmet Effendi.

A frustração que tal fraude causou no mundo judaico foi enorme, mas o anarquismo religioso e a ruptura com a tradição, incluindo a contestação da moral sexual, como pregados por Sabatai Zevi, deixaram sequelas.

No século seguinte, outro rebelde, Jacob Frank (1726-1791), se auto­ proclamou seu continuador; é quase desnecessário informar que também se dizia o “messias” e que, igualmente, foi excluído da comunidade judaica. O credo e o culto frankista desafiavam a lei mosaica. Seu “fazei o que quiseres, é tudo da lei” era posto em prática especialmente mediante ritos de “liberação dos instintos sexuais”. Com suas teses condenadas, Frank acabou por simular, como Zevi, adesão a outra religião, desta vez o catolicismo e, assim, sua influência extrapolou os limites do mosaísmo, abrangendo a Europa central e oriental, onde suas ideias circulavam com desenvoltura no século XIX, quando Freud nasceu. “Eu vim ao mundo para livrá-lo de todas as leis e estatutos em vigor”, Frank costumava dizer. Nas palavras de Gershom Scholem, Jacob Frank foi uma das mais sinistras figuras do messianismo judaico, mescla de “déspota, profeta popular e impostor ardiloso”.

Tais correntes heterodoxas exerciam influência latente no judaísmo, levando seus adeptos à crença de que teriam “superado” a Torá. David Bakan, professor de psicologia da Universidade de York, sustenta, no estimulante Freud and the lewish mystical tradition (Dover, 2004), que foram essas correntes que influenciaram diversas concepções freudianas. Freud operou desse modo uma secularização da mística judaica, e a psicanálise pode ser vista como tal secularização.

SEGREDOS DO OFÍCIO

Mas, se foi de fato assim, por que não há referências explícitas a este ponto em sua obra? A resposta que Whitall Peny e David Bakan dão é convergente: uma das causas foi o anti-semitismo; a outra, o orgulho de Freud, sua “personalidade messiânica” como notou Bakan. Freud temia que no contexto de racismo, latente ou explícito, vigente na Europa de então, indicar suas fontes judaicas, ainda que não ortodoxas, exporia desnecessariamente a psicanálise a forte, e talvez fatal, oposição. Não foi por outra razão que ele insistiu tanto na unção de Carl Gustav Jung, o único não-judeu do círculo inicial da psicanálise, como seu sucessor e presidente da Sociedade Psicanalítica Internacional. A defecção de Jung causou tanto mais desgosto em Freud na medida em que ele acreditava que o suíço “salvaria a psicanálise”. Outro fator a ser levado em conta é que o segredo e a dissimulação fazem parte da cabala; tanto da ortodoxa como das correntes heterodoxas. A cabala, além disso, inclui o que, na falta de um termo melhor, poderíamos chamar de “visão consagrada” da sexualidade. Entre suas visões figura a da união conjugal como uma emanação da união in divinis entre o Divino e sua Shekinah (a presença Divina), protótipo perene de todas as polaridades complementares que se manifestam no mundo do tempo e do espaço – como a terra e o céu, o dia e a noite, o esforço e o descanso, o masculino e o feminino, etc.

O par oposto e completamente formado pelo polo masculino e pelo feminino constitui, assim, uma resultante da primeira polarização que ocorre no Princípio Supremo, entre Absoluto e Infinito. É dessa dualidade principial que deriva todas as oposições distintas e complementares que fazem o mundo terreno. Dessa maneira, a sexualidade humana é encarada simbolicamente como conectada à “atividade” eterna da Divindade. Não é por outra razão que a intrínseca sacralidade atribuída ao sexo, nas civilizações tradicionais, é cercada de ada de rígidas condições e sanções.

SENTIDOS OCULTOS

É por isso também que o código mosaico – ao qual Freud, como judeu, estava originalmente vinculado – coloca os desvios sexuais como particularmente graves. Não surpreende, portanto, que as transgressões do código mosaico estejam no centro de interesse da teoria e da prática psicanalítica.

Freud, dessa forma, não inovou propriamente ao trazer a sexualidade para o centro da cena. Mas, ao efetuar essa operação, tornou-a profana, dessacralizou-a, desvinculando-as de seus elos com o domínio transcendente. Assim, despojou a sexualidade humana de sua aura espiritual.

Nessa secularização, Freud foi tão longe a ponto de, em outra operação iconoclasta, “desconstruir” a figura do “pai” da tradição de seus antepassados como fez em Moisés e o monoteísmo, uma obra exótica e excêntrica. Nessa operação transparece algo das ideias antitradicionais e “anarquistas” de Sabatai Zevi e Jacob Frank.

Outro exemplo de influências esotéricas heterodoxas pode ser visto no interesse do fundador da moderna psicanálise pela técnica cabalista da gematria – estudo dos significados ocultos dos números e das letras -, curiosamente usada pelos adeptos de Sabatai Zevi para “provar” sua condição messiânica. Freud valeu-se da gematria na interpretação dos sonhos, na técnica da “livre associação” e, também, na análise dos atos falhos. A visão reducionista da religião tradicional – pois o freudismo tem a pretensão de tudo reduzir a fatores psíquicos e de excluir o intelectual e o espiritual, encarando as expressões da espiritualidade como consequência de uma “sexualidade reprimida” – não se limitou ao campo judaico, podendo-se constatar operações similares também em relação ao cristianismo. A começar pela ideia da “sucessão apostólica”.

Cristo transmitiu aos apóstolos autorização para ouvir confissões e “perdoar” pecados, o que envolve a transmissão de poderes espirituais. Mediante iniciação religiosa – o sacramento da Ordem -, certos indivíduos são investidos do sacerdócio e recebem tais “poderes”. Freud, por assim dizer, adaptou, segundo seu método “desconsagrador”, tal concepção: um psicanalista só se habilita a pôr em prática as metodologias específicas da profissão, segundo a concepção freudiana, se for antes psicanalizado ou “iniciado” por outro analista.

O princípio pelo qual todo psicanalista deve antes ser analisado levanta a incômoda questão, como observou René Guénon em O reino da quantidade e os sinais dos tempos (1989), acerca da fonte a partir da qual os primeiros analistas obtiveram os poderes que transmitem. Ou seja, quem ocupou o primeiro lugar na fila e passou os “segredos” do ofício a Freud. E se ele foi o primeiro da série, autocolocava-se então, ainda que de forma “cabalisticamente” dissimulada, como o fundador de uma nova linhagem pararreligiosa?

Técnicas do confessionário católico foram igualmente reelaboradas pela psicanálise, também em modo secularizante. O caráter rigorosamente individual da sessão psicanalítica, a tese da transferência – sejam pecados ou complexos – , o alívio da culpa e até o próprio posicionamento físico dos envolvidos são alguns exemplos de paralelismos com o confessionário, a despeito, é claro, de os valores e objetivos envolvidos serem radicalmente distintos.

LUGAR DO SACERDOTE

Para a maioria dos psicólogos modernos, escreveu Titus Burckhardt em Modem psychology, a moralidade tradicional – facilmente confundida com uma moral puramente social ou convencional – não passa de uma espécie de barragem psíquica, útil ocasionalmente, mas, mais comumente, um obstáculo ou mesmo algo prejudicial ao desenvolvimento saudável do indivíduo. Essa opinião é propagada especialmente pela psicanálise, que se tornou amplamente aplicada em alguns países, onde usurpou na prática a função que em outros lugares pertence ao sacramento da confissão. O psicanalista substitui o sacerdote e a irrupção de complexos toma o lugar da absolvição. Na confissão ritual, o sacerdote não é senão o representante impessoal – necessariamente circunspecto e cauteloso – da Verdade transcendente que julga e perdoa; o penitente, ao admitir seus erros e pecados, funde tendências psíquicas que esses pecados manifestam. Ao arrepender-se, ele separa a si mesmo desses erros e pecados e, ao receber o perdão sacramental, sua alma é virtualmente reintegrada e recentrada em seu equilíbrio primitivo. No caso da psicanálise, o homem expõe suas entranhas psíquicas, não diante de um representante do sagrado, mas de um profissional profano. Ele não se distancia das profundezas caóticas e obscuras de sua alma, as quais o psicanalista revela ou remexe, mas, pelo contrário, aceita-as como suas, pois deve dizer para si mesmo: “Isto é o que eu sou na realidade”.

Essa tendência secularizante, de que a psicanálise é apenas um exemplo, pode ser percebida no ideário moderno em geral como intuito de cortar as “asas metafísicas” do homem, como observou Frithjof Schuon. Suspenso, por assim dizer, entre dois planos de realidade, o físico e o metafísico, o homem é reduzido pelo freudismo, na prática ao primeiro. Isso, contudo não surpreende se se tem em conta a antropologia reducionista: para o Freudismo, o homem em última instância é o id, a parte instintiva, animal e irracional oculta por trás da “máscara” da racionalidade – id que constitui, assim, o “cerne de nosso ser”, como Freud sustentou, por exemplo em Outline of pshychoanalysis.

Mas a pergunta é inevitável: se a racionalidade é apenas “uma espécie de fachada”, como Freud escreveu em O mal estar na civilização, para uma animalidade mais fundamental e a custo mantida sob controle – animalidade que é “o cerne de nosso ser” – como fica a própria psicanálise, dado que ela é também uma doutrina que se quer racional? É ela condenada por seu próprio veredito, como argutamente apontou Schuon, ou seria a única doutrina a escapar como um passe de mágica dessa animalidade tornada inescapável?

CURA DE ALMAS

Outro autor a quem as contradições do freudismo tampouco passaram despercebidas foi o romeno Mircea Eliade. Em sua autobiografia, No souvenirs, o historiador das religiões afirma que “a psicanálise justifica sua importância dizendo que ela nos força a olhar para a realidade e aceita-la. Mas que tipo de ‘realidade?’ Uma realidade condicionada pela ideologia materialista da própria psicanálise”. Em Cultural fashions and history of religions, Eliade critica as “histórias de horror apresentadas como fato histórico objetivo” num dos principais textos sobre religião de Freud, Totem e tabu – livro este que constitui um autêntico   roman noir, frenético para Eliade.

A conclusão a que se chega após ponderar esses elementos é que, a despeito de sua violenta hostilidade à religião tradicional, Freud utilizou diversos conceitos e procedimentos derivados dela. Os princípios para a análise dos sonhos e dos atos falhos, por exemplo, devem à gematria cabalista. A sessão psicanalítica é devedora de técnicas do confessionário. A ideia da “transmissão psicanalítica” vem da “sucessão apostólica” católica. O conceito do complexo de Édipo foi tirado da antiga religião grega. O papel central atribuído à sexualidade deriva da cabala. Influências essas, ou melhor, “empréstimos ” esses nunca reconhecidos por Freud. Envolvendo toda essa atmosfera, percebe-se também um viés mental antinômico e negacionista, herdado – inconscientemente? – de correntes heterodoxas do judaísmo como o sabataísmo e o frankismo. Em síntese, a despeito de sua perspectiva virulentamente contrária à religião tradicional, o freudismo paradoxalmente se atribui papéis que de fato são espirituais, como o alívio da culpa e a cura de almas, sendo que um autêntico médico da alma sempre foi visto, em todas as civilizações, como um pontifex ou um medicine-man, um genuíno mestre espiritual. Esses papéis obrigam a psicanálise a se colocar na prática como um substituto da religião ou uma contrafação da espiritualidade, posando simultaneamente de descobridora de fatos que já eram conhecidos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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